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Artigos de opinião
Publicado em: março de 2026
Nivalde de Castro Daniel Araujo Carneiro

Aprimoramento da estrutura tarifária do setor elétrico do Brasil

Em artigo publicado no Valor Econômico, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) e Daniel Araujo Carneiro (Diretor da DAC Consultoria e pesquisador associado do GESEL-UFRJ) analisam a necessidade de modernizar a estrutura tarifária do Setor Elétrico Brasileiro (SEB) diante da inserção massiva de renováveis variáveis, especialmente solar fotovoltaica e eólica, com destaque para a micro e minigeração distribuída (MMGD). Os autores argumentam que a intermitência dessas fontes criou forte assimetria entre oferta e demanda: energia abundante e barata em horários de alta irradiação e custos elevados ao entardecer, quando é necessário acionar hidrelétricas com reservatório e térmicas a gás. Contudo, essa variação de custos não está refletida nas tarifas estáticas e volumétricas aplicadas aos consumidores de baixa tensão. Com a promulgação da Lei 15.269/2025, estabelece-se base jurídica para que a Aneel avance na adoção de sinais de preço horários mais granulares. O objetivo é duplo: oferecer instrumentos de gestão de demanda ao ONS e às distribuidoras para mitigar rampas de carga no período noturno e alinhar o preço ao custo real da energia. A eficácia da mudança dependerá da elasticidade-preço da demanda, de estratégias de comunicação baseadas em economia comportamental e da digitalização das redes. Pontua-se também que a integração com tecnologias como BESS, usinas reversíveis, MMGD e veículos elétricos exige modelagens sofisticadas para evitar distorções e garantir sustentabilidade econômica. O artigo conclui que a transição tarifária, agora respaldada legalmente, é essencial para eficiência alocativa, justiça distributiva e redução de conflitos regulatórios no setor elétrico brasileiro.
(Publicado pelo Valor Econômico)

Artigos de opinião
Publicado em: fevereiro de 2026
Nivalde de Castro Piero Carlo Sclaverano dos Reis João Pedro Burlamaqui Andrade Leonardo Gonçalves

Descompasso entre demanda e oferta no Setor Elétrico Brasileiro

Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico [GESEL]), Piero Carlo Sclaverano dos Reis (pesquisador associado do GESEL-UFRJ e doutorando em Planejamento Energético pela COPPE-UFRJ), João Pedro Burlamaqui Andrade e Leonardo Gonçalves (pesquisadores associados do GESEL-UFRJ) tratam do desequilíbrio recente entre oferta e demanda no Setor Elétrico Brasileiro (SEB), destacando que, impulsionada pela transição energética global e por subsídios nacionais, especialmente à micro e minigeração distribuída (MMGD), a capacidade instalada de fontes eólica e solar cresceu muito acima do consumo, levando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a intensificar cortes de geração (curtailments) diante de limitações na transmissão e excesso estrutural de oferta. Os autores apontam que a expansão acelerada, descolada do planejamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), somada a subsídios cruzados que pressionam tarifas e criam distorções como a “espiral da morte”, resultou em energia aparentemente barata, mas onerosa ao consumidor final pelos custos sistêmicos de integração. Defendem, assim, a revisão de subsídios ineficientes, aprimoramentos regulatórios, investimentos em armazenamento e em transmissão, além de novos mecanismos de sinalização econômica que alinhem a expansão da oferta ao crescimento efetivo da demanda, mitigando riscos de estresse operacional como o observado em 2023.
(Publicado pelo Broadcast Energia)

Artigos de opinião
Publicado em: fevereiro de 2026
Nivalde de Castro Renata Lèbre La Rovere Ana Carolina Chaves Katarina Ferreira

Desafios para os sistemas de armazenamento hidráulico no Brasil

Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Coordenador-Geral do GESEL), Renata La Rovere, Ana Carolina Chaves e Katarina Ferreira (Pesquisadoras do GESEL-UFRJ) analisam o papel dos Sistemas de Armazenamento Hidráulico (SAH) no contexto da transição energética brasileira — tecnologia que representa mais de 94% da capacidade mundial de armazenamento de longa duração. A rápida expansão das fontes renováveis intermitentes, que no Brasil tem gerado desequilíbrios diários e o fenômeno do curtailment, exige que o setor elétrico adote sistemas de armazenamento para garantir a estabilidade e a flexibilidade operativa. O avanço dos SAH influencia tanto o equilíbrio operacional do Sistema Interligado Nacional quanto a redução do despacho de usinas térmicas, cuja viabilidade econômica depende da superação de barreiras regulatórias, como a dupla tributação e a complexidade no licenciamento ambiental. Para converter esse desafio em uma transição sustentável e eficiente, os autores destacam eixos fundamentais: a adoção de usinas hidrelétricas reversíveis para gerenciar o descompasso entre oferta e demanda; a aplicação das diretrizes da Lei nº 15.269/2025 para dar segurança jurídica aos investidores; a simplificação dos processos de outorga e licenciamento; e a estruturação de mecanismos de remuneração adequados, como o Leilão de Reserva de Capacidade. O artigo conclui que o sucesso do armazenamento de energia dependerá de um esforço coordenado entre órgãos como MME, Aneel, EPE e BNDES, capaz de assegurar que a integração de novas tecnologias resulte em benefício sistêmico efetivo, sem comprometer a segurança operativa ou a atratividade econômica dos projetos no país.
(Publicado pelo Broadcast Energia)

Artigos de opinião
Publicado em: janeiro de 2026
Nivalde de Castro David Alexander João Pedro Burlamaqui Andrade

Veículos elétricos no contexto da transição energética

Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Coordenador-Geral do GESEL), David Alexander e João Pedro Burlamaqui Andrade (Pesquisadores Associados do GESEL-UFRJ) analisam o papel dos veículos elétricos (VEs) no contexto da transição energética global — movimento vinculado aos esforços de descarbonização que já registra mais de 11 milhões de unidades no mundo. A rápida expansão da eletromobilidade, que no Brasil apresentou um crescimento expressivo de registros em 2024 e 2025, exige que o setor elétrico realize avaliações técnicas rigorosas, visto que a recarga concentrada ao final do dia acentua as rampas de carga e desafia a estabilidade do sistema. O avanço dos VEs influencia tanto o equilíbrio operacional do Sistema Interligado Nacional quanto o perfil ambiental da frota, cuja pegada de carbono real depende da matriz energética de recarga e do impacto mineral na fabricação de baterias. Para converter esse desafio em uma transição sustentável e eficiente, os autores destacam eixos fundamentais: a adoção de sistemas de armazenamento (SAE) para gerenciar o descompasso entre oferta e demanda; a aplicação das diretrizes da Lei nº 15.269/2025 para regulação de baterias; o fortalecimento de fontes renováveis na matriz de recarga; e o investimento em infraestrutura de reciclagem para mitigar o déficit de reaproveitamento de materiais críticos. O artigo conclui que o sucesso da eletromobilidade dependerá de políticas públicas coordenadas entre os setores de transporte e energia elétrica, capazes de assegurar que a substituição de combustíveis fósseis resulte em benefício ambiental efetivo, sem comprometer a segurança operativa e a infraestrutura urbana do país.
(Publicado pelo Broadcast Energia)

Artigos de opinião
Publicado em: janeiro de 2026
Nivalde de Castro Daniel Araujo Carneiro

A Reforma Tributária e seus impactos na conta de luz

Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Coordenador-Geral do GESEL) e Daniel Araujo Carneiro (Pesquisador Associado do GESEL-UFRJ) analisam os impactos da Reforma Tributária no Setor Elétrico Brasileiro (SEB) após a aprovação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) Dual — modelo que unifica tributos federais, estaduais e municipais através da CBS e do IBS. A alteração estrutural exige que os agentes realizem um diagnóstico situacional rigoroso, visto que a substituição de impostos como PIS, Cofins e ICMS afeta diretamente a estabilidade e a previsibilidade econômica de uma infraestrutura estratégica de capital intensivo. O novo modelo tributário influencia toda a cadeia produtiva, desde a recuperação de Capex em geração e transmissão até a formação das tarifas de uso do sistema (TUSD e TUST) e encargos setoriais. Para converter esse desafio em uma transição eficiente, os autores destacam eixos fundamentais: agilidade no ressarcimento de créditos pelo fisco; ajuste nas metodologias da Aneel para garantir a neutralidade tarifária; repactuação de contratos de concessão e PPAs; e a rápida adaptação dos sistemas da CCEE. O artigo conclui que o sucesso da reforma dependerá de uma articulação precisa entre o fisco, a Aneel e a CCEE, capaz de assegurar que a simplificação tributária resulte em benefício para a economia nacional, sem comprometer a modicidade tarifária ou o equilíbrio financeiro dos contratos.
(Publicado pelo Broadcast Energia)

Artigos de opinião
Publicado em: dezembro de 2025
Nivalde de Castro Fernando de Lima Caneppele

Apagão em SP – A solução é técnica e regulatória

Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) e Fernando de Lima Caneppele (professor da USP e pesquisador associado do GESEL-UFRJ) analisam a crise do apagão na região metropolitana de São Paulo ocorrido em dezembro de 2025, no que se refere ao impacto de eventos climáticos extremos (ECEx) sobre as redes de distribuição de energia. O evento, qualificado como uma “tempestade perfeita”, registrou um recorde histórico de oito horas seguidas de ventos acima de 72 km/h, resultando na interrupção do fornecimento para 2 milhões de consumidores (25% da base da Enel) e evidenciando a urgência de respostas técnicas em um cenário de aquecimento global descontrolado.Os autores destacam que a solução para a instabilidade elétrica depende de uma análise que separe o embate político da esfera técnica e regulatória, uma vez que o futuro da prestação desse serviço essencial está vinculado à capacidade de adaptação das infraestruturas urbanas. A análise aponta que há uma relação causal direta entre o efeito estufa, que cria bolhas de calor nas metrópoles, e o aumento da velocidade dos ventos, que derrubam a fiação elétrica ao atingir árvores. Enquanto o Ministério de Minas e Energia (MME) propõe o processo de caducidade do contrato da Enel para deslocar o eixo da discussão para a Aneel, a concessionária tende a fundamentar sua defesa na excepcionalidade do evento e no fato de seu contrato, assinado em 1998, ter sido desenhado em um contexto ambiental radicalmente diferente do atual. Diante desse quadro, o artigo argumenta que a fiscalização criteriosa da Aneel, baseada em métricas de qualidade, e a cooperação técnica entre o poder público e as empresas serão determinantes para viabilizar investimentos de médio prazo em uma rede elétrica de tamanha dimensão. Os autores concluem que, se o foco não for deslocado para a resiliência das redes elétricas sob o novo paradigma ambiental, o país continuará vulnerável a interrupções graves, sendo fundamental o fortalecimento institucional para transformar a gestão de crises em uma trajetória de segurança e confiabilidade energética.
(Publicado pelo Broadcast Energia)

Artigos de opinião
Publicado em: dezembro de 2025
Nivalde de Castro Piero Carlo Sclaverano dos Reis Cristina da Silva Rosa

O Estado de São Paulo como polo de atração de data centers

A expansão da inteligência artificial e do cloud computing está impulsionando uma corrida global por investimentos em data centers. O Brasil tem vantagens relevantes matriz elétrica renovável, rede de transmissão robusta e mercado digital em crescimento. São Paulo lidera esse movimento, concentrando a maior parte dos empreendimentos do país. A nova geração de data centers é eletrointensiva e pode adicionar vários gigawatts de demanda ao sistema elétrico nos próximos anos, exigindo planejamento energético mais fino, reforços na transmissão e maior resiliência das redes. Estudos da EPE e do ONS já indicam a necessidade de novos investimentos para acomodar essa expansão, reforçando o papel estratégico do setor elétrico na viabilização da economia digital no Brasil.
(Publicado pelo Valor Econômico)

Artigos de opinião
Publicado em: dezembro de 2025
Nivalde de Castro Fernando de Lima Caneppele

Os curtailments na transição energética brasileira

Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) e Fernando de Lima ( Professor da USP e Pesquisador Associado do GESEL-UFRJ) analisa como a transição energética no Brasil vem criando excesso de oferta renovável e levando o ONS a impor cortes (curtailments) na geração, especialmente eólica e solar. O problema decorre do rápido crescimento da micro e minigeração distribuída (MMGD), ainda subsidiada, que rompe o ritmo tradicional de planejamento do Sistema Interligado Nacional. Embora tecnicamente justificáveis, esses cortes provocam perdas de receita, ameaçam financiamentos estruturados e podem gerar inadimplência e judicialização. A Lei nº 15.304/2025 compensou apenas os cortes técnicos, deixando os econômicos sem solução. Para reequilibrar o setor, os autores defendem: aperfeiçoar o planejamento da transmissão; envolver distribuidoras nas decisões operativas; ampliar o uso de armazenamento de energia; e repartir os custos dos cortes econômicos com a MMGD. Concluem que, apesar da solidez institucional do setor elétrico, ajustes urgentes são necessários para garantir equilíbrio e sustentabilidade durante a transição energética.
(Publicado pelo Broadcast Energia)

Artigos de opinião
Publicado em: novembro de 2025
Nivalde de Castro Marcelo Maestrini

A integração das startups no setor elétrico brasileiro

Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) e Marcelo Maestrini (professor de Economia e pesquisador associado do GESEL-UFRJ) tratam da crescente importância estratégica do setor elétrico na economia e na transição energética, ao mesmo tempo em que destacam o paradoxo vivido pelo segmento: precisa inovar para atender às exigências de eletrificação e sustentabilidade, mas opera sob um marco regulatório rígido, avesso ao risco e orientado à estabilidade. Os autores mostram que, embora startups de energia limpa e digital tenham ganhado relevância, elas enfrentam barreiras culturais, procedimentais e regulatórias dentro das distribuidoras, que privilegiam soluções maduras e fornecedores tradicionais. Apontam ainda que mudanças recentes no Programa de P&D da Aneel, ao exigir resultados mensuráveis, podem ampliar a aversão à inovação. Para superar esses entraves, defendem maior articulação entre distribuidoras, associações setoriais e instituições de apoio ao empreendedorismo, criando mecanismos que aproximem o ritmo cauteloso das concessionárias da agilidade das startups e permitam transformar o potencial inovador em ganhos concretos para o setor.
(Publicado pelo Valor Econômico)

Artigos de opinião
Publicado em: novembro de 2025
Djalma Falcão Kalyne Brito Luiza Masseno

Empilhamento de Serviços e a Viabilidade das Baterias Multifuncionais

Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Djalma Falcão, (professor do Programa de Engenharia Elétrica da COPPE/UFRJ e Pesquisador Associado do GESEL-UFRJ), Luiza Masseno (doutoranda em Economia e Pesquisadora Plena do GESEL-UFRJ) e Kalyne Brito (doutoranda em Planejamento Energético e pesquisadora do GESEL-UFRJ) abordam os Sistemas de Armazenamento de Energia por Baterias como ativos estratégicos capazes de prestar múltiplos serviços ao sistema elétrico. Segundo os autores, “as baterias deixam de ser ativos dedicados a uma única função e passam a gerar retorno por múltiplos serviços prestados ao sistema elétrico. Assim, além de armazenar energia, as baterias podem participar de mercados de serviços ancilares, aliviar congestionamentos na transmissão, contribuir para o controle de tensão e até evitar blecautes.”
(Publicado pela Agência CanalEnergia)