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O Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL-UFRJ) está publicando o Texto de Discussão do Setor Elétrico (TDSE) nº 149, intitulado “Curtailment por confiabilidade: como estimar?”. O estudo analisa os desafios impostos pela acelerada transformação da matriz elétrica brasileira, que adicionou mais de 82 GW ao Sistema Interligado Nacional (SIN) nos últimos cinco anos, sendo a quase totalidade proveniente de fontes eólicas e fotovoltaicas. Foram cinco etapas centrais de discussão para a estruturação do método proposto: o levantamento dos requisitos de confiabilidade e do histórico de cortes baseados em dados do ONS; a caracterização estatística das fontes renováveis variáveis por meio de curvas de permanência; a atualização da configuração futura do sistema considerando a expansão da geração e transmissão; e a realização de simulações de regime permanente e dinâmicas para validar a estabilidade dos pontos de operação. O trabalho examinou como o desenvolvimento de um procedimento estruturado de monitoramento e previsão pode subsidiar a compreensão da probabilidade e da magnitude das restrições operativas em um horizonte prospectivo de até cinco anos. Os debates concentraram-se em temas como a identificação de regiões críticas, como Bahia e Minas Gerais, que apresentam maior suscetibilidade a cortes devido a limitações estruturais de transmissão; a análise de situações reais de sobrecarga em transformadores estratégicos, exemplificada pela SE Rio Novo do Sul; e o impacto positivo da entrada em operação de novas linhas de transmissão na redução do curtailment. O estudo acena para a complexidade dessa gestão, que exige o refinamento constante de dados de referência e a integração de novas soluções de flexibilidade, como o armazenamento de energia por baterias e usinas reversíveis. Conclui-se que o principal desafio será capacitar os geradores para antecipar impactos em um cenário de provável agravamento do problema, de modo que o sucesso da transição energética dependerá de métodos capazes de converter requisitos técnicos de segurança em subsídios efetivos para o planejamento e para o aprimoramento do arcabouço regulatório nacional.
ISBN: 978-85-7197-038-0
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) e Fernando de Lima Caneppele (professor da USP e pesquisador associado do GESEL-UFRJ) analisam a crise do apagão na região metropolitana de São Paulo ocorrido em dezembro de 2025, no que se refere ao impacto de eventos climáticos extremos (ECEx) sobre as redes de distribuição de energia. O evento, qualificado como uma “tempestade perfeita”, registrou um recorde histórico de oito horas seguidas de ventos acima de 72 km/h, resultando na interrupção do fornecimento para 2 milhões de consumidores (25% da base da Enel) e evidenciando a urgência de respostas técnicas em um cenário de aquecimento global descontrolado.Os autores destacam que a solução para a instabilidade elétrica depende de uma análise que separe o embate político da esfera técnica e regulatória, uma vez que o futuro da prestação desse serviço essencial está vinculado à capacidade de adaptação das infraestruturas urbanas. A análise aponta que há uma relação causal direta entre o efeito estufa, que cria bolhas de calor nas metrópoles, e o aumento da velocidade dos ventos, que derrubam a fiação elétrica ao atingir árvores. Enquanto o Ministério de Minas e Energia (MME) propõe o processo de caducidade do contrato da Enel para deslocar o eixo da discussão para a Aneel, a concessionária tende a fundamentar sua defesa na excepcionalidade do evento e no fato de seu contrato, assinado em 1998, ter sido desenhado em um contexto ambiental radicalmente diferente do atual. Diante desse quadro, o artigo argumenta que a fiscalização criteriosa da Aneel, baseada em métricas de qualidade, e a cooperação técnica entre o poder público e as empresas serão determinantes para viabilizar investimentos de médio prazo em uma rede elétrica de tamanha dimensão. Os autores concluem que, se o foco não for deslocado para a resiliência das redes elétricas sob o novo paradigma ambiental, o país continuará vulnerável a interrupções graves, sendo fundamental o fortalecimento institucional para transformar a gestão de crises em uma trajetória de segurança e confiabilidade energética.
(Publicado pelo Broadcast Energia)
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) e Fernando de Lima Caneppele (professor da FZEA/USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP) abordam a importância da gestão urbana sustentável para enfrentar eventos climáticos extremos. O aquecimento global tem intensificado eventos climáticos extremos (ECEx), especialmente nos centros urbanos, exigindo uma gestão municipal mais eficiente e integrada. Os ECEx impactam diretamente a infraestrutura urbana, sendo a rede elétrica uma das mais críticas. Em São Paulo, eventos em 2023 e 2024 evidenciaram a falta de planejamento na manutenção da vegetação urbana, principal causa de interrupções elétricas devido à queda de árvores. Uma gestão estratégica deve incluir ações preventivas, como podas regulares, uso de tecnologias para monitoramento e catalogação de árvores, e o incentivo ao plantio de espécies nativas. Soluções como infraestrutura verde (parques, telhados verdes, calçadas permeáveis) e tecnologias digitais (sensores e inteligência artificial) são essenciais para prevenir danos e aumentar a resiliência das cidades. A administração municipal precisa liderar a transição para um modelo sustentável, promovendo parcerias público-privadas, educação ambiental e investimentos em infraestrutura e tecnologia. Somente uma abordagem integrada permitirá que as cidades enfrentem os desafios climáticos, garantindo qualidade de vida e sustentabilidade para as futuras gerações.
(Publicado pelo Broadcast Energia)
A urgência da transição energética está promovendo o papel do armazenamento de energia como a chave da paz para um futuro de energia limpa. No entanto, o papel desta tecnologia na futura rede elétrica ainda está em análise. Consideramos o armazenamento de energia como uma tecnologia de nicho em transição para o regime. Portanto, as políticas públicas e os investimentos direcionados são os principais impulsionadores da difusão da tecnologia. Os casos da Califórnia (CA) e da Austrália Meridional (SA) foram avaliados e ambos forneceram uma visão sobre a crescente relevância do armazenamento de energia nas metas de descarbonização e na confiabilidade de uma rede renovável.