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O Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL-UFRJ) publica o Texto de Discussão do Setor Elétrico (TDSE) nº 158, intitulado “Avaliação econômico-financeira de sistemas de armazenagem por baterias: Metodologia de modelagem e aplicações em BESS fixos e móveis”. Elaborado por Nelson F. Siffert, Cesar Sobral, Maurício Moszkowicz e João Vieira no âmbito do Programa de PD&I da ANEEL com apoio da KARPOWERSHIP Brasil Energia, o estudo estabelece uma metodologia estruturada para mensurar a viabilidade e a bancabilidade de Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS) embarcadas e móveis no Setor Elétrico Brasileiro.
A abordagem integra projeções de fluxo de caixa descontado (FCFF e FCFE) com indicadores fundamentais (VPL, TIR, WACC, Ke e ICSD) para determinar endogenamente a receita fixa mínima requerida pelos projetos. Como aplicação empírica, realizou-se a modelagem de um caso de 30 MW / 120 MWh balizado pelas diretrizes do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026) para um horizonte de 15 anos.
Os resultados demonstram que, para os BESS embarcados e móveis, a arbitragem pura de preços é insuficiente para cobrir os investimentos sob as condições atuais do mercado nacional. Para o modelo de contrato por disponibilidade, a receita anual de equilíbrio calculada foi de R$ 33,12 milhões (sem impostos diretos) e de R$ 60,88 milhões (com tributação). Na análise da variante móvel e embarcada, a mobilidade foi valorada como uma opção econômica que exige um prêmio de receita entre 9,6% e 27,8% para compensar os custos adicionais de CAPEX, logística e infraestrutura.
Conclui-se que o modelo contratual vigente (CRCAP) impõe restrições aos BESS embarcados e móvel devido à exigência de um ponto de conexão fixo. Para superar o entrave e monetizar a flexibilidade locacional, o estudo propõe o aperfeiçoamento regulatório por meio de bônus locacionais nos leilões, da criação de produtos específicos para BESS embarcados e móveis ou da autorização para que o empreendedor comercialize diretamente a energia de carga e descarga.
ISBN: 978-85-7197-046-5
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Cesar Sobral (pesquisador sênior do Gesel-UFRJ), Mauricio Moszkowicz (pesquisador sênior do Gesel-UFRJ), Henrique Reis (sócio do Demarest Advogados) e João Vieira (Project Manager da Karpowership Brasil Energia) analisam os desafios regulatórios relacionados aos sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) embarcados, móveis e flutuantes, destacando o descompasso entre a rápida evolução tecnológica e a fragmentação normativa existente. Os autores sustentam que a ausência de um regime jurídico específico não inviabiliza essas soluções, desde que haja coordenação entre normas já existentes e adoção de padrões técnicos reconhecidos internacionalmente. O texto examina a experiência internacional, os avanços recentes da regulação brasileira promovidos pela Aneel, pelo MME e pela EPE, bem como as limitações desses marcos diante das características dos ativos móveis. Conclui que o Brasil deve priorizar uma regulação flexível, funcional e tecnologicamente neutra, capaz de promover segurança jurídica sem restringir a inovação, favorecendo a integração dos BESS embarcados à transição energética nacional.
(Publicado pela Agência CanalEnergia)
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Mauricio Moszkowicz, Cesar Sobral, Lillian Monteath, Kalyne Brito (pesquisadores do Gesel-UFRJ) e João Vieira (Project Manager da Karpowership Brasil Energia) analisam o potencial dos sistemas de armazenamento de energia em baterias embarcados em embarcações como solução inovadora para ampliar a flexibilidade dos sistemas elétricos. Os autores argumentam que a crescente participação de fontes renováveis intermitentes exige novos mecanismos de confiabilidade e armazenamento, destacando os chamados BESS embarcados como alternativa capaz de oferecer mobilidade, rápida realocação e suporte operacional a redes elétricas. O texto examina experiências internacionais, especialmente na Europa, onde embarcações eletrificadas e sistemas integrados de carregamento já contribuem para a redução de emissões e, em alguns casos, para a prestação de serviços ao sistema elétrico por meio dos conceitos ship-to-grid e vessel-to-grid. Também são discutidas barreiras técnicas, econômicas e regulatórias relacionadas à integração entre os setores elétrico e marítimo-portuário. Para o Brasil, os autores identificam oportunidades relevantes em sistemas isolados, na descarbonização portuária e na oferta de serviços ancilares, suporte à confiabilidade e redução de restrições operacionais. Concluem que a expansão dessa tecnologia dependerá principalmente da construção de um arcabouço regulatório específico e de mecanismos de coordenação institucional capazes de capturar os benefícios sistêmicos proporcionados pelos ativos móveis de armazenamento.
(Publicado pela Agência CanalEnergia)