IECC 377
Marco Institucional
GESEL: Usinas reversíveis ganham força como solução de armazenamento
As usinas hidrelétricas reversíveis estão ganhando espaço no debate sobre flexibilidade e armazenamento de energia diante da crescente participação das fontes eólica e solar na matriz elétrica brasileira. Especialistas apontam que a tecnologia oferece maior escala de armazenamento e custos potencialmente inferiores aos das baterias, além de aproveitar a experiência acumulada do país na operação de hidrelétricas. Segundo estudos do GESEL/UFRJ, existe potencial para aproximadamente 5 mil empreendimentos desse tipo no entorno de usinas já instaladas. O Conselho Nacional de Política Energética aprovou diretrizes para contratação dessas usinas e a expectativa é que o primeiro leilão específico ocorra em 2027, com contratos de longo prazo. A tecnologia é vista como alternativa estratégica para fornecer flexibilidade ao sistema, armazenando energia nos períodos de maior geração renovável e devolvendo-a à rede nos momentos de maior demanda, contribuindo para a segurança energética e para a transição para uma matriz cada vez mais limpa. Acesse a matéria na íntegra aqui. (Agência CanalEnergia - 18.06.2026)
Governo estuda flexibilizar contratação de energia pelas distribuidoras
O Ministério de Minas e Energia avalia mudanças nas regras de contratação de energia pelas distribuidoras diante das transformações ocorridas no mercado elétrico nos últimos anos. Segundo o secretário-executivo da pasta, Gustavo Ataíde, o governo pretende discutir alterações no Decreto 5.163/2004, que atualmente exige das distribuidoras contratação equivalente a 100% da demanda projetada, com margem de até 5%. A abertura do mercado livre e a expansão da geração distribuída provocaram migração de consumidores e redução do consumo das concessionárias, resultando em sobrecontratação e perdas financeiras. Entre as alternativas em estudo estão a redução dos limites obrigatórios de contratação, novos mecanismos para comercialização de sobras de energia e ajustes nas regras dos leilões regulados. O tema é considerado estratégico para o equilíbrio econômico das distribuidoras e para a adaptação do modelo regulatório à nova dinâmica do setor elétrico brasileiro. (Valor Econômico - 17.06.2026)
Vetos de Lula às eólicas offshore entram na pauta do Congresso
O Congresso Nacional deve analisar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a dispositivos incluídos no projeto relacionado à regulamentação das eólicas offshore. O debate envolve trechos considerados controversos pelo governo e por agentes do setor elétrico, que avaliam potenciais impactos sobre tarifas, investimentos e políticas energéticas. A discussão ganhou relevância devido à importância estratégica da energia eólica marítima para a expansão futura da matriz elétrica brasileira. Especialistas observam que a definição sobre os vetos poderá influenciar a atratividade de investimentos e o desenho regulatório do segmento. O tema permanece no centro das atenções do mercado energético em razão de seus possíveis reflexos para consumidores, empresas e planejamento de longo prazo do setor. (O Globo - 18.06.2026)
Alcolumbre adia análise de vetos e promete sessão antes do recesso
O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, cancelou a sessão conjunta que analisaria 65 vetos presidenciais e cinco projetos de lei, alegando falta de consenso entre lideranças e baixo quórum parlamentar. Entre os temas pendentes estão dispositivos da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, da reforma tributária e vetos relacionados a infraestrutura, energia, incentivos fiscais, segurança pública e emendas parlamentares. Segundo o senador, apesar de esforços para reduzir o número de itens em pauta, não houve avanço suficiente nas negociações para viabilizar a deliberação. Alcolumbre informou que pretende convocar nova sessão dentro de 10 a 15 dias, antes do recesso legislativo, mesmo sem acordo prévio entre governo e oposição. A estratégia prevê dividir os vetos em diferentes sessões para facilitar a apreciação dos temas considerados prioritários e reduzir o acúmulo de matérias pendentes no Congresso Nacional. (Broadcast Energia - 18.06.2026)
Senado aprova projeto que protege orçamento das agências reguladoras
O Senado aprovou projeto de lei complementar que impede o contingenciamento de despesas das agências reguladoras federais, incluindo órgãos como Aneel, Anatel e demais entidades abrangidas pela Lei 13.848. A proposta altera a Lei de Responsabilidade Fiscal para incluir essas despesas entre aquelas que não poderão sofrer limitação de empenho ou movimentação financeira por parte do governo. O texto ampliou o alcance da proteção originalmente prevista e passou a abranger todas as atividades das agências, independentemente da origem dos recursos utilizados. Defensores da medida argumentam que a estabilidade orçamentária é fundamental para garantir autonomia técnica, fiscalização eficiente, segurança regulatória e continuidade de serviços essenciais. Por outro lado, críticos apontam que a criação de nova exceção à LRF reduz a flexibilidade do Executivo na gestão fiscal e pode limitar instrumentos de ajuste em cenários de frustração de receitas. A matéria segue agora para análise da Câmara dos Deputados. (Valor Econômico - 17.06.2026)
MME cria comissão permanente para monitorar mercado de energia
O Ministério de Minas e Energia instituiu a Comissão Permanente de Análise e Acompanhamento do Mercado de Energia Elétrica (Copam), iniciativa voltada ao aprimoramento da qualidade das informações utilizadas no planejamento energético nacional. A nova estrutura terá coordenação executiva da Empresa de Pesquisa Energética e atuará na coleta, tratamento e análise de dados fornecidos por distribuidoras, comercializadoras, autoprodutores e demais agentes do setor. Entre as informações exigidas estão dados históricos de consumo, projeções futuras e registros relacionados à micro e minigeração distribuída. A medida resulta de consulta pública realizada entre janeiro e fevereiro e integra a Estratégia Nacional de Dados Energéticos, desenvolvida pelo MME em parceria com instituições setoriais e apoio da Agência Internacional de Energia. O objetivo é aumentar a precisão dos estudos de expansão e fortalecer a formulação de políticas públicas para o setor elétrico. (Agência Eixos - 17.06.2026)
MME defende manutenção dos parâmetros de CVaR
O secretário executivo do MME, Gustavo Ataíde, defendeu a decisão unânime do CMSE de manter os parâmetros de risco do CVaR, afirmando que a medida é coerente com as condições atuais do sistema elétrico e com a percepção de risco do colegiado. Durante o Enase 2026, ele destacou que o setor ainda enfrenta desafios no atendimento aos critérios de potência, embora contratações recentes tenham ampliado a segurança. A possível ocorrência de El Niño também foi citada como fator que reforça a necessidade de parâmetros prudentes. O CMSE deliberou pela realização de novos estudos para aprimorar modelos computacionais, com integração entre ONS, EPE, CCEE e agentes de mercado. Ataíde defendeu transparência, participação social e governança previsível na implementação das novas ferramentas. (Agência CanalEnergia - 17.06.2026)
Audiência pública discutirá regras para punição de preços abusivos
Uma nova audiência pública foi marcada para discutir a regulamentação relacionada à aplicação de multas por práticas consideradas abusivas na formação de preços de combustíveis e outros produtos energéticos. O debate ocorre após disputas judiciais envolvendo o tema e busca aprimorar os critérios regulatórios para fiscalização e aplicação de sanções. Representantes do setor, especialistas e autoridades deverão analisar os impactos econômicos e jurídicos das medidas propostas, além de discutir mecanismos que conciliem proteção aos consumidores e segurança regulatória para as empresas. O assunto tem despertado atenção devido aos potenciais efeitos sobre a dinâmica concorrencial dos mercados energéticos e sobre a previsibilidade das regras aplicadas aos agentes econômicos. (Petronotícias - 17.06.2026)
Projeto destina R$ 24 mi para despesas de agências reguladoras
Projeto encaminhado pelo governo federal prevê a destinação de R$ 24 milhões para despesas administrativas de agências reguladoras. A proposta busca reforçar a capacidade operacional desses órgãos, responsáveis por supervisionar setores estratégicos como energia, telecomunicações, transportes e saneamento. O tema ganhou destaque em debates no Congresso Nacional devido à importância das agências para garantir segurança jurídica, fiscalização adequada e estabilidade regulatória. Especialistas ressaltam que a disponibilidade de recursos é fundamental para manter a qualidade técnica das atividades desempenhadas por essas instituições. A medida será analisada pelos parlamentares no âmbito da tramitação orçamentária e integra os esforços de fortalecimento da estrutura regulatória federal. (Agência Câmara - 17.06.2026)
Setor renovável tenta derrubar base técnica de multas do apagão de agosto de 2023
A Abeeólica e a Absolar recorreram da decisão da Superintendência de Fiscalização Técnica dos Serviços de Energia Elétrica (SFT) da Aneel, que rejeitou pedidos relacionados ao relatório de análise de perturbação (RAP) elaborado pelo ONS após o apagão de 15 de agosto de 2023. No recurso, protocolado em 10 de junho, as entidades pedem que a Aneel promova uma nova avaliação técnica ou revise o RAP. Caso sejam confirmadas insuficiências ou inconsistências no RAP, defendem o arquivamento dos autos de infração e das multas aplicadas a geradores eólicos e solares. Além das questões técnicas, o recurso também sustenta que o caso deveria ser apreciado pela diretoria colegiada da Aneel, e não decidido pela SFT. Caso o recurso seja acolhido, o processo poderá ser analisado por um diretor-relator da agência. O apagão teve origem no desligamento de uma linha de transmissão, no Ceará, interrompendo 23,4 GW de carga no SIN. No RAP de outubro de 2023, o ONS concluiu que os controles de usinas eólicas e fotovoltaicas ficaram aquém do previsto pelos modelos, culminando em autos de infração contra empreendimentos renováveis. (Brasil Energia - 12.06.2026)
STJ inicia julgamento sobre tributação de transmissoras no Lucro Presumido
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) iniciou o julgamento de um tema com potencial impacto relevante para o setor de transmissão de energia elétrica: a definição dos percentuais aplicáveis ao cálculo do IRPJ e da CSLL para concessionárias enquadradas no regime de Lucro Presumido. A controvérsia envolve a possibilidade de utilização dos coeficientes reduzidos de 8% para IRPJ e 12% para CSLL sobre toda a receita das transmissoras, como defendem as empresas, ou a aplicação de percentual de 32% sobre receitas relacionadas à construção, ampliação, recuperação e modernização da infraestrutura, conforme sustenta a União. O processo foi suspenso após pedido de vista do ministro Paulo Sérgio. Especialistas destacam que a decisão poderá influenciar não apenas o setor elétrico, mas também outras concessões de infraestrutura. Entre os casos analisados estão processos envolvendo transmissoras controladas pela Taesa e pelo fundo Apollo Energia. Dependendo do resultado, empresas poderão enfrentar revisões tributárias e eventuais passivos fiscais ou, em sentido oposto, obter maior segurança jurídica e redução da carga tributária sobre suas operações. (Broadcast Energia - 12.06.2026)
Alta da energia elétrica impulsiona IPCA de 0,58% em maio
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,58% em maio, resultado inferior aos 0,67% observados em abril, mas superior ao índice de 0,26% apurado no mesmo mês de 2025. Com isso, a inflação acumulada alcançou 3,20% no ano e 4,72% em 12 meses. Segundo o IBGE, o grupo Habitação avançou 1,22% e respondeu por 0,18 ponto percentual do resultado mensal, impulsionado principalmente pela energia elétrica residencial, que subiu 3,67% e exerceu o maior impacto individual sobre o índice, com contribuição de 0,15 ponto percentual. O movimento refletiu a incorporação de reajustes tarifários em diversas capitais, incluindo Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte. Regionalmente, Aracaju e Campo Grande registraram as maiores variações do IPCA, ambas de 1,31%, influenciadas pela elevação das tarifas de energia e dos preços do tomate. Já Curitiba apresentou a menor inflação do período, de 0,29%, favorecida pela queda nos custos de emplacamento, licenciamento e gasolina. (Agência CanalEnergia - 12.06.2026)
Regulação
Aneel projeta alta média de 8,6% nas tarifas de energia em 2026
A Agência Nacional de Energia Elétrica elevou para 8,6% a estimativa de efeito médio tarifário no país em 2026, conforme a segunda edição do boletim InfoTarifas. A projeção supera as expectativas de inflação para o período, com IGP-M estimado em 5,8% e IPCA previsto em 4,9%. O cálculo considera o uso de parte dos recursos do Uso do Bem Público para modicidade tarifária nas áreas atendidas pela Sudam e pela Sudene, o que permitirá descontos nas faturas de consumidores cativos de 22 distribuidoras. A medida decorre da repactuação de obrigações de pagamento de centrais geradoras relativas ao UBP, com repasses previstos nas Leis 15.235/25 e 15.269/25. Além das projeções de tarifas, o boletim apresenta histórico da tarifa média residencial, dados do subsidiômetro, informações sobre bandeiras tarifárias recentes e os principais fatores que influenciaram o cenário no trimestre. Criado em abril de 2025, o InfoTarifas tem publicação trimestral e busca ampliar a transparência sobre reajustes, encargos setoriais e processos em análise na agência. (Agência CanalEnergia - 15.06.2026)
Aneel divulga boletim InfoTarifas
A segunda edição do boletim InfoTarifas 2026 foi publicada em 12 de junho, com efeito médio tarifário Brasil em 8,6% para este ano. O valor atualizado ficou acima dos índices de inflação projetados do IGP-M (5,8%) e do IPCA (4,9%). Apesar da previsão de elevação tarifária, os recursos de Uso do Bem Público (UBP) serão utilizados para modicidade tarifária de regiões abrangidas pela Sudam/Sudene. Os consumidores cativos de 22 distribuidoras terão descontos nas suas faturas devido à destinação de recursos a serem recebidos pela repactuação da obrigação de pagamentos de centrais geradoras a título de UBP, conforme Leis 15.235/25 e 15.269/25. Esta edição apresenta o histórico da tarifa média residencial, dados do subsidiômetro, informes sobre as bandeiras tarifárias dos últimos meses e os principais fatos tarifários dos últimos três meses. Em abril de 2025, a Aneel lançou o InfoTarifa, que mostra estimativa de variação tarifária anual. Com publicação trimestral, o boletim detalha a evolução histórica e os principais impactos em cada componente das tarifas. Acesse o estudo aqui. (Aneel - 12.06.2026)
Aneel define distribuição da tarifa bônus de Itaipu para agosto
A Aneel aprovou, em 16 de junho, a atualização do Submódulo 6.2 dos Procedimentos de Regulação Tarifária (PRORET) para aprimorar procedimentos relativos à Tarifa Bônus de Itaipu. Com a decisão, houve a definição que a distribuição do bônus passa a ser no mês de agosto ao invés de julho. Os aperfeiçoamentos são resultado da Consulta Pública 03/2026, em que a Aneel analisou as sugestões de 19 agentes. O regulamento disciplinou os procedimentos de homologação da Reserva Técnica Financeira da Conta de Itaipu pela Aneel, que impactam diretamente nos prazos para instrução processual do Bônus de Itaipu, incluídos os procedimentos para definição da Tarifa Bônus e dos valores a serem repassados pela Empresa Brasileira de Participações da Energia Nuclear e Binacional (ENBPar ) – responsável pelos repasses às distribuidoras do SIN. As mudanças não alteraram a metodologia central da Tarifa Bônus de Itaipu nem dos valores de repasse. Trata-se de um conjunto de medidas voltadas à simplificação, padronização e maior aderência operacional, relevante para a eficiência e transparência do processo. (Aneel - 16.06.2026)
Aneel adia votação sobre novos critérios para cortes de geração
A Aneel retirou da pauta a proposta de aprimoramento dos critérios para redução ou limitação de geração no Sistema Interligado Nacional, tema central para a regulação do curtailment. A minuta prevê ordenamento dos cortes por razão energética, motivados por excesso de geração, com base no maior ou menor benefício econômico ao consumidor por meio da redução de Encargos de Serviços do Sistema. A proposta contempla rateio dos montantes reduzidos entre todos os submercados, revisão das etapas de programação, pós-processamento do Dessem e operação em tempo real, além de regras para indisponibilidades externas e requisitos de confiabilidade elétrica. O texto estabelece blocos de prioridade que incluem térmicas, hidrelétricas, importação, eólicas e fotovoltaicas, conforme impacto nos encargos e viabilidade técnica. O ONS e a CCEE teriam 90 dias após a publicação da resolução para propor procedimentos operacionais, com incorporação em até 180 dias após aprovação das regras. A norma também prevê período transitório e reavaliação após cinco anos. (Agência CanalEnergia - 15.06.2026)
Aneel reconhece aprovação de proposta de maior autonomia para agências reguladoras
A Aneel registra seu reconhecimento à aprovação, pelo Senado Federal, do Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 73, de 2025, que estabelece a vedação ao contingenciamento de despesas das agências reguladoras federais. A matéria, de autoria do senador Laércio Oliveira e relatada pelo senador Marcos Rogério, foi aprovada após tramitação célere na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), com deliberação simbólica e concessão de urgência, sendo posteriormente aprovada pelo Plenário da Casa. A Aneel destaca que a estabilidade na execução orçamentária é elemento fundamental para assegurar a atuação eficiente na regulação e fiscalização do setor elétrico, especialmente em contextos desafiadores. Em 2025, restrições orçamentárias evidenciaram a necessidade de aperfeiçoamento do modelo atual, com impactos diretos sobre atividades estratégicas para a sociedade. A Aneel manifesta confiança na continuidade da tramitação da matéria na Câmara dos Deputados e na consolidação desse importante aperfeiçoamento institucional, em benefício dos consumidores e do desenvolvimento do País. (Aneel - 17.06.2026)
Diretora da Aneel defende proteção orçamentária das agências reguladoras no Senado
A diretora da Aneel, Agnes da Costa, participou, em 16 de junho, de sessão da Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado Federal para debater os efeitos do bloqueio de verbas federais sobre o funcionamento das agências reguladoras. A discussão teve como foco o Projeto de Lei Complementar (PLP) 73/2025, que propõe a exclusão das despesas dessas autarquias da limitação de empenho e movimentação financeira prevista no art. 9º da Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal). Isso significa que as despesas dessas agências, quando custeadas com receitas próprias, taxas de fiscalização ou fundos específicos, não deveriam ser sujeitas a cortes ou bloqueios orçamentários. No debate, Agnes da Costa destacou que o contingenciamento recorrente de recursos compromete a capacidade técnica e operacional das agências reguladoras. Representantes de outras agências e do TCU também participaram. A votação, simbólica, aprovou o relatório que passa a constituir parecer favorável ao PLP na comissão. Foi aprovado também requerimento de urgência e o PLP segue direto para apreciação no plenário do Senado. (Aneel - 16.06.2026)
Empresas
Axia aprova resgate de R$ 30 mi em ações preferenciais classe C
O conselho da Axia Energia aprovou o resgate de 576.923 ações preferenciais classe C, equivalentes a 0,09% do total desses papéis, em uma operação de R$ 30 milhões. O valor definido para o resgate foi de R$ 52 por ação, correspondente ao preço de fechamento registrado na sexta-feira anterior. A data de corte será 18 de junho, e os papéis passarão a ser negociados ex-direitos no dia seguinte. A companhia informou que, por se tratar de uma transação inédita, optou por realizar um volume reduzido de resgates, com o objetivo de avaliar os impactos operacionais e financeiros da medida. As ações preferenciais classe C foram criadas no processo de conversão dos papéis da antiga Eletrobras para viabilizar sua migração ao Novo Mercado da B3. Ao fim do processo, a Axia pretende manter exclusivamente ações ordinárias em circulação. A empresa havia alocado R$ 30 bilhões para a conversão desses papéis, como parte da reorganização de sua estrutura acionária após a transformação societária. (Valor Econômico - 15.06.2026)
Cemig GT conclui emissão de R$ 2 bi em debêntures
A Cemig informou que sua subsidiária de geração e transmissão concluiu a liquidação financeira da 12ª emissão de debêntures, operação que movimentou R$ 2 bilhões e resultou na emissão de 2 milhões de títulos simples, não conversíveis em ações, distribuídos em série única por meio de oferta pública com registro automático na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os papéis possuem remuneração equivalente ao CDI acrescido de 0,7% ao ano e prazo total de 1.826 dias, com amortizações programadas para o 48º e o 60º meses. Segundo a companhia, os recursos captados serão destinados ao reforço da estrutura de caixa da Cemig GT, ao suporte das operações da subsidiária e ao reembolso de investimentos já realizados. A emissão recebeu classificação de risco “AAA(bra)” da Fitch Ratings, a nota mais elevada da escala nacional da agência, reforçando a percepção de solidez financeira da empresa. A Cemig ressaltou que o comunicado tem caráter exclusivamente informativo e não configura oferta pública para aquisição dos títulos emitidos. (Agência CanalEnergia - 12.06.2026)
Conselho da Cemig nomeia três novos vice-presidentes
A Cemig informou que o seu Conselho de Administração da Companhia deliberou, em 11 de junho, sobre a nomeação de novos vice-presidentes da companhia. Com as nomeações, a concessionária deu sequência com a renovação do seu comando, que incluiu a posse de Alexandre Ramos Peixoto na presidência no início de maio. Para o cargo de vice-presidente de Finanças e de Relações com Investidores, foi nomeado Leonardo George Magalhães, que já havia exercido a mesma função na companhia entre 2020 e 2024. Magalhães também presidiu a Forluz entre 2024 e 2026. O conselho também escolheu Demétrio Alexandre Ferreira para o posto de vice-presidente de Geração e Transmissão. Ferreira conta com 38 anos de experiência no setor elétrico, dos quais 31 anos foram dedicados à operação e manutenção de ativos de geração renovável. Ernando Antunes Braga foi nomeado para o cargo de vice-presidente de Distribuição. Braga conta com uma trajetória de 37 anos no setor elétrico, tendo atuado na Cemig principalmente como superintendente na área de Distribuição. (Brasil Energia - 12.06.2026)
Leilões
Aneel revisa receita fixa do leilão de reserva para R$ 5,86 bi
A área técnica da Aneel revisou para R$ 5,86 bilhões a estimativa anual de receita fixa dos Contratos de Potência de Reserva de Capacidade referentes ao período entre maio de 2026 e abril de 2027. O valor representa aumento de 65% em relação à projeção divulgada em abril, após a incorporação dos custos associados ao leilão realizado em março. No certame foram contratados 18,97 GW provenientes de hidrelétricas e termelétricas a gás natural e carvão, além de 501,321 MW de empreendimentos movidos a óleo diesel, óleo combustível e biodiesel. A atualização ocorre em paralelo ao acompanhamento do Tribunal de Contas da União, que autorizou o prosseguimento do processo, mantendo a fiscalização sobre as etapas seguintes de efetivação dos contratos. O tema é relevante para a expansão da segurança energética e para a remuneração dos empreendimentos selecionados no mecanismo de reserva de capacidade. (Broadcast Energia - 18.06.2026)
TCU libera LRCAP, mas mantém apuração técnica
O Tribunal de Contas da União decidiu comunicar ao Ministério de Minas e Energia a possibilidade de prosseguimento do Leilão de Reserva de Capacidade de 2026, mas manterá acompanhamento específico sobre a modelagem e os parâmetros técnicos e econômicos do certame. A AudElétrica deverá examinar a consistência dos custos, a regularidade da habilitação e homologação pela Aneel, além de eventuais riscos concorrenciais ligados às chamadas “geradoras de papel”. A análise incluirá o aumento de 122% no Capex usado no recálculo dos preços-teto, parâmetros de O\\&M, CVUs cerca de 40% superiores ao PDE 2035 e potencial sobrepreço estimado em R$ 214 bilhões. O relator Jorge Oliveira rejeitou, por ora, envio dos autos ao Cade e à Polícia Federal, por entender que ainda não há provas conclusivas de irregularidades. (Agência CanalEnergia - 17.06.2026)
ONS avalia que leilão de reserva não resolveu déficit de potência
O Operador Nacional do Sistema Elétrico considera que o leilão de reserva de capacidade realizado em março trouxe resultados positivos, mas ainda insuficientes para atender plenamente às necessidades de potência do sistema elétrico. Durante o Enase 2026, o diretor de Planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, destacou que os cerca de 19 GW contratados não solucionam integralmente os desafios de estabilidade, especialmente nos horários de forte redução da geração solar. O executivo ressaltou que a chamada “curva do pato”, caracterizada pelo excesso de geração durante o dia e aumento abrupto da demanda por potência ao entardecer, tornou-se mais intensa com a expansão das renováveis. Segundo ele, recursos adicionais serão necessários para garantir segurança operativa, incluindo o leilão de baterias previsto para dezembro. O ONS defende a combinação de diferentes tecnologias para assegurar flexibilidade e equilíbrio entre oferta e demanda no sistema elétrico nacional. (Valor Econômico - 17.06.2026)
LRCAP Armazenamento 2026: EPE orienta cadastramento dos projetos
O MME publicou a Portaria Normativa nº 136/GM/MME, de 1º de junho, com as Diretrizes dos Leilões de Reserva de Capacidade Armazenamento Nacional de 2026 e Reserva de Capacidade Armazenamento de 2026. Poderão participar dos certames Sistemas Armazenamento de Energia (SAEs) em baterias com equipamentos nacionais ou importados para início de operação em 1º de agosto de 2028. Os empreendedores interessados deverão cadastrar os projetos junto à EPE, por meio do Sistema de Acompanhamento de Empreendimentos Geradores de Energia (Sistema AEGE), e enviar os documentos necessários para habilitação na EPE até às 12h do dia 31 de julho de 2026. O envio da documentação deverá ser realizado conforme orientações indicadas no FAQs – Leilões de Armazenamento. Devem ser observadas as Instruções para Solicitação de Cadastramento e Habilitação Técnica de Sistemas de Armazenamento (n. EPE-DEE-RE-079/2024-R1), disponíveis aqui. Todos os documentos relacionados aos LRCAPs Armazenamento de 2026 estarão disponíveis aqui. Endereço para dúvidas: aege@epe.gov.br. (EPE - 15.06.2026)
Aneel projeta mais de R$ 40 bi em leilões de transmissão até 2027
A Aneel estima que sua agenda de leilões até o fim de 2027 mobilizará mais de R$ 40 bilhões em investimentos em transmissão de energia. O cronograma prevê até dez certames, incluindo cinco voltados ao segmento de transmissão nos próximos 18 meses. Entre os destaques estão o leilão de julho de 2026, com R$ 1,8 bilhão em investimentos, e o certame de outubro do mesmo ano, que deverá somar R$ 11,3 bilhões. Para 2027, está prevista uma disputa com aportes estimados em R$ 8,8 bilhões, além de um novo sistema HVDC que poderá exigir mais de R$ 27 bilhões. A agência também confirmou a realização do primeiro leilão de armazenamento por baterias em dezembro de 2026, com contratos de 15 anos e sistemas de capacidade mínima de 30 MW. O edital será submetido a consulta pública e poderá incluir incentivos locacionais para reduzir restrições operativas e cortes de geração renovável. (Agência CanalEnergia - 16.06.2026)
Aneel avalia mudanças em leilão para reduzir risco de comercializadoras
A Aneel estuda aprimorar as regras do leilão de energia existente para mitigar riscos associados a comercializadoras e geradores que têm apresentado dificuldades no cumprimento de contratos. A preocupação decorre da participação crescente desses agentes nos certames A-1, A-2 e A-3, nos quais distribuidoras contratam energia para atendimento de mercado regulado. Segundo o presidente da Comissão Especial de Leilões da Aneel, Ivo Secchi Nazareno, a agência deverá abrir consulta pública para discutir exigências voltadas à qualidade do produto contratado, com aplicação já no leilão previsto para meados de novembro. A medida busca evitar exposição involuntária das distribuidoras quando vendedores não entregam a energia contratada. Dados citados mostram participação expressiva de comercializadoras em leilões recentes, incluindo 238 MW médios no A-2 e 75 MW médios no A-1, além de 300 MW médios em contratos no A-2 de 2024 e maioria dos 1.621 MW médios negociados no A-1 daquele ano. (Agência CanalEnergia - 15.06.2026)
BNDES prevê até R$ 34 bi para leilão de baterias
O BNDES anunciou que poderá disponibilizar até R$ 34 bilhões para financiar projetos de armazenamento em baterias contratados no Leilão de Reserva de Capacidade em Baterias de 2026\. O orçamento disponível é de R$ 27 bilhões, com possibilidade de chegar a R$ 34 bilhões mediante autorizações futuras. O Fundo Clima será o principal instrumento de crédito para empreendimentos com conteúdo local, com custo financeiro de 6,5% ao ano. Para acessar os recursos, os projetos deverão cumprir critérios de conteúdo nacional e credenciamento de componentes estratégicos. Segundo agentes do setor, a nacionalização pode elevar o Capex entre 25% e 40% ante alternativas importadas, mas o financiamento do banco tende a compensar parte do sobrecusto e tornar competitivos os projetos enquadrados nas exigências do certame. (Agência CanalEnergia - 17.06.2026)
Primeiro leilão de hidrogênio deve ocorrer em 2027
O primeiro leilão brasileiro destinado à concessão de incentivos para projetos de hidrogênio de baixo carbono deverá ocorrer em 2027, segundo cronograma apresentado pelo Ministério da Fazenda. A previsão atual indica consulta pública sobre as regras do certame até novembro de 2026 e publicação do edital em janeiro de 2027, adiando expectativas anteriores que apontavam para realização ainda este ano. O processo está ligado à operacionalização do Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixo Carbono, que prevê R$ 18,3 bilhões em incentivos. O governo também informou que o decreto regulamentador do marco legal do hidrogênio deverá ser publicado em breve. Representantes da indústria alertam que a demora regulatória pode comprometer investimentos estimados em R$ 188,7 bilhões e reduzir a competitividade do país em uma disputa global cada vez mais intensa por projetos ligados à produção de hidrogênio renovável e de baixa emissão. (Agência Eixos - 17.06.2026)
Oferta e Demanda de Energia Elétrica
EPE: Consumo de energia elétrica recua 0,3% no 1º tri de 2026
A EPE publicou a 25ª edição do Boletim Trimestral do Consumo de Eletricidade, com dados referentes ao primeiro tri de 2026. O consumo nacional de energia elétrica apresentou redução de 0,3% em relação ao mesmo período de 2025. A classe industrial registrou retração de 1,4%, acumulando o terceiro tri consecutivo de queda. Em sentido oposto, o consumo residencial cresceu 1,3%. Já a classe comercial avançou 0,7%, revertendo a retração nos três tri anteriores. O desempenho ocorreu em um contexto de crescimento de 1,8% do PIB brasileiro na comparação com o primeiro tri de 2025. Sob a ótica da oferta, destacaram-se os setores de serviços (+2,1%), indústria (+1,6%) e agropecuária (+0,7%). Pelo lado da demanda, as exportações apresentaram o maior crescimento (+7,4%), acompanhadas pelo aumento do consumo do governo (+2,8%) e das famílias (+1,7%). Por outro lado, a formação bruta de capital fixo registrou retração de 1,4% no período. Além disso, o mercado livre de energia elétrica (ACL) registrou crescimento de 2,8% no consumo, alcançando participação de 44,1% no consumo nacional, enquanto o mercado regulado (ACR) apresentou retração de 2,6% em relação ao mesmo tri do ano anterior. (EPE - 18.06.2026)
ONS: SIN operou com segurança na estreia do Brasil na Copa
O ONS monitorou em tempo real as variações no consumo de energia em todo o país no primeiro jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo contra o Marrocos em 13 de junho. O Operador afirmou que garantiu uma operação segura do setor elétrico durante a estreia brasileira. No primeiro tempo houve uma redução de 5.500 MW na demanda do SIN. No intervalo da partida, às 19h55, a demanda cresceu cerca de 2.800 MW em 8 minutos, comportamento típico dos grandes eventos esportivos. Esse montante equivale à demanda média do estado de Goiás. Com o fim do jogo, às 21h05, um novo aumento de 4.300 MW em 20 minutos foi registrado, acompanhando a volta gradual das atividades da população. Esse montante equivale à demanda média do estado do Rio Grande do Sul. Por volta das 21h40, a carga retornou ao comportamento típico observado para um sábado. Segundo o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, o Operador está preparado para os próximos desafios da seleção, como a final no dia 19 de julho. (Brasil Energia - 15.06.2026)
ONS mantém previsão de crescimento de 0,9% da carga do SIN em junho
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) manteve a estimativa de crescimento de 0,9% da carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) em junho, conforme dados do Programa Mensal de Operação para a semana de 13 a 19 de junho. O desempenho regional permanece desigual, com retração de 2,1% no consumo do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, único a apresentar queda, enquanto o Norte lidera a expansão, com avanço de 4,6%, seguido pelo Nordeste, com 3,9%, e pelo Sul, com alta de 0,2%. Os reservatórios devem encerrar o mês em situação confortável, com armazenamento superior a 60% em todos os subsistemas, alcançando 99,5% no Norte, 90% no Nordeste, 69,1% no Sul e 65,3% no Sudeste/Centro-Oeste. As projeções de Energia Natural Afluente variam de 54% a 94% da Média de Longo Termo entre as regiões. O despacho térmico semanal previsto é de 7.570 MW médios, dos quais 4.586 MW médios por inflexibilidade e 2.984 MW médios por ordem de mérito. O custo esperado da operação na semana é de R$ 243,5 milhões, com CMO de R$ 197,50/MWh na maior parte do país e de R$ 289,25/MWh no Norte. (Agência CanalEnergia - 12.06.2026)
ONS avalia cortes automáticos de geração para reforçar segurança do sistema
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) iniciou estudos para implementar esquemas automáticos de corte seletivo de geração em usinas, especialmente renováveis, como mecanismo adicional de proteção da rede elétrica. A proposta surge diante do crescimento da geração solar e eólica, que tem ampliado episódios de excesso de oferta em determinados horários, exigindo intervenções para preservar a estabilidade do sistema. O modelo funcionaria de forma semelhante aos esquemas de alívio de carga utilizados pelo lado do consumo, atuando preventivamente para evitar perturbações e apagões. A medida busca responder aos desafios operacionais decorrentes da transformação da matriz elétrica brasileira, marcada pela expansão acelerada das fontes renováveis e pela necessidade de manter o equilíbrio instantâneo entre geração e demanda, requisito fundamental para a operação segura do Sistema Interligado Nacional. (Valor Econômico - 17.06.2026)
ONS restringe geração renovável em todos os submercados
O Operador Nacional do Sistema Elétrico determinou restrições à geração de energia renovável nos quatro submercados do Sistema Interligado Nacional em 17 de junho. O Nordeste registrou o maior corte, com limitação máxima de 664 MW entre 10h54 e 13h59, motivada por controle de frequência e restrições operativas regionais. No Sudeste/Centro-Oeste, os cortes atingiram até 579 MW, enquanto o Sul registrou redução máxima de 70 MW e o Norte de 35 MW. As restrições refletem os desafios operacionais associados à rápida expansão da geração eólica e solar, especialmente em regiões com forte crescimento da capacidade instalada. O aumento dos episódios de curtailment tem ampliado o debate sobre a necessidade de investimentos em transmissão, armazenamento de energia e mecanismos de flexibilidade capazes de acomodar volumes crescentes de geração renovável sem comprometer a segurança e a estabilidade do sistema elétrico nacional. (Agência CanalEnergia - 18.06.2026)
ONS revisa projeções hidrológicas e melhora cenário para Sul e Sudeste
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) atualizou as projeções hidrológicas de junho e elevou as expectativas de Energia Natural Afluente (ENA) para os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul, enquanto reduziu as estimativas para Norte e Nordeste. No Sudeste/Centro-Oeste, a previsão de ENA passou de 78% para 83% da Média de Longo Termo (MLT), equivalente a 26.767 MW médios, sem alteração relevante na expectativa de armazenamento ao final do mês, mantida em 65,3%. No Sul, a revisão foi mais expressiva, com a ENA avançando de 73% para 94% da MLT. Como consequência, a projeção de energia armazenada aumentou quatro pontos percentuais, alcançando 69,1% ao fim de junho, ante nível atual de 57,3%. Em sentido oposto, o Nordeste teve a expectativa de afluência reduzida de 60% para 54% da média histórica, com armazenamento projetado em 90%. No Norte, a ENA recuou de 62% para 61% da MLT e a previsão de armazenamento caiu para 99,5%. As revisões refletem a atualização das condições hidrológicas utilizadas pelo operador no planejamento da operação do Sistema Interligado Nacional. (Broadcast Energia - 12.06.2026)
Resposta da demanda pode agregar 3,2 GW ao sistema em dez anos
A resposta da demanda poderá acrescentar até 3,2 GW de capacidade ao sistema elétrico brasileiro nos próximos dez anos, segundo estudos da Empresa de Pesquisa Energética incorporados ao Plano Decenal de Expansão de Energia. Atualmente, esse mecanismo representa menos de 0,5% da demanda de ponta nacional, percentual muito inferior ao observado em mercados mais maduros, onde pode alcançar cerca de 5%. Durante o Enase 2026, o superintendente de geração da EPE, Gustavo Ponte, destacou que a resposta da demanda deve evoluir de uma ferramenta conjuntural para um instrumento estrutural, contribuindo tanto para o atendimento da potência nos horários de pico quanto para o aumento da flexibilidade operacional exigida pela crescente participação de fontes renováveis. A estatal também apoia o Ministério de Minas e Energia na formulação de novos modelos de contratação capazes de ampliar a participação desse recurso e reduzir custos para consumidores e agentes do setor. (Agência CanalEnergia - 18.06.2026)
Consumidores
MME prioriza preço, segurança e mercado livre
O Ministério de Minas e Energia pretende concentrar os últimos seis meses da atual legislatura em medidas infralegais voltadas a três frentes: abertura do mercado livre, segurança energética e formação de preços com sinal econômico adequado. O secretário executivo Gustavo Ataíde afirmou, no Enase 2026, que ainda há espaço para avançar na segurança de suprimento, apesar da contratação de quase 20 GW no LRCAP de março, já que o ONS indica que os requisitos de potência ainda não estão totalmente atendidos. O ministério também quer aprimorar previsibilidade regulatória e segurança jurídica. Na formação de preços, Ataíde defendeu a modernização dos modelos computacionais, com ajustes na representação de hidrelétricas e renováveis, redução de horizontes e desenvolvimento de uma nova cadeia de modelos para planejamento e operação do sistema. (Agência CanalEnergia - 17.06.2026)
Aneel abre Consulta Pública sobre processo sancionador da CCEE
A Aneel abriu a Consulta Pública (CP17/2026), aprovada em 16 de junho em reunião pública ordinária da diretoria colegiada. A proposta da Consulta Pública é de estruturação do Processo Sancionador de Monitoramento do Mercado de Comercialização de Energia Elétrica (PSM). O objetivo é fortalecer o ambiente de negócios com mais segurança e confiabilidade. Após acumular experiência com as observações no “período sombra” do Monitoramento Prudencial, a CCEE detectou condutas irregulares que oferecem riscos ao mercado e que devem ser objeto de sanção. O "período sombra" foi uma fase de testes para acompanhar o nível de alavancagem financeira e mitigar riscos no mercado livre de energia. Além disso, as condutas irregulares poderão ser tipificadas em várias categorias, como manipulação de preços e operação fraudulenta. As contribuições à Consulta Pública devem ser enviadas entre 18 de junho e 3 de agosto de 2026 pelo e-mail cp017_2026@aneel.gov.br. Mais informações estarão disponíveis aqui. (Aneel - 16.06.2026)
CCEE defende mecanismos para reforçar segurança do mercado
O gerente-executivo de Regulação da CCEE, Cesar Pereira, afirmou que a agenda de segurança do mercado de energia é essencial e ainda demanda aperfeiçoamentos para garantir maior resiliência diante de episódios de inadimplência e mudanças bruscas de cenário. Durante o Enase 2026, o executivo ressaltou que a atividade de comercialização pressupõe liberdade para a assunção de riscos, mas que o mercado precisa ser suficientemente robusto para absorver eventuais problemas sem comprometer seu funcionamento. Segundo ele, os casos recentes demonstram capacidade de adaptação do setor, embora ainda sejam necessárias medidas adicionais. Pereira destacou o avanço da consulta pública voltada ao aprimoramento da punição de condutas que representem riscos ao mercado e defendeu a implementação de salvaguardas financeiras para proteger consumidores. Também reforçou a importância do supridor de última instância e de instrumentos regulatórios capazes de assegurar continuidade do fornecimento em situações de insolvência de agentes comercializadores. (Broadcast Energia - 18.06.2026)
CCEE liquida R$ 2,7 bi no mercado de curto prazo de abril
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica concluiu a liquidação financeira do mercado de curto prazo referente a abril de 2026, movimentando R$ 2,7 bilhões. O valor representa cerca de 86% dos R$ 3,15 bilhões contabilizados no período. Segundo a CCEE, o montante não liquidado somou R$ 441,86 milhões, sendo majoritariamente associado a suspensões determinadas pela Aneel. Do total inadimplente, R$ 328,07 milhões, equivalentes a 74,2%, tiveram efeitos suspensos pelo Despacho Aneel nº 413/2026, enquanto R$ 5,18 milhões, ou 1,2%, permaneceram em situação semelhante em razão do Despacho Aneel nº 2.011/2026. Outros R$ 13,67 milhões, correspondentes a 3,2%, não eram exigíveis na data da liquidação por decisões judiciais. Os parcelamentos do mês totalizaram R$ 145,55 mil. Ao fim do processo, os agentes credores do mercado de curto prazo registraram taxa de adimplência próxima de 81,3%, indicando que parte relevante da liquidação segue impactada por suspensões regulatórias e disputas judiciais. (Agência CanalEnergia - 15.06.2026)
Volume financeiro negociado na BBCE retrai 34,3% em maio
A BBCE encerrou maio com R$ 3,8 bilhões negociados, 34,3% menor que em abril e 49% inferior ao do mesmo mês de 2025. Os volumes transacionados em maio na BBCE estão abaixo da média dos últimos três anos. Ao todo, foram fechadas 2,6 mil operações, com uma retração de 23,6% em comparação ao mês anterior e de 50% ante maio do ano passado. Em volume de energia, esses negócios movimentaram cerca de 15 TWh, uma queda de 39,5% em relação a abril e de 49,5% na comparação com o mesmo mês de 2025. Segundo a BBCE, destacou-se em maio a queda de preços de contratos com fornecimento em 2026, como consequência das condições hidrológicas e das perspectivas climáticas para os próximos meses, com contexto de El Niño, além das revisões de carga para abaixo do que era esperado. Dentre as maiores quedas estão a energia para fornecimento no Sudeste em julho (-25,11%), que fechou a R$ 207,64/MWh, seguido por junho (-20,99%), a R$ 208,57/MWh, por maio (-19,93), a R$ 222,54/MWh, e pelo produto 3T2026 (-15,04%), a R$ 245,51/MWh. Houve também elevação dos preços dos produtos de spread. (Brasil Energia - 17.06.2026)
Biblioteca Virtual
GESEL publica TDSE 155 “Marco Legal e Regulação do Armazenamento de Energia: análise das Consultas Públicas e perspectivas para a aprovação do marco regulatório e do primeiro Leilão de Reserva de Capacidade”
O Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL-UFRJ) está publicando o Texto de Discussão do Setor Elétrico (TDSE) nº 155, intitulado “Marco Legal e Regulação do Armazenamento de Energia: análise das Consultas Públicas e perspectivas para a aprovação do marco regulatório e do primeiro Leilão de Reserva de Capacidade”. O estudo analisa o atual estágio do arcabouço normativo e as discussões sobre o aprimoramento da regulação para inserção de novas tecnologias de armazenamento no sistema elétrico, considerando a promulgação da Lei nº 15.269/2025 e a necessidade de flexibilidade operativa frente à expansão das fontes renováveis. Foram quatro eixos centrais de discussão: o reconhecimento da competência regulatória da Aneel e a definição do novo regime de outorga para sistemas de armazenamento (SAE); a estruturação de mecanismos competitivos de contratação centralizada, abrangendo leilões de reserva de capacidade e de transmissão; as regras específicas aplicáveis ao armazenamento hidráulico e hidrelétricas reversíveis; e a implementação de benefícios tributários e fiscais, como a inclusão no Reidi. O trabalho examinou como o aperfeiçoamento das normas infralegais e a segurança jurídica trazida pelo novo Marco Legal do Armazenamento podem subsidiar a superação de incertezas regulatórias, garantindo a resiliência do Sistema Interligado Nacional (SIN). Os debates concentraram-se em temas como a tarifação do uso da rede (TUST/TUSD) e a necessidade de evitar a dupla cobrança para assegurar a competitividade; a definição da incidência de encargos setoriais (CDE, ESS, Proinfa) sob a premissa de que o armazenamento possui natureza técnica e não caracteriza consumo final; e o desenho técnico do primeiro Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) para baterias, incluindo requisitos de grid-forming e bonificações locacionais.O estudo acena para a complexidade dessa integração, que exige reconfigurações profundas na regulação e uma articulação institucional coordenada entre órgãos como MME, Aneel, EPE, ONS e ANA. Conclui-se que o principal desafio nacional será consolidar um ambiente regulatório estável e tecnicamente consistente, de modo que o sucesso da transição energética dependerá de arranjos capazes de transformar o potencial tecnológico em infraestrutura estratégica de armazenamento, assegurando a segurança energética e a modicidade tarifária no país. Acesse o estudo aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 15.06.2026)
Artigo GESEL: “Segurança e Resiliência na Transição Energética”
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Coordenador-Geral do GESEL), Katarina Ferreira e Paulo Giovane (Pesquisadores do GESEL-UFRJ) defendem que a segurança e a resiliência dos sistemas elétricos devem ocupar posição central no planejamento da transição energética brasileira. Os autores argumentam que a crescente eletrificação da economia, a expansão das fontes renováveis intermitentes, a digitalização das redes e os impactos das mudanças climáticas ampliam a exposição do setor elétrico a eventos extremos, exigindo novas abordagens regulatórias e de investimento. O texto destaca o papel do Plano de Transição Energética (PLANTE) como instrumento capaz de incorporar a resiliência ao planejamento energético, além de enfatizar a necessidade de modernização tecnológica das redes, adoção de métricas orientadas a resultados e fortalecimento de mecanismos de inovação regulatória. Também são ressaltadas a importância estratégica do armazenamento de energia e o potencial das usinas hidrelétricas reversíveis para ampliar a flexibilidade e a segurança do Sistema Interligado Nacional. Conclui-se que a consolidação da transição energética dependerá da capacidade de integrar resiliência, inovação e planejamento de longo prazo à infraestrutura elétrica brasileira. Acesse o texto aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 19.06.2026)
Artigo de Fernando de Lima Caneppele: “Agrivoltaica: quando o painel solar e a lavoura dividem o mesmo espaço”
Em artigo publicado pelo Jornal Ribeirão, Fernando de Lima Caneppele (pesquisador associado do Gesel-UFRJ) analisa o avanço da agrivoltaica, tecnologia que integra a geração de energia solar e a produção agrícola em uma mesma área, destacando seu potencial para transformar propriedades rurais em fontes simultâneas de alimentos e energia. O autor argumenta que a combinação entre painéis fotovoltaicos elevados e cultivos agrícolas gera benefícios mútuos, pois a sombra parcial favorece determinadas culturas e reduz a evapotranspiração, enquanto as plantas contribuem para o resfriamento dos módulos solares, aumentando sua eficiência. Com base em experiências internacionais e projetos-piloto brasileiros, sustenta que a tecnologia pode preservar ou ampliar a produtividade agrícola, ao mesmo tempo em que cria uma nova fonte de receita para produtores por meio da geração e comercialização de energia. O texto enfatiza ainda o crescimento global da agrivoltaica e defende que o Brasil, especialmente regiões como Ribeirão Preto, reúne condições privilegiadas para liderar esse segmento, convertendo a integração entre campo e energia em vetor de renda, inovação e sustentabilidade. (GESEL-IE-UFRJ – 19.06.2026)
Artigo de Daniel Araujo Carneiro: “Baterias no Brasil: a Portaria 136 inaugura uma era, mas ainda não fundou o mercado de armazenamento”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Daniel Araujo Carneiro (pesquisador associado do Gesel-UFRJ) analisa os efeitos da Portaria Normativa MME nº 136/2026, considerada um marco regulatório para a inserção de sistemas de armazenamento por baterias no setor elétrico brasileiro. O autor reconhece que a medida cria, pela primeira vez, um sinal econômico estruturado para contratação de potência proveniente de baterias e contribui para a segurança operacional de uma matriz cada vez mais dependente de fontes renováveis intermitentes. Entretanto, argumenta que o desenho regulatório restringe o potencial econômico desses ativos ao tratá-los como recursos voltados quase exclusivamente à oferta de potência, impedindo a exploração de múltiplas fontes de receita já adotadas em mercados internacionais. Também destaca a assimetria de riscos imposta aos investidores, que assumem os custos da degradação tecnológica sem controlar o despacho operacional. Por fim, sustenta que o sucesso do armazenamento no Brasil dependerá de avanços regulatórios adicionais capazes de valorizar a multifuncionalidade das baterias e consolidar um mercado sustentável e sofisticado para a tecnologia. (GESEL-IE-UFRJ – 19.06.2026)
Artigo de Adriano Truffi Lima: “O papel da infraestrutura marítima na descarbonização da cadeia de óleo e gás”
Em artigo publicado pela Agência Eixos, Adriano Truffi Lima (Diretor de Sustentabilidade da Vast Infraestrutura e coordenador do Grupo de Trabalho de Descarbonização Marítima do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP)) analisa a crescente relevância da infraestrutura marítima para a descarbonização da cadeia de óleo e gás. O autor argumenta que portos, terminais e sistemas logísticos deixaram de exercer apenas funções operacionais para assumir papel estratégico na redução das emissões de carbono e na viabilização da transição energética. O texto destaca a importância de soluções integradas, como combustíveis renováveis, eletrificação de embarcações, aumento da eficiência operacional e criação de corredores logísticos de baixa emissão, além de apontar o avanço de iniciativas regulatórias nacionais e internacionais voltadas ao transporte marítimo sustentável. São apresentados exemplos concretos, como o uso de biocombustíveis e diesel verde em embarcações portuárias e o desenvolvimento de sistemas de fornecimento de energia elétrica em terra para navios atracados. O autor também enfatiza que a superação dos desafios de infraestrutura e demanda exigirá coordenação entre empresas, governos e entidades setoriais. Conclui que os portos tendem a se consolidar como plataformas energéticas estratégicas, fundamentais para integrar logística, energia e sustentabilidade em uma economia de baixo carbono. (GESEL-IE-UFRJ – 19.06.2026)
Artigo de Ana Karina de Souza, Paulo Machado e Lucas Zeinum: “O que esperar do primeiro leilão de armazenamento por baterias no Brasil”
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Ana Karina E. de Souza (sócia do Machado Meyer Advogados), Paulo Machado (sócio do Machado Meyer Advogados) e Lucas Zeinum (advogado) analisam o primeiro leilão brasileiro voltado especificamente à contratação de sistemas de armazenamento de energia por baterias em larga escala. Os autores sustentam que a Portaria MME nº 136/2026 e a regulamentação aprovada pela Aneel representam um marco para a inserção dos sistemas de armazenamento na matriz elétrica nacional, respondendo à necessidade crescente de flexibilidade operacional diante da expansão das fontes renováveis intermitentes. O texto destaca que a definição de regras para o certame amplia a previsibilidade regulatória e reduz barreiras à atração de investimentos, especialmente com o tratamento tarifário diferenciado concedido às baterias. Contudo, são apontadas incertezas relevantes relacionadas à dinâmica competitiva entre as modalidades do leilão, aos critérios operacionais ainda pendentes, aos riscos associados ao licenciamento ambiental e ao prazo reduzido para entrada em operação dos projetos. Os autores também discutem aspectos da remuneração dos empreendimentos, os riscos de sobreposição de penalidades regulatórias e os impactos da reforma tributária na precificação dos investimentos. Concluem que o leilão inaugura uma nova etapa para o setor elétrico brasileiro, mas seu êxito dependerá da eliminação das incertezas regulatórias e operacionais remanescentes antes da realização do certame. (GESEL-IE-UFRJ – 15.06.2026)
Artigo de Carlos Alberto Lopes e Luís Eduardo Duque Dutra: “A revolução na precificação do gás natural”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Carlos Alberto Lopes (diretor da Consultoria ChemVision) e Luís Eduardo Duque Dutra (professor da Escola de Química da UFRJ) analisam as transformações em curso no mercado brasileiro de gás natural e defendem que a expansão da produção doméstica, prevista para a próxima década, cria uma oportunidade histórica para reindustrializar segmentos estratégicos da economia. Os autores argumentam que o elevado preço do gás tem inviabilizado sua utilização como matéria-prima, contribuindo para a dependência externa de fertilizantes nitrogenados e metanol. Nesse contexto, destacam o papel da Petrobras na reorganização da cadeia produtiva e na valorização do gás do pré-sal. O texto examina ainda os elevados investimentos necessários para integrar produção, processamento e transformação do gás, ressaltando que projetos dessa magnitude exigem contratos de longo prazo e mecanismos que reduzam riscos. A principal proposta consiste na adoção do modelo de precificação net back, pelo qual o valor do gás é definido a partir do preço dos produtos finais, compartilhando margens e riscos entre fornecedores e consumidores industriais. Os autores concluem que esse modelo está mais alinhado à realidade brasileira do que as referências tradicionais vinculadas ao petróleo ou a mercados externos, podendo estimular investimentos, ampliar a competitividade da petroquímica e fortalecer a autonomia produtiva nacional. (GESEL-IE-UFRJ – 15.06.2026)
Artigo de Eduardo Ricotta: “O Brasil já venceu a corrida da geração. Agora começa a corrida do valor”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Eduardo Ricotta (CEO da Vestas para a América Latina) sustenta que o Brasil já consolidou sua posição como potência em geração de energia renovável e que o principal desafio da próxima etapa da transição energética consiste em transformar essa vantagem em desenvolvimento econômico, inovação e atração de investimentos. O autor argumenta que, diante do crescimento da inteligência artificial, dos data centers, da eletrificação industrial e das cadeias produtivas ligadas à economia de baixo carbono, a competitividade passará a depender menos da capacidade de produzir energia e mais da habilidade de convertê-la em valor agregado. O texto destaca que o país reúne condições privilegiadas para liderar esse processo, mas alerta para obstáculos como restrições de transmissão, episódios de curtailment e limitações no escoamento da energia gerada. Nesse contexto, enfatiza a importância crescente do armazenamento por baterias, da integração inteligente das fontes renováveis e da modernização da operação do sistema elétrico. Conclui que o futuro do setor dependerá da ampliação da segurança energética, da confiabilidade dos ativos e da criação de condições favoráveis para investimentos de longo prazo, permitindo que a abundância de energia limpa se converta em prosperidade e crescimento sustentável. (GESEL-IE-UFRJ – 19.06.2026)
Artigo de Joaquim Levy: “O magnetismo das terras raras”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Joaquim Levy (Diretor de Estratégia Econômica e Relações com Mercado do Banco Safra) examina a importância estratégica das terras raras para a economia contemporânea, destacando seu papel fundamental na produção de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e tecnologias médicas. O autor apresenta a evolução histórica desses materiais, explicando os avanços científicos que permitiram o desenvolvimento de ligas magnéticas cada vez mais eficientes, especialmente as baseadas em neodímio, ferro e boro. O texto detalha ainda as propriedades físicas dos lantanídeos e descreve as complexas etapas da cadeia produtiva, desde a mineração e o beneficiamento dos minerais até a separação química, metalurgia e fabricação dos ímãs, ressaltando o elevado grau de conhecimento tecnológico exigido em cada fase. Levy destaca a liderança chinesa em segmentos críticos dessa cadeia e analisa as oportunidades brasileiras decorrentes da existência de reservas minerais promissoras e de iniciativas voltadas à industrialização e pesquisa tecnológica. Conclui que o aproveitamento pleno desse potencial dependerá de estratégias de longo prazo, cooperação internacional e objetivos claros para ampliar a participação do Brasil em um mercado de crescente relevância geopolítica e econômica. (GESEL-IE-UFRJ – 19.06.2026)
Artigo de Karen Cubas: “A transição energética também depende de qualificação e mais diversidade”
Em artigo publicado pela Agência Eixos, Karen Cubas (Gerente da Universidade Setorial do IBP [UnIBP]) argumenta que a transição energética não depende apenas de investimentos, infraestrutura, tecnologia e regulação, mas também da formação e requalificação de profissionais capazes de atuar em um setor cada vez mais complexo e integrado. A autora destaca que a expansão das energias renováveis, a permanência estratégica da indústria de óleo e gás, a digitalização dos processos e o surgimento de novas tecnologias exigem trabalhadores com competências híbridas, combinando conhecimentos técnicos, visão regulatória, domínio digital, sustentabilidade e cultura de segurança. O texto ressalta ainda que a formação profissional deve ser contínua para acompanhar as rápidas transformações do setor energético e atender às demandas por especialistas em áreas como integração de sistemas, eficiência energética, análise de dados e mercado de carbono. Paralelamente, defende que a transição energética deve ampliar a diversidade, criando oportunidades para grupos historicamente sub-representados e fortalecendo a inovação e a competitividade. Conclui que o potencial brasileiro para liderar a nova economia da energia dependerá da capacidade de desenvolver talentos qualificados, diversos e preparados para conduzir essa transformação. (GESEL-IE-UFRJ – 19.06.2026)
Artigo de Leonardo de Morais e Lorena Grünewald: “Expansão elétrica brasileira: entre percepções e evidências”
Em artigo publicado pela Exame, Leonardo Euler de Morais (Vice-presidente de Relações Institucionais e Governamentais para América Latina) e Lorena Cantalice Grünewald (Especialista em Inteligência de Mercado e Estratégia para a América Latina) analisam criticamente a narrativa segundo a qual a expansão das fontes renováveis seria a principal responsável pelos desafios operacionais do Sistema Interligado Nacional. Os autores argumentam que essa interpretação simplifica excessivamente a realidade e ignora evidências técnicas sobre a evolução da matriz elétrica brasileira. Sustentam que o principal vetor de complexidade operacional não está nas renováveis centralizadas, especialmente na geração eólica, mas no crescimento acelerado e desordenado da micro e minigeração distribuída, que altera o perfil da demanda, amplia a necessidade de flexibilidade e aumenta a ocorrência de cortes de geração. O texto destaca ainda a complementaridade entre geração eólica e hidrelétrica, ressaltando o papel da eólica na segurança energética e na mitigação dos efeitos de crises hídricas. Como conclusão, defendem que o planejamento setorial deve se basear em evidências, sinais econômicos adequados e rigor técnico, sob pena de produzir diagnósticos equivocados e políticas ineficientes para a transição energética. (GESEL-IE-UFRJ – 16.06.2026)
Artigo de Luciana Collet e Ana Paula Machado: “Setor elétrico entra em campo para manter fornecimento de energia em dias de jogos do Brasil”
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Luciana Collet (jornalista do Broadcast Energia) e Ana Paula Machado (jornalista do Broadcast Energia) abordam as medidas adotadas pelo setor elétrico brasileiro para assegurar a continuidade do fornecimento de energia durante os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. As autoras destacam que o Operador Nacional do Sistema (ONS) implementou uma operação especial de monitoramento do consumo de energia e determinou restrições temporárias a intervenções que possam gerar cortes de carga no Sistema Interligado Nacional (SIN), excetuando apenas manutenções emergenciais. O texto enfatiza que grandes eventos esportivos provocam alterações significativas nos padrões de demanda elétrica, exigindo planejamento e coordenação entre agentes do setor. Também são detalhadas as ações preventivas adotadas por distribuidoras como Enel, Energisa e Cemig, incluindo reforço de equipes técnicas, monitoramento meteorológico contínuo, inspeções com tecnologias avançadas, uso de geradores e subestações móveis, além da suspensão de desligamentos programados. As autoras ressaltam que tais medidas seguem diretrizes do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e têm como objetivo preservar a confiabilidade e a segurança operacional do sistema diante de concentrações excepcionais de consumo. A conclusão é que a integração entre planejamento, prevenção e resposta rápida fortalece a resiliência do setor elétrico em eventos de grande relevância nacional. (GESEL-IE-UFRJ – 15.06.2026)
Artigo de Marcelo Barros da Cunha e Natália Martins Ferreira: “Curtailment: o subsídio cruzado que ameaça a transição energética”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Marcelo Barros da Cunha (Sócio do MJ Alves Burle e Viana Advogados) e Natália Martins Ferreira (Sócia do MJ Alves Burle e Viana Advogados) analisam os impactos jurídicos e econômicos do curtailment, mecanismo pelo qual o Operador Nacional do Sistema Elétrico determina cortes na geração de energia para preservar a estabilidade da rede diante do excesso de oferta ou de limitações de transmissão. Os autores sustentam que atribuir aos geradores o custo decorrente dessas restrições representa um subsídio cruzado inadequado, pois transfere a determinados agentes um ônus originado por decisões operacionais que beneficiam todo o sistema. O texto diferencia os contratos de comercialização de energia dos Contratos de Energia de Reserva, argumentando que estes últimos possuem natureza voltada à segurança sistêmica e, portanto, não deveriam absorver riscos associados a cortes determinados pelo operador. Também são examinados os fundamentos legais relacionados ao Encargo de Serviços do Sistema, a legislação recente e precedentes judiciais que, segundo os autores, reforçam a necessidade de tratamento adequado dos custos sistêmicos. Conclui-se que preservar a previsibilidade regulatória e contratual é essencial para garantir investimentos, segurança energética e a continuidade da expansão das fontes renováveis durante a transição energética brasileira. (GESEL-IE-UFRJ – 19.06.2026)
Artigo de Marcos Madureira: “Remédio para a febre não resolve. É preciso atacar as causas”
Em artigo publicado pelo Brasil Energia, Marcos Madureira (ex-presidente executivo da Abradee e CEO da Madureira Silva Consultant Services) trata da resolução da raiz dos problemas operacionais do SEB. O autor defende que o ONS passa por uma enorme dificuldade operacional para efetuar a gestão das fontes de energia e manter o equilíbrio com a carga, lidando, em um dia, com sobra e excesso de carga, envolvendo o fenômeno da "curva do pato". É destacado também que a introdução das fontes renováveis trouxe instabilidade e excesso de oferta no mercado, essencialmente impulsionado por um excesso de subsídios, agravando gargalos operacionais. Além disso, o texto critica medidas previstas de alto custo que apenas resolvem as consequências do problema, como a instalação de um grande parque de geração de capacidade através do LRCAP e um leilão de baterias. O artigo conclui afirmando a necessidade de se estabelecer os chamados "atributos das fontes", mecanismo pelo qual se deveria identificar os custos e benefícios de cada tecnologia, sinalizando preços que reflitam essa realidade. (GESEL-IE-UFRJ – 15.06.2026)
Artigo de Marli Olmos: “De olho no elétrico, Gestamp põe nova fábrica no país”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Marli Olmos (Repórter especial do Valor Econômico) aborda a estratégia de expansão da fabricante espanhola Gestamp no Brasil diante das transformações provocadas pela eletrificação e pela conectividade no setor automotivo. A autora destaca a inauguração da sétima fábrica da empresa no país, localizada em Piracicaba (SP), resultado de um investimento de R$ 200 milhões voltado à produção de componentes metálicos mais leves e resistentes para veículos. O texto evidencia que a redução de peso dos automóveis é considerada essencial para ampliar a autonomia dos veículos elétricos e proteger suas baterias. Também são apresentadas as avaliações do presidente global da Gestamp sobre o avanço da eletrificação, a importância de marcos regulatórios, incentivos e infraestrutura de recarga, além das oportunidades decorrentes da nacionalização da produção de montadoras chinesas no Brasil. A reportagem ressalta ainda o crescimento das operações da empresa no mercado brasileiro, impulsionado pela expectativa de expansão da indústria automobilística nacional e pelo potencial econômico de longo prazo do país. (GESEL-IE-UFRJ – 16.06.2026)