IECC 376
Marco Institucional
GESEL no Jornal Hoje: Nivalde de Castro analisa acionamento inédito do ONS
Em entrevista ao Jornal Hoje, da TV Globo, nesta segunda-feira (08/06), Nivalde de Castro, professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL, analisou o acionamento inédito, pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), de um mecanismo de emergência diante do excesso de energia gerada no país. Segundo o professor, o episódio evidencia a necessidade de reduzir os subsídios à expansão da oferta de geração. “É preciso diminuir radicalmente os subsídios, porque não há necessidade de incentivar mais capacidade produtiva. Tanto é que já estamos tendo que cortar”, afirmou. Para Nivalde, essa é uma solução estrutural pelo lado da oferta. Ele destacou ainda que outra resposta estrutural para o problema está no avanço dos sistemas de armazenamento de energia, tecnologia que, segundo ele, já começa a ganhar espaço no setor elétrico brasileiro. Assista a reportagem na íntegra aqui. (Globoplay – 08.06.2026)
GESEL: Nivalde de Castro prevê prejuízos para geradoras após cortes emergenciais para evitar apagões
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determinou pela primeira vez cortes de geração também em pequenas usinas conectadas às distribuidoras para evitar riscos de apagão diante do excesso de oferta de energia renovável e da baixa demanda registrada no feriado prolongado. Segundo o professor Nivalde de Castro, coordenador do Gesel/UFRJ, o crescimento da geração, especialmente de usinas solares impulsionadas por subsídios, tem avançado muito acima da necessidade de consumo, criando situações de desequilíbrio entre oferta e demanda que exigem a redução temporária da produção, sobretudo nos períodos de maior incidência de sol e vento. Nivalde afirma ainda que a medida não deve gerar impactos financeiros relevantes para os consumidores, mas pode causar prejuízos às pequenas geradoras afetadas pelos cortes, que, segundo ele, poderão inclusive recorrer à Justiça. Acesse a matéria na íntegra aqui. (O Globo – 08.06.2026)
ONS destaca flexibilidade operacional como principal desafio da transformação elétrica
Ao completar dois anos à frente do Operador Nacional do Sistema Elétrico, o diretor-geral Márcio Rea afirmou que a busca por maior flexibilidade operacional se tornou um dos principais desafios do setor elétrico brasileiro diante da rápida expansão das fontes renováveis. Segundo o executivo, o crescimento da geração distribuída, a entrada de sistemas de armazenamento, a ampliação da demanda por data centers e a crescente complexidade da operação exigem novos modelos de gestão, modernização tecnológica e evolução dos processos de planejamento. Rea destacou ainda a importância da integração de Roraima ao Sistema Interligado Nacional, concluída em 2025, e defendeu a contratação de potência por meio do LRCAP como medida essencial para garantir segurança energética entre 2026 e 2030. O executivo também ressaltou o papel estratégico das baterias para mitigar excedentes de geração solar, reforçar o controle de frequência e atender aos horários de ponta, além de defender avanços regulatórios para integrar novas tecnologias à operação do sistema elétrico nacional. (Agência CanalEnergia - 10.06.2026)
CMSE preserva parâmetros operacionais do sistema elétrico para 2027
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico decidiu manter para 2027 os atuais parâmetros de aversão a risco utilizados nos modelos computacionais que orientam a operação do Sistema Interligado Nacional e a formação dos preços de energia. Com a decisão, permanece o par CVaR 15,40, que considera os 15% piores cenários hidrológicos com peso de 40% para definir o uso dos reservatórios e o despacho de usinas termelétricas. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a metodologia tem apresentado aderência à realidade operacional e contribuído para a redução dos Encargos de Serviços do Sistema. O colegiado também aprovou ajustes nos volumes mínimos operativos dos subsistemas Norte e Nordeste, reforçou a necessidade de aprimoramentos nos modelos computacionais diante da maior participação de fontes renováveis e dos eventos climáticos extremos e validou diretrizes para ampliar a transparência das decisões relacionadas ao despacho por garantia de suprimento. O governo afirmou que o abastecimento elétrico nacional permanece assegurado para 2026. (Valor Econômico - 10.06.2026)
Renovação de concessões amplia debate sobre remuneração das distribuidoras
A renovação das concessões de distribuidoras de energia com vencimento até 2031 abriu uma nova etapa de discussões regulatórias sobre remuneração de investimentos, tratamento das perdas não técnicas e modernização dos contratos do setor. Com base no Decreto 12.068 de 2024, dezesseis distribuidoras já prorrogaram suas concessões por mais 30 anos, enquanto empresas como Cemig, Copel, Energisa, Neoenergia e Equatorial acompanham a evolução das regras antes de avaliar eventual adesão ao novo modelo. Entre os temas centrais está o reconhecimento dos chamados investimentos intraciclo, que permitiria remuneração mais rápida dos aportes realizados pelas concessionárias, sem necessidade de aguardar revisões tarifárias periódicas. O debate também inclui novas formas de tratamento para perdas comerciais, tarifas diferenciadas em áreas de elevada inadimplência e mecanismos para incentivar modernização tecnológica, como medidores inteligentes. Especialistas avaliam que o avanço dessas regulamentações poderá aumentar a atratividade do novo modelo contratual e reduzir as incertezas percebidas atualmente pelos agentes do segmento de distribuição. (Valor Econômico - 11.06.2026)
Debate sobre indenização de transmissoras pode gerar nova judicialização
Especialistas do setor elétrico avaliam que a definição das regras de indenização para transmissoras com contratos vencendo até 2042 poderá desencadear uma nova disputa judicial de grandes proporções, semelhante ao histórico caso da Rede Básica do Sistema Existente (RBSE). A discussão envolve a regulamentação que a Aneel pretende aprovar ainda em 2026 para disciplinar a remuneração, o escopo e a metodologia de indenização dos ativos vinculados às concessões de transmissão. Segundo representantes do Ministério de Minas e Energia e especialistas em regulação, não há divergência quanto à existência do direito à indenização, mas sim sobre quais ativos efetivamente podem ser indenizados ao término dos contratos. O tema envolve 168 concessões com vencimentos entre 2027 e 2042 e movimenta valores potencialmente bilionários. A expectativa é que eventuais decisões restritivas da agência sejam contestadas judicialmente por concessionárias e investidores, enquanto consumidores e geradores acompanham o debate devido aos impactos sobre os custos de uso da rede de transmissão. (Agência CanalEnergia - 11.06.2026)
Distribuidoras projetam investimentos de R$ 258 bi até 2030
As distribuidoras de energia elétrica estimam investir aproximadamente R$ 258 bilhões nos próximos cinco anos em projetos de modernização, expansão e digitalização das redes de distribuição. Os recursos serão direcionados para reforço da infraestrutura, melhoria da qualidade do fornecimento, integração de novas tecnologias e adaptação do sistema ao crescimento da geração distribuída, da mobilidade elétrica e da digitalização dos serviços. O setor avalia que os investimentos serão fundamentais para garantir maior resiliência diante de eventos climáticos extremos e atender à crescente complexidade operacional do sistema elétrico. Além das obras físicas, os aportes contemplam soluções de automação, medição inteligente e modernização dos centros de operação. As empresas destacam que a previsibilidade regulatória continuará sendo um fator essencial para viabilizar os investimentos necessários ao desenvolvimento da rede elétrica brasileira. (Petronotícias - 06.06.2026)
Manutenção do CVaR divide consumidores, comercializadores e geradores
A decisão do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico de manter para 2027 os atuais parâmetros de aversão a risco da metodologia CVaR provocou reações divergentes entre agentes do mercado. Entidades de comercialização e representantes dos consumidores afirmam que a medida tende a elevar artificialmente o Custo Marginal de Operação e o Preço de Liquidação das Diferenças, resultando em tarifas mais altas, pressão inflacionária e aumento dos custos para o setor produtivo. Associações como Abraceel, Abrace e Frente Nacional dos Consumidores de Energia argumentam que estudos indicavam alternativas capazes de preservar a segurança energética com menor impacto econômico. Em sentido oposto, geradores e representantes do segmento hidrelétrico consideram a decisão adequada diante das incertezas climáticas e da crescente necessidade de flexibilidade operacional do sistema. Para essas entidades, a manutenção do parâmetro reforça a coerência entre planejamento, operação e formação de preços, além de contribuir para a segurança energética de longo prazo e para a atração de investimentos no setor elétrico. (Agência CanalEnergia - 11.06.2026)
Manutenção do CVaR impulsiona ações de geradoras na Bolsa
A decisão do CMSE de manter o parâmetro de aversão ao risco hidrológico em 15,40 para os modelos de operação e formação de preços deu sustentação às ações de geradoras de energia na Bolsa. A Axia encerrou o pregão com alta de 3,44%, enquanto Copel, CPFL e Cemig também avançaram. O CVaR influencia o grau de proteção do sistema contra cenários hidrológicos adversos e, consequentemente, o despacho preventivo de usinas térmicas, o Custo Marginal de Operação e o Preço de Liquidação das Diferenças. Para analistas, a manutenção de um modelo mais conservador reduz riscos para empresas com portfólios hídricos, ao preservar preços mais elevados e favorecer a captura de picos de mercado. Executivos de geradoras defenderam a decisão com base na estabilidade regulatória, na segurança energética e na necessidade de avaliar por mais tempo o parâmetro adotado desde 2025\. Já uma configuração menos conservadora poderia reduzir preços, mas ampliaria a exposição a cenários hidrológicos desfavoráveis. (Broadcast Energia - 11.06.2026)
EPE consulta fabricantes sobre tecnologias de suporte à estabilidade do sistema elétrico
A EPE abre Tomada de Subsídios com o objetivo de consultar fabricantes sobre atributos técnicos, desempenho, custos e tendências de mercado de tecnologias capazes de contribuir para compensação reativa, resposta inercial e suporte de potência de curto-circuito. A iniciativa busca reunir informações sobre diferentes soluções tecnológicas, incluindo compensadores síncronos, STATCOMs, E-STATCOMs e soluções híbridas, incluindo baterias, de forma a subsidiar análises técnicas da EPE e apoiar a identificação de alternativas que conciliem desempenho, viabilidade técnica e otimização econômica. A Tomada de Subsídios prevê o envio de formulário específico aos fabricantes participantes; a realização de reuniões técnicas para esclarecimento de dúvidas e debates técnicos, após o recebimento das respostas; e a posterior consolidação das conclusões em relatório técnico da EPE, com publicação prevista para dezembro de 2026, conforme cronograma referencial. Os fabricantes interessados em participar deverão preencher formulário eletrônico de cadastro. Clique aqui e acesse o formulário de cadastro para participação na Tomada de Subsídios. (EPE - 08.06.2026)
TRF1 afasta responsabilidade de distribuidoras por cortes de geração
A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desembargadora Maria do Carmo Cardoso, afirmou que distribuidoras de energia elétrica não podem ser responsabilizadas financeiramente por interrupções de geração provocadas por excesso de eletricidade no Sistema Interligado Nacional e menor demanda de consumo. Segundo ela, decisões do TRF1 já afastaram sanções e cobranças quando a interrupção decorre de limitações técnicas do sistema de transmissão ou de decisões operacionais ligadas ao despacho de energia pelo ONS, e não de conduta direta das distribuidoras. A magistrada avaliou que penalizar essas empresas geraria distorção regulatória e insegurança jurídica. Também defendeu investimentos robustos em transmissão e armazenamento, citando os leilões de baterias como instrumentos relevantes para mitigar impactos e ampliar o aproveitamento do potencial energético nacional. (Broadcast Energia - 08.06.2026)
Acende Brasil alerta para impacto de cortes em agências
O Instituto Acende Brasil manifestou preocupação com o bloqueio de aproximadamente 18% do orçamento das agências reguladoras federais, avaliando que a medida pode comprometer a qualidade da regulação e afetar a segurança jurídica necessária à atração de investimentos em infraestrutura. Segundo a entidade, os órgãos reguladores desempenham papel essencial na fiscalização de contratos, supervisão dos serviços públicos e manutenção da estabilidade institucional dos setores regulados. O instituto argumenta que restrições orçamentárias podem reduzir a capacidade operacional das agências, atrasar processos regulatórios, limitar investimentos em modernização tecnológica e aumentar riscos para investidores. Embora reconheça a necessidade de equilíbrio fiscal, a entidade defende que a preservação da estrutura e da autonomia dessas instituições deve ser tratada como prioridade estratégica para sustentar a expansão da infraestrutura, a competitividade econômica e o crescimento de longo prazo do país. (Agência CanalEnergia - 03.06.2026)
Regulação
Aneel revisará regras de compensação por cortes de geração renovável
A Agência Nacional de Energia Elétrica iniciará uma revisão da regulamentação que disciplina os ressarcimentos devidos às usinas afetadas por cortes de geração, incorporando os efeitos da legislação aprovada pelo Congresso em 2025. De acordo com o diretor-geral Sandoval Feitosa, a nova regulamentação deverá assegurar que os efeitos das compensações sejam reconhecidos desde a publicação da lei, eliminando incertezas sobre o período entre a entrada em vigor do dispositivo legal e a futura resolução da agência. A revisão também pretende aperfeiçoar a classificação dos diferentes tipos de cortes e ampliar a segurança jurídica para os agentes do setor. A legislação estabelece compensações para usinas eólicas e solares impactadas por indisponibilidade externa e por requisitos de confiabilidade da operação. A Aneel também deverá analisar os critérios de ordenação dos cortes de geração e eventuais aperfeiçoamentos no mecanismo emergencial utilizado pelo ONS para evitar riscos de interrupção do fornecimento diante do crescimento da geração distribuída e das restrições operativas do sistema. (Valor Econômico - 10.06.2026)
Aneel divulga PDD 2026: Distribuidoras investiram R$ 41 bi em 2025
A Aneel disponibilizou o PDD 2026, contendo informações sobre os investimentos realizados pelas distribuidoras de energia elétrica em 2025 e o planejamento das obras e ações previstas para o período de 2026 a 2030. Os dados indicam que foram realizados investimentos na rede de distribuição da ordem de R$ 41 bilhões em 2025. Para os próximos cinco anos (2026 a 2030), as empresas projetam investimentos de aproximadamente R$ 258 bilhões, destinados à expansão, melhoria e renovação dos sistemas de distribuição de energia elétrica em todo o país. Do montante previsto para 2026-2030, R$ 149,48 bilhões destinam-se à expansão do sistema, R$ 60,83 bilhões à melhoria da qualidade e confiabilidade do fornecimento e R$ 47,61 bilhões à renovação de ativos. O PDD reúne os resultados dos estudos de planejamento elétrico e energético elaborados pelas distribuidoras e também destaca investimentos relacionados a programas e projetos específicos, como o Programa Luz para Todos, obras com participação financeira dos consumidores e empreendimentos decorrentes do planejamento setorial. Acesse o estudo aqui. (Aneel - 08.06.2026)
Aneel abre Tomada de Subsídios para atualização de dados do PRORET
A Aneel fixou a data de 30 de junho como prazo final para receber contribuições à Tomada de Subsídios 012/2026, aberta no dia 1º de junho, para obter subsídios ao aprimoramento da base de dados a ser empregada no cálculo anual das eficiências de referência e demais parâmetros associados aos custos operacionais regulatórios das distribuidoras, a serem reconhecidos nos processos de Revisão Tarifária de 2027. Trata-se da atualização dos Anexos I a V e da e da eficiência de referência relativa ao Submódulo 2.2 dos Procedimentos de Regulação Tarifária (PRORET). Nesta Tomada de Subsídios, a área técnica da Aneel divulga os cálculos realizados para a base de dados. As sugestões poderão ser enviadas pelo e-mail ts012_2026@aneel.gov.br. A Nota Técnica, procedimentos para participação dos interessados e demais documentos estão disponíveis para consulta. (Aneel - 03.06.2026)
Pauta do 9º Circuito Deliberativo Público Ordinário da Diretoria de 2026
A pauta do 9º Circuito Deliberativo Público Ordinário da Diretoria da Aneel, previsto para 9 de junho de 2026, reúne 20 processos com temas relevantes para a regulação do setor elétrico, sob relatoria dos diretores Fernando Luiz Mosna Ferreira da Silva, Agnes Maria de Aragão da Costa, Willamy Moreira Frota e Gentil Nogueira de Sá Júnior. Entre os destaques estão a homologação dos resultados e a adjudicação dos objetos dos Leilões de Reserva de Capacidade nº 2/2026 e nº 3/2026, destinados à contratação de potência proveniente de termelétricas, hidrelétricas, usinas a óleo e biodiesel. A diretoria também analisará requerimentos administrativos relacionados a encargos de uso do sistema de transmissão, flexibilização de regras para empreendimentos fotovoltaicos, reprocessamento de benefícios da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), além de recursos administrativos envolvendo transmissão, consumidores, reajustes tarifários e receitas anuais de geração. A pauta inclui ainda pedidos de impugnação e medidas cautelares referentes à comercialização de energia, penalidades aplicadas pela CCEE, encargos rescisórios de contratos de transmissão e habilitação de comercializadoras varejistas. Também serão apreciados processos de fiscalização com possibilidade de revogação de autorizações e concessões, transferências de ativos de geração e transmissão, além de declarações de utilidade pública para implantação de subestações em Santa Catarina e São Paulo. Acesse a pauta aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 08.06.2026)
Empresas
Axia investirá R$ 3,5 bi em projetos de transmissão no Sul
A Axia Energia anunciou plano de investimentos superior a R$ 3,5 bilhões em projetos de transmissão de energia nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul até 2029. O programa contempla 44 empreendimentos entre ampliações, reforços e modernizações de ativos autorizados pela Aneel e deverá gerar incremento de R$ 172,7 milhões na Receita Anual Permitida (RAP) da companhia. O principal projeto está no Paraná e envolve a modernização do bipolo 1 do sistema HVDC da Subestação Foz do Iguaçu, infraestrutura estratégica para o escoamento da energia produzida por Itaipu Binacional. O investimento nessa iniciativa alcança R$ 2,1 bilhões. Em Santa Catarina, destacam-se obras na Subestação Chapecoense e em diversos ativos de transmissão, enquanto no Rio Grande do Sul os recursos serão destinados principalmente a reforços e melhorias operacionais. O plano busca ampliar a confiabilidade da rede e acompanhar o crescimento da demanda elétrica na região Sul. (Agência CanalEnergia - 08.06.2026)
Axia acelera expansão da transmissão com investimentos no Nordeste
A Axia Energia iniciou uma nova etapa de expansão da infraestrutura de transmissão no Nordeste, com investimentos de R$ 2,6 bilhões programados para 2026 em projetos localizados em Alagoas, Bahia, Paraíba e Pernambuco. Os recursos serão destinados à implantação de aproximadamente 1.100 quilômetros de linhas de transmissão, além de seccionamentos e reforços na rede elétrica regional. As obras integram o projeto Nova Era Integração, que também contempla iniciativas nos estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, incluindo novas linhas, duas subestações e intervenções em ativos já existentes. Segundo a companhia, o programa faz parte de uma estratégia mais ampla de crescimento, que prevê investimentos totais de R$ 5,9 bilhões em transmissão no Nordeste até 2030. A expansão busca ampliar a confiabilidade do sistema elétrico, aumentar a capacidade de escoamento da geração e acompanhar o crescimento da demanda energética da região. (Agência CanalEnergia - 09.06.2026)
Axia: R$ 1,17 bi até 2030 para modernizar sistema paulista
A Axia Energia executa um plano de melhorias de grande porte de R$1,172 bilhão em suas subestações de São Paulo até 2030. O planejamento contempla obras concluídas, em fase de execução e previstas para os próximos anos, e tem como objetivo aumentar o fornecimento de energia do sistema da região Sudeste e do SIN. O projeto, aprovado pela Aneel, adiciona R$ 163 milhões à RAP da companhia. A iniciativa contribui para ampliar a confiabilidade operacional dos ativos e aumentar o fornecimento de energia para as indústrias locais. O empreendimento SE Ibiúna, localizada próxima a Sorocaba, recebe o maior volume de investimentos: R$ 296,28 mi. Já para a subestação Campinas, localizada no maior polo econômico e científico do interior de São Paulo, o investimento total é de R$ 268,68 mi. Na SE Tijuco Preto, instalada próxima a Mogi das Cruzes, os investimentos somam R$ 229,19 mi; na subestação Itaberá, os R$ 181,71 mi; na subestação Cachoeira Paulista, localizada na região de Guaratinguetá, R$ 116,75 mi; e na SE Guarulhos, os investimentos somam R$ 80 milhões. (Brasil Energia - 05.06.2026)
Cemig dobra capacidade da subestação Sacramento
A Cemig concluiu a ampliação da subestação Sacramento, no Triângulo Mineiro. A obra recebeu R$ 14,4 milhões em investimentos e permitirá dobrar a disponibilidade de energia elétrica para Sacramento e áreas do entorno. A iniciativa integra o plano de modernização da companhia em Minas Gerais. Com a conclusão das obras, a unidade dobrou de capacidade por meio da operação de dois transformadores de potência e oito alimentadores de média tensão, responsáveis pelo atendimento a residências, comércios, serviços públicos e indústrias. As melhorias garantem maior estabilidade, melhores níveis de tensão e mais flexibilidade operacional. A ampliação faz parte do Programa Mais Energia e beneficia cerca de 35 mil pessoas nos municípios de Sacramento e Conquista. O fortalecimento do sistema elétrico regional inclui ainda melhorias na SE Pai Joaquim, às margens da MG-190, e a implantação de usinas fotovoltaicas de 5 kW e investimentos em escolas da região. (Brasil Energia - 05.06.2026)
Leilões
Leilão de energia poderá elevar conta de luz em R$ 48 bi por ano
Estudo citado por O Globo indica que os custos associados ao leilão de energia em discussão poderão gerar um impacto adicional de aproximadamente R$ 48 bilhões por ano nas tarifas de energia elétrica quando os contratos estiverem plenamente vigentes. As projeções apontam que o efeito poderá representar aumento próximo de 7,5% nas contas de luz em 2032, intensificando os debates sobre os critérios de contratação e os custos da expansão da capacidade energética. O tema envolve especialmente a contratação de geração termelétrica e mecanismos voltados ao reforço da segurança de suprimento do sistema elétrico. Especialistas destacam que a necessidade de garantir confiabilidade energética deve ser equilibrada com a busca pela modicidade tarifária e pela eficiência econômica dos investimentos. O assunto segue no centro das discussões regulatórias e setoriais devido aos potenciais impactos para consumidores, empresas e para a competitividade da economia brasileira. (O Globo - 06.06.2026)
Silveira diz que leilões garantem segurança energética do país pelos próximos dez anos
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o governo federal assegurou a segurança energética do país para os próximos dez anos, destacando como principal medida a contratação de potência realizada nos leilões de reserva de capacidade de março de 2026. Durante entrevista no Palácio do Planalto, o ministro comentou a operação emergencial conduzida pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico para reduzir geração durante o excesso de oferta registrado no último fim de semana, classificando a atuação do operador como correta e sem impactos para os consumidores. Silveira ressaltou que acompanha de perto as ações do setor e afirmou que não tem faltado dedicação das instituições responsáveis para evitar interrupções no fornecimento de energia. O ministro também reconheceu que a operação do sistema exige monitoramento permanente diante do crescimento das fontes renováveis e da geração distribuída, mas reforçou a confiança na capacidade técnica do governo, do ONS, da Aneel e da Empresa de Pesquisa Energética para enfrentar os desafios operacionais futuros. (Agência CanalEnergia - 09.06.2026)
Aneel homologa leilão de reserva apesar de disputas judiciais
A Agência Nacional de Energia Elétrica homologou por unanimidade os resultados do Leilão de Reserva de Capacidade realizado em março de 2026, confirmando a contratação de quase 20 GW de disponibilidade de geração por meio de cerca de cem empreendimentos, entre termelétricas novas e existentes e ampliações hidrelétricas. O processo envolve contratos de longo prazo com custo total estimado superior a R$ 500 bilhões e tem como objetivo reforçar a segurança do suprimento elétrico nacional. A decisão foi tomada mesmo diante de questionamentos apresentados ao Tribunal de Contas da União, ao Ministério Público Federal e ao Poder Judiciário. Na véspera, a Justiça Federal do Ceará havia concedido liminar suspendendo a homologação, mas encaminhou a análise do mérito para a Justiça do Distrito Federal, que já havia rejeitado pedidos semelhantes anteriormente. O relator Fernando Mosna destacou que a homologação não impede a continuidade das apurações pelos órgãos de controle e que eventuais determinações futuras poderão ser incorporadas pela agência. A decisão ainda será ratificada em reunião ordinária da diretoria. (Valor Econômico - 10.06.2026)
Justiça do DF mantém válido leilão de reserva de capacidade de R$ 515 bi
A Justiça Federal no Distrito Federal revogou a liminar que suspendia a homologação e a assinatura dos contratos do leilão de reserva de capacidade realizado pelo governo federal, preservando a validade do certame até o julgamento definitivo da ação. O pregão contratou cerca de R$ 515 bilhões em reserva de energia e envolve grupos como J&F, Eneva e Petrobras. A disputa judicial questiona alterações promovidas na metodologia de cálculo que, em poucos dias, elevaram significativamente o custo da contratação, além da priorização de usinas movidas a gás e carvão em detrimento de fontes renováveis. O juiz Manoel Pedro Martins de Castro Filho determinou a perda de eficácia da decisão emitida anteriormente pela Justiça do Ceará e manteve o processamento do caso no DF. O leilão busca ampliar a segurança do sistema elétrico diante da crescente demanda em horários de ponta, quando a geração solar e eólica é insuficiente para atender o consumo. (Folha de São Paulo - 10.06.2026)
Senado solicita estudos sobre eventual antecipação de contratos do LRCAP
A Comissão de Infraestrutura do Senado aprovou requerimento para solicitar ao Ministério de Minas e Energia os estudos técnicos que fundamentam uma possível antecipação dos contratos firmados nos Leilões de Reserva de Capacidade realizados em março de 2026. O pedido, apresentado pelo senador Marcos Rogério, inclui informações sobre impacto tarifário, custos sistêmicos, critérios de seleção das usinas e comparação econômica entre a antecipação dos contratos existentes e alternativas de contratação competitiva em novos certames. O parlamentar argumenta que o processo foi marcado por controvérsias técnicas, questionamentos sobre preços-teto, investigações do Cade e análises do Tribunal de Contas da União. O LRCAP contratou cerca de 20 GW de potência, com receita estimada de R$ 515,7 bilhões ao longo dos contratos e investimentos previstos de aproximadamente R$ 64,5 bilhões. A comissão pretende avaliar se eventuais antecipações representam a solução mais eficiente para o sistema elétrico e para os consumidores. (Agência CanalEnergia - 10.06.2026)
CMSE mantém curva de risco 15/40 com efeito favorável do LRCAP
O CMSE decidiu manter a partir de janeiro de 2027 o parâmetro de aversão a risco, expresso na fórmula 15/40, ao concluir que a entrada da potência contratada nos leilões reduzirá a pressão sobre o PLD do acionamento de térmicas, contrariando as expectativas de uma posição mais agressiva. O CMSE havia adiado a decisão, após muitas contribuições à consulta pública proporem a fórmula 15/30, aguardando avaliação da CCEE e do ONS sobre os impactos dos LRCAPs de março. A decisão agradou os geradores hidrelétricos e desagradou comercializadores, industriais e geradores eólicos. O vice-presidente de Regulação, Institucional e de Mercado da Axia Energia, Rodrigo Limp, entendeu a decisão como bastante positiva, alinhada à melhoria da eficiência do setor, com preços aderentes à realidade da operação. Em oposição, Luiz Vianna, vice-presidente Institucional e Regulatório do Grupo Delta Energia, disse que a decisão mantém um modelo conservador de custos elevados desnecessários para toda a sociedade, com impactos na inflação. Apesar da decisão, o CMSE sinalizou a necessidade de aperfeiçoamento dos modelos computacionais em face à nova realidade de renováveis intermitentes e eventos climáticos extremos. (Brasil Energia - 11.06.2026)
EPE disponibiliza base de dados utilizada no LRCAP Armazenamento
A EPE disponibilizou a base de dados utilizada para a identificação dos barramentos candidatos à bonificação no Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência, por meio de Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias – LRCAP Armazenamento. A metodologia aplicada considera índices de robustez elétrica, em especial o MISCR (Multi-Infeed Short Circuit Ratio), com o objetivo de identificar regiões e pontos do SIN com menor robustez elétrica e, portanto, maior potencial de benefício sistêmico com a inserção de sistemas de armazenamento por baterias, especialmente quando dotados de requisitos Grid-Forming. A base de dados foi construída a partir de premissas aderentes ao planejamento setorial, considerando o cenário de carga máxima diurna de 2030, associado ao PDE 2035. Ao longo do processo de preparação do leilão, a base de dados passou por atualizações sucessivas, contemplando a exclusão de usinas com outorga revogada; CUST rescindido ou previsão de entrada em operação comercial postergada para após o ano 2030; bem como a inclusão de usinas vencedoras dos LRCAPs de UTEs e UHEs. A base está disponível aqui. (EPE - 09.06.2026)
Leilão de baterias terá contratos de 15 anos e ocorrerá em dezembro
O primeiro leilão brasileiro voltado especificamente à contratação de sistemas de armazenamento por baterias deverá ser realizado em dezembro e contará com contratos de 15 anos, segundo informações divulgadas pelo setor. A iniciativa é considerada um marco para a consolidação do mercado de armazenamento de energia no país e ocorre após avanços regulatórios promovidos pela Aneel. O objetivo é criar condições para atrair investimentos em tecnologias capazes de aumentar a flexibilidade do sistema elétrico, reduzir desperdícios de geração renovável e melhorar a segurança do abastecimento. Especialistas destacam que as baterias desempenharão papel cada vez mais relevante diante da expansão da geração solar e eólica. O certame deverá fornecer sinais econômicos para a formação de um novo segmento de mercado e impulsionar investimentos bilionários ao longo da próxima década. (CNN Brasil - 09.06.2026)
Leilão de baterias impulsiona investimentos industriais no Brasil
A realização do primeiro leilão de sistemas de armazenamento por baterias do Brasil, prevista para dezembro, já começa a mobilizar investimentos industriais e projetos de nacionalização da cadeia produtiva. Segundo a Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia, o certame poderá movimentar aproximadamente R$ 8 bilhões e consolidar o país como referência regional em armazenamento energético. As baterias são consideradas fundamentais para reduzir os impactos do curtailment nas usinas solares e eólicas, armazenando excedentes de geração para utilização em horários de maior consumo. Empresas como WEG e Anodox anunciaram projetos industriais voltados à fabricação e integração de sistemas BESS. A WEG recebeu financiamento de R$ 280 milhões do BNDES para ampliar sua capacidade produtiva em Santa Catarina, enquanto a sueca Anodox instalará uma fábrica no Ceará com potencial de 2 GWh por ano e geração de 590 empregos. O avanço da tecnologia também estimula novos modelos de negócio, amplia a segurança energética e fortalece a infraestrutura necessária para a expansão das fontes renováveis no país. (Valor Econômico - 11.06.2026)
CCEE se diz pronta para realizar primeiro leilão de baterias do país
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) informou que já possui condições operacionais para conduzir o primeiro leilão de armazenamento por baterias do país ainda este ano. O posicionamento ocorre após os avanços regulatórios promovidos pela Aneel e reforça a expectativa de que o armazenamento se torne um componente estratégico para a operação do sistema elétrico. A entidade destaca que os sistemas de baterias poderão contribuir para aumentar a flexibilidade da rede, reduzir desperdícios de geração renovável e melhorar a confiabilidade do suprimento energético. O setor avalia que o certame será um marco para a atração de investimentos e para a consolidação de um novo segmento de mercado no Brasil. Especialistas estimam que a expansão do armazenamento desempenhará papel fundamental na integração de fontes renováveis e na modernização da matriz elétrica nacional. (CNN Brasil - 03.06.2026)
Oferta e Demanda de Energia Elétrica
Brasil: ONS aciona plano inédito para conter excedente de geração no sistema
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou pela primeira vez o plano emergencial de gestão de excedentes para preservar a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN) diante da combinação entre baixa demanda no feriado prolongado de Corpus Christi e elevada geração distribuída. A medida determinou às distribuidoras a redução da produção de usinas Tipo III, grupo que inclui pequenas centrais hidrelétricas, empreendimentos a biomassa e unidades eólicas e solares de menor porte. Entre 10h e 14h do dia 6 de junho, o operador solicitou o gerenciamento de cerca de 1.000 MW, volume capaz de atender milhões de consumidores. O mecanismo, aprovado pela Aneel em 2025, surgiu após episódios de forte estresse operacional provocados pela expansão da geração distribuída. Segundo o ONS, a operação foi bem-sucedida e contou com a atuação coordenada de distribuidoras responsáveis por aproximadamente 80% da capacidade instalada dessas usinas. (Valor Econômico - 08.06.2026)
‘Efeito Dia dos Pais’ fez ONS acionar corte emergencial
O temor de que a queda da carga no dia 7 de junho, domingo, levou o ONS a acionar pela primeira vez o chamado Plano Emergencial de Gestão de Excedentes, determinando que as distribuidoras cortassem 1 GW de geração de fontes conectadas diretamente a elas sem controle do SIN, as chamadas usinas Tipo III. O medo do Operador era que o domingo gerasse uma situação similar à ocorrida no ano passado nos dias das Mães e dos Pais. No Dia dos Pais, a carga líquida, que é a demanda total menos a geração não despachável, caiu a 35.306 MW, gerando risco de perda do controle da operação do SIN. Naquele 10 de agosto, o ONS cortou praticamente toda a energia das fontes intermitentes (eólica e solar) centralizadas. Agora, graças à aprovação pela Aneel, em novembro do ano passado, do mecanismo regulatório que permitiu os cortes de pequenos geradores, o ONS fez uso pela primeira vez desses cortes emergenciais além de sua própria capacidade de cortar. Segundo nota divulgada hoje pelo Operador, as distribuidoras foram avisadas no sábado para fazer os cortes no horário entre 10h e 14h. (Brasil Energia - 08.06.2026)
Corte inédito de geração evidencia desafios da expansão solar
Pela primeira vez, o ONS utilizou um mecanismo regulatório específico para reduzir a geração de pequenas usinas diante de um cenário de excesso de oferta de energia. O acionamento ocorreu durante o feriado prolongado de Corpus Christi e envolveu cortes coordenados pelas distribuidoras para preservar o equilíbrio do sistema elétrico. O episódio expõe os impactos da rápida expansão da geração distribuída, especialmente solar, que em determinados períodos consegue suprir parcela significativa da demanda nacional. O operador argumenta que a medida foi necessária para evitar riscos operacionais, enquanto distribuidoras e associações setoriais defendem aprimoramentos regulatórios e políticas públicas capazes de reduzir os gargalos estruturais que têm levado a restrições de geração e crescente complexidade na operação do sistema. (Valor Econômico - 08.06.2026)
Doze distribuidoras são acionadas para cortar geração de usinas
A Abradee informou que 12 distribuidoras foram acionadas para executar cortes de geração em usinas Tipo III entre 10h e 14h de domingo, como parte do plano emergencial de gestão de excedentes definido pelo ONS. As empresas envolvidas foram CPFL Paulista, Cemig D, Energisa MT, Copel D, Neoenergia Elektro, Celesc, Equatorial GO, Energisa MS, Neoenergia Coelba, RGE, EDP Espírito Santo e Neoenergia Pernambuco, grupo que concentra cerca de 80% da potência instalada dessas usinas no país. A medida foi adotada para evitar riscos operacionais no Sistema Interligado Nacional diante de excesso de geração sem demanda correspondente. A Abradee destacou que os cortes devem seguir critérios claros e robustos para evitar insegurança jurídica. A entidade também alertou que os desafios associados ao excesso de geração renovável já são realidade e podem se repetir em feriados e eventos de grande porte, exigindo políticas públicas estruturais. (Broadcast Energia - 08.06.2026)
Especialistas veem novos cortes de geração pelo ONS nos próximos meses
A primeira utilização do plano emergencial de gestão de excedentes pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico tende a se repetir com maior frequência diante do avanço da geração renovável e da crescente complexidade operacional do sistema elétrico brasileiro. No último fim de semana, o ONS determinou cortes equivalentes a 30% da geração eólica e solar e solicitou às distribuidoras o gerenciamento de cerca de 1.000 MW adicionais para preservar o equilíbrio da rede durante um período de baixa demanda após o feriado de Corpus Christi. Especialistas afirmam que eventos como feriados prolongados e jogos da Copa do Mundo poderão exigir novas intervenções. O aumento da micro e minigeração distribuída, que não é diretamente controlada pelo operador, é apontado como um dos fatores que ampliam o desafio operacional. Representantes do setor defendem mudanças regulatórias, ampliação do armazenamento por baterias e modernização da infraestrutura para lidar com a chamada “curva do pato”, caracterizada por forte queda da carga líquida durante o dia e rápida elevação do consumo ao entardecer. (Valor Econômico - 10.06.2026)
ONS registra cortes de até 5,3 GW na geração renovável do Nordeste
O Operador Nacional do Sistema Elétrico registrou restrições expressivas à geração renovável em todos os submercados do país em 9 de junho, com destaque para o Nordeste, onde os cortes atingiram pico de 5.347 MW. Segundo o ONS, as limitações decorreram de necessidades de controle de frequência, restrições operativas regionais e gestão dos fluxos de transmissão em condições normais e de intervenção. O Sudeste/Centro-Oeste registrou cortes de até 2.056 MW, enquanto Sul e Norte também apresentaram restrições por razões operacionais. Paralelamente, a Aneel determinou ajustes nos procedimentos de contabilização dos eventos de constrained-off, exigindo do ONS maior detalhamento temporal das restrições e a recontabilização de eventos relacionados à indisponibilidade externa. As medidas buscam aprimorar os mecanismos de ressarcimento aos geradores afetados pelos cortes e aumentar a precisão das informações utilizadas pela CCEE nos processos de contabilização do mercado elétrico. (Agência CanalEnergia - 10.06.2026)
Consumo de energia cresce 3,8% em abril com destaque para residências
O consumo nacional de energia elétrica alcançou 49.591 GWh em abril, crescimento de 3,8% em relação ao mesmo mês de 2025, revertendo a trajetória de queda observada nos dois meses anteriores, segundo a Empresa de Pesquisa Energética. Todas as regiões registraram expansão, lideradas pelo Norte, com alta de 7,6%, seguido pelo Nordeste, com 4,9%. O segmento residencial apresentou o maior avanço entre as classes de consumo, crescendo 8,7% e atingindo 16.153 GWh, resultado associado às temperaturas mais elevadas e ao maior uso de equipamentos de climatização. O consumo comercial aumentou 5,6%, alcançando recorde histórico de 9.584 GWh, enquanto a indústria registrou alta de 1,4%, com crescimento em 22 dos 37 setores monitorados. O mercado livre respondeu por 44,9% do consumo nacional e avançou 4,5%, impulsionado pela continuidade da migração de consumidores após a abertura do segmento para todas as unidades do grupo A. (Broadcast Energia - 05.06.2026)
ONS projeta alta de 0,9% na carga do SIN em junho
A revisão do Programa Mensal da Operação do ONS indica crescimento de 0,9% na carga do Sistema Interligado Nacional em junho na comparação com o mesmo período do ano anterior. O avanço será impulsionado principalmente pelas regiões Norte e Nordeste, que deverão registrar elevações de 4,5% e 5,2%, respectivamente, enquanto o Sudeste/Centro-Oeste terá retração de 0,8% e o Sul recuo de 0,2%. O operador também prevê aumento dos níveis dos reservatórios em praticamente todo o país ao longo do mês, com armazenamento estimado de 65,4% no Sudeste/Centro-Oeste, 65,1% no Sul, 90,2% no Nordeste e 99,9% no Norte. A previsão de despacho térmico semanal soma 8.494 MW médios, dos quais 4.934 MW médios por inflexibilidade e 3.560 MW médios por ordem de mérito, refletindo as condições operativas esperadas para o período. (Agência CanalEnergia - 05.06.2026)
Setor elétrico reforça operação especial para Copa do Mundo
O setor elétrico brasileiro está reforçando medidas operacionais para garantir a confiabilidade do fornecimento de energia durante os jogos da Copa do Mundo. As ações incluem monitoramento ampliado das instalações, planos de contingência e coordenação entre agentes responsáveis pela geração, transmissão e distribuição de eletricidade. Em síntese, o objetivo é reduzir riscos de interrupções e assegurar estabilidade ao sistema durante eventos de grande audiência e elevada demanda por serviços de comunicação e transmissão. Especialistas destacam que grandes competições esportivas exigem preparação específica devido à relevância econômica e social associada à continuidade do fornecimento energético. A iniciativa reforça a importância do planejamento operacional e da resiliência da infraestrutura elétrica para suportar eventos de grande porte sem comprometer a qualidade do serviço prestado à população. (O Globo - 12.06.2026)
Curtailment alcança usinas fora da Rede Básica e amplia debate regulatório
A operação emergencial realizada pelo ONS em 7 de junho marcou a primeira extensão dos cortes de geração de energia para usinas conectadas à rede de distribuição, fora da Rede Básica, em razão do excesso de oferta e do baixo consumo registrados no sistema. A medida foi adotada após o esgotamento das alternativas de redução da geração centralizada e envolveu o acionamento das distribuidoras para limitar a produção de empreendimentos classificados como Tipo III. Representantes do setor avaliam que a situação tende a se repetir com maior frequência devido ao crescimento acelerado da micro e minigeração distribuída, especialmente da geração solar. Entidades de geradores defendem a adoção de sinais tarifários e de preço mais adequados, além do estímulo ao armazenamento em baterias, para reduzir a injeção excessiva de energia em horários de baixa demanda. O episódio também abre discussões sobre compensações financeiras aos agentes afetados e sobre a necessidade de compartilhamento dos custos entre diferentes segmentos de geração. (Agência CanalEnergia - 09.06.2026)
Curtailment cresce apesar de forte desempenho operacional das renováveis
O desempenho operacional das usinas eólicas e solares permaneceu elevado em abril, mas as perdas provocadas por restrições operacionais no Sistema Interligado Nacional continuaram avançando. Segundo levantamento da ePowerBay com dados da CCEE, a usina GSII Solar 3, da Matrix Energia, liderou o ranking solar com fator de capacidade de 33,77%, enquanto o parque eólico Ventos de Santo Abraão, da Enel, alcançou 64,01%, o melhor resultado entre os empreendimentos avaliados. Apesar da elevada produtividade, as perdas acumuladas por curtailment em projetos eólicos e solares se aproximaram de 53 milhões de MWh, crescimento de 4,2% em relação ao mês anterior. Apenas em abril, foram cortados 2,13 milhões de MWh, volume 87,2% superior ao registrado em março. O estudo aponta que as restrições por razões energéticas já respondem por quase metade das perdas e reforça que a capacidade de escoamento da rede passou a ser um fator determinante para o desempenho econômico dos empreendimentos renováveis. (Agência CanalEnergia - 08.06.2026)
Após 2030, 95% do curtailment deve vir do excesso de oferta
Segundo estudo apresentado pela Aurora Energy Research em 2 de junho, mais de 95% dos cortes projetados para a próxima década passarão a ter natureza energética, ou seja, deixarão de ocorrer principalmente por restrições físicas de transmissão e passarão a refletir momentos de excesso de oferta renovável frente à demanda do sistema. Os cortes de geração renovável provocados por limitações da rede elétrica devem perder força no Brasil a partir de 2030, mas isso não significará o fim do curtailment. No cenário-base, os níveis de curtailment permanecem elevados em 2026 e 2027. Em 2028, a entrada de baterias reduz parcialmente os cortes. A mudança mais relevante, porém, ocorre entre 2029 e 2030, com a entrada de novas linhas em corrente alternada e do bipolo Graça Aranha–Serra da Mesa, que ampliam o escoamento da geração do Nordeste. Além do cenário central, a Aurora elaborou um cenário sob condições adversas. Nesse caso, o curtailment em 2035 supera o nível registrado em 2026. A modelagem também atribui papel relevante aos projetos de hidrogênio verde e destaca a permanência do risco climático. (Brasil Energia - 02.06.2026)
Participação da energia renovável na matriz caiu 0,5 ponto percentual
A matriz energética brasileira apresentou, em 2025, um recuo de 0,5 ponto percentual na participação da energia renovável, totalizando 49,5%. Ainda assim, o Brasil segue desfrutando de um patamar de renovabilidade muito superior ao observado no mundo, que, em 2023, se mantinha em uma fatia média de apenas 14,5%. Esses dados são parte do Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional 2026 – ano base 2025, documento divulgado em 3 de junho pela EPE. De acordo com o relatório, em relação à participação das fontes renováveis na matriz energética, houve um aumento da oferta interna de energia eólica e solar, associado à queda de energia hidráulica. A oferta de energia elétrica, por sua vez, apresentou aumento de 2,7%, atingindo um patamar de 20,4 TWh. Ao todo, as fontes renováveis tiveram, no ano passado, uma participação de 86,8% na matriz elétrica. As usinas eólicas e solares fotovoltaicas representaram 26,4% da geração total de eletricidade no país em 2025. Quanto à geração termelétrica, houve um aumento de 12,3% em 2025 em relação ao ano anterior. (Brasil Energia - 05.06.2026)
Entidades pedem ao CMSE menor aversão a risco na operação
Associações que representam comercializadores, consumidores, autoprodutores e geradores renováveis divulgaram um manifesto conjunto pedindo que o CMSE reduza o nível de aversão a risco adotado na operação do SIN. A discussão será analisada na reunião do colegiado marcada para 10 de junho. No centro do debate está a definição dos parâmetros utilizados pelos modelos computacionais que orientam a operação do sistema. Atualmente, o setor trabalha com o critério conhecido como CVaR 25;35, adotado para aumentar a preservação dos reservatórios hidrelétricos por meio de um despacho mais intenso de usinas térmicas. Segundo o manifesto, a manutenção do critério elevará os custos da operação em cerca de R$ 3 bilhões para um ganho de apenas 0,4% no armazenamento dos reservatórios. As entidades defendem o retorno ao parâmetro CVaR 15;30, considerado menos conservador e de custos operacionais menores, porque os parâmetros vigentes foram definidos em um contexto diferente do atual. Assinam o texto a Abraceel, Abeeólica, Abrace, Abiape, Anace, Cogen a Frente Nacional dos Consumidores de Energia. (Brasil Energia - 08.06.2026)
Preço de energia tem queda no curto prazo
Segundo a consultoria Dcide, o mercado de energia atravessa um período de descolamento em sua curva de preços. Enquanto as cotações de curto e médio prazo enfrentam uma desaceleração, os contratos de longo prazo demonstram resiliência, registrando altas anuais expressivas. Para o diretor da consultoria, Henrique Leme, a precificação de curto prazo está atualmente na faixa de R$ 200/MWh, um patamar relativamente baixo perante o histórico recente. Além disso, houve redução no valor dos prêmios de modulação. Já no médio prazo, os preços para compra do segundo semestre (julho a dezembro de 2026), estavam, em fevereiro, em torno de R$ 360/MWh, mas, em junho, estão em torno de R$ 270/MWh para energia do tipo Convencional SE/CO. Trata-se de uma queda de 25%, registrada principalmente em março, mas que ainda segue no mesmo ritmo após o encerramento do período úmido. Na avaliação do consultor, os principais fatores de redução dos preços incluem a melhora nos reservatórios. Em contrapartida, a precificação a longo prazo continua em alta, com o Índice de Longo Prazo (2027 a 2030) em R$ 243,25/MWh. (Brasil Energia - 05.06.2026)
MME e EPE divulgam estudos e dados complementares do PDE 2035
O MME e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgaram, em 3 de junho, estudos e documentos complementares do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035). Entre os documentos divulgados está o Painel de Resultados do PDE 2035, ferramenta interativa que consolida os principais resultados energéticos do plano. O painel contempla informações sobre oferta interna de energia, geração elétrica, capacidade instalada, consumo final de energia, emissões de gases de efeito estufa, investimentos, balanço energético e outros indicadores relevantes para o horizonte decenal de 2026 a 2035. Também foi disponibilizada a lista de empreendimentos de transmissão de energia considerados no PDE 2035, com o detalhamento dos projetos de linhas de transmissão e subestações considerados no plano. Além disso, a EPE disponibiliza os conjuntos de arquivos dos modelos computacionais utilizados nos estudos de expansão da geração elétrica do cenário de referência do PDE 2035. Acesse os dados complementares aqui. (EPE - 03.06.2026)
EPE publica o Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional 2026
A Empresa de Pesquisa Energética - EPE apresenta ao público mais uma edição do Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional 2026 – ano base 2025, documento que contém as informações consolidadas sobre quanto e como se usou energia no Brasil em 2025. Sobre a oferta de energia, em 2025, a matriz energética brasileira manteve o elevado patamar de renovabilidade próximo de 50%, com destaque para o aumento da oferta interna de eólica e solar, associado à queda de energia hidráulica. Observa-se que a renovabilidade da matriz brasileira se encontra em nível muito superior ao observado no resto do mundo e nos países da OCDE. O relatório também apresenta outras informações sobre: Participação das Renováveis na Oferta Interna de Energia (OIE); Consumo Energético; Energia Elétrica; Participação das renováveis na Oferta Interna de Energia Elétrica; e Emissões. Acesse o estudo aqui. (EPE - 03.06.2026)
Consumidores
Migração para o mercado livre de energia cai 40% no início de 2026
O número de consumidores que migraram para o mercado livre de energia registrou queda próxima de 40% nos primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. O recuo reflete mudanças nas condições econômicas e comerciais do setor, incluindo a redução dos diferenciais de preço entre os ambientes regulado e livre e a maior cautela de consumidores diante das perspectivas para o mercado energético. Apesar da desaceleração, especialistas avaliam que o movimento não altera a tendência estrutural de expansão do mercado livre, impulsionada pela busca por flexibilidade contratual, previsibilidade de custos e acesso a fontes renováveis. O setor continua acompanhando a evolução das condições de competitividade e os efeitos das discussões regulatórias sobre a abertura do mercado. A expectativa é que novas medidas de modernização possam estimular uma retomada do ritmo de migração nos próximos anos. (CNN Brasil - 03.06.2026)
BBCE registra queda nos preços de contratos de energia
A BBCE encerrou a semana entre 1º e 5 de junho com retração nos preços dos contratos de energia, especialmente nos produtos com vencimento em 2026. As maiores quedas ocorreram nos contratos para agosto, que recuaram 10,53%, seguidos pelos produtos para julho, com baixa de 9,85%, e pelo terceiro trimestre de 2026, com redução de 8,92%. Segundo a plataforma, o movimento reflete ajustes nas expectativas do mercado diante das condições hidrológicas e climáticas previstas para os próximos meses. No submercado Sudeste/Centro-Oeste, a energia natural afluente alcançou 27 GW médios, equivalente a 86% da média de longo prazo, enquanto a perspectiva de ocorrência de El Niño também influenciou a formação dos preços. Além dos contratos de preço fixo, os produtos de spread concentraram os maiores volumes negociados, registrando movimentação energética mais de oito vezes superior ao principal contrato negociado em tela durante o período. (Agência CanalEnergia - 08.06.2026)
CCEE pontua avanço na classificação de comercializadoras
A CCEE apontou sinais de amadurecimento no processo de classificação das comercializadoras de energia ao encerrar o ciclo de 2026. O número de agentes que não enviaram a documentação exigida caiu de 126 em 2024 para 77 em 2026, uma retração de 39%, ao passo que as empresas enquadradas como Tipo 1 passaram de 290 para 317, alta de 9,3%. Outros 121 agentes apresentaram as comprovações solicitadas e foram classificados como Tipo 2. Segundo a Câmara, o resultado indica maior adaptação do mercado às exigências de gestão de riscos. A entidade também propôs, em contribuição à Consulta Pública nº 033/2025 da Aneel, que o monitoramento prudencial substitua futuramente a classificação por tipos, com envio ao menos semestral de demonstrações financeiras. A CCEE reforçou ainda a necessidade de atualização do Patrimônio Líquido Ajustado com base no balanço patrimonial mais recente. (CCEE - 10.06.2026)
CCEE registra maior adesão às regras de classificação de comercializadoras
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica concluiu o ciclo de classificação das comercializadoras de 2026 com sinais de amadurecimento do mercado. O número de empresas que deixaram de apresentar a documentação exigida caiu de 126 para 77 em dois anos, redução de 39%, enquanto o total de agentes enquadrados como Tipo 1 avançou de 290 para 317, crescimento de 9,3%. Segundo a entidade, os resultados refletem maior familiaridade dos participantes com as exigências regulatórias e a incorporação desses procedimentos às rotinas operacionais. A CCEE também defende uma evolução do modelo atual, propondo à Aneel a substituição futura da classificação por um sistema de monitoramento prudencial contínuo baseado em demonstrações financeiras periódicas. A medida busca preservar a segurança das operações, simplificar processos e reduzir custos regulatórios, fortalecendo a supervisão financeira das empresas que atuam no mercado livre de energia. (Agência CanalEnergia - 11.06.2026)
CCEE avalia que setor elétrico está preparado para avançar na ampliação do mercado livre
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) avalia que o setor está preparado para avançar na ampliação do mercado livre de energia, movimento que poderá permitir a um número cada vez maior de consumidores escolher seus fornecedores de eletricidade. A entidade destaca que os sistemas de registro, contabilização e liquidação vêm sendo aprimorados para suportar o aumento do número de agentes e contratos. A expansão do mercado livre é considerada uma das principais transformações estruturais do setor elétrico brasileiro, com potencial para ampliar a concorrência, estimular a eficiência econômica e oferecer maior liberdade de contratação aos consumidores. Especialistas apontam que a abertura gradual exigirá aperfeiçoamentos regulatórios, fortalecimento dos mecanismos de proteção aos consumidores e evolução dos modelos de comercialização. O tema integra a agenda de modernização do setor e deverá ganhar relevância nos próximos anos diante do crescimento da geração distribuída, da digitalização e da descentralização do sistema elétrico. (CNN Brasil - 03.06.2026)
Biblioteca Virtual
Artigo GESEL: “O Plano Nacional de Transição Energética Brasileira”
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico \[GESEL\]) e Kalyne Brito (pesquisadora associada do GESEL) analisam o Plano Nacional de Transição Energética (PLANTE), apresentado pelo Ministério de Minas e Energia como instrumento estratégico para orientar a descarbonização da economia brasileira. Os autores destacam que o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo, mas ainda enfrenta desafios relevantes em setores dependentes de combustíveis fósseis. O texto explica que o PLANTE complementa os instrumentos tradicionais de planejamento energético, estruturando ações de longo prazo apoiadas em três pilares: segurança energética, justiça energética e climática e competitividade econômica de baixo carbono. Também ressalta o caráter participativo de sua elaboração, envolvendo órgãos públicos, setor produtivo, sociedade civil e academia. A análise evidencia ainda a necessidade de expansão da infraestrutura elétrica, o combate à pobreza energética e o aproveitamento das vantagens competitivas brasileiras em minerais estratégicos e biocombustíveis. Conclui que o plano fortalece a institucionalidade do setor energético, embora seu sucesso dependa de monitoramento contínuo, financiamento adequado e ampla participação social. Acesse o texto na íntegra aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 09.06.2026)
Artigo GESEL: “BESS Embarcados: Uma nova fronteira tecnológica para a flexibilidade do setor elétrico”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Mauricio Moszkowicz, Cesar Sobral, Lillian Monteath, Kalyne Brito (pesquisadores do Gesel-UFRJ) e João Vieira (Project Manager da Karpowership Brasil Energia) analisam o potencial dos sistemas de armazenamento de energia em baterias embarcados em embarcações como solução inovadora para ampliar a flexibilidade dos sistemas elétricos. Os autores argumentam que a crescente participação de fontes renováveis intermitentes exige novos mecanismos de confiabilidade e armazenamento, destacando os chamados BESS embarcados como alternativa capaz de oferecer mobilidade, rápida realocação e suporte operacional a redes elétricas. O texto examina experiências internacionais, especialmente na Europa, onde embarcações eletrificadas e sistemas integrados de carregamento já contribuem para a redução de emissões e, em alguns casos, para a prestação de serviços ao sistema elétrico por meio dos conceitos ship-to-grid e vessel-to-grid. Também são discutidas barreiras técnicas, econômicas e regulatórias relacionadas à integração entre os setores elétrico e marítimo-portuário. Para o Brasil, os autores identificam oportunidades relevantes em sistemas isolados, na descarbonização portuária e na oferta de serviços ancilares, suporte à confiabilidade e redução de restrições operacionais. Concluem que a expansão dessa tecnologia dependerá principalmente da construção de um arcabouço regulatório específico e de mecanismos de coordenação institucional capazes de capturar os benefícios sistêmicos proporcionados pelos ativos móveis de armazenamento. Acesse o artigo na íntegra aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 12.06.2026)
Artigo de Jorge Arbache: “Descarbonizar o passado ou esverdear o futuro?”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Jorge Arbache (professor de economia da Universidade de Brasília) analisa os desafios da transição para uma economia de baixo carbono sob a perspectiva da economia política. O autor argumenta que o principal obstáculo à descarbonização já não é tecnológico nem financeiro, mas a necessidade de conciliar interesses associados aos ativos industriais existentes com a construção de novas cadeias produtivas verdes. Arbache distingue duas estratégias: a adaptação de instalações já estabelecidas, conhecida como brownfield, voltada à preservação de empregos, patrimônio e capacidade produtiva, e os investimentos greenfield, que permitem incorporar tecnologias mais avançadas e modelos produtivos concebidos desde o início para um contexto de baixo carbono. O texto sustenta que a proteção excessiva de estruturas legadas pode retardar a transição e elevar seus custos, mas ressalta que abandonar os ativos existentes também não é uma solução eficiente. Com exemplos da indústria sueca, o autor mostra como novas tecnologias podem complementar e acelerar a modernização de setores tradicionais. Para o Brasil, essa dinâmica representa uma oportunidade estratégica, dada a abundância de recursos naturais e energia limpa. Conclui que políticas industriais verdes bem-sucedidas devem criar pontes entre passado e futuro, permitindo que novos investimentos ajudem a financiar e acelerar a transformação das atividades já existentes. (GESEL-IE-UFRJ – 11.06.2026)
Artigo de Martin Wolf: “Por que o mundo precisa regulamentar a IA”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Martin Wolf (principal comentarista econômico do Financial Times) discute os riscos associados ao avanço da inteligência artificial e defende a necessidade de sua regulamentação, embora reconheça as dificuldades práticas para que esse objetivo seja alcançado. O autor argumenta que a IA representa uma tecnologia de alcance transformador, comparável em certos aspectos às armas nucleares, devido ao potencial de produzir impactos profundos sobre a sociedade. Entre os principais riscos apontados estão a erosão de valores humanos fundamentais, a substituição de processos decisórios humanos por sistemas autônomos e a dificuldade de atribuir responsabilidade moral e jurídica a entidades controladas por inteligência artificial. Wolf também destaca ameaças relacionadas à vigilância em massa, às armas autônomas, à disseminação de desinformação por meio de deepfakes, à cibersegurança e à criação de patógenos letais. Além disso, sustenta que a corrida tecnológica entre grandes empresas e a competição estratégica entre Estados Unidos e China dificultam a adoção de controles efetivos. Apesar desse cenário, o autor considera essencial buscar mecanismos internacionais de governança e cooperação, incluindo possíveis acordos entre as principais potências. Conclui que o futuro da humanidade é importante demais para ser deixado exclusivamente nas mãos de empresas de tecnologia, exigindo debate público, responsabilidade democrática e esforços de regulamentação global. (GESEL-IE-UFRJ – 11.06.2026)
Artigo de Filipe Cunha: “Minerais críticos: o Brasil pode querer mais valor, mas precisa oferecer menos incerteza”
Em artigo publicado pela Agência Eixos, Filipe Cunha (head de mineração do Bichara Advogados) analisa o Projeto de Lei nº 2.780/2024, que estabelece diretrizes para uma política nacional voltada aos minerais críticos e estratégicos. O autor reconhece o mérito da proposta ao buscar estimular o beneficiamento mineral, a inovação tecnológica, a mineração urbana e a agregação de valor no território nacional, reduzindo a dependência da exportação de matérias-primas. Contudo, sustenta que determinados dispositivos do projeto podem gerar insegurança jurídica ao submeter operações privadas, como mudanças de controle societário e parcerias internacionais, à homologação estatal sem critérios suficientemente claros e previsíveis. Segundo o autor, investimentos em mineração e em cadeias industriais de maior valor agregado exigem horizontes de longo prazo e dependem de estabilidade regulatória. Cunha argumenta que o Brasil concorre globalmente por capital e tecnologia e que a imprevisibilidade institucional pode afastar investidores para outras jurisdições. Conclui defendendo que o Senado aperfeiçoe o texto, preservando os instrumentos de incentivo e financiamento, mas restringindo mecanismos de controle estatal a hipóteses objetivas e necessárias, de modo a tornar o país mais atrativo para investimentos e capaz de transformar seu potencial mineral em prosperidade econômica. (GESEL-IE-UFRJ – 11.06.2026)
Artigo de Gustavo Ayala: “Quem ouviu o Texas em 2023 já está se posicionando”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Gustavo Ayala (CEO do Grupo Bolt) analisa as transformações estruturais em curso no sistema elétrico brasileiro e argumenta que os sinais dessa mudança já eram perceptíveis desde 2021, embora tenham sido temporariamente mascarados por condições hidrológicas favoráveis. O autor relembra uma missão técnica ao Texas, em 2023, quando um episódio de disparada do PLD evidenciou que a volatilidade do setor passou a decorrer menos da escassez física de energia e mais da expansão das fontes renováveis intermitentes, das limitações de transmissão e da necessidade de novas fontes de flexibilidade. Ayala defende que o armazenamento em baterias, os serviços ancilares e a resposta da demanda são elementos centrais para a adaptação da matriz elétrica. O texto identifica três transições simultâneas: a consolidação regulatória do armazenamento e de novos mecanismos de flexibilidade, a abertura do mercado livre para consumidores de baixa tensão e a crescente demanda associada aos data centers. Segundo o autor, essas mudanças exigem planejamento, previsibilidade regulatória e integração entre instituições para que o país aproveite oportunidades tecnológicas e competitivas. Conclui que as decisões regulatórias tomadas entre 2025 e 2028 serão determinantes para a competitividade do setor elétrico brasileiro na década seguinte. (GESEL-IE-UFRJ – 11.06.2026)
Artigo de Jerson Kelman: “Interface entre os setores de gás e de energia elétrica”
Em artigo publicado pelo Brasil Energia, Jerson Kelman (Engenheiro civil e M.Sc. pela UFRJ e Ph.D. pela Colorado State University) trata do descompasso entre os setores de gás e energia elétrica evidenciado pelo LRCap 2026. O autor pontua que a recente correspondência enviada pela ATGás (Associação de Empresas de Transporte de Gás por Gasodutos) à Aneel, apontando uma defasagem de 4,8 milhões de m³/dia para que as térmicas do LRCap 2026 operem em "capacidade máxima de modo contínuo", expõe a histórica falta de entrosamento entre os setores de gás e de energia elétrica. É destacado também que o armazenamento de gás, economicamente mais viável que o fornecimento contínuo, pode ocorrer nos gasodutos por compressão ou em tanques próximos às usinas, bastando o transporte de forma contínua, em menores vazões ao longo do dia, para acumular o volume necessário que permita atender ao pico elétrico de até quatro horas com a potência requerida. Além disso, o texto critica a regra do LRCap 2026, por ter admitido que usinas existentes integradas ao SIN participassem do certame para receber uma receita fixa por algo que, teoricamente, já deveriam entregar. O artigo conclui que, se o LRCap 2026 de fato incentivasse a competição, ele resultaria em preços bem menores, porque a remuneração fixa precisaria ser suficiente apenas para cobrir o custo de oportunidade do descomissionamento da planta. (GESEL-IE-UFRJ – 11.06.2026)
Artigo de Alexandre Street: “O setor elétrico e o país das oportunidades perdidas”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Alexandre Street (professor associado da PUC-Rio e tinker visiting professor na Universidade Stanford) examina criticamente as escolhas regulatórias adotadas para enfrentar os desafios recentes do sistema elétrico brasileiro. O autor argumenta que o crescimento acelerado da geração solar distribuída criou um excedente de energia durante o dia e ampliou a necessidade de flexibilidade operacional no período de maior demanda ao entardecer. Embora reconheça a necessidade de medidas para garantir a segurança do sistema, sustenta que o Leilão de Reserva de Capacidade realizado em 2026 priorizou excessivamente a contratação de usinas termelétricas, resultando em custos elevados para os consumidores e em baixa competição tecnológica. O texto destaca que alternativas como baterias, recursos distribuídos, mercados locais de flexibilidade e mecanismos de integração entre distribuição e transmissão poderiam oferecer soluções mais eficientes e econômicas. Também aponta que a redução dos custos de armazenamento e da geração distribuída tende a acelerar mudanças estruturais no setor. Como conclusão, defende uma reforma regulatória capaz de atacar as causas do problema na origem, promovendo maior coordenação entre varejo e atacado, valorização da flexibilidade distribuída e uso mais eficiente dos recursos do sistema elétrico, evitando que o país desperdice vantagens competitivas relevantes no contexto da transição energética. (GESEL-IE-UFRJ – 09.06.2026)
Artigo de Bento Albuquerque: “A nova fronteira da energia nuclear”
Em artigo publicado pelo Brasil Energia, Bento Albuquerque (Almirante de Esquadra da Marinha do Brasil, ex-ministro de Minas e Energia e presidente do Conselho de Administração da Núcleo Brasil Energia Participações) trata do renovado potencial da energia nuclear com os Small Modular Reactors (SMRs) e os Micro Reatores Nucleares (MRNs). O autor argumenta que o setor está sendo impulsionado pela crescente demanda por eletricidade, desejo de descarbonização da economia e de maior segurança energética. Ele destaca o desenvolvimento da nova geração de reatores: os SMRs e os MRNs, concebidos para operar com potência de até 300 MW de forma modular, flexível e descentralizada. Além disso, o texto aponta que a IEA estima os investimentos acumulados em SMRs em US$ 670 bilhões até 2050 e afirma que existem hoje projetos em 18 países, incluindo o Brasil, com o MRN da Terminus Energy. É destacado também a importância do Brasil nesse novo cenário, pois possui vantagens estratégicas por ter as maiores reservas de urânio, capacidade tecnológica, mão de obra qualificada, instituições nucleares consolidadas e setores industriais capazes de participar da cadeia de suprimentos. O artigo conclui que, na nova economia energética global, os países que liderarem o desenvolvimento de SMRs e MRNs estarão construindo soberania tecnológica, competitividade industrial, poder estratégico e produzindo energia. (GESEL-IE-UFRJ – 11.06.2026)
Artigo de Edvaldo Santana: “O setor elétrico é verdade ‘plantada’”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Edvaldo Santana (Doutor em Engenharia de Produção e ex-diretor da Aneel) critica a influência de narrativas interessadas e de grupos de pressão na formulação das políticas do setor elétrico brasileiro. Partindo de reflexões sobre a construção histórica do conhecimento científico, o autor contrapõe a busca pela verdade baseada em evidências ao que denomina “verdade plantada”, caracterizada pela disseminação de versões convenientes para justificar interesses econômicos e políticos. Aplicando essa perspectiva ao setor elétrico, argumenta que decisões recentes têm ignorado princípios técnicos e limitações físicas do sistema, especialmente na expansão incentivada de determinadas fontes de energia por meio de subsídios. O texto sustenta que a proliferação desses incentivos contribuiu para o aumento da inflexibilidade operacional, do excedente de energia e da necessidade de contratação de reserva de capacidade, elevando significativamente os custos repassados aos consumidores. O autor também questiona a eficiência dos mecanismos de formação de preços e atribui parte relevante do encarecimento da conta de luz à atuação de lobbies setoriais. Conclui que a desconsideração de fundamentos técnicos e científicos em favor de interesses específicos compromete a segurança, a confiabilidade e a racionalidade econômica do sistema elétrico nacional. (GESEL-IE-UFRJ – 09.06.2026)
Artigo de Gustavo Ayala: “Riscos novos, infraestrutura velha”
Em artigo publicado pela Agência Eixos, Gustavo Ayala (CEO do Grupo Bolt) analisa as causas da recente crise de liquidez no mercado livre de energia brasileiro, argumentando que o problema decorre menos de falhas de gestão e mais da inadequação da infraestrutura regulatória e de mercado diante de novos riscos associados à expansão das fontes renováveis. O autor explica que a rápida disseminação da geração solar ampliou diferenças de preços entre horários do dia, criando exposições significativas para comercializadoras que negociaram contratos com perfis distintos de geração e consumo. Segundo a análise, a ausência de instrumentos de mercado, liquidez adequada e mecanismos de proteção dificultou a gestão desses riscos quando os preços dispararam. O texto destaca ainda o impacto do curtailment, a retenção estratégica de energia por agentes com maior flexibilidade operacional e limitações institucionais relacionadas à formação de preços. Como solução estrutural, defende a expansão dos sistemas de armazenamento por baterias e o aprimoramento da governança do setor, incluindo maior neutralidade na gestão dos modelos de precificação. Conclui que a consolidação dessas reformas pode restaurar a liquidez do mercado, ampliar a previsibilidade para investidores e fortalecer a expansão sustentável da geração renovável no país. (GESEL-IE-UFRJ – 09.06.2026)
Artigo de Jerson Kelman: “‘Gato solar’ causa distúrbios em toda a rede elétrica”
Em artigo publicado pela Folha de São Paulo, Jerson Kelman (ex-dirigente da Aneel) analisa os impactos da expansão irregular de sistemas fotovoltaicos na geração distribuída, fenômeno que denomina “gato solar”. O autor explica que alguns consumidores enquadrados em regimes favorecidos de subsídios ampliam clandestinamente a capacidade instalada de seus sistemas para aumentar benefícios econômicos, transferindo parte dos custos para consumidores sem geração própria. O texto defende que a comprovação de aumentos não autorizados de potência deve resultar na perda das vantagens regulatórias associadas ao enquadramento original. Além da dimensão econômica, a análise enfatiza os efeitos operacionais dessa prática sobre o sistema elétrico. Segundo o autor, a geração não registrada dificulta o planejamento da operação pelo Operador Nacional do Sistema, contribui para o aumento do curtailment de usinas renováveis e pode provocar problemas de tensão e segurança nas redes de distribuição. Kelman argumenta ainda que a adoção de sistemas de medição contínua da potência injetada e consumida permitiria maior transparência e facilitaria a modernização dos mecanismos de compensação da energia distribuída. Conclui que a superação dessas distorções depende menos de limitações técnicas e mais de decisões políticas capazes de priorizar o interesse coletivo sobre pressões de grupos organizados. (GESEL-IE-UFRJ – 11.06.2026)
Artigo de Marisol Argueta de Barillas: “O papel do Brasil na Era Inteligente”
Em artigo publicado pela Folha de São Paulo, Marisol Argueta de Barillas (Diretora para a América Latina e membro do Comitê Executivo do Fórum Econômico Mundial) analisa as oportunidades e os desafios da América Latina diante da expansão da inteligência artificial na chamada Era Inteligente. A autora destaca que a região possui potencial significativo para ampliar produtividade, crescimento econômico e desenvolvimento social por meio da IA, podendo gerar entre US$ 1,1 trilhão e US$ 1,7 trilhão em valor econômico anual. Apesar desse potencial, observa que a adoção da tecnologia ainda é limitada, com poucas empresas obtendo ganhos relevantes. O texto argumenta que a América Latina dispõe de vantagens competitivas importantes, como abundância de energia renovável, população jovem e ambiente geopolítico relativamente estável, mas necessita avançar em infraestrutura, qualificação profissional, coordenação regulatória e integração regional. Nesse contexto, o Brasil é apresentado como protagonista potencial, em razão de seu mercado de grande escala, de sua matriz energética majoritariamente renovável e da existência de políticas voltadas ao desenvolvimento da IA. A autora conclui que o aproveitamento pleno dessas oportunidades exige cooperação entre governos, empresas, academia e sociedade civil, de modo a transformar a inteligência artificial em vetor de crescimento inclusivo, sustentável e ético para toda a região. (GESEL-IE-UFRJ – 09.06.2026)
Artigo de Walter Maciel Netto: “O Brasil perdeu a janela da IA?”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Walter Maciel Netto (CEO da AZ Quest Investimentos) analisa a posição do Brasil na disputa global por investimentos em infraestrutura de inteligência artificial e questiona se o país está perdendo uma oportunidade estratégica de desenvolvimento. O autor argumenta que a revolução da IA possui uma dimensão fortemente energética, uma vez que data centers exigem grande disponibilidade de eletricidade, refrigeração e capacidade computacional. Nesse contexto, o Brasil reúne vantagens naturais relevantes, como abundância de energia renovável, experiência em transmissão elétrica e amplo mercado consumidor. O texto destaca a criação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), concebido para estimular investimentos no setor, mas observa que a iniciativa perdeu força após não avançar no Congresso. Segundo a análise, o principal problema brasileiro reside na ausência de uma estratégia integrada que articule política industrial, tributação, infraestrutura digital, educação e inserção internacional. O autor compara a experiência nacional à de países que construíram vantagens tecnológicas por meio de planejamento de longo prazo e alerta para o risco de o Brasil tornar-se apenas consumidor de tecnologias desenvolvidas no exterior. Conclui que o país ainda dispõe de condições para ocupar posição relevante na economia da inteligência artificial, desde que implemente reformas voltadas à competitividade, à inovação e à atração de investimentos tecnológicos. (GESEL-IE-UFRJ – 09.06.2026)
Artigo de Zilmar de Souza: “Curtailment, a segurança do Sistema e o placar oculto”
Em artigo publicado pelo Brasil Energia, Zilmar de Souza (Pesquisador no Instituto Energia Sustentável [E-Sust] e Gerente de bioeletricidade na Unica) trata do curtailment como um fator de real restrição à bioeletricidade, em especial às usinas Tipo III. O autor defende que a limitação operada em 7 de junho pelo ONS acende um alerta, mas também dá a oportunidade de aprimoramento e melhor detalhamento dos procedimentos e dos parâmetros operacionais que regem tais cortes, garantindo que as restrições sejam executadas com base em critérios claros, robustos e previamente definidos. É destacado também que, sem esse aprimoramento regulatório e operacional, dificulta-se o mapeamento dos impactos/riscos relevantes para os processos produtivos acoplados à geração de energia elétrica pelas usinas de bioenergia. Além disso, o texto aponta que a limitação/desconexão das usinas bioenergéticas e a subsequente necessidade de sincronização trazem riscos técnicos elevados para os equipamentos industriais e prejuízos financeiros que transcendem o setor elétrico. O artigo conclui que é crucial equilibrar a segurança operativa com a previsibilidade e a viabilidade econômica de quem, com bioprodutos e energia, impulsiona diversos setores do desenvolvimento nacional para além do elétrico. (GESEL-IE-UFRJ – 11.06.2026)
Artigo de Bráulio Borges e Moacyr Araujo: “Descarbonização e segurança energética, fim da dicotomia”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Bráulio Borges (diretor da LC) e Moacyr Araujo (coordenador da Rede Clima e vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco) defendem que a tradicional oposição entre descarbonização e segurança energética perdeu sentido diante das transformações recentes do cenário internacional. Os autores argumentam que eventos como a guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões no Oriente Médio evidenciaram a vulnerabilidade de sistemas energéticos dependentes de combustíveis fósseis concentrados em poucas regiões e rotas logísticas. Sustentam que a expansão das fontes renováveis fortalece simultaneamente a segurança energética, reduz emissões e diminui riscos geopolíticos. O texto destaca ainda a crescente competitividade econômica das energias renováveis, a rápida queda dos custos dos sistemas de armazenamento por baterias e o papel estratégico dos biocombustíveis na redução da dependência do petróleo. Conclui que a descarbonização passou a representar não apenas uma resposta climática, mas também uma estratégia de desenvolvimento, resiliência econômica e soberania energética, especialmente para países com ampla disponibilidade de recursos renováveis, como o Brasil. (GESEL-IE-UFRJ – 08.06.2026)
Artigo de Clarissa Lins: “Segurança energética em alta”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Clarissa Lins (economista e sócia fundadora da Catavento Consultoria) analisa a crescente centralidade da segurança energética em um contexto marcado por conflitos geopolíticos e pela reorganização dos fluxos globais de energia. A autora argumenta que eventos recentes, como a guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio, evidenciam a vulnerabilidade dos sistemas dependentes de combustíveis fósseis e reforçam a necessidade de diversificação das fontes energéticas. Com base em dados da Agência Internacional de Energia (IEA), destaca que os investimentos globais em energia devem alcançar US$ 3,4 trilhões em 2026, com predominância de recursos destinados a tecnologias de baixo carbono. O texto ressalta o avanço da eletrificação, o crescimento dos investimentos em redes elétricas, baterias, energia solar, nuclear e eficiência energética, bem como a liderança da China nesse processo. A autora sustenta que a expansão de fontes domésticas de baixo carbono fortalece a resiliência dos sistemas energéticos, reduz a dependência de importações e amplia a segurança de abastecimento. Conclui que a combinação entre diversidade de fontes, eletrificação e investimentos em tecnologias limpas redefine o conceito contemporâneo de segurança energética. (GESEL-IE-UFRJ – 08.06.2026)
Artigo de Valéria Amante e Ísis Tavares: “O impasse tributário que envolve as transmissoras de energia”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Valéria Nunes Lins Amante (sócia do Gaia Silva Gaede Advogados) e Ísis Calissi Brisolla Tavares (advogada do Gaia Silva Gaede Advogados) analisam a controvérsia tributária envolvendo a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL pelas concessionárias de transmissão de energia elétrica. As autoras examinam a afetação do Tema 1.415 pelo Superior Tribunal de Justiça, que discutirá se receitas associadas à construção, ampliação ou melhoria da infraestrutura de transmissão devem ser tratadas de forma autônoma para fins tributários. Sustentam que a interpretação da Receita Federal, que busca segregar receitas de construção e de operação da rede, decorre de uma leitura inadequada das mudanças contábeis introduzidas pelos padrões internacionais de contabilidade, confundindo registros técnicos com fatos econômicos tributáveis. Argumentam que a atividade das transmissoras é una e consiste na prestação do serviço público de transmissão, sendo a infraestrutura apenas um meio necessário para sua execução. O texto também aborda divergências jurisprudenciais, os riscos decorrentes da modulação dos efeitos da futura decisão e os impactos para contribuintes que adotam diferentes critérios de tributação. Conclui que a uniformização da matéria pelo STJ é essencial para ampliar a segurança jurídica do setor elétrico. (GESEL-IE-UFRJ – 08.06.2026)
Artigo de Wagner Victer: “Urânio, um mineral crítico: a mina de Santa Quitéria”
Em artigo publicado pelo Brasil Energia, Wagner Victer (ex-conselheiro do CNPE) trata da importância estratégica da exploração de urânio no Brasil, com foco na mina de Santa Quitéria, no Ceará, apontada como oportunidade para fortalecer a soberania nacional, ampliar a segurança energética e agregar valor à produção mineral. O autor argumenta que, enquanto as terras raras recebem grande atenção no debate público, o urânio permanece submetido a entraves de licenciamento, apesar de seu papel na geração nuclear de baixa emissão e da existência de reservas relevantes no país. Destaca-se o potencial econômico e social do projeto, que poderia gerar empregos, elevar o PIB regional, produzir fertilizantes fosfatados e abastecer as usinas de Angra, além de abrir espaço para exportações e investimentos na cadeia nuclear. O texto conclui que a continuidade do licenciamento é necessária e que não há razões convincentes para impedir o avanço de Santa Quitéria como vetor de desenvolvimento, renda e soberania mineral. (GESEL-IE-UFRJ – 09.06.2026)
Artigo de Lucas Kok: “Abertura do mercado exige foco na experiência do consumidor”
Em artigo publicado pela Agência Eixos, Lucas Kok (sócio e diretor de inteligência de mercado da Armor Energia) discute os desafios da abertura do mercado de energia elétrica sob a perspectiva da experiência do consumidor. O autor argumenta que a transformação em curso no setor não se limita às mudanças regulatórias introduzidas pela Lei 15.269/2025, mas envolve também uma nova relação entre consumidores e fornecedores de energia. Sustenta que a fatura de energia deve deixar de ser apenas um instrumento de cobrança para se tornar um elemento central da interação com o cliente, exigindo modelos de faturamento mais simples, transparentes e eficientes. A partir de experiências internacionais, compara sistemas descentralizados, como o da Finlândia, nos quais energia e rede são cobradas separadamente, com modelos centralizados, predominantes em diversos estados norte-americanos, que priorizam estabilidade operacional e mitigação de riscos. O texto enfatiza que não existe uma solução única para o faturamento em mercados abertos, sendo fundamental equilibrar competição, inovação, governança e proteção ao consumidor. Conclui que o sucesso da abertura do mercado dependerá da capacidade de transformar a complexidade regulatória e operacional em uma experiência clara, confiável e acessível para o usuário final. (GESEL-IE-UFRJ – 08.06.2026)
Artigo de Fernando Caneppele: “A nova lei do setor elétrico e o seu carro elétrico: o que muda na sua conta de energia”
Em artigo publicado pelo CanalVE, Fernando Caneppele (professor associado na Universidade de São Paulo e Pesquisador Associado do GESEL-UFRJ) analisa os impactos da Lei nº 15.269/2025 sobre a eletromobilidade no Brasil. O autor explica que a reforma promove a abertura gradual do Mercado Livre de Energia para consumidores de baixa tensão, permitindo que residências, comércios, operadores de eletropostos e frotas elétricas passem a contratar energia diretamente de fornecedores. Argumenta que essa mudança pode reduzir significativamente os custos de recarga dos veículos elétricos, ampliando a competitividade da tecnologia. O texto também destaca a importância da Tarifa Branca como instrumento já disponível para economia na recarga noturna e aponta o potencial do Open Energy para viabilizar soluções de recarga inteligente e integração futura dos veículos à rede elétrica. Embora reconheça desafios regulatórios e de adaptação dos consumidores, conclui que a gestão estratégica da energia se tornará um diferencial econômico relevante, transformando a recarga elétrica em elemento central da transição energética e da mobilidade sustentável. (GESEL-IE-UFRJ – 08.06.2026)