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Tendências de Mercado
Brasil: Data center de 100 MW pode adicionar R$ 1,5 bi ao PIB
Estudo da Fundação Getulio Vargas estima que um único data center de 100 MW pode acrescentar R$ 1,5 bilhão ao Produto Interno Bruto brasileiro e gerar R$ 590 milhões em renda do trabalho. A cada R$ 1 milhão investido, cerca de R$ 350 mil seriam convertidos em renda distribuída por setores como tecnologia, construção civil, transporte, comércio e alimentação. Apesar do potencial econômico, o levantamento aponta entraves relevantes à atração de projetos, incluindo falta de regras claras, custo elevado da eletricidade, baixa coordenação entre órgãos públicos e escassez regional de profissionais qualificados. O ReData, regime tributário concebido para incentivar o setor, não avançou no Senado, levando investidores a adiar aportes à espera de maior segurança fiscal. A FGV defende integrar políticas de tecnologia, energia e infraestrutura, além de ampliar previsibilidade regulatória, conectividade e soluções para uso eficiente e reutilização de água. (UOL – 07.07.2026)
Brasil: Energia renovável não elimina impactos socioambientais de data centers
A expansão dos data centers e da inteligência artificial amplia a demanda por eletricidade, água, minerais, solo e infraestrutura, mesmo quando os empreendimentos utilizam fontes renováveis. Entre 2017 e 2023, o consumo elétrico dessas instalações cresceu 12% ao ano, quatro vezes acima da expansão global da oferta energética. O artigo argumenta que solar e eólica possuem emissões indiretas e impactos associados à mineração, extração de matérias-primas, biodiversidade e uso territorial, além de poderem criar novas zonas de sacrifício. O consumo hídrico varia conforme chips, localização, arquitetura, sistema de refrigeração, fonte de energia e tipo de aplicação de IA, impedindo cálculos universais. No Brasil, a matriz menos intensiva em carbono aumenta a atratividade dos projetos, mas pode reforçar a apropriação de energia, água, território e dados sem benefícios proporcionais. A análise defende uma política de soberania digital integrada a limites ambientais, prioridades sociais e avaliação crítica dos usos tecnológicos. (Intercept – 09.07.2026)
Brasil: Escassez de componentes amplia prazos e custos para data centers
A expansão da inteligência artificial mantém aquecido o mercado de infraestrutura para data centers, mas a escassez de componentes passou a limitar entregas e comprometer preços, segundo a Vönk. A empresa afirma que a atual crise de fornecimento é mais grave do que a observada durante a pandemia de Covid-19, com falta principalmente de memória e capacidade de processamento. Equipamentos que antes eram entregues em aproximadamente 45 dias agora podem levar sete meses e, em casos extremos, até um ano. O cenário afeta fornecedores e clientes, além de dificultar negociações com o setor público, principal mercado da companhia, porque os ciclos de venda mais longos tornam inviável manter os valores inicialmente apresentados. Diante desse ambiente, a Vönk passou a diversificar sua atuação e ampliar investimentos em software, buscando oferecer ferramentas capazes de melhorar eficiência, desempenho e aproveitamento da infraestrutura instalada pelos clientes. (Convergência Digital – 10.07.2026)
Brasil: Setor aponta janela de três anos para atrair data centers globais
O Brasil teria uma janela de aproximadamente três anos para ampliar sua competitividade internacional e atrair projetos de data centers hoje limitados por restrições energéticas nos Estados Unidos e na Europa, onde conexões à rede podem levar de cinco a sete anos. Segundo a Scala Data Centers, novos empreendimentos precisam começar imediatamente para entrar em operação dentro desse intervalo, antes que investimentos sejam direcionados a concorrentes como Argentina e Paraguai. A discussão envolve também soberania digital, pois parte relevante dos dados consumidos no país ainda é processada no exterior. Estudo da FGV indica que um data center de 100 MW pode adicionar R$ 1,5 bilhão ao PIB brasileiro, além de estimular produtividade, formação de profissionais e atração de empresas de tecnologia. O setor defende coordenação urgente entre governo, Congresso e iniciativa privada para aproveitar a disponibilidade energética nacional e reduzir a dependência externa. (CNN – 11.07.2026)
EUA: Expansão da IA eleva emissões de grandes empresas de tecnologia
A corrida por inteligência artificial e a construção acelerada de data centers afastaram Microsoft, Google e Amazon de suas metas climáticas. Em 2025, as emissões da Microsoft cresceram 25%, de 16 milhões para 20 milhões de toneladas de CO2 equivalente, enquanto a parcela associada à eletricidade subiu de 2% para 13% da pegada total. O Google registrou aumento anual de 18%, e a Amazon, de 16%, alcançando quase 81 milhões de toneladas, ante 69,5 milhões em 2024. Na Amazon, as emissões relacionadas à compra de eletricidade avançaram 34% e as da cadeia de suprimentos, 20%. Desde 2019, quando assumiu o compromisso de zerar emissões líquidas até 2040, a companhia acumula alta de 58%. As empresas atribuem o avanço à demanda por servidores, aço, cimento, equipamentos e energia necessária para treinar e operar modelos de IA, além da revisão de estratégias de compensação e compra de créditos renováveis. (Capital Reset – 10.07.2026)
EUA: Oposição comunitária amplia risco para projetos de data centers
Projetos de data centers nos Estados Unidos enfrentam atrasos e cancelamentos crescentes devido à resistência de comunidades preocupadas com consumo de energia, água, custos de infraestrutura e benefícios locais. Segundo análise da Invera Energy, o risco comunitário passou a influenciar diretamente licenciamento, prazos, aplicação de capital e viabilidade financeira. Diferentemente de projetos eólicos e solares, normalmente contestados por uso do solo e impacto visual, data centers geram conflitos relacionados à disputa por recursos. A oposição tende a crescer quando impactos percebidos se combinam com falta de informação e baixa confiança nos desenvolvedores, podendo resultar em moratórias, referendos e contestações formais. Projetos mais bem-sucedidos envolvem moradores antes das decisões finais, apresentam estratégias claras de abastecimento, explicam a finalidade das instalações e quantificam de forma realista empregos, receitas fiscais e investimentos locais. A integração comunitária tornou-se, assim, parte estrutural da execução dos empreendimentos. (Data Center Dynamics – 09.07.2026)
Mundo: Infraestrutura física para data centers cresce 28% no primeiro trimestre
O mercado global de infraestrutura física para data centers movimentou US$ 12 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento anual de 28% e quinto período consecutivo com expansão superior a 20%, segundo a Dell’Oro Group. A demanda por inteligência artificial continua superando a oferta de capacidade, enquanto energia, licenciamento e oposição comunitária permanecem como restrições relevantes. O segmento de gerenciamento térmico avançou quase 50%, impulsionado pelo resfriamento líquido direto, e a categoria de rejeição de calor ganhou destaque com chillers e outros equipamentos. Na distribuição elétrica, busbars cresceram mais de 30%, e sistemas UPS apresentaram alta de dois dígitos. Provedores de serviços, incluindo hiperescalas, operadores de colocation e neoclouds, atingiram participação recorde na receita dos fabricantes, com a América do Norte concentrando mais da metade do faturamento. A consultoria prevê crescimento anual acima de 20% até o início de 2027. (Ip News – 10.07.2026)
Expansão e Investimentos
Brasil: Ceará negocia novo data center de quase R$ 400 bilhões
O Ceará poderá receber um novo data center na Zona de Processamento de Exportação, em Caucaia, com investimento estimado em quase R$ 400 bilhões, valor próximo ao dobro do complexo contratado pela Omnia para atender à ByteDance. A empresa responsável ainda não foi divulgada, mas as negociações estão avançadas e novos detalhes devem ser apresentados nos próximos meses. As obras do primeiro complexo alcançaram cerca de 8% de execução e já movimentaram mais de R$ 350 milhões em contratos com fornecedores locais. A partir de março de 2027, a logística poderá exigir três voos semanais para transporte de equipamentos e materiais. O planejamento prevê que cinco data centers sejam abastecidos por um parque de energia renovável da Casa dos Ventos, sem utilizar a oferta atualmente disponível no estado. Áreas para o segundo e o terceiro projetos já foram definidas, um quarto está em prospecção avançada e apenas uma das cinco estruturas permanece sem definição. (Terra – 08.07.2026)
Brasil: Data centers avançam como nova frente do mercado imobiliário
A expansão da inteligência artificial generativa e da computação em nuvem está transformando os data centers em uma nova classe de ativos para o mercado imobiliário brasileiro. A Brasscom projeta R$ 2 trilhões em investimentos digitais entre 2026 e 2029, dos quais R$ 765,6 bilhões deverão ser destinados à computação em nuvem e R$ 736,6 bilhões à inteligência artificial, com crescimento anual médio de 21% e 20%, respectivamente. O Brasil já concentra cerca de 48% da capacidade instalada de data centers na América Latina. Esses empreendimentos demandam grandes terrenos, elevada oferta de energia, refrigeração robusta, redundância elétrica, segurança, fibra óptica e licenciamento específico, restringindo as áreas adequadas. Barueri, Alphaville, Campinas e Fortaleza permanecem como polos relevantes, com o Ceará favorecido por 17 cabos submarinos. A demanda crescente também amplia o interesse por novas regiões, especialmente no Sul, criando oportunidades para investidores, incorporadores e operadores especializados. (Data Center Dynamics – 07.07.2026)
Brasil: FGV projeta capacidade de 13,7 GW em data centers até 2035
O Brasil pode elevar sua capacidade de infraestrutura digital de aproximadamente 1 GW para 13,7 GW até 2035 e se tornar um dos principais hubs globais de data centers, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas. A expansão adicional de 12,7 GW exigiria investimentos entre US$ 431,8 bilhões e US$ 698,5 bilhões, equivalentes a R$ 2,3 trilhões a R$ 3,7 trilhões, e poderia sustentar mais de 230 mil empregos permanentes. Um data center de 100 MW preparado para inteligência artificial demandaria cerca de R$ 25 bilhões, sendo R$ 5 bilhões em infraestrutura física e R$ 20 bilhões em servidores, GPUs e equipamentos. O país possui vantagens como matriz elétrica renovável, mercado interno, áreas disponíveis e posição geográfica, mas enfrenta tributação elevada, acesso imprevisível à rede, fragmentação regulatória e instabilidade dos incentivos. A FGV recomenda coordenação nacional e reconhecimento do setor como infraestrutura estratégica. (CNN – 07.07.2026)
Brasil: Minas Gerais mapeia áreas para data centers de até 100 MW
O Governo de Minas Gerais concluiu estudos para identificar regiões com infraestrutura adequada à implantação de data centers com demanda de até 100 MW. O levantamento, conduzido pela Invest Minas e pela Cemig, apontou áreas no Triângulo Mineiro, Centro-Oeste, Zona da Mata e Região Metropolitana de Belo Horizonte com potencial para atender empreendimentos intensivos em energia. A análise considerou capacidade de conexão ao sistema elétrico, disponibilidade de telecomunicações, localização e proximidade dos principais mercados consumidores. O diagnóstico complementa a tese de investimentos para data centers lançada pela Invest Minas em 2025 e servirá de base para uma política estadual voltada à economia digital. A proposta é coordenar ações em energia, infraestrutura, inovação, financiamento e desenvolvimento econômico, reduzindo incertezas para investidores e direcionando projetos para regiões capazes de oferecer potência, conectividade e condições operacionais compatíveis com instalações de grande porte. (Agência Infra – 06.07.2026)
Brasil: Omid transfere data center para o Teleporto e amplia capacidade
A empresa brasileira de computação em nuvem Omid está transferindo seu data center de Jacarepaguá para o Teleporto, na região central do Rio de Janeiro, como parte de sua estratégia para dobrar o volume de contratos, atualmente em cerca de R$ 90 milhões, até 2027. A migração, prevista para ser concluída em aproximadamente 90 dias, ocorre após a aquisição de uma operação da Sun no complexo, considerado um dos principais polos de conectividade do país por contar com duas subestações da Light, centenas de conexões e um ponto de troca de tráfego do NIC.br. A mudança permitirá ampliar a capacidade da instalação de 100 para 170 racks, mantendo o foco da empresa na oferta de serviços de computação em nuvem, e não de colocation. A Omid também informou que pretende implantar um novo data center âncora fora da Região Sudeste no próximo ano, dando continuidade ao seu plano de expansão nacional. (O Globo – 09.07.2026)
Brasil: Paraíba avalia condições para disputar novos data centers
A Paraíba pode buscar participação na expansão brasileira de data centers, impulsionada pelo crescimento da inteligência artificial, da computação em nuvem e dos serviços digitais. O estado reúne potencial ligado à oferta regional de energia renovável, mas precisará combinar esse atributo com conectividade por fibra óptica, segurança jurídica, licenciamento eficiente, mão de obra especializada e áreas adequadas para empreendimentos intensivos em capital e eletricidade. Estudo citado na análise estima que um data center de 100 MW pode adicionar R$ 1,5 bilhão ao PIB brasileiro e gerar R$ 590 milhões em renda do trabalho, com efeitos sobre construção, engenharia, comércio e serviços. Para transformar a oportunidade em investimentos, a Paraíba deverá articular governo, universidades, empresas de telecomunicações, setor elétrico e parques tecnológicos, evitando que a expansão da economia digital permaneça concentrada em poucos polos nacionais. (Paraíba Business – 08.07.2026)
Brasil: Sete cidades concentram procura por áreas para data centers
Estudo da Allrea identificou demanda por terrenos destinados a data centers em sete cidades brasileiras: Sorocaba e Araraquara, em São Paulo; Joinville, em Santa Catarina; Ponta Grossa, no Paraná; e Rio de Janeiro, Nova Iguaçu e Queimados, no estado fluminense. O levantamento encontrou nove áreas em Nova Iguaçu, oito em Joinville, oito em Ponta Grossa, cinco em Queimados, quatro em Sorocaba, quatro no Rio de Janeiro e duas em Araraquara. A disponibilidade de energia elétrica, especialmente a proximidade de subestações com capacidade para novas conexões, tornou-se o principal critério de escolha dos investidores. Também pesam acesso logístico, terrenos de grande porte e compatibilidade com o zoneamento urbano. A construção de uma nova subestação pode levar mais de dois anos, o que favorece localidades com infraestrutura já disponível. A Anatel também defende maior dispersão geográfica dessas instalações para reduzir riscos causados pela concentração do processamento de dados. (CNN – 08.07.2026)
Brasil: TJTO avança em obra de novo data center para sistema eproc
O Tribunal de Justiça do Tocantins avança na construção de um novo data center em sua sede, em Palmas, projetado para abrigar a Sala Cofre do sistema processual eletrônico eproc. A estrutura terá 365,82 m², alta capacidade de memória e tecnologias de segurança destinadas a elevar desempenho, continuidade operacional e proteção dos serviços digitais do Judiciário. A obra está com cerca de 40% de execução concluída, e a administração pretende finalizar os trabalhos em aproximadamente 90 dias, com entrega prevista para novembro de 2026. Para suportar a nova infraestrutura, a subestação teve um transformador de 500 kVA substituído por dois equipamentos de 750 kVA, ampliando estabilidade e redundância. O projeto também contempla climatização VRF, detecção de fogo e fumaça, modernização do sistema de proteção contra descargas atmosféricas, rede de dados de última geração, iluminação eficiente e adequações de acessibilidade e sustentabilidade. (TJTO – 09.07.2026)
Brasil: Zurich lança seguro para obras de data centers
A Zurich Seguros lançou no Brasil o Zurich Data Center, solução voltada à proteção de projetos de construção de data centers contra riscos técnicos, operacionais e externos. O produto combina seguro de Riscos de Engenharia com coberturas para interrupção de energia e conectividade, atrasos causados por fornecedores de equipamentos críticos, falhas em sistemas de temperatura e umidade, responsabilidade civil, perda de lucros esperados e gestão de crises. A versão Zurich Data Center Eco atende projetos que operarão com energia 100% renovável e inclui consultoria climática, análise de perdas máximas e prováveis e projeções de riscos físicos até 2100. Segundo a seguradora, o Brasil concentra 48% da capacidade instalada de data centers da América Latina e 71% da capacidade em construção. A Zurich já segurou dez projetos no país, totalizando cerca de R$ 15 bilhões, e mais de 500 empreendimentos nos Estados Unidos, com US$ 325 bilhões em valores cobertos. (Business Moment – 08.07.2026)
Canadá: Meta inicia data center de IA de 1 GW em Alberta
A Meta iniciou a construção de seu primeiro data center no Canadá, localizado em Sturgeon County, na província de Alberta, com capacidade energética projetada de 1 GW. O empreendimento receberá mais de CAD$ 13 bilhões, equivalentes a aproximadamente R$ 47,32 bilhões, e deverá consumir eletricidade comparável à demanda de 800 mil residências. A obra poderá gerar mais de 3 mil empregos no pico da construção e mais de 300 vagas permanentes após a entrada em operação. A companhia também prevê investir CAD$ 60 milhões, cerca de R$ 218,4 milhões, em melhorias de estradas, sistemas de água e infraestrutura local. A Meta afirma que assumirá integralmente os custos associados ao consumo elétrico, financiará reforços em geração e rede e compensará a demanda com energia limpa e renovável. O projeto utilizará resfriamento líquido em circuito fechado com rejeição a seco, eliminando o uso operacional de água no sistema de climatização. (G1 – 09.07.2026)
Colômbia: União Europeia apoia país como hub regional de data centers
A União Europeia avalia que a Colômbia reúne condições para se consolidar como um dos principais mercados emergentes de data centers da América Latina, desde que acelere investimentos em energia, conectividade, cibersegurança, regulação e formação de profissionais especializados. O país ocupa o quarto lugar regional em infraestrutura, atrás de Brasil, México e Chile, e possui capacidade instalada estimada entre 50 MW e 60 MW. A posição geográfica entre as Américas e o acesso a mais de dez cabos submarinos reforçam sua atratividade para novos projetos. Durante debate ligado à iniciativa Global Gateway, representantes do setor alertaram que a expansão dependerá principalmente da oferta de energia suficiente para atender à demanda de inteligência artificial e nuvem. Empresas europeias já respondem por cerca de um quarto do investimento estrangeiro no setor digital colombiano, com foco também em proteção de dados e confiança digital. (Data Center Dynamics – 10.07.2026)
EUA: Galaxy entrega primeira fase do campus Helios no Texas
A Galaxy Digital concluiu a primeira fase do campus de data center Helios, no oeste do Texas, entregando aproximadamente 200 MW de potência bruta e 133 MW de carga crítica de tecnologia da informação à CoreWeave. A capacidade foi disponibilizada dentro do prazo, sob contrato de arrendamento de 15 anos, com pagamento de aluguel iniciado no segundo trimestre de 2026. A segunda fase está em construção e deverá acrescentar 260 MW de carga crítica de TI a partir do primeiro semestre de 2027. A CoreWeave contratou 526 MW ao longo das três primeiras etapas, correspondentes à totalidade dos 800 MW de potência bruta atualmente aprovados no complexo. Os contratos incluem duas opções de prorrogação de cinco anos e devem gerar mais de US$ 1 bilhão em receita média anual. Instalado em uma área superior a 2.200 acres, o Helios possui 1,63 GW de capacidade energética aprovada e potencial de expansão para até 3,6 GW. (Investing – 06.07.2026)
EUA: Pipeline de data centers alcança 338 GW na América do Norte
O pipeline de projetos de data centers na América do Norte cresceu 4% entre maio e junho, com acréscimo de 14 GW, e atingiu 338 GW, segundo relatório da Bernstein. A capacidade planejada acumula alta de 44% em 2026 e de 179% na comparação anual. A Alphabet adicionou 1,8 GW ao planejamento, enquanto a Amazon incluiu 1,4 GW, acompanhadas por empresas como EdgeConneX, Digital Realty, QTS e Applied Digital. O Texas liderou o avanço geográfico, com aumento de 3 GW. No ritmo de construção observado nos últimos 12 meses, seriam necessários cerca de 12 anos para executar todo o pipeline. A capacidade disponível na região subiu 6,5% em junho, para 50,7 GW. A oposição de comunidades elevou de forma relevante os projetos travados, que somam 38 GW, equivalentes a 11% do total planejado, evidenciando que restrições locais, além de energia e infraestrutura, passaram a afetar diretamente os cronogramas de expansão. (Valor Econômico - 10.07.2026)
Políticas Públicas e Regulatórias
Brasil: Ceará propõe marco ambiental específico para data centers
O Governo do Ceará enviou à Assembleia Legislativa um projeto de lei que estabelece regras próprias para o licenciamento ambiental de data centers e sistemas de armazenamento de energia por baterias. A proposta classifica os empreendimentos conforme a potência instalada: Micro, até 20 MW; pequeno, acima de 20 MW até 50 MW; médio, até 100 MW; grande, até 500 MW; e excepcional, acima de 500 MW. Projetos pequenos e médios deverão obter Licença Prévia e Licença de Instalação e Operação, enquanto os maiores seguirão o processo tradicional em três etapas. Instalações de menor porte poderão ser licenciadas pelos municípios, com atuação da Semace quando não houver capacidade técnica local. O marco integra a estratégia estadual de atrair infraestrutura digital para áreas próximas à geração eólica e solar. O Ceará possui cerca de 2.800 MW de excedente renovável e um backbone público de 5.955 quilômetros, conectado aos 184 municípios. (Telesintese – 09.07.2026)
Brasil: Estudo aponta regulação fragmentada como entrave aos data centers
Estudo da FGV Projetos, elaborado para Scala Data Centers e Norgás, conclui que a ausência de uma política regulatória integrada é um dos principais obstáculos para transformar o Brasil em um hub internacional de infraestrutura digital. Segundo o relatório, operadores de data centers precisam cumprir simultaneamente exigências urbanísticas, ambientais, tributárias, de proteção de dados, telecomunicações e cibersegurança, conduzindo processos paralelos junto à Anatel, ANPD, órgãos ambientais, prefeituras e autoridades fiscais, sem coordenação institucional entre esses regimes. A fragmentação eleva custos de conformidade, amplia riscos jurídicos e reduz a previsibilidade para investimentos intensivos em capital. O estudo também destaca a falta de incentivos fiscais permanentes, a inexistência de um enquadramento jurídico que reconheça data centers como infraestrutura crítica e a ausência de padronização nos processos de licenciamento, defendendo uma governança integrada entre políticas digitais, energéticas, industriais, tributárias e de cibersegurança. (Data Center Dynamics – 08.07.2026)
Brasil: Incerteza regulatória altera contratos de aquisições em data centers
A expansão da inteligência artificial intensificou fusões e aquisições no setor de data centers, mas também colocou riscos regulatórios, tributários e energéticos no centro das negociações. No Brasil, a perda de eficácia da Medida Provisória nº 1.318/2025, que sustentava o Redata, e a tramitação do Projeto de Lei nº 278/2026 aumentaram a cautela de investidores sem interromper operações relevantes, como a aquisição da Elea Data Centers pela I Squared Capital. Na prática, a incerteza passou a afetar due diligences, precificação, declarações, garantias e mecanismos de indenização. Compradores avaliam não apenas imóveis e equipamentos, mas também contratos de energia, conexão à rede, licenças, conectividade e manutenção de incentivos fiscais. Condições precedentes, ajustes de preço e earnouts podem ser vinculados à entrega de capacidade energética ou à preservação de benefícios. Assim, contratos tornaram-se instrumentos decisivos para distribuir riscos e viabilizar investimentos. (CNN – 09.07.2026)
Brasil: Projeto de data center em Uberlândia amplia debate ambiental
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais debateu os impactos ambientais do data center de inteligência artificial planejado pela RT-One em Uberlândia, estimado em R$ 6 bilhões. Parlamentares, órgãos públicos e especialistas defenderam regras específicas para empreendimentos intensivos em energia e água. Documentos citados na audiência indicam divergência sobre o consumo hídrico: A prefeitura teria informado 239 mil litros por dia, enquanto a empresa teria projetado até 1,7 milhão de litros diários, além de solicitar 400 MW de potência. O Instituto Mineiro de Gestão das Águas informou não haver pedido de outorga associado ao projeto e alertou que a região se aproxima do limite para novas concessões de uso da água. A ausência de representantes da empresa e do município também gerou questionamentos sobre transparência. Entre as propostas apresentadas estão a criação de um grupo de trabalho, a inclusão dos data centers no licenciamento ambiental e até uma moratória enquanto não houver regulamentação específica. (Fena TI – 06.07.2026)
Oferta de Energia Elétrica
Brasil: Atraso da infraestrutura elétrica ameaça expansão de data centers
Estudo da Wärtsilä alerta que o ritmo de construção de data centers nas Américas supera a expansão dos sistemas de energia necessários para operá-los, criando o risco denominado “speed to powerless”. Filas de interconexão, saturação da transmissão, licenciamento demorado e prazos de equipamentos que avançam para 2030 podem limitar projetos de inteligência artificial. Nos Estados Unidos, cerca de 2.600 GW de geração e armazenamento aguardavam conexão à rede ao fim de 2025. No Brasil, a carga projetada dos data centers para 2030 foi elevada em 60%, de 18,9 TWh para 30,3 TWh. A empresa prevê maior adoção de sistemas total ou parcialmente isolados, com mais de 100 MW de carga de pico local, capazes de funcionar como ponte até a futura integração à rede. O estudo também aponta restrições de água, transmissão e capacidade firme em mercados como México, Chile e Argentina, defendendo planejamento energético de longo prazo para garantir confiabilidade e viabilidade comercial. (Agência CanalEnergia – 09.07.2026)
Brasil: Energia passa a definir competitividade dos data centers de IA
A disponibilidade de eletricidade competitiva, previsível, firme e de baixo carbono tornou-se o principal critério para a localização de data centers voltados à inteligência artificial, superando fatores antes dominantes, como proximidade do mercado consumidor e conectividade. Estudo da FGV Projetos aponta que a energia já representa a maior parcela dos custos operacionais dessas instalações e que a competitividade brasileira dependerá do preço final, incluindo tributos, encargos e condições de contratação, além da rapidez de conexão à rede. O país possui vantagens como matriz predominantemente renovável, potencial de expansão e complementaridade entre hidrelétricas, eólicas, solares e gás natural. Entretanto, grandes consumidores ainda enfrentam dificuldades para acessar o Sistema Interligado Nacional nos prazos exigidos. O relatório recomenda ampliar autoprodução, contratos flexíveis e modelos comerciais, integrar planejamento energético e política digital e considerar explicitamente os data centers na expansão da transmissão. (Telesintese – 07.07.2026)
Brasil: MME avalia conexão de data centers à rede caso a caso
O Ministério de Minas e Energia considera que a conexão de grandes data centers ao sistema elétrico deve ser analisada individualmente, levando em conta localização, capacidade disponível, expansão prevista da rede e prazo de entrada em operação. A avaliação ocorre diante de 8,8 GW em projetos em construção no estado de São Paulo, cujos cronogramas podem ser mais curtos do que os necessários para ampliar a infraestrutura energética. Segundo a pasta, a concentração das cargas produz necessidades distintas em cada região e exige coordenação com a Empresa de Pesquisa Energética e demais órgãos de governança do setor. O governo também acompanha modelos internacionais nos quais o empreendedor assume a responsabilidade por gerar ou contratar a própria energia, evitando a transferência dos custos de reforço da rede aos demais consumidores. A análise busca identificar alternativas técnicas e comerciais para cada empreendimento, considerando potência solicitada, investimentos em transmissão e impacto tarifário sobre o sistema. (TAGD – 03.07.2026)
Brasil: ONS alerta que data centers pressionarão expansão do sistema elétrico
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) alertou que o crescimento de data centers e projetos de hidrogênio verde aumentará a pressão sobre a expansão do sistema elétrico brasileiro, especialmente a partir de 2029. Na primeira revisão do Plano da Operação Energética 2026-2030, o operador concluiu que essas cargas especiais reduzem a flexibilidade do sistema e agravam os desafios de atendimento da demanda no horário de ponta. Embora a projeção de carga tenha sido reduzida em cerca de 2,2 GW médios em relação ao plano anterior, o consumo do SIN ainda deverá crescer 4,2% ao ano, alcançando 98,8 GW médios em 2030. O ONS também estima que cortes de geração eólica e solar poderão atingir até 40 GW por ano entre 2027 e 2030, reforçando a necessidade de leilões anuais de reserva de capacidade, expansão da transmissão, armazenamento de energia e maior controlabilidade da geração distribuída para preservar a segurança operativa do sistema. (Agência CanalEnergia – 07.07.2026)
Inovação e Tecnologia
Brasil: BNDES financia produção nacional de data centers modulares
A ALGcom obteve aprovação de financiamento de R$ 10,2 milhões do BNDES para desenvolver e produzir, em escala industrial, data centers modulares em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Os recursos virão do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações, administrado pelo Ministério das Comunicações. O projeto prevê uma arquitetura capaz de reduzir em até 50% o tempo de implantação das instalações e diminuir a dependência de fornecedores estrangeiros. A solução incluirá sistemas integrados de climatização, plataforma de internet das coisas para coleta de dados em tempo real, análises por aprendizado de máquina e unidades de distribuição de energia com eficiência elétrica superior a 99,5%. A iniciativa deverá ser concluída em 2028, poderá resultar em pedido de patente e contará com equipe própria de pesquisa, além do apoio de instituições científicas e universidades regionais. O investimento busca fortalecer a indústria nacional, a inovação e a soberania tecnológica. (Folha de São Paulo – 07.07.2026)
Brasil: Redes de 400G e 800G elevam exigências de fibra em data centers
A adoção de redes de 400 Gbps e 800 Gbps para cargas de inteligência artificial está aumentando a densidade de fibras, reduzindo margens de erro e transformando a infraestrutura física dos data centers. Ambientes de IA já podem operar com dezenas ou centenas de milhares de conexões, enquanto maior potência por rack e sistemas de resfriamento líquido disputam espaço com componentes ópticos. Executivos da Fluke Networks e da Ascenty destacaram que conectores de alta densidade, padrões Base-FR e Base-DR e o avanço da fibra monomodo exigem controle mais rigoroso de perda óptica, limpeza e certificação. Equipamentos de teste precisam medir simultaneamente 12, 16 ou 24 fibras, acompanhando a escala dos conectores MPO. O setor também enfrenta escassez de mão de obra qualificada e demanda crescente por técnicos certificados. A recomendação é priorizar cabeamento estruturado, escalabilidade e instalação correta desde o início, permitindo suportar futuras velocidades de 1.6T e 3.2T. (Data Center Dynamics – 09.07.2026)
EUA: Eficiência de tokens ganha espaço entre métricas de data centers
A expansão da inteligência artificial está levando operadores de data centers a considerar métricas como tokens por watt e custo por token, enquanto indicadores tradicionais de eficiência, como PUE e WUE, apresentam menor margem de evolução em novas instalações. O PUE médio do setor caiu de cerca de 2,5 em 2007 para menos de 1,4, e projetos hiperescaláveis com resfriamento líquido já operam próximos ou abaixo de 1,1. Sistemas hídricos de circuito fechado também podem alcançar WUE quase zero. Nesse cenário, empresas como a Schneider Electric observam que hiperescalas e neoclouds buscam maximizar a quantidade de tokens processados por unidade de energia e por dólar investido. A métrica, porém, não considera isoladamente emissões, origem da eletricidade ou impacto ambiental. O debate aponta para a necessidade de combinar desempenho econômico, eficiência computacional e sustentabilidade, evitando que o aumento do consumo de tokens substitua critérios mais amplos de gestão energética. (Data Center Dynamics – 10.07.2026)
EUA: MagniX leva tecnologia aeronáutica para data centers
A magniX ampliará sua atuação para aplicar em data centers tecnologias elétricas originalmente desenvolvidas para a aviação, incluindo baterias, inversores, unidades de distribuição de energia e motores-geradores. A empresa continuará investindo em aeronaves elétricas, segmento no qual acumula mais de 200 voos de teste em seis plataformas, mas pretende aproveitar sua arquitetura de 800 volts em mercados que exigem elevada densidade energética, confiabilidade e sistemas avançados de segurança. Entre os produtos que poderão ser adaptados estão as baterias Samson, os sistemas eletrônicos magniDrive e as unidades de distribuição PDX800. A estratégia responde ao crescimento da demanda por soluções elétricas em infraestruturas críticas, nas quais falhas podem causar impactos operacionais significativos. A companhia também pretende atuar em armazenamento de energia, defesa, mobilidade e aplicações espaciais, transferindo padrões de desempenho e certificação aeronáutica para ambientes de alta exigência técnica. (Aeromagazine – 08.07.2026)