Transição Energética 79
Dinâmica Internacional
IRENA: Crescimento das energias renováveis em 2024 chega a 585 GW
A Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) divulgou seu relatório Renewable Capacity Statistics 2025, revelando um recorde de 4.448 GW na capacidade global de geração de eletricidade renovável em 2024, com um crescimento de 585 GW, representando 92,5% da expansão total e uma taxa anual de 15,1%. No entanto, o progresso ainda está aquém da meta de triplicar a capacidade até 2030, sendo necessário um crescimento anual de 16,6% para alcançar essa meta. A maior parte da expansão ocorreu na Ásia, com a China liderando, responsável por 64% do crescimento global. Solar e eólica foram os principais responsáveis pela expansão, representando 96,6% das novas adições, com a energia solar fotovoltaica tendo o maior aumento. Apesar do crescimento, a IRENA e a ONU enfatizam a necessidade de acelerar a transição para energias renováveis, destacando disparidades regionais e a urgência em atingir os objetivos do Acordo de Paris, especialmente com o foco em garantir uma transição justa e inclusiva.(IRENA – 26.03.2025)
IEA: Aumento no consumo de eletricidade e energias renováveis em 2024
Em 2024, a demanda global de energia cresceu 2,2%, superando o aumento do PIB (3,2%) e refletindo um ritmo mais rápido do que a média anual de 1,3% entre 2013 e 2023. A maior parte do aumento ocorreu nas economias emergentes, com destaque para o consumo de eletricidade, que cresceu 4,3%, impulsionado por fatores como altas temperaturas, maior consumo industrial e o crescimento de data centers e transporte eletrificado. A oferta de energias renováveis e gás natural cobriu a maioria dessa demanda adicional, com a energia renovável representando 40% da geração global de eletricidade, graças a um recorde de 700 gigawatts de capacidade instalada. Embora o gás natural tenha visto um aumento significativo de 2,7% na demanda, o petróleo cresceu de forma mais modesta (0,8%) e o carvão teve um aumento de 1%, concentrado na China e na Índia devido a ondas de calor. O uso crescente de tecnologias limpas, como energia solar, eólica, nuclear e veículos elétricos, ajudou a desacoplar o crescimento da demanda de energia das emissões de CO2, que aumentaram 0,8%, mas em menor intensidade devido a essas inovações.(IEA – 24.03.2025)
BID Invest: Mobilização de US$ 110 bi para transição ecológica na América Latina e Caribe
O novo modelo de atuação do BID Invest, braço de investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, visa mobilizar até US$ 110 bilhões em investimentos privados para setores como transição ecológica e hidrogênio verde na América Latina e Caribe, com o Brasil se destacando como um dos maiores beneficiados. O modelo inclui um aumento de US$ 3,5 bilhões no capital da instituição nos próximos sete anos, sendo que o Brasil contribuirá com US$ 400 milhões. A estratégia visa aumentar a capacidade do BID de assumir riscos e mobilizar investimentos, especialmente para a transição ecológica. Além disso, o BID está negociando um empréstimo de US$ 2 bilhões com o Brasil para apoiar a transição ecológica, com recursos direcionados a programas sustentáveis, como o Eco Invest. A agenda do BID está alinhada com os interesses do governo brasileiro, focando em questões como clima, pobreza e desigualdade. O banco também está implementando medidas para aumentar a eficiência e liberar capital, como parcerias com instituições internacionais e a troca de risco cambial. (Valor Econômico - 24.03.2025)
Climate Energy Finance: Capacidade global de fabricação de painéis solares atingirá 1,8 TW em 2025
A capacidade global de produção de painéis solares deve atingir 1,8 TW até o final de 2025, segundo projeções do think tank australiano CEF (Climate Energy Finance). Esse volume corresponde ao triplo da demanda global instalada em 2024. O setor deve receber investimentos significativos ao longo do ano, com a China dominando a cadeia de suprimentos e registrando um aumento de 29% na capacidade fabril em relação a 2023. A oferta excedente pode levar à consolidação do mercado, eliminando fabricantes menos competitivos. Fora da China, a expansão da produção enfrenta desafios como custos elevados e incertezas políticas. Nos Estados Unidos, políticas protecionistas impulsionaram a produção doméstica, que deve alcançar entre 55 e 60 GW anuais até o fim de 2025. Na Índia, a produção de módulos solares cresce, mas ainda depende da importação de wafers e células chinesas, tornando-se vulnerável a restrições comerciais. A energia solar caminha para se tornar, até 2030, a fonte mais barata de geração elétrica globalmente. A queda nos custos de capital (CAPEX) impulsiona essa tendência, com os valores reduzindo de US$ 3.000/kW entre 2014 e 2016 para cerca de US$ 1.000/kW em 2024. Esse avanço decorre do aumento da eficiência dos módulos e da queda no preço do polissilício. Atualmente, projetos solares com armazenamento já superam a competitividade de novas usinas a carvão na Índia e a gás na Alemanha. Os custos de implantação variam entre US$ 500 e US$ 700/kW na Ásia, enquanto nos EUA permanecem acima de US$ 1.200/kW devido a tarifas sobre módulos importados. (Canal Solar - 25.03.2025)
IMO: Desafios e alternativas para a descarbonização do transporte marítimo global
O transporte marítimo, fundamental para a economia global, é responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, e a Organização Marítima Internacional (IMO) estabeleceu metas para reduzir essas emissões até 2050. No entanto, questões geopolíticas e econômicas, como a resistência do Brasil e de outros países, como China e Índia, à taxação global de carbono proposta pela IMO, dificultam a adoção de soluções sustentáveis. O Brasil defende biocombustíveis de primeira geração, como etanol e biodiesel, como alternativas, embora haja preocupações quanto aos seus impactos ambientais e à viabilidade tecnológica. Enquanto o Brasil foca na expansão do mercado de biocombustíveis, outros países investem em combustíveis de baixo carbono, como amônia verde e e-metanol, que podem ser mais eficazes na descarbonização do setor. O Brasil, embora legítimo em sua defesa, também precisa considerar a liderança na transição para tecnologias mais sustentáveis. (Agência Eixos - 23.03.2025)
Brasil e Japão: Cooperação técnica e financeira para o desenvolvimento sustentável
Os governos do Brasil e Japão assinaram, em 25 de março, um memorando com objetivo de fortalecer a cooperação técnica e financeira para a promoção do desenvolvimento sustentável em ambos os países. De acordo com o governo brasileiro, o documento abrange áreas como ações de mitigação das emissões de gases de efeito estufa e adaptação a mudanças climáticas, incluindo a aplicação de tecnologias de sinalização precoce para eventos climáticos extremos, promoção da economia circular e acesso a recursos genéticos. Estão previstos também - como instrumentos de execução da parceria - a realização de diálogos políticos, projetos conjuntos, pesquisas e estudos de viabilidade, compartilhamento de informações e organização de seminários e workshops. "A assinatura do memorando fortalece a cooperação global para o enfrentamento à mudança do clima rumo à COP30 e as relações entre Brasil e Japão em setores importantes para os dois países”, declarou a ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina Silva. (Broadcast Energia - 25.03.2025)
EUA: Energia solar se consolida como líder na transição energética
Os Estados Unidos devem adicionar 26 GW de capacidade solar em 2025, consolidando a energia solar como uma das principais fontes de sucesso na transição energética. No entanto, fatores como incertezas sobre créditos fiscais federais e políticas comerciais estão criando desafios para o setor, aumentando os riscos para investidores. Para mitigar esses riscos, desenvolvedores e fabricantes estão diversificando as cadeias de suprimentos e contando com incentivos financeiros, como o ITC Adder, que ajudam a impulsionar os projetos solares. Apesar dos esforços para reforçar a fabricação doméstica, a China ainda domina o mercado global de energia solar. O impacto das tarifas impostas por Trump sobre a fabricação doméstica também é uma preocupação. O podcast aborda essas questões, explorando o investimento em energia solar e as dificuldades de fazer planejamento de longo prazo em um cenário de constantes mudanças. A cada semana, o programa é atualizado com novos episódios sobre o setor solar.(Woodmac – 25.03.2025)
França, Itália e Eslováquia: Países pleiteiam novas mudanças no CBAM
França, Itália e Eslováquia solicitaram à União Europeia, por meio de um documento conjunto, alterações no Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) para simplificar as regras para as empresas afetadas pelo esquema. Embora a Comissão Europeia já tenha proposto mudanças que isentariam 90% das empresas do CBAM – que a partir de 2026 imporá custos de importação a bens intensivos em CO2 -, os três países pedem uma redução adicional da carga administrativa, sugerindo, por exemplo, o uso de cálculos padronizados para as emissões dos produtos. Além disso, propõem que as empresas exportadoras europeias recebam permissões gratuitas de CO2 para ajudá-las a competir nos mercados globais com rivais que não arcam com custos de poluição. Os ministros do meio ambiente da UE discutirão essa proposta em uma reunião em Bruxelas em 03 de abril. (Reuters – 27.03.2025)
Holanda: Congestionamento das redes elétricas ameaça transição energética
O congestionamento das redes elétricas está se tornando um desafio crescente para a transição energética, especialmente em países como a Holanda, onde a capacidade da rede não acompanhou o rápido crescimento da geração de eletricidade renovável. Isso tem atrasado a conexão de novos projetos, impactado a segurança energética e elevado os custos, como demonstrado pelos gastos crescentes com gestão de congestionamento na TenneT. Para resolver esses problemas, é essencial uma abordagem proativa, que inclua o planejamento antecipado da expansão da rede, a implementação de tecnologias de aprimoramento, como a recondutagem e a classificação dinâmica de linhas, e a maximização do uso das redes existentes. Além disso, a flexibilidade dos recursos de energia distribuída, como sistemas de baterias e veículos elétricos, deve ser melhor aproveitada. Países como a Alemanha e a Lituânia já estão adotando medidas inovadoras, e a transparência nas informações sobre capacidade e conexões pode ajudar a direcionar os investimentos e decisões. Superar o congestionamento exige políticas, regulamentações e inovações que garantam o uso eficiente da infraestrutura elétrica.(IEA – 25.03.2025)
Coreia do Sul: Vena Energy investe US$ 200 milhões no projeto eólico offshore Yokji
A Vena Energy anunciou um investimento de 292,89 bilhões de wons (US$ 200 milhões) no setor de energia renovável da Coreia do Sul, focado no Projeto Eólico Offshore Yokji, localizado na província de Gyeongsang do Sul. Com capacidade planejada de 384 MW, o projeto visa diversificar a matriz energética do país e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, alinhando-se às metas de segurança energética e neutralidade de carbono da Coreia do Sul. A Vena Energy também se comprometeu a estabelecer parcerias com as comunidades locais, pescadores e fornecedores, assegurando benefícios econômicos e sociais. Além disso, a empresa está desenvolvendo outro projeto eólico offshore, o Taean de 500 MW, previsto para começar a construção até 2026 em parceria com a Copenhagen Infrastructure Partners, com a expectativa de fornecer eletricidade para cerca de 300.000 residências anualmente. O CEO Nitin Apte destacou o compromisso da Vena Energy com a transição energética e a independência do país.(Energy Monitor – 26.03.2025)
Nacional
Artigo de Ricardo Alban: "Nova Indústria Brasil: perspectivas para o desenvolvimento sustentável"
Em artigo publicado pela Folha de São Paulo, Ricardo Alban (empresário e presidente da CNI) trata da importância da Nova Industria Brasil (NIB) e como esse projeto precisa ter um planejamento além dos ciclos políticos. Segundo o autor, “o Brasil deu um importante passo para fortalecer sua capacidade produtiva com o lançamento do (NIB). Iniciativas como o programa Mobilidade Verde e Inovação, com foco na descarbonização da frota automotiva, contribuem para uma indústria mais verde e de baixo carbono”. Por fim, Alban conclui que “uma política industrial moderna e robusta é essencial para a competitividade e oportunidade para o Brasil construir um futuro mais próspero”. (GESEL-IE-UFRJ – 25.03.2025)
Artigo de Giuliana Godoy: “Ambiente de negócios necessário para facilitar as metas climáticas”
Em artigo publicado no Estadão, Giuliana Godoy (gerente de Estratégia da Carbonext) endereça os entraves à transformação do potencial do Brasil no escopo da agenda climática global. Segundo a autora, o país tem grande potencial para transformar soluções ambientais locais em impactos globais, conforme demonstrado na COP-29, onde compromissos climáticos como a redução de até 67% das emissões de gases de efeito estufa foram reafirmados. Nessa estratégia, também reforça a importância das Soluções Baseadas na Natureza (NBS). Entretanto, argumenta que desafios como a mensuração do capital natural, a falta de métricas padronizadas e a complexidade dos ecossistemas dificultam a implementação dessas soluções de forma escalável. A fim de superar essas barreiras, a autora pontua ser necessário combinar financiamento estratégico, inovação tecnológica e parcerias multissetoriais, além de capital catalítico, mirando atrair investidores e garantir a viabilidade dos projetos. Por fim, acena para a experiências como o Programa Reverte, que mostra que, com políticas adequadas e colaboração entre governos, setor privado e ONGs, o Brasil pode liderar a transição para uma economia sustentável, gerando impactos ambientais e socioeconômicos duradouros. (GESEL-IE-UFRJ – 24.03.2025)
BNDES e Petrobras: Mercado de carbono e iniciativas de reflorestamento ganham força na Amazônia
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Petrobras irão firmar um protocolo para a aquisição de créditos de carbono originados de projetos de reflorestamento na Amazônia, com anúncio marcado para 31 de março. Durante o evento, será lançado o programa ProFloresta+, que visa financiar a recuperação de áreas degradadas no bioma amazônico. O BNDES tem investido em iniciativas para melhorar a certificação de créditos de carbono no Brasil, que atualmente é dominada por empresas internacionais, com metodologias inadequadas para florestas tropicais. Em 2023, a Petrobras entrou no mercado de carbono com a compra de créditos do projeto Envira Amazônia, apesar de alguns problemas com a documentação. O mercado voluntário de carbono global deve movimentar entre US$ 7 e 35 bilhões até 2030, com um potencial de US$ 2 bilhões no Brasil. Estados amazônicos como Pará, Amazonas e Tocantins estão se destacando por seus esforços na venda de créditos de carbono para combater o desmatamento e financiar projetos de desenvolvimento sustentável, atraindo investimentos de grandes empresas e governos internacionais.(Agência Eixos – 28.03.2025)
Aneel e BID: Assinam acordo para modernizar o setor elétrico e promover a transição energética
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) assinaram um acordo de cooperação para promover estudos e debates sobre regulação, eficiência energética, inovação tecnológica e transição energética no setor elétrico. O memorando de entendimento, válido por três anos, abrange temas como universalização do acesso à energia, fiscalização e cooperação internacional. O objetivo da parceria é aprimorar a capacitação técnica dos servidores da Aneel e modernizar o setor elétrico, com destaque para a troca de experiências e melhores práticas. Sandoval Feitosa, diretor-geral da Aneel, enfatizou que o acordo visa entregar resultados positivos para a sociedade e auxiliar países com menor maturidade regulatória. A diretora Agnes da Costa elogiou a agilidade do BID e a contribuição de seus técnicos, enquanto Annette Bettina Killmer, representante do BID no Brasil, destacou o estreito relacionamento entre as instituições e as novas oportunidades de colaboração. A assinatura do acordo contou com a presença de especialistas e técnicos de ambas as partes.(Agência Eixos – 25.03.2025)
Science: Atuação do governo brasileiro antes da COP30 não reflete liderança da agenda climática
A atuação do governo brasileira na agenda climática foi objeto de matéria na revista científica Science. A publicação criticou a postura de diversos ministérios que promovem ações que aumentam as emissões de gases de efeito estufa, o que contradiz o exemplo que deveria ser evidenciado enquanto anfitrião da COP30 neste ano. Entre as ações desaprovadas estão: a recuperação da BR-319, incentivos para expansão da soja e a exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Cientistas alertam que essas políticas podem acelerar o desmatamento e comprometer o papel da Amazônia na regulação climática, o que poderá resultar na intensificação de impactos climáticos desastrosos. Ante a biodiversidade e influência climática do Brasil, especialistas do veículo defendem que o país deveria liderar uma transição rápida para o fim do uso de combustíveis fósseis, mudando radicalmente suas políticas ambientais. A resposta do governo, contudo, é que a transformação precisa ser gradual para que impactos econômicos e riscos de segurança sejam evitados. O debate, então, evidencia o desafio do Brasil em equilibrar crescimento econômico e compromissos climáticos antes da COP30. (Folha de São Paulo – 20.03.2025)
MME: Eficiência e sustentabilidade são pilares da agenda regulatória até 2027
O Ministério de Minas e Energia (MME) divulgou sua agenda regulatória para o período de 2025 a 2027, com 30 propostas estratégicas para o setor energético. Algumas das diretrizes incluem a atualização do Regimento Interno do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), critérios para antecipação de entrada em operação de usinas contratadas no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) e otimização do uso de termelétricas em cenários de excedentes energéticos. Além disso, a portaria aborda a exportação de energia elétrica interruptível sem devolução de usinas hidráulicas e termelétricas contratadas na modalidade energia de reserva. Também menciona o estímulo à digitalização gradual das redes de distribuição de energia e serviços, incluindo instrumentos de medição. Essas medidas visam aprimorar a eficiência e a segurança do setor energético no país, promovendo uma maior sustentabilidade e modernização das infraestruturas elétricas. (Broadcast Energia – 24.03.2025)
Regulação e Reestruturação do Setor
CCEE: Crescimento de 74% nas migrações para o mercado livre de energia em fevereiro de 2025
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) registrou 2.443 novos consumidores migrando para o mercado livre de energia em fevereiro de 2024, um aumento de 74% em relação ao mesmo período de 2023. No acumulado do ano, foram 5.461 migrações, crescimento de 41% ante o recorde de 2024. A abertura do mercado livre para consumidores de média e alta tensão, independentemente da carga demandada, desde janeiro de 2023, impulsionou o movimento. Cerca de 84% das migrações contaram com apoio de representantes varejistas, obrigatórios para cargas abaixo de 500 kW. Os setores de Comércio e Serviços lideraram as adesões, seguidos por Indústria Alimentícia e Manufaturados Diversos. São Paulo foi o estado com mais migrações, seguido por Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A expansão reflete a busca por eficiência e economia na escolha de fornecedores. (Broadcast Energia – 19.03.2025)
Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais
Brasil: São Paulo enfrenta desafios na transição para frota de ônibus elétricos
A cidade de São Paulo enfrenta desafios para ampliar sua frota de ônibus elétricos e cumprir a meta de zerar as emissões de combustíveis fósseis até 2038, devido à falta de infraestrutura para recarga dos veículos. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) culpa a Enel, concessionária de energia, pela demora na instalação das redes de abastecimento, prejudicando o avanço do projeto, apesar de a prefeitura ter R$ 6 bilhões disponíveis para a substituição da frota. A Enel, por sua vez, afirma que concluiu obras para várias operadoras e planeja fornecer mais energia para os ônibus elétricos em 2025. Diante dos impasses, a prefeitura busca alternativas como o biometano, que poderia ser produzido a partir de aterros sanitários da cidade, e a implementação de "corredores verdes" exclusivos para ônibus não poluentes. Desde 2022, a SPTrans proíbe a compra de novos ônibus movidos a combustíveis fósseis, reforçando o compromisso com a descarbonização. A transição para uma frota elétrica é fundamental, mas a demora na ampliação dos ônibus elétricos ameaça os prazos para redução das emissões e coloca em evidência os desafios de modernização da infraestrutura energética.(Inside EVs – 28.03.2025)
Brasil: Mercado do país é líder de vendas de carros elétricos e híbridos chineses, com 82% de participação em 2024
O Brasil lidera globalmente em número de carros chineses eletrificados, com 82% dos veículos híbridos e elétricos vendidos no país em 2024 sendo de marcas chinesas, o que reflete a receptividade dos consumidores e o investimento no mercado local. A China domina globalmente o mercado de veículos elétricos e híbridos, com 76% de participação, excluindo os EUA, onde a venda de carros chineses é proibida desde janeiro de 2024 por questões de segurança. No mercado europeu, os carros chineses ainda têm menor aceitação, com destaque para a Áustria, onde 11% da frota elétrica e híbrida plug-in é chinesa, seguida por Espanha e Noruega com 10% e 9%, respectivamente. (Valor Econômico - 21.03.2025)
OMC: China solicita painel para revisar tarifas da UE sobre veículos elétricos
No dia 24 de maro, a Organização Mundial do Comércio (OMC) discutiu o pedido da China para a criação de um painel de disputa, visando revisar as tarifas antidumping impostas pela União Europeia (UE) sobre novos veículos elétricos a bateria originários da China. A solicitação foi feita em resposta às tarifas definitivas impostas pela UE em outubro de 2024, que, segundo a China, violam as normas da OMC. A China argumentou que o processo que levou à imposição das tarifas não seguiu as diretrizes do acordo da OMC sobre tarifas e comércio de 1994. Embora reconhecesse o direito dos membros da OMC de adotar medidas de defesa comercial, a China destacou que esses direitos devem ser exercidos dentro dos limites dos acordos da OMC. Em resposta, a União Europeia lamentou a decisão de Pequim e reafirmou que as tarifas são justificadas e em conformidade com as regras da OMC, afirmando não estar disposta a aceitar a criação de um painel. O Órgão de Solução de Controvérsias (DSB) registrou as declarações e reavaliará a questão caso haja um pedido para prosseguir com o processo.(Agência Eixos – 24.03.2025)
China: CATL investe em novas tecnologias e parcerias para expandir mercado de baterias
A CATL, maior fabricante mundial de baterias, está se preparando para estrear na Bolsa de Hong Kong, com a expectativa de levantar cerca de € 5 bilhões, tornando-se a maior captação na Ásia nos últimos quatro anos. A empresa, atualmente listada na Bolsa de Shenzhen, planeja emitir aproximadamente 220 milhões de ações em Hong Kong, embora o valor total da oferta pública inicial (IPO) ainda não tenha sido divulgado. O objetivo da listagem é financiar a construção de uma nova fábrica de baterias na Hungria, um projeto de € 7,3 bilhões. Aproveitando um momento favorável para os negócios chineses, a CATL se junta a outras grandes empresas do país, como Xiaomi e BYD, que também têm buscado aumentar seus investimentos. Além disso, a empresa, que detém entre 37% e 40% do mercado global, tem investido em novas tecnologias e firmando parcerias estratégicas com montadoras, como a Volkswagen, para o desenvolvimento de baterias e com a NIO para expandir a tecnologia de troca de baterias, um modelo que pode acelerar a adoção de veículos elétricos.(Inside EVs – 27.03.2025)
China: BYD projeta dobrar vendas internacionais em 2025 com fábricas no Brasil e outros países
A BYD tem como objetivo dobrar suas vendas fora da China para mais de 800 mil unidades em 2025, após comercializar 417.204 unidades em mercados internacionais em 2024. A montadora chinesa planeja aumentar sua presença no Reino Unido, América Latina e Sudeste Asiático, contornando tarifas por meio de montagem local, mas sem especificar os países em que adotará esse modelo. Para apoiar sua expansão global, a empresa está investindo na construção de fábricas no Brasil, Tailândia, Hungria e Turquia, embora tenha enfrentado desafios no Brasil devido a acusações de irregularidades trabalhistas. No entanto, a BYD não tem planos de entrar nos mercados dos EUA e Canadá a curto prazo devido a tarifas altas e restrições geopolíticas. A empresa também projeta superar a lucratividade por unidade da Toyota quando atingir uma escala semelhante à da gigante japonesa. Além disso, a BYD está expandindo suas tecnologias de condução inteligente e pretende aumentar sua equipe de desenvolvimento de software para até 8.000 pessoas, mantendo sua estratégia de oferecer tecnologias avançadas sem custo adicional em modelos acessíveis. A expansão global da BYD reflete o crescimento das montadoras chinesas no mercado internacional.(Inside EVs – 27.03.2025)
BYD: Após exitoso 2024, companhia aposta em mudança estratégica para 2025
A BYD reportou que suas vendas anuais ultrapassaram, pela primeira vez, o montante de US$ 100 bilhões (R$ 565 bilhões) em 2024. A campeã chinesa de veículos elétricos (VEs) dominou seu mercado doméstico e vem avançando em sua investida de expansão internacional. Alternativamente a sua concorrente americana Tesla, que vende apenas veículos totalmente elétricos (BEV), a BYD, no último ano, se beneficiou da demanda renovada por veículos híbridos na China. Ademais, a companhia recuou em sua estratégia agressiva de preços para ganhar participação no mercado e passou a focar no aumento da lucratividade. “Eles tentam elevar os preços de varejo inovando e atualizando seus modelos", explicou a analista automotiva da S&P Global Mobility, Serena Shen. Em 2024, o lucro líquido do grupo subiu 34%, alcançando Rmb 40 bilhões (R$ 31 bilhões). Para 2025, a empresa busca tornar sua linha ainda mais atraente com a introdução de novas tecnologias como o sistema de condução avançada God’s Eye e carregadores ultrarrápidos de VEs. Em sua abrasiva expansão internacional, a BYD aposta que pode superar montadoras tradicionais como Volkswagen e Toyota em mercados europeus e no sudeste asiático. A ambição, todavia, impeliu respostas de outros países, como barreiras comerciais e investigações sobre subvenções e condições de trabalho. (Folha de São Paulo – 25.03.2025)
Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis
Brasil: Setor de hidrogênio verde enfrenta desafios de infraestrutura e barreiras burocráticas
O setor de hidrogênio verde no Brasil enfrenta desafios significativos devido à dificuldade de acesso à infraestrutura elétrica necessária para viabilizar seus projetos, especialmente no Nordeste. Empresas como a Fortescue enfrentam barreiras burocráticas e técnicas, como a negativa do Parecer de Acesso para usar a infraestrutura de energia, o que gera incertezas sobre os investimentos. O sistema de transmissão local, particularmente no Porto do Pecém, não tem capacidade para suportar a carga adicional exigida pelos projetos. Além disso, a discrepância entre o cronograma de expansão das redes de transmissão e a necessidade imediata de energia cria riscos para o setor. Embora o Brasil tenha grande potencial para produzir hidrogênio verde com energia renovável barata, a falta de infraestrutura e os atrasos nas obras de transmissão podem prejudicar o avanço dos projetos e o atrativo do país para investimentos estrangeiros. A pressão por novas linhas de transmissão na região e a necessidade de uma solução para o impasse são fundamentais para o sucesso dessa indústria. (Valor Econômico - 20.03.2025)
Brasil: ABIHV e JBIC firmam acordo para impulsionar o desenvolvimento do hidrogênio verde
A Associação Brasileira da Indústria de Hidrogênio Verde (ABIHV) e o Banco Japonês para Cooperação Internacional (JBIC) firmaram um acordo de cooperação no setor de hidrogênio e seus derivados, incluindo amônia, com o objetivo de promover a colaboração entre empresas brasileiras e japonesas e acelerar o desenvolvimento da cadeia de suprimento desses produtos. O JBIC também buscará fortalecer parcerias estratégicas para descarbonização. O marco legal do hidrogênio de baixa emissão de carbono, sancionado pelo presidente Lula em agosto, estabeleceu créditos fiscais de R$ 18,3 bilhões e criou o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC). A assinatura do acordo ocorreu durante a visita da delegação brasileira ao Japão, onde os governos dos dois países anunciaram acordos para fortalecer a cooperação técnica e política em transição energética e integração industrial, incluindo a Iniciativa para Combustíveis Sustentáveis e Mobilidade (ISFM), que visa fomentar o uso de biocombustíveis, biogás e hidrogênio verde em equipamentos de mobilidade.(Agência Eixos – 26.03.2025)
Brasil: Lula propõe aumento nas exportações de etanol com adoção de mistura no Japão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante uma reunião com empresários brasileiros em Tóquio, que o Brasil pode aumentar suas exportações de etanol caso o Japão adote a mistura de 10% de etanol na gasolina. Lula destacou que isso representaria um avanço significativo, não apenas para exportação, mas também para a produção local do biocombustível no Brasil, reforçando o papel do país na redução global dos combustíveis fósseis. A visita tem como objetivo reaquecer as relações comerciais entre os dois países, que diminuíram desde 2011, e ampliar as exportações de carne bovina. Além disso, o BNDES anunciou a captação de US$ 190 milhões no Japão, destinados a financiar projetos de energia renovável e biocombustíveis no Brasil. Esse empréstimo, proveniente de bancos japoneses, visa impulsionar a matriz energética limpa do Brasil, com foco em energias renováveis e na redução de emissões de gases de efeito estufa. Lula também destacou o potencial do país para atrair investimentos estrangeiros, especialmente no setor de energia limpa.(Agência Eixos – 25.03.2025)
Brasil: Projeto de R$ 27 bi para hidrogênio e amônia verde no Piauí
O Piauí recebeu autorização para instalar o maior projeto de hidrogênio e amônia verde do país, com investimento de R$27 bilhões na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Parnaíba. A aprovação foi concedida pelo Conselho Nacional das ZPEs, com a assinatura do vice-presidente Geraldo Alckmin. Liderado pela Solatio, o empreendimento gerará 3 mil empregos e terá capacidade anual de 3 GW, alinhando-se às metas de descarbonização do programa Nova Indústria Brasil. A produção, destinada principalmente à Europa e Ásia, aguarda análise do Operador Nacional do Sistema Elétrico. Alckmin destacou o projeto como o maior já aprovado em uma ZPE e elogiou o governador Rafael Fonteles pelo empenho na atração do investimento. (Agência CanalEnergia - 21.03.2025)
Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização
Artigo GESEL: "Impactos da geração distribuída no Setor Elétrico Brasileiro"
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL), Fernando França (pesquisador associado do GESEL-UFRJ) e Roberto Brandão (diretor científico do GESEL-UFRJ) abordam os desafios e impactos da expansão da geração distribuída no Setor Elétrico Brasileiro, destacando a necessidade de adaptações técnicas, regulatórias e de infraestrutura para garantir a segurança e eficiência do sistema. O Setor Elétrico Brasileiro está passando por uma transformação significativa impulsionada pela transição energética, com o crescimento acelerado das fontes renováveis, especialmente solar e eólica. A rápida expansão da micro e minigeração distribuída (MMGD) impacta a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN), exigindo adaptações técnicas e regulatórias. A descentralização da geração, sem controle direto do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), desafia a estabilidade e confiabilidade do sistema. Para mitigar os riscos, são necessárias inovações regulatórias, investimentos em infraestrutura e maior coordenação entre ONS e distribuidoras. Além disso, o artigo questiona a manutenção de subsídios à GD, argumentando que o setor já é maduro e pode operar sem incentivos que distorcem os preços da energia. (GESEL-IE-UFRJ – 26.06.2025)
Artigo de Winston Fritsch e Eduardo Tobias N. F. Ruiz: "Gargalos para a expansão dos datacenters no Brasil"
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Winston Fritsch (ex-secretário de política econômica do ministério da fazenda) e Eduardo Tobias N. F. Ruiz (sócio-diretor da Watt Capital) tratam da necessidade de uma política integrada para incentivar investimentos em infraestrutura digital sustentável no Brasil, focando em reduzir os custos do processamento de dados e superar desafios regulatórios, tributários e de infraestrutura energética. Eles destacam a importância de aproveitar a demanda crescente por "elétrons limpos" de grandes empresas internacionais comprometidas com metas de carbono, sugerindo incentivos fiscais e a redução da carga tributária sobre datacenters. A proposta inclui também investimentos em energia renovável, como eólica e solar, para atender a um aumento substancial na capacidade de processamento de dados, o que exigiria uma expansão de até 13,9 GW na geração elétrica, com impactos positivos na economia e criação de empregos. Para viabilizar isso, o governo precisaria implementar medidas fiscais e regulatórias específicas, incluindo a adaptação do sistema elétrico e a promoção de contratos de autoprodução e armazenamento de energia.(GESEL-IE-UFRJ – 25.03.2025)
Brasil: Criação da Frente Parlamentar de Apoio à Cibersegurança e Defesa Cibernética
O Senado instalou, em 25 de março de 2025, a Frente Parlamentar de Apoio à Cibersegurança e Defesa Cibernética, presidida pelo senador Esperidião Amin (PP-SC). Com o objetivo de fortalecer a proteção de dados e a segurança digital no Brasil, a frente, que conta com 19 senadores, busca propor medidas legislativas para combater ameaças cibernéticas. Entre suas prioridades estão a criação de uma agência reguladora para coordenar respostas a ataques e a atualização do marco legal de proteção de dados. A iniciativa também visa promover o debate público sobre a importância da cibersegurança para a segurança nacional. (Senado - 25.03.2025)
Europa: Crescimento da instalação de medidores inteligentes até 2029
Até dezembro de 2024, mais de 195 milhões de medidores inteligentes foram instalados na região da UE 27+3 (União Europeia, Noruega, Suíça e Reino Unido), com crescimento contínuo de cerca de 6% ao ano. De 2025 a 2029, espera-se a instalação de cerca de 90 milhões de novos medidores, atingindo 285 milhões e uma taxa de penetração de aproximadamente 80% até 2029. A maior parte das instalações será de primeira geração, especialmente em países da Europa Central e Oriental, enquanto os lançamentos de segunda geração já estão em sua fase final em países como Reino Unido, Itália e Espanha. A região da Europa Central e Oriental, bem como o sudeste da Europa, deve responder por mais da metade das remessas anuais de medidores inteligentes em 2029. Além disso, há uma mudança significativa nas tecnologias de comunicação, com o uso crescente de soluções LPWA baseadas em 3GPP, como NB-IoT e LTE-M, que devem representar quase dois terços das remessas. No setor de gás, a adoção de medidores inteligentes também está crescendo rapidamente, com previsão de alcançar mais de 60% até 2029.(Smart Energy – 24.03.2025)
EUA: PG&E lança programa SAVE para otimizar rede elétrica na Califórnia
A Pacific Gas & Electric Company (PG&E) anunciou o lançamento da Agregação Sazonal de Energia Versátil (SAVE), um programa inovador que utiliza usinas de energia virtual (VPP) para aliviar as restrições da rede elétrica local. O programa incluirá até 1.500 clientes residenciais com sistemas de armazenamento de energia de bateria e 400 com painéis elétricos inteligentes, fornecendo energia e flexibilidade de carga em períodos de pico de demanda. Durante o verão de 2025, o VPP irá operar por até 100 horas, oferecendo suporte localizado para bairros específicos da Califórnia. A PG&E trabalhará com agregadores como Sunrun e SPAN, que gerenciarão as baterias e os painéis inteligentes para otimizar a distribuição de energia. O SAVE se concentra na equidade, com 60% dos clientes em comunidades de baixa renda. O programa faz parte do EPIC, que visa testar novas tecnologias para melhorar a segurança e a confiabilidade da rede elétrica da Califórnia, sendo financiado pelo programa EPIC 4.09B. Além disso, empresas como a Sunrun e a SPAN utilizarão plataformas avançadas de software para gerenciar a energia de maneira eficiente e ajudar a estabilizar a rede elétrica.(Smart Energy – 26.03.2025)
EPRI: Lançamento de consórcio de IA visando desenvolvimento de aplicações para o setor de energia
Em anúncio do Electric Power Research Institute (EPRI, na sigla em inglês), foi lançado o Open Power AI Consortium em parceria com a Nvidia para desenvolver modelos de IA aberta voltados ao setor de energia. O consórcio busca reduzir custos operacionais e melhorar a experiência do cliente, criando modelos específicos para desafios do setor. Um ambiente sandbox será desenvolvido para validar aplicações de IA em parceria com startups, academia e empresas. O primeiro conjunto de modelos, treinado com dados proprietários do EPRI, será disponibilizado via Nvidia NIM. A iniciativa visa impulsionar a inovação e aumentar a eficiência energética globalmente. (Smart Energy – 24.03.2025)
Impactos Socioeconômicos
Artigo de Renata Piazzon: “Narrativas climáticas: o que falta para virar o jogo?”
Em artigo publicado pelo Estadão, Renata Piazzon (diretora-geral do Instituto Arapyaú e representante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável [CDESS]) trata da penetração da agenda climática na opinião popular. Segundo a autora, a resistência à ciência e sinais da deflagração de uma crise climática são impelidos por emoções, interesses e mecanismos sociais complexos. Entre eles, destaca: a influência política e financeira de grandes setores da economia na minimização ou dissuasão do tema, mirando a proteção de interesses econômicos e políticos; dissonância cognitiva; e a crescente desconfiança nas instituições. Pondera ainda que a experiência histórica demonstra que as narrativas moldam percepções e que a maneira como um problema é enquadrado define as soluções que se tornam politicamente viáveis. A autora argumenta que o desafio, destarte, não é apenas apresentar evidências científicas, mas construir um discurso que dialoga com diferentes setores da sociedade, demonstrando que a transição para uma economia de baixo carbono não é uma ameaça, mas uma oportunidade – no caso do Brasil - para a produtividade, a segurança alimentar e a competitividade global do país. “É preciso construir narrativas que conectem uma agenda climática aos interesses de diferentes segmentos, garantindo que o diálogo ultrapasse divisões ideológicas e estimule a cooperação para soluções sustentáveis”, conclui Piazzon. (GESEL-IE-UFRJ – 21.03.2025)
Artigo de Claudio de Moraes: "Origem do negacionismo climático e possíveis saídas"
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Claudio de Moraes (professor e pesquisador do Coppead) trata do negacionismo climático como uma ameaça significativa à sociedade, destacando que, embora as soluções baseadas em evidências científicas sejam essenciais, o negacionismo impede ações eficazes para enfrentar a crise climática. Moraes analisa o negacionismo como um processo psicológico, comparando-o às fases do luto e explicando como ele se manifesta no ambiente corporativo, desde a negação até a aceitação. Ele argumenta que, para superar esse negacionismo, é crucial promover transparência socioambiental e adotar práticas sustentáveis autênticas. Além disso, enfatiza que, embora a transparência seja vital, ela deve ser acompanhada de ações concretas, políticas públicas e investimentos em educação climática, a fim de acelerar a transição para um futuro sustentável. (GESEL-IE-UFRJ – 24.03.2025)
Artigo de Tiago Hayashida: “Esperança em tempos de retrocesso: A liderança que resiste”
Em artigo publicado no Mundo RH, Tiago Hayashida (gerente executivo de finanças e pessoas da CCEE) trata dos desafios de transmitir sinais de esperança ante um cenário marcado pela desconstrução de agendas éticas e sustentáveis. O autor aponta que preocupação com o tema tem respalda em um estuda da Gallup que indicou que 56% das pessoas desejam que a liderança proporcione um ambiente de esperança, reduzindo o sofrimento e ampliando o bem-estar. Contrasta, todavia, que este é um estímulo bastante complexo em um mundo onde a ideologia prevalece sobre a pragmática análise de fatos. Ademais, constata que, apesar de avanços no entendimento sobre a importância da diversidade e da responsabilidade ambiental, políticas essenciais vêm sendo enfraquecidas, como o abandono de regras de transparência climática nos EUA e ataques a programas de inclusão. Segundo o autor, a solução não é simples, mas – parafraseando Silvio Meira – argumenta que “quem tem responsabilidade não deixará de fazer o que é certo, mesmo que seja um esforço solitário”. Dessa forma, conclui que a escolha pelo caminho da consciência social e ambiental cabe à liderança das organizações e, não obstante as adversidades, algumas empresas vêm reforçando seus compromissos, mostrando que a esperança ainda pode ser cultivada por meio de decisões responsáveis e intergeracionais. (GESEL-IE-UFRJ – 26.06.2025)
EUA: Judiciário barra tentativa de Trump de cortar subsídios para a economia verde
A juíza federal Tonya Chutkan bloqueou a tentativa do governo dos EUA, liderado por Donald Trump, de cortar subsídios para entidades de energia limpa concedidos durante o mandato de Joe Biden. A ordem impede a EPA de encerrar um programa de US$ 20 bilhões e o Citibank de devolver o montante ao governo. Grupos ambientalistas processaram a EPA e o Citibank devido à retenção de US$ 14 bilhões do Fundo de Redução de Gases de Efeito Estufa. A agência alegou má gestão e fraude pelos beneficiários, congelando os subsídios que agora devem ser retomados conforme a decisão judicial. Em outra frente, a juíza Ana Reyes bloqueou o decreto de Trump que proibia pessoas transgênero de servir no Exército, considerando-o uma violação dos direitos constitucionais. O governo tem a opção de recorrer da decisão de Reyes. Essas duas decisões judiciais representam embates significativos entre o governo Trump e o sistema judiciário em questões de energia limpa e direitos transgênero nos Estados Unidos. (Broadcast Energia - 21.03.2025)
Brasil: MME propõe restrições à autoprodução de energia para evitar evasão de encargos
O Ministério de Minas e Energia (MME) estuda limitar a autoprodução de energia elétrica, exigindo participação mínima dos sócios no capital social das geradoras e carga mínima para adoção do modelo. O objetivo é coibir empresas que usam essa modalidade para evitar encargos setoriais. O ministro Alexandre Silveira afirmou que a reforma do setor será enviada ao Congresso em 60 dias, via medida provisória ou projeto de lei com urgência. O senador Marcos Rogério sugeriu retomar a tramitação do PL 414/2021 sobre o tema. Silveira também mencionou a possível abertura total do mercado, permitindo livre escolha de fornecedores pelos consumidores. A reforma busca maior eficiência e transparência no setor elétrico. (Broadcast Energia – 21.03.2025)
Eventos
Brasil: Decreto formaliza organização da COP30
O presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), editou um decreto formalizando a Presidência da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) e aprovando a estrutura de cargos e funções até 1º de dezembro de 2026. O decreto foi publicado no Diário Oficial da União. A presidência da COP30 será liderada pelo embaixador André Corrêa do Lago, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, e a secretária nacional de Mudança do Clima, Ana Toni, ocupará o cargo de diretora-executiva (CEO) da conferência. A organização do evento, que ocorrerá entre 10 e 21 de novembro em Belém (PA), será realizada com remanejamento de servidores da Casa Civil e do Ministério das Relações Exteriores, sem aumento de despesas, conforme comunicado do Planalto.(Agência Eixos – 26.03.2025)
Brasil: Secretário da Bahia enfatiza o potencial das energias renováveis para reduzir desigualdades no iBEM
Durante a abertura do International Brazil Energy Meeting (iBEM) em Salvador, o Secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Angelo Almeida, destacou a importância do estado e do Nordeste para a segurança energética global, com o avanço das energias renováveis e a consolidação da economia verde. Ele refletiu sobre a evolução do Brasil e a comparação com a China, que, com investimentos em educação e resiliência, superou desafios econômicos. Almeida enfatizou que os investimentos em empreendimentos renováveis podem promover uma sociedade mais justa e reduzir desigualdades por meio da geração de riqueza e renda. O diretor executivo da Sowitec, Rafael Valverde, também destacou a importância de discutir a geopolítica energética de forma integrada, considerando as crises globais e os desafios da cooperação internacional no setor. Ele alertou sobre os impactos das mudanças geopolíticas e climáticas, defendendo uma nova abordagem para a relação da humanidade com o meio ambiente, diante das tragédias climáticas cada vez mais frequentes.(Agência Eixos – 26.03.2025)
Brasil: Especialistas destacam a importância da acessibilidade e inovação na transição energética no iBEM
Durante o International Brazil Energy Meeting (iBEM) em Salvador, especialistas discutiram a importância de priorizar a redução da pobreza energética na transição para fontes de energia mais limpas, garantindo acessibilidade e diversificação das fontes energéticas. Laura Porto, da Neoenergia, destacou o sucesso do programa “Luz para Todos”, que levou energia a 18 milhões de brasileiros, e enfatizou a necessidade de soluções energéticas acessíveis e de qualidade para todos. Ben Backwell, CEO do Global Wind Energy Council, ressaltou a competitividade da energia eólica e a necessidade de soluções como o hidrogênio de baixo carbono, que ainda enfrentam desafios de custo. Gabriel Lassery, da Associação Brasileira do Hidrogênio, apontou que o Brasil tem potencial para produzir hidrogênio de baixo carbono de forma acessível, utilizando diversas fontes energéticas. A transição energética, portanto, deve ser orientada por uma combinação de fontes renováveis e tecnologias inovadoras, com o apoio de políticas públicas para garantir preços acessíveis e reduzir as desigualdades.(Agência Eixos – 26.03.2025)