IECC 351
Marco Institucional
GESEL: Nivalde de Castro alerta para desequilíbrios e custos crescentes no setor elétrico
A MP nº 1.304/2025, embora traga avanços como o limite à CDE e maior equilíbrio na divisão de custos entre mercados, preocupa especialistas por incluir contratações compulsórias e prorrogações de usinas sem embasamento técnico, o que pode elevar tarifas e gerar desequilíbrios no setor elétrico. Entidades como Abradee e FNCE defendem vetos presidenciais até 24 de novembro, alertando que decisões tomadas sob pressão política e sem debate qualificado aprofundam a desorganização estrutural e fragilizam a governança do sistema. Nivalde de Castro (coordenador-geral do GESEL-UFRJ) alerta que decisões desvinculadas do planejamento técnico estão gerando um desequilíbrio entre oferta e demanda no setor elétrico, resultando em cortes de energia que prejudicam tanto geradores quanto consumidores. Ele destaca que subsídios mal desenhados distorcem os sinais de preço e tendem a agravar o problema, citando como exemplo a contratação compulsória de térmicas a carvão e biomassa, que cria uma reserva de mercado subsidiada para fontes mais caras, cujo custo final acaba sendo pago pelo consumidor. Acesse a matéria na íntegra aqui. (Valor Econômico - 19.11.2025)
Ministro Silveira anuncia R$ 1,4 bi em investimentos do Luz para Todos
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou a liberação de R$ 1,4 bilhão em investimentos para a realização de cerca de 43 mil novos atendimentos por meio doPrograma Luz para Todos em comunidades remotas e indígenas no estado. Mais de 150 mil pessoas serão beneficiadas com o acesso à energia elétrica por meio de kits com painéis solares e baterias. O anúncio feito na COP 30, em Belém (PA), prevê a realização de cerca de 40 mil instalações em 47 municípios do Pará. Complementando esse projeto, outros quase três mil kits serão instalados nas comunidades indígenas localizadas nos municípios de Altamira, Bannach, Cumaru do Norte, Faro, Itupiranga, Novo Repartimento, Oriximiná, Ourilândia do Norte e São Félix do Xingu. Os contratos já foram assinados pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional S.A (ENBPar), vinculada ao MME que operacionaliza o programa, e a Equatorial Energia. A execução dos contratos será entre 22 e 34 meses. (Agência CanalEnergia - 13.11.2025)
Regulação
Aneel abre CP para definir novo prazo de padronização das unidades consumidoras nas faturas
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu consulta pública (CP) para discutir a prorrogação do prazo que as distribuidoras têm para padronizar o número da unidade consumidora nas faturas. A Abradee pediu extensão até 31 de dezembro de 2026, alegando acúmulo de demandas regulatórias e tributárias, enquanto a área técnica da agência recomenda prazo menor, até 30 de junho de 2026. A consulta ficará aberta de 12 a 26 de novembro e subsidiará a decisão final sobre o novo prazo, medida considerada importante para melhorar a gestão e a comunicação entre consumidores e distribuidoras. (BroadcastEnergia - 17.11.2025)
Empresas
Axia Energia aprova captação de R$ 3 bi em debêntures para holding e subsidiária
O conselho de administração da Axia Energia, novo nome da Eletrobras, aprovou a emissão de R$ 3 bilhões em debêntures simples, divididos em duas operações ainda não registradas na CVM. A primeira, de R$ 1 bilhão, será destinada à holding, com prazo de dez anos, pagamento semestral de juros e remuneração atrelada ao CDI acrescido de até 0,85% ao ano. A segunda, no valor de R$ 2 bilhões, será emitida pela subsidiária Axia Energia Norte (antiga Eletronorte), com prazo de sete anos e remuneração de CDI mais até 0,65% ao ano. Ambas as ofertas serão públicas, porém exclusivas para investidores profissionais, seguindo o rito de registro automático. (Valor Econômico - 16.11.2025)
Fitch Ratings eleva perspectiva de crédito da Axia Energia para positiva
A Fitch Ratings elevou a perspectiva das notas de crédito da Axia Energia (ex-Eletrobras) em moedas estrangeira e local (“BB-”), e da nota nacional (“AA(bra)”), de estável para positiva, refletindo a expectativa de melhoria na geração de caixa e nos indicadores de crédito da companhia. Segundo os analistas, a Axia se beneficia de uma combinação de vendas recentes de ativos e premissas mais favoráveis para os preços de venda de seus contratos de energia. A classificação de crédito da empresa é sustentada por sua base de ativos diversificada, que minimiza riscos operacionais e regulatórios, além de apresentar uma liquidez robusta e flexibilidade financeira para cumprir suas obrigações de dívida e planos de investimento mais elevados. (Valor Econômico - 18.11.2025)
Cemig: Lucro tem queda de 75,7% e fica em R$ 797 mi 3º tri 2025
A Cemig compartilhou os resultados do terceiro trimestre de 2025. A empresa reportou lucro líquido de R$ 797 milhões no período, queda de 75,7% na comparação anual, enquanto o Ebitda caiu 69,7%, para R$ 1,5 bilhão, apesar do crescimento de 4,6% na receita líquida, que alcançou R$ 10,6 bilhões. A deterioração dos resultados decorreu da menor rentabilidade em comercialização e distribuição, do impacto do GSF e do aumento das despesas financeiras. Na distribuição, a energia entregue caiu 4,4%, refletindo menor consumo em quase todas as classes e a migração para GD e rede básica. A companhia adicionou 203 mil clientes em 12 meses, chegando a 9,55 milhões de consumidores finais. Os indicadores DEC e FEC ficaram novamente dentro dos limites regulatórios, com 9,34 horas e 5,25 interrupções, respectivamente. As perdas totalizaram 11,42%, ligeiramente abaixo da meta, enquanto a arrecadação atingiu 99,1%. Os investimentos somaram R$ 5 bilhões até setembro (+17%), com previsão de R$ 6,3 bilhões em 2025; desse total, R$ 3,6 bilhões foram aplicados na distribuição, incluindo 14 novas subestações e mais de 5,300 km de redes, e R$ 656 milhões em geração e transmissão. (Agência CanalEnergia - 14.11.2025)
Leilões
MME conclui estudo para leilão de linha de 2.500 km com tecnologia inédita no Brasil
O Ministério de Minas e Energia (MME) concluiu o estudo de planejamento que viabiliza o leilão de transmissão do corredor expresso Bipolo Nordeste 2, uma linha de 2.500 km entre Angicos (RN) e Itaporanga 2 (PR). O projeto será o primeiro sistema de longa distância do país a operar com tecnologia VSC, avanço considerado inédito no Brasil e referência internacional para a integração segura de grandes blocos de energia renovável. Em síntese, a nova interligação entre as regiões Nordeste e Sul atende a demandas estruturais do Sistema Interligado Nacional (SIN). Com ela, o governo projeta elevar a capacidade de exportação do Nordeste dos atuais 13 GW, estimados para 2025, para 24 GW em 2035. Além disso, de acordo com o ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira, a decisão se baseou em estudos recentes da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Por fim, ele destaca que a nova infraestrutura trará mais flexibilidade e estabilidade ao sistema elétrico nacional. (Agência CanalEnergia - 17.11.2025)
Aneel aprova edital do 1º leilão de transmissão de 2026 com 7 dos 10 lotes envolvendo caducidade
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o edital do primeiro leilão de transmissão de 2026, marcado para 27 de março, ampliando de cinco para dez lotes — sete deles relacionados a possíveis caducidades de concessões ainda em análise. Parte dos contratos (dos grupos Jaçanã, Serra Negra, Tangará e MEZ Energia) pode ser retirada do certame caso o governo oficialize a extinção antes da publicação do edital. O leilão prevê 888 km de linhas, 4.800 MVA em transformação e cerca de R$ 5,8 bilhões em investimentos, com prazos de 42 a 60 meses, abrangendo 11 estados. A agência destaca que o edital reforça a expansão e a modernização da rede elétrica, garantindo segurança jurídica ao processo. (BroadcastEnergia - 17.11.2025)
Aneel homologa resultado de leilão de energia de novos empreendimentos feito em agosto
A Aneel homologou o resultado do Leilão de Energia Nova A-5, realizado em agosto, que contratou 815,6 MW de novas PCHs, CGHs e UHEs de até 50 MW. Dos 65 projetos vencedores, 63 foram homologados imediatamente e dois — PCHs Guarani e Ribeirão Bonito — aguardam formalização por decisões administrativa e judicial. Nove distribuidoras compraram energia com deságio médio de 3,16%, para início de suprimento em 2030 e contratos de 20 anos. O leilão reforça a expansão de fontes hidrelétricas de pequeno porte e a diversificação da matriz renovável do país. (BroadcastEnergia - 17.11.2025)
Aneel abre consultas para leilões de potência de 2026
A Aneel aprovou a abertura de consultas públicas para orientar os leilões de potência previstos para 2026, que incluirão usinas termelétricas a gás natural, carvão, óleo e biodiesel, além de projetos hidrelétricos, com o objetivo de reforçar a segurança energética diante da maior participação de fontes renováveis e da intermitência eólica e solar. A consulta, reduzida para 28 dias devido ao calendário apertado, antecede certames que ofertarão contratos de 3 a 15 anos, com início operacional entre 2026 e 2031. A agência reconheceu atrasos no processo e alertou para o risco de continuidade em tecnologias defasadas, enquanto a EPE informou que 368 projetos, majoritariamente térmicos a gás, somando 126,3 GW, foram cadastrados para o modelo de reserva de capacidade. (Valor Econômico - 18.11.2025)
Leilões de energia existente fecham com deságio de 15,45% e economia de R$ 1,18 bi
Os leilões de energia existente A-1, A-2 e A-3 de 2025 foram concluídos com preço médio de R$ 207, 81/MWh e preço marginal de R$ 214,9/MWh. O deságio geral chegou a 15,45% e a economia, de R$ 1,18 bilhão. No total, foram 1.778,6 MW médios contratados, o que representa um montante de R$ 6,4 bilhões em 31,1 GWh de energia de fontes eólica, solar, hídrica e térmica. Detalhando cada segmento do leilão: o primeiro leilão A-1 com deságio de 26,52% tem início de suprimento designado para janeiro de 2026, dentre seus vendedores, Atiaia, Auren e Eleia se destacaram e as maiores compradoras foram as distribuidoras da Enel em São Paulo, Ceará e Rio de Janeiro. O segundo A-2 teve um deságio de 14,42% e uma transação total de R$ 2,27 bilhões, com Engie, EDP e BTG Pactual como destaques dos vendedores e Enel SP, CE, Amazonas Energia, Light e Celecs como maiores compradoras. Por fim, o A-3 obteve um deságio de 0,99% e seus destaques foram a Enel Trading, Tradener e BTG par o segmento dos vendedores e Enel SP, CE e CPFL Paulista para o segmento dos compradores. (Agência CanalEnergia - 14.11.2025)
Oferta e Demanda de Energia Elétrica
Aneel exige plano de corte para evitar riscos com excedente de energia
A Aneel determinou que 11 distribuidoras apresentem, em até 20 dias, um plano para reduzir a geração de pequenas usinas (Tipo III), PCHs, biomassa, eólicas e solares de menor porte, a fim de cumprir comandos do ONS em situações de excedente de produção, problema agravado pela rápida expansão da geração distribuída. A medida integra o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes, criado após episódios críticos em que a produção superou a demanda, exigindo cortes drásticos em usinas maiores e deixando o sistema com baixa margem de segurança. As distribuidoras concentram 80% da capacidade dessas usinas e deverão enviar inventários atualizados de sua capacidade de redução. Apesar da oposição da Abragel, a Aneel manteve a decisão, citando riscos à estabilidade e alertas de órgãos internacionais. Com a geração distribuída crescendo cerca de 800 MW por mês, o ONS prevê que, até 2029, menos da metade da capacidade nacional estará sob seu controle direto, o que pode levar a cortes inevitáveis por razões físicas. (Valor Econômico - 18.11.2025)
Corte de geração na GD gera controvérsia sobre base normativa do PRODIST
A Aneel determinou que as distribuidoras de energia elétrica têm não apenas a permissão, mas o dever de realizar cortes de geração — além de carga — em consumidores com geração distribuída (GD), quando houver instrução do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), como parte de um plano emergencial para garantir segurança e confiabilidade do sistema elétrico. Esse entendimento é respaldado por normas regulatórias, tais como os Módulos 3 e 4 do PRODIST, que atribuem às distribuidoras a responsabilidade de executar medidas de controle quando exigido pelo ONS. No documento, a agência afirma que as unidades consumidoras, inclusive aquelas com micro e minigeração distribuída (MMGD), devem obedecer às solicitações de corte feitas pela distribuidora em situações de risco ao sistema. A medida, embora justificada legalmente, gerou controvérsias, já que a base normativa apontada — especialmente o item 48 do Módulo 4 do PRODIST — menciona apenas controle de carga, e não há previsão explícita de corte de geração, o que levanta questionamentos jurídicos sobre sua aplicabilidade. (Canal Solar - 18.11.2025)
Megalinha de transmissão busca ampliar integração de renováveis e evitar blecautes
Um estudo do Ministério de Minas e Energia concluiu que a megalinha de transmissão de 2,5 mil quilômetros entre o Rio Grande do Norte e o Paraná é necessária para reforçar o Sistema Interligado Nacional, ampliando a capacidade de escoamento da energia renovável do Nordeste. O projeto, que deve ser licitado em futuros leilões, será o primeiro do país a usar a tecnologia VSC em longas distâncias, aumentando a exportação de energia da região dos atuais 13 GW para 24 GW até 2035 e permitindo até 60 GW de potência instalada em fontes eólica e solar. A iniciativa deve elevar a resiliência e a estabilidade do sistema, reduzindo riscos de falhas como as que quase levaram o país a blecautes em abril e agosto de 2025, quando o ONS precisou aplicar cortes de geração devido a restrições de transmissão e ao excesso de oferta em relação ao consumo. (Valor Econômico - 16.11.2025)
EPE propõe novas interligações para expandir intercâmbio de energia entre regiões até 2035
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou o “Estudo de Expansão das Interligações Regionais – Parte III”, que recomenda soluções estruturantes para ampliar o intercâmbio de energia entre as regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil entre 2033 e 2035. O estudo é resultado de um profundo roadmap tecnológico para transmissão em longas distâncias e em grandes volumes de energia, agregando inovações ao setor elétrico brasileiro ao recomendar tecnologias inéditas para o Brasil. Os objetivos do estudo contemplam o aumento da capacidade média de exportação da região Nordeste para cerca de 24 GW, permitindo a integração de até 60 GW de geração renovável (eólica e solar) na região Norte/Nordeste até 2033 e a ampliação da capacidade de importação da região Sul para 17 GW em 2033 e 18 GW em 2035, reforçando a resiliência do sistema frente a cenários críticos de afluências hidrológicas e possibilitando a integração inicial de novas cargas eletrointensivas. Acesse o estudo aqui. (EPE – 17.11.2025)
Brasil e Paraguai retomarão revisão de Tratado de Itaipu em dezembro
Brasil e Paraguai decidiram retomar, na primeira quinzena de dezembro, as negociações sobre a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu. As conversas seguirão o entendimento bilateral de abril de 2024, que manteve a tarifa da usina em US$ 19,28 por kW.mês entre 2024 e 2026 e prevê queda para algo entre US$ 10 e US$ 12 por kW a partir de 2027, refletindo o custo de operação. O Anexo C regula a comercialização da energia gerada pela usina, dividida em partes iguais entre os países, com o Brasil obrigado a adquirir o excedente paraguaio; o acordo de longo prazo deveria estar firmado até o fim de 2024, mas o prazo foi postergado. As negociações foram suspensas quando veio à público a atuação da Abin em ações de espionagem sobre o tema, o que levou o Paraguai a interromper o diálogo. Em comunicado conjunto, o chanceler Mauro Vieira informou ter entregue relatório confidencial com esclarecimentos, destacando que o presidente Lula suspendeu as ações da Abin ao tomar conhecimento, e assumindo compromisso com a responsabilização dos envolvidos. Com o tema considerado superado pelo Paraguai, os ministérios agora também discutem futuras reuniões presidenciais e cooperação em infraestrutura e energia, incluindo interconexão elétrica, planejamento, biomassa e etanol. (Megawhat – 17.11.2025)
Oferta de Energia Elétrica
Carga do SIN recua 1,5% setembro
A carga de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN) fechou setembro de 2025 em 80.022 MWmed, queda de 1,5% em relação ao mesmo mês de 2024, segundo oBoletim Mensal de Carga do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). No acumulado dos últimos 12 meses, porém, o indicador avançou 1,7%. A análise regional mostra comportamentos distintos. Houve aumento decarga no Norte, com alta de 4,6% (8.835 MWmed), e no Nordeste, com avanço de 2,2% (13.396 MWmed). Já o Sudeste/Centro-Oeste registrou recuo de 3,9% (44.896 MWmed), enquanto o Sul teve queda de 0,5% (12.895 MWmed). No acumulado de 12 meses, todos os subsistemas apresentaram crescimento: Norte (6%), Sul (3,2%), Nordeste (1,7%) e Sudeste/Centro-Oeste (0,6%). O ONS atribui o resultado de setembro a fatores climáticos e ao calendário. Temperaturas máximas próximas ou abaixo da média histórica em capitais do Sudeste/Centro-Oeste e do Norte influenciaram a demanda, assim como a precipitação acima da média no centro-sul do Amazonas. A ocorrência do feriado de 7 de setembro, no primeiro domingo do mês, também impactou o consumo. (Agência CanalEnergia - 14.11.2025)
Consumidores
Projeto Meta II: CCEE e PSR apresentam proposta para modernizar modelo de formação do preço
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) realizou nesta quarta-feira (12) o 5º Workshop do Projeto Meta II – Formação de Preço, que marcou a conclusão desta iniciativa estratégica para o Brasil. O evento, em parceria com a consultoria PSR, consolidou todas as propostas de aprimoramento do modelo de precificação de energia construídas ao longo dos últimos 30 meses, com a missão de fornecer subsídios técnicos robustos para as decisões futuras dos formadores de políticas públicas. (CCEE – 13.11.2025)
Biblioteca Virtual
Artigo GESEL: "COP 30: Os caminhos opostos de Estados Unidos e China"
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL), Leonardo Gonçalves e Gustavo Esteves (pesquisadores associados do GESEL-UFRJ) analisam os caminhos divergentes de Estados Unidos e China na transição energética global, no que se refere à realização da COP30, que ocorre em um contexto de intensificação dos eventos climáticos extremos e desaceleração das ações climáticas desde 2021. As perdas globais ultrapassaram US$ 328 bilhões em 2024, reforçando a urgência de mecanismos de implementação — prioridade da presidência brasileira para esta edição da conferência. Os autores destacam que o futuro da descarbonização depende, em grande medida, das estratégias energéticas e industriais das duas maiores potências emissoras. A China avança como uma “superpotência renovável”, promovendo uma expansão acelerada de solar e eólica, reduzindo custos tecnológicos e exportando equipamentos e infraestrutura para países em desenvolvimento. Já os Estados Unidos caminham para um processo de “destransição energética”, retomando a centralidade do petróleo, gás e carvão, enfraquecendo padrões regulatórios e reduzindo incentivos às fontes limpas — postura que limita sua capacidade de liderança climática. Diante desse quadro, o artigo argumenta que a definição de padrões tecnológicos sustentáveis, a descentralização das cadeias globais de valor e a ampliação do financiamento em larga escala serão determinantes para uma transição energética justa e eficaz. Os autores concluem que, se o descompasso entre China e Estados Unidos persistir, os EUA correm o risco de perder protagonismo na nova ordem energética, enquanto a China tende a consolidar sua liderança nos rumos da descarbonização global. Acesse o texto aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 19.11.2025)
Artigo de Jean Paul Prates: "Petrobras, etanol e COP30, assuntos que não se misturam?"
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Jean Paul Prates (ex-presidente da Petrobras.) trata dos riscos de a Petrobras retomar a produção de etanol por meio de joint ventures com o setor sucroenergético, lembrando que a experiência anterior com a Petrobras Biocombustíveis (2008-2015) foi desastrosa e sem sinergia com o perfil industrial da estatal. Ele argumenta que a companhia não possui vantagem competitiva na produção agrícola e deveria concentrar esforços em inovação tecnológica e industrial, como etanol 2G, biometanol, HVO, SAF, hidrogênio eólica offshore e química verde, em vez de disputar espaço em mercados maduros. Para Prates, insistir em parcerias agrícolas seria um retrocesso estratégico, motivado mais por marketing e pressões políticas do que por visão de futuro, desviando a Petrobras de seu papel de liderança na transição energética e na construção de uma matriz de baixo carbono capaz de reposicionar o Brasil como potência industrial sustentável. (GESEL-IE-UFRJ – 18.11.2025)
Artigo de Jéssica Sant'Ana: "Gasto do governo federal com desastre ganha espaço de iniciativas contra crise climática"
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Jéssica Sant'Ana (jornalista do Valor Econômico) trata da queda dos gastos do governo federal em iniciativas de enfrentamento à mudança climática e proteção da biodiversidade, enquanto aumentam as despesas com gerenciamento de riscos e desastres, segundo relatório do Ministério do Planejamento e Orçamento apresentado na COP30. O estudo, baseado em metodologia do BID, mostra que entre 2010 e 2023 foram aplicados R$ 421,32 bilhões em clima e R$ 250,02 bilhões em biodiversidade, mas com forte redução após 2017 devido ao teto de gastos, à descontinuidade do PAC e ao aumento das emendas parlamentares. Já os gastos com riscos e desastres somaram R$ 111,20 bilhões no período, com picos em 2013 e 2023. A maior parte das despesas mapeadas tem caráter secundário, não sendo voltada diretamente à agenda verde, que recebeu apenas R$ 92,36 bilhões. Para a subsecretária Elaine Xavier, o desafio é ampliar tanto os gastos diretos quanto os indiretos, integrando diferentes fontes de financiamento e fortalecendo uma arquitetura financeira climática capaz de sustentar os compromissos do país. (GESEL-IE-UFRJ – 18.11.2025)
Artigo de Maria Netto: "Virar a chave climática"
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Maria Netto(diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS)) trata do momento histórico do Brasil ao sediar a COP30 e da oportunidade de reposicionar o país como potência em soluções climáticas, destacando o potencial nacional de mitigar bilhões de toneladas de CO₂ por meio de dez soluções escaláveis, da agricultura regenerativa habilitada por tecnologia, bioinsumos e recuperação de pastagens degradadas ao powershoring, hidrogênio verde, biocombustíveis avançados, mineração sustentável, infraestrutura baseada na natureza e mercados robustos de carbono, mostrando como esses caminhos podem transformar o uso da terra de vilão em protagonista, atrair investimentos, gerar empregos verdes e integrar o país às cadeias globais da nova economia; segundo o autor, o relatório lançado na COP30 é um chamado à ação para que o Brasil assuma, com coordenação e ambição, seu papel de liderança climática e se torne um hub global de inovação rumo a um pacto entre desenvolvimento, economia e sustentabilidade. (GESEL-IE-UFRJ – 19.11.2025)