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O Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL-UFRJ) está publicando o Texto de Discussão do Setor Elétrico (TDSE) nº 156, intitulado “The Geography of Decarbonization: Distorted Relative Prices and the Misallocation of Global Green Investment”. O estudo, publicado em língua inglesa, analisa como a transição para uma economia de baixo carbono está promovendo uma reorganização profunda na geografia da produção mundial e na estrutura de preços relativos, considerando a emergência de novos fatores de produção como a energia limpa, o capital natural e os ativos geograficamente fixos. Foram quatro eixos centrais de discussão: a redefinição das vantagens comparativas sob a ótica da descarbonização; o papel das características físicas dos sistemas renováveis no retorno da importância da geografia; os impactos das intervenções de política industrial verde na distorção da competitividade efetiva; e os desafios impostos pela incerteza da demanda e pelas restrições de bancabilidade de projetos. O trabalho examinou como a divergência entre a competitividade estrutural (baseada em fundamentos de custo) e a competitividade efetiva (moldada por subsídios e barreiras) pode subsidiar a compreensão de por que o investimento verde ainda não flui massivamente para economias ricas em recursos renováveis. Os debates concentraram-se em temas como o impacto dos subsídios massivos dos Estados Unidos (IRA) e das barreiras regulatórias da União Europeia (CBAM) na manutenção da produção em locais estruturalmente ineficientes; o fenômeno da “rematerialização” da economia, que aumenta a dependência de ativos físicos como minerais críticos e infraestrutura de transmissão; e o potencial do powershoring para atrair etapas eletrointensivas de cadeias globais de valor para regiões com energia limpa abundante. O estudo acena para a complexidade dessa integração, que exige reconfigurações profundas na governança global e uma articulação institucional coordenada para harmonizar sistemas de certificação e padrões técnicos interoperáveis. Conclui-se que o principal desafio será alinhar as metas climáticas à eficiência econômica global, de modo que o sucesso da transição energética dependerá de arranjos capazes de permitir que a produção se desloque para onde a geografia e a física indicam ser mais barato e menos intensivo em emissões, garantindo uma descarbonização rápida e inclusiva.
ISBN: 978-85-7197-044-1
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Coordenador-Geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico – Gesel-UFRJ) e Vitor Santos (Professor Catedrático do ISEG – Instituto de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa e pesquisador associado do Gesel-UFRJ) analisam os impactos da guerra promovida por Estados Unidos e Israel contra o Irã sobre o mercado europeu de gás natural e os reflexos desse cenário para a eletrificação das economias da União Europeia. Os autores destacam que a escalada do conflito provocou forte aumento e elevada volatilidade dos preços do gás natural, pressionando os custos da eletricidade e ampliando riscos inflacionários. O texto evidencia que países com maior participação de fontes renováveis apresentaram maior resiliência energética, enquanto economias dependentes do gás importado sofreram impactos mais severos. A análise também compara o ritmo de eletrificação europeu ao avanço chinês e apresenta exemplos como Noruega e França, ressaltando políticas voltadas à descarbonização, segurança energética e expansão das energias limpas. Na conclusão, os autores defendem a eletrificação baseada em fontes renováveis como estratégia indispensável para reduzir a vulnerabilidade geopolítica e energética da Europa.
(Publicado pelo Broadcast Energia)
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) e Fernando de Lima Caneppele (professor da USP e pesquisador associado do GESEL-UFRJ) analisam como a instabilidade geopolítica decorrente da guerra contra o Irã acelera a busca por alternativas energéticas aos combustíveis fósseis, com destaque para o hidrogênio de baixo carbono. Os autores defendem que choques de oferta e riscos logísticos globais impulsionam decisões estratégicas voltadas à segurança energética, transformando o hidrogênio em ativo relevante para mitigar volatilidade e garantir previsibilidade. Argumentam que a redução expressiva dos custos dos eletrolisadores, especialmente pela indústria chinesa, viabiliza a expansão dessa tecnologia em escala industrial. Sustentam ainda que o Brasil possui vantagens competitivas significativas, como matriz elétrica limpa e potencial renovável, que podem posicioná-lo como hub global desse mercado. Concluem que a transição energética é irreversível e que o hidrogênio de baixo carbono tende a se consolidar como pilar da nova infraestrutura energética mundial.
(Publicado pelo Broadcast Energia)
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) e Vitor Santos (professor catedrático do ISEG – Instituto de Economia e Gestão – da Universidade de Lisboa) analisam os efeitos da guerra contra o Irã sobre o mercado global de energia. Os autores defendem que o conflito gera externalidades negativas significativas ao afetar diretamente a produção e o transporte de petróleo e gás, elevando preços e propagando impactos inflacionários em diversas cadeias produtivas. Destacam o papel estratégico do Estreito de Ormuz e evidenciam a vulnerabilidade energética de economias dependentes de importações. Argumentam que choques de oferta ampliam incertezas globais e que os mercados reagem de forma desigual, especialmente no caso do gás natural. Sustentam ainda que os Estados Unidos se beneficiam economicamente e geopoliticamente do cenário, ampliando sua influência sobre esses mercados. Concluem que países importadores devem intensificar investimentos em transição energética para reduzir dependências externas.
(Publicado pelo Valor Econômico)
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Coordenador-Geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico – GESEL), Cristina da Silva Rosa (Pesquisadora Associada do GESEL e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Economia da UFRJ) e Piero Carlo Sclaverano dos Reis (Pesquisador Associado do GESEL e doutorando do PPE da Coppe – UFRJ) analisam o papel do sandbox regulatório como instrumento estratégico para a modernização do Setor Elétrico Brasileiro (SEB) diante dos desafios impostos pela transição energética. Os autores argumentam que a crescente complexidade decorrente de inovações tecnológicas, novos modelos de negócio e descentralização da geração exige mecanismos regulatórios mais flexíveis e adaptativos. Nesse contexto, o sandbox surge como ambiente experimental supervisionado pela Aneel, permitindo testar soluções inovadoras com menor risco institucional e maior capacidade de aprendizado regulatório. O texto destaca a evolução desse instrumento no Brasil, sua aplicação inicial no campo tarifário e sua expansão para áreas como resposta da demanda, serviços ancilares e inclusão energética. Conclui que a consolidação do sandbox como ferramenta estruturante depende de sua integração a uma estratégia regulatória mais ampla, capaz de promover inovação com segurança, eficiência e estabilidade institucional.
(Publicado pelo Broadcast Energia)
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico [GESEL]), Angela Livino (pesquisadora associada do GESEL-UFRJ), Roberto Brandão (diretor técnico-científico do GESEL-UFRJ) e Ana Carolina Chaves (pesquisadora plena do GESEL-UFRJ) tratam do papel estratégico do armazenamento hidráulico na transição energética brasileira, destacando que a matriz elétrica nacional, fortemente renovável e baseada em hidrelétricas, é uma vantagem ainda subestimada. Argumentam que a expansão de eólicas e solares exige soluções de flexibilidade e confiabilidade, sendo os Sistemas de Armazenamento Hidráulico (SAH) essenciais por funcionarem como “baterias de água” capazes de armazenar energia em larga escala e por longos períodos. O Brasil reúne condições únicas para liderar esse modelo, mas enfrenta entraves regulatórios, econômicos e institucionais que dificultam investimentos. O artigo defende a criação de mecanismos de remuneração, ajustes legais e coordenação entre órgãos para viabilizar os SAH, transformando-os em infraestrutura central para garantir segurança energética, competitividade e sustentabilidade no longo prazo.
(Publicado pelo Valor Econômico)
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Roberto Brandão (diretor técnico-científico do GESEL/UFRJ), Ana Carolina Chaves (pesquisadora plena do GESEL-UFRJ), Angela Livino e Katarina Ferreira (pesquisadoras associadas do GESEL-UFRJ) tratam do papel estratégico do armazenamento de energia na viabilização da transição energética diante da crescente participação de fontes renováveis intermitentes. A partir da análise das experiências de países como Austrália, Reino Unido, Itália, Estados Unidos, Espanha, Portugal e China, os autores mostram que a expansão consistente de eólica e solar tem sido acompanhada pelo fortalecimento da capacidade de armazenamento, seja por sistemas hidráulicos ou baterias em escala de rede, apoiados por diferentes instrumentos regulatórios e de mercado. Apesar das distintas abordagens institucionais, observa-se uma convergência: projetos de longa duração exigem mecanismos estáveis de remuneração e redução de risco, enquanto as baterias avançam com apoio de serviços ancilares, incentivos iniciais e integração aos mercados elétricos. A principal lição internacional, segundo os autores, é que o armazenamento deixou de ser complementar e passou a constituir infraestrutura crítica, cuja expansão depende de previsibilidade regulatória, coordenação institucional e mecanismos claros de valorização da flexibilidade para sustentar sistemas elétricos descarbonizados e confiáveis.
(Publicado pela Agência CanalEnergia)
Em artigo publicado no Valor Econômico, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) e Daniel Araujo Carneiro (Diretor da DAC Consultoria e pesquisador associado do GESEL-UFRJ) analisam a necessidade de modernizar a estrutura tarifária do Setor Elétrico Brasileiro (SEB) diante da inserção massiva de renováveis variáveis, especialmente solar fotovoltaica e eólica, com destaque para a micro e minigeração distribuída (MMGD). Os autores argumentam que a intermitência dessas fontes criou forte assimetria entre oferta e demanda: energia abundante e barata em horários de alta irradiação e custos elevados ao entardecer, quando é necessário acionar hidrelétricas com reservatório e térmicas a gás. Contudo, essa variação de custos não está refletida nas tarifas estáticas e volumétricas aplicadas aos consumidores de baixa tensão. Com a promulgação da Lei 15.269/2025, estabelece-se base jurídica para que a Aneel avance na adoção de sinais de preço horários mais granulares. O objetivo é duplo: oferecer instrumentos de gestão de demanda ao ONS e às distribuidoras para mitigar rampas de carga no período noturno e alinhar o preço ao custo real da energia. A eficácia da mudança dependerá da elasticidade-preço da demanda, de estratégias de comunicação baseadas em economia comportamental e da digitalização das redes. Pontua-se também que a integração com tecnologias como BESS, usinas reversíveis, MMGD e veículos elétricos exige modelagens sofisticadas para evitar distorções e garantir sustentabilidade econômica. O artigo conclui que a transição tarifária, agora respaldada legalmente, é essencial para eficiência alocativa, justiça distributiva e redução de conflitos regulatórios no setor elétrico brasileiro.
(Publicado pelo Valor Econômico)
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Coordenador-Geral do GESEL), Renata La Rovere, Ana Carolina Chaves e Katarina Ferreira (Pesquisadoras do GESEL-UFRJ) analisam o papel dos Sistemas de Armazenamento Hidráulico (SAH) no contexto da transição energética brasileira — tecnologia que representa mais de 94% da capacidade mundial de armazenamento de longa duração. A rápida expansão das fontes renováveis intermitentes, que no Brasil tem gerado desequilíbrios diários e o fenômeno do curtailment, exige que o setor elétrico adote sistemas de armazenamento para garantir a estabilidade e a flexibilidade operativa. O avanço dos SAH influencia tanto o equilíbrio operacional do Sistema Interligado Nacional quanto a redução do despacho de usinas térmicas, cuja viabilidade econômica depende da superação de barreiras regulatórias, como a dupla tributação e a complexidade no licenciamento ambiental. Para converter esse desafio em uma transição sustentável e eficiente, os autores destacam eixos fundamentais: a adoção de usinas hidrelétricas reversíveis para gerenciar o descompasso entre oferta e demanda; a aplicação das diretrizes da Lei nº 15.269/2025 para dar segurança jurídica aos investidores; a simplificação dos processos de outorga e licenciamento; e a estruturação de mecanismos de remuneração adequados, como o Leilão de Reserva de Capacidade. O artigo conclui que o sucesso do armazenamento de energia dependerá de um esforço coordenado entre órgãos como MME, Aneel, EPE e BNDES, capaz de assegurar que a integração de novas tecnologias resulte em benefício sistêmico efetivo, sem comprometer a segurança operativa ou a atratividade econômica dos projetos no país.
(Publicado pelo Broadcast Energia)
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Coordenador-Geral do GESEL), David Alexander e João Pedro Burlamaqui Andrade (Pesquisadores Associados do GESEL-UFRJ) analisam o papel dos veículos elétricos (VEs) no contexto da transição energética global — movimento vinculado aos esforços de descarbonização que já registra mais de 11 milhões de unidades no mundo. A rápida expansão da eletromobilidade, que no Brasil apresentou um crescimento expressivo de registros em 2024 e 2025, exige que o setor elétrico realize avaliações técnicas rigorosas, visto que a recarga concentrada ao final do dia acentua as rampas de carga e desafia a estabilidade do sistema. O avanço dos VEs influencia tanto o equilíbrio operacional do Sistema Interligado Nacional quanto o perfil ambiental da frota, cuja pegada de carbono real depende da matriz energética de recarga e do impacto mineral na fabricação de baterias. Para converter esse desafio em uma transição sustentável e eficiente, os autores destacam eixos fundamentais: a adoção de sistemas de armazenamento (SAE) para gerenciar o descompasso entre oferta e demanda; a aplicação das diretrizes da Lei nº 15.269/2025 para regulação de baterias; o fortalecimento de fontes renováveis na matriz de recarga; e o investimento em infraestrutura de reciclagem para mitigar o déficit de reaproveitamento de materiais críticos. O artigo conclui que o sucesso da eletromobilidade dependerá de políticas públicas coordenadas entre os setores de transporte e energia elétrica, capazes de assegurar que a substituição de combustíveis fósseis resulte em benefício ambiental efetivo, sem comprometer a segurança operativa e a infraestrutura urbana do país.
(Publicado pelo Broadcast Energia)