IECC 380
Marco Institucional
GESEL promove seis cursos voltados ao setor elétrico em agosto e setembro de 2026
Nos meses de agosto e setembro de 2026, o GESEL oferecerá seis cursos voltados aos principais desafios e transformações do setor elétrico brasileiro. A programação contempla os seguintes cursos: "Contabilidade Aplicada ao Setor Elétrico Brasileiro" (a partir de 04/08); "Estratégias de Financiamento no Setor de Energia Elétrica" (a partir de 11/08); "Inovações Tecnológicas Disruptivas no Setor Elétrico" (a partir de 18/08); "Comercialização de Energia Elétrica no Brasil" (a partir de 01/09); "Sistemas de Armazenamento de Usinas Hidrelétricas Reversíveis" (a partir de 15/09); e o "Curso de Nivelamento Executivo – Estrutura Econômica, Planejamento, Operação e Mercado no Setor Elétrico Brasileiro" (a partir de 16/09). As capacitações oferecem uma visão técnica, integrada e atualizada sobre temas estratégicos, como regulação, mercado, inovação, financiamento, armazenamento de energia, planejamento, operação e comercialização, qualificando profissionais para compreender as transformações impulsionadas pela transição energética e pela modernização do setor elétrico brasileiro. Para maiores informações e inscrição, acesse nossa página de cursos: https://gesel.ie.ufrj.br/cursos/ (GESEL-IE-UFRJ – 06.07.2026)
Silveira prevê aprovação do E32 pelo CNPE
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deverá aprovar na reunião da próxima semana a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32). A medida, prevista na Lei do Combustível do Futuro, depende de deliberação do colegiado e integra a estratégia de ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira. A legislação elevou para até 35% o limite máximo de etanol na gasolina, desde que comprovada a viabilidade técnica, permitindo a adoção gradual de percentuais superiores aos atuais. Segundo o ministro, a iniciativa busca reduzir a dependência das oscilações internacionais do petróleo e fortalecer a segurança energética do País. A declaração foi feita durante evento em Belo Horizonte após assinatura de acordo relacionado às ações de reparação da Bacia do Rio Doce. (Broadcast Energia - 03.07.2026)
Comissão aprova regra para dívidas envolvendo risco hidrológico
A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados aprovou, em 26 de junho, texto substitutivo ao Projeto de Lei 6062/23, que cria regras para negociar dívidas do mercado de energia elétrica decorrentes de ações judiciais envolvendo o risco hidrológico. O texto também limita quem pode participar dessa negociação e define como será contado o prazo extra de concessão das usinas, com o objetivo de evitar que essa negociação aumente custos para os consumidores, buscando aprimorar o mecanismo concorrencial centralizado utilizado para negociar esses valores entre os agentes do setor elétrico. Pelo texto, fica proibida a participação, como compradores de títulos nesse mecanismo, de titulares de empreendimentos participantes do Mecanismo de Realocação de Energia (MRE) que recebam benefícios tarifários no transporte de energia elétrica, restrição que também se aplicará a empreendimentos sujeitos ao regime de cotas. A proposta também estabelece que o limite de sete anos para extensão do prazo de outorga se aplica apenas ao mecanismo concorrencial. A proposta ainda será analisada por outras duas comissões. (Brasil Energia - 29.06.2026)
Comitê abre consulta sobre modelos do setor elétrico
O Comitê Técnico PMO/PLD abriu consulta externa para definir prioridades de evolução dos modelos computacionais usados no setor elétrico, com contribuições até 7 de agosto. A iniciativa, coordenada pela CCEE e pelo ONS, abrange metodologias, dados de entrada e parâmetros aplicados ao planejamento da operação, à operação do sistema e à formação do Preço de Liquidação das Diferenças. Agentes, associações, instituições e demais interessados poderão indicar temas considerados relevantes para os próximos ciclos de aprimoramento dos modelos. As contribuições recebidas servirão de base para a definição da agenda de trabalho do CT PMO/PLD. A documentação da Consulta Externa nº 003/2026 está disponível no site do comitê, e as manifestações deverão ser enviadas exclusivamente por formulários digitais. Após o encerramento, as sugestões serão publicadas, analisadas e encaminhadas à Comissão Deliberativa. (Agência CanalEnergia - 07.07.2026)
CMSE amplia transparência nas regras de despacho por garantia energética
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) publicou resolução no Diário Oficial da União estabelecendo novas regras de transparência para o despacho de usinas por garantia de suprimento energético. Antes de autorizar ou revisar o despacho, será obrigatória a apresentação de estudos prospectivos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), considerando as condições do sistema interligado e o armazenamento dos reservatórios. As decisões do CMSE deverão conter motivação técnica, subsistemas envolvidos, prazo de vigência e volume máximo autorizado. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) passará a apresentar análise de impactos financeiros nos mercados livre e cativo. A resolução formaliza o uso da Curva Referencial de Armazenamento (faixas verde, amarela e vermelha) como apoio às decisões sobre acionamento termelétrico. O ONS deverá propor a curva anual até novembro, e o CMSE aprová-la até dezembro. O Operador terá 180 dias para publicar a metodologia dos estudos prospectivos, observando o princípio da transparência. (Valor Econômico – 08.07.2026)
Nova proposta adia regra definitiva para cortes de geração
A nova minuta da resolução decorrente da Consulta Pública 45 da Aneel propõe que a decisão definitiva sobre os critérios de corte de geração no Sistema Interligado Nacional seja tomada somente após uma fase de testes de um ano, denominada operação sombra. A proposta do diretor Fernando Mosna prevê nova consulta pública para avaliar os resultados antes da adoção permanente da metodologia. Durante o período experimental, sem efeitos contábeis, o ONS e a CCEE deverão comparar o rateio previsto na norma com uma alternativa que considere a inflexibilidade mínima das hidrelétricas. Os resultados serão divulgados mensalmente, e um relatório consolidado deverá ser entregue à Aneel em até 30 dias após o encerramento dos testes. A minuta disciplina cortes por sobreoferta, confiabilidade elétrica e indisponibilidade externa, além do rateio de custos entre usinas. O processo pode retornar à pauta da agência em 28 de julho, após pedido de vista que adiou a deliberação. (Agência CanalEnergia - 09.07.2026)
Carta alerta sobre riscos na caducidade da Enel SP
A Aneel recebeu carta que aponta riscos de responsabilização ao decisor público em caso de eventual decretação de caducidade do contrato da Enel São Paulo. O documento, assinado por Ruy Bottesi, representante do Conselho de Consumidores da distribuidora, afirma que a medida, em contexto de eventos climáticos extremos e infraestrutura urbana complexa, pode afetar a percepção pública e jurídica sobre previsibilidade regulatória e equilíbrio entre fiscalização e atuação preventiva. A área técnica da Aneel recomendou manter o processo de caducidade após analisar pedido de reconsideração da Enel, concluindo que os argumentos da empresa não afastam evidências de descumprimento contratual. A carta também alerta que a caducidade pode criar precedente sensível, elevar o risco regulatório e impactar financiamento, tarifas e investimentos futuros no setor de distribuição. (Broadcast Energia - 07.07.2026)
Sérgio Coelho avalia impactos da demora na regulamentação da eólica offshore
Sérgio Coelho, pesquisador associado ao Gesel/UFRJ e ex-subsecretário adjunto de Energia do governo do Rio de Janeiro, avalia que a demora na regulamentação da eólica offshore no Brasil tem gerado desinteresse e desmobilização de empresas que antes mantinham equipes dedicadas ao setor, embora ainda exista apetite ao risco por parte dos investidores; para ele, seria importante liberar o acesso às áreas antes do leilão para que os desenvolvedores já pudessem iniciar estudos e apresentá-los à Aneel, antecipando o avanço dos projetos. Coelho explica que o decreto deve definir modelos de cessão de áreas, planejada, com estudos prévios do governo, ou permanente, com maior risco para o investidor, e defende que, quando a regulamentação sair e os leilões começarem, a atividade tende a crescer muito. Ele também afirma que os custos da eólica offshore devem cair com ganho de escala, como ocorreu com a eólica onshore no Brasil, e aponta que o curtailment poderia ser mitigado em projetos no Sudeste, próximos aos centros de consumo, enquanto os juros altos seguem como um forte inibidor por se tratar de uma indústria intensiva em capital. Acesse a matéria aqui (Agência Infra - 07.07.2026)
TCU recomenda mudanças na política para autoprodução
Segundo conclusão de auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), os autoprodutores de energia se beneficiam da estabilidade do sistema elétrico, mas não oferecem, como contrapartida, contribuição suficiente. Em relatório sobre a fiscalização, o TCU destacou que os “autoprodutores não pagam por serviços para manter a estabilidade do sistema elétrico, transferindo os custos para os demais consumidores”. Por isso, o Tribunal fez recomendações ao MME e à Aneel de mudanças na política para autoprodutores, sobretudo para os por equiparação. Ainda segundo o relatório, a autoprodução conta com incentivos econômicos, como contabilização diferenciada ou reduzida de encargos, para que o agente invista em geração, reduzindo o esforço público nessa frente, e que tenha maior controle sobre os custos de geração e garantia de suprimentos, ampliando sua competitividade. Além disso, a auditoria envolveu reuniões com especialistas do MME, do MDIC, da Aneel, da CCEE e da Abiape. (Brasil Energia - 06.07.2026)
Regulação
Aneel: Bandeira tarifária em julho permanece amarela
A Aneel informa que a bandeira tarifária para o mês de julho de 2026 permanecerá amarela. Com isso, a conta de luz dos consumidores de energia elétrica continua tendo acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh. A manutenção da bandeira amarela, ativa desde o mês de abril, reflete condições menos favoráveis de geração no País, típicas do período seco, quando há redução nos níveis dos reservatórios das hidrelétricas e necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que possuem custo mais elevado. Diante desse cenário, a Agência reforça a importância da adoção de hábitos eficientes de consumo para evitar desperdícios e contribuir para a economia doméstica e a sustentabilidade do setor elétrico. (Aneel - 03.07.2026)
Empresas
Petrobras prevê R$ 910 mi para propaganda
A Petrobras lançou edital para contratar três agências de propaganda, que dividirão uma verba de R$ 910 milhões em um período de três anos, a partir de 2027. No briefing encaminhado ao mercado, a companhia afirma que pretende retomar uma apresentação institucional ampla da marca, destacando brasilidade, inovação e compromisso com a sociedade. A estatal busca traduzir esse posicionamento em campanhas capazes de mostrar sua presença no cotidiano, no desenvolvimento e no futuro do Brasil, especialmente para as próximas gerações. O documento orienta que as propostas evitem grandiloquência, autoelogio excessivo, tom político e tecnicismo, priorizando a consolidação da imagem da Petrobras como empresa brasileira de energia, referência em inovação e comprometida com o desenvolvimento sustentável do país. A divulgação das agências vencedoras está prevista para o dia 31. (O Globo – 10.07.2026)
Itaipu destina R$ 19,9 mi para segurança na fronteira
Representantes de Itaipu, da Receita Federal e do Itaipu Parquetec assinaram, em 1º de junho, em Brasília, um convênio para a ampliação da Operação Muralha Inteligente, ação que integra a estratégia mais ampla do Governo do Brasil e da Itaipu Binacional de apoio à segurança pública na sua área de influência. Com o novo aporte de R$ 19,9 milhões – sendo R$ 1,4 milhão de contrapartida do Itaipu Parquetec -, os investimentos da binacional na política de cooperação para a segurança pública na tríplice fronteira, desde 2023, já passam de R$ 220 milhões. Além disso, a primeira fase do projeto (2021-2025) consolidou um conjunto de soluções que aumentou a capacidade de fiscalização e de resposta aos crimes. Já para a Operação Muralha 2, o convênio de mais 60 meses prevê a expansão de medidas anteriores, com cobertura prioritária da Ponte da Amizade e da Ponte da Integração. Por fim, a atuação integrada da Receita Federal resultou na apreensão de R$ 2,83 bilhões em mercadorias contrabandeadas, nos últimos cinco anos, e de 32 toneladas de drogas, entre 2024 e 2025. (Brasil Energia - 02.07.2026)
Axia e Taesa reforçam captações no mercado de dívida
A Axia Energia concluiu a liquidação de sua nona emissão de debêntures incentivadas, no valor de R$ 1 bilhão, já considerando o lote adicional, em operação anunciada em junho e destinada exclusivamente a investidores profissionais. Os títulos têm prazo de dez anos, com vencimento em junho de 2036, remuneração de IPCA mais 8,0036% ao ano definida em bookbuilding, pagamento semestral de juros e amortização do principal a partir do oitavo ano. A emissão foi realizada sob o rito automático da CVM. Paralelamente, a Taesa iniciou a distribuição pública de sua 22ª emissão de debêntures, com objetivo de captar R$ 1,7 bilhão por meio de 1,7 milhão de títulos em série única. A operação também segue o rito automático de registro da CVM e é restrita a investidores profissionais, com primeira liquidação financeira prevista para 7 de julho. As iniciativas reforçam a estratégia das empresas de alongamento de dívida. (Agência CanalEnergia - 06.07.2026)
Leilões
Aneel dá continuidade a segunda etapa do primeiro leilão de transmissão do ano
A Aneel realiza a segunda etapa do primeiro leilão de transmissão de 2026, ofertando quatro lotes que somam 61 quilômetros de linhas de transmissão e 2.400 MVA de capacidade nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os projetos preveem investimentos estimados em R$ 1,8 bilhão. Os ativos haviam sido arrematados pela MEZ Energia em leilões de 2020 e 2021, mas foram devolvidos após acordo com o Ministério de Minas e Energia devido à não execução das obras. O leilão adota como critério a menor Receita Anual Permitida (RAP), estimulando a competição entre os investidores. A RAP máxima dos lotes varia entre R$ 26,4 milhões e R$ 201,5 milhões por ano. A primeira etapa do certame registrou deságio médio de 50,68%, o maior desde 2020, indicando forte interesse do mercado. A expectativa é de nova disputa acirrada entre os participantes. Os empreendimentos são considerados estratégicos para ampliar a capacidade e a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional. A expansão da transmissão é fundamental para integrar novos projetos de geração, especialmente de fontes renováveis. (Valor Econômico – 03.07.2026)
Segunda etapa do leilão de transmissão alcança deságio de 53,2%
A segunda sessão do Leilão de Transmissão nº 1/2026, realizada na B3, em São Paulo, contratou os quatro lotes ofertados e registrou deságio médio de 53,20% em relação à Receita Anual Permitida (RAP) máxima definida pela Aneel, resultado que representa economia estimada de R$ 4,2 bilhões para os consumidores ao longo dos contratos. As propostas vencedoras somaram RAP de R$ 147,518 milhões, frente ao teto de R$ 315,186 milhões. O Lote 7, em São Paulo, foi arrematado pelo Consórcio Olympus XX, formado por Alupar Investimento e Infra 2 Investment, com deságio de 52%. Os lotes 8, 9 e 10 foram conquistados pela Axia Energia Sul, com descontos de 59,04%, 57,24% e 51,84%, respectivamente. Os empreendimentos abrangem São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, somam investimentos estimados em R$ 1,8 bilhão, preveem a geração de 4.085 empregos, incluem 61 quilômetros de novas linhas de transmissão e 2.400 MVA de capacidade de transformação. A primeira etapa do certame, realizada em março, já havia registrado deságio de 50,69%, reforçando a elevada competitividade do leilão. (Petronotícias – 03.07.2026)
Axia Energia e Alupar vencem leilão de transmissão
A Axia Energia conquistou três dos quatro lotes do leilão de transmissão realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica na B3. O maior ativo ficou com o Consórcio Olympus XX, formado pela Alupar e pela Infra 2 Investment, da Perfin. Os quatro lotes somam investimentos estimados em R$ 1,8 bilhão. O leilão registrou deságio médio de 53,2%, um dos maiores desde 2017. A Axia venceu os lotes 8, 9 e 10, que abrangem empreendimentos em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Mato Grosso. Os projetos incluem novas linhas de transmissão e ampliação da capacidade da rede elétrica. O consórcio Alupar/Perfin será responsável por um empreendimento de linhas subterrâneas em São Paulo. Empresas como EDP, Cox e Zopone participaram da disputa, mas não conquistaram ativos. Os lotes haviam sido devolvidos pela MEZ Energia após descumprimento do cronograma original. As obras deverão ser concluídas entre 42 e 60 meses e têm potencial para gerar mais de 4 mil empregos. (Valor Econômico – 03.07.2026)
Citi destaca Axia e Alupar como vencedoras do leilão de transmissão
Análise do Citi aponta que Alupar e Axia dividiram os quatro lotes concedidos no segundo leilão de transmissão da Aneel em 2026, que envolveu investimentos estimados em R$ 1,76 bilhão e Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 148 milhões, com deságio médio de 53%. O lote 7 foi arrematado pela Alupar sem concorrência, enquanto os lotes 8, 9 e 10 ficaram com a Axia. O banco considera que os ativos representam uma relicitação de empreendimentos originalmente concedidos à MEZ Energia e destaca que a Alupar projeta executar seu projeto com capex 30% inferior ao estimado pela Aneel. Também estima taxas internas de retorno entre 6,8% e 9,4% para os empreendimentos, dependendo do lote. O foco do mercado passa agora para o leilão de outubro, previsto para nove lotes e investimentos próximos de R$ 8,9 bilhões. (Broadcast Energia - 06.07.2026)
Ativa vê impacto limitado do leilão para Alupar e Axia
A Ativa Investimentos avaliou que a segunda etapa do Leilão de Transmissão da Aneel reforçou o ambiente de forte competição no segmento, com deságio médio de 53,2% sobre a Receita Anual Permitida máxima e retorno financeiro mais pressionado para novos projetos. O certame relicitou quatro lotes anteriormente devolvidos pela MEZ Energia, totalizando cerca de R$ 1,8 bilhão em investimentos, 61 quilômetros de linhas e capacidade de transformação de 2.400 MVA. A corretora considera marginalmente positiva a conquista do lote 7 pela Alupar, mas destaca maior complexidade de execução devido às linhas subterrâneas em São Paulo. Para a Axia, vencedora dos lotes 8, 9 e 10, a avaliação também é de efeito financeiro limitado. Segundo a instituição, disciplina de capital, financiamento e capacidade de execução serão determinantes para preservar a rentabilidade dos futuros empreendimentos. (Broadcast Energia - 03.07.2026)
Ministro da Fazenda anuncia que próximo leilão estratégico focará em indústria verde
As emissões da Letra de Crédito de Desenvolvimento (LCD), instrumento criado em 2024 pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para financiar projetos de infraestrutura, já ultrapassam R$ 16 bilhões, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Durante o 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, ele destacou ainda a expansão do Fundo Clima, que oferece linhas de crédito com juros a partir de 1% ao ano para projetos de transição energética, indústria verde, desenvolvimento urbano e florestas. Durigan afirmou que o governo busca ampliar a atração de investimentos privados e estrangeiros, apesar dos desafios impostos pelos juros elevados, pelo sistema tributário e pela volatilidade cambial. O ministro ressaltou que os leilões do programa Eco Invest já mobilizaram R$ 140 bilhões, com expectativa de alcançar R$ 200 bilhões. Segundo ele, o próximo leilão terá como prioridade projetos ligados à transição energética, com foco em combustíveis renováveis, biofertilizantes, baterias para armazenamento de energia e soluções de inteligência artificial voltadas à indústria, reforçando o papel dessas tecnologias na descarbonização e no fortalecimento da economia verde brasileira. (Valor Econômico – 03.07.2026)
MME faz nova consulta para antecipar térmicas do LRCAP
O MME faz nova consulta aos vencedores do LRCAP 2026 para avaliar a possibilidade de antecipação da entrega de potência de usinas contratadas, agora com início de operação em agosto de 2027. A medida dá sequência à consulta feita em abril, quando a pasta sondou a antecipação de projetos para agosto de 2026. Segundo o MME, a iniciativa busca resguardar o atendimento eletroenergético do SIN a partir de agosto de 2027, período em que se espera maior necessidade de energia e potência, em razão do aumento da temperatura nas principais capitais do país. A pasta também pede que os agentes informem, até 17 de julho, eventual interesse em antecipar os Contratos de Reserva de Capacidade (CRCAPs) para agosto de 2027, mantendo as demais cláusulas contratuais. Assim, a viabilidade técnica da antecipação será analisada pelo ONS e pela EPE, e posteriormente pelo CMSE. Além disso, o MME ressalta que as manifestações já apresentadas para antecipação de contratos para agosto de 2026, referentes aos produtos 2027 e 2028 e feitas em resposta aos ofícios de abril, seguem em análise no CMSE. (Brasil Energia - 06.07.2026)
Aneel abre consulta pública sobre o edital dos Leilões de Energia Existente A-1, A-2 e A-3
Em 7 de julho, a Aneel autorizou a abertura da Consulta Pública 019/2026 para o aprimoramento do edital dos Leilões nº 7/2026-ANEEL, nº 8/2026-ANEEL e nº 9/2026-ANEEL, denominados, respectivamente, Leilões de Energia Existente “A-1”, “A-2” e “A-3”, de 2026, para compra de energia elétrica proveniente de empreendimentos de geração existentes. Interessados poderão enviar contribuições de 9 de julho a 24 de agosto de 2026. A proposta prevê a realização da sessão pública dos leilões em 13 de novembro de 2026, na modalidade híbrida. Além disso, os Leilões serão realizados sequencialmente, os Contratos de Comercialização de Energia no ambiente regulado (CCEARs) serão negociados na modalidade por quantidade de energia elétrica, para energia proveniente de qualquer fonte, e o período de suprimento de energia elétrica dos CCEARs será de dois anos. (Aneel - 07.07.2026)
Oferta de Energia Elétrica
Brasil é o 7º país com maior risco de instabilidade elétrica
O relatório global Global Energy Outage, produzido pela iSelect, aponta que o Brasil ocupa a 7ª posição mundial em risco de instabilidade energética. O estudo, que analisou a resiliência das redes elétricas de 33 nações, mostra que o país fica atrás apenas de países com graves crises estruturais ou climáticas, como Paquistão, Níger e Itália, evidenciando que o problema do Brasil não está na capacidade de geração, mas sim na distribuição e no impacto social. Com um Índice de Instabilidade Energética de 26,22, o Brasil conta com um sistema que gera muita energia verde, mas que apresenta frequência e duração de apagões em níveis altos. Por outro lado, o Brasil apresenta um Índice de Risco Climático considerado baixo (CRI de 3,87). Após considerar outros indicadores, como os de interrupção e de vulnerabilidade demográfica, a conclusão do estudo é clara: para consolidar seu papel de liderança global no setor, o país precisa não apenas expandir parques eólicos ou solares, mas sim realizar investimentos urgentes para blindar, modernizar e proteger a rede de distribuição contra falhas sistêmicas. (Brasil Energia - 01.07.2026)
Oferta e Demanda de Energia Elétrica
ONS projeta alta de 1,7% na carga do SIN em julho
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estima crescimento de 1,7% da carga no Sistema Interligado Nacional (SIN) em julho frente ao mesmo período de 2025. A expansão será puxada pelo Norte, com alta de 6,2%, e pelo Nordeste, com 6,8%, enquanto o Sudeste/Centro-Oeste deverá registrar aumento de 0,2% e o Sul retração de 1,2%. O PMO também projeta níveis elevados de armazenamento ao fim do mês, com 65,5% no Sudeste/Centro-Oeste, 86,9% no Sul, 83,6% no Nordeste e 94,3% no Norte. As previsões de Energia Natural Afluente indicam 97% da média histórica no Sudeste/Centro-Oeste, 155% no Sul, 64% no Norte e 62% no Nordeste. O despacho térmico esperado soma 7.577 MW médios e o Custo Marginal de Operação permanece zerado em três subsistemas, ficando em R$ 289,25/MWh apenas no Norte. (Agência CanalEnergia - 03.07.2026)
ONS mantém CMO zerado em três subsistemas do SIN
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) definiu Custo Marginal de Operação (CMO) igual a R$ 0,00/MWh para os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Nordeste na semana operativa de 4 a 10 de julho, indicando excedente de geração nessas regiões. O cenário tende a ampliar episódios de cortes de geração renovável e vertimento turbinável em hidrelétricas, uma vez que parte da energia disponível não será necessária para atender à demanda. No Norte, o CMO recuou 7,6%, para R$ 289,25/MWh, refletindo o encerramento da manutenção programada da usina termelétrica Jaguatirica 2. O desacoplamento entre o Norte e os demais subsistemas permanece devido às restrições de intercâmbio de energia. O ONS prevê despacho termelétrico de 7.577 MW médios no SIN, sendo 6.699 MW médios por inflexibilidade e 878 MW médios por ordem de mérito, com custo estimado de operação de R$ 466,6 milhões. (Broadcast Energia - 03.07.2026)
ONS admite 20,31 GW na primeira temporada do PNAST
O Operador Nacional do Sistema Elétrico divulgou a lista dos cadastramentos admitidos na 1ª Temporada de Acesso de 2026, no âmbito da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão. Dos 404 pedidos recebidos, 367 foram aprovados na etapa de admissão, sendo 288 de geração e 79 de unidades consumidoras, com montante total de 20,31 GW, distribuído entre 14,56 GW de geração e 5,74 GW de consumo. A etapa, concluída em 30 de junho, incluiu verificação documental e validação da Garantia de Participação, conforme a Portaria Normativa MME nº 129/2026. Os projetos admitidos avançam agora para a fase de habilitação, na qual o ONS calculará a capacidade remanescente, consultará transmissoras sobre a viabilidade física de conexão e contará com avaliação da EPE sobre critérios de mínimo custo global. (Agência CanalEnergia - 07.07.2026)
ONS projeta reservatórios acima dos níveis de 2025
O Operador Nacional do Sistema Elétrico projeta que os reservatórios do Sistema Interligado Nacional encerrarão 2026 em patamar superior ao observado no fim de 2025, mesmo em cenário hidrológico mais restritivo. Segundo apresentação ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, as afluências entre julho e dezembro podem variar de 125% a 91% da Média de Longo Termo, considerando os cenários otimista e conservador. No Sudeste/Centro-Oeste, a Energia Armazenada pode terminar dezembro 21,6 pontos percentuais acima do nível de 2025 na hipótese mais favorável e 11,3 pontos acima no cenário menos favorável. Para o SIN, os ganhos estimados são de 21,5 pontos e 10,4 pontos, respectivamente. O ONS, porém, alerta que a ENA do Sudeste/Centro-Oeste deve ficar abaixo da média em quase todo o segundo semestre, exigindo acompanhamento durante o período seco. (Agência CanalEnergia - 08.07.2026)
ONS prevê redução do curtailment até 2030
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) projeta redução gradual dos cortes obrigatórios de geração de energia (curtailment) até 2030, embora o fenômeno continue recorrente e considerado expressivo ao final da década. De acordo com a primeira avaliação probabilística incorporada ao Plano da Operação Energética (PEN) 2026-2030, os cortes por excesso de oferta ou restrições de escoamento deverão ocorrer em 19% das horas em 2027 e recuar para 14% em 2030. Em termos de energia, o volume médio mensal deve diminuir de 3 GW a 3,5 GW para entre 2 GW e 2,3 GW, enquanto os cortes por confiabilidade cairão de cerca de 500 MW médios para 240 MW. O ONS destaca que o curtailment continuará concentrado entre 7h e 15h, sobretudo aos domingos e durante a safra dos ventos, entre agosto e outubro. A redução esperada decorre do crescimento da demanda, da expansão da transmissão, da desaceleração da expansão eólica e solar e da incorporação de soluções de armazenamento, como sistemas de baterias (BESS) e usinas hidrelétricas reversíveis. (Agência Infra - 07.07.2026)
ONS antecipa manutenções diante de cenário energético favorável
Na reunião mensal da Coordenação das Manutenções em Unidades Geradoras do ONS referente à programação dos agentes para julho, o Operador solicitou a antecipação de manutenções para aproveitar o cenário eletroenergético atualmente mais favorável do que o esperado para o final do mês. Em grande medida, foi a partir dessa avaliação que o Operador liberou sem restrições 87 das 140 solicitações de serviços de manutenção feitas por 28 agentes, e autorizou sob condicionantes outras 22, tendo reprogramado apenas 31 serviços. Na análise climática, o ONS ponderou a confirmação da chegada de El Niño no segundo semestre. Além disso, a maioria das condicionantes às aprovações de serviços esteve relacionada com “análise elétrica”, relacionadas à estabilidade do SIN. Por fim, o ONS também mostrou preocupação com as UGs indisponíveis da região Sul, cuja disponibilidade é considerada fundamental para o atendimento da ponta na seca e para a estratégia de poupar energia nos reservatórios do SE/CO para o que pode vir na transição do período seco para o úmido. (Brasil Energia - 01.07.2026)
Diminui o número de sistemas isolados de energia na Amazônia, segundo MME
O número de sistemas isolados de energia na Amazônia Legal caiu de 212 para 160 nos últimos três anos, beneficiando mais de 1 milhão de pessoas. O avanço foi impulsionado pelo programa Energias da Amazônia, criado em 2023 pelo governo federal. Entre os principais resultados está a interligação de Boa Vista ao Sistema Interligado Nacional, reduzindo custos e emissões. Também houve contratação de usinas híbridas que combinam diesel, energia solar e armazenamento em baterias. Apesar dos avanços, cerca de 70% da geração nos sistemas isolados ainda depende de óleo diesel. Embora representem apenas 0,6% do consumo nacional de energia, esses sistemas respondem por elevadas emissões de CO₂. O governo pretende ampliar a participação de fontes renováveis por meio de novos leilões e linhas de financiamento. Especialistas avaliam que nem todas as localidades poderão ser conectadas à rede elétrica devido às dificuldades logísticas. Nesses casos, soluções locais e híbridas são consideradas mais viáveis e econômicas. O desafio é reduzir a dependência de combustíveis fósseis e ampliar a oferta de energia limpa na região amazônica. (Valor Econômico – 03.07.2026)
EPE: Publicação do primeiro caderno do PDE 2036
O MME e a EPE publicaram, em 3 de julho, o Caderno de Contexto, Perspectivas e Premissas, primeira publicação do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036). Entre os temas abordados, o documento analisa um ambiente internacional marcado pelo aumento da complexidade geopolítica, econômica, climática e tecnológica, destacando como essas transformações podem influenciar a evolução do setor energético brasileiro. O caderno ressalta, ainda, a importância do monitoramento contínuo desses fatores para o aprimoramento do planejamento energético. Além da análise de contexto, a publicação apresenta as perspectivas macroeconômicas e demográficas que fundamentam o cenário de referência. No cenário internacional, projeta-se crescimento moderado da economia mundial, liderado pelos países emergentes, ao passo que, para o Brasil, o cenário de referência considera crescimento médio do PIB de 2,5% ao ano, sustentado por um ambiente de negócios mais favorável, maior nível de investimentos e fortalecimento da demanda interna. Acesse aqui o PDE 2036 e o Caderno de Contexto, Perspectivas e Premissas. (EPE - 03.07.2026)
EPE atualiza ferramentas interativas do BEN 2026
A EPE atualiza as duas ferramentas interativas do Balanço Energético Nacional (BEN) 2026: o BEN Interativo e o Relatório Dinâmico do BEN, com o objetivo de inovar na disponibilização dos dados energéticos. O BEN Interativo é uma plataforma de visualização e análise que disponibiliza ao público as séries históricas completas em uma interface mais intuitiva. Já o Relatório Dinâmico do BEN é uma versão interativa, estruturada de forma a manter a organização tradicional do Relatório Final do BEN, mas com funcionalidades adicionais que facilitam a consulta e o uso dos dados. Além disso, o Relatório Dinâmico do BEN 2026 foi desenvolvido através da ferramenta de documentação interativa Quarto, principal destaque da atualização. Essas melhorias atendem às crescentes demandas por dados acessíveis e granulares, sobretudo em um contexto de transição energética acelerada e integração de novas tecnologias. Acesse aqui o Relatório Dinâmico do BEN e o BEN Interativo. (EPE - 07.07.2026)
EPE apresenta base integrada de geração e transmissão de energia
A EPE apresentou a Base de Dados Integrada G+T, uma nova forma de representar o SIN. Lançada em 8 de julho, a base é tida pela EPE como capaz de responder com velocidade às mudanças do setor em um contexto de transformações, caracterizadas por uma matriz cada vez mais renovável, distribuída e sensível à localização, mas também por desafios de flexibilidade. Segundo a EPE, ela representa a rede elétrica de forma detalhada, com análises mensais e horárias, consideração das restrições físicas e da resolução espacial dos empreendimentos e modelagem mais realista das incertezas dos recursos naturais. Dessa forma, a página de Estudos Integrados de Geração e Transmissão reúne todas as informações sobre o projeto: dados para download; um infográfico que resume os principais benefícios das ferramentas adotadas, a linha do tempo do projeto e suas próximas etapas; mapa interativo e documento técnico sobre o processo de construção da base integrada; relatório de validação; além de dashboard dinâmico de resultados. (EPE - 08.07.2026)
Falha da Axia causa apagão no Nordeste
Uma falha no sistema de transmissão da Axia Energia, antiga Eletrobras, provocou apagão em dezenas de municípios do Ceará e da Paraíba na noite de 7 de julho. Segundo o ONS, o evento começou às 18h54 com o desligamento da barra de 230 kV da Subestação Milagres, no Ceará, interrompendo 365 MW de carga. Do total, 173 MW estavam na área de concessão da Enel Ceará e 192 MW na Energisa Paraíba. O desligamento também levou à perda da Subestação Coremas, na Paraíba, e do Conjunto Fotovoltaico Rio Alto, devido à configuração radial da rede. A recomposição começou às 19h17 em Milagres e foi concluída às 19h45; em Coremas, iniciou às 19h28 e terminou às 19h57. A Enel informou que a interrupção atingiu clientes do Cariri e Centro-Sul cearense, enquanto a Energisa relatou impacto em 77 municípios do sertão paraibano. As causas seguem em apuração. (CNN Brasil – 09.07.2026)
Axia respondeu por 54% dos picos de demanda no jogo Brasil e Japão
As hidrelétricas da Axia Energia responderam por 54% da carga necessária para atender aos momentos de crescimento do consumo de energia elétrica no país durante e após o jogo da Seleção Brasileira contra o Japão, em 29 de junho. Durante o intervalo da partida, dos 2.659 MW necessários para o atendimento imediato da rampa de carga, as usinas da Axia contribuíram com 1.772 MW, 66,6% da demanda nacional naquele momento. Já nos 60 minutos após o jogo, quando o crescimento acelerado do consumo exigiu 12.784 MW adicionais, as hidrelétricas da companhia entregaram 5.404 MW, respondendo por 42,3% da carga requerida pelo sistema. Considerando os dois períodos de maior variação da demanda, as quatro usinas responderam, em média, por 54,45% da energia necessária para atender os picos de consumo nacional. Além disso, durante o intervalo da partida, a hidrelétrica Marimbondo, localizada entre SP e MG, ampliou sua geração em 1.073 MW e, após o jogo, a usina de Tucuruí (PA) respondeu por 1.537 MW da demanda adicional. (Brasil Energia - 02.07.2026)
Jogo do Brasil gera rampa de carga de 7 GW no SIN
A derrota do Brasil por 2 a 1 para a Noruega na Copa do Mundo, em 5 de julho, provocou forte variação de carga no Sistema Interligado Nacional, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico. Após o fim da partida, houve rampa de elevação de 7.012 MW em 30 minutos, volume equivalente à carga média conjunta dos estados do Rio de Janeiro e de Rondônia. O consumo retornou ao patamar esperado por volta de 20h30, enquanto a maior redução percentual frente à referência chegou a 16%. No início do jogo, a demanda já havia registrado queda acumulada de 3.475 MW, e, no intervalo, às 17h50, ocorreu elevação de 7.128 MW em 11 minutos, valor semelhante à carga média de Minas Gerais. A menor carga durante a partida foi de 66.307 MW, às 17h15. Após o segundo gol da Noruega, às 18h52, houve nova rampa de alta de 1.316 MW em dez minutos, equivalente à carga média do Amazonas. (Agência CanalEnergia - 06.07.2026)
Consumidores
Governo prepara abertura do mercado livre
O governo prepara decreto para regulamentar a abertura gradual do mercado livre de energia a consumidores de baixa tensão, permitindo que pequenos comércios, pequenas indústrias e residências escolham seus fornecedores de eletricidade. A minuta foi enviada pelo Ministério de Minas e Energia à Casa Civil e integra a reforma do setor elétrico aprovada no Congresso. Pelo texto, consumidores atendidos em tensão inferior a 2,3 kV poderão migrar a partir de 25 de novembro de 2027, enquanto residências e demais consumidores terão acesso à modalidade em 25 de novembro de 2028. Hoje, esse grupo permanece no mercado cativo das distribuidoras, com tarifas reguladas pela Aneel. O decreto também cria a figura do supridor de última instância, responsável por atender consumidores em situações excepcionais, como falência ou perda de habilitação do comercializador varejista. Até 2030, o serviço ficará com as distribuidoras. (O Globo – 08.07.2026)
Abertura do mercado preocupa agentes do setor elétrico
A abertura do mercado de energia para consumidores de baixa tensão, prevista para os próximos anos, preocupa agentes do setor elétrico diante do risco de aumento da judicialização e de pressão sobre as tarifas dos usuários que permanecerem no ambiente regulado. A possibilidade de consumidores residenciais e pequenos comércios contratarem energia diretamente de comercializadoras exigirá mecanismos de proteção mais robustos, sobretudo em casos de inadimplência, quebra de empresas ou descumprimento contratual. O setor também vê incertezas sobre a regulamentação do Supridor de Última Instância, que deverá assegurar atendimento caso uma comercializadora deixe de operar. Outro ponto sensível é a alocação dos custos dos contratos legados das distribuidoras, firmados para sustentar grandes projetos de geração e com prazos de décadas. A migração de consumidores pode tornar essa divisão mais complexa e elevar tarifas no mercado cativo. (Broadcast Energia - 06.07.2026)
PMEs impulsionam expansão do mercado livre de energia
Em estudo divulgado em fevereiro, a CCEE mostrou que os novos participantes são majoritariamente pequenas e médias empresas (PMEs) de SP e MG. Para o CEO da Lux Energia, Gustavo Sozzi, o tipo de PME que está migrando se destaca por serem empresas que possuem uma gestão financeira mais estruturada e um consumo de energia previsível. Por outro lado, ele aposta num modelo de negócios ainda mais ousado para as PMEs com perfil de migração: a busca por comercializadoras que atuem de forma próxima, oferecendo uma gestão “boutique", que inclui o controle integrado de energia, gás e água, permitindo às empresas capturarem melhores resultados financeiros. Sozzi argumenta que o parceiro estratégico ideal é aquele que conhece a fundo a operação do cliente e monitora os riscos de forma contínua, pois a principal ameaça para entrantes é a exposição a preços não planejados. Além disso, o especialista ressalta que as PMEs necessitam de clareza nas regras de transição, proteção contra falhas de fornecimento e padrões mínimos de transparência contratual que reduzam a assimetria de informações. (Brasil Energia - 30.06.2026)
CMO zerado pressiona preços futuros de energia na BBCE
A BBCE encerrou a última semana com queda nos preços dos contratos de energia para entrega futura, influenciada pela divulgação do Custo Marginal de Operação zerado para a semana operativa de 4 a 10 de julho nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Nordeste. As maiores retrações ocorreram nos contratos para agosto, com baixa de 15,22%, julho, com queda de 13,83%, terceiro trimestre de 2026, com redução de 12,43%, e setembro, com recuo de 10,46%. Segundo a plataforma, o CMO em R$ 0,00/MWh reflete condições hidrológicas favoráveis e reservatórios em níveis elevados, embora parte dos agentes já tivesse antecipado esse cenário. A exceção foi o Norte, onde o custo marginal permaneceu em R$ 289,25/MWh devido a restrições locais de atendimento. Em liquidez, os contratos de spread lideraram volume e número de operações em tela. (Agência CanalEnergia - 06.07.2026)
Liquidação semanal do MCP ainda deve levar ao menos dois anos
A adoção da liquidação semanal no Mercado de Curto Prazo ainda deve levar pelo menos dois anos, embora a CCEE deva apresentar até o fim de 2026 estudo sobre a redução do horizonte de liquidação. A medida atende a comando da Aneel para acelerar discussões relacionadas ao calendário da câmara, mas ainda não integra formalmente a agenda regulatória da agência. Segundo o superintendente Felipe Calabria, o encurtamento dos prazos faz sentido diante da abertura do mercado livre e da necessidade de maior segurança, liquidez e rapidez na identificação de riscos. A proposta em análise prevê manter a contabilização mensal, com liquidações financeiras semanais e ajustes ao fim do período, considerando aspectos tributários. Para agentes do setor, a mudança pode reduzir garantias exigidas, melhorar o crédito de contraparte e permitir novos produtos, mas exigirá adaptação operacional e regulatória. (Agência CanalEnergia - 07.07.2026)
Preços trimestrais de energia avançam mais de 12% no mercado livre
Os preços de referência da energia elétrica calculados pela consultoria Dcide registraram forte alta na última semana para contratos de curto prazo no mercado livre. O índice trimestral da energia convencional, referente ao fornecimento entre agosto e outubro de 2026, alcançou R$ 202,82/MWh, avanço de 12,44% frente à medição anterior, embora ainda acumule queda de 15,34% em um mês e de 19,19% em relação ao mesmo período de 2025. A energia incentivada subiu 10,04% na semana, para R$ 231,67/MWh, mantendo recuos de 14,01% no mês e de 17,87% em 12 meses. Já os indicadores de longo prazo apresentaram comportamento distinto, com retração semanal para contratos entre 2027 e 2030, refletindo expectativas mais moderadas para os preços futuros. Os índices são elaborados com base em consultas a agentes do mercado sob o conceito de marcação a mercado e consideram operações no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, principal centro de carga do Sistema Interligado Nacional. (Broadcast Energia - 09.07.2026)
Solar amplia risco no mercado livre
A expansão acelerada da geração solar no Brasil elevou o risco no mercado livre de energia e contribuiu para a crise financeira de comercializadoras, segundo Gustavo Ayala, CEO do Grupo Bolt. O executivo afirma que a fonte, incentivada nos últimos anos, chegou a adicionar mais de 1 GW de capacidade instalada por mês em determinados períodos e criou o chamado risco de modulação. Durante o dia, o excedente solar pode levar o ONS a determinar cortes de geração, ou curtailment; no fim da tarde, com a queda da produção e consumo ainda elevado, agentes precisam comprar energia para atender clientes, ficando expostos à volatilidade de preços. Ayala diz que as oscilações chegaram a 20 vezes o previsto em contratos e que algumas comercializadoras assumiram essa exposição sem proteção adequada. Para reduzir o problema, defende maior uso de baterias para armazenar excedentes e suprir a demanda noturna. (CNN Brasil – 07.07.2026)
CCEE amplia plataforma de capacitação para o setor elétrico
A CCEE lançou uma nova fase da CCEE Academy que inclui o novo do Portal do Aluno, reunindo diferentes formatos de aprendizagem em um único ambiente digital. A plataforma contará com conteúdo do básico ao avançado, trilhas de formação, masterclasses, transmissões ao vivo, benefícios e descontos educacionais e experiências imersivas voltadas à formação técnica dos profissionais do setor. A iniciativa também acompanha o avanço da abertura do mercado de energia e o aumento da demanda por qualificação técnica em um setor cada vez mais dinâmico e acessível a novos perfis de consumidores e empresas. O Portal do Aluno seguirá disponibilizando conteúdos gratuitos e eventos relacionados ao funcionamento do mercado. Além disso, a nova estrutura incorpora modalidades de acesso direcionadas à capacitação especializada, como a ampliação do portfólio de conteúdos via plano de assinatura, com trilhas exclusivas, e aulas preparatórias para a Certificação de Operadores do Mercado. (Brasil Energia - 01.07.2026)
Biblioteca Virtual
Artigo de Kleberson Luiz da Silva, Alexandre Uhlig e Fernando Pieroni: “Regulação moderna para lidar com a nova matriz elétrica”
Em artigo publicado no Valor Econômico, Kleberson Luiz da Silva (Copel), Alexandre Uhlig (Instituto Acende Brasil) e Fernado Pieroni (Instituto Acende Brasil) destacam que a expansão da energia solar e eólica transformou a matriz elétrica brasileira, mas trouxe desafios para o sistema. Segundo os autores, a principal dificuldade passou a ser lidar com a intermitência dessas fontes e manter o equilíbrio da rede elétrica. Em períodos de alta geração renovável, há excesso de energia, enquanto à noite cresce a necessidade de suprimento. Isso tem aumentado os cortes de geração ("curtailment") e os custos operacionais do sistema. Nesse cenário, os sistemas de armazenamento de energia tornam-se essenciais para garantir estabilidade e eficiência. O texto destaca que as usinas hidrelétricas reversíveis (UHR) são a principal tecnologia de armazenamento utilizada no mundo. Esses sistemas armazenam energia excedente para utilizá-la nos momentos de maior demanda. Além de aumentar a confiabilidade, contribuem para reduzir desperdícios e otimizar a operação da rede elétrica. No Brasil, porém, a regulamentação ainda não acompanha a evolução tecnológica do setor. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avançou na discussão sobre o tema, mas ainda existem incertezas regulatórias. O texto, a esse respeito, defende regras com neutralidade tecnológica, permitindo a competição entre diferentes soluções de armazenamento. A conclusão é que a transição energética depende tanto da expansão das renováveis quanto de um marco regulatório moderno e eficiente. (GESEL-IE-UFRJ – 06.07.2026)
Artigo de Adélio Júnior: “ESG de desempenho: por que a engenharia se tornou peça-chave para sustentabilidade real”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Adélio Júnior (analista de Negócios da Concert Technologies) defende que a agenda ESG evoluiu de um conjunto de compromissos institucionais para um modelo orientado por desempenho técnico, exigindo evidências concretas de sustentabilidade. O autor argumenta que, no setor elétrico, a engenharia ocupa posição estratégica ao reduzir perdas operacionais, prolongar a vida útil de ativos, minimizar desperdícios e ampliar a confiabilidade dos sistemas, produzindo benefícios ambientais mensuráveis. Destaca ainda que a transformação digital, com sistemas inteligentes e diagnósticos preventivos, permite evitar falhas, reduzir intervenções desnecessárias e diminuir a geração de resíduos. Também ressalta a importância de projetos de retrofit, da integração entre engenharia, operação e estratégia corporativa e da superação de barreiras culturais que ainda limitam a incorporação do ESG às decisões operacionais. Conclui que a credibilidade das empresas dependerá cada vez mais da capacidade de demonstrar resultados técnicos claros e mensuráveis, estruturando um ESG efetivo e baseado em evidências. (GESEL-IE-UFRJ – 06.07.2026)
Artigo de Richard Hochstetler e Joaci Lima: “Exportar para aproveitar melhor nossos recursos energéticos”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Richard Hochstetler (Diretor Regulatório do Instituto Acende Brasil) e Joaci Lima (Engenheiro Sênior do Instituto Acende Brasil) analisam a Consulta Pública nº 220/2026 do Ministério de Minas e Energia, que propõe aperfeiçoar o aproveitamento da Energia Vertida Turbinável por meio da exportação antecipada de excedentes hidrelétricos. Os autores explicam que a crescente participação de fontes renováveis variáveis, associada às limitações de transmissão e às características das usinas da região Norte, intensifica o desperdício de energia potencial. Argumentam que a complementaridade hidrológica entre Norte e Sul permite reduzir vertimentos, preservar a segurança do suprimento e compartilhar benefícios com os consumidores, desde que haja adequada alocação de riscos às usinas participantes. Também destacam aspectos positivos da governança proposta e sugerem aperfeiçoamentos relacionados às restrições de intercâmbio, ao tratamento da energia de Itaipu e à definição de preços mínimos para a exportação. Concluem defendendo a iniciativa como um avanço regulatório capaz de elevar a eficiência do sistema elétrico e favorecer maior integração energética regional. (GESEL-IE-UFRJ – 06.07.2026)
Artigo de Rubem Cesar: “Hidrogênio na Amazônia, entre o presente e o futuro”
Em artigo publicado pelo Brasil Energia, Rubem Cesar (Professor titular do curso de Engenharia de Petróleo e Gás da UFAM e Coordenador Geral do Núcleo de Inovação, Empreendedorismo e Liderança para a Transição Energética [NIELTE] da Faculdade de Tecnologia da UFAM) defende que o hidrogênio na Amazônia é uma oportunidade em construção. O autor argumenta que tal projeto integra hidroeletricidade, biomassa, energia solar, sistemas hidrocinéticos e soluções híbridas. Destaca também que a Amazônia possui características geográficas e energéticas favoráveis ao desenvolvimento de cadeias produtivas de hidrogênio de baixo carbono, com grande potencial de exportar para o mercado internacional. Entretanto, ressalta que o principal desafio é a infraestrutura e logística, além da integração energética, capacidade portuária e sustentabilidade ambiental, que ainda limitam esse mercado. Conclui que o hidrogênio na Amazônia não é uma promessa futura, pois sua viabilidade dependerá da capacidade de integrar desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e sustentabilidade ambiental. (GESEL-IE-UFRJ – 07.07.2026)
Artigo de Gustavo Ayala: “A arquitetura do mercado livre de energia: padronização dos contratos”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Gustavo Ayala (CEO do Grupo BOLT Energy) defende que a padronização dos contratos é um requisito indispensável para o amadurecimento do mercado livre de energia no Brasil. O autor argumenta que a necessidade de revisões jurídicas individualizadas gera custos, atrasos e perda de liquidez, inviabilizando operações que poderiam ser concluídas rapidamente. A partir de comparações com mercados consolidados, como a B3, o CBOT e referências internacionais de commodities, sustenta que contratos padronizados tornam-se praticamente invisíveis, permitindo que os agentes concentrem sua atenção apenas nos preços. O texto reconhece os avanços promovidos pela CCEE e pela BBCE, especialmente com a criação de contratos-padrão e assinaturas digitais, mas afirma que ainda falta conferir reconhecimento institucional mais amplo a esses instrumentos para eliminar definitivamente as fricções remanescentes. Conclui que o setor elétrico brasileiro já possui as bases necessárias para completar essa transformação, tornando a padronização contratual um elemento estrutural para ampliar a liquidez, fortalecer a segurança jurídica e favorecer a evolução do mercado. (GESEL-IE-UFRJ – 08.07.2026)
Artigo de Ren Ito “Soberania em IA é uma questão de opções”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Ren Ito (Cofundador e presidente do conselho de administração da Sakana AI) relaciona como o acesso a modelos de IA de ponta tornou-se questão geopolítica central, evidenciando a restrição temporária dos EUA a modelos avançados da Anthropic em junho de 2026, revertida em 30 de junho. Buscar "soberania em IA" via campeãs nacionais é considerado estratégia limitada diante do ritmo de avanço tecnológico; a vantagem competitiva real está na capacidade de avaliar, selecionar e orquestrar múltiplos modelos, reduzindo dependência de um único fornecedor. Ao fazer um paralelo direto com o setor elétrico, o autor comenta que assim como países diversificam fontes de energia e cadeias de semicondutores, também devem diversificar provedores de IA. A infraestrutura crítica da era da IA — incluindo redes elétricas, centros de dados, comunicações e portos — é apontada como o novo campo de disputa geopolítica, no qual confiabilidade e resiliência energética se tornam tão relevantes quanto o desempenho dos modelos. (GESEL-IE-UFRJ – 10.07.2026)
Artigo de Andre Clark e Ronaldo Carmona “É da natureza do futuro ser perigoso”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Andre Clark (Coordenador da Mobilização Empresarial pela Inovação [MEI] e CEO da Viveo) e Ronaldo Carmona (Professor da Escola Superior de Guerra e assessor de Inovação da Finep) relacionam o como a tecnologia avançada — IA, semicondutores, minerais críticos e energia — tornou-se infraestrutura estratégica passível de regulação como armamento, como mostrou a suspensão temporária de modelos avançados de IA a estrangeiros por diretiva de exportação dos EUA em junho de 2026. O Brasil detém reservas relevantes de minerais críticos, matriz energética majoritariamente renovável e mercado interno continental, mas precisa transformar essas dotações em capacidade industrial própria. Especificamente no setor elétrico, o texto defende que a vantagem renovável brasileira precisa se converter em capacidade industrial — fabricar internamente os equipamentos exigidos pela transição energética, em vez de importar o hardware do próprio futuro limpo. (GESEL-IE-UFRJ – 10.07.2026)