Hidrogênio 228
Políticas Públicas e Financiamentos
Brasil: CCEE assume Registro Central de Certificados de H2 de Baixo Carbono
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) passa a exercer um papel histórico para a transição energética no país. Com o decreto assinado em 12 de agosto pelo Presidente da República, a organização fica responsável pela gestão do Registro Central do Sistema Brasileiro de Certificação de Hidrogênio (SBCH2), com o objetivo de ampliar a transparência e fortalecer a confiança do produto brasileiro para fabricantes, consumidores e órgãos reguladores. A CCEE torna-se a administradora do banco de dados e dos registros de certificação, operando em articulação com o Comitê Gestor do Programa Nacional do Hidrogênio (Coges-PNH2), no qual terá assento como convidada permanente. Assim, a atuação consolida o protagonismo da CCEE como infraestrutura essencial que viabiliza a certificação renovável no país, contribuindo com o desenvolvimento de mercados que têm potencial para posicionar o Brasil como líder global da economia verde. Por fim, a novidade passa a compor a estratégia da organização para agregar valor e rastreabilidade a ativos ambientais. (CCEE - 17.08.2026)
Brasil: EPE aponta necessidade de nova geração para H2 acima de 4 GW
A instalação de mais de 4 GW em novas cargas no Nordeste do Brasil, sobretudo para projetos de hidrogênio verde no Ceará e no Piauí, exigirá investimentos adicionais em geração de energia, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Até esse patamar, a estatal avalia que é possível ampliar a transmissão sem necessidade de construir novos parques geradores. A EPE planeja corredores para conectar grandes consumidores em Pecém, no Ceará, e Parnaíba, no Piauí, com energia renovável proveniente principalmente do Rio Grande do Norte, todos no Brasil. O conjunto estudado prevê cerca de 1.900 km de novas linhas, investimentos estimados em R$ 5,7 bilhões e entrada em operação em 2032. Parte das obras será contratada conforme a demanda efetivamente confirmada. A primeira janela competitiva de acesso à transmissão está prevista para 26 de outubro de 2026, sob a Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão, enquanto o leilão dos corredores está programado para abril de 2027. (Agência Eixos - 19.08.2026)
Brasil: Mercado vê avanços, mas decreto do hidrogênio mantém incertezas
Dois anos após a aprovação do marco legal do hidrogênio de baixa emissão de carbono, o decreto que regulamenta a política no Brasil foi recebido pelo mercado como um avanço, mas ainda deixa definições relevantes para normas posteriores. Entre os pontos pendentes estão regras de certificação, autorizações de projetos, habilitação ao Rehidro e critérios dos processos competitivos para os créditos fiscais do PHBC, estimados em cerca de R$ 18 bilhões. A regulamentação prioriza aplicações em fertilizantes, siderurgia, cimento, química, petroquímica e transporte pesado. Outro ponto de debate é a exigência de 15% de conteúdo local para projetos de eletrólise, vista por parte dos desenvolvedores como possível fator de aumento de custos, enquanto fabricantes nacionais defendem a medida. Agentes também apontam preocupação com o prazo do Rehidro, cujos benefícios estão vinculados a contratações realizadas até 31 de dezembro de 2026, considerado curto para empreendimentos de grande porte. (Agência Eixos - 18.08.2026)
Brasil: UFPR propõe parceria com cooperativas para produzir H2 renovável
A Universidade Federal do Paraná (UFPR) propôs uma parceria com cooperativas do Paraná, Brasil, para desenvolver a produção de hidrogênio renovável a partir de resíduos agroindustriais. A iniciativa foi apresentada na sede do Sistema Ocepar, em Curitiba, pelo reitor Marcos Sunye e pelo professor Helton José Alves, coordenador do Laboratório de Materiais e Energias Renováveis (Labmater). A proposta prevê uma associação tecnológica voltada à inovação industrial e está ligada ao Centro de Competência em Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono da UFPR, coordenado pela Embrapii e financiado com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). O hidrogênio poderá ser utilizado pelas cooperativas no transporte ou em processos de transformação para obtenção de produtos. Como próximos passos, o Sistema Ocepar pretende visitar a planta piloto da universidade e promover um seminário com cooperativas, especialmente do setor agropecuário, que geram resíduos como dejetos animais e bagaço de cana. (Sistema OCEPAR – 18.08.2026)
Noruega: Hellesylt torna-se primeira planta nacional de H2 certificada pela RFNBO
A Norwegian Hydrogen anunciou que o Hellesylt Hydrogen Hub, na Noruega, tornou-se a primeira unidade de produção de hidrogênio do país a obter a certificação RFNBO, voltada a combustíveis renováveis de origem não biológica. O reconhecimento foi concedido em 31 de julho de 2026 pela International Sustainability and Carbon Certification (ISCC). A certificação confirma que o hidrogênio renovável produzido em Hellesylt atende aos requisitos estabelecidos pela União Europeia para essa categoria de combustível. Entre os critérios avaliados estão a sustentabilidade do processo produtivo, a origem renovável da eletricidade utilizada e a rastreabilidade integral da energia, desde sua fonte até o produto final. Com a certificação, a unidade comprova conformidade com as regras europeias aplicáveis à produção de hidrogênio renovável classificado como RFNBO. (Hydrogen Europe - 19.08.2026)
NACHIP: Abertura da segunda chamada pública para PMEs na cadeia de H2
A North Adriatic Clean Hydrogen Investment Platform (NACHIP) abrirá sua segunda chamada pública para PMEs em 7 de setembro de 2026, com candidaturas aceitas até 9 de novembro de 2026, para apoiar pequenas e médias empresas que desenvolvem tecnologias para cadeias de valor do hidrogênio limpo. As propostas devem complementar as atividades-piloto da NACHIP e contribuir para testes, validação e demonstração de tecnologias de hidrogênio em ambientes reais, as especificações técnicas, requisitos de elegibilidade e toda a documentação oficial serão publicadas no site da NACHIP quando a chamada abrir. Por fim, vale ressaltar que durante o período de inscrição serão promovidos dois Open Days online para orientar candidatos e esclarecer dúvidas, com atualizações disponíveis no LinkedIn da iniciativa. (NACHIP - 24.08.2026)
Produção
Brasil: UFPR investirá R$ 98 milhões em centro de H2 de baixa emissão
A Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi credenciada pela Embrapii para sediar um Centro de Competência em Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono, voltado ao desenvolvimento de tecnologias para produzir o energético a partir de biomassa e resíduos. O projeto prevê investimentos de R$ 98 milhões em quatro anos, sendo R$ 60 milhões do governo federal e R$ 38 milhões de captação mista, incluindo cerca de R$ 9 milhões a R$ 10 milhões da iniciativa privada. A estrutura deverá criar uma Associação Tecnológica de empresas no Centro Politécnico, em Curitiba, e ampliar atividades para Piraquara. Entre as aplicações estudadas está a conversão de biogás em hidrogênio renovável e fertilizantes em propriedades rurais, com destaque para resíduos da suinocultura no Oeste do Paraná. Segundo a UFPR, a descentralização da produção pode reduzir custos de transporte, que representam cerca de 40% do valor final do hidrogênio, além de apoiar a descarbonização industrial e aproximar pesquisas acadêmicas de aplicações comerciais. (Fenati – 13.08.2026)
Dinamarca: Mitsui inicia produção de metanol sintético a partir de H2V
A trading japonesa Mitsui & Co. iniciou a operação comercial de uma fábrica de metanol sintético na Dinamarca, com capacidade anual de 42 mil toneladas, produzido a partir de dióxido de carbono e hidrogênio de fontes renováveis (H2V), sendo considerada a primeira produção comercial desse tipo em escala mundial. Ao contrário do previsto inicialmente, aplicações automotivas devem representar um terço da demanda do combustível, impulsionadas pela Diretiva de Energia Renovável da União Europeia (RED III), que exige que ao menos 1% da energia do setor de transportes venha de combustíveis sintéticos ou hidrogênio até 2030 — demanda reforçada pela alta dos preços da energia após o bloqueio do Estreito de Ormuz, que tornou os combustíveis sintéticos mais competitivos frente aos convencionais. (Valor Econômico - 21.08.2026)
Países Baixos: Air Products e Nobian assinam acordo de longo prazo para H2 RFNBO
A Air Products e a Nobian assinaram um acordo de longo prazo para o fornecimento de hidrogênio certificado em conformidade com os critérios europeus para RFNBOs (Renewable Fuels of Non-Biological Origin). O hidrogênio será produzido na unidade da Nobian em Roterdã, nos Países Baixos, por meio de eletrólise cloro-álcali alimentada por eletricidade renovável. A planta possui capacidade superior a 14 mil toneladas de hidrogênio por ano e, em 2025, tornou-se a primeira instalação europeia de grande escala desse tipo a obter certificação ISCC EU para RFNBO, sendo apresentada como a maior planta europeia de hidrogênio com essa certificação. Pelo acordo, a Air Products utilizará sua infraestrutura e rede existentes para disponibilizar o combustível aos clientes, contribuindo para o cumprimento das obrigações da RED III nos Países Baixos e fortalecendo Roterdã como hub europeu de hidrogênio. (Hydrogen Europe - 27.08.2026)
Rochas ricas em ferro podem gerar hidrogênio natural na Austrália
Pesquisadores da Edith Cowan University (ECU) demonstraram que a magnetita presente nas extensas formações ferríferas da região de Pilbara, na Austrália Ocidental, pode produzir hidrogênio naturalmente ao reagir com água quente sob alta pressão. Em laboratório, amostras foram mantidas em água a 200°C por 60 dias, reproduzindo condições do subsolo, e os pesquisadores verificaram que a geração de H2 pode ser ampliada mediante a injeção de soluções nas formações rochosas. O trabalho pontua que o potencial produtivo depende não apenas da quantidade de magnetita, mas também da porosidade, fraturas e permeabilidade das rochas, que permitem o contato da água com novas superfícies minerais. O estudo, publicado no International Journal of Hydrogen Energy, aponta para a possibilidade futura de produção estimulada de hidrogênio geológico em larga escala na Austrália Ocidental. (Science Daily - 29.08.2026)
Armazenamento e Transporte
Alemanha: Hamburgo inicia construção de conexão de H2 para consumidores industriais
A concessionária alemã Hamburger Energienetze iniciou a construção do H2-Connector no terreno da antiga usina de Moorburg, em Hamburgo, na Alemanha. A infraestrutura será um ponto estratégico do futuro Hamburg Hydrogen Industry Network (HH-WIN), projetado para distribuir hidrogênio a consumidores industriais da região. O H2-Connector permitirá integrar à rede o hidrogênio produzido localmente, incluindo o fornecimento previsto pelo eletrolisador do Hamburg Green Hydrogen Hub (HGHH). A instalação também conectará o HH-WIN ao Hyperlink, rede nacional de hidrogênio planejada pela Gasunie, operadora neerlandesa de infraestrutura de gás. O projeto contará com uma unidade de injeção de hidrogênio e uma estação de regulação de pressão, além de prever a instalação posterior de uma estação de compressão. A iniciativa busca estruturar a conexão entre a produção local e as redes de transporte e distribuição de hidrogênio. (Hydrogen Europe - 25.08.2026)
Uso Final
Brasil: GWM testa caminhão a H2
A GWM realizou, em São Paulo, o primeiro transporte de carga com um caminhão movido a célula a combustível de hidrogênio (FCEV) na América Latina. O veículo tracionou uma carreta cegonheira com modelos elétricos e híbridos da fabricante, partindo do Laboratório de Hidrogênio do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na USP, até o Autódromo de Interlagos. A operação marcou o início dos testes do caminhão em condições reais de tráfego e carga. O modelo tem até 544 cv, torque de 2.700 Nm, autonomia de 500 km, capacidade para armazenar 40 kg de hidrogênio e Peso Bruto Total de 49 toneladas. O abastecimento foi realizado em uma estação de 350 bar do IPT. A parceria entre a GWM e o instituto também prevê estudos de eficiência energética, segurança e testes de tanques de alta pressão. O Brasil é a primeira operação da GWM Hydrogen fora da China, e a empresa também planeja oferecer no país a conversão de caminhões a diesel para sistemas elétricos a hidrogênio. (CNN Brasil - 25.08.2026)
Bélgica: Colruyt incorpora caminhões a H2 da Scania
O Colruyt Group incorporou dois caminhões movidos a hidrogênio da Scania às suas operações diárias na Bélgica, tornando-se o primeiro e único cliente belga da fabricante a utilizar esses veículos. A iniciativa integra a estratégia da varejista para tornar o transporte de cargas mais sustentável e alcançar operações com emissão zero, combinando veículos elétricos a bateria e modelos elétricos a hidrogênio. Os caminhões fazem parte do programa Scania Pilot Partner, plataforma de colaboração criada pela montadora em 2021 para desenvolver e testar novas tecnologias de transporte junto a clientes selecionados. Segundo a Scania, a utilização dos veículos em condições reais de operação permite avaliar o desempenho das soluções, identificar quais alternativas funcionam melhor na prática e acelerar seu desenvolvimento. O projeto amplia a experiência das empresas com o uso do hidrogênio na descarbonização do transporte pesado de cargas. (Hydrogen Europe - 20.08.2026)
Finlândia: P2X Solutions fecha acordo de 10 anos para fornecer e-metano de H2V
A finlandesa P2X Solutions firmou um acordo de longo prazo com a avanca/Alternoil para fornecimento de e-metano produzido em Harjavalta, na Finlândia. As entregas estão previstas para começar no quarto trimestre de 2026, e o combustível sintético será destinado ao transporte rodoviário. Com o contrato, toda a capacidade atual de produção da planta de metanação de Harjavalta ficará comercializada pelos próximos dez anos. O e-metano é obtido a partir do hidrogênio verde (H2V) produzido na própria unidade da P2X Solutions, reforçando a integração entre a produção de hidrogênio renovável e combustíveis sintéticos voltados à descarbonização do transporte. O acordo garante uma destinação de longo prazo para a produção da planta e amplia a presença de soluções baseadas em hidrogênio verde no mercado de combustíveis para mobilidade. (Hydrogen Europe - 18.08.2026)
Itália: Governo destina mais de €110 milhões a ônibus elétricos e a H2 em Roma
A cidade de Roma, na Itália, avançará na renovação de sua frota de transporte público com um plano superior a € 110 milhões para aquisição de novos ônibus elétricos e movidos a hidrogênio, além da modernização de depósitos. Os recursos foram disponibilizados pelo Ministério da Infraestrutura e dos Transportes da Itália (MIT) e destinados pela Cidade Metropolitana à administração municipal de Roma. A assinatura de um acordo com a operadora de transporte Atac permitiu liberar o financiamento para a fase operacional do projeto. A companhia será responsável por aplicar diretamente os recursos na compra dos veículos e na adequação da infraestrutura. Segundo a publicação, os novos ônibus terão emissão zero e contarão com recursos como acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, ar-condicionado, entradas USB, sistema de videomonitoramento e contagem de passageiros. A iniciativa integra a estratégia da capital italiana de acelerar a transição ecológica no transporte urbano. (Hydrogen Europe - 17.08.2026)
Reino Unido: Aporte de £ 7,2 milhões a projetos de aviação sem emissões
O governo do Reino Unido concedeu £ 7,2 milhões para apoiar o desenvolvimento de oito projetos voltados à viabilização de voos comerciais com emissão zero no país. As iniciativas foram selecionadas na primeira rodada da competição Zero-Emission Flight Demonstrator, criada para demonstrar a possibilidade de operação de aeronaves sem emissões a partir de aeroportos britânicos. Os projetos contemplam pesquisas relacionadas a aeronaves movidas a hidrogênio e eletricidade, além de estudos sobre operações de voo, necessidades de infraestrutura e atendimento em solo, normas, regulamentações e geração de evidências para sustentar a adoção comercial dessas tecnologias. O programa também inclui iniciativas destinadas a acelerar o desenvolvimento de táxis aéreos. Com o financiamento, o governo britânico busca avançar na preparação tecnológica, regulatória e operacional necessária para incorporar novas soluções de mobilidade aérea de baixo carbono à aviação comercial no Reino Unido. (Hydrogen Europe - 25.08.2026)
Tecnologia e Inovação
Duas pesquisas da USP avançam na produção de H2 limpo e ampliam fronteiras da transição energética
Duas pesquisas do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC/USP), no Brasil, apresentaram avanços para aumentar a eficiência da produção de hidrogênio a partir da energia solar. Coordenados pelo professor Renato Vitalino Gonçalves, os estudos utilizam a técnica de magnetron sputtering, já aplicada industrialmente, para controlar materiais em escala nanométrica. Em uma das frentes, pesquisadores modificaram fotoânodos de vanadato de bismuto com óxido de cobalto, melhorando a separação de cargas e a conversão da energia solar em energia química. No segundo trabalho, átomos isolados de cobre e platina foram depositados sobre nitreto de carbono grafítico, elevando a produção de hidrogênio em centenas de vezes em relação ao material não modificado e reduzindo a necessidade de platina. As pesquisas envolvem parceiros nacionais e internacionais e contam com apoio da FAPESP, CNPq e USP, buscando aproximar soluções laboratoriais de processos com potencial de escala industrial. (Radar do Hidrogênio - 26.08.2026)
IFCE abre inscrições para especialização em H2V no Ceará
O Instituto Federal do Ceará (IFCE), por meio do Campus Pecém, abriu inscrições para a especialização gratuita em Hidrogênio Verde, oferecida na modalidade de ensino a distância e com duração de 18 meses. O curso, no Ceará, Brasil, é destinado a profissionais formados em engenharia e áreas de tecnologia e busca capacitá-los para atuar em pesquisa, desenvolvimento e inovação na cadeia de produção, distribuição e uso do hidrogênio verde. As inscrições ficam abertas de 7 a 27 de agosto de 2026. A formação contará com atividades síncronas e assíncronas e terá cinco polos presenciais, localizados em Aracati, Caucaia, Maracanaú, Russas e Trairi, com 30 vagas em cada unidade, totalizando 150 oportunidades. A seleção será realizada por sorteio eletrônico entre candidatos com inscrições homologadas, previsto para 14 de setembro. O resultado final será divulgado em 5 de outubro, e a aula inaugural está programada para 28 de outubro. (Radar do Hidrogênio - 19.08.2026)
Artigos e Estudos
Hydrogen Valleys avançam apesar de entraves a projetos de hidrogênio limpo
A Clean Hydrogen Partnership publicou o relatório State of the Clean Hydrogen Valleys Sector 2026, que aponta avanço dos Hydrogen Valleys mesmo diante de incertezas regulatórias, dificuldades de financiamento, desafios econômicos e limitações de demanda. A análise considera dados da Hydrogen Valley Platform, que reúne 106 iniciativas em todo o mundo. Segundo o levantamento, a parcela de projetos em operação dobrou desde 2024, passando de 9% para 18%, enquanto 37% do portfólio já alcançou ou ultrapassou a decisão final de investimento. Na Europa, os Hydrogen Valleys somam cerca de 400 MW de capacidade operacional de eletrólise. O relatório destaca que a integração entre produção, transporte e consumo em ecossistemas locais e regionais tem aumentado a resiliência dos projetos. Uma pesquisa com desenvolvedores também identificou confiança no potencial de longo prazo do hidrogênio, embora a criação de demanda, os mecanismos de financiamento e a previsibilidade regulatória continuem sendo fatores decisivos para novos investimentos. (Clean Hydrogen Partnership - julho de 2026)
ARENA mapeia caminhos para reduzir custos de capital do hidrogênio verde
A Agência Australiana de Energia Renovável (ARENA) encomendou à Worley Consulting um estudo para identificar caminhos capazes de reduzir os custos de capital de projetos de produção de hidrogênio verde em larga escala na Austrália. O levantamento concentra-se em reduções de custos alcançáveis no longo prazo, em vez de projeções pontuais, e analisa os principais fatores que influenciam os investimentos. Entre as oportunidades avaliadas estão avanços tecnológicos e melhorias no projeto, na aquisição de equipamentos e nos processos de construção. O estudo desenvolveu quatro estimativas de referência a partir de três tecnologias de eletrólise predominantes: membrana de troca de prótons (PEM), eletrólise alcalina da água (AWE) e células de eletrólise de óxido sólido (SOEC). Segundo a ARENA, os resultados deverão orientar a indústria sobre alternativas de redução de custos, apoiar decisões de investimento da agência e contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas para o setor na Austrália. (ARENA – 09.09.2026)
Estudo aponta vantagem dos EUA no fornecimento de amônia à Europa
Um estudo do Oxford Institute for Energy Studies (OIES) avaliou a competitividade do fornecimento de amônia descarbonizada ao Noroeste da Europa, comparando a produção regional com importações dos Estados Unidos e do Marrocos. A análise considera toda a cadeia de valor, incluindo produção, armazenamento e transporte, além de rotas com amônia cinza, azul e verde. Sob as atuais condições de mercado, as importações dos Estados Unidos apresentam, em geral, o menor custo, favorecidas principalmente pelos preços mais baixos do gás natural. Para plantas europeias existentes, a adaptação de unidades de reforma a vapor com captura e armazenamento de carbono (CCS) aparece como a alternativa de descarbonização mais econômica. Entre novos projetos, a gaseificação de biomassa pode ser competitiva em cenários de preços favoráveis, enquanto a eletrólise renovável ainda enfrenta custos elevados de eletricidade e capital. O estudo conclui que diferenças estruturais nos preços de energia pesam mais sobre a competitividade do que os atuais incentivos públicos. (The Oxford Institute for Energy Studies – agosto 2026)
Shell destaca demanda e infraestrutura para viabilizar hidrogênio renovável
A Shell avalia que a expansão do hidrogênio renovável dependerá menos da comprovação tecnológica e mais da construção de condições comerciais, regulatórias e de infraestrutura. Segundo Andy Beard, presidente de Hidrogênio da companhia, experiências com os projetos Holland Hydrogen 1, nos Países Baixos, e REFHYNE 2, na Alemanha, mostram que decisões de investimento exigem redução de incertezas, demanda assegurada e clareza sobre custos e políticas públicas. Ambos os projetos estão integrados a refinarias existentes, garantindo consumidores iniciais para o hidrogênio produzido. A empresa destaca que eletricidade renovável, redes de energia, transporte, certificação e regulação precisam evoluir de forma coordenada. Para a Shell, refinarias podem funcionar como âncoras de demanda enquanto novos mercados se desenvolvem em setores como química e transportes. A companhia também defende políticas estáveis que apoiem simultaneamente oferta e consumo, permitindo que futuros projetos se tornem mais financiáveis, replicáveis e comercialmente competitivos. (Shell – agosto 2026)