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IFE Transição Energética 75
Dinâmica Internacional
IEA: Demanda global por energia elétrica deverá crescer 4% até 2027
A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), em novo relatório, apurou que a demanda global por eletricidade deverá crescer 4% a cada ano até 2027. Nessa perspectiva, é esperado que as economias emergentes respondam por 85% da nova demanda global, com a China representando mais da metade desse aumento. Desde 2020, a aceleração da demanda por energia elétrica no país supera seu crescimento econômico. Vêm contribuindo para isso a intensidade energética do setor industrial e a rápida expansão da fabricação de painéis solares, baterias, veículos elétricos e materiais associados, segundo o relatório. Projeta-se também que que a Índia seja responsável por 10% do aumento da demanda global, ante a atividade econômica robusta e a alta do consumo pelo uso de aparelhos de refrigeração.Para a União Europeia, a projeção é que o bloco não recupera o nível de demanda de de 2021 antes de 2027. O consumo de eletricidade por data centers também foi citado com um vetor pujante para o aumento da demanda. A agência informou que planeja abordar a questão em outro relatório que deverá ser publicado esse ano. (Reuters – 14.02.2025)
Link Externo China: Investimentos locais em energia limpa estão se aproximando do volume global em combustíveis fósseis
Uma análise realizada pela Carbon Brief apurou que os investimentos em energia limpa da China estão se aproximando do volume global dos aportes em combustíveis fósseis. Em 2024, o país asiático aplicou cerca de US$ 940 bilhões em energia limpa, ante o montante de US$ 1,12 trilhão global para fontes fósseis. Isso ocorreu apesar do crescimento dos investimentos em energia limpa da China ter desacelerado de 40% para 7% em 2023 em meio ao excesso de capacidade de geração. Mais da metade do investimento realizado veio das crescentes indústrias de veículos elétricos, baterias e energia solar do país. Ainda,a energia limpa cresceu três vezes mais rápido do que a economia chinesa, mas sua contribuição para o crescimento econômico recuou para 24% do PIB ante 40% em 2022, visto que o avanço na economia de baixo carbono desacelerou. (Reuters – 19.02.2025)
Link Externo UE: Declaração conjunta de federações em defesa da energia nuclear como vetor da sustentabilidade
Um grupo de 14 federações empresariais europeias publicou uma declaração conjunta anunciando seu compromisso com o fortalecimento da indústria nuclear na Europa. A união mira representar uma “uma mobilização de atores econômicos para defender o lugar da energia nuclear na União Europeia e fazer da Europa uma potência econômica descarbonizada, competitiva e soberana“, segundo a Medef, uma das fundadoras desta aliança. “A Europa deve aprofundar e expandir seus investimentos em cadeias de valor estratégicas para consolidar sua posição como líder climática e defender seu potencial econômico“, diz a declaração. Em destaque, os signatários lançam reconhecimento ao da energia nuclear em nível da UE no Net Zero Industry Act, 2040 Climate objective Communication, bem como o lançamento da SMR Industrial Alliance. Ainda, a aliança identificou quatro áreas de foco alinhadas aos objetivos econômicos e climáticos europeus: o fornecimento de uma estrutura institucional clara e de suporte e a neutralidade tecnológica; a garantia de acesso a financiamento público e privado; a aceleração da industrialização e promoção de um ecossistema nuclear robusto; e o apoio ao desenvolvimento e à renovação de habilidades. (Petronotícias – 19.02.2025)
Link Externo UE: Proposta de teto temporário para preço do gás em meio a divergência com EUA
A União Europeia (UE) está considerando a possibilidade de estabelecer um teto para os preços do gás no bloco, que recentemente atingiram níveis recordes em relação aos EUA. Os preços do gás natural na Europa alcançaram o maior patamar em mais de dois anos, sendo de três a quatro vezes mais altos do que nos EUA. Esse aumento significativo é atribuído em parte às temperaturas baixas e à falta de vento, o que prejudica a produção de energia renovável. A proposta de estabelecer um limite para os preços do gás surge em meio à preocupação com o impacto desses valores elevados na economia e no bolso dos consumidores europeus. A medida, se implementada, poderia ajudar a conter os custos de energia e garantir um fornecimento mais estável e previsível. A discussão sobre essa questão reflete a necessidade de encontrar soluções para lidar com a volatilidade dos preços de energia, especialmente em momentos de crise ou instabilidade no mercado. A decisão da UE em relação a esse assunto terá repercussões não apenas no setor energético, mas também na economia como um todo, destacando a importância de políticas que busquem equilibrar a oferta e a demanda de energia de forma sustentável e acessível para todos os cidadãos europeus. (Broadcast Energia – 13.02.2025)
Link Externo Reino Unido: Reforma de subsídios para impulsionar projetos de eólicas offshore
O governo britânico apresentou planos para reformar seu principal sistema de Contratos por Diferença (CfD, na sigla em inglês), que consiste em garantias de preço pela energia elétrica gerada. A reformulação mira remover barreiras de planejamento e acelerar a operacionalização de projetos de energia verde, especialmente parques eólicos offshore. O Departamento de Segurança Energética e Net Zero (DESNZ) do Reino Unido aponta que as propostas incluem flexibilizar os critérios de elegibilidade no planejamento para as plantas offshore e ampliar o prazo dos CfD para além dos atuais 15 anos. O governo também pondera mudar a forma como os orçamentos para as eólicas offshore são definidos e publicados. “[As reformas] darão aos desenvolvedores a certeza de que precisam para construir energia limpa no Reino Unido, apoiando nossa missão de nos tornarmos uma superpotência de energia limpa e reduzir as contas para sempre”, argumentou o Secretário de Energia Ed Miliband. O país já tem 30,7 GW de energia eólica offshore instalados ou comprometidos, com mais 7,2 GW de capacidade consentida. Até 2030, a meta é atingir uma capacidade instalada de pelo menos 43 GW. (Reuters – 21.02.2025)
Link Externo Austrália: Lei de incentivos fiscais a minerais críticos e H2V
O governo da Austrália sancionou uma lei que conferem incentivos fiscais à produção de minerais essenciais para a transição energética e hidrogênio renovável, mirando impulsionar a descarbonização nacional e reduzir a dependência de recursos energéticos oriundos da China. O dispositivo cria incentivos no valor de 10% dos custos de processamento e refino de 31 minerais críticos para até 10 anos por projeto. Para o hidrogênio verde (H2V), o benefício oferecido será no valor de A$ 1 por kg produzido. Ao todo, serão ofertadas cerca de A$ 13,6 bilhões de isenções para a matéria de 2028 a 2040. (Reuters – 11.02.2025)
Link Externo Japão: Novas políticas de descarbonização e retomada da energia nuclear até 2040
O Japão estabeleceu novas metas de descarbonização com o objetivo de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em mais de 70% até 2040, em relação aos níveis de 2013, e alcançar a neutralidade de carbono até 2050. O plano inclui a redução de emissões em 60% até 2035 e 73% até 2040, com fontes renováveis fornecendo até metade da eletricidade do país até 2040. Além disso, o Japão planeja reverter sua política de eliminação da energia nuclear, com a meta de que a energia nuclear represente 20% da matriz energética até 2040. No entanto, a reativação de reatores enfrenta desafios, como um rigoroso processo de aprovação e a oposição de comunidades locais. O governo apoia a reativação de reatores e a construção de novos reatores de geração futura para cumprir as metas, mas essa mudança ainda encontra resistência em algumas áreas. (Agência Eixos - 18.02.2025)
Link Externo Nacional
Vendas de certificados de energia renovável mais que duplicaram desde 2022
As vendas de certificados internacionais de energia renovável (I-REC) no Brasil mais do que dobraram desde 2022, passando de 21,8 milhões para 50 milhões em 2024, com a expectativa de crescimento contínuo. Esse aumento é impulsionado pela busca de fontes limpas de energia, tanto elétrica quanto térmica, e pela migração de empresas para o mercado livre, que exige energia com garantia de origem. Empresas como Neoenergia, Eletrobras e Voltalia têm se destacado na comercialização de I-RECs, com grandes volumes sendo vendidos para setores como infraestrutura, telecomunicações e alimentos. A plataforma brasileira para certificação de energia renovável, lançada pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), tem consolidado os dados de geração e certificação, ajudando a impulsionar ainda mais esse mercado. Com o crescente foco em sustentabilidade e descarbonização, o Brasil tem se posicionado como um importante mercado global para energia renovável. (Valor Econômico - 17.02.2025)
Link Externo Climate Ventures: Crescimento da economia verde na Amazônia
O estudo realizado pelo Instituto Climate Ventures sobre a economia verde no Brasil revela que mais da metade das empresas desse setor está no Sudeste, com crescimento notável na Amazônia, especialmente no Pará. A maioria das organizações são startups, e os principais setores da bioeconomia são florestas e uso do solo, energia, biocombustíveis e gestão de resíduos. O estudo mapeou 928 organizações, destacando que 81% delas precisam de apoio financeiro, com grande dependência de doações. A análise também aponta a necessidade de investimentos significativos até 2030, com o Brasil enfrentando desafios para alcançar suas metas de redução de emissões. O mapeamento destaca a importância de incentivos fiscais e infraestrutura na Amazônia para apoiar empresas sustentáveis. (Valor Econômico - 19.02.2025)
Link Externo MME: Adesão à IEA, Irena e carta da Opep+, sem obrigações legais
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a adesão do Brasil a duas agências internacionais de energia, a Agência Internacional de Energia (IEA) e a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), além de sua participação na "carta" da Opep+, grupo de países aliados à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A adesão a essas entidades visa integrar o Brasil em fóruns internacionais de discussão sobre energias globais, com a Opep+ funcionando como um espaço consultivo, sem obrigar o Brasil a seguir decisões vinculativas, como cortes na produção de petróleo. O ministro destacou que a entrada na carta da Opep+ não cria obrigações legais para o país. (Valor Econômico - 18.02.2025)
Link Externo AYA: PIB pode aumentar em até US$ 430 bi com economia verde
Um estudo do Instituto AYA, em parceria com diversas organizações, aponta que o Brasil possui grande potencial para aumentar seu PIB em até US$ 430 bilhões até 2030, caso foque em estratégias relacionadas à economia verde e de baixo carbono. O relatório destaca sete cadeias econômicas essenciais, como transição energética, bioeconomia e economia circular, que podem posicionar o país como líder global na transição ecológica. Para isso, são necessários investimentos significativos, estimados entre US$ 130 bilhões e US$ 160 bilhões, além de capacitação da força de trabalho. O Brasil, com seus recursos naturais e biodiversidade, tem uma oportunidade única de gerar crescimento sustentável, empregos e reduzir emissões de carbono, desde que atraia mais investimentos privados e desenvolva tecnologias avançadas. (Valor Econômico - 17.02.2025)
Link Externo Artigo de Juliana Melcop e Beatriz Paulo de Frontin: "Energia offshore no Brasil e a agenda climática"
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Juliana Melcop e Beatriz Paulo de Frontin (sócias da área de Energia, Infraestrutura & Projetos no Veirano Advogados) tratam da recente aprovação da Lei 15.097/2025, que estabelece o marco regulatório para a produção de energia offshore no Brasil, incluindo fontes como eólica, solar e maremotriz. A lei visa fortalecer a transição energética e reduzir as emissões de carbono, alinhando-se aos compromissos climáticos do país. Além disso, estabelece critérios para a cessão de áreas marítimas e a comercialização de créditos de carbono, com ênfase na proteção ambiental e no respeito às comunidades afetadas. A regulamentação deve impulsionar o desenvolvimento de projetos de energia no mar, movimentando setores como a indústria naval e portuária, e o primeiro leilão de cessão de área é aguardado durante a COP30. (GESEL-IE-UFRJ – 20.02.2025)
Link Externo Artigo de Sylvia Alquéres e Flavio Andrade: "O potencial climático da economia azul"
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Sylvia Alquéres (especialista em Desenvolvimento e Parcerias Estratégicas para Negócios Azuis da OceanPact) e Flavio Andrade (fundador da OceanPact) tratam da importância do oceano na luta contra as mudanças climáticas, destacando seu potencial para sequestro de carbono e mitigação de emissões. Embora as tecnologias de captura de carbono em terra sejam mais discutidas, os oceanos, que já absorvem cerca de 30% das emissões globais de CO2, oferecem um potencial inexplorado. Com uma rica biodiversidade marinha e uma extensa costa, o Brasil tem a oportunidade de liderar iniciativas sustentáveis baseadas no oceano, como a conservação marinha, a energia renovável offshore e a descarbonização do transporte marítimo. A economia azul, que inclui esses setores, promete gerar novos empregos e impulsionar a economia, mas ainda enfrenta desafios de investimento, principalmente do capital privado. Para avançar, é necessário mais investimento em pesquisa, parcerias público-privadas e soluções financeiras inovadoras, posicionando o Brasil como líder global na transformação sustentável dos oceanos. (GESEL-IE-UFRJ – 14.02.2025)
Link Externo Regulação e Reestruturação do Setor
Brasil: Mercado livre de energia enfrenta desafios após crise hídrica de 2023
Em 2024, o aumento dos preços de energia e a incerteza sobre os reservatórios das hidrelétricas geraram preocupações no mercado livre de energia, especialmente após a crise hídrica no segundo semestre de 2023. A comercializadora Gold Energia, por exemplo, enfrentou risco de default e precisou renegociar contratos. A gestão de riscos no setor, usando ferramentas como o value at risk (VaR) e stress tests, se mostrou essencial para prever cenários adversos. Especialistas defendem que o mercado precisa de mais transparência e segurança, com aprimoramentos regulatórios como exigências de garantias financeiras. Além disso, consumidores que migram para o mercado livre devem entender os riscos envolvidos, e há uma necessidade de debates sobre a regulação e estrutura do setor elétrico, especialmente com a possível abertura do mercado para consumidores de baixa tensão. (Agência Eixos – 16.02.2025)
Link Externo Brasil: Mercado livre de energia bate recorde de migrações em 2024, com aumento de 262%
O mercado livre de energia no Brasil teve um recorde de migrações em 2024, com 25.966 unidades consumidoras aderindo à modalidade, um aumento de 262% em relação ao ano anterior. Essa migração foi possível após a última etapa da portaria 50/2022, que permitiu a consumidores com carga abaixo de 500 kW em alta tensão migrarem para o mercado livre, onde podem escolher a usina fornecedora de eletricidade. O mercado já representa 39% do consumo nacional de energia. Agora, a atenção se volta para a expansão da modalidade para consumidores de baixa tensão, incluindo residenciais, com expectativas de regulamentações para isso até 2026. O processo de abertura gradual começou em 2018, e a última barreira para migração foi removida no ano passado. (Valor Econômico - 17.02.2025)
Link Externo Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais
ABVE: Crescimento das vendas de VEs enfrenta desafios
A transição para veículos eletrificados tem avançado rapidamente no Brasil e no mundo, com um crescimento significativo nas vendas de carros elétricos e híbridos. No Brasil, segundo a Associação Brasleira do Veículo Elétrico (ABVE) as vendas aumentaram 88,8% em 2023 e 93,9% em 2024, impulsionadas tanto por consumidores individuais quanto empresas, como Mercado Livre, que eletrificou sua frota na América Latina. Contudo, a eletrificação enfrenta desafios, especialmente a falta de infraestrutura de carregamento adequada, custos elevados e a necessidade de colaboração entre governos, empresas e outros setores para superar as barreiras. A escassez de pontos de recarga e a capacitação técnica são obstáculos adicionais, impactando a adesão, principalmente em pequenas e médias empresas de transporte. (Valor Econômico - 17.02.2025
Link Externo Uber: União à ABVE para contribuição com a descarbonização dos transportes
A empresa de transportes por aplicativo Uber se associou à da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). A parceria marca um passo estratégico na descarbonização dos transportes e está alinhado às metas de sustentabilidade e eletrificação da empresa. A companhia já possui parcerias com marcas globais como BYD e JAC, que viabilizam a aquisição de veículos elétricos por motoristas parceiros. No Brasil, a Uber já registra um crescimento de mais de 500% no número de veículos elétricos (VEs) cadastrados na plataforma no último ano. É reforçada, no entanto, a importância do desenvolvimento da infraestrutura adequada para amplificar a adoção de VEs. Segundo a empresa, as cidades precisam oferecer incentivos para a troca de veículos a combustão por elétricos e garantir a instalação de estações de carregamento acessíveis em todas as regiões. (Agência CanalEnergia - 13.02.2025)
Link Externo Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis
Artigo GESEL: "Os leilões de hidrogênio verde e biometano em Portugal"
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Vitor Santos (professor catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão [ISEG] da Universidade de Lisboa) e Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) tratam da transição energética global, destacando as diferenças entre os países produtores de combustíveis fósseis, como os Estados Unidos sob o governo Trump, e aqueles que buscam alternativas renováveis, como Portugal. O texto analisa os avanços do país europeu, principalmente no hidrogênio verde e biometano, como modelos para o Brasil, e como iniciativas como o European Green Deal e o Plano REPowerEU aceleraram a transição, especialmente após a crise do gás natural gerada pela guerra na Ucrânia. A importância do biometano e do hidrogênio verde é ressaltada, destacando suas vantagens e desafios, como os altos custos iniciais do H2V, e a necessidade de incentivar a demanda para escalar a produção. O artigo também explora a experiência de Portugal com leilões para aquisição desses gases renováveis, oferecendo um modelo que pode ser adaptado ao contexto brasileiro, considerando as dificuldades do "dilema do ovo e da galinha" na transição energética. (GESEL-IE-UFRJ – 18.02.2025)
Link Externo Brasil/CNPE: Mistura do biodiesel é mantida em 14% para deter inflação, mas decisão desagrada produtores
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) comunicou a decisão de suspender temporariamente o aumento da mistura do biodiesel ao diesel para 15%, que entraria em vigor no mês de março. O governo explica que a medida foi tomada para evitar uma nova alta no preço do diesel, que já sofreu reajuste de R$ 0,22 da Petrobrás no final de janeiro. A matéria causou repercussões, sobretudo para a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), que argumentou que o adiamento coloca em risco altos volumes de investimento anunciados para a cadeia do negócio. “Uma visão equivocada do impacto da evolução da mistura de biodiesel na inflação vai comprometer o desempenho em toda a cadeia produtiva”, declarou o presidente do Conselho de Administração da entidade, Francisco Turra. Uma nova alteração do percentual da mistura só poderá acontecer em uma futura reunião do CNPE, ainda sem data prevista. (Petronotícias – 18.02.2025)
Link Externo Indonésia: Proposta de nova composição do biodiesel com óleo de palma
A Indonésia está avaliando uma nova composição para a mistura do biodiesel. O país, este ano, aumentou a mistura obrigatória de óleo de palma – do qual é o maior produtor mundial - no biodiesel de 35% para 40%, mirando reduzir a dependência do óleo diesel importado. E, para 2026, é ponderado o aumento dessa proporção para 50%. Também está sendo considerada uma mistura de 3% para o combustível de aviação para o próximo ano, segundo a a autoridade do Ministério da Energia, Eniya Listiani Dewi. Diante desse plano, o fundo de plantação estatal deve distribuir 35,47 trilhões de rupias (US$ 2,2 bilhões) para subsidiar o programa obrigatório de biodiesel da Indonésia. Cerca de 50% dos 15 milhões de kL o combustível que o país deverá vender este ano serão subsidiados. (Reuters – 18.02.2025)
Link Externo Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização
Brasil: Potência da MMGD cresceu 725 MW em janeiro, com 112 mil novos consumidores beneficiados
Em janeiro de 2025, segundo dados reunidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a partir das distribuidoras de energia, mais de 65 mil sistemas de micro e minigeração distribuída de energia elétrica (MMGD) foram instaladas, resultando em acréscimo de 725 MW de potência. Com isso, 112 mil unidades consumidores passaram a aproveitar os excedentes da energia gerada a partir de fontes renováveis ou cogeração qualificada, na forma de créditos para abatimento na conta de luz. O estado que mais se destacou em termos de nova potência instalada foi São Paulo, seguido por Goiás e Minas Gerais. Agora, o Brasil conta com 3,28 milhões de sistemas conectados à rede de distribuição de energia elétrica, com potência instalada próxima de 36,90 GW e 4,91 milhões de UCs se aproveitando do esquema de créditos do excedente de geração. A classe residencial lidera as instalações e uso de créditos por meio desses empreendimentos, seguida pela comercial e a rural. (Aneel – 17.02.2025)
Link Externo ONS: Aumento da GD vem impelindo riscos de sobrecarga na rede no longo prazo
O ONS identificou riscos de sobrecarga na rede em horizonte de longo prazo, tendo em vista aumento de quase 50% na oferta da geração distribuída (GD) nos próximos cinco anos, de 33,4 gigawatts (GW) em 2024 para 49,5 GW em 2029. Em horizonte de curto prazo, o suprimento de energia elétrica do Brasil está assegurado e não há riscos de blecautes ou racionamento por falta de geração, tampouco riscos sistêmicos na entrega da eletricidade,declara o operador. No entanto, a perspectiva é outra para o cenário que considera um período mais alongado. Diante desse cenário, “players” do setor elétrico, bem como o próprio operador, elaboram estratégias para coibir possíveis blecautes nos próximos anos.Um desses vetores é a criação do operador de recursos energéticos distribuídos ou descentralizados (DSO, na sigla em inglês), que pode atuar na gestão da demanda de energia que não está sob alcance do ONS e na GD. (Valor Econômico - 17.02.2025)
Link Externo China: Lançamento de plano para fortalecer indústria de armazenamento de energia
A China anunciou um ambicioso plano de ação visando fortalecer a indústria de armazenamento de energia de nova geração até 2027. O documento, desenvolvido pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação em conjunto com outros órgãos, destaca a busca por avanços em tecnologias consolidadas, como as baterias de lítio, e o estímulo a inovações disruptivas. O governo chinês pretende otimizar o consumo energético na fabricação, expandir o uso de fontes renováveis e integrar tecnologias emergentes, como blockchain, big data, inteligência artificial e 5G, no setor de armazenamento de energia. Em uma perspectiva global, a China almeja fortalecer parcerias estratégicas com países e regiões-chave, como no âmbito do Brics e da Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI), com o objetivo de promover a cooperação industrial e fortalecer as cadeias produtivas. Este plano demonstra o compromisso da China em impulsionar a inovação e consolidar sua competitividade internacional no setor de armazenamento de energia, alinhando-se com as tendências globais de transição para uma economia mais sustentável e tecnologicamente avançada. (Broadcast Energia – 18.02.2025)
Link Externo Impactos Socioeconômicos
Artigo GESEL: "Sistemas de energia solar promovem desigualdades sociais no Brasil"
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) e Gabriel Konzen (doutorando do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento da UFRJ [PPED/UFRJ]) tratam da desigualdade no acesso à energia solar no Brasil, destacando que, apesar da crescente adoção de sistemas fotovoltaicos, apenas 3% das instalações estão em lares de baixa renda, enquanto 67% estão concentradas em residências de maior poder aquisitivo. A pesquisa revela que a política de incentivos à microgeração distribuída (GD), iniciada em 2012, tem beneficiado desproporcionalmente as classes mais altas, enquanto os subsídios são pagos por todos os consumidores. Para corrigir essa disparidade, os autores sugerem a adoção de políticas públicas mais eficazes, como o Programa Minha Casa, Minha Vida e o Programa de Energia Renovável Social, além da redução dos subsídios indiscriminados, para tornar a transição energética mais justa e inclusiva. (GESEL-IE-UFRJ – 20.02.2025)
Link Externo Artigo de Alexandre Street: "A saga da expansão por subsídios no setor elétrico"
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Alexandre Street (professor associado do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio) trata dos desafios estruturais enfrentados pelo mercado de eletricidade brasileiro, exacerbados por subsídios mal planejados, como os da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Criada para promover o desenvolvimento energético, a CDE perdeu seu foco original e, com a introdução de novos subsídios em 2013, se transformou em um mecanismo de transferência de recursos sem limites claros, gerando desequilíbrios no setor. Street destaca o impacto das fontes renováveis não controláveis, como eólicas e solares, que, embora essenciais para a diversificação da matriz, aumentaram a instabilidade do sistema, criando um triplo subsídio para essas fontes. Ele critica a resposta do governo, que propõe leilões de capacidade sem corrigir as falhas no mercado, sugerindo que soluções simples para problemas complexos, como a expansão de subsídios, são ineficazes e exigem uma análise mais profunda.(GESEL-IE-UFRJ – 14.02.2025)
Link Externo Artigo de Celso Ming e Pablo Santana: "Energia elétrica, jabutis e subsídios"
Em artigo publicado pelo Estadão, Celso Ming (comentarista de Economia) e Pablo Santana (repórter da editoria de Economia) tratam dos problemas enfrentados pelo setor elétrico brasileiro, agravados pela crise da seca de 2024 e pelo aumento nos custos da energia. Eles destacam como os interesses políticos e o poder do Congresso têm prejudicado a regulação e organização do setor, exemplificados pela aprovação do marco regulatório da energia eólica offshore, que gerou custos adicionais de R$ 20 bilhões por ano. O ex-diretor da Aneel, Edvaldo Santana, critica a política de subsídios desgovernada, que aumenta a tarifa e prejudica a confiabilidade do sistema, forçando cortes na geração de energia solar e eólica. Para o professor Nivalde de Castro, da UFRJ, esses cortes criam um “ovo da serpente” e ampliam os riscos de judicialização, e ele acredita que a solução passa pela recuperação do protagonismo técnico do Ministério de Minas e Energia, com decisões mais focadas em aspectos técnicos do que em interesses econômicos. (GESEL-IE-UFRJ – 14.02.2025)
Link Externo França: Rede elétrica requer € 100 bi de investimentos até 2040, diz RTE
A França precisará investir cerca de € 100 bilhões até 2040 para reforçar e expandir sua rede elétrica ante a demanda crescente e a operacionalização de novas plantas nucleares, segundo a RTE, operadora da rede de transmissão do país. Mais da metade dos recursos previstos serão orientados para a construção de novos centros de demanda, incluindo data centers e estações de veículos elétricos, e para a conexão de fontes de energia de baixo carbono. Destarte,para viabilizar e estruturar essas aplicações, o país precisará de um amplo plano de desenvolvimento de rede. A taxa anual de investimento na rede elétrica precisará mais que triplicar nos próximos cinco anos, indo dos € 2,3 bilhões realizados em 2024 para mais de € 7,5 bilhões, reforçou a entidade. Entretanto, lembrou que é preciso considerar também que a França passa por uma “situação paradoxal”, com um grande número de projetos surgindo, mas menos de 15% deles confirmados e formalmente iniciados. (Reuters – 13.02.2025)
Link Externo Artigo de Joaquim Levy: "Finanças climáticas ao largo"
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Joaquim Levy (diretor de Estratégia Econômica e Relações com Mercado do Banco Safra) trata do impacto crescente das emissões de gases de efeito estufa, com destaque para os combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás natural, que atingiram recordes de consumo em 2024. Ele alerta para a desigualdade na cobrança de emissões, especialmente no setor de transporte marítimo, que contribui significativamente para as emissões globais. A União Europeia já incluiu o setor no seu mercado de carbono, o que pode gerar custos adicionais para o Brasil, estimados em até US$ 10 bilhões anuais, afetando principalmente as exportações de commodities como soja, minério e petróleo. Levy propõe que os recursos arrecadados sejam direcionados para iniciativas de preservação da Amazônia e a promoção de indústrias verdes, sugerindo que o Brasil deve estar atento às negociações internacionais para garantir que esses recursos ajudem a financiar soluções climáticas eficazes e sustentáveis. (GESEL-IE-UFRJ – 20.02.2025)
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