Hidrogênio 221
Políticas Públicas e Financiamentos
Brasil: ANP conclui grupo de trabalho e avança na regulação do H2
A Diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou o relatório final do Grupo de Trabalho de Hidrogênio, criado em 2022 e encerrado em abril de 2026. O documento reúne as atividades desenvolvidas pelo GT, que contou com cinco subgrupos, participação de todas as diretorias e cerca de 100 servidores de diversas áreas da ANP, no Brasil. Segundo a agência, o trabalho consolidou sua atuação técnica no tema, ampliou o conhecimento institucional e fortaleceu a articulação com agentes públicos e privados diante dos desafios regulatórios ligados à transição energética e à descarbonização. O relatório trata de temas como autorizações, modelo regulatório, cooperação técnica, desenvolvimento de competências e estrutura organizacional para a regulação do hidrogênio. Também foram entregues cinco relatórios de subgrupos, abordando mistura de hidrogênio em redes de gás natural, hidrogênio natural, processos de baixa emissão de carbono, segurança operacional e certificação. Com o fim do GT, os temas serão transferidos às áreas técnicas da ANP e deverão demandar ajustes no Regimento Interno e inclusão de ações na Agenda Regulatória. (GOV.BR - 29.05.2026)
Brasil e Portugal ampliam cooperação em H2 e biocombustíveis
O Ministério de Minas e Energia informou que a ministra do Ambiente e Energia de Portugal, Maria da Graça Carvalho, visitará o Brasil em julho para conhecer projetos e instalações do setor energético nacional. Durante reunião com Alexandre Silveira, ministro do MME, os países discutiram oportunidades de cooperação em combustíveis de baixo carbono, biocombustíveis, hidrogênio de baixa emissão, armazenamento de energia e integração de fontes renováveis. O governo brasileiro apresentou iniciativas desenvolvidas por empresas nacionais, incluindo projetos ligados ao combustível sustentável de aviação e à produção de biocombustíveis avançados. Segundo o MME, Portugal demonstrou interesse em experiências brasileiras devido à ausência de uma cadeia produtiva consolidada no segmento. (Broadcast Energia - 01.06.2026)
Europa: Associações pedem ajustes em leilões do Banco do Hidrogênio
Associações nacionais europeias de hidrogênio elogiaram a Comissão Europeia e a CINEA pela criação do Banco Europeu do Hidrogênio (EHB), considerado instrumento central para apoiar a descarbonização de grandes indústrias na União Europeia. Em carta, as entidades afirmam que as primeiras rodadas de leilões demonstraram forte interesse do mercado, mas também expuseram problemas como lances muito baixos, desistência de projetos e subutilização de recursos. Na segunda rodada, apenas € 300 milhões dos € 1,2 bilhão disponíveis foram efetivamente empregados. Embora reconheçam avanços nas salvaguardas para ampliar a credibilidade dos projetos, as associações defendem maior flexibilidade em casos de atrasos causados por fatores externos, como a implementação lenta de regulações europeias, incluindo a RED III. O grupo pede à Comissão que amplie o mecanismo de realocação de verbas, evite nova subalocação nas próximas rodadas e mantenha o EHB após a terceira rodada, com ao menos mais três ciclos de leilões. (Hydrogen Europe - 28.05.2026)
Reino Unido: Agentes defendem financiamento públicos de £ 500 mi para rede regional de H2
Lideranças empresariais, sindicais e políticas se reuniram no Parlamento do Reino Unido para defender a destinação de £ 500 milhões em recursos públicos ao projeto Humber Hydrogen, no nordeste da Inglaterra. A iniciativa pretende transformar a região de Humber no primeiro centro britânico de produção e armazenamento de hidrogênio, por meio de uma rede coordenada que conectará projetos como Aldbrough Hydrogen Storage, H2H Saltend e Keadby Next Generation Power Station. National Gas, Centrica, Equinor e SSE Thermal trabalham no desenvolvimento da infraestrutura, voltada à produção, transporte e armazenamento do energético para geração de energia e uso industrial. A deputada trabalhista Emma Hardy, patrocinadora do encontro, afirmou que Humber reúne condições para liderar a rede nacional. Segundo o Local Democracy Reporting Service, o projeto pode viabilizar até 3 GW de produção de hidrogênio, apoiar setores como químicos, aço e cimento e abrir oportunidades em combustíveis sustentáveis de aviação. John Wilson, da National Gas, defendeu que a região combina demanda industrial, infraestrutura, cadeias de suprimento, armazenamento geológico e mão de obra qualificada. (Hydrogen Central - 29.05.2026)
European Energy obtém apoio do governo alemão para planta de H2 na Dinamarca
A European Energy recebeu financiamento de até € 228 milhões (US$265,85 milhões) no âmbito do mecanismo de leilões de hidrogênio do governo da Alemanha vinculado ao European Hydrogen Bank (EHB). O projeto da empresa está entre os três selecionados para receber apoio por meio do programa. O aporte financiará a instalação de 150 MW adicionais de capacidade de produção de hidrogênio na Dinamarca. Segundo Rene Alcaraz Frederiksen, vice-presidente executivo e chefe de Power-to-X (PTX) da European Energy, o apoio permitirá ampliar a produção de hidrogênio conectada a Kassø e fortalecer a infraestrutura europeia de combustíveis renováveis. A iniciativa reforça a articulação entre políticas públicas alemãs e projetos industriais dinamarqueses voltados à expansão da cadeia de hidrogênio na Europa. (Hydrogen Europe - 01.06.2026)
Hydrogen Council lança vídeo com CEOs sobre condições para escalar o H2
O Hydrogen Council divulgou um vídeo de sua série com CEOs para reforçar a necessidade de acelerar a implantação do hidrogênio em escala global. A publicação ocorre após o lançamento, no World Hydrogen Summit, em Roterdã, nos Países Baixos, do documento “Hydrogen for a Resilient World”, uma chamada à ação liderada por executivos que pede aos governos maior apoio ao hidrogênio como vetor de resiliência energética, segurança e descarbonização. O vídeo tem a participação de Sanjiv Lamba (Linde), Hans Olav Raen (Yara Clean Ammonia), Yoshinori Kanehana (Kawasaki Heavy Industries) e Pierre-Etienne Franc, (Hy24) e destaca que a ativação da demanda segue como o principal desafio da indústria, apesar do avanço da oferta. Segundo a entidade, sinais de demanda de longo prazo e contratos precisam acompanhar o desenvolvimento dos projetos. O Hydrogen Council também afirma que clareza regulatória, incluindo regras de intensidade de carbono, certificação e investimentos em infraestrutura, é essencial para destravar o setor. A chamada à ação elenca três prioridades: incorporar o hidrogênio a respostas emergenciais a crises, ativar instrumentos de criação de demanda e ampliar investimentos em infraestrutura crítica. (Hydrogen Council - 29.05.2026)
Produção
França: Start-up Mantle8 obtém licença para exploração de H2 natural
O governo da França concedeu à Mantle8 uma licença exclusiva de cinco anos para exploração de hidrogênio natural em uma área dos Pireneus, no sul do país. A autorização cobre 739 km² na região de Comminges e permite que a start-up, sediada em Grenoble, avance em atividades exploratórias, incluindo levantamentos geofísicos já iniciados. Segundo a empresa, a área apresenta indícios de uma fonte ativa de geração de hidrogênio capaz de reabastecer reservatórios selados. A Mantle8 afirma ter identificado esse potencial a partir de tecnologias próprias de modelagem de subsuperfície e exploração aplicadas no local no ano passado, dados que sustentaram o pedido de licença. A autorização, porém, não permite perfuração imediata, etapa que dependerá de aprovação separada. (Hydrogen Europe - 04.06.2026)
Noruega: INTEF escolhe eletrolisador da P2H2 para projeto de H2V do EU Green Deal
A Power to Hydrogen (P2H2), desenvolvedora de sistemas de eletrólise por membrana de troca aniônica (AEM), recebeu uma encomenda comercial vinculante do SINTEF, um dos maiores institutos de pesquisa da Europa, para fornecer um eletrolisador de 0,5 MW. O equipamento deverá ser entregue no quarto trimestre de 2026 e instalado na unidade do SINTEF em Tiller, na Noruega, onde produzirá hidrogênio verde para o projeto PYROCO2, iniciativa do programa EU Horizon 2020 Green Deal financiada pela União Europeia. O hidrogênio renovável será combinado com dióxido de carbono capturado em um processo de fermentação gasosa voltado à produção de acetona sem emissões, insumo usado nas cadeias de solventes, plásticos e aplicações industriais. Segundo o SINTEF, a tecnologia foi escolhida por combinar eficiência, flexibilidade e potencial de redução de custos. Para a P2H2, este é o segundo projeto comercial, após iniciativa no Porto de Antuérpia-Bruges, e reforça a aplicação da eletrólise AEM em químicos verdes e uso industrial de carbono. (Hydrogen Central - 29.05.2026)
Países Baixos: Eletrolisadores chegam a projeto de H2 de 200 MW no porto de Roterdã
Os primeiros eletrolisadores chegaram ao projeto Elygator, da Air Liquide, no Porto de Roterdã, nos Países Baixos. A iniciativa prevê a instalação de uma planta de hidrogênio verde com capacidade de 200 MW, cuja entrada em operação está planejada para 2027. Os equipamentos PEM foram fabricados por uma joint venture entre a Air Liquide, grupo francês de gases industriais, e a Siemens Energy, empresa de tecnologia. Quando estiver em funcionamento, a unidade deverá produzir 23 mil toneladas de hidrogênio verde por ano. O combustível será destinado à refinaria da TotalEnergies em Antuérpia, na Bélgica, por meio da rede existente de dutos de hidrogênio da Air Liquide. A produção do Elygator deverá substituir parte do hidrogênio cinza atualmente utilizado no complexo industrial, contribuindo para a descarbonização das operações da refinaria. (Hydrogen Europe - 28.05.2026)
Reino Unido: ITM e Protium fecham colaboração para projetos de H2V
A fabricante britânica de eletrolisadores ITM Power firmou uma parceria estratégica com a Protium Green Solutions, também do Reino Unido, para desenvolver, investir e operar plantas industriais de produção de hidrogênio verde (H2V) no país. O foco inicial da cooperação será o avanço do projeto Cromarty, na Escócia, adquirido recentemente pela Protium. A unidade está planejada para contar com 15 MW de capacidade de eletrólise e já recebeu financiamento do governo britânico no âmbito da primeira rodada do Hydrogen Allocation Round, o HAR1, mecanismo voltado ao apoio a projetos de hidrogênio. A decisão final de investimento para o empreendimento está prevista para dezembro de 2026. A iniciativa marca o início da colaboração entre as empresas e busca ampliar a implantação de projetos de produção de hidrogênio verde em escala industrial no mercado britânico. (Hydrogen Europe - 03.06.2026)
Armazenamento e Transporte
Grécia: DESFA inaugura o gasoduto de gás natural compatível com H2
A DESFA inaugurou o Gasoduto de Alta Pressão para a Macedônia Ocidental, na Grécia, infraestrutura estratégica para ampliar o Sistema Nacional de Transmissão de Gás Natural e apoiar a transição energética regional. Com cerca de 157 km de extensão, o gasoduto liga Trikala, em Imathia, à região de Ptolemaida, com ramais para áreas da Macedônia Central e Ocidental. Cidades como Edessa, Skydra, Florina, Naousa e Veria passarão a ter acesso ao gás natural. O projeto, orçado em € 185,9 milhões, recebeu cofinanciamento do programa NSRF 2021–2027 e apoio do Mecanismo de Recuperação e Resiliência da União Europeia. Segundo a DESFA, a estrutura é a primeira da Grécia e uma das primeiras da Europa totalmente compatível com o transporte de até 100% de hidrogênio, reforçando a integração futura de um ecossistema de hidrogênio na região. (Hydrogen Central - 29.05.2026)
Uso Final
Bolonha: Operadora inicia operação de frota de ônibus a H2 da Solaris
A operadora de transporte público Tper colocou em operação em Bolonha, na Itália, os primeiros ônibus Solaris Urbino 12 movidos a hidrogênio. A entrada dos veículos na rede municipal ocorreu após a conclusão do processo de autorização da estação de abastecimento de hidrogênio instalada no depósito de Via Battindarno. Segundo a Hydrogen Europe, a entrega dos ônibus já havia sido realizada em 2025, enquanto a atualização mais recente sobre o andamento do projeto era de março de 2026. A implantação marca o início da introdução gradual de uma frota de 127 ônibus com célula a combustível, que deverão operar principalmente em rotas urbanas atendidas por veículos de 12 metros, além de conexões suburbanas na área metropolitana de Bolonha. A iniciativa integra a estratégia mais ampla da Tper para mobilidade de emissão zero, que também prevê a expansão de ônibus elétricos a bateria, trólebus e a futura rede de bondes da cidade. (Hydrogen Europe - 26.05.2026)
Polônia: Orlen inaugura sua sétima estação de H2 no país
A Orlen inaugurou sua sétima estação pública de abastecimento de hidrogênio da Polônia, em Gdynia, sendo a primeira instalação do tipo no norte do país. A unidade marca mais uma etapa na expansão da infraestrutura nacional dedicada ao energético e foi projetada para atender diferentes tipos de veículos, incluindo carros de passeio, ônibus e caminhões. Segundo a empresa, o posicionamento do empreendimento, próximo a importantes corredores de transporte, busca apoiar tanto a mobilidade regional quanto o transporte de longa distância. Com o novo lançamento, a companhia reforça sua rede de hidrogênio no país e amplia a disponibilidade do combustível para aplicações rodoviárias, em linha com o avanço da infraestrutura necessária à descarbonização do transporte. (Hydrogen Europe - 04.06.2026)
Tecnologia e Inovação
Novo catalisador pode contribuir para a redução do custo de produção de H2 limpo
Pesquisadores da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, desenvolveram uma abordagem de baixa temperatura para produção de hidrogênio que pode tornar o combustível limpo mais barato e viável em aplicações locais e industriais. O estudo, liderado pelo professor Yulong Ding e publicado no International Journal of Hydrogen Energy, usa um catalisador à base de perovskita, material capaz de separar a água em hidrogênio e oxigênio em temperaturas menores que as exigidas por processos termoquímicos convencionais. Segundo a pesquisa, o catalisador gerou volumes relevantes de hidrogênio entre 150 °C e 500 °C e pôde ser regenerado entre 700 °C e 1.000 °C, cerca de 500 °C abaixo das rotas atuais. A tecnologia poderia aproveitar calor residual de setores como aço, cimento, vidro e químicos, além de operar próxima a usinas renováveis, reduzindo barreiras de transporte e armazenamento. O projeto teve colaboração da University of Science and Technology Beijing, na China, e já conta com pedido de patente da University of Birmingham Enterprise, que busca parceiros para desenvolver a solução no Reino Unido e na Europa. (Science Daily - 01.06.2026)
Pesquisadores da UFPB e UNI desenvolvem gêmeo digital para planta de H2
Pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da Universidade Nacional de Engenharia do Peru (UNI) desenvolveram um digital twin aplicado a uma planta experimental de produção de hidrogênio da UNI, criando uma réplica virtual que permite monitorar, simular e prever em tempo real o desempenho operacional do sistema. O modelo integra dados elétricos, térmicos e hidráulicos coletados na planta com algoritmos de redes neurais capazes de estimar com alta precisão eficiência energética e rendimento de produção de hidrogênio. Além disso, o modelo mostrou forte aderência ao comportamento da instalação real e incorpora aprendizado contínuo por meio de atualizações incrementais e “relearning”, reduzindo discrepâncias entre predição e resultados experimentais. Seu propósito é servir como monitoramento e suporte à decisão, a ferramenta tem potencial para controle preditivo, detecção precoce de falhas, otimização energética e expansão para plantas industriais em maior escala. (Radar do Hidrogênio - 27.05.2026)
Pesquisadores desenvolvem bateria de íon hidreto sólido a gás para armazenamento de H2
Pesquisadores do Instituto de Física Química de Dalian (DICP), da Academia Chinesa de Ciências, desenvolveram na China o primeiro protótipo de bateria de íons hidreto gás-sólido, ou g-HIB, voltado ao armazenamento eficiente de hidrogênio em temperatura e pressão ambientes. O estudo foi publicado na revista Joule. O sistema usa magnésio metálico e gás hidrogênio como materiais ativos dos eletrodos negativo e positivo, respectivamente, permitindo armazenar hidrogênio e eletricidade de forma integrada. Durante a descarga, o hidrogênio é reduzido a íons hidreto, enquanto o magnésio é convertido em hidreto de magnésio; na carga, o processo se inverte. A bateria apresentou capacidade inicial de descarga de 1.526 mAh/g, liberou cerca de 6,0% em peso de hidrogênio a 0,3 V em temperatura ambiente e manteve mais de 70% da capacidade após 60 ciclos. Também operou entre -20 °C e 90 °C. Segundo os pesquisadores, a eficiência energética chegou a 93,9%, cerca de um terço acima de sistemas térmicos convencionais de Mg/MgH₂. (Hydrogen Central - 29.05.2026)
EUA: SunHydrogen instalou módulos aprimorados em projeto-piloto de H2 renovável
A SunHydrogen, desenvolvedora de uma tecnologia para produzir hidrogênio renovável usando apenas sol e água, instalou novos módulos de hidrogênio em seu sistema-piloto de demonstração no Hydrogen ProtoHub da Universidade do Texas, nos Estados Unidos. Os módulos, com área de 1,92 m², incorporam avanços na integração de catalisadores e em estratégias de revestimento identificados durante o comissionamento inicial do piloto. Segundo a companhia, as unidades apresentaram eficiências compatíveis com módulos de 100 cm² e 1.200 cm² já validados em laboratório e em instalações parceiras, indicando que as melhorias podem ser transferidas para operação externa em escala. Em paralelo, a SunHydrogen e a CTF Solar GmbH fabricaram mais de 100 módulos com layout de absorvedor aprimorado, projetado para converter melhor a luz solar em energia útil e elevar a produção de hidrogênio. A empresa testará esse conjunto nos próximos meses para avaliar reprodutibilidade, rendimento de fabricação e previsibilidade de desempenho. (Hydrogen Central - 03.06.2026)
Eventos
EPE destaca o potencial do Brasil para H2 no World Hydrogen Summit
A EPE apresentou o potencial brasileiro para o desenvolvimento do hidrogênio de baixa emissão durante o World Hydrogen Summit 2026, realizado de 19 a 21 de maio, em Roterdã. Representada pelo diretor Thiago Ivanoski, a empresa participou de debates sobre a competitividade do país, apoiada por uma matriz elétrica majoritariamente renovável, baixo potencial de emissões de CO2 e infraestrutura portuária em expansão. As discussões também trataram da formação de polos industriais voltados ao hidrogênio, biocombustíveis, biogás, amônia e combustíveis sintéticos, além da necessidade de harmonização de padrões internacionais e interoperabilidade de sistemas. Organizada pela ApexBrasil, a missão reuniu cerca de 30 instituições públicas e privadas com foco em atração de investimentos, parcerias internacionais e posicionamento do Brasil como fornecedor competitivo de moléculas de carbono para a Europa. (EPE - 29.05.2026)
Artigos e Estudos
Artigo de Fernanda Delgado: “Hidrogênio verde e resiliência energética na nova ordem geopolítica”
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Fernanda Delgado (Diretora-executiva da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde) analisa o papel estratégico do hidrogênio verde diante da instabilidade geopolítica internacional e da necessidade de fortalecimento da segurança energética. O texto argumenta que as recentes tensões no Oriente Médio reforçam a vulnerabilidade de um sistema energético ainda dependente de combustíveis fósseis e concentrado em regiões politicamente sensíveis. Nesse contexto, o hidrogênio verde surge como alternativa capaz de ampliar a resiliência econômica, diversificar fontes de suprimento e impulsionar uma nova dinâmica industrial baseada em energia limpa. A autora destaca o avanço de políticas públicas e marcos regulatórios na União Europeia voltados à expansão do mercado de hidrogênio, incluindo metas para combustíveis renováveis e incentivos regulatórios destinados à criação de demanda e previsibilidade para investidores. O artigo também examina experiências internacionais, como os modelos europeu, chinês e norte-americano, evidenciando que a estabilidade regulatória e a coordenação entre políticas energéticas são fatores decisivos para o desenvolvimento do setor. A conclusão sustenta que países capazes de criar ambientes regulatórios previsíveis e favoráveis aos investimentos em hidrogênio verde terão vantagens competitivas e maior capacidade de enfrentar crises energéticas globais (GESEL-IE-UFRJ - 25.05.2026).
Estudo avalia viabilidade de baterias e H2 para armazenamento de energia solar no Brasil
Um estudo desenvolvido na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) avaliou, sob perspectivas técnica e econômica, o uso de baterias de íon-lítio e de sistemas de armazenamento baseados em hidrogênio renovável para apoiar a expansão da geração de energia solar no Brasil. A pesquisa foi conduzida em uma planta-piloto instalada na Usina Hidrelétrica Porto Primavera, operada pela CESP. Os resultados indicaram maior eficiência energética para as baterias, com índices acima de 86% em operações de despacho no horário de ponta e nivelamento de carga. Já o sistema de hidrogênio, formado por eletrolisador, tanque de armazenamento e células a combustível, registrou eficiência próxima de 19%. Apesar da diferença técnica, a análise econômica mostrou que ambas as soluções tiveram melhor desempenho financeiro quando usadas para fornecer energia em períodos de tarifas mais elevadas. O estudo também aponta que o hidrogênio exige estrutura operacional mais complexa, mas apresenta potencial para contribuir para a flexibilidade, a segurança energética e a descarbonização da matriz elétrica brasileira. (Radar do Hidrogênio - 02.06.2026)
Traduzir ambição em implantação de H2V na África Subsaariana
No artigo "Translating ambition into deployment for green hydrogen in sub-Saharan Africa", publicado na Nature Reviews Clean Technology em 2026, Katundu Imasiku argumenta que o potencial da África Subsaariana para hidrogênio verde (H2V) vai além da mera disponibilidade de recursos renováveis e que transformar ambição em implantação requer harmonizar mecanismos financeiros, marcos políticos e infraestrutura habilitadora. O texto apoia-se em revisões e estudos recentes — como o IEA Global Hydrogen Review 2025, as visitas do SASSCAL em 2025 aos sítios de Daures e Cleanergy na Namíbia, o trabalho sobre mecanismos de financiamento (Imasiku et al., 2025\) e uma revisão multidimensional sobre tecnologia, economia e justiça social (Tiktas & Hepbasli, 2026\) — para mostrar que, sem esse alinhamento, projetos promissores dificilmente serão concretizados. O artigo é classificado pela publicação como uma análise de “World View” e aborda temas de política energética, energia de hidrogênio e ciência atmosférica. (Nature - 27.05.2026)