IECC 360
Marco Institucional
GESEL realiza visita técnica à usina flutuante da Karpowership em Itaguaí (RJ)
No dia 06/02/2026, o GESEL realizou uma visita técnica à usina flutuante da Karpowership, na região de Itaguaí (RJ). A atividade ocorreu no âmbito do Projeto de P&D “Bases Regulatórias para Incorporação de Sistemas BESS Embarcados no SEB”, desenvolvido em parceria com a KPS. O objetivo foi conhecer de perto a operação da termelétrica embarcada, compreender sua infraestrutura e aprofundar a análise sobre a integração dessa solução energética no contexto brasileiro. Participaram da visita Rubens Rosental, coordenador de temas especiais e estratégicos do GESEL; Lillian Monteath, pesquisadora sênior do GESEL; e Igor Barreto Julião, pesquisador associado do GESEL. Durante a visita, foram observados os principais componentes da planta geradora de energia, incluindo áreas de geração, sistemas de controle e estruturas de suporte à operação. A equipe técnica da Karpowership apresentou o funcionamento dos equipamentos, os desafios operacionais, as medidas de segurança e os impactos ambientais envolvidos. A experiência proporcionou uma visão abrangente sobre como soluções flutuantes, como os sistemas de BESS embarcados, podem contribuir para o atendimento da demanda energética, reforçando a importância de soluções flexíveis e inovadoras para o setor elétrico brasileiro. (GESEL-IE-UFRJ – 10.02.2025)
TCU: Plano para autonomia financeira das agências reguladoras
O Tribunal de Contas da União determinou à Casa Civil a apresentação em 180 dias de plano de ação para efetivar a autonomia financeira das 11 agências reguladoras federais. A decisão aprovada na quarta-feira, 4 de janeiro, é resultado de auditoria que apontou a necessidade de fortalecer a autonomia, a capacidade, a governança e a transparência dos órgãos de regulação, para enfrentar os desafios de setores estratégicos. A autonomia está prevista no artigo 3º da Lei das Agências. A fiscalização avaliou a estrutura organizacional, a gestão e resultados da Aneel (energia elétrica), da Anatel (Telecomunicações), da ANP (Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e da ANM (Mineração). A decisão, no entanto, foi estendida a ANTT (Transportes Terrestres), Anac (Aviação Civil), Antaq (Transportes Aquaviários), Anvisa (Vigilância Sanitária), ANS (Saúde Suplementar), ANS (Águas e Saneamento), Ancine (Cinema) e ANPD (Proteção de Dados). (Agência CanalEnergia - 06.02.2026)
TCU: Apesar de corpo técnico qualificado, Aneel sofre com orçamento crônico
Levantamento realizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) nos processos finalísticos da Aneel aponta seis riscos relacionados à capacidade da agência reguladora de atingir seus objetivos. Esses riscos são atribuídos a fragilidades estruturais, como restrições orçamentárias crônicas, defasagem do quadro de pessoal e limitações em investimentos tecnológicos. No caso da fiscalização, o TCU afirma que as sanções aplicadas aos agentes do setor não são capazes de evitar reincidências de infração. Adicionalmente, a lacunas no monitoramento do micro e minigeração distribuída e dependência de dados autodeclarados pelas empresas. Esse conjunto leva a piora na qualidade do serviço e pode afetar a confiabilidade do setor e a credibilidade da própria agência. Além disso, a unidade técnica também classifica a inadequação tarifária como um fator de risco alto nos processos da Aneel. Por fim, o relatório reconhece, que a agência tem um corpo técnico qualificado e reputação de credibilidade construída ao longo do tempo que garantem solidez institucional, contudo, é afetada por questões como restrições orçamentárias que dificultam a supervisão dos sistemas. (Agência CanalEnergia - 05.02.2026)
TCU aponta irregularidades em portaria do MME sobre usinas incentivadas
O Tribunal de Contas da União identificou irregularidades na Portaria 79/2024 do Ministério de Minas e Energia, que regulamenta a MP 1.212/2024 e prorrogou prazos para entrada em operação de usinas incentivadas, e concedeu 30 dias para correções. Segundo a área técnica do TCU, o critério adotado pelo MME para comprovar o início das obras é excessivamente abrangente, o que teria reduzido o controle sobre a concessão de subsídios às fontes incentivadas, custeados pelas tarifas de energia. O parecer também aponta que a norma permite alterar características técnicas dos projetos, como localização e ponto de conexão à rede, possibilitando, na prática, a transferência do benefício para empreendimentos diferentes dos originalmente habilitados. (Agência Eixos – 11.02.2026)
MME declara caducidade de ativos de transmissão da Two Square por atrasos em projetos
O Ministério de Minas e Energia (MME) declarou a caducidade dos contratos de transmissão dos ativos Serra Negra e Tangará, arrematados em 2022 pela indiana Two Square Transmission, antiga Sterlite, após atrasos na implantação dos projetos. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e ocorre depois de a Aneel negar, em janeiro, pedidos de reconsideração das empresas contra a recomendação de caducidade aprovada pela diretoria do órgão em dezembro de 2025. As companhias também solicitaram uma solução consensual, nos moldes do caso da MEZ, encaminhado ao TCU, mas não tiveram êxito. Em julho de 2025, a Two Square obteve deferimento de recuperação extrajudicial no Brasil, com dívidas de R$ 788 milhões sujeitas à reestruturação, concentradas em holdings não operacionais, e plano que prevê a transferência de controle dos ativos aos credores. (Valor Econômico - 12.02.2026)
Regulação
Pauta da 3ª Reunião Pública Ordinária da Diretoria da Aneel de 2026
A pauta da 3ª Reunião Pública Ordinária da Diretoria da Aneel de 2026 reúne cinco processos centrais voltados à regulação econômica e à organização de leilões do setor elétrico. Entre os destaques, estão dois itens sob relatoria de Fernando Mosna que tratam da aprovação dos editais dos Leilões de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026): o Leilão nº 2/2026, voltado à contratação de potência proveniente de UTEs a gás natural, carvão mineral e UHEs, e o Leilão nº 3/2026, direcionado a UTEs a óleo e biodiesel. A agenda inclui ainda proposta de destinação de receita para modicidade tarifária, relatada por Gentil Nogueira, além do julgamento do resultado da Revisão Tarifária Extraordinária de 2019 da Equatorial Piauí, sob relatoria de Agnes da Costa. Por fim, consta o resultado da Consulta Pública nº 10/2024, sobre revisão da norma que disciplina a delegação de competências da Aneel a estados e ao DF, relatada por Sandoval Feitosa. Acesse a pauta aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 09.02.2026)
Aneel aprimora norma que delega fiscalização do setor elétrico a estados e DF
A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, ontem, dia (10/2), o aprimoramento da proposta de revisão da Resolução Normativa (REN) nº 914/2021, que dispõe sobre a delegação de competências da Agência aos Estados e ao Distrito Federal para a execução de atividades descentralizadas em regime de gestão associada de serviços públicos. A matéria, submetida à Consulta Pública nº 010/2024 e reflete um amplo processo de diálogo institucional com agentes do setor e entes subnacionais. O objetivo da revisão da norma é assegurar a adequada prestação dos serviços de energia elétrica em todo o território nacional, preservando a uniformidade regulatória e a segurança jurídica. Atualmente, a agência mantém 14 convênios de cooperação firmados com diversos estados. As instituições atuam regionalmente na fiscalização de geração, transmissão, distribuição e financiamento. Além disso, esse processo de descentralização das atividades também tem o objetivo de compatibilizar a unificação da gestão do setor em nível federal. Por fim, a consulta recebeu 276 contribuições de 23 instituições que foram analisadas pelas áreas técnicas da agência. (Aneel – 10.02.2026)
Aneel determina captura de R$ 146 mi de transmissoras da Axia para abater tarifa do consumidor
A Aneel determinou a captura para a modicidade tarifária de R$ 146 milhões em receitas de compartilhamento de infraestrutura entre transmissoras da Eletrobras (atual Axia Energia) e a Eletronet. Os valores apurados serão repassados a tarifa do consumidor em duas parcelas de ajustas. Do total a ser revertido a favor do consumidor, R$ 51,8 milhões são da Chesf; R$ 16,9 milhões da Eletronorte; R$ 19,5 milhões da CGT Eletrosul e R$ 57,8 milhões de Furnas. Além disso, existem parcelas de receitas sujeitas a contestação, que serão apuradas pela fiscalização da Aneel. A agência estabeleceu prazo até 31 de março de 2027 para que o cálculo e a destinação dos recursos para a modicidade sejam concluídos. Ademais, para a Aneel, “é possível que a captura para a modicidade tarifária tenha sido realizada inadequadamente, por ter sido baseada em premissas incorretas”. Além desse montante, a área técnica da agência calculou um valor adicional de R$ 255,7 milhões, a preços de junho de 2025, a ser capturado do período de 2010 a 2013, uma diferença de R$ 62 milhões do ciclo 2018/2019 e R$ 83,8 milhões em valores de 2019 a 2023. (Agência CanalEnergia - 10.02.2026)
Aneel revisa norma de descentralização e reforça cooperação com agências estaduais
A Aneel aprovou a revisão da norma que regula a descentralização de atividades por meio da delegação de competências a estados e ao Distrito Federal, reforçando a cooperação federativa e aprimorando a governança do processo. O novo regulamento busca uniformizar parâmetros técnicos e econômicos e fortalece o papel da Aneel como instância única para recursos contra decisões de agências estaduais conveniadas. Atualmente, a autarquia mantém 14 convênios com agências reguladoras estaduais, que atuam na fiscalização de geração, transmissão, distribuição e aspectos financeiros, além de ouvidoria e relações institucionais. A resolução entra em vigor em 2026, com aplicação efetiva a partir de 2027, prevendo uma transição para preservar segurança jurídica e estabilidade dos acordos existentes. (Agência CanalEnergia – 11.02.2026)
Técnicos da Aneel mantêm “tarifa dupla” e afastam consumidores de encargo das baterias
As áreas técnicas da Aneel concluíram que a chamada “tarifa dupla” para sistemas de armazenamento (baterias) deve continuar valendo mesmo após a sanção da Lei 15.269, porque a norma não trouxe diretrizes específicas para alterar o regime de uso da rede (TUST/TUSD) aplicável ao armazenamento. Na prática, isso significa que as baterias seguem pagando pelo consumo (quando carregam) e pela injeção (quando descarregam), com contratos de uso distintos (CUST/CUSD) e montantes de uso (MUST/MUSD) separados, pois cada tarifa remunera “pedaços” diferentes da infraestrutura de transmissão/distribuição. A avaliação aparece como parte de uma nota técnica complementar ligada à Consulta Pública nº 39/2023 (regulamentação do armazenamento), que precisou ser revisitada após a mudança legal que reconheceu o armazenamento como uma categoria própria no ordenamento setorial e exigiu ajustes no processo de outorga. (Megawhat – 12.02.2026)
Empresas
Axia: Aprovação da emissão de até R$ 2 bi em debêntures
A Axia Energia aprovou a realização de sua 8ª emissão de debêntures, com volume inicial de até R$ 1,6 bilhão e possibilidade de lote adicional de 25%, podendo alcançar R$ 2 bilhões. Os títulos serão simples, quirografários, não conversíveis em ações e poderão ser estruturados em até três séries, com vencimentos entre 2033 e 2041. O pagamento de juros será semestral e a remuneração será definida em bookbuilding, atrelada ao IPCA ou às NTN-Bs, o que for maior, com incentivo fiscal da Lei 12.431. A oferta será pública, sob registro automático, destinada exclusivamente a investidores profissionais. (Agência CanalEnergia - 09.02.2026)
Leilões
Aneel delibera sobre Leilão de reserva
Na semana de 9 a 13 de fevereiro de 2026, o setor de energia brasileiro concentra atenções em importantes deliberações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e no início da temporada de divulgação de resultados financeiros das principais empresas do segmento. Um dos pontos centrais será a aprovação, pela diretoria da Aneel, dos editais referentes aos Leilões de Reserva de Capacidade na forma de potência (LRCAP) programados para março. No dia 18 de março ocorrerá o primeiro leilão, destinado à contratação de usinas termelétricas (UTEs) a gás natural, carvão mineral e usinas hidrelétricas (UHEs). Um destaque desta edição é a retirada da obrigatoriedade de contratação da capacidade de entrada do transporte de gás natural, o que poderá impactar a dinâmica das contratações. No dia 20 de março, está previsto o leilão para contratação de termelétricas existentes que utilizam óleo combustível, óleo diesel e biodiesel. Além das aprovações dos editais, a pauta da Aneel de hoje (10/02) inclui a destinação da receita contratualmente prevista pelo Contrato de Cessão do Direito de Uso de Infraestrutura nº ECE-1.166/1999 para modicidade tarifária, bem como o resultado do processamento da Revisão Tarifária Extraordinária de 2019 da Equatorial Piauí. Paralelamente às decisões regulatórias, a semana marca o início da divulgação dos resultados financeiros do último trimestre de 2025 das empresas do setor de energia. Por fim, outro evento relevante é a reunião ordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), agendada para a quarta-feira (11/02) e revisão do ONS para o PMO referente a fevereiro. (BroadcastEnergia - 09.02.2026)
Aneel aprova editais de leilões para contratar usinas e reforçar segurança energética
A Aneel aprovou os editais dos leilões de reserva de capacidade, marcados para 18 e 20 de março, destinados à contratação de potência de usinas termelétricas e hidrelétricas para garantir segurança ao sistema elétrico. Após judicialização do modelo anterior, o governo dividiu o certame em dois: o primeiro inclui térmicas a gás, carvão e hidrelétricas (330 projetos cadastrados); o segundo contempla térmicas a diesel, óleo combustível e biodiesel (38 projetos). Ficou vedada a participação de empresas em recuperação judicial e mantida a exigência de equipamentos novos em determinados casos. O MME flexibilizou regras para térmicas a gás e a ANP concedeu desconto no transporte do insumo. Os preços-teto variam de R$ 920 mil a R$ 1,6 milhão por MW/ano, abaixo do esperado pelo mercado. (Valor Econômico - 10.02.2026)
Aneel discute se empresas em recuperação judicial podem participar de leilão de capacidade
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está atualmente em debate sobre a possibilidade de permitir que empresas em regime de recuperação judicial ou extrajudicial participem do próximo leilão de reserva de capacidade, previsto para março de 2026. A discussão ganhou destaque após a Light Energia solicitar formalmente que essas empresas, bem como suas controladoras diretas ou indiretas, possam ser habilitadas no certame. A empresa alega que a atual vedação decorre de uma interpretação "excessivamente restritiva" do requisito legal de habilitação econômico-financeira estabelecido na Nova Lei de Licitações e Contratos. O ponto central da controvérsia reside na avaliação dos riscos e garantias relacionados à capacidade dessas companhias de cumprir os compromissos decorrentes do leilão, que envolve investimentos significativos em infraestrutura energética. O diretor da Aneel, Fernando Mosna, manifestou preocupação durante a sustentação do tema, afirmando que permitir a participação de empresas em recuperação judicial poderia gerar uma "consequência perversa e danosa", dada a magnitude dos investimentos envolvidos. Sua posição reflete um receio quanto à estabilidade financeira e operacional dessas empresas, que poderia comprometer a segurança do fornecimento de energia e a execução dos projetos contratados. (BroadcastEnergia - 10.02.2026)
Preços-teto do LRCAP frustram mercado e reabrem debate sobre alternativas de potência
A aprovação pela Aneel dos preços-teto para os leilões de reserva de capacidade (LRCAPs), previstos para março, gerou frustração no mercado, que considera os valores abaixo do esperado e com impacto na viabilidade econômica, sobretudo de novos projetos a gás. Os tetos variam de R$ 920 mil a R$ 1,6 milhão por MW/ano, afetando especialmente empresas como a Eneva. Agentes apontam desconexão com a realidade de custos e não descartam nova judicialização. Diante disso, cresce a defesa de diversificação das soluções de potência, com maior espaço para baterias (BESS) e hidrelétricas reversíveis. A Abrace sugere novos leilões caso o resultado seja insuficiente, enquanto consultorias avaliam que os preços atuais já permitem competitividade das baterias. O governo sinaliza um LRCAP exclusivo para armazenamento em abril. A edição também destaca a relicitação das concessões de gás no Rio, a chegada da P-79 a Búzios e a interrupção da análise do acordo Mercosul-UE. (Agência Eixos – 11.02.2026)
Governo deve ajustar preços-teto de leilões de energia para manter certames de março
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o governo deve ajustar ainda nesta quarta-feira (11) os preços-teto dos leilões de hidrelétricas e térmicas para garantir segurança e estabilidade ao sistema elétrico e manter as datas dos certames marcados para 18 e 20 de março. Segundo ele, os valores previstos nos editais aprovados pela Aneel foram definidos com base em informações dos agentes do mercado, mas divergências foram identificadas em dados apresentados por grandes players, o que motivou a revisão com suporte técnico da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Silveira também destacou a importância da transição energética e disse ter ido à China para buscar referências para o primeiro leilão de baterias, considerado estratégico para fortalecer o setor elétrico, ampliar inovação e evitar que o Brasil seja apenas receptor de insumos, defendendo que o país tem condições de liderar a transição energética global. (Valor Econômico - 11.02.2026)
Governo eleva preços-teto de térmicas nos leilões de reserva de capacidade
O governo aumentou os preços-teto para usinas termelétricas novas e existentes nos leilões de reserva de capacidade, medida aprovada pela Aneel após forte reação do mercado aos valores iniciais, considerados abaixo da realidade e capazes de reduzir a concorrência. No certame de 18 de março, voltado a térmicas a gás e carvão e a hidrelétricas, o teto para novas usinas subiu de R$ 1,6 milhão para R$ 2,9 milhões por MW/ano, enquanto o de projetos existentes passou de R$ 1,12 milhão para R$ 2,25 milhões por MW/ano, mantendo-se R$ 1,4 milhão para hidrelétricas. Já o leilão de 20 de março, para térmicas a diesel, óleo combustível e biodiesel, teve os tetos reajustados para até R$ 1,6 milhão (2026/2027) e R$ 1,75 milhão por MW/ano (2030). O MME afirmou que a revisão considerou custos mais altos de capital, equipamentos e financiamento, além de ajustes técnicos para refletir investimentos necessários e evitar riscos futuros, preservando a metodologia central e reforçando a atratividade dos certames. (Valor Econômico - 13.02.2026)
MME pede revisão do edital do LRCAP após questionamentos sobre preços-teto
O Ministério de Minas e Energia solicitou que a Aneel revise o edital do leilão de reserva de capacidade em tempo hábil para manter o cronograma do certame, após agentes do setor questionarem os preços-teto definidos pelo governo. O MME informou que avalia as manifestações e poderá revisar os valores até quinta-feira (12), o que exigiria nova deliberação da Aneel e publicação do edital com antecedência mínima de 30 dias. Diante disso, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, convocou reunião extraordinária para sexta-feira (13). O leilão, voltado à segurança energética e contratação de potência, terá duas sessões em março: no dia 18, com térmicas a gás e carvão e ampliação de hidrelétricas (330 projetos cadastrados), e no dia 20, com térmicas a diesel, óleo combustível e biodiesel (38 centrais). O governo fixou preços iniciais que variam de R$ 920 mil a R$ 1,6 milhão por MW/ano, mas o ministro Alexandre Silveira já sinalizou possíveis ajustes após repercussão negativa. (Valor Econômico - 11.02.2026)
MME eleva preços-teto do LRCAP em até 100% após reação negativa do mercado
A Aneel aprovou novos preços-teto para os leilões de reserva de capacidade (LRCAP) de março, após o MME revisar os valores diante da forte reação do mercado. O ministério dobrou o teto para termelétricas existentes a gás e carvão, de R$ 1,12 milhão para R$ 2,25 milhões por MW/ano, e elevou em 81,25% o valor para térmicas novas, que passou a R$ 2,9 milhões por MW/ano. No 3º LRCAP, voltado a usinas a óleo e biodiesel, os aumentos variaram entre 74% e 76,7%. O governo justificou a medida com base no aumento de custos de capital, equipamentos e financiamento, além da necessidade de garantir segurança energética e competitividade. A revisão ocorreu após críticas de agentes e consultorias, que apontaram distorções nos cálculos iniciais. O PDE 2035 indica demanda de até 19 GW de térmicas flexíveis até 2035, reforçando a relevância dos certames. (Agência Eixos – 13.02.2026)
Leilão de baterias pode levar engenheiros brasileiros à China para capacitação, anuncia ministro
O leilão de baterias (BESS) deve ser realizado até junho deste ano, segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O leilão tem data prevista para 30 de abril, atualmente. A iniciativa é vista pelo governo como essencial para a consolidação das energias renováveis no país e pode abrir espaço, ainda que de forma inicial, para políticas de conteúdo local e desenvolvimento tecnológico nacional. Em resumo, durante o evento CEO Conference Brasil 2026, do BTG Pactual, o ministro afirmou que o MME estuda incluir no desenho do leilão mecanismos inovadores para a formação de capital humano. A proposta envolve parcerias com empresas participantes do certame para viabilizar a capacitação de engenheiros brasileiros na China. A estratégia está alinhada à política de minerais críticos e estratégicos em elaboração pelo governo federal. Por fim, o ministro respondeu questionamentos sobre o curtailment, em seu posicionamento, ele defendeu que apenas falhas estruturais devem gerar ressarcimento aos investidores, mas reconheceu a problemática da confiabilidade e lembrou que seu objetivo é mitigar esses entraves com novos mecanismos como leilões. (Agência CanalEnergia - 11.02.2026)
Oferta e Demanda de Energia Elétrica
Curtailment atinge 21,3% em janeiro; Bahia concentra maiores níveis, aponta Itaú BBA
Os cortes (curtailment) em usinas eólicas e solares chegaram a 21,3% da geração renovável total em janeiro, acima dos 15,8% de dezembro, segundo relatório do Itaú BBA. O avanço foi puxado principalmente pelo aumento dos cortes por confiabilidade elétrica, enquanto as restrições por falta de demanda até recuaram no período. Nas fontes, a geração eólica teve curtailment equivalente a 22,4% em janeiro (ante 15,7% em dezembro), e a solar, de 18,3% (ante 15,9%). Em termos absolutos, Auren e Engie foram as mais impactadas, com volumes superiores a 300 MW médios cortados. Na análise relativa, Alupar, CPFL Energia e Copel tiveram perdas acima de 25% da geração renovável total. Geograficamente, a Bahia concentrou os maiores níveis de cortes, com eólicas chegando a ~29% da geração e solares a ~27%. Cinco das subestações mais afetadas em eólicas (como Igaporã e Pindaí) e quatro das cinco mais impactadas em solares (associadas a Tacaratu, Sol do Sertão e Barreiras) estão no estado. Entre os grupos mais atingidos no eólico aparecem Statkraft, Essentia Energia, CPFL, Elera e Copel, com impactos mensais acima de 80 mil MWh. No solar, os maiores volumes de cortes foram em ativos de Essentia, Echoenergia, Equinor, Scatec e Canadian Solar, todos acima de 30 mil MWh. O banco observa que todas as empresas acompanhadas registraram alta anual de curtailment, refletindo a combinação de rápida expansão da oferta renovável com limitações de escoamento e confiabilidade da rede. (Megawhat – 09.02.2026)
Aneel aponta desempenho insatisfatório da Enel SP em apagão de dezembro
A área técnica da Aneel concluiu que a atuação da Enel São Paulo no apagão de dezembro de 2025 foi “insatisfatória”, ampliando os desafios da distribuidora no processo que pode resultar na recomendação de caducidade da concessão. O evento climático afetou 4,41 milhões de unidades consumidoras, com restabelecimento total apenas seis dias depois; 759 mil ficaram sem energia por mais de 24 horas e 6,4 mil por mais de 100 horas. Técnicos apontaram baixa produtividade das equipes, redução de efetivo à noite e no fim de semana, uso predominante de veículos leves e falhas no plano de contingência, considerado inadequado para eventos dessa magnitude. A decisão caberá ao colegiado da agência, que deve analisar o caso em março. Em nota, a Enel afirmou ter cumprido o plano de recuperação, destacou que 84% dos clientes tiveram energia restabelecida em até 24 horas e defendeu que houve avanço nos indicadores. (Valor Econômico - 11.02.2026)
Crescimento de solar, eólica e data centers já pressiona operação do sistema elétrico brasileiro
O rápido crescimento da geração solar fotovoltaica, eólica e distribuída, combinado ao surgimento de grandes novas cargas elétricas, como os data centers, já está afetando a operação do sistema elétrico brasileiro e pode exigir práticas de gestão da rede mais complexas. O alerta é da Agência Internacional de Energia (AIE) em seu último relatório sobre o setor elétrico mundial. De acordo com o estudo, a demanda por eletricidade no Brasil deve se expandir a uma taxa média anual de 2,7% entre 2026 e 2030, em comparação com um crescimento do PIB em torno de 2,3% ao ano no período. A AIE projeta que as fontes renováveis atenderão a toda a demanda adicional de eletricidade ao longo desse período. O relatório aponta que a solar deve ultrapassar a eólica e se tornar a segunda maior fonte renovável de oferta no país, atrás apenas da hidrelétrica. Em dados, a geração eólica cresceu 10% em 2025 e deve avançar a um ritmo mais moderado, de cerca de 5% ao ano em média até 2030. A AIE lembra que o corte de geração de fontes solar e eólica vem aumentando no Brasil nos últimos anos. Em 2025, esse fenômeno teria superado 20%, ante menos de 10% em 2024. O relatório considera que seja importante sustentar a rápida expansão, mas também realçou a essência do fortalecimento da infraestrutura. (Petronotícias – 09.02.2026)
Carga do SIN deve recuar 1,8% em fevereiro, segundo ONS
A carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) deve recuar 1,8% em fevereiro, na comparação com o ano anterior, totalizando 87.482 MW médios, segundo o Programa Mensal de Operação (PMO) de fevereiro de 2026, do ONS. No recorte regional, o comportamento segue desigual. Na comparação anual, a carga do Sudeste/Centro-Oeste e do Sul permanece abaixo do registrado em fevereiro de 2025, com quedas de 5,0% e 4,5%, respectivamente. Já Nordeste e Norte continuam apresentando crescimento consistente, com expansões de 8,2% e 7,5%, impulsionadas por maior dinamismo regional e menor sensibilidade às variações meteorológicas. (Agência CanalEnergia - 06.02.2026)
ONS: Novo equipamento em subestação da Axia amplia escoamento de energia em Pernambuco
No dia 08 de fevereiro de 2026, foi incorporado ao Sistema Elétrico Nacional um novo equipamento na subestação Bom Nome, localizada em São José do Belmonte, no sertão pernambucano. A subestação, operada pela Axia Energia, passou a contar com um quarto transformador TR7, com especificação de 230/138 kV e capacidade de 100 MVA, após a conclusão bem-sucedida dos testes de energização realizados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A instalação deste novo transformador representa um avanço significativo para a infraestrutura elétrica da região, especialmente no que diz respeito ao escoamento da energia gerada localmente. A área de São José do Belmonte abriga diversos parques de geração solar fotovoltaica, cuja produção tem se expandido nos últimos anos. Com a capacidade adicional proporcionada pelo TR7, a subestação Bom Nome poderá suportar volumes maiores de energia gerada, facilitando a transmissão eficiente dessa energia para o sistema nacional. Além disso, a modernização da subestação contribuirá diretamente para o atendimento ao crescimento da demanda local por energia elétrica, uma necessidade que acompanha o desenvolvimento econômico e social da região do sertão pernambucano. A ampliação da capacidade de escoamento da energia é fundamental para garantir a estabilidade e a confiabilidade do fornecimento, evitando sobrecargas e interrupções. O ONS destacou que a inclusão do transformador de 100 MVA também prepara a infraestrutura para receber futuras expansões de capacidade geradora na região. (BroadcastEnergia - 09.02.2026)
Matriz elétrica avança 543 MW em janeiro com protagonismo da energia solar
A matriz elétrica brasileira cresceu 543 megawatts (MW) em janeiro, segundo a Aneel, com forte liderança da geração solar. Das 13 usinas que iniciaram operação comercial no período, 11 são centrais fotovoltaicas, responsáveis por 509 MW do total, além de uma termelétrica (20 MW) e uma pequena central hidrelétrica (14 MW). As novas unidades estão distribuídas por quatro estados: Minas Gerais concentra nove empreendimentos (409 MW), seguida por Bahia (100 MW), Pará (20 MW) e Paraná (14 MW). A Aneel projeta que a geração solar centralizada responderá por quase metade da expansão da capacidade instalada em 2026, com previsão de acréscimo de 4,56 GW no ano. Atualmente, o Brasil soma 216,5 GW de potência fiscalizada, dos quais 47,45% são de hidrelétricas e 22,79% de termelétricas. (Agência Eixos – 12.02.2026)
Chuvas elevam reservatórios e CMSE ajusta estratégia para 2026
Os níveis de armazenamento do Sistema Interligado Nacional (SIN) chegaram a cerca de 50% ao fim de janeiro, impulsionados pelo aumento das chuvas nos principais reservatórios do país. O dado foi apresentado na 315ª reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), realizada na última quarta-feira, 11 de fevereiro, no Ministério de Minas e Energia (MME). Segundo o colegiado, os volumes mais consistentes de precipitação desde meados de janeiro favoreceram especialmente as regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste. No detalhamento por subsistema, o Sudeste/Centro-Oeste encerrou janeiro com 47% de armazenamento, enquanto o Sul e o Norte atingiram 59%, e o Nordeste, 54%. (Agência CanalEnergia - 12.02.2026)
AIE: Demanda global de eletricidade deve crescer 3,5% ao ano até 2030
O relatório “Eletricidade 2026“, publicado pela Agência Internacional de Energia, aponta que a demanda global por energia elétrica deverá crescer mais de 3,5% ao ano, em média, durante o restante desta década, até 2030. A geração de eletricidade virá a partir de fontes renováveis, gás natural e energia nuclear. Segundo o relatório, a demanda está a caminho de crescer pelo menos 2,5 vezes mais rápido que a demanda total de energia até 2030. Isso se deve ao aumento do uso industrial de eletricidade, à crescente adoção de veículos elétricos, ao maior uso de ar-condicionado e à expansão de data centers e inteligência artificial. Embora as economias emergentes e em desenvolvimento continuem sendo os principais motores do crescimento da demanda por eletricidade, o consumo das economias avançadas também está aumentando após 15 anos de estagnação. Esse crescimento contribuiu com um quinto do aumento total da demanda de energia até 2030. (Agência CanalEnergia - 09.02.2026)
Consumidores
Aneel mantém Termo de Intimação à Minas Geração e Energia por inadimplência
A diretoria colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deliberou a manutenção do Termo de Intimação nº 20/2025 sobre a inadimplência da comercializadora Minas Geração e Energia Ltda junto à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Com a decisão, a Aneel revoga a autorização para a empresa atuar como Agente Comercializador de Energia Elétrica. A análise da documentação feita pelos técnicos da Agência concluiu pela inadimplência, configurando o descumprimento de obrigações devidas à CCEE, consoante as disposições da Resolução Normativa 846/19. (Aneel – 10.02.2026)
CCEE: Modernização do monitoramento do mercado com novo módulo digital
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) lançou um novo módulo digital exclusivo para o envio de documentos e informações do Monitoramento Prudencial, como parte de sua estratégia de modernização e preparação para a abertura total do mercado de energia. A ferramenta substitui processos manuais por um canal digital seguro, com acesso restrito, rastreabilidade das informações e elevado padrão de cibersegurança. A iniciativa ocorre em paralelo à aprovação do novo estatuto social da Câmara, que formaliza a área de Segurança de Mercado com estrutura, orçamento e gestão próprios, reforçando a atuação preventiva da entidade. Nesta fase inicial, o sistema será utilizado nos processos de prevenção do monitoramento, com visualização limitada ao agente responsável e à equipe técnica da CCEE. Segundo a entidade, a implementação será gradual, com a previsão de integração completa da plataforma até o final de 2026, simplificando rotinas e fortalecendo os mecanismos de controle do setor elétrico. (CCEE - 06.02.2026)
CCEE: Aprimoramentos no sistema de contratos regulados de energia
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) anunciou melhorias no sistema de Gestão Documental de Contratos Regulados (GDCR), usado por distribuidoras e geradoras, para elevar a usabilidade e tornar as rotinas mais simples e rápidas. No ambiente de operações, o sistema ganhou novas telas para envio de dados, validação e consulta de contratos e de suas alterações. Nesta etapa, o escopo inclui Contratos de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado (CCEARs), os Contratos de Energia de Reserva (CERs), os Contratos de Reserva de Capacidade (CRCAPs), os Contratos de Constituição de Garantias (CCGs), termos aditivos e processos de troca de titularidade. A principal novidade operacional é a oferta de notificações automáticas via webhooks, permitindo que usuários cadastrados recebam alertas em seus próprios sistemas quando houver mudanças. A CCEE enquadra a entrega em uma evolução contínua do gerenciamento contratual: em novembro de 2025, já havia liberado um primeiro pacote com APIs para envio e obtenção de dados e para minutas de contratos de novos leilões. (CCEE – 12.02.2026)
BBCE: Lançamento de funcionalidade para contratos de volume variável
O Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE) anunciou o lançamento do campo “Fluxo não constante” na Boleta Eletrônica – Detalhada, ampliando as possibilidades de formalização de contratos no mercado de energia. A nova funcionalidade permite reunir, em um único instrumento contratual, operações de compra e venda com volumes mensais distintos, refletindo fluxos não lineares de fornecimento. A solução atende especialmente contratos de energias incentivadas, como biomassa, mas também se aplica a outras fontes com geração variável. Segundo o BBCE, o objetivo é aumentar a segurança e a eficiência operacional ao concentrar diferentes vencimentos e volumes em um só contrato. Para a CEO Camila Batich, a ferramenta responde à demanda por maior flexibilidade e precisão nos contratos de longo prazo. Em 2025, a plataforma do BBCE movimentou R$ 11,6 bilhões em energia renovável. O Manual do Usuário do EHUB já foi atualizado com as novas orientações. (Agência CanalEnergia - 09.02.2026)
BBCE: Preço de energia para março passa de R$ 450 por MWh
Os preços de energia negociados no Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE) subiram forte na última semana, com alguns ativos ultrapassando R$ 400/MWh, especialmente produtos mensais e trimestrais com entrega ainda em 2026. Segundo a plataforma, o maior destaque foi o contrato com vencimento em março, que avançou 28,52% e fechou a R$ 457,44/MWh, além de ter sido o mais líquido e o de maior volume financeiro entre 2 e 6 de fevereiro. O BBCE explica que os valores vêm da Curva Forward, que prioriza negócios realizados por mais de 200 empresas e consolida informações de todas as regiões e fontes, em um horizonte de 21 anos. Ainda para este semestre, fevereiro subiu 19,79% (R$ 416,95/MWh), o 2º trimestre ganhou 14,99% (R$ 392/MWh), abril avançou 14,42% (R$ 399,81/MWh) e maio teve alta de 13,66% (R$ 382,85/MWh). No longo prazo, vencimentos anuais de 2029 a 2033 mantiveram liquidez e presença consistente nas negociações; na Safra SE, todos os produtos subiram, com altas de 6% a 8%, lideradas pela energia convencional Safra 2026 (+7,76%). A BBCE atribui o movimento à expectativa do mercado com o clima, citando reservatórios mais baixos e pouca perspectiva de chuvas. (Agência CanalEnergia - 09.02.2026)
Mercado livre prevê energia mais cara em 2026
Os preços de contratos de energia para 2026 no mercado livre vêm subindo de forma contínua, refletindo chuvas abaixo da média e recuperação lenta dos reservatórios, especialmente no Sudeste/Centro-Oeste. O PLD médio de janeiro de 2026 atingiu R$ 247,35/MWh, terceiro maior desde 2019, bem acima dos R$ 59,21/MWh do mesmo mês do ano anterior, indicando preços elevados durante grande parte do dia. No mercado futuro, negociações na BBCE já superaram R$ 400/MWh, com contratos de março a R$ 457,44/MWh. Apesar de não haver risco de racionamento, cresce a preocupação com o horário de ponta (17h às 20h), quando a queda da energia solar pressiona o sistema e pode levar ao acionamento de térmicas caras, gerando picos próximos ao teto regulatório. Especialistas apontam maior volatilidade, risco para consumidores descontratados e possibilidade de fragilidade financeira em comercializadoras, reforçando a necessidade de investimentos em potência, baterias e usinas térmicas. (Valor Econômico - 10.02.2026)
Mercado varejista cresceu 50% em 2025 e 43% da carga nacional está no ACL
O Brasil fechou 2025 com 38.150 unidades consumidoras no mercado livre varejista, após 12.796 novas UCs em 12 meses e 207 entradas em dezembro, o que representa alta acumulada de 50,5% entre janeiro e dezembro. Em levantamento, a ePowerBay demonstrou, a partir de dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que havia 124 comercializadoras varejistas negociando 2.328 MW médios para 38.104 unidades. Ainda, a CCEE indica que cerca de 80 mil consumidores já migraram ao mercado livre até 2025, pouco mais de um terço do total estimado de consumidores em média tensão. A ePowerBay aponta que o crescimento do ambiente de contratação livre (ACL) em consumidores livres e especiais foi modesto em 2025, em parte porque a expansão se concentrou no varejo. Ademais, a Associação Brasileiro dos Comercializadores de Energia (Abraceel) pontuou que 95% de toda a eletricidade consumida pelas indústrias brasileiras foi contratada no ACL, e que o mercado livre de energia responde por 43% de toda a energia elétrica consumida no país. (Agência CanalEnergia - 11.02.2026)
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Artigo GESEL: “Desafios para os sistemas de armazenamento hidráulico no Brasil”
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Coordenador-Geral do GESEL), Renata La Rovere, Ana Carolina Chaves e Katarina Ferreira (Pesquisadoras do GESEL-UFRJ) analisam o papel dos Sistemas de Armazenamento Hidráulico (SAH) no contexto da transição energética brasileira — tecnologia que representa mais de 94% da capacidade mundial de armazenamento de longa duração. A rápida expansão das fontes renováveis intermitentes, que no Brasil tem gerado desequilíbrios diários e o fenômeno do curtailment, exige que o setor elétrico adote sistemas de armazenamento para garantir a estabilidade e a flexibilidade operativa. O avanço dos SAH influencia tanto o equilíbrio operacional do Sistema Interligado Nacional quanto a redução do despacho de usinas térmicas, cuja viabilidade econômica depende da superação de barreiras regulatórias, como a dupla tributação e a complexidade no licenciamento ambiental. Para converter esse desafio em uma transição sustentável e eficiente, os autores destacam eixos fundamentais: a adoção de usinas hidrelétricas reversíveis para gerenciar o descompasso entre oferta e demanda; a aplicação das diretrizes da Lei nº 15.269/2025 para dar segurança jurídica aos investidores; a simplificação dos processos de outorga e licenciamento; e a estruturação de mecanismos de remuneração adequados, como o Leilão de Reserva de Capacidade. O artigo conclui que o sucesso do armazenamento de energia dependerá de um esforço coordenado entre órgãos como MME, Aneel, EPE e BNDES, capaz de assegurar que a integração de novas tecnologias resulte em benefício sistêmico efetivo, sem comprometer a segurança operativa ou a atratividade econômica dos projetos no país. Acesse o texto aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 11.02.2025)
Artigo de Marcelo Ribas: "Conta de luz ganhou novo componente: a paciência do consumidor"
Em artigo publicado pela Agência Eixos, Marcelo Ribas (diretor de CX da A&M Performance) trata da decisão da Aneel de vincular de forma mais direta a tarifa de energia à satisfação do consumidor, com vigência a partir de 2027, ao incorporar o Índice Aneel de Satisfação do Consumidor (Iasc) ao cálculo tarifário por meio do Fator X, prevendo perdas de receita para distribuidoras mal avaliadas e ganhos para as que superarem a referência. O autor avalia que a medida é conceitualmente acertada por transformar experiência do consumidor em prioridade estratégica, mas alerta para riscos relevantes de execução, como reduzir a mudança a ações de call center, manipular métricas e ignorar governança de causa raiz. Também aponta limitações do modelo de mensuração, já que o Iasc é anual e pode sofrer ruídos de eventos externos e vieses por perfil de canal. Para Ribas, o setor deve usar 2026 como período de adaptação para atacar processos que geram atrito, evitando soluções cosméticas que elevam custos, aumentam judicialização e ampliam riscos regulatórios e reputacionais. (GESEL-IE-UFRJ – 09.02.2026)
Artigo de Edvaldo Santana: "O setor elétrico e a namorada de Brad Pitt"
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Edvaldo Santana (ex-diretor da Aneel) trata do uso acrítico de modelos matemáticos no setor elétrico brasileiro, comparando-o ao efeito Dunning-Kruger e ao “conto do vigário”, a partir da metáfora da mulher que acreditou namorar Brad Pitt. O autor argumenta que o excesso de confiança leva agentes experientes, como o ONS, analistas, comercializadoras e até reguladores, a superestimar a capacidade explicativa dos modelos e a ignorar sinais evidentes da realidade operacional. Santana cita episódios recentes em que projeções otimistas de chuvas e custos de operação resultaram em estimativas irreais de preços, desmentidas pelos dados efetivos de demanda, despacho térmico e PLD, revelando falhas lógicas e distorções graves. Para ele, a sofisticação técnica e a “beleza” dos modelos criam uma ilusão de controle que inibe questionamentos, contribui para decisões equivocadas, quebra de empresas e subestimação de riscos, além de comprometer ações regulatórias, como o acionamento adequado das bandeiras tarifárias. (GESEL-IE-UFRJ – 10.02.2026)
Artigo de Jerson Kelman: "Concessões de transmissão em fim de vigência"
Em artigo publicado pelo Brasil Energia, Jerson Kelman (engenheiro civil e M.Sc. pela UFRJ e Ph.D. pela Colorado State University) trata dos desafios regulatórios envolvendo a Consulta Pública nº 43 da Aneel, que discute a licitação ou prorrogação de concessões de transmissão em fim de vigência, ressaltando que a licitação tende a reduzir a RAP e favorecer a modicidade tarifária, mas pode atrair empresas sem qualificação devido ao baixo nível de investimentos exigidos e penalidades reduzidas, exigindo habilitação rigorosa. O texto aborda ainda a controvérsia sobre o direito de indenização por ativos não depreciados, apontando que negar esse pagamento pode frustrar expectativas legítimas e elevar o prêmio de risco, encarecendo futuras concessões. O autor argumenta que, com base em leis e no Manual de Controle Patrimonial do Setor Elétrico, contratos anteriores a 2019 indicam direito à indenização, enquanto os posteriores passaram a prever explicitamente a não indenização, defendendo que a Aneel trate de forma distinta os contratos firmados antes e depois dessa mudança para preservar previsibilidade e segurança jurídica. (GESEL-IE-UFRJ – 12.02.2026)
Artigo de Lisa Friedman e Maxine Joselow: "Aliados de Trump dizem estar perto da 'vitória total' na eliminação da legislação climática dos EUA"
Em artigo publicado pela Folha de São Paulo, Lisa Friedman e Maxine Joselow (jornalistas do The New York Times) tratam da articulação de aliados e ex-integrantes do governo Trump para desmontar políticas climáticas federais dos Estados Unidos, especialmente a “endangerment finding”, determinação científica da EPA de 2009 que sustenta a regulação de gases de efeito estufa. O texto relata como Russell Vought, Jeffrey Clark, Mandy Gunasekara e Jonathan Brightbill elaboraram estratégias, decretos e argumentos jurídicos para enfraquecer a agenda climática, inclusive financiando um “arsenal” de informações para contestar o consenso científico sobre o aquecimento global. Com o retorno de Trump ao poder, essas iniciativas ganham força e podem levar à revogação da determinação, eliminando limites de emissões para carros, usinas e indústrias e dificultando futuras ações ambientais. A reportagem destaca ainda o caráter ideológico do movimento e o apoio de grupos conservadores, como a Heritage Foundation, que ajudaram a manter a ofensiva mesmo após o recuo de empresas. (GESEL-IE-UFRJ – 12.02.2026)
Artigo de Régis de Oliveira Júnior: "O risco de um apagão lógico na infraestrutura crítica brasileira"
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Régis de Oliveira Júnior (jornalista especialista em Inteligência Artificial) trata da necessidade de incorporar a inteligência artificial como eixo estruturante do planejamento elétrico brasileiro, argumentando que o modelo ainda centrado em ativos físicos não responde à complexidade de um sistema cada vez mais dependente de previsão e interoperabilidade. Com a rápida expansão da energia solar e o aumento do curtailment, o autor aponta que a ausência de algoritmos capazes de ajustar o despacho em tempo real eleva custos, amplia a volatilidade do PLD e reduz a eficiência, inclusive no uso de baterias e reservatórios hidrelétricos. Ele alerta ainda para riscos estratégicos da dependência de plataformas estrangeiras e da falta de governança pública de dados, em um contexto de crescente exposição a ataques cibernéticos. Defende, por fim, a criação de uma estrutura nacional de Open Energy, com um Operador Nacional de Dados Energéticos, para integrar planejamento, operação e segurança, sob pena de a transição energética resultar em energia mais cara e instável. (GESEL-IE-UFRJ – 12.02.2026)
Editorial Valor Econômico: "TCU exige que União dê os recursos necessários a agências"
O Editorial publicado pelo Valor Econômico trata da crise enfrentada pelas agências reguladoras, que há mais de uma década vêm sofrendo asfixia orçamentária e perda de capacidade operacional, comprometendo a qualidade dos serviços e a proteção ao consumidor. Com base em auditoria, o TCU deu prazo de 180 dias para a Casa Civil adotar medidas que garantam autonomia financeira às agências e denunciou também o desvirtuamento de sua governança por loteamento político. O texto relembra que, desde a criação desses órgãos, há tensões com o Executivo, agravadas por indicações partidárias e cortes sucessivos de orçamento, mesmo com alta arrecadação setorial. A falta de recursos e pessoal, apontada em órgãos como ANP, Aneel, Anatel e ANM, afeta atividades essenciais, como fiscalização de combustíveis e barragens, e revela um Estado que economiza em áreas críticas enquanto mantém déficits fiscais. O editorial conclui que o diagnóstico é antigo, mas a cobrança formal do TCU é inédita e exige resposta urgente do governo. (GESEL-IE-UFRJ – 12.02.2026)
Artigo de Diogo Ferreira e Juliana Vaz: "Infraestrutura e Reforma Tributária: como a regulamentação de IBS e de CBS pode melhorar o REIDI?"
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Diogo Olm Ferreira(Sócio da área de Direito Tributário do VBSO Advogados) e Juliana Vaz(Advogada no VBSO Advogados) tratam do início da transição da Reforma da Tributação do Consumo em 2026 e dos desafios para regulamentar o novo REIDI no contexto do IVA Dual (IBS e CBS), previsto na LC nº 214/2025. Os autores destacam que, embora o novo regime reproduza a lógica do antigo REIDI de PIS/Cofins ao suspender tributos sobre bens e serviços destinados a obras de infraestrutura, ainda há lacunas procedimentais que podem comprometer sua efetividade. Eles apontam três aprimoramentos essenciais para a regulamentação infralegal: permitir fruição do benefício desde o protocolo do pedido de habilitação, criar regras de transição para projetos já habilitados ao REIDI atual evitando nova burocracia, e garantir mecanismos de co-habilitação para empreiteiras, evitando resíduos tributários e distorções na não cumulatividade. Com esses ajustes, defendem que o REIDI pode reduzir custos de CAPEX, incentivar investimentos e fortalecer a modernização da infraestrutura brasileira. (GESEL-IE-UFRJ – 13.02.2026)
Artigo de Lisa Friedman: "Trump elimina base legal para combate às mudanças climáticas nos EUA"
Em artigo publicado pela Folha de São Paulo, Lisa Friedman (jornalista do The New York Times) trata da decisão do presidente Donald Trump de revogar a “declaração de perigo” de 2009, base científica que permitia à Agência de Proteção Ambiental (EPA) regular gases de efeito estufa sob a Lei do Ar Limpo. A medida encerra a principal sustentação legal para limitar emissões de CO₂, metano e outros poluentes de veículos, usinas e poços de petróleo, podendo elevar em até 18 bilhões de toneladas as emissões até 2055, segundo ambientalistas, com impactos como mais mortes prematuras e crises de asma. O governo alega economia de US$ 1 trilhão e defende que a lei só autoriza regular danos diretos e locais, enquanto críticos afirmam que a decisão ignora décadas de consenso científico e abrirá batalha judicial que pode chegar à Suprema Corte, além de comprometer metas climáticas globais e o legado regulatório dos EUA. (GESEL-IE-UFRJ – 13.02.2026)