IECC 386
Marco Institucional
GESEL participa do CINASE 2026
O GESEL-UFRJ apoia a 56ª edição do Circuito Nacional do Setor Elétrico (CINASE 2026), que será realizada nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, no Rio de Janeiro. Considerado o “Ponto de Encontro do Setor Elétrico”, o CINASE é o maior evento itinerante do setor elétrico brasileiro e reúne Congresso Técnico e Feira de Negócios, promovendo debates sobre os principais desafios e transformações do segmento. O GESEL-UFRJ estará representado em dois painéis da programação. No dia 30 de setembro, das 9h às 9h30, Nivalde de Castro, coordenador-geral do GESEL, participará do painel “Os desafios da distribuição de energia elétrica no contexto dos fenômenos climáticos extremos”, ao lado de representantes convidados da Light e da Enel Rio. O debate abordará temas relacionados à resiliência do sistema elétrico, às mudanças climáticas e aos desafios regulatórios da distribuição de energia. No mesmo dia, das 14h às 14h45, Roberto Brandão, diretor técnico-científico do GESEL, participará do painel “Armazenamento de Energia – O Presente e o Futuro, O que você precisa saber!”. A discussão contará também com Miriam Penna, um representante convidado da PUC-Rio e Francisco Lopes, pesquisador do Cepel, e abordará temas estratégicos para a modernização do setor, como armazenamento de energia, flexibilidade do sistema e integração das fontes renováveis. Inscrições gratuitas para o público do GESEL. São apenas 200 vagas exclusivas para convidados dos apoiadores. Utilize o código CINAGESEL no ato da inscrição e garanta sua participação sem custo. Inscreva-se e garanta sua gratuidade aqui. Mais informações sobre o evento em: https://www.cinase.com.br/ (GESEL-IE-UFRJ – 21.08.2026)
Procuradoria permite revisão do curtailment retroagir a novembro de 2025
Parecer da Procuradoria Federal junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) concluiu que a revisão da Resolução Normativa 1.030, que trata do ressarcimento por cortes de geração (curtailment), poderá alcançar eventos ocorridos desde 25 de novembro de 2025, data de entrada em vigor da Lei 15.269/2025, mesmo que a nova norma só seja aprovada posteriormente. O documento também concluiu que a Aneel poderá prever ressarcimento para cortes por confiabilidade elétrica não expressamente vedados pela lei — hoje sem cobertura pela regra vigente —, embora isso não implique direito automático ou irrestrito, cabendo à agência definir critérios técnicos e metodologia de cálculo. A discussão é distinta do mecanismo criado pela mesma lei para compensar cortes entre setembro de 2023 e novembro de 2025, já em fase de adesão via termo de compromisso, que reuniu 53 GW dos 56 GW elegíveis. (MegaWhat – 17.08.2026)
Geradores pedem esclarecimentos sobre acordo do curtailment
A Abeeólica e a Absolar solicitaram ao Ministério de Minas e Energia esclarecimentos sobre cinco pontos que podem influenciar a adesão definitiva dos geradores ao acordo de ressarcimento por curtailment, previsto na Lei 15.269 para cortes ocorridos entre 1º de setembro de 2023 e 25 de novembro de 2025. As entidades defendem que os agentes possam contestar eventuais erros do ONS na classificação dos eventos entre indisponibilidade externa, confiabilidade elétrica e sobreoferta, antes da definição das compensações. Também pedem acesso prévio à base de dados do operador, confirmação de que a CCEE apenas divulgará os montantes sem alterar classificações e esclarecimento sobre o momento de assinatura do Termo de Compromisso. Outro ponto envolve a garantia de que todos os cortes sejam considerados na revisão da garantia física, independentemente da adesão ao acordo. As associações ainda pleiteiam a retomada do tratamento inicialmente previsto para autoprodutores. (Agência CanalEnergia - 17.08.2026)
Estudo projeta alta de 5% na tarifa residencial com o PL 5.017 em 2036
Estudo da TR Soluções projeta que o substitutivo do Projeto de Lei (PL) 5.017/2019, com contratação compulsória de geração térmica e hídrica, pode elevar em 5% as tarifas residenciais em 2036, quando todas as medidas estiverem em operação plena — a receita fixa de energia de reserva poderia superar R$ 63 bilhões nesse ano, ante R$ 14,5 bilhões sem as contratações compulsórias, com 77% do valor ligado aos custos do PL. O levantamento detalha três blocos de contratação: térmicas a gás na região amazônica, novas térmicas a gás fora da infraestrutura existente e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs, 4.900 MW, R$ 8,7 bilhões/ano), alertando que a contratação de geração inflexível tende a reduzir a flexibilidade operativa do Sistema Interligado Nacional (SIN) e aumentar o curtailment. (MegaWhat – 14.08.2026)
EPE publica Nota Técnica de "Avaliação do Recurso Eólico Offshore"
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publica, em 18 de agosto, a Nota Técnica NT EPE/DEE/SGR/073/2026-R0, "Avaliação do Recurso Eólico Offshore: Bases de Dados Disponíveis e Clusterização de Regiões", estudo que amplia o conhecimento sobre o potencial eólico offshore brasileiro por meio da análise de bases de dados públicas e da identificação de regiões com características homogêneas de vento. O trabalho apresenta uma avaliação comparativa das principais bases de dados atualmente disponíveis para estudos de recurso eólico offshore, incluindo ERA5, MERRA-2 e Global Wind Atlas (GWA). A partir dessa análise, foi selecionada a base mais adequada para a realização de uma investigação detalhada das condições de vento ao longo da costa brasileira. Assim, com base na agregação e no tratamento das séries temporais de vento, foi aplicada uma metodologia de clusterização que permitiu agrupar áreas marítimas com comportamentos semelhantes de recurso eólico. Como resultado, foram identificadas 20 regiões características (clusters). Acesse a NT e explore o dashboard, clicando aqui. (EPE - 18.08.2026)
FASE propõe plano nacional contra curtailment
O Fórum das Associações do Setor Elétrico (FASE) propõe aos candidatos à Presidência a criação, nos primeiros 100 dias do próximo governo, de um Plano Nacional de Redução do Curtailment e de Energia Vertida Turbinável. A medida integra a Agenda 2027-2030, documento com sete compromissos e 50 propostas. O plano deverá estabelecer critérios transparentes e reproduzíveis para classificar cortes de geração e orientar ações em armazenamento, contratação de flexibilidade, resposta da demanda e estímulos ao consumo nos horários de sobra de energia. A agenda também recomenda regulamentar o agente armazenador e os diferentes tipos de armazenamento, em paralelo aos primeiros leilões de baterias previstos para 2 e 4 de dezembro. O FASE ainda defende abertura do mercado livre com separação entre fio e energia, infraestrutura de medição, dados e liquidação e regras simples de migração, além de programas para data centers de baixo carbono, hidrogênio e eletrificação de atividades produtivas. (Agência Eixos - 19.08.2026)
AGU aponta troca de controle como alternativa à caducidade da Enel SP
Relatório da Advocacia-Geral da União (AGU), elaborado a pedido do presidente Lula após os apagões na região metropolitana de São Paulo, apontou a transferência de controle societário da Enel São Paulo como alternativa à extinção da concessão, avaliando que a medida seria "especialmente eficaz" se acompanhada da possibilidade de renovação do contrato, hoje suspensa em razão do processo de caducidade aberto pela Aneel. O documento também considera juridicamente possível a adoção de medida cautelar administrativa ou até a intervenção direta na concessão, além de vias negociadas via mediação na Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal (CCAF), destacando que, desde 2018, sete dos 11 Planos de Resultados pactuados com a Enel tiveram resultado insatisfatório. O relatório também trata da frente reparatória, já em curso com ação civil pública da União pedindo indenização mínima de R$ 500 por dia por unidade consumidora afetada pelo apagão de outubro de 2024, com possibilidade de nova ação relacionada aos problemas registrados a partir de dezembro de 2025. (MegaWhat – 19.08.2026)
Governo contesta competência do TCU sobre repasse à CDE
Integrantes do governo avaliam que a controvérsia no TCU sobre cerca de R$ 5 bilhões destinados à redução das tarifas no Norte e Nordeste envolve, na prática, uma discussão sobre a legalidade da própria lei que determinou o repasse, matéria que, segundo essa interpretação, deveria ser examinada pelo Judiciário e não pelo tribunal de contas. Os valores decorrem da antecipação, com desconto de 50%, de obrigações de Uso de Bem Público por geradoras hidrelétricas. A Lei nº 15.235/2025 determinou que esses recursos fossem direcionados à Conta de Desenvolvimento Energético para amortecer reajustes nas áreas da Sudam e Sudene. O governo sustenta que, após a mudança legal, os pagamentos deixaram de ser receitas de UBP e passaram a constituir depósitos diretamente na CDE, dispensando passagem pela Conta Única do Tesouro. A Aneel homologou R$ 5,484 bilhões, suficientes para limitar o efeito médio na baixa tensão a cerca de 6,53%. (Broadcast Energia - 20.08.2026)
MME defende antecipação da interligação elétrica Brasil-Bolívia
O Ministério de Minas e Energia (MME) defendeu que a interligação elétrica entre Brasil e Bolívia seja considerada de necessidade "imediata", podendo entrar em operação antes das obras estruturais, após a peça central do projeto — uma conversora de interface entre os sistemas — ter sido retirada do segundo leilão de transmissão previsto para outubro por insuficiência de informações sobre o sistema boliviano. Estudos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostraram que não há restrições para o Brasil exportar energia à Bolívia mesmo sem as obras completas, e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) identificou que a interligação antecipada pode reduzir o curtailment em Mato Grosso do Sul e melhorar o atendimento em horários de pico; o cronograma boliviano foi atualizado para prever assinatura do contrato de execução em junho de 2027 e início de operação em março de 2030, enquanto a ratificação do acordo bilateral ainda tramita no Congresso brasileiro. (MegaWhat – 20.08.2026)
Capital estrangeiro avança em aquisições no setor de energia
O capital estrangeiro vem ampliando sua presença nas operações de fusões e aquisições (M&A) no setor de energia brasileiro e, principalmente, disputando ativos de maior porte. Nos últimos 36 meses, foram registradas pela Acorn Advisory 189 aquisições de controle no segmento, das quais 30,7% tiveram participação de investidores estrangeiros. Apesar de representarem cerca de um terço do número de negócios, eles concentraram aproximadamente 60% do valor divulgado. Segundo Gabriel Silva, sócio da boutique de M&A, a estrutura dos ativos de energia ajuda a explicar esse interesse, como ativos grandes, receita regulada ou contratada, proteção inflacionária e horizonte de investimento longo. Essa característica se reflete no tamanho das operações: o tíquete mediano das aquisições com participação estrangeira chegou a R$ 1,2 bilhão no período analisado, contra pouco mais de R$ 200 milhões nas operações domésticas. Além disso, a evolução da participação internacional reforça essa mudança de perfil, quase dobrando em apenas um ano. Por fim, para Silva, esse movimento não representa uma onda especulativa. (Brasil Energia - 20.08.2026)
Regulação
Ludimila Silva assume diretoria substituta da Aneel
A Aneel convocou a superintendente de Concessões, Permissões e Autorizações dos Serviços de Energia Elétrica, Ludimila Silva, para exercer temporariamente o cargo de diretora substituta, ocupando a vaga aberta com o encerramento do mandato de Fernando Mosna. A substituição começa em 14 de agosto e poderá se estender até 8 de janeiro de 2027 ou até a nomeação de um novo diretor efetivo, o que ocorrer primeiro. Ludimila ocupa a primeira posição da atual lista tríplice de servidores habilitados a assumir vagas temporárias na diretoria da agência, mecanismo previsto na Lei Geral das Agências Reguladoras para períodos de até seis meses. A servidora já havia atuado como diretora substituta em 2025, quando ocupou a vaga deixada por Hélvio Guerra. Mosna encerrou o mandato em 13 de agosto, após participar, dois dias antes, de sua última reunião pública no colegiado da autarquia. (Agência CanalEnergia - 14.08.2026)
Aneel informa prorrogação de prazos devido à indisponibilidade do SPD
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informa que o Sistema de Protocolo Digital (SPD) apresentou indisponibilidade entre as 13h e 15h de 13 de agosto. Diante disso, os prazos com vencimento originalmente previstos para 13 de agosto ficam prorrogados automaticamente até as 23h59 de hoje, 14 de agosto de 2026. A medida está de acordo com a Norma de Organização nº 56, de 9 de dezembro de 2024: Art. 46. § 2º Na hipótese prevista no § 1º, caso o SEI apresente indisponibilidade por motivo técnico conforme estabelecido nos arts. 47 e 48, o prazo será automaticamente prorrogado até as vinte e três horas e cinquenta e nove minutos do primeiro dia útil subsequente ao restabelecimento do sistema. (Aneel - 14.08.2026)
Diretora volta à Aneel e recebe processos sobre tarifa branca e hidrelétricas
A diretora-substituta Ludimila Lima da Silva retornou à diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), substituindo Fernando Mosna, e recebeu processos estratégicos, incluindo a modernização da tarifa branca (Consulta Pública 46/2025, que propõe ampliar o uso de tarifas diferenciadas por horário) e a definição de metodologia para prorrogar concessões de hidrelétricas em troca de investimentos em ampliação de capacidade — tema que nasceu do caso da usina Salto Santiago, da Engie. Também ficaram sob sua relatoria o recurso da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) sobre o ressarcimento de cortes de geração (curtailment) e recursos de empresas eólicas e solares contra multas relacionadas à propagação do apagão de agosto de 2023. Esta é a segunda passagem de Ludimila pela diretoria, que ficará no cargo até janeiro de 2027 ou até a nomeação de um novo titular. (MegaWhat – 17.08.2026)
Aneel vê segurança para repassar R$ 5,48 bi às distribuidoras
O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, afirmou que a agência considera haver segurança para seguir com os repasses de mais de R$ 5 bilhões destinados à redução das tarifas de 22 distribuidoras, após o ministro Antonio Anastasia, do TCU, suspender a cautelar que havia bloqueado os recursos. O questionamento inicial envolvia a necessidade de registrar o montante no Orçamento Geral da União e recolhê-lo à Conta Única do Tesouro Nacional. Após interlocução com o Ministério do Planejamento, o MME e a própria Aneel, prevaleceu, por ora, o entendimento de que a legislação dá destinação específica aos valores, dispensando esse procedimento. Os recursos decorrem da repactuação de obrigações de Uso de Bem Público de geradoras hidrelétricas. A Aneel homologou R$ 5,484 bilhões para reduzir as tarifas, embora o TCU ainda deva analisar o mérito da controvérsia em sessão futura. (Broadcast Energia - 20.08.2026)
Aneel questiona pedido de perícia da Enel SP
O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, classificou como “diferente e estranho” o pedido da Enel São Paulo para realização de prova pericial técnica no processo que avalia eventual caducidade de sua concessão. A solicitação será analisada pela diretoria na próxima segunda-feira, enquanto a área técnica e a Procuradoria da agência já recomendaram sua rejeição. A Enel pediu a perícia em maio para avaliar possíveis falhas na prestação do serviço, os impactos do evento climático extremo de dezembro de 2025 e seus efeitos sobre a operação e a infraestrutura da distribuidora. Feitosa defendeu a competência técnica e a isenção da autarquia para conduzir fiscalizações desse tipo. Em julho, técnicos da Aneel também recomendaram a continuidade do processo de caducidade, após concluírem que os argumentos apresentados pela companhia não afastaram as evidências de possível descumprimento contratual. O mérito da eventual recomendação de caducidade ainda não tem data para votação. (Broadcast Energia - 20.08.2026)
Cemig prevê melhora da comercialização no 2º semestre
A Cemig espera recuperação dos resultados de comercialização no segundo semestre de 2026, após registrar Ebitda recorrente negativo de R$ 180 milhões no segundo trimestre, ante resultado positivo de R$ 12 milhões no mesmo período de 2025. O desempenho foi afetado por uma provisão de R$ 191 milhões relacionada a procedimento arbitral com um grande cliente industrial, sem efeito caixa, além do fechamento de posições com compra de energia a preços mais elevados e diferenças entre submercados, especialmente no Sul. Segundo a companhia, parte dessas operações foi realizada internamente com a geradora do grupo, neutralizando o impacto consolidado. A Cemig avalia que o segundo semestre terá ambiente mais favorável, com posições de 2026 já fechadas e melhora esperada das condições hidrológicas. A empresa também reduziu significativamente sua exposição para 2027 e 2028 e projeta resultado expressivo para a comercializadora em 2028, estimado entre R$ 1 bilhão e R$ 1,8 bilhão. (Broadcast Energia - 14.08.2026)
Empresas
Axia baixa R$ 1,1 bi em passivo ligado a ações
O conselho de administração da Axia Energia aprovou a transferência de 18,63 milhões de ações ordinárias e 4,45 milhões de ações preferenciais classe C mantidas em tesouraria para a conta de “acionistas a identificar”. A operação busca recompor o saldo utilizado no cumprimento de obrigações decorrentes de processos judiciais relacionados a diferenças de correção monetária sobre créditos de empréstimo compulsório de energia. Como contrapartida, a companhia fará a baixa de aproximadamente R$ 1,1 bilhão do passivo associado ao tema. Segundo a Axia, a medida não produzirá efeito sobre o resultado contábil e tem como objetivo reduzir oscilações econômicas provocadas por variações na cotação das ações utilizadas para liquidar essas obrigações. A empresa ressaltou ainda que a transação não envolve emissão ou cancelamento de ações, alteração do capital social ou redução da quantidade de papéis em circulação no mercado. (Broadcast Energia - 20.08.2026)
Leilões
J&F pede à Aneel suspensão de prazos de conexão das usinas ION
A J&F pediu à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a suspensão dos prazos para emissão de pareceres de acesso pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) referentes às usinas dos consórcios ION, vencedoras do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de março, mas inabilitadas pela agência por problemas na comprovação de capacidade econômico-financeira dos sócios. A J&F, que negociou entrada de 30% de participação na Evolution Power Partners (EPP) após o leilão para reforçar a habilitação dos consórcios, argumenta que, sem a suspensão, seria obrigada a decidir sobre a assinatura do Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) sem saber se as usinas continuarão contratadas — decisão que exigiria depósito de garantia equivalente a 40 vezes o encargo anual de uso do sistema. O caso, somado ao recurso da TermoG, envolve retirada de cerca de 1.685 MW do resultado inicial do leilão, com usinas da Eneva e da Global Participações em Energia entre as próximas candidatas à convocação. (MegaWhat – 17.08.2026)
Leilão de baterias pode contratar até 4 GW
Especialistas estimam que o primeiro leilão de armazenamento em baterias, previsto para o início de dezembro, deverá contratar entre 3 GW e 4 GW de capacidade, equivalentes a cerca de 12 a 14 GWh. A expectativa é de forte competição, diante dos aproximadamente 300 GW de projetos cadastrados, embora apenas parte desse volume deva efetivamente disputar o certame. Participantes da Conferência Anual do Santander destacaram que a expansão das fontes solar e eólica amplia a necessidade de flexibilidade, controle de frequência e tensão e redução da modulação da geração renovável. A Aurora Energy projeta necessidade de aproximadamente 12 GW de flexibilidade até 2030. Os especialistas também apontaram que a indefinição sobre o rateio dos custos pode elevar o custo de capital e os preços do leilão. Para consolidar uma cadeia nacional, a indústria defende previsibilidade de novos certames até 2030, enquanto a WEG avalia que o País já pode produzir localmente boa parte dos componentes, exceto células em escala competitiva. (Broadcast Energia - 18.08.2026)
Abrage propõe leilão de usinas reversíveis em 2027
A Abrage defendeu a realização, em 2027, de um leilão de reserva de capacidade de potência específico para Sistemas de Armazenamento Hidráulico, conhecidos como usinas hidrelétricas reversíveis, com possibilidade de entrega dos projetos a partir de 2030. A proposta foi apresentada pelo assessor técnico Paulo Cesar Domingues durante evento do ONS. As discussões com o governo ainda estão em estágio inicial, embora grandes geradoras já tenham abordado o tema. Em junho, a Aneel definiu as primeiras regras brasileiras para armazenamento de energia e incluiu usinas reversíveis de ciclo fechado, que utilizam dois reservatórios e bombeiam água para o nível superior quando há disponibilidade de energia, revertendo o fluxo para geração em períodos de necessidade. O CNPE também aprovou diretrizes para contratação desses projetos, prevendo remuneração vinculada à disponibilidade de potência e ao desempenho operacional. A EPE deverá realizar estudos para identificar potenciais empreendimentos, enquanto a necessidade de contratação será avaliada em conjunto com o ONS. (Broadcast Energia - 19.08.2026)
Aneel aprofunda análise sobre inabilitação de 1,7 GW no LRCap
O diretor Gentil Nogueira, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), pediu novos esclarecimentos à Comissão Permanente de Leilões (CPL) sobre os fundamentos usados para inabilitar os Consórcios ION, liderados pela Evolution Power Partners (EPP) e com participação da J&F, no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap), que somam quase 1,7 GW. O diretor questionou a regularidade dos balanços apresentados, os ajustes patrimoniais realizados pela comissão e se a inabilitação decorreu de insuficiência patrimonial real ou de suposta dupla contagem de patrimônio entre empresas do mesmo grupo. A disputa mobiliza também Eneva e Global Participações em Energia, que têm projetos na sequência da fila e poderiam ser convocados caso a inabilitação seja mantida, em um cenário de maior rigor da Aneel na análise econômico-financeira dos leilões, influenciado pelo acompanhamento do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre os chamados "contratos de papel". (MegaWhat – 19.08.2026)
ONS chama de "peça de ficção" volume de projetos no leilão de baterias
O diretor de planejamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Alexandre Zucarato, classificou como "peça de ficção" o volume de mais de 6 mil projetos cadastrados na Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para o primeiro leilão de baterias marcado para dezembro, afirmando que o excesso de cadastros gera dificuldade na avaliação de habilitação técnica. Ainda assim, ele reiterou que o certame segue necessário mesmo após a contratação de quase 19 GW em disponibilidade de usinas no leilão de março, já que o Plano de Operação Energética (PEN) 2026 mostra que o critério de potência continua violado. (Valor Econômico – 20.08.2026)
Oferta e Demanda de Energia Elétrica
ONS eleva previsão de carga de agosto para 82,3 GW médios
O ONS elevou a previsão de carga de energia do Sistema Interligado Nacional para agosto de 2026 a 82.252 MW médios, volume 5,6% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. A revisão aumentou as estimativas em todos os submercados. No Sudeste/Centro-Oeste, a expectativa passou de 44.514 MW médios para 45.247 MW médios, o que representa crescimento anual de 4,5%. No Sul, a projeção subiu de 13.553 MW médios para 13.727 MW médios, alta de 4,6%. Para o Nordeste, o ONS elevou a estimativa de 13.786 MW médios para 13.951 MW médios, avanço de 8,1% sobre agosto do ano anterior. O Norte apresenta a maior taxa de crescimento prevista, de 9,3%, com carga estimada em 9.326 MW médios. A atualização reforça a aceleração do consumo de eletricidade no mês e amplia a atenção sobre as condições operativas do sistema diante do aumento simultâneo da demanda nas quatro regiões. (Broadcast Energia - 14.08.2026)
ONS vê chance média de acionar plano para excedentes de energia
O Operador Nacional do Sistema Elétrico classificou como média a probabilidade de acionar, em 16 de agosto, o Plano de Gestão de Excedentes de Energia, mecanismo utilizado para preservar o equilíbrio entre geração e carga em períodos de consumo reduzido. O plano pode ser adotado quando, mesmo após a redução da geração centralizada, ainda houver necessidade de restringir produção conectada às redes de distribuição para manter a estabilidade do Sistema Interligado Nacional. Na semana anterior, o ONS havia avaliado a possibilidade de utilizar o mecanismo durante o fim de semana do Dia dos Pais, mas o acionamento não foi necessário. A definição para 16 de agosto dependerá da programação operativa feita no sábado, dia 15, quando serão reavaliadas as condições de geração, carga e segurança do sistema. Caso a medida seja efetivamente acionada, o operador informou que divulgará as orientações e informações pertinentes aos agentes envolvidos. (Agência CanalEnergia - 14.08.2026)
ONS vê cenário inédito de eventos extremos e defende resiliência do setor elétrico
Com a possível chegada de um "Super El Niño", o setor elétrico brasileiro intensifica preparativos para os impactos do fenômeno, que já provocou crises históricas em anos anteriores — o racionamento de 2001, a crise hídrica de 2014-2015 e a contratação emergencial de térmicas em 2021. O diretor de operações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Valter Cardeal, afirma que o país vive cenário inédito de tornados e ciclones extratropicais, exigindo "construir conhecimento em tempo recorde" para adaptar redes de transmissão e distribuição, enquanto o diretor de planejamento, Alexandre Zucarato, cita o histórico de paralisação das hidrelétricas do Rio Madeira (Santo Antônio e Jirau) durante secas anteriores como alerta para a necessidade de novos requisitos técnicos e medidas operativas. O diretor financeiro da Energisa, Maurício Botelho, reforça que os investimentos em resiliência da rede não devem ficar restritos a um único trimestre, já que o fenômeno também pode afetar a geração térmica a biomassa ao reduzir a qualidade da cana-de-açúcar usada na produção de bagaço. (Valor Econômico – 17.08.2026)
Energia para agosto e setembro sobe mais de 7% na BBCE
Os preços de energia para agosto e setembro inverteram a trajetória de quatro semanas de queda e subiram mais de 7% na BBCE. O contrato de setembro avançou 7,74%, de R$ 171,01/MWh para R$ 184,25/MWh, enquanto agosto/2026 ganhou 7,19%, para R$ 141,41/MWh. Segundo agentes, a valorização refletiu o comportamento do PLD calculado pelo Dessem, que registrou média diária superior a R$ 180/MWh e pico horário acima de R$ 752,36/MWh na semana anterior. Outubro, por outro lado, recuou 2,05%, para R$ 231,68/MWh, influenciado pelas expectativas para o início do período úmido. O noticiário também destacou avanço de projetos do LRCAP da Eneva, aumento de RAP da Taesa após energização em Tangará e a expectativa de que uma eventual produção comercial na Margem Equatorial leve de seis a sete anos, caso a viabilidade seja confirmada. (Broadcast Energia - 18.08.2026)
Belo Monte reduz vazão preventiva diante do El Niño
A Norte Energia iniciou a redução gradual da vazão destinada ao reservatório intermediário da hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, como medida preventiva diante dos possíveis efeitos do El Niño na região Norte. A vazão será reduzida de 300 m³/s para 100 m³/s, sem alteração no volume destinado à Volta Grande do Xingu. A operação excepcional está prevista na Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, aprovada pelo CMSE, e seguirá até 30 de novembro, com autorização do Ibama, da ANA e do ONS. Segundo a concessionária, a iniciativa busca ampliar a previsibilidade e a confiabilidade do planejamento e da operação do Sistema Interligado Nacional, além de melhorar condições de navegação no reservatório principal para comunidades indígenas e ribeirinhas. A medida também deve favorecer o Sistema de Transposição de Peixes durante a piracema. A empresa fará monitoramento contínuo da qualidade da água, igarapés, navegação e movimentação de peixes, com reporte aos órgãos responsáveis. (Agência CanalEnergia - 18.08.2026)
Furto de energia gera perdas bilionárias no Rio
Duque de Caxias e São Gonçalo lideraram, no primeiro semestre de 2026, os índices de perdas não técnicas na área de concessão da Enel Rio, com 35,36% e 34,61%, respectivamente, parcela associada principalmente a ligações clandestinas. Também aparecem entre os dez maiores percentuais Araruama, com 22,72%; Cabo Frio, 21,89%; Campos dos Goytacazes, 19,75%; Niterói, 13,78%; Angra dos Reis, 13,30%; Itaperuna, 11,61%; Macaé, 9,01%; e Teresópolis, 4,54%. A energia furtada nessas dez cidades seria suficiente para abastecer, por um ano, mais de 2,2 milhões de pessoas. Dados da Abradee indicam que, em 2025, o furto de eletricidade elevou em quase 3% a conta de luz dos consumidores brasileiros, gerou perdas próximas de R$ 10 bilhões e esteve relacionado a quase 620 mil interrupções, que afetaram mais de dois milhões de pessoas. (O Globo – 18.08.2026)
Mudanças climáticas e alta da demanda elétrica reforçam papel da GD no Brasil
O avanço das mudanças climáticas e da demanda elétrica associada à inteligência artificial, data centers e eletrificação reforça a necessidade de ampliar geração distribuída e armazenamento no Brasil. Estudo da Allianz Trade indica que, entre 30°C e 35°C, cada grau adicional de temperatura reduz a produção por hora trabalhada em cerca de US$ 1,30, equivalente a 3% da média da amostra, enquanto o consumo de energia cresce aproximadamente 1,2% por grau. Em cenário de repetição dos cinco anos mais quentes observados entre 2014 e 2024, as economias mais expostas poderiam acumular perdas de 5% a 7% do PIB entre 2026 e 2030, com queda média de 8% na formação de capital fixo. No Brasil, a geração distribuída recebeu R$ 23,7 bilhões em 2025, adicionou 8,8 GW e encerrou o ano com 45 GW instalados e mais de 7 milhões de consumidores. O texto defende regulação clara para baterias e maior valorização dos serviços de flexibilidade e resiliência. (CNN Brasil – 19.08.2026)
ONS aponta corte renovável em 89% das horas diurnas
O ONS identificou ocorrência de cortes de geração renovável em 89% das horas diurnas por insuficiência de carga no Sistema Interligado Nacional. Segundo o diretor de Planejamento, Alexandre Zucarato, cada megawatt adicional de geração solar incorporado ao sistema tende, nas condições atuais, a provocar aumento equivalente do curtailment, indicando ausência de espaço para nova geração durante parte significativa do dia. Apesar disso, investimentos em capacidade solar continuam avançando, especialmente na micro e minigeração distribuída, segmento que ainda conta com incentivos econômicos associados às tarifas de uso da rede. Zucarato também afirmou que parte dos geradores centralizados não incorporou adequadamente os sinais econômicos fornecidos pelo preço horário de energia, adotado há cerca de cinco anos. Para o diretor, o setor vive uma transição incompleta entre planejamento centralizado e mecanismos de mercado, exigindo aperfeiçoamento dos sinais econômicos, maior transparência regulatória e responsabilização dos agentes pelas decisões de investimento de longo prazo. (Broadcast Energia - 19.08.2026)
Preços trimestrais de energia sobem mais de 2%
Os preços de referência da energia elétrica calculados pela Dcide voltaram a subir na última semana, com avanço superior a 2% no contrato trimestral convencional. O índice para fornecimento entre setembro e novembro de 2026 alcançou R$ 239,10/MWh, alta semanal de 2,30% e mensal de 10,39%, embora permaneça 27,42% abaixo do registrado um ano antes. Na energia incentivada, o índice trimestral avançou 1,96%, para R$ 267,51/MWh, acumulando alta de 9,01% no mês e queda de 25,22% em 12 meses. Nos contratos de longo prazo, referentes ao período de 2027 a 2030, a energia convencional subiu 1,52% na semana, para R$ 250,98/MWh, com avanço de 25,96% em 12 meses. A incentivada atingiu R$ 279,31/MWh, alta semanal de 1,75%, mensal de 4,16% e anual de 21,61%. Os índices refletem preços indicados por geradoras, comercializadoras e consumidores para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste. (Broadcast Energia - 19.08.2026)
ONS testa corte automático de geração para lidar com variação da energia solar
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prepara sistema de proteção automático para interromper temporariamente a geração de usinas hoje fora do alcance da instituição, com teste-piloto ainda este ano começando pelas maiores usinas de minigeração distribuída (até 5 MW), segundo o diretor de planejamento Alexandre Zucarato. O mecanismo, batizado de Estágio Regional de Alívio de Geração (ERAG), teria três estágios de cerca de 1 GW a 1,5 GW cada, viabilizando alívio de até 3 GW dos 50 GW de geração distribuída do país, e é diferente tanto do plano emergencial manual já usado em finais de semana quanto do curtailment regulatório em discussão na Aneel — o sistema é considerado um esquema de proteção sob mandato próprio do ONS, sem necessidade de aprovação da agência. (Valor Econômico – 20.08.2026)
ONS vê maior chance de acionar plano contra excedentes
O ONS avalia que aumentou a possibilidade de acionar no segundo semestre o plano emergencial para gestão de excedentes de energia, mecanismo utilizado pela primeira vez em junho para preservar a segurança do Sistema Interligado Nacional. Segundo o diretor-geral Marcio Rea, a decisão dependerá também das condições meteorológicas. No primeiro acionamento, 12 distribuidoras foram mobilizadas para executar cortes de geração em usinas classificadas como Tipo III, conectadas às redes de distribuição e não controladas diretamente pelo operador. O avanço da geração distribuída, predominantemente solar e sem flexibilidade operativa, amplia o desafio de equilibrar geração e carga, especialmente em períodos de baixa demanda. No Dia dos Pais de 2025, a geração distribuída chegou a atender 37% de toda a carga do SIN, aproximando o sistema de uma situação crítica. O plano permite reduzir geração renovável para controlar frequência, tensão e fluxos e, no limite, evitar apagões generalizados. (Agência Eixos - 20.08.2026)
ONS vê 10 GW em data centers como desafio inédito para segurança do sistema
O diretor de Planejamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Alexandre Zucarato, afirmou que cerca de 10 GW em projetos de data centers já estão em diferentes etapas de conexão à rede, exigindo nova abordagem nos estudos de segurança, já que algumas cargas podem superar a maior contingência simples hoje considerada no Sistema Interligado Nacional (SIN) — a saída da unidade de Angra 2, de cerca de 1,2 GW. Segundo ele, grandes consumidores como data centers precisarão demonstrar capacidade de suportar perturbações do sistema, assim como os geradores, sob risco de agravar oscilações em caso de desconexão inadequada; o ONS pretende divulgar ainda em 2026 um mapa indicativo de margens para cargas, ajudando investidores a identificar regiões com maior disponibilidade de conexão para projetos eletrointensivos, incluindo hidrogênio verde. (Megawhat – 20.08.2026)
ONS prepara operação especial para eleições em meio a risco de seca do El Niño
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Marcio Rea, afirmou que o órgão não vê riscos ao fornecimento de energia durante as eleições deste ano, apesar da previsão de seca mais severa no Norte do país em razão do El Niño, com trabalho conjunto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para reforçar o monitoramento em regiões remotas. A Aneel também adotou medidas preventivas para áreas isoladas da Amazônia, antecipando recursos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) para que produtores independentes possam estocar combustível diante do risco de a vazante dos rios dificultar o transporte por embarcações, segundo o diretor-geral Sandoval Feitosa, que descartou custo adicional aos consumidores com a medida. (Valor Econômico – 20.08.2026)
Consumidores
CCEE destaca poder de escolha como principal benefício da migração ao mercado livre
A diretora de Operação de Mercado da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Gerusa Côrtes, avaliou que o principal benefício da abertura do mercado livre à baixa tensão vai além do preço, incluindo o poder de escolha do consumidor sobre fonte de energia e serviços de gestão oferecidos pelos comercializadores varejistas. Executivos da Ultragaz e da LUZ destacaram o papel dos medidores inteligentes para dar visibilidade em tempo real do consumo, e o diretor-executivo da Ultragaz, Lucas Witzler, projetou que a migração à baixa tensão pode levar, no longuíssimo prazo, à extinção do mercado regulado, defendendo também mecanismos para impedir a atuação de comercializadoras "aventureiras" no novo ambiente. (Megawhat – 20.08.2026)
Aneel diz faltar orçamento para campanha sobre abertura do mercado livre
O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, afirmou que a agência não dispõe de orçamento nem de estrutura de comunicação para executar a campanha nacional de conscientização sobre a abertura do mercado livre de energia, responsabilidade atribuída à autarquia pelo decreto assinado por Lula em 12 de agosto, que permitirá a todos os consumidores escolher fornecedor a partir de novembro de 2028. Segundo Feitosa, o alerta já foi feito ao Ministério de Minas e Energia (MME), à Casa Civil, ao Ministério do Planejamento e à Secretaria de Orçamento Federal (SOF), e a agência também identificou pontos do decreto que precisam de regulamentação rápida, como as regras do Supridor de Última Instância (SUI) e do encargo de sobrecontratação, já incorporados à agenda regulatória da Aneel. (Valor Econômico – 20.08.2026)
Abertura do mercado livre para baixa tensão enfrenta desafios de atratividade
A abertura do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão, da forma como foi anunciada pelo governo federal, não oferece, na avaliação de Walter Fróes, presidente da CMU Energia, atratividade suficiente para provocar uma migração em massa. Para ele, o principal desafio está em criar uma vantagem econômica clara para consumidores que hoje têm alternativas como a geração distribuída. Além disso, ele aponta que a abertura para a baixa tensão exigirá também uma comunicação mais simples e produtos adequados ao perfil do consumidor residencial e de pequenos negócios. Para o executivo, “além do preço, será necessário reduzir a complexidade da contratação e da representação no ACL". Além das questões econômicas e regulatórias, Walter Fróes demonstra preocupação com a articulação política do setor elétrico: na sua visão, falta uma liderança capaz de conciliar os interesses de geração, transmissão, distribuição e comercialização em torno de uma agenda de longo prazo. Por fim, Fróes acredita que o potencial de expansão do mercado brasileiro é elevado, mas depende de maior coordenação entre os agentes. (Brasil Energia - 18.08.2026)
CCEE participa da abertura do mercado livre
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) terá papel central na estruturação da abertura do mercado livre para a baixa tensão. O decreto, assinado em 12 de agosto pelo Presidente da República, regulamenta as condições e mecanismos necessários para que esta transformação do setor elétrico brasileiro ocorra com segurança, eficiência e transparência. Para Ricardo Simabuku, diretor-presidente interino da CCEE, “o ato traz a confiança necessária para agentes e consumidores nesta nova fase do mercado, em que toda a sociedade terá a liberdade para escolher o seu fornecedor de energia”. O Decreto também define as diretrizes para a prestação dos serviços do Supridor de Última Instância (SUI), função que será desempenhada inicialmente pelas distribuidoras. Assim, a CCEE ficará responsável pela contabilização e liquidação da energia comercializada nessas condições. Para tanto, a Câmara deverá disponibilizar uma Plataforma de Comparação de Preços, permitindo ao interessado analisar propostas de fornecedores. Terá, ainda, de publicar a relação dos varejistas habilitados e ferramentas de comunicação. (CCEE - 17.08.2026)
Conselho da CCEE discute anomalias de segurança de mercado em agosto
O conselho de administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) vai discutir, em 19 de agosto, informações sobre "eventuais anomalias de segurança de mercado", sem detalhamento sobre as ocorrências, além da escolha de um candidato à diretoria de Tecnologia, hoje vaga junto à presidência (ocupada interinamente por Ricardo Simabuku). A reunião também deve retomar dados apresentados ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) sobre o aumento de comercializadoras em recuperação judicial — dez empresas em junho, com 580 contrapartes expostas e 5,6 mil consumidores varejistas potencialmente afetados —, reforçando a necessidade de acelerar medidas de proteção do mercado diante da abertura total prevista para 2028. (MegaWhat – 14.08.2026)
Decreto do mercado livre vem em meio a crise no setor, e segurança vira desafio
A ampliação do mercado livre de energia para o consumidor comum avança no momento em que comercializadoras no setor enfrentam uma crise inédita. Em 12 de agosto, o governo Lula (PT) assinou um decreto com as regras para que clientes residenciais e pequenos negócios possam fazer a transição para esse modelo. Na avaliação de especialistas, o decreto é genérico e enxuto, avançando pouco em relação à lei aprovada em novembro do ano passado. O texto detalhou algumas questões, mas ainda delega à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o papel de resolver pontos considerados sensíveis, como tarifas, encargos e outros requisitos. Por isso, segundo integrantes do setor, o cenário atual ainda reúne desafios regulatórios e de segurança para o consumidor. Segundo Luiz Vianna, vice-presidente institucional e regulatório do Grupo Delta Energia, a assinatura é um avanço, mas o principal desafio será transformar a escolha em uma realidade operacional segura, eficiente e compreensível para o consumidor. Para ele, a próxima fase exigirá atenção a aspectos como a solidez das comercializadoras varejistas. (Folha de São Paulo - 13.08.2026)
Biblioteca Virtual
Artigo de Renata Amaral e Daniela Geib: “País corre risco de ficar para trás no mercado global de carbono”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Renata Campetti Amaral (sócia na área de Meio Ambiente do Trench Rossi Watanabe) e Daniela Geib (associada na área de Meio Ambiente do Trench Rossi Watanabe) argumentam que a minuta de resolução do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) sobre os Itmos (Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente), previstos no Artigo 6 do Acordo de Paris, pode comprometer o potencial brasileiro no mercado internacional de carbono ao adiar a participação do país para 2031, justamente quando outras jurisdições já avançam na estruturação de projetos e na atração de investimentos. As autoras também criticam a insegurança regulatória gerada por chamadas públicas periódicas sem critérios técnicos permanentes, além de restrições quantitativas como o limite de 50% dos resultados de mitigação por projeto e o teto nacional de 50 milhões de toneladas entre 2031 e 2035, que desconsideram as particularidades de cada empreendimento. O texto conclui que a determinação de cancelamento compulsório dos "resultados excedentes", sem definição precisa, pode comprometer a viabilidade financeira dos projetos e desincentivar investimentos, defendendo que a proteção da meta climática brasileira (NDC) não depende de excesso regulatório, mas de regras previsíveis e proporcionais. (GESEL-IE-UFRJ – 20.08.2026)
Artigo de José Almeida et al.: “Descomissionamento da Indústria Mundial de Gás Natural”
Em artigo publicado pela Brasil Energia, José Almeida (Geólogo-UFRJ), Bruno Leonel (gerente da Petroil Óleo e Gás), Normando Lins (diretor na Petroil, Shaft e EBS) e Cristiane Schmidt (presidente da MSGás) defendem que é urgente que se faça o provisionamento do descomissionamento enquanto a indústria ainda gera receita. Os autores argumentam que o gás natural apresenta demandas de descomissionamento mais favoráveis do que o petróleo. Destacam que o custo total do descomissionamento completo da indústria mundial de gás natural pode ser estimado em US$ 1,48 trilhão de dólares, distribuídos ao longo dos anos. Também ressaltam que o descomissionamento de uma instalação só poderá ocorrer após a completa interrupção do fornecimento de gás, ainda que em volumes progressivamente menores, o que representa um complicador para o descomissionamento progressivo. Concluem que, caso não haja provisionamento adequado para fazer frente a esses custos, corre-se o risco de deixar um expressivo passivo ambiental ao final da vida útil das instalações. (GESEL-IE-UFRJ – 19.08.2026)
Artigo de Bruno Barino: “IA e a reconfiguração global: a oportunidade do Brasil”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Bruno Barino (CEO da BlackRock no Brasilanalisa) argumenta que a inteligência artificial (IA) se tornou fator central na disputa geopolítica global, sustentada por uma cadeia física que conecta energia, semicondutores e infraestrutura, com investimento projetado entre US$ 5 trilhões e US$ 8 trilhões até 2030, segundo o Global Outlook 2026 do BlackRock Investment Institute. O autor destaca que o Brasil reúne vantagens competitivas raras nesse cenário, já que cerca de 90% da eletricidade gerada no país vem de fontes renováveis, segundo o Balanço Energético Nacional, permitindo abastecer data centers intensivos em energia sem comprometer metas de descarbonização — vantagem somada ao papel do país no fornecimento de minerais críticos e à escala de seu mercado interno. Barino defende, porém, que essas vantagens só se convertem em investimento efetivo com avanços regulatórios (previsibilidade, segurança jurídica e licenciamento ágil de data centers) e modelagem eficiente de oportunidades com perfil de risco e retorno competitivo globalmente, concluindo que a capacidade de estruturar essas duas alavancas definirá o desenvolvimento econômico do Brasil nas próximas gerações. (GESEL-IE-UFRJ – 19.08.2026)
Artigo de José Augusto Fontoura Costa: “Turbinas a gás, data centers e o leilão brasileiro de capacidade”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, José Augusto Fontoura Costa (Professor titular de Direito do Comércio Internacional e chefe do Departamento de Direito Internacional e Comparado da Faculdade de Direito da USP) trata do impacto do forte encarecimento e da escassez mundial de turbinas a gás sobre o Leilão de Reserva de Capacidade brasileiro. O autor informa que o preço de grandes turbinas deve alcançar US$ 600/kW em 2027, alta de 195% ante 2019, enquanto encomendas globais chegaram a 110 GW e os prazos de entrega podem atingir cinco anos. Data centers pressionam adicionalmente a demanda: seu consumo elétrico nos EUA deve crescer 96% entre 2026 e 2031. Nesse contexto, sustenta que comparar preços do LRCap de 2026 com leilões de 2021 ou com baterias é tecnicamente inadequado, pois os custos industriais mudaram e os serviços prestados são distintos. Conclui que o Brasil precisa realizar leilões com periodicidade planejada e considerar o estresse global de oferta, sem ignorar críticas legítimas ao desenho do certame. (GESEL-IE-UFRJ – 19.08.2026)
Artigo de Joisa Dutra: “Leilão de baterias e quando a falha não é do mercado”
Em artigo publicado pela Folha de São Paulo, Joisa Dutra (Diretora do FGV-Ceri) defende que a demora da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em definir regras para baterias pode custar bilhões e comprometer ganhos de eficiência no setor elétrico. A autora argumenta que o interesse dos investidores existe, mas a incerteza regulatória ameaça investimentos em uma tecnologia estratégica para o sistema elétrico. Destaca um desafio crescente: um sistema elétrico cada vez mais renovável exige também maior flexibilidade para operar com segurança. Também ressalta que, se a regulação demora a definir regras essenciais para viabilizar os investimentos, o custo da espera pode superar aquele de uma decisão imperfeita, além de lembrar que as regras para remunerar os serviços prestados pelos sistemas de armazenamento estão pendentes de decisão na Aneel. Conclui que o caso do primeiro leilão de baterias mostra que a principal barreira à adoção dessa tecnologia é criar, em tempo hábil, as condições institucionais para que esses investimentos ocorram, ressaltando que adiar é decidir e que a demora é paga por toda a sociedade. (GESEL-IE-UFRJ – 19.08.2026)
Artigo de Alexandre Uhlig e Claudio Sales: “Setor Elétrico Carbono Zero: desafios e caminhos para o Brasil”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Alexandre Uhlig (Diretor de Sustentabilidade do Instituto Acende Brasil) e Claudio Sales (Presidente do Instituto Acende Brasil) tratam do papel estratégico do setor elétrico na transição para uma economia de baixo carbono. Os autores destacam que a matriz brasileira, majoritariamente renovável, oferece vantagem competitiva, mas exige expansão de transmissão, armazenamento, digitalização, resposta da demanda e maior flexibilidade para sustentar a eletrificação da economia. Defendem também planejamento e regulação previsíveis, licenciamento eficiente, segurança jurídica e proteção socioambiental para atrair capital e reduzir riscos. O texto aponta oportunidades em captura de carbono, eletrificação industrial e inovação, ressaltando que a liderança brasileira dependerá da articulação entre governo, reguladores, empresas, academia e sociedade civil. A conclusão é que o país possui recursos e competência técnica para liderar a transição, desde que converta essas vantagens em políticas duradouras, investimentos e inovação. (GESEL-IE-UFRJ – 19.08.2026)
Artigo de Fabiano Machado: “Bioeconomia: uma estratégia econômica para a Amazônia e o Brasil”
Em artigo publicado pela Agência Eixos, Fabiano Machado (Diretor da Apsis Carbon) trata da bioeconomia como estratégia de desenvolvimento para a Amazônia capaz de conciliar conservação, geração de renda e redução de emissões. O autor ressalta que 71% das emissões brutas brasileiras de 2024 vieram de mudança do uso da terra, florestas e agropecuária, o que torna o território central para a agenda climática. Defende a verticalização de cadeias produtivas, com pesquisa e inovação em alimentos, fertilizantes, cosméticos, fármacos, energia e novos materiais, para reter maior parcela do valor na região. Destaca ainda o potencial de recuperar áreas já abertas: o bioma Amazônia possui cerca de 56 milhões de hectares de pastagens, e mais de 90% das áreas desmatadas tiveram pasto como primeiro uso. Sistemas agroflorestais apresentaram taxas internas de retorno de 40,3% e 32,0%, com retorno positivo em cerca de seis anos. A conclusão é que competitividade dependerá de investimento, assistência técnica, cooperativas, empresas locais e ativos ambientais, mantendo riqueza no território. (GESEL-IE-UFRJ – 19.08.2026)
Artigo de Jerson Kelman: “A transição energética economicamente motivada”
Em artigo publicado pela Folha de São Paulo, Jerson Kelman (professor da Coppe-UFRJ) trata da transformação da opção climática pela geração renovável em estratégia de segurança nacional. O autor argumenta que o choque nos preços de energia forçou a busca por autossuficiência em um momento de deflação na energia solar. Destaca que a consolidação de posturas nacionalistas e isolacionistas dos EUA, somada aos choques de oferta gerados pelos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, alterou as prioridades das potências: a urgência climática passou a competir diretamente com a inflação interna e a segurança fiscal. Também ressalta que a vulnerabilidade e a fragmentação das cadeias globais de suprimento forçaram os estados a buscarem maior autossuficiência. Além disso, afirma que, paradoxalmente, o enfraquecimento do multilateralismo e a erosão da cooperação internacional podem acabar reconduzindo a humanidade à rota de redução dos gases de efeito estufa, por interesse econômico. Conclui que o Brasil deve encontrar o seu próprio caminho: primeiro, reformando o setor elétrico para que os preços voltem a corresponder aos custos; segundo, comparando a eletrificação com a alternativa de biocombustíveis. (GESEL-IE-UFRJ – 19.08.2026)
Artigo de Bruna Correia e Carlos Bingemer: “O crescimento dos data centers e a necessidade de novos arranjos no setor elétrico”
Em artigo publicado pela Agência Eixos, Bruna de Barros Correia (sócia da área de Energia do BMA Advogados) e Carlos Frederico Lucchetti Bingemer (sócio da área de Energia do BMA Advogados) analisam os impactos da expansão dos data centers sobre o setor elétrico e defendem novos arranjos regulatórios, contratuais e de planejamento. Os autores ressaltam que essas instalações constituem uma classe de carga marcada por elevada potência, operação contínua, exigência de confiabilidade e concentração geográfica, ampliando desafios de conexão, contratação e expansão das redes. A abertura do mercado livre e iniciativas legislativas voltadas à infraestrutura digital podem favorecer investimentos, mas não eliminam a necessidade de coordenação entre agentes privados, operadores, reguladores e planejadores. Concluem que previsibilidade regulatória, reforços de transmissão e distribuição, soluções compartilhadas de conexão e adequada alocação de riscos serão essenciais para que o Brasil aproveite sua matriz renovável e se consolide como destino competitivo para novos empreendimentos digitais. (GESEL-IE-UFRJ – 18.08.2026)
Artigo de Carlos Augusto Kirchner: “O Princípio da Atualidade e a Modernização das Redes de Distribuição de Energia”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Carlos Augusto Ramos Kirchner (consultor da FNE – Federação Nacional dos Engenheiros) analisa a controvérsia regulatória sobre a modernização das redes de distribuição diante do aumento de eventos climáticos extremos. O autor destaca que, embora a Aneel tenha preservado a liberdade das distribuidoras para escolher padrões tecnológicos, a própria análise regulatória reconhece o desempenho inferior das redes convencionais com condutores nus em comparação com alternativas compactas e isoladas. Sustenta, assim, que a autonomia empresarial deve ser compatibilizada com o princípio da atualidade, previsto na Lei nº 8.987/1995, e com as obrigações de adoção de tecnologias adequadas e melhores práticas. A tese não implica impor uma solução tecnológica específica, mas reconhecer a necessidade de substituir gradualmente sistemas obsoletos, fortalecendo a continuidade, a segurança, a qualidade e a resiliência do serviço público de energia elétrica. (GESEL-IE-UFRJ – 18.08.2026)
Artigo de Frederico Accon e Mariana Saragoça: “Armazenamento, formas de inserção e modelos de negócio”
Em artigo publicado pela Brasil Energia, Frederico Accon (Head de Energia do Stocche Forbes Advogados) e Mariana Saragoça (Sócia do escritório Stocche Forbes Advogados) defendem que há relevante espaço de evolução regulatória para o armazenamento. Os autores argumentam que o descasamento entre os horários, a saturação da capacidade de escoamento da rede em certas regiões e a crescente volatilidade do preço horário de energia e das diferenças entre submercados trouxeram impactos operacionais e comerciais. Destacam que, nesse cenário, os Sistemas de Armazenamento de Energia (SAE) surgem como resposta tecnológica capaz de mitigar boa parte desses desafios. Também ressaltam que o armazenamento diretamente nos consumidores desponta como uma das frentes de grande potencial de crescimento nos próximos anos, especialmente diante da abertura total do mercado livre. Concluem que ainda há espaço de evolução regulatória, a começar pela remuneração dos SAE como ativos de transmissão e distribuição, e pela definição de um modelo tarifário que reflita o sinal locacional e a causalidade de custos. (GESEL-IE-UFRJ – 18.08.2026)
Artigo de Fernando Luiz Zancan: “A transição energética precisa de mais realismo e menos slogans”
Em artigo publicado pela MegaWhat, Fernando Luiz Zancan (presidente da Associação Brasileira do Carbono Sustentável) questiona a interpretação simplificada do relatório GenCost 2025-26, que aponta um sistema majoritariamente renovável como opção de menor custo para a Austrália. O autor argumenta que o valor de US$ 91/MWh citado para 2030 depende de ativos já existentes (hidrelétricas, redes de transmissão e usinas despacháveis) sem contabilizar plenamente seus custos históricos, enquanto o cenário de reconstrução completa do sistema até 2050 aponta valores entre US$ 141 e US$ 152/MWh. Além disso, o texto destaca que o relatório não demonstra formalmente a confiabilidade do sistema em cenários climáticos extremos, e alerta para uma nova dependência geopolítica ligada a minerais estratégicos e cadeias de suprimento concentradas, substituindo a dependência tradicional de combustíveis fósseis. O artigo conclui defendendo que a transição energética deve equilibrar sustentabilidade, confiabilidade e racionalidade econômica, sem se reduzir a comparações de custo simplificadas. (GESEL-IE-UFRJ – 17.08.2026)
Editorial do Valor Econômico: “Verbas para a prevenção climática fluem lentamente”
Em editorial publicado pelo Valor Econômico, é defendido que as medidas de prevenção adotadas após as enchentes do Rio Grande do Sul em 2024 e a proximidade do El Niño podem consolidar uma rotina de planejamento historicamente ausente na administração pública brasileira, citando dados da Confederação Nacional dos Municípios segundo os quais 70% dos municípios não têm recursos próprios para fiscalização ambiental e 55% não possuem sistemas de alerta à população. O texto destaca que, dos R$ 532 milhões do orçamento de 2025 para obras de drenagem e contenção de encostas, apenas R$ 136 milhões foram efetivamente pagos, evidenciando gargalos burocráticos que podem comprometer os R$ 34 bilhões disponíveis nos próximos anos para esse tipo de obra, segundo o Ministério das Cidades. (GESEL-IE-UFRJ – 17.08.2026)
Entrevista com Tim Mohin: “‘Reportar emissões de gases-estufa se tornou obrigação’, diz especialista"
Em entrevista concedida ao Valor Econômico, o CEO da GHG Protocol, Tim Mohin, afirmou que a tendência global é caminhar para a obrigatoriedade dos relatórios de emissão de gases do efeito estufa, hoje usados voluntariamente por 97% das empresas do S&P 500 e exigidos por cerca de 70 jurisdições ao redor do mundo. Mohin defendeu que empresas devem primeiro mitigar emissões dentro de sua própria cadeia produtiva antes de recorrer a créditos de carbono, e destacou que mecanismos de legitimidade recentes tornaram o mercado voluntário de carbono mais rigoroso, embora tecnologias como a captura e armazenamento de carbono (CCS) ainda sejam consideradas incipientes. Questionado sobre a decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de desobrigar empresas brasileiras de capital aberto a divulgar relatórios de sustentabilidade, o executivo minimizou o retrocesso, avaliando que a tendência geral segue positiva, e anunciou parceria do GHG Protocol com a Organização Internacional de Normalização (ISO) para integrar os padrões corporativos de medição de emissões em um sistema único global. (GESEL-IE-UFRJ – 21.08.2026)
Entrevista com Arminio Fraga e Marcelo Medeiros: “Brasil precisa discutir seu papel na solução da crise do clima, dizem investidores”
Em entrevista concedida ao Valor Econômico, o economista Arminio Fraga e o empresário Marcelo Medeiros, cofundadores da re.green — empresa líder em restauração florestal no país —, defendem que o Brasil pode se tornar o principal ator mundial na remoção de CO2 da atmosfera, já que a conta climática global exige remover entre 7 e 9 bilhões de toneladas do gás por ano até 2050, e o país reúne terra, sol e água em condições únicas para tecnologias como restauração florestal, biochar e intemperismo acelerado de rochas. Os executivos criticam a proposta do Ministério do Meio Ambiente, em consulta pública, que limita a exportação de créditos de carbono (ITMOs) a 50 milhões de toneladas entre 2031 e 2035 — o equivalente a pouco mais de 0,1% da necessidade mundial —, argumentando que a restrição não é necessária para o cumprimento da meta climática brasileira (NDC), decidida pelo uso da terra e pelo combate ao desmatamento, e não pelo volume de créditos exportados. Segundo Medeiros, uma indústria de restauração em escala gera valor econômico para a floresta, forma brigadas de incêndio e mobiliza comunidades contra o desmatamento, defendendo que a decisão sobre o tamanho desse mercado seja tratada como estratégia de Estado, e não como cota negociada entre governo e setor privado. (GESEL-IE-UFRJ – 20.08.2026)