Hidrogênio 223
Políticas Públicas e Financiamentos
Brasil: Decreto do H2 adotará cautela sobre conteúdo local
O decreto que regulamentará os incentivos ao hidrogênio de baixa emissão de carbono deverá estabelecer uma abordagem gradual para as exigências de conteúdo local, deixando ao Conselho Nacional de Política Energética a possibilidade de modular esse requisito conforme a evolução tecnológica e do mercado. O texto, que aguarda publicação pela Casa Civil, também tratará da certificação de carbono, da quantificação das emissões e das atribuições da ANP e da CCEE na estruturação da nova cadeia produtiva. A estratégia considera a desaceleração global dos investimentos em hidrogênio e busca evitar exigências que comprometam a competitividade do setor, preservando a flexibilidade para diferentes rotas tecnológicas e alinhando o desenvolvimento da indústria às diretrizes da Nova Indústria Brasil. (Broadcast Energia - 01.07.2026)
UE: Indústria pede mais espaço para H2 no Pacote de Redes
A Hydrogen Europe e outras organizações industriais publicaram uma declaração conjunta pedindo que formuladores de políticas da União Europeia tratem a infraestrutura de hidrogênio de forma adequada nas negociações do EU Grids Package. Segundo as entidades, redes de hidrogênio serão essenciais, ao lado da infraestrutura elétrica, para fortalecer competitividade, segurança energética e descarbonização no bloco. O documento defende tratamento equivalente entre hidrogênio e eletricidade nos processos de licenciamento, reconhecimento da infraestrutura de hidrogênio como de interesse público prioritário, melhor estrutura para planejamento de redes, armazenamento e conexões transfronteiriças, além de coordenação mais ampla entre sistemas elétricos e de hidrogênio. As organizações também pedem apoio reforçado a corredores energéticos integrados na Europa. Embora reconheçam avanços no Parlamento Europeu, elas afirmam que novas medidas ainda são necessárias, especialmente na posição do Conselho, para permitir a implantação da infraestrutura na escala e velocidade exigidas pelos objetivos energéticos e industriais europeus. Para Daniel Fraile, da Hydrogen Europe, o pacote é uma oportunidade para integrar redes de hidrogênio, eletricidade e gás com menor custo para cidadãos e empresas. (Hydrogen Europe - 23.06.2026)
Alemanha e Austrália definem leilão de € 400 milhões para H2
A Alemanha e a Austrália definiram o desenho de um leilão de hidrogênio verde de até € 400 milhões (US$ 458,2 milhões) a ser realizado pelo mecanismo H2Global. A iniciativa foi formalizada em 19 de junho, por meio de uma nova carta de intenções voltada a fortalecer e detalhar a cooperação bilateral no setor. Pelo modelo de leilão duplo do H2Global, cada país aportará até € 200 milhões. Os recursos serão usados para contratar, por meio de concorrência, produtos de hidrogênio produzidos na Austrália, que depois serão revendidos na Alemanha em um leilão separado. O financiamento público conjunto cobrirá a diferença entre os custos mais elevados de aquisição e os preços mais baixos obtidos na revenda, reduzindo o risco comercial da operação. A medida busca criar uma ponte entre a futura oferta australiana de derivados de hidrogênio renovável e a demanda alemã por insumos de baixo carbono, ao mesmo tempo em que apoia a formação de mercados internacionais para o energético. (Hydrogen Europe - 22.06.2026)
Hydrogen Europe elege novos integrantes para conselho diretor
A Hydrogen Europe elegeu novos membros para seu Conselho de Administração durante assembleia geral realizada em 25 de junho. Segundo a associação, os representantes terão papel na definição da estratégia da entidade para ampliar a implantação industrial do hidrogênio limpo e contribuir para uma Europa mais resiliente, competitiva e sustentável. Foram eleitos Holger Kreetz, COO da Uniper, pelo setor de energia; Nicola Battilana, diretor executivo de planejamento de infraestrutura da Snam, por infraestrutura; Aitor Arzuaga, CEO da Alba Emission Free Energy, por pequenas e médias empresas; Miguel Ángel López Borrego, CEO da Thyssenkrupp Decarb Technologies, por fornecedores de tecnologia; Jürgen Guldner, gerente-geral do Programa de Hidrogênio da BMW, pelo setor de transportes; e Andreas Kuhlmann, CEO da associação alemã DWV, pelas entidades nacionais de hidrogênio. Eles se somam aos atuais conselheiros, incluindo Sebastian Boden, da Air Liquide, que preside o conselho. O CEO da Hydrogen Europe, Jorgo Chatzimarkakis, afirmou que a entidade espera trabalhar com o novo grupo na missão de construir uma Europa independente em energia, competitiva e descarbonizada. (Hydrogen Europe - 25.06.2026)
Produção
Brasil: ABIHV mapeia R$ 115 bilhões de investimentos em projetos de H2V
A Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV) mapeou uma carteira de projetos de hidrogênio verde (H2V) no Brasil que supera R$ 115 bilhões em investimentos previstos e reúne mais de 10 GW de capacidade combinada de eletrólise. O levantamento, baseado em dados de associados, contempla empreendimentos em diferentes estágios de desenvolvimento para produção de H2V, amônia verde, e-metanol, fertilizantes e combustíveis sustentáveis, com maior concentração no Nordeste. A entidade também aponta unidades já em operação, como a planta da White Martins em Jacareí (SP), com eletrolisador de 5 MW e capacidade estimada de 800 toneladas anuais, e a planta-piloto da Neoenergia em Brasília (DF). No Complexo do Pecém, no Ceará, projetos de Fortescue, Casa dos Ventos, FRV, EDF e Qair somam dezenas de bilhões de reais e mais de 5 GW em eletrólise. A ABIHV também identificou avanços na cadeia de fornecedores, com planos para fábricas de eletrolisadores de até 1 GW ao ano no país e cerca de R$ 1,7 bilhão em investimentos para nacionalização de tecnologias. Para a entidade, a regulamentação do Rehidro e do Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC) será decisiva para reduzir incertezas e acelerar decisões de investimento. (Petronotícias - 24.06.2026)
Brasil: ABIHV e Apex planejam chamada para seleção de projetos de H2 para exportação
A Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) vão lançar uma chamada pública para selecionar projetos de hidrogênio, amônia, metanol e fertilizantes com potencial de exportação. A iniciativa busca viabilizar o acesso a recursos do Global Gateway, mecanismo da União Europeia voltado ao financiamento de infraestrutura sustentável em países parceiros. Segundo Fernanda Delgado, CEO da Abihv, a seleção incluirá projetos nacionais e internacionais, com apoio técnico da associação. A ApexBrasil, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), ficará responsável pela criação de um portfólio de projetos. A executiva também destacou que as regras para o primeiro leilão de hidrogênio ainda dependem de decreto regulamentador. O edital está previsto para janeiro de 2027, com R$ 18 bilhões em subsídios entre 2030 e 2035. (Agência Eixos - 24.06.2026)
Brasil: Governo da Paraíba lançará plataforma para impulsionar projetos de H2
O governo da Paraíba anunciou que apresentará em julho um mapeamento completo das potencialidades para implantação da cadeia produtiva do hidrogênio de baixo carbono no estado. Desenvolvido com apoio da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o estudo resultará em uma plataforma digital interativa que reunirá indicadores sobre disponibilidade hídrica, proximidade de rodovias, portos, linhas de transmissão e áreas de restrição, permitindo análises preliminares de viabilidade para projetos de hidrogênio, amônia e derivados. Segundo o secretário executivo de Energia e Transição Energética, Robson Barbosa, a iniciativa é pioneira no país ao integrar critérios técnicos e científicos em um único ambiente para apoiar investidores. (Agência Eixos - 01.07.2026)
UE: Projeto TITAN valida conversão de biogás em H2 e carbono sólido
O projeto TITAN, financiado pelo programa Horizon Europe, da União Europeia, está próximo de ser concluído após 48 meses de pesquisa, com encerramento oficial previsto para 31 de agosto de 2026. A iniciativa demonstrou, em Bruxelas, na Bélgica, uma tecnologia capaz de converter biogás bruto em gás rico em hidrogênio e carbono sólido, com uso de energia de micro-ondas. O processo integra diferentes etapas de reação em um único sistema, reduzindo a necessidade de tratamento e separação adicionais. A solução foi validada em nível TRL 5, operando em condições representativas de fluxos reais de biogás, e alcançou taxas de conversão de metano superiores a 85%. Segundo o coordenador do projeto, David Farrusseng, os resultados mostram que o biogás pode ter papel mais amplo na transição energética europeia. O carbono gerado forma um material ferro-carbono, avaliado para aplicações agrícolas e armazenamento de longo prazo, sem efeitos negativos relevantes sobre microrganismos e fauna do solo nos estudos realizados. As estimativas indicam potencial de economia acumulada de 237 milhões de toneladas de CO₂ até 2045, além da produção de até 0,6 milhão de toneladas de hidrogênio por ano em 2030 e quase 4 milhões a partir de 2045. (Hydrogen Central - 24.06.2026)
Portugal: GreenH2Atlantic obtém licença ambiental para planta de H2V
O projeto GreenH2Atlantic, para construção de uma unidade de produção de hidrogênio verde (H2V) de 100 MW em Sines, Portugal, recebeu uma Declaração de Impacto Ambiental favorável condicionada da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). A planta está prevista para o local da antiga usina a carvão de Sines e será desenvolvida pela Hytlantic, empresa responsável pela liderança do empreendimento. Com a decisão, o consórcio avança para a análise das recomendações e medidas propostas pela autoridade ambiental, que deverão ser incorporadas aos projetos de engenharia. Em seguida, continuarão os estudos técnicos para confirmar a viabilidade econômica e preparar a etapa final do licenciamento, com a entrega do Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE). A implantação ainda depende de decisão final de investimento da Hytlantic, que avaliará, entre outros fatores, a existência de um marco regulatório favorável ao mercado de hidrogênio verde. O projeto reforça a posição de Sines como referência europeia na produção do energético e conta com € 92 milhões de apoio da União Europeia, por meio do Horizon 2020 e do Innovation Fund. (Hydrogen Central - 22.06.2026)
Índia: Programa H2Uppp apoia a construção de ecossistema local de H2V
O programa International Hydrogen Ramp-up Programme (H2Uppp), financiado pelo Ministério Federal de Assuntos Econômicos e Energia da Alemanha, tem apoiado a estruturação do ecossistema de hidrogênio verde na Índia, país que busca reduzir importações de combustíveis fósseis, descarbonizar a indústria e se posicionar como futuro exportador de hidrogênio verde e produtos Power-to-X. A iniciativa atua como articuladora entre empresas, formuladores de políticas, financiadores, produtores e compradores, promovendo treinamentos, rodadas de negócios, workshops técnicos e plataformas bilaterais com atores indianos e europeus. Entre as ações citadas estão capacitações em eletrolisadores e células a combustível no Gujarat Energy Research and Management Institute, parcerias com RWE Supply & Trading, Renew, Indian Gas Exchange, European Energy Exchange e Thyssenkrupp nucera, além de apoio a debates sobre certificação RFNBO, amônia verde, metanol e comércio internacional. O programa também contribuiu para a maior visibilidade internacional da Índia e para a construção do Roteiro Indo-Alemão de Hidrogênio Verde, aproximando os interesses indianos de crescimento industrial e exportação às demandas alemãs por importações confiáveis de hidrogênio. (International PtX Hub - 24.06.2026)
África do Sul: Sasol avança em projeto de exportação de H2V no Cabo Norte
A Sasol concluiu um estudo de pré-viabilidade para a oportunidade de exportação de hidrogênio verde e amônia em Boegoebaai, no Cabo Norte, na África do Sul, confirmando forte potencial técnico e econômico do projeto. Apesar de manter Boegoebaai como componente estratégico de seu portfólio, a companhia decidiu ampliar sua abordagem e deixar de atuar com foco em um único empreendimento, passando a priorizar uma estratégia provincial para desenvolver um ecossistema coordenado de hidrogênio verde. A proposta inclui diferentes oportunidades de energia renovável no Cabo Norte, conectadas a um corredor de hidrogênio verde e apoiadas pelo porto de águas profundas e pela Zona Econômica Especial planejados para Boegoebaai. Segundo a Sasol, o avanço do setor depende de acesso a terras, capacidade de rede, infraestrutura, logística e desenvolvimento gradual de mercados. A empresa defende que a produção competitiva de hidrogênio verde na década de 2030 exigirá a implantação, ainda nos anos 2020, de capacidade renovável em escala gigawatt, com expansão de projetos solares e eólicos. Nesse modelo, a Sasol pretende atuar como catalisadora e integradora, articulando conhecimento técnico e capacidade de mercado com atores públicos e privados. (Hydrogen Central - 24.06.2026)
Sonatrach e VNG assinam acordo para avalição de oportunidades em H2V
A estatal argelina Sonatrach e a alemã VNG AG assinaram um memorando de entendimento para avaliar oportunidades de cooperação em áreas de interesse comum, incluindo hidrogênio verde (H2V) e redução de emissões de metano. O acordo é resultado de discussões mantidas pelas empresas no âmbito de um memorando anterior, firmado em 20 de dezembro de 2022. Com a nova iniciativa, as partes pretendem identificar sinergias e desenvolver ações concretas, especialmente em projetos de hidrogênio verde e amônia, além de iniciativas voltadas à mitigação de emissões de metano. Segundo a Sonatrach, a colaboração exprime o compromisso compartilhado com a descarbonização do setor de hidrocarbonetos, em linha com a transição para fontes de energia neutras e o enfrentamento das mudanças climáticas. (Hydrogen Central - 24.06.2026)
Armazenamento e Transporte
França: Cetim valida tanque termoplástico para armazenar H2
A Cetim demonstrou, no âmbito do projeto Arhystote, um avanço no desenvolvimento de tanques compósitos termoplásticos do tipo IV.5 para armazenamento de hidrogênio. A iniciativa é financiada pelo governo da França pelo programa France 2030 e operada pela agência francesa de transição ecológica ADEME. Nos testes, a empresa comprovou resistência à pressão de 1.675 bar em um tanque de 62 litros, com peso total de 43 kg, fabricado no Technocampus Composites, perto de Nantes, na França. O equipamento usa o processo HySpide TP, de enrolamento de fita assistido por laser, e atende a requisitos regulatórios para operação a 700 bar. Segundo a Cetim, a tecnologia oferece maior tolerância a danos, possibilidade de arquiteturas industriais mais leves, aumento das taxas de produção, soldagem do compósito ao liner e potencial de reciclagem ao fim da vida útil. O resultado corresponde a índice gravimétrico de 5,7%, com projeção de 6,8% para uma versão de 120 litros. A inovação abre caminho para novas fases de testes e para soluções de armazenamento mais leves, seguras, recicláveis e escaláveis, voltadas à mobilidade pesada, aviação, setor espacial e infraestrutura de distribuição de hidrogênio em alta pressão. (Hydrogen Central - 24.06.2026)
Reino unido: Estudo mostra que campos do Mar do Norte podem armazenar H2 por 7 anos
Pesquisadores do Durham Energy Institute, da Universidade de Durham, no Reino Unido, concluíram que campos esgotados de petróleo e gás no Mar do Norte poderiam armazenar hidrogênio verde suficiente para atender à demanda futura de eletricidade do país por sete anos. O estudo combinou dados históricos de geração e consumo em intervalos de meia hora, planos de expansão renovável e simulações de uso futuro de energia, considerando veículos elétricos, bombas de calor e data centers. O hidrogênio seria produzido por eletrólise com excedentes de energia eólica e solar e armazenado no subsolo, com uso de infraestrutura existente ou adaptada do setor de óleo e gás. Nos cenários avaliados, apenas a opção com armazenamento em larga escala conseguiu eliminar a necessidade de usinas a gás até 2040. A capacidade total estimada chegou a 3.659 TWh, volume equivalente a sete anos da demanda elétrica esperada em 2040. Para os autores, os reservatórios do Mar do Norte oferecem uma alternativa mais ampla que as cavernas salinas, hoje foco principal do armazenamento britânico, e podem transformar o hidrogênio em ativo estratégico nacional, além de abrir espaço para exportações à Europa. (Hydrogen Central - 24.06.2026)
Uso Final
Brasil: Barco movido a H2V é apresentado em Santa Catarina
A embarcação brasileira JAQ H1, de 36 metros, chegou a Itajaí, em Santa Catarina, no Brasil, para participar do Marina Itajaí Boat Show 2026, realizado de 2 a 5 de julho na Marina Itajaí. O barco integra o projeto privado JAQ Hidrogênio Verde, estimado em R$ 150 milhões, desenvolvido pelo Grupo Náutica em parceria com a GWM Hydrogen. A iniciativa testa o uso de hidrogênio verde em sistemas internos da embarcação e em motores dual-fuel da alemã MAN, capazes de operar com mistura de 20% de hidrogênio verde ao diesel, com possibilidade de retorno integral ao combustível fóssil em caso de instabilidade no abastecimento. Segundo o projeto, a tecnologia pode reduzir em até 80% as emissões de CO₂ na fase de testes. O hidrogênio também abastece equipamentos de hotelaria de bordo, como ar-condicionado, iluminação, televisão e micro-ondas. Após o evento, o JAQ H1 deve permanecer em Santa Catarina para comissionamento do sistema, com testes e validações de segurança. O investimento também prevê o JAQ H2, embarcação de 50 metros com entrega prevista para 2027 e eletrolisador a bordo para produzir hidrogênio a partir da dessalinização da água do mar. (Click Petróleo e Gás - 03.07.2026)
Alemanha: Daimler Truck e KEYOU miram motores de combustão a H2 para caminhões
A Daimler Truck AG e a KEYOU GmbH, empresas sediadas na Alemanha, firmaram acordo para desenvolver motores de combustão interna movidos a hidrogênio para o transporte rodoviário de cargas. A parceria busca levar a tecnologia à maturidade de mercado como uma solução complementar a outras alternativas de propulsão descarbonizada, com foco em disponibilidade no curto prazo, viabilidade econômica e robustez operacional. A Daimler Truck fornecerá como base técnica suas variantes atuais de veículos e motores, o que deve acelerar a implementação e a futura introdução comercial. Já a KEYOU será responsável pela conversão para uso de hidrogênio, com apoio de prestadores de serviço encarregados de adaptar os veículos e os motores. Segundo a publicação, o lançamento no mercado está previsto para 2027, após a assinatura do acordo entre as companhias. A iniciativa reforça o interesse da indústria em ampliar o portfólio de tecnologias para reduzir emissões no transporte pesado. (Hydrogen Europe - 22.06.2026)
Noruega: Norwegian Hydrogen fornecerá H2 a oito navios
A Norwegian Hydrogen foi anunciada como fornecedora de hidrogênio para oito dos nove navios contemplados em uma rodada recorde de subvenções da Enova, empresa estatal da Noruega voltada ao apoio a tecnologias de energia e clima. Os projetos receberão, ao todo, NOK 600 milhões no âmbito do novo programa “Hydrogen in Vessels”, criado para reduzir emissões no transporte marítimo norueguês e estimular o uso de hidrogênio como combustível verde em diferentes tipos de embarcações. Entre os clientes da Norwegian Hydrogen contemplados estão Marius Fiducia Norway AS, com NOK 299,97 milhões para cinco embarcações; Møre Sjø AS, com NOK 175,2 milhões para duas; e Napier AS, com NOK 123,03 milhões para uma. A Enova também concedeu apoio a seis navios movidos a amônia, buscando criar as primeiras cadeias de valor funcionais para hidrogênio e amônia no setor marítimo. (Hydrogen Europe - 23.06.2026)
Reino Unido: Intelligent Energy avança na aviação a H2 com a conclusão do projeto H2GEAR
A Intelligent Energy concluiu o projeto H2GEAR, desenvolvido ao longo de cinco anos no Reino Unido para adaptar sua experiência em células a combustível de hidrogênio a aplicações na aviação. O programa permitiu avanços em densidade de potência, gestão térmica, integração em aeronaves, redução de arrasto e validação de sistemas, aproximando o voo comercial movido a hidrogênio de uma rota tecnológica viável. A iniciativa também apoiou a implantação de uma instalação de testes de células a combustível de 1,3 MW em Northamptonshire, na Inglaterra, capaz de validar sistemas aeronáuticos de alta potência com hidrogênio verde produzido a partir de fontes renováveis no próprio local. Em parceria com a GKN Aerospace, a Intelligent Energy identificou oportunidades para reduzir a massa total dos sistemas das aeronaves, diminuindo a dependência de baterias e supercapacitores. Segundo Chris Dudfield, diretor de tecnologia da empresa, o H2GEAR transformou a aviação a hidrogênio de conceito em caminho crível. Os resultados agora sustentam o Project HEIGHTS, programa de £ 17 milhões lançado em 2025 para desenvolver a plataforma modular IE-FLIGHT 300, voltada a eVTOLs e aeronaves sub-regionais. (Hydrogen Central - 24.06.2026)
Irlanda: Equinix testa geradores a H2 em data center
A Equinix iniciou um projeto-piloto de 12 semanas para testar unidades de geração a hidrogênio em sistemas críticos de backup de seu data center DB3, em Dublin, na Irlanda. A iniciativa, realizada em parceria com a ESB e a GeoPura, marca a primeira implantação da companhia desse tipo em seu portfólio global, que reúne mais de 280 data centers. O teste inclui dois geradores movidos a hidrogênio, desenvolvidos pela GeoPura, sendo um deles de propriedade da ESB, instalados no local para apoiar sistemas de resfriamento da unidade. A solução é avaliada como alternativa de emissão direta zero no local em relação a geradores tradicionais a diesel ou gás, em um contexto de restrições de capacidade na rede elétrica da região metropolitana de Dublin. Segundo a Equinix, o projeto busca verificar o potencial do hidrogênio como fonte limpa e confiável para grandes consumidores de energia e para a resiliência da infraestrutura digital. A experiência também deverá contribuir para a discussão sobre o papel do hidrogênio no atendimento à demanda crescente por data centers na Irlanda. (Hydrogen Central - 24.06.2026)
MHIET valida gerador a H2 de 500 kW para comercialização
A Mitsubishi Heavy Industries Engine & Turbocharger (MHIET), do grupo Mitsubishi Heavy Industries (MHI), alcançou nível de maturidade tecnológica considerado adequado para comercialização de seu conjunto gerador com motor a hidrogênio de classe 500 kW. O equipamento já havia atingido operação nominal de 435 kW a 1.500 rpm usando 100% hidrogênio como combustível em sua instalação de demonstração na planta de Sagamihara, no Japão. Agora, a companhia informa ter concluído verificações de confiabilidade e estabelecido capacidades operacionais para aplicações práticas. Os testes somaram mais de 100 horas de operação e avaliaram desempenho ao longo do ano, geração elétrica, eficiência e emissões sob diferentes condições atmosféricas. A MHIET também definiu estratégias para lidar com combustão anormal, desafio associado ao uso do hidrogênio, e confirmou a resposta do protótipo a variações súbitas de demanda de energia. A empresa ainda validou o recebimento de hidrogênio verde produzido na província de Yamanashi e seu uso na geração elétrica em Sagamihara. A avaliação de durabilidade de longo prazo segue pendente devido a restrições no suprimento de hidrogênio. (Hydrogen Central - 24.06.2026)
Tecnologia e Inovação
Coreia do Sul: KRRI desenvolve sistema de H2 líquido para trens
O Korea Railroad Research Institute (KRRI), da Coreia do Sul, desenvolveu um sistema integrado de armazenamento e fornecimento de hidrogênio líquido para instalação embarcada em veículos ferroviários. A tecnologia reúne tanque de armazenamento e vaporizador em uma única unidade, reduzindo volume e peso, e foi combinada a células a combustível, estabilizador de tensão e bateria para formar um sistema completo de propulsão híbrida a hidrogênio. Segundo o instituto, a solução pode mais que dobrar a autonomia atual de trens a hidrogênio, hoje estimada em cerca de 600 km por abastecimento, além de permitir reabastecimento rápido e operação em longas distâncias. O sistema foi projetado para alimentar quatro células a combustível de 95 kW, totalizando 380 kW, nível considerado adequado para aplicações reais em propulsão ferroviária. Como ainda não há regulamentação doméstica específica para uso de hidrogênio líquido no país, os testes avançam por meio de sandbox regulatório, com aprovação do governo sul-coreano em 2023 e aval do plano de segurança pelo Ministério do Comércio, Indústria e Energia e pela Korea Gas Safety Corporation. (Hydrogen Central - 24.06.2026)
Artigos e Estudos
Estudo da Unesp destaca potencial de bactérias extraídas de águas residuais para produzir H2 e eletricidade
Um estudo conduzido na Universidade Estadual Paulista (Unesp) investigou o uso de bactérias fotossintéticas extraídas de lodo de estações de tratamento de águas residuais para produzir hidrogênio de baixo carbono e eletricidade de forma simultânea. A pesquisa avalia bactérias púrpuras não sulfurosas, conhecidas internacionalmente como Purple Non-Sulfur Bacteria (PNSB), microrganismos capazes de converter luz e matéria orgânica em produtos energéticos de maior valor. A rota tecnológica proposta combina processos de digestão anaeróbia com sistemas foto-bioeletroquímicos, aproveitando reações bioeletrocatalíticas realizadas pelas bactérias. Diferentemente de rotas convencionais, que dependem de grandes volumes de eletricidade ou de combustíveis fósseis, a solução usa resíduos orgânicos presentes no esgoto como matéria-prima. Segundo a publicação, a abordagem integra saneamento ambiental, economia circular e transição energética, ao transformar resíduos urbanos e industriais em insumos para geração renovável. O estudo também reforça o potencial do Brasil para desenvolver tecnologias autossustentáveis ligadas ao hidrogênio, com apoio da alta irradiação solar, da biomassa disponível e da expansão das fontes renováveis. (Radar do Hidrogênio - 24.06.2026)
GreenSinnergy lança série sobre SAF e transição da aviação
A GreenSinnergy GmbH lançou o primeiro capítulo de uma série sobre combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), intitulado “Introduction and Global Context”. A publicação parte do compromisso do setor aéreo de alcançar emissões líquidas zero até 2050 e destaca que 65% dessa meta depende de um combustível que, atualmente, representa apenas 0,1% da oferta. O texto busca apresentar o contexto global do SAF, abordando a lacuna entre ambição climática e disponibilidade de combustível, além de mandatos regulatórios e da cadeia de valor que precisará ganhar escala em menos de uma década. A empresa direciona o material a profissionais envolvidos em metas de descarbonização, contratos de compra de combustível, investimentos em energia limpa e formulação de políticas públicas. A GreenSinnergy afirma que o capítulo foi revisado com apoio de especialistas e consultores do setor e informa que a próxima publicação tratará de geopolítica, geografia industrial e disponibilidade de recursos. O objetivo declarado é reduzir assimetrias de informação e apoiar decisões no mercado de SAF. (GreenSinnergy – junho 2026)