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Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) e Fernando de Lima Caneppele (professor da USP e pesquisador associado do GESEL-UFRJ) analisam a crise do apagão na região metropolitana de São Paulo ocorrido em dezembro de 2025, no que se refere ao impacto de eventos climáticos extremos (ECEx) sobre as redes de distribuição de energia. O evento, qualificado como uma “tempestade perfeita”, registrou um recorde histórico de oito horas seguidas de ventos acima de 72 km/h, resultando na interrupção do fornecimento para 2 milhões de consumidores (25% da base da Enel) e evidenciando a urgência de respostas técnicas em um cenário de aquecimento global descontrolado.Os autores destacam que a solução para a instabilidade elétrica depende de uma análise que separe o embate político da esfera técnica e regulatória, uma vez que o futuro da prestação desse serviço essencial está vinculado à capacidade de adaptação das infraestruturas urbanas. A análise aponta que há uma relação causal direta entre o efeito estufa, que cria bolhas de calor nas metrópoles, e o aumento da velocidade dos ventos, que derrubam a fiação elétrica ao atingir árvores. Enquanto o Ministério de Minas e Energia (MME) propõe o processo de caducidade do contrato da Enel para deslocar o eixo da discussão para a Aneel, a concessionária tende a fundamentar sua defesa na excepcionalidade do evento e no fato de seu contrato, assinado em 1998, ter sido desenhado em um contexto ambiental radicalmente diferente do atual. Diante desse quadro, o artigo argumenta que a fiscalização criteriosa da Aneel, baseada em métricas de qualidade, e a cooperação técnica entre o poder público e as empresas serão determinantes para viabilizar investimentos de médio prazo em uma rede elétrica de tamanha dimensão. Os autores concluem que, se o foco não for deslocado para a resiliência das redes elétricas sob o novo paradigma ambiental, o país continuará vulnerável a interrupções graves, sendo fundamental o fortalecimento institucional para transformar a gestão de crises em uma trajetória de segurança e confiabilidade energética.
(Publicado pelo Broadcast Energia)
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) e Fernando de Lima ( Professor da USP e Pesquisador Associado do GESEL-UFRJ) analisa como a transição energética no Brasil vem criando excesso de oferta renovável e levando o ONS a impor cortes (curtailments) na geração, especialmente eólica e solar. O problema decorre do rápido crescimento da micro e minigeração distribuída (MMGD), ainda subsidiada, que rompe o ritmo tradicional de planejamento do Sistema Interligado Nacional. Embora tecnicamente justificáveis, esses cortes provocam perdas de receita, ameaçam financiamentos estruturados e podem gerar inadimplência e judicialização. A Lei nº 15.304/2025 compensou apenas os cortes técnicos, deixando os econômicos sem solução. Para reequilibrar o setor, os autores defendem: aperfeiçoar o planejamento da transmissão; envolver distribuidoras nas decisões operativas; ampliar o uso de armazenamento de energia; e repartir os custos dos cortes econômicos com a MMGD. Concluem que, apesar da solidez institucional do setor elétrico, ajustes urgentes são necessários para garantir equilíbrio e sustentabilidade durante a transição energética.
(Publicado pelo Broadcast Energia)
Em artigo publicado no Valor Econômico, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico [GESEL-UFRJ]) e Fernando de Lima Caneppele (professor da FZEA/USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP) abordam a importância estratégica do armazenamento de energia elétrica com baterias (BESS). Eles ressaltam que os BESS são infraestrutura crítica para garantir estabilidade e segurança às redes elétricas, frente ao desafio da intermitência das fontes solar e eólica. No Brasil, o aumento dessas fontes tem gerado um desequilíbrio diário com sobreoferta (“curtailments”), fenômeno ilustrado pela “Curva do Pato”, que obriga o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a cortar a geração excedente. A solução estrutural é canalizar esse excedente para os BESS. O ano de 2025 é um “divisor de águas”, marcado pelo primeiro Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), que incluirá explicitamente a contratação de BESS para capturar e armazenar essa energia. Esse cenário abre um novo front de investimentos de baixo risco e sem subsídios, superando o paradoxo energético brasileiro e promovendo a integração massiva e segura das renováveis, impactando positivamente a competitividade industrial verde e a segurança energética futura. Experiências internacionais, como as da Califórnia e Austrália, demonstram a eficácia dos BESS. Contudo, a inserção no Brasil exige inovações regulatórias bem definidas, pois o modelo de “empilhamento de receitas” é ainda remoto. A urgência dos crescentes “curtailments” exige que o LRCAP de 2025 seja o ponto de partida para uma política de Estado coordenada.
(Publicado pelo Valor Econômico)
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Sidnei Martini (professor da USP e pesquisador associado do GESEL-UFRJ) e Fernando de Lima Caneppele (professor da FZEA/USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP) tratam da fragilidade da infraestrutura urbana brasileira frente aos eventos climáticos extremos, como tempestades que têm causado grandes destruições, especialmente em São Paulo. Eles destacam a importância de um planejamento urbano adequado, com manejo correto da arborização, que, sem a devida manutenção, tem se tornado uma ameaça à rede elétrica e à mobilidade urbana. Além disso, discutem a necessidade urgente de modernização das redes elétricas e a adoção de tecnologias como redes inteligentes, que podem acelerar a resposta a falhas. Para enfrentar esses desafios, propõem uma abordagem integrada entre governos, prefeituras e concessionárias, com investimentos em infraestrutura, monitoramento contínuo e uso de tecnologias avançadas, de modo a prevenir e mitigar os impactos econômicos e sociais das tempestades.
(Publicado pelo Valor Econômico)
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) e Fernando de Lima Caneppele (professor da FZEA/USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP) abordam a importância da gestão urbana sustentável para enfrentar eventos climáticos extremos. O aquecimento global tem intensificado eventos climáticos extremos (ECEx), especialmente nos centros urbanos, exigindo uma gestão municipal mais eficiente e integrada. Os ECEx impactam diretamente a infraestrutura urbana, sendo a rede elétrica uma das mais críticas. Em São Paulo, eventos em 2023 e 2024 evidenciaram a falta de planejamento na manutenção da vegetação urbana, principal causa de interrupções elétricas devido à queda de árvores. Uma gestão estratégica deve incluir ações preventivas, como podas regulares, uso de tecnologias para monitoramento e catalogação de árvores, e o incentivo ao plantio de espécies nativas. Soluções como infraestrutura verde (parques, telhados verdes, calçadas permeáveis) e tecnologias digitais (sensores e inteligência artificial) são essenciais para prevenir danos e aumentar a resiliência das cidades. A administração municipal precisa liderar a transição para um modelo sustentável, promovendo parcerias público-privadas, educação ambiental e investimentos em infraestrutura e tecnologia. Somente uma abordagem integrada permitirá que as cidades enfrentem os desafios climáticos, garantindo qualidade de vida e sustentabilidade para as futuras gerações.
(Publicado pelo Broadcast Energia)
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL), Fernando de Lima Caneppele (professor da FZEA/USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP) e Murilo Miceno Frigo (professor do IFMS) tratam da transição energética para fontes renováveis e sua importância no combate às mudanças climáticas e fortalecimento da segurança energética, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. Apesar de desafios como altos investimentos e inovações tecnológicas, esse processo pode impulsionar economias, gerar empregos e reduzir desigualdades. O Brasil tem grande potencial nesse contexto, mas uma transição justa exige colaboração internacional, transferência de tecnologia e incentivos para o Sul Global, promovendo sustentabilidade e desenvolvimento econômico.
(Publicado pelo Broadcast Energia)