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Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico [GESEL]), Angela Livino (pesquisadora associada do GESEL-UFRJ), Roberto Brandão (diretor técnico-científico do GESEL-UFRJ) e Ana Carolina Chaves (pesquisadora plena do GESEL-UFRJ) tratam do papel estratégico do armazenamento hidráulico na transição energética brasileira, destacando que a matriz elétrica nacional, fortemente renovável e baseada em hidrelétricas, é uma vantagem ainda subestimada. Argumentam que a expansão de eólicas e solares exige soluções de flexibilidade e confiabilidade, sendo os Sistemas de Armazenamento Hidráulico (SAH) essenciais por funcionarem como “baterias de água” capazes de armazenar energia em larga escala e por longos períodos. O Brasil reúne condições únicas para liderar esse modelo, mas enfrenta entraves regulatórios, econômicos e institucionais que dificultam investimentos. O artigo defende a criação de mecanismos de remuneração, ajustes legais e coordenação entre órgãos para viabilizar os SAH, transformando-os em infraestrutura central para garantir segurança energética, competitividade e sustentabilidade no longo prazo.
(Publicado pelo Valor Econômico)
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico [GESEL]) e Vitor Santos (professor catedrático do Instituto de Economia e Gestão [ISEG] da Universidade de Lisboa) tratam da Guerra do Irã sob a perspectiva da geopolítica energética mundial e da transição energética, destacando que o eventual bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passam 20% do petróleo e do gás natural consumidos globalmente — gera riscos sistêmicos de suprimento e volatilidade de preços, afetando gravemente países importadores enquanto amplia a hegemonia e as oportunidades comerciais dos Estados Unidos. Os autores apontam que a vulnerabilidade da União Europeia e da China decorre da elevada dependência de combustíveis fósseis, cenário que permite aos EUA aproveitarem contratos de exportação ultracompetitivos e fundamentarem políticas de “destransição energética”, contrastando com a necessidade pragmática das demais potências de buscarem autonomia energética. Defendem, assim, a aceleração do processo de transição energética como a solução estratégica central, focada no aumento da segurança energética e no investimento em inovações tecnológicas e rotas renováveis para blindar as economias nacionais contra as incertezas e instabilidades impostas pela geopolítica dos recursos não renováveis.
(Publicado pelo Broadcast Energia)
Em artigo publicado no Valor Econômico, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) e Daniel Araujo Carneiro (Diretor da DAC Consultoria e pesquisador associado do GESEL-UFRJ) analisam a necessidade de modernizar a estrutura tarifária do Setor Elétrico Brasileiro (SEB) diante da inserção massiva de renováveis variáveis, especialmente solar fotovoltaica e eólica, com destaque para a micro e minigeração distribuída (MMGD). Os autores argumentam que a intermitência dessas fontes criou forte assimetria entre oferta e demanda: energia abundante e barata em horários de alta irradiação e custos elevados ao entardecer, quando é necessário acionar hidrelétricas com reservatório e térmicas a gás. Contudo, essa variação de custos não está refletida nas tarifas estáticas e volumétricas aplicadas aos consumidores de baixa tensão. Com a promulgação da Lei 15.269/2025, estabelece-se base jurídica para que a Aneel avance na adoção de sinais de preço horários mais granulares. O objetivo é duplo: oferecer instrumentos de gestão de demanda ao ONS e às distribuidoras para mitigar rampas de carga no período noturno e alinhar o preço ao custo real da energia. A eficácia da mudança dependerá da elasticidade-preço da demanda, de estratégias de comunicação baseadas em economia comportamental e da digitalização das redes. Pontua-se também que a integração com tecnologias como BESS, usinas reversíveis, MMGD e veículos elétricos exige modelagens sofisticadas para evitar distorções e garantir sustentabilidade econômica. O artigo conclui que a transição tarifária, agora respaldada legalmente, é essencial para eficiência alocativa, justiça distributiva e redução de conflitos regulatórios no setor elétrico brasileiro.
(Publicado pelo Valor Econômico)
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico [GESEL]), Piero Carlo Sclaverano dos Reis (pesquisador associado do GESEL-UFRJ e doutorando em Planejamento Energético pela COPPE-UFRJ), João Pedro Burlamaqui Andrade e Leonardo Gonçalves (pesquisadores associados do GESEL-UFRJ) tratam do desequilíbrio recente entre oferta e demanda no Setor Elétrico Brasileiro (SEB), destacando que, impulsionada pela transição energética global e por subsídios nacionais, especialmente à micro e minigeração distribuída (MMGD), a capacidade instalada de fontes eólica e solar cresceu muito acima do consumo, levando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a intensificar cortes de geração (curtailments) diante de limitações na transmissão e excesso estrutural de oferta. Os autores apontam que a expansão acelerada, descolada do planejamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), somada a subsídios cruzados que pressionam tarifas e criam distorções como a “espiral da morte”, resultou em energia aparentemente barata, mas onerosa ao consumidor final pelos custos sistêmicos de integração. Defendem, assim, a revisão de subsídios ineficientes, aprimoramentos regulatórios, investimentos em armazenamento e em transmissão, além de novos mecanismos de sinalização econômica que alinhem a expansão da oferta ao crescimento efetivo da demanda, mitigando riscos de estresse operacional como o observado em 2023.
(Publicado pelo Broadcast Energia)
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Coordenador-Geral do GESEL), Renata La Rovere, Ana Carolina Chaves e Katarina Ferreira (Pesquisadoras do GESEL-UFRJ) analisam o papel dos Sistemas de Armazenamento Hidráulico (SAH) no contexto da transição energética brasileira — tecnologia que representa mais de 94% da capacidade mundial de armazenamento de longa duração. A rápida expansão das fontes renováveis intermitentes, que no Brasil tem gerado desequilíbrios diários e o fenômeno do curtailment, exige que o setor elétrico adote sistemas de armazenamento para garantir a estabilidade e a flexibilidade operativa. O avanço dos SAH influencia tanto o equilíbrio operacional do Sistema Interligado Nacional quanto a redução do despacho de usinas térmicas, cuja viabilidade econômica depende da superação de barreiras regulatórias, como a dupla tributação e a complexidade no licenciamento ambiental. Para converter esse desafio em uma transição sustentável e eficiente, os autores destacam eixos fundamentais: a adoção de usinas hidrelétricas reversíveis para gerenciar o descompasso entre oferta e demanda; a aplicação das diretrizes da Lei nº 15.269/2025 para dar segurança jurídica aos investidores; a simplificação dos processos de outorga e licenciamento; e a estruturação de mecanismos de remuneração adequados, como o Leilão de Reserva de Capacidade. O artigo conclui que o sucesso do armazenamento de energia dependerá de um esforço coordenado entre órgãos como MME, Aneel, EPE e BNDES, capaz de assegurar que a integração de novas tecnologias resulte em benefício sistêmico efetivo, sem comprometer a segurança operativa ou a atratividade econômica dos projetos no país.
(Publicado pelo Broadcast Energia)
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Coordenador-Geral do GESEL), David Alexander e João Pedro Burlamaqui Andrade (Pesquisadores Associados do GESEL-UFRJ) analisam o papel dos veículos elétricos (VEs) no contexto da transição energética global — movimento vinculado aos esforços de descarbonização que já registra mais de 11 milhões de unidades no mundo. A rápida expansão da eletromobilidade, que no Brasil apresentou um crescimento expressivo de registros em 2024 e 2025, exige que o setor elétrico realize avaliações técnicas rigorosas, visto que a recarga concentrada ao final do dia acentua as rampas de carga e desafia a estabilidade do sistema. O avanço dos VEs influencia tanto o equilíbrio operacional do Sistema Interligado Nacional quanto o perfil ambiental da frota, cuja pegada de carbono real depende da matriz energética de recarga e do impacto mineral na fabricação de baterias. Para converter esse desafio em uma transição sustentável e eficiente, os autores destacam eixos fundamentais: a adoção de sistemas de armazenamento (SAE) para gerenciar o descompasso entre oferta e demanda; a aplicação das diretrizes da Lei nº 15.269/2025 para regulação de baterias; o fortalecimento de fontes renováveis na matriz de recarga; e o investimento em infraestrutura de reciclagem para mitigar o déficit de reaproveitamento de materiais críticos. O artigo conclui que o sucesso da eletromobilidade dependerá de políticas públicas coordenadas entre os setores de transporte e energia elétrica, capazes de assegurar que a substituição de combustíveis fósseis resulte em benefício ambiental efetivo, sem comprometer a segurança operativa e a infraestrutura urbana do país.
(Publicado pelo Broadcast Energia)
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Coordenador-Geral do GESEL) e Daniel Araujo Carneiro (Pesquisador Associado do GESEL-UFRJ) analisam os impactos da Reforma Tributária no Setor Elétrico Brasileiro (SEB) após a aprovação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) Dual — modelo que unifica tributos federais, estaduais e municipais através da CBS e do IBS. A alteração estrutural exige que os agentes realizem um diagnóstico situacional rigoroso, visto que a substituição de impostos como PIS, Cofins e ICMS afeta diretamente a estabilidade e a previsibilidade econômica de uma infraestrutura estratégica de capital intensivo. O novo modelo tributário influencia toda a cadeia produtiva, desde a recuperação de Capex em geração e transmissão até a formação das tarifas de uso do sistema (TUSD e TUST) e encargos setoriais. Para converter esse desafio em uma transição eficiente, os autores destacam eixos fundamentais: agilidade no ressarcimento de créditos pelo fisco; ajuste nas metodologias da Aneel para garantir a neutralidade tarifária; repactuação de contratos de concessão e PPAs; e a rápida adaptação dos sistemas da CCEE. O artigo conclui que o sucesso da reforma dependerá de uma articulação precisa entre o fisco, a Aneel e a CCEE, capaz de assegurar que a simplificação tributária resulte em benefício para a economia nacional, sem comprometer a modicidade tarifária ou o equilíbrio financeiro dos contratos.
(Publicado pelo Broadcast Energia)
O Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL-UFRJ) está publicando o Texto de Discussão do Setor Elétrico (TDSE) nº 151, intitulado “Cenários de expansão de data centers e seus impactos na demanda elétrica do Setor Elétrico Brasileiro até 2035”. O estudo analisa a trajetória de crescimento dos centros de dados no país e suas consequências para o planejamento setorial, considerando a digitalização acelerada da economia e a necessidade de infraestrutura para o avanço da Inteligência Artificial (IA). Foram três eixos centrais de discussão: a identificação de um portfólio de potenciais projetos a partir de bancos de dados públicos de pedidos de conexão à rede; a formulação de cinco cenários de expansão (máxima, mediana, menor e inspirados nas metodologias do ONS e da EPE); e o cálculo dos impactos na capacidade instalada e no consumo elétrico final do Sistema Interligado Nacional (SIN). O trabalho examinou como o mapeamento da maturidade regulatória dos projetos e a oferta abundante de energia renovável podem subsidiar a atração de investimentos, garantindo a inserção do Brasil na economia digital global. Os debates concentraram-se em temas como a análise de sensibilidade do fator médio de utilização (load factor), fundamental para lidar com as incertezas tecnológicas do setor; a comparação das projeções de demanda (que podem atingir até 15,66 GW e 137,2 TWh em 2035) com o consumo de regiões como Rio de Janeiro, Portugal e Irlanda; e o impacto das incertezas jurídicas, exemplificadas pela perda de eficácia de incentivos fiscais como o REDATA. O estudo acena para a complexidade dessa integração, que exige reforços estruturais nas redes de transmissão e um planejamento cuidadoso para mitigar impactos socioambientais. Conclui-se que o principal desafio nacional será consolidar uma estratégia energética coordenada, de modo que o sucesso da transição para uma economia digital dependerá de arranjos capazes de transformar o potencial de geração em infraestrutura de suporte eficiente, assegurando a confiabilidade e a segurança do suprimento de energia no país.
ISBN: 978-85-7197-040-3
O Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL-UFRJ) está publicando o Texto de Discussão do Setor Elétrico (TDSE) nº 150, intitulado “A Dinâmica da Transição Energética na China, nos Estados Unidos e na União Europeia”. O estudo analisa as trajetórias recentes das três maiores economias do mundo no âmbito da transição energética, considerando seus diferentes arranjos institucionais e objetivos de política industrial e energética. Foram três eixos centrais de discussão: o enquadramento conceitual da “dupla face” da transição (descarbonização versus segurança energética); as tensões e sinergias estruturais entre esses dois pilares em cada ator; e uma análise comparativa dos compromissos climáticos e das políticas de descarbonização adotadas. O trabalho examinou como a dotação de recursos domésticos, as dependências externas e as estratégias geopolíticas influenciam o ritmo de incorporação de renováveis e a robustez frente a choques nas cadeias de suprimento. Os debates concentraram-se em temas como a estratégia chinesa de “construir o novo antes de descartar o velho”, focada em liderança industrial e ganho de escala em tecnologias de baixo carbono; o paradoxo estadunidense entre a manutenção da segurança energética ancorada em combustíveis fósseis e os novos pacotes de incentivos para a reindustrialização verde (como a Lei de Redução da Inflação – IRA); e o pioneirismo regulatório da União Europeia, que utiliza metas vinculantes e planos como o REPowerEU para acelerar a autonomia energética e reduzir a dependência de importações. O estudo acena para a complexidade dessa transformação sistêmica, que exige reconfigurações profundas em regulação, financiamento e infraestrutura. Conclui-se que o principal desafio global será conciliar a descarbonização com a soberania energética e a competitividade estratégica, de modo que o sucesso das grandes potências dependerá de arranjos capazes de transformar metas ambientais em ganhos de segurança e resiliência nacional.
ISBN: 978-85-7197-036-6
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) e Fernando de Lima Caneppele (professor da USP e pesquisador associado do GESEL-UFRJ) analisam a crise do apagão na região metropolitana de São Paulo ocorrido em dezembro de 2025, no que se refere ao impacto de eventos climáticos extremos (ECEx) sobre as redes de distribuição de energia. O evento, qualificado como uma “tempestade perfeita”, registrou um recorde histórico de oito horas seguidas de ventos acima de 72 km/h, resultando na interrupção do fornecimento para 2 milhões de consumidores (25% da base da Enel) e evidenciando a urgência de respostas técnicas em um cenário de aquecimento global descontrolado.Os autores destacam que a solução para a instabilidade elétrica depende de uma análise que separe o embate político da esfera técnica e regulatória, uma vez que o futuro da prestação desse serviço essencial está vinculado à capacidade de adaptação das infraestruturas urbanas. A análise aponta que há uma relação causal direta entre o efeito estufa, que cria bolhas de calor nas metrópoles, e o aumento da velocidade dos ventos, que derrubam a fiação elétrica ao atingir árvores. Enquanto o Ministério de Minas e Energia (MME) propõe o processo de caducidade do contrato da Enel para deslocar o eixo da discussão para a Aneel, a concessionária tende a fundamentar sua defesa na excepcionalidade do evento e no fato de seu contrato, assinado em 1998, ter sido desenhado em um contexto ambiental radicalmente diferente do atual. Diante desse quadro, o artigo argumenta que a fiscalização criteriosa da Aneel, baseada em métricas de qualidade, e a cooperação técnica entre o poder público e as empresas serão determinantes para viabilizar investimentos de médio prazo em uma rede elétrica de tamanha dimensão. Os autores concluem que, se o foco não for deslocado para a resiliência das redes elétricas sob o novo paradigma ambiental, o país continuará vulnerável a interrupções graves, sendo fundamental o fortalecimento institucional para transformar a gestão de crises em uma trajetória de segurança e confiabilidade energética.
(Publicado pelo Broadcast Energia)