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Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico [GESEL]) e Vitor Santos (professor catedrático do Instituto de Economia e Gestão [ISEG] da Universidade de Lisboa) tratam da Guerra do Irã sob a perspectiva da geopolítica energética mundial e da transição energética, destacando que o eventual bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passam 20% do petróleo e do gás natural consumidos globalmente — gera riscos sistêmicos de suprimento e volatilidade de preços, afetando gravemente países importadores enquanto amplia a hegemonia e as oportunidades comerciais dos Estados Unidos. Os autores apontam que a vulnerabilidade da União Europeia e da China decorre da elevada dependência de combustíveis fósseis, cenário que permite aos EUA aproveitarem contratos de exportação ultracompetitivos e fundamentarem políticas de “destransição energética”, contrastando com a necessidade pragmática das demais potências de buscarem autonomia energética. Defendem, assim, a aceleração do processo de transição energética como a solução estratégica central, focada no aumento da segurança energética e no investimento em inovações tecnológicas e rotas renováveis para blindar as economias nacionais contra as incertezas e instabilidades impostas pela geopolítica dos recursos não renováveis.
(Publicado pelo Broadcast Energia)
O Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL-UFRJ) está publicando o Texto de Discussão do Setor Elétrico (TDSE) nº 151, intitulado “Cenários de expansão de data centers e seus impactos na demanda elétrica do Setor Elétrico Brasileiro até 2035”. O estudo analisa a trajetória de crescimento dos centros de dados no país e suas consequências para o planejamento setorial, considerando a digitalização acelerada da economia e a necessidade de infraestrutura para o avanço da Inteligência Artificial (IA). Foram três eixos centrais de discussão: a identificação de um portfólio de potenciais projetos a partir de bancos de dados públicos de pedidos de conexão à rede; a formulação de cinco cenários de expansão (máxima, mediana, menor e inspirados nas metodologias do ONS e da EPE); e o cálculo dos impactos na capacidade instalada e no consumo elétrico final do Sistema Interligado Nacional (SIN). O trabalho examinou como o mapeamento da maturidade regulatória dos projetos e a oferta abundante de energia renovável podem subsidiar a atração de investimentos, garantindo a inserção do Brasil na economia digital global. Os debates concentraram-se em temas como a análise de sensibilidade do fator médio de utilização (load factor), fundamental para lidar com as incertezas tecnológicas do setor; a comparação das projeções de demanda (que podem atingir até 15,66 GW e 137,2 TWh em 2035) com o consumo de regiões como Rio de Janeiro, Portugal e Irlanda; e o impacto das incertezas jurídicas, exemplificadas pela perda de eficácia de incentivos fiscais como o REDATA. O estudo acena para a complexidade dessa integração, que exige reforços estruturais nas redes de transmissão e um planejamento cuidadoso para mitigar impactos socioambientais. Conclui-se que o principal desafio nacional será consolidar uma estratégia energética coordenada, de modo que o sucesso da transição para uma economia digital dependerá de arranjos capazes de transformar o potencial de geração em infraestrutura de suporte eficiente, assegurando a confiabilidade e a segurança do suprimento de energia no país.
ISBN: 978-85-7197-040-3
O Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL-UFRJ) está publicando o Texto de Discussão do Setor Elétrico (TDSE) nº 147, intitulado “Aumentando a Flexibilidade da Geração Hidrelétrica do Sistema Interligado Nacional”. O estudo analisa como o parque hidrelétrico brasileiro, com mais de 100 GW de capacidade, pode ser o principal provedor da flexibilidade operativa necessária para equilibrar o Sistema Interligado Nacional (SIN) frente à expansão das fontes renováveis variáveis. Foram analisados eixos centrais como o impacto da energia solar na formação da “curva do pato”, o paradoxo da subutilização das usinas hidrelétricas (UHEs) e uma proposta de inovação regulatória no Mecanismo de Realocação de Energia (MRE). O trabalho examinou simulações para o horizonte de 2030, demonstrando que a vinculação da remuneração ao perfil horário real de geração pode gerar ganhos de R$ 14,4 bilhões ao ano para os geradores, criando um incentivo econômico direto para a remoção de restrições operativas. Os debates concentraram-se na necessidade de modernizar a regulação para que os sinais de preços horários reflitam a escassez de energia e valorizem atributos de rampa, permitindo que as UHEs garantam a segurança energética e a resiliência da rede. O estudo acena para a complexidade da transição energética e conclui que o ajuste pontual nas regras de comercialização é uma solução de baixo investimento e alto impacto para assegurar a descarbonização eficiente da matriz, transformando o parque hidrelétrico existente no principal lastro de confiabilidade do sistema. Para consolidar o entendimento: a transição energética com alta penetração solar é como um avião que precisa de motores auxiliares potentes (flexibilidade hídrica) para manter a altitude quando o sol se põe, e a mudança na regulação do MRE é a chave para garantir que esses motores estejam sempre prontos para atuar.
ISBN: 978-85-7197-035-9