Hidrogênio 225
Políticas Públicas e Financiamentos
Brasil: Inscrições de projetos para o edital da Petrobras e da Finep estão abertas até 15 de setembro
A Petrobras e a Finep abriram uma chamada para submissão de projetos que vai até 15 de setembro de 2026. Em seu modelo de inovação aberta, exigem em seu escopo, redes formadas por pelo menos três empresas e uma instituição de ciência e tecnologia e que deve abarcar todas as etapas do desenvolvimento tecnológico. Com um aporte de R$ 75 milhões da Finep e R$ 75 milhões da Petrobras e exigência estratégica de, no mínimo, 50% de conteúdo local, a iniciativa busca fomentar fornecedores brasileiros, localizar tecnologias críticas, consolidar capacidades industriais de alto valor agregado e posicionar o país para desenvolver tecnologias próprias e ampliar sua liderança na transição energética global. (Radar do Hidrogênio - 13.07.2026)
Europa: BEI financia planta de H2Vde 140 MW da OMV
O Banco Europeu de Investimento concedeu um empréstimo de € 450 milhões à companhia austríaca OMV para apoiar a construção de uma planta de hidrogênio verde (H2V) de 140 MW em Bruck an der Leitha, na Baixa Áustria, Áustria. O empreendimento receberá investimento total de € 600 milhões e deverá entrar em operação até o fim de 2027. Abastecida por energia renovável, a unidade terá capacidade para produzir até 23 mil toneladas de hidrogênio verde por ano. O energético será destinado à refinaria da OMV em Schwechat, também na Baixa Áustria, contribuindo para reduzir as emissões associadas às atividades da instalação. Segundo a empresa, a produção local de hidrogênio permitirá ampliar a sustentabilidade dos combustíveis e produtos químicos fabricados pela refinaria. O financiamento europeu reforça a implantação de infraestrutura de baixo carbono no país e apoia a estratégia de descarbonização das operações industriais da OMV. (Hydrogen Europe - 13.07.2026)
UE: Comissão revisa mercado de carbono e plano de eletrificação e amplia papel do H2
A Comissão Europeia apresentou a revisão do Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia (ETS) e o Plano de Ação para Eletrificação (EAP), com efeitos relevantes para a cadeia do hidrogênio. A proposta para o mercado de carbono condiciona parte das licenças gratuitas a investimentos em processos limpos, medida que pode acelerar decisões finais de investimento em projetos de descarbonização. O texto também cria a base jurídica para um Banco de Descarbonização Industrial de € 100 bilhões, voltado sobretudo a indústrias intensivas em energia e a projetos maduros. A Hydrogen Europe apoiou os novos mecanismos, mas criticou a redução da ambição geral do sistema, por considerar um preço robusto do carbono essencial à viabilidade do hidrogênio. Já o plano de eletrificação, estabelece como meta elevar para 46% a participação da eletricidade no consumo final de energia até 2040. O documento reconhece o hidrogênio como elemento importante para flexibilidade, armazenamento de longa duração e integração de renováveis, além de prever a revisão da Estratégia Europeia para o Hidrogênio entre 2026 e 2027. As propostas ainda serão negociadas pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da UE. (Hydrogen Europe - 17.07.2026)
Produção
Brasil: Planta piloto de H2V de R$ 40 milhões foi inaugurada na Bahia
A primeira planta piloto de hidrogênio verde da Bahia entrou em operação no Senai Cimatec Park, em Camaçari após investimento superior a R$ 40 milhões. O projeto reúne Senai Cimatec, Hytron, do grupo Neuman & Esser, e Petrogal Brasil, joint venture entre Galp e Sinopec. Financiado com recursos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e da Embrapii, o Centro de Referência em Tecnologias de Baixo Carbono e Hidrogênio Verde integra produção por eletrólise, microrrede de energia renovável, planta de amônia e estação de abastecimento veicular. A estrutura também conta com laboratórios de combustão e instalações para testes industriais, de mobilidade, armazenamento e transporte do energético. A Neuman & Esser forneceu o núcleo tecnológico da unidade, incluindo projeto, integração e comissionamento dos sistemas de eletrólise e alta pressão. Para a validação operacional, a Toyota disponibilizou um Mirai, enquanto a GWM Hydrogen forneceu um caminhão movido a hidrogênio para atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação. (Movimento Econômico - 17.07.2026)
Europa: Lhyfe e Messer firmam parceria para fornecimento de H2renovável
A produtora francesa Lhyfe firmou uma parceria comercial, industrial e financeira com a Messer, empresa alemã de gases industriais, envolvendo quatro unidades de produção de hidrogênio renovável na Europa. Pelo acordo, a Messer adquirirá participação de 30% em três plantas localizadas na França e uma na Alemanha. As companhias também assinarão um contrato de fornecimento de hidrogênio renovável com duração de dez anos. A partir de 2026, a Messer se compromete a comprar um volume mínimo do energético, com previsão de aumento gradual até atingir várias centenas de toneladas por ano. A empresa pretende adquirir metade da produção das três unidades francesas. Além do investimento e da compra do hidrogênio, a Messer contribuirá com experiência em segurança, operações, logística, manuseio de gases, relacionamento com clientes e distribuição de diferentes gases industriais. (Hydrogen Europe - 13.07.2026)
John Cockerill conclui eletrolisador de 5 MW com ativos da McPhy
A empresa belga John Cockerill concluiu a fabricação de seu primeiro eletrolisador de 5 MW desenvolvido com base em tecnologias e ativos adquiridos da francesa McPhy. O equipamento, do tipo alcalino pressurizado, foi produzido e montado na antiga fábrica da McPhy em Belfort, na França. A entrega ocorre cerca de um ano após a aquisição, que incluiu tecnologias, propriedade intelectual e a incorporação de 51 funcionários. A companhia se prepara agora para fornecer oito unidades do eletrolisador a um novo projeto planejado nos Países Baixos. A conclusão do equipamento marca uma etapa relevante na integração dos ativos da McPhy às operações da John Cockerill e amplia a capacidade da empresa de atender projetos de produção de hidrogênio em escala industrial na Europa. (Hydrogen Europe - 16.07.2026)
Armazenamento e Transporte
Alemanha: Friedrich Vorwerk ganha contrato para a construção de gasoduto de H2
O grupo alemão Friedrich Vorwerk recebeu um contrato para construir um gasoduto de hidrogênio que ligará um eletrolisador planejado de 320 MW, na cidade de Emden, à infraestrutura emergente de transporte do energético em Leer, ambas localizadas na Alemanha. O acordo, avaliado em dezenas de milhões de euros, foi conquistado pela companhia no âmbito de uma joint venture. A contratação foi realizada pela EWE Netz GmbH, subsidiária da fornecedora alemã de energia EWE AG. O projeto tem como patrocinadora a operadora de sistemas de transmissão GTG Nord GmbH, também controlada pela EWE. A obra prevê cerca de 24 quilômetros de tubulação de alta pressão, além de uma linha de conexão entre o futuro eletrolisador e a instalação de injeção de hidrogênio em Emden. Os trabalhos preparatórios devem começar ainda em 2026, após a aprovação do planejamento em junho, e a operação está prevista para 2027. O gasoduto será ligado às redes HyPerLink, da Gasunie Deutschland, e da GTG Nord, integrando a malha central de hidrogênio da Alemanha e a iniciativa Clean Hydrogen Coastline. (Hydrogen Europe - 15.07.2026)
Portugal: Abertura de consulta para regras de abastecimento de H2
O Governo de Portugal colocou em consulta pública o projeto de regulamento que estabelece as condições para construção, exploração e manutenção de postos de abastecimento de hidrogênio no país. O processo começou em 8 de julho de 2026 e ficará aberto por 30 dias para o envio de contribuições. A proposta abrange instalações públicas e privadas, inclusive unidades móveis, destinadas ao atendimento de veículos rodoviários, embarcações, aeronaves estacionadas e empilhadeiras. Segundo o Ministério do Ambiente e da Energia, as normas definem requisitos técnicos voltados à segurança, confiabilidade e conformidade dessas infraestruturas. O Executivo considera que uma rede segura de abastecimento é essencial para ampliar o uso do hidrogênio renovável em segmentos de difícil eletrificação, especialmente transportes pesados e atividades industriais. A ministra da Energia, Maria da Graça Carvalho, afirmou que o regulamento dará previsibilidade aos investidores e segurança aos usuários. O documento também apoia as metas nacionais de transição energética e mobilidade sustentável, em alinhamento com o Regulamento Europeu de Infraestrutura para Combustíveis Alternativos (AFIR). (O Jornal Económico - 18.07.2026)
Uso Final
Weichai Power apresenta motor pesado a H2
A chinesa Weichai Power apresentou o WP15, motor de combustão interna movido a hidrogênio, desenvolvido para caminhões e outros veículos pesados. Segundo a fabricante, o equipamento é o primeiro do mundo em sua categoria a obter certificação para atender ao padrão China VI, o mais rigoroso de emissões do país. O motor tem 14,6 litros, potência de 600 cavalos e torque de 2.800 Nm, com eficiência térmica máxima de 46,8%, superior à de muitos motores diesel em operação. Projetado para caminhões de longa distância, mineração, portos, siderurgia e grandes geradores, o WP15 usa injeção direta de hidrogênio na câmara de combustão, o que melhora o aproveitamento energético e reduz consumo. Mais de 90% dos componentes são compartilhados com motores diesel convencionais, o que pode reduzir custos de fabricação, manutenção e adaptação industrial (O Globo - 14.07.2026).
Tecnologia e Inovação
Finlândia: Pesquisas da Universidade de Oulu fortalecem o desenvolvimento da economia do H2
A Universidade de Oulu, no norte da Finlândia, lidera pesquisas sobre hidrogênio limpo voltadas à transformação da indústria, da infraestrutura energética e da formação profissional. Cerca de 12 projetos comerciais estavam em desenvolvimento na região no verão de 2026, apoiados pela cooperação entre universidade, empresas de energia, siderúrgicas e autoridades locais. Entre as iniciativas está a produção conjunta de hidrogênio limpo e grafite para baterias, tecnologia desenvolvida pelo grupo da professora Ulla Lassi e comercializada pela Hycamite. A instituição também trabalha com a SSAB na descarbonização da siderurgia e no desenvolvimento de aços de ultra-alta resistência, capazes de reduzir o uso de materiais e o consumo de energia. Outra frente envolve a ZUN-H, empresa criada em 2025 a partir de pesquisas universitárias, que desenvolve painéis capazes de produzir hidrogênio diretamente da luz solar e da água, sem eletrólise alimentada por eletricidade. Ainda, a Universidade de Oulu mantém parcerias com Outokumpu, universidades finlandesas e centros internacionais de pesquisa para acelerar inovações e avaliar os impactos sociais das novas tecnologias. (InnovationNews - 20.07.2026)
Eventos
ABH2 realiza I Seminário Brasileiro de Hidrogênio e fortalece ecossistema nacional de inovação
A Associação Brasileira de Hidrogênio (ABH2) realizará o 1º Seminário Brasileiro do Hidrogênio (SBH2) nos dias 13 e 14 de agosto de 2026 no Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. O evento reunirá pesquisadores, professores, estudantes e profissionais de institutos de ciência e tecnologia, empresas, startups e representantes da indústria. Com sua realização em conjunto com o 3º Simpósio do Hidrogênio do Paraná (SIMPHI), o evento visa integrar conhecimento científico, inovação tecnológica e desenvolvimento industrial, ampliando oportunidades de networking, cooperação científica e projetos de P&D&I. Por fim, vale destacar que essas ações fortalecem a cadeia de valor do hidrogênio no Brasil, impulsionando a competitividade nacional e colocam o país em posição de liderança na emergente economia global do hidrogênio. (Radar do Hidrogênio - 17.07.2026)
Artigos e Estudos
Artigo de Adão Linhares Muniz: “Hidrogênio de baixo carbono: o mercado precisa de um sinal claro”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Adão Linhares Muniz (Engenheiro Mecânico) analisa o estágio atual da política brasileira para o hidrogênio de baixa emissão de carbono após a aprovação do marco legal formado pelas Leis nº 14.948 e nº 14.990, de 2024. O autor sustenta que o país avançou significativamente ao instituir a Política Nacional, o PHBC e o Rehidro, mas argumenta que o setor depende agora da rápida regulamentação dessas normas para transformar o potencial em investimentos concretos. Destaca que a demora na publicação do decreto regulamentador compromete a previsibilidade necessária aos investidores, reduz a efetividade dos incentivos fiscais previstos entre 2028 e 2032 e enfraquece a competitividade brasileira diante da concorrência internacional. Defende ainda a publicação do decreto, a definição de um calendário confiável de leilões e o fortalecimento institucional da política antes da transição de governo, concluindo que regras claras e prazos firmes são essenciais para consolidar a liderança brasileira no mercado de hidrogênio de baixo carbono. (GESEL-IE-UFRJ - 15.07.2026)
Artigo de Fernanda Delgado: “Tarifas altas e energia desperdiçada exigem novas demandas no setor”
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Fernanda Delgado (Diretora-executiva da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde – ABIHV) examina como o aumento das tarifas de energia e o desperdício de eletricidade decorrente dos frequentes cortes de geração comprometem a competitividade da economia brasileira e da indústria de hidrogênio verde. A autora argumenta que o crescimento dos encargos da Conta de Desenvolvimento Energético e as limitações estruturais do setor elétrico elevam os custos para consumidores e empresas, ao mesmo tempo em que a expansão das fontes renováveis evidencia falhas regulatórias, de planejamento e de infraestrutura. Sustenta que o aumento do curtailment e a ausência de mecanismos eficientes para absorver a energia excedente reforçam a necessidade de reformas estruturais, capazes de integrar novas demandas eletrointensivas, ampliar soluções de armazenamento e aperfeiçoar os sinais econômicos do mercado. Conclui que o Brasil precisa transformar sua abundância de energia renovável em vantagem competitiva permanente por meio de mudanças institucionais e regulatórias alinhadas à economia de baixo carbono. (GESEL-IE-UFRJ - 15.07.2026)
Editorial Nature: “Hidrogênio em foco”
Um editorial publicado pela revista Nature Reviews Clean Technology coloca o hidrogênio verde no centro do debate sobre a descarbonização de atividades industriais e energéticas de difícil abatimento. O texto observa que o uso do energético como combustível ou matéria-prima já integra diversas políticas públicas voltadas aos setores de energia e indústria. Esse avanço amplia as oportunidades para o desenvolvimento da cadeia do hidrogênio, mas também levanta questões que precisam ser consideradas na formulação de estratégias, na implantação de projetos e na adoção das tecnologias relacionadas. A publicação apresenta o tema como foco de sua edição de julho de 2026, dedicada a examinar o papel do hidrogênio na transição para tecnologias limpas, incluindo aspectos ligados à energia e ao armazenamento. (Nature - 16.07.2026)