Data Center 18
Tendências de Mercado
Brasil: Fim da MP do Redata ameaça projetos bilionários e cria impasse jurídico para incentivos a data centers
Com a caducidade da MP que criava o regime especial do Redata e a falta de votação no Senado, o governo busca alternativa legal para reativar incentivos à instalação e ampliação de data centers. Especialistas apontam que Rio, São Paulo, Porto Alegre e Ceará poderiam captar dezenas de bilhões de dólares se o programa avançar; no Rio, o “Rio AI City” é citado como projeto pronto, com capacidade de 3 GW, sob risco de não ocorrer. O entrave central é fiscal e eleitoral: o artigo 29 da LDO de 2026 veda novos benefícios ou prorrogações, além da regra de redução de incentivos em 10% no ano, elevando o risco de judicialização. A Fazenda estima que Redata somado à Reforma Tributária possa atrair R$ 2 trilhões em 10 anos, enquanto estudos de mercado citam potencial de US$ 33 bilhões até 2030, com maior atratividade no Sudeste e Nordeste. (O Globo – 27.02.2026)
Panamá: País consolida posição como hub regional de data centers e IA
O Panamá desponta como polo regional de data centers e inteligência artificial, com 14 instalações operacionais e conectividade assegurada por oito cabos submarinos. A expansão de cargas de IA, com densidades de até 100 kW por rack ante 5-10 kW tradicionais, impulsiona investimentos em refrigeração líquida, distribuição elétrica avançada e PUE abaixo de 1,2. Operadores como KIO Data Centers e Panama Digital Gateway adaptam estruturas para clusters de GPUs Nvidia H100/B100 com InfiniBand 400 Gbps. Pesquisa da BCG indica que um terço das empresas locais investirá US$ 25 milhões em IA em 2025, projetando ROI de 284% em seis meses. Zonas francas como Panamá Pacífico e Colón oferecem incentivos, consolidando o país como hub entre EUA, Região Andina e Caribe. (Data Center Dynamics – 27.02.2026)
EUA: Margem de 75% da Nvidia vira alvo de rivais e pressiona custos de IA em data centers
A Nvidia entrou em 2026 com demanda praticamente “contratada” pelos hyperscalers, que projetam cerca de US$ 650 bilhões em capex no ano (alta de ~60% vs. 2025), mas o mercado passou a mirar a sustentabilidade de sua margem bruta ajustada de 75,2% (nov–jan), a maior desde o 2º semestre de 2024. A companhia admite pressão de custo de memória e prevê escassez até 2027 ou além, mesmo com estoque e capacidade “garantidos”. Ao mesmo tempo, alternativas ganham espaço em workloads de nuvem e IA: TPUs do Google (US$ 8 mil–10 mil) versus H100 (US$ 23 mil+) e Blackwell (US$ 27 mil+). Acordos como Meta–AMD para processadores em data centers reforçam a disputa por aceleração e energia, ampliando o risco de compressão de margem se o retorno de receita da IA não acompanhar o gasto em infraestrutura. (Bloomberglinea – 26.02.2026)
Brasil: Ascenty aponta gargalo na distribuição de energia como entrave a data centers de IA
A Ascenty avalia que a aprovação do Redata pode acelerar decisões de investimento em data centers de inteligência artificial no Brasil, mas alerta que o principal obstáculo está na infraestrutura de distribuição elétrica. Segundo o CRO Marcos Siqueira, o país gera mais energia do que consome, porém enfrenta limitações na conexão de alta potência, especialmente no Sudeste, onde a fila para novos acessos é extensa. Data centers de IA demandam maior densidade energética e tecnologia avançada em comparação às unidades tradicionais de nuvem. A empresa já assegurou áreas com conexão disponível em São Paulo, mas novos projetos dependem da expansão da rede. O executivo destaca ainda que a atração de big techs será determinante para viabilizar aportes de grande escala. (Folha de São Paulo – 25.02.2026)
Brasil: Data centers buscam ratings para captar capital de IA com projetos de US$ 3 bilhões e foco em grau de investimento
Desenvolvedores de data centers estão recorrendo a classificações de crédito mesmo com obras em andamento para ampliar a base de financiadores e viabilizar centenas de bilhões de dólares em investimentos ligados à inteligência artificial. O texto relata que S&P, Moody’s, Fitch e KBRA ampliaram cobertura e vêm atribuindo ratings privados a empréstimos, permitindo que bancos distribuam risco a investidores institucionais; o selo é especialmente relevante para atrair seguradoras, que tendem a investir apenas em operações de alta qualidade avaliadas pelas “três grandes”. A Fitch diz ter trabalhado em mais de 35 ratings nos últimos nove meses, em sua maioria privados, com tamanho médio de cerca de US$ 3 bilhões, e publicou novos critérios para infraestrutura digital em agosto. O material cita que Moody’s e Fitch teriam dado, de forma privada, grau de investimento para dezenas de bilhões de dólares em empréstimos de data centers apoiados pela Oracle, enquanto a KBRA afirma atribuir notas a cerca de US$ 100 bilhões em dívidas e projeta crescimento entre US$ 25 bilhões e US$ 50 bilhões no primeiro semestre. A sustentação dos ratings costuma vir de contratos de locação de longo prazo com grandes empresas de tecnologia; a nota do projeto fica limitada ao crédito do locatário. O texto também aponta maior risco em data centers dedicados a treinar IA, por ficarem em áreas remotas e terem menor reaproveitamento ao fim do contrato. (Valor Econômico - 24.02.2026)
Brasil: O Gigante Silencioso: como os Data Centers estão remodelando a matriz elétrica Brasileira
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Renato Yabiku trata do crescimento acelerado dos data centers e dos impactos dessa expansão sobre o sistema elétrico brasileiro, destacando que a demanda contínua e, no caso da IA, com picos abruptos, exige energia de alta qualidade, investimentos em geração, transmissão, distribuição e soluções de backup. O autor ressalta que, embora o Brasil tenha vantagem por sua matriz majoritariamente renovável, é necessário garantir rastreabilidade da energia e avançar em eficiência e descarbonização. Defende ainda que os data centers podem deixar de ser apenas grandes consumidores e se tornar ativos estratégicos da rede, oferecendo serviços ancilares, armazenamento e geração distribuída. Para isso, aponta a necessidade de planejamento energético, modernização regulatória e investimentos que assegurem sustentabilidade, resiliência e integração inteligente à matriz elétrica. (Agência CanalEnergia – 24.02.2026)
Brasil: Demanda energética de IA e data centers pressiona suprimento e reforça debate regulatório
O avanço da inteligência artificial está intensificando o desafio de suprimento elétrico para data centers, com risco de limitar a expansão tecnológica caso a infraestrutura não acompanhe o crescimento das cargas. O artigo menciona projeção de que a demanda global por eletricidade pode mais que dobrar até 2026, associando o aumento à expansão de data centers, mineração e criptomoedas, e estima que o consumo dos quatro primeiros complexos de data centers de IA no Brasil seria equivalente ao de 16,4 milhões de casas. Também aponta que data centers respondem por até 2% do consumo global e que, no Brasil, o índice teria sido de 1,7% em 2024, destacando limitações de transmissão e escoamento, especialmente no Nordeste, apesar do potencial renovável. No campo regulatório, cita o PL 2.338/2023 (Marco Legal da IA) e o Redata, ligado à Política Nacional de Data Centers, com incentivos e contrapartidas, incluindo oferta mínima de 10% da capacidade ao mercado nacional e aporte de 2% do valor dos itens beneficiados em PD&I. (TI Inside– 23.02.2026)
Brasil: Expansão de data centers e IA eleva exigência por conectividade óptica e interconexão no país
A expansão acelerada de data centers, impulsionada por inteligência artificial, está reposicionando a conectividade óptica como eixo crítico da infraestrutura digital brasileira. Estimativas citadas no artigo indicam que a capacidade de carga de TI no país pode crescer de menos de 1 GW em 2025 para cerca de 1,5 GW até 2030, aumentando a demanda por redes de altíssima capacidade, baixa latência e operação contínua. O texto aponta que a necessidade de transceptores ópticos de alta velocidade deve mais que dobrar até 2030 e que o mercado de interconexão entre data centers cresce acima de 12% ao ano, pressionando operadoras e provedores a expandir redes e adotar arquiteturas mais inteligentes. Entre os gargalos, destaca desigualdades regionais e limitações fora do eixo Sul-Sudeste, além de custos de implantação, barreiras regulatórias e falta de profissionais qualificados. O Plano Nacional de Infraestrutura Digital é citado como indutor para ampliar backhaul de fibra óptica em todos os municípios até 2030. (TI Inside – 20.02.2026)
Expansão e Investimentos
EUA: AMD investirá US$ 150 milhões na Nutanix para plataforma aberta de IA
AMD e Nutanix anunciaram parceria estratégica para desenvolver uma plataforma aberta e full stack de infraestrutura de IA voltada a data centers, ambientes híbridos e edge. A iniciativa integra CPUs AMD EPYC, GPUs AMD Instinct, ecossistema ROCm e AMD Enterprise AI às soluções Nutanix Cloud Platform e Kubernetes Platform, com foco em workloads de inferência e IA agêntica. A AMD investirá US$ 150 milhões (R$ 768 milhões) em ações da Nutanix a US$ 36,26 por papel, além de destinar até US$ 100 milhões (R$ 513,9 milhões) a engenharia e iniciativas comerciais conjuntas. A primeira plataforma está prevista para o final de 2026, condicionada a aprovações regulatórias, buscando oferecer infraestrutura escalável, interoperável e otimizada para clusters de alto desempenho em ambientes corporativos. (Data Center Dynamics – 27.02.2026)
Israel: Dalia Energy anuncia plano para maior data center do país, com 130 MW e integração direta a usina a gás de 850 MW
A Dalia Energy anunciou planos para o data center “Ofek”, voltado a IA, com 130 MW fora de Ashdod, em Israel, a ser construído por consórcio que inclui a Serverfarm e o Israel Infrastructure Fund (IIF). A conclusão é projetada para o 2º semestre de 2029, com custo estimado de US$ 1,5 bilhão, e o empreendimento deve superar o próximo maior projeto planejado no país, citado como uma instalação de 30 MW arrendada pela Nvidia. O Ofek será alimentado diretamente por uma nova usina a gás de 850 MW a ser construída próxima ao porto de Ashdod e há plano de elevar a capacidade computacional total para 200 MW; a eventual adoção de GPUs Nvidia pode elevar o investimento para aproximadamente US$ 5 bilhões, segundo publicação local mencionada no texto. O projeto também recebeu permissão para conexão a cabo submarino de fibra óptica, visando acesso a mercados europeus, em meio a esforços do governo para acelerar licenças e ampliar oferta de geração renovável e térmica. (Data Center Dynamics – 26.02.2026)
Brasil: Eletronet investe R$ 157 milhões para expandir fibra em 50% e construir 85 edge data centers
A Eletronet anunciou investimento de R$ 157 milhões para ampliar em cerca de 50% sua rede de fibra óptica, com implantação de ~8 mil km de cabos OPGW e construção de 85 novos Edge Data Centers. O plano será executado em três fases, com a primeira no 2º trimestre e as demais no 2º semestre de 2026. Com a expansão, a empresa passará a 26 mil km de rotas ópticas e 255 Edge Data Centers em 23 estados, ante 18 mil km em 18 estados e 170 estruturas de borda. A companhia entra em cinco novos estados (PA, MT, ES, AC e RO) e reforça rotas em regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul, com pontos em fronteiras para interconexão com Argentina, Uruguai, Paraguai, Peru e Bolívia. A arquitetura prevê múltiplos caminhos e anéis de redundância, com capacidade de até 38,4 Tbps por trecho, e abastecimento dos novos sites com energia solar, após redução média de 19% em custos de consumo com renováveis. (Telesintese – 25.02.2026)
Brasil: Serpro investirá até R$ 8 bi em dois novos data centers em Brasília e São Paulo
O Serpro anunciou a construção de dois novos data centers, em Brasília e São Paulo, para ampliar a capacidade de processamento diante da crescente demanda gerada pela reforma tributária e pela expansão da nuvem governamental. A estatal já opera próxima ao limite e negocia utilizar ainda este ano o data center da Telebras, na capital federal, para criar uma terceira zona de nuvem soberana. O projeto em Brasília, no parque tecnológico Biotic, está concluído e deve iniciar obras em 2026, enquanto a unidade paulista está em fase de elaboração. Cada instalação exigirá entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões ao longo de 10 anos, com investimento inicial estimado em cerca de R$ 1 bilhão por unidade, incluindo implantação, manutenção e atualizações tecnológicas. (Data Center Dynamics – 25.02.2026)
EUA: Meta fecha acordo de 6 GW com AMD para data centers de IA e atrela fornecimento a warrant de 160 milhões de ações
A Meta e a AMD anunciaram um acordo multianual e multigeracional de 6 gigawatts para implantação de infraestrutura de IA em data centers, baseada em GPUs AMD Instinct e CPUs AMD EPYC, com entregas a partir do 2º semestre de 2026. O primeiro gigawatt usará GPU customizada baseada na arquitetura Instinct MI450 e CPUs EPYC de 6ª geração (“Venice”), com software ROCm e racks AMD Helios, desenvolvidos em conjunto com a Meta no Open Compute Project para escalar IA em nível de rack. A expansão até 6 GW ocorrerá ao longo de cinco anos; a AMD indica transações de “dezenas de bilhões de dólares” por gigawatt, sem total divulgado. O contrato inclui warrant baseado em desempenho para a Meta comprar até 160 milhões de ações da AMD, com tranches liberadas conforme entregas, escala de compras e metas técnicas/comerciais, além de condições de preço da ação. A parceria reforça estratégia multiforncedor da Meta, que mantém compras da Nvidia e chips próprios, mirando principalmente workloads de inferência. (Telesintese – 25.02.2026)
França: Vantage e Altarea planejam campus de data center de 400 MW em Bordeaux com conexão elétrica já assegurada
A Vantage Data Centers e a gestora imobiliária/investidora Altarea firmaram parceria para desenvolver um campus de data center de 400 MW em Bordeaux, na França, em terreno pertencente à Altarea. As empresas afirmam que o complexo poderá se tornar um dos maiores do país, ancorado por uma conexão elétrica de 400 MW já garantida para o site, um diferencial crítico em mercados com restrições de rede e longos prazos de energização para projetos hyperscale e de IA. Localização exata e cronograma de obras não foram divulgados. O projeto marca a entrada da Vantage na França, ampliando sua atuação europeia (EMEA), e se apoia na combinação de expertise global do operador com capacidade local de desenvolvimento e licenciamento da Altarea, que já possui portfólio no segmento (incluindo o Nation Data Center). A iniciativa é contextualizada pela aceleração da demanda por infraestrutura digital no país, impulsionada por workloads intensivos de computação e requisitos ambientais e de desempenho. (Data Center Dynamics – 25.02.2026)
EUA: Amazon anuncia investimento de US$ 12 bilhões em campus de data centers na Louisiana
A Amazon informou planos para investir US$ 12 bilhões no noroeste da Louisiana na construção de centros de dados destinados a suportar computação em nuvem e, segundo o texto, aplicações relacionadas a IA. A empresa estima a criação de 540 empregos diretos em tempo integral nos data centers e mais 1.710 vagas adicionais na comunidade, com funções como eletricistas, técnicos de HVAC, engenheiros de projetos, especialistas em redes, operações e segurança. A Amazon afirma ter trabalhado com a concessionária local Southwestern Electric Power Company (SWEPCO) para pagar 100% dos custos de infraestrutura e atualizações necessárias para atender o novo campus, alegando benefício adicional à confiabilidade da rede. No pacote energético, menciona investimentos em projetos solares no estado, adicionando até 200 MW de energia livre de carbono à rede. Também prevê investimento de até US$ 400 milhões em infraestrutura pública de água para apoiar o local e reforça a meta de ser “water positive” até 2030, devolvendo mais água às bacias locais do que a utilizada em operações diretas. (TI Inside – 24.02.2026)
EUA: Google planeja data center no Texas com modelo “power first” e energia limpa dedicada via AES
O Google anunciou um novo data center no condado de Wilbarger, no Texas, estruturado para nascer junto com ativos de geração “clean energy” desenvolvidos e operados pela AES, em abordagem “power first”. O desenho prevê co-localização (ou proximidade) entre campus e usinas, buscando reduzir a necessidade de reforços adicionais, otimizar a utilização da rede e limitar impactos locais em tarifas e confiabilidade. A AES afirma já ter assegurado terreno e acordos de interconexão, além de construir infraestrutura elétrica compartilhada; as empresas assinaram PPAs de 20 anos vinculados aos ativos. O Google não divulgou cronograma de construção. No projeto, a empresa prevê resfriamento avançado a ar para eliminar uso operacional de água, restringindo consumo a funções críticas, e reforça compromissos de reposição hídrica e parcerias de bacias. O anúncio se soma à presença do Google no Texas e a investimentos de US$ 40 bilhões no estado até 2027. (Data Center Dynamics – 24.02.2026)
Brasil: Engie estuda baterias e data centers de mineração para reduzir curtailment em complexo solar de 753 MW no RN
A Engie avalia instalar sistemas de baterias e/ou data centers para mineração de bitcoin no complexo solar Assú Sol, no Rio Grande do Norte, como alternativa para absorver energia localmente e mitigar cortes de geração impostos pelo ONS. Segundo a Reuters, o empreendimento, o maior do portfólio global da companhia, tem 753 MW de capacidade instalada, entrou em operação comercial em fevereiro de 2026, reúne mais de 1,5 milhão de módulos fotovoltaicos e recebeu investimento de 3,3 bilhões de reais, com produção destinada ao mercado livre e potencial para atender cerca de 850 mil consumidores. O country manager Eduardo Sattamini afirma que as restrições afetam o retorno, embora o impacto seja menos crítico para empresas maiores, e não detalha o volume de energia limitado. O texto contextualiza que os curtailments se intensificaram com a rápida expansão renovável e a sobreoferta durante o dia, com perdas bilionárias desde 2023. A estratégia de atrair demanda via mineração e armazenamento é tratada como não imediata: a companhia busca compradores e acordos para direcionar energia à atividade, mas estima implementação em alguns anos. Sattamini acrescenta que a Engie Brasil não pretende investir em novos projetos solares até que haja solução para os cortes e a sobreoferta diurna. (Data Center Dynamics – 24.02.2026)
Brasil: Legrand compra participação majoritária na green4T e acelera presença em serviços para data centers
A Legrand anunciou a aquisição de participação majoritária na green4T, empresa especializada em implantação, operação e manutenção de data centers e ambientes de missão crítica. Segundo o comunicado, a green4T possui cerca de 750 colaboradores atuando no Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, ampliando a capilaridade regional da Legrand em um segmento de forte crescimento em 2026. A operação busca reforçar o portfólio de soluções integradas para data centers, combinando energia, conectividade e tecnologias digitais, alinhado à estratégia de apoiar transições energética e digital dos clientes. Executivos das duas companhias destacaram que a união pretende somar a escala e capacidades globais da Legrand à especialização e agilidade operacional da green4T, com expectativa de acelerar entrega de serviços e ampliar oferta de soluções de valor agregado para infraestrutura crítica na América Latina. (TI Inside– 19.02.2026)
Políticas Públicas e Regulatórias
Brasil: ReData passa a depender de alteração na LDO após perda de vigência de MP
A não votação do PL 278/2026 até 25 de fevereiro levou à caducidade da medida provisória que sustentava o ReData, eliminando a autorização fiscal que viabilizaria o incentivo ainda em 2025. Segundo a ABES, a partir de 2026 volta a vigorar o artigo 29 da LDO, que impede criação de novos incentivos fiscais no ano, exigindo envio de Projeto de Lei do Congresso Nacional para alterar a LDO e reabrir espaço orçamentário. Como envolve renúncia de receita, a iniciativa deve partir do Executivo e indicar compensações. O tema também reacende o debate sobre inclusão do gás natural como fonte elegível para data centers, defendida por setores de energia como garantia de fornecimento contínuo, mas já rejeitada na Câmara. (Data Center Dynamics – 27.02.2026)
Brasil: Dataprev obtém ISO 27001 e reforça governança em seus três data centers Tier III
A Dataprev recebeu a certificação ISO/IEC 27001, reconhecida pelo Inmetro e emitida pela IQNet após auditoria da Fundação Vanzolini, atestando maturidade em gestão de segurança da informação nos ambientes de data center. O escopo inclui gestão de mudanças, incidentes, disponibilidade e sistemas de energia. O projeto iniciou em 2024 e envolveu mapeamento de riscos, revisão normativa e capacitações. A empresa mantém ainda ISO 20000 (renovada em 2025), SOC 2 e certificação Tier III do Uptime Institute em seus três data centers. A certificação exige auditorias anuais e monitoramento contínuo, e a estatal planeja iniciar em 2026 o processo para obter a ISO/IEC 27701, voltada à privacidade e alinhada à LGPD, reforçando a conformidade em serviços críticos ao setor público. (Data Center Dynamics – 27.02.2026)
Brasil: Caducidade do Redata exige mudança na LDO para viabilizar incentivo fiscal
A não votação do PL 278/2026 no Senado até 25 de fevereiro resultou na perda da vigência da MP que sustentava o Redata e eliminou a janela fiscal para criação do incentivo em 2025. Segundo a ABES, a caducidade ativa restrição do artigo 29 da LDO, que impede renúncia de receita em 2026 sem adequação orçamentária. Para viabilizar o programa, será necessário enviar um Projeto de Lei do Congresso Nacional alterando a LDO, iniciativa que deve partir do Executivo por envolver impacto fiscal. O regime prevê desoneração de tributos de importação para equipamentos de data centers e contrapartidas de investimento. O debate também inclui possível inclusão do gás natural como fonte elegível para garantir energia firme às operações. (Telesintese – 26.02.2026)
Brasil: Alcolumbre barra votação do Redata e frustra acordo para salvar benefícios fiscais da MP de data centers
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), decidiu não pautar o PL 278/2026 na sessão de 25/2, mesmo após aprovação na Câmara, frustrando acordo para aprovar o texto antes do fim da validade da MP 1318/2025 no mesmo dia. A proposta reproduz a MP e buscava garantir isenção fiscal para importação de equipamentos de data centers, mas os benefícios, embora válidos desde setembro, ainda dependiam de regulamentação. Havia entendimento para que o senador Eduardo Gomes (PL/TO) atuasse como relator de plenário e apresentasse parecer sem mudanças, assegurando continuidade do regime. Segundo o relato, o governo foi surpreendido: o líder Jaques Wagner (PT/BA) disse que “estava combinado” e que ouviu do presidente que não votaria por haver “muita confusão”, sem detalhamento. Representantes de big techs presentes também teriam demonstrado perplexidade, ao considerar o instrumento necessário para atrair investimentos em infraestrutura de processamento e nuvem. O episódio amplia o risco de descontinuidade do Redata e de atraso em decisões de localização de novos projetos, num momento de corrida por capacidade para IA. (Agência Eixos – 25.02.2026)
Brasil: Senado não vota Redata, MP caduca e incentivo tributário a data centers deixa de existir em 26 de fevereiro
O Senado decidiu não votar o projeto de lei que criaria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), e a medida provisória que instituiu o programa perdeu eficácia às 23h59 de quarta-feira (25), encerrando o incentivo a partir de quinta-feira (26). A reportagem atribui a decisão à insatisfação do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), com a falta de articulação do Executivo com senadores. O Redata buscava atrair investimentos em data centers ao estabelecer tributação especial para empresas com projetos no setor. Segundo o texto, o vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes (PL-TO), estava pronto para relatar e defender aprovação sem alterações do texto vindo da Câmara. O episódio ocorre em meio a atritos entre Alcolumbre e o governo desde o fim do ano anterior, com reflexos na coordenação política no Senado. Após a não votação, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que o governo procura uma saída jurídica para reeditar o Redata ainda em 2026, condicionada a apoio parlamentar, e afirmou haver “filas de empresas” interessadas, com potencial de “dezenas de bilhões de reais” em investimentos. Haddad disse que buscará Alcolumbre para entender se a resistência é ao texto ou ao processo. (Valor Econômico - 25.02.2026)
Brasil: Câmara aprova regime tributário para data centers com renúncia de R$ 7 bi até 2028
A Câmara dos Deputados aprovou o projeto que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), destinado a atrair investimentos na instalação e ampliação de data centers no país. O texto prevê suspensão de tributos federais na aquisição e importação de bens para ativo imobilizado, além de isenção de PIS/Pasep, Cofins e IPI sobre equipamentos de TIC. Para acessar os incentivos, as empresas deverão destinar parte da capacidade ao mercado interno, utilizar 100% de energia renovável, cumprir metas de eficiência hídrica e investir em P&D, com foco nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O custo estimado é de R$ 7 bilhões em três anos, sendo R$ 5,2 bilhões em 2026, R$ 1 bilhão em 2027 e R$ 1,05 bilhão em 2028, com redução gradual em função da transição da reforma tributária. (Valor Econômico - 25.02.2026)
EUA: Trump pressiona big techs para bancarem custos de energia de novos data centers e reduzir impacto político nas tarifas
O presidente Donald Trump afirmou que negocia compromissos com grandes empresas de tecnologia para que paguem parcela maior dos custos de energia associados a novos data centers, em resposta à insatisfação de eleitores com aumento de tarifas elétricas e com foco nas eleições de meio de mandato de 2026. A Casa Branca descreveu a iniciativa como um “compromisso de proteção ao consumidor”, defendendo que big techs supram suas próprias necessidades energéticas, inclusive construindo usinas, para evitar repasse às famílias. O movimento ocorre enquanto o Vale do Silício investe centenas de bilhões de dólares em infraestrutura de IA intensiva em eletricidade, frequentemente exigindo transmissão, geração e reforços locais; historicamente, parte desses custos foi diluída entre demais consumidores. Especialistas alertam que promessas podem ser difíceis de verificar porque contratos com concessionárias tendem a ser confidenciais e a atribuição de custos de upgrades é complexa. Segundo o texto, empresas como Microsoft e Anthropic já sinalizaram pagar tarifas mais altas, e a lista esperada para formalização inclui Amazon, Google, Meta, Microsoft, xAI, Oracle e OpenAI. (O Globo – 25.02.2026)
Brasil: Haddad diz que governo busca alternativa jurídica para reestabelecer o Redata após perda de validade
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que o governo estuda caminhos jurídicos para reestabelecer o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center) após a medida provisória expirar. Segundo o relato, a Câmara aprovou a MP, mas o Senado não deliberou, resultando na perda de validade no próprio dia 25. Haddad afirmou que pretende dialogar com os presidentes das duas Casas e entender com o presidente do Senado se há indisposição ou espaço de negociação, citando potencial de atrair “dezenas de bilhões de reais” e argumentando que o tema envolve soberania digital, já que mais de 60% dos dados de brasileiros seriam processados fora do país e fora do alcance da LGPD. O ministro apontou entraves por regras mais duras para criação de benefícios fiscais, associadas à Lei Complementar 224/25, e disse que a equipe busca uma forma de retomar o programa sem ferir princípios de responsabilidade fiscal. (TI Inside – 24.02.2026)
Brasil: Redata avança como PL em regime de urgência na Câmara
Após impasse com a MP 1318/2025, o Redata ressurgiu como projeto de lei em regime de urgência e entrou na pauta da Câmara (24/2), com relatoria do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP/PB). Criado para antecipar efeitos da reforma tributária no setor, o programa prevê isenção de PIS/Pasep, Cofins e IPI para empresas que investirem em infraestrutura digital sustentável, condicionando habilitação a critérios ambientais, como uso de “energia limpa ou renovável”. Apesar da ambição de atrair até R$ 2 trilhões em investimentos privados em 10 anos, na prática, os incentivos ainda não foram acessados porque a regulamentação permanece pendente. O Plano Nacional de Energia 2055 estima consumo de data centers em até 300 TWh em meados do século, próximo de metade do consumo brasileiro de 2025 (672 TWh). Especialistas defendem regras claras de eficiência, adicionalidade de renováveis, alocação de custos e avaliação integrada de rede e água para evitar expansão descoordenada. (Agência Eixos – 24.02.2026)
EUA: Kentucky propõe tarifa específica para data centers acima de 100 MW e trava repasse de custos a outros consumidores
O Kentucky se tornou mais um estado dos EUA a discutir regras para grandes cargas de data centers, com o projeto KY HB544, que cria uma nova classe tarifária e condiciona o atendimento por concessionárias a requisitos aprovados pela Public Service Commission (PSC). O texto proíbe atender cliente de data center com capacidade contratada agregada superior a 100 MW sem que a PSC aprove tarifa com exigências mínimas de duração contratual, taxas por rescisão antecipada, termos de rampa de carga e garantias financeiras, além de mecanismos para reduzir risco de ociosidade e “stranded assets”. Data centers já operacionais acima de 100 MW ficam isentos, mas expansões futuras entram na regra. Um ponto central é impedir “cost shifting”: a PSC não poderá aprovar a tarifa se não houver demonstração de que toda infraestrutura nova construída exclusivamente para o data center será paga pelo próprio cliente, protegendo demais classes de consumidores. A proposta está em comitê na Câmara estadual e reflete movimento semelhante visto em estados como Ohio, Virgínia, Wisconsin e Califórnia, diante da pressão por geração e transmissão para IA. (Data Center Dynamics – 24.02.2026)
Oferta de Energia Elétrica
Brasil: RT-One instalará baterias Tesla Megapack em data center de IA em Uberlândia
A RT-One anunciou a implantação de baterias Tesla Megapack em seu data center de inteligência artificial em Uberlândia (MG), integrando infraestrutura digital e armazenamento de energia em larga escala (BESS). O projeto prevê uso de baterias para absorver excedentes de geração, sobretudo solar e eólica, e modular a entrega à rede, contribuindo para estabilidade e resposta rápida do sistema elétrico. A iniciativa envolve fornecedores como Hitachi Energy, Siemens, ABB, HIMOINSA e Schneider Electric, posicionando o data center como ativo de suporte à rede, além de consumidor intensivo. O modelo, já adotado em mercados como Califórnia e Texas, será replicado no Brasil com financiamento privado, buscando ampliar a resiliência energética regional e sustentar a expansão de cargas de IA em ambiente de alta penetração renovável. (Data Center Dynamics – 26.02.2026)
Brasil: WEG identifica demanda de data centers como vetor de crescimento em T&D
A WEG destacou a expansão do mercado de data centers como principal motor recente do crescimento em transmissão e distribuição de energia, especialmente no exterior. Segundo a companhia, a demanda envolve não apenas transformadores, mas também alternadores para sistemas de backup, soluções de refrigeração e automação. A empresa avalia que, caso o aquecimento do setor se confirme, poderá haver novo ciclo de preços, impulsionando receitas. Contudo, o cenário-base ainda é de estabilidade em patamar rentável, com desafios relacionados à valorização cambial e à menor carteira em renováveis centralizadas. A companhia projeta possível crescimento mais fraco no primeiro semestre, com recuperação no segundo, dependendo das condições de câmbio e da evolução da demanda por infraestrutura elétrica associada a data centers. (Valor Econômico - 26.02.2026)
Brasil: Scala e Engie Soluções energizam subestação dedicada de 560 MVA para campus de data center em Barueri
A Scala Data Centers e a Engie Soluções colocaram em operação a primeira fase de uma subestação dedicada exclusivamente ao Campus Tamboré, em Barueri (SP), classificada como a maior voltada a data centers na América Latina, com 560 megavolts-ampére (MVA) de capacidade. A obra começou em 2024 e recebeu investimento superior a US$ 80 milhões (cerca de R$ 425 milhões), com implantação em duas etapas; a fase inicial foi entregue em dezembro de 2025. O campus é apontado como o maior da Scala na região e opera com energia 100% renovável, lastreada em contratos de longo prazo firmados pela empresa, enquanto o consumo associado ao data center é descrito como equivalente a 600 megawatts (MW). No arranjo, a Scala definiu requisitos críticos de engenharia, arquitetura de carga e especificações operacionais, além de projetar e construir o ativo. A Engie Soluções executou a infraestrutura técnica e operacional de conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e ficará responsável por operação, manutenção e investimentos de expansão ao longo do tempo, reforçando a importância de infraestrutura elétrica dedicada para viabilizar escalabilidade e confiabilidade de grandes cargas digitais. (Valor Econômico - 23.02.2026)
EUA: Zeo e Creekstone avaliam 280 MW de solar com armazenamento de longa duração para hub de data center em Utah
A Zeo Energy assinou um MoU com a Creekstone Energy para desenvolver cerca de 280 MW de “baseload power” com geração solar behind-the-meter combinada a armazenamento de longa duração para o “Gigasite”, campus de data centers focado em IA em Millard County, Utah, a cerca de 280 km de Salt Lake City. A Creekstone iniciou a construção em dezembro de 2025 e pretende entregar mais de 300 MW de energia a gás para clientes de data center até meados de 2027, com planos de expansão para múltiplos gigawatts e integração de fontes limpas, incluindo sistemas solar+storage da Zeo. O MoU prevê estudo de pré-viabilidade para definir a combinação mais eficiente de geração com armazenamento térmico e químico e contempla possíveis papéis da Zeo em financiamento, engenharia e front-end design. Embora não detalhe a tecnologia, o comunicado sugere alinhamento com a aquisição, em agosto de 2025, da Heliogen, especialista em torres de CSP, potencialmente permitindo híbridos PV+CSP para oferta 24/7 ao setor. Executivos citam urgência de oferta firme para hyperscalers e clientes de IA e a intenção de ampliar a parcela de energia “limpa” no pacote de baseload. (Ess News – 19.02.2026)
Brasil: Hitachi Energy e RT-One firmam acordo para eletrificação de megacampus de data centers de IA
A Hitachi Energy anunciou acordo com a RT-One para desenvolver a infraestrutura de eletrificação de uma plataforma de data centers voltada à inteligência artificial na América Latina. O plano prevê um megacampus em Uberlândia (MG), outro em Maringá (PR) e um terceiro local ainda em avaliação, com foco em computação de alta densidade, energia e soberania digital. A Hitachi fornecerá soluções de sistemas elétricos de alta tensão e conexões de rede para integração segura ao sistema, elevando eficiência energética, confiabilidade e resiliência e permitindo expansões futuras para atender picos de demanda. A fase inicial considera 100 MW no campus de Uberlândia, chegando a até 200 MW com Maringá, com expansão modular além de 400 MW por campus. As primeiras entregas da RT-One estão previstas para 2026, mirando polos de IA, HPC, cibersegurança e nuvem soberana no Brasil. (Petronotícia – 12.02.2026)
EUA: TotalEnergies firma PPAs de 1 GW solar para data centers do Google no Texas
A TotalEnergies assinou dois contratos de compra de energia de longo prazo para fornecer 1 GW de capacidade solar aos data centers do Google no Texas, volume equivalente a 28 TWh de eletricidade renovável ao longo de 15 anos. A energia será gerada nos projetos Wichita (805 MWp) e Mustang Creek (195 MWp), ambos de propriedade da companhia e atualmente em desenvolvimento, com início das obras previsto para o segundo trimestre de 2026. Os acordos complementam contratos brutos de 1,2 GW firmados recentemente pela Clearway, controlada em 50% pela TotalEnergies, para suprir operações do Google no Texas e nas regiões Nordeste e Central dos Estados Unidos. A empresa detém portfólio bruto de 10 GW em ativos solares, eólicos onshore e de armazenamento em baterias em operação no país. Segundo a companhia, trata-se do maior volume de PPAs renováveis já celebrado pela TotalEnergies nos EUA, reforçando sua estratégia de oferecer soluções customizadas para a descarbonização de data centers e viabilizar oportunidades de colocalização em larga escala diante de restrições fundiárias e energéticas (Petronotícias – 09.02.2026)
EUA: Financiamento de baterias próximas a data centers considera risco “merchant” e contratos mínimos
Com a expansão global de data centres e a demanda projetada superando a oferta de geração, o banco NORD/LB avalia que o armazenamento será peça-chave, mas o modelo comercial ainda está em transição. Maniesh Khatri diz que, para crédito, a disponibilidade de energia e a capacidade de conexão pesam tanto quanto prazos de locação e risco do inquilino: projetos exigem relacionamento com utilities, autorizações para subestações e, frequentemente, reforços de transmissão para cargas de 100MW e, em alguns casos, 1GW-plus. Nos EUA, renováveis com BESS são vistos como a via mais rápida para nova energia, especialmente para data centers de IA com oscilações extremas; a resposta sub-milissegundo do BESS ajuda a mitigar impactos, mas persiste a dúvida sobre atender 99.999% de uptime apenas com renováveis e baterias. Khatri alerta que a estratégia “merchant first” depende de volatilidade de preços (ex.: ERCOT) e que financiadores tendem a exigir contrato cobrindo ao menos parte da energia, limitando a exposição merchant. (Energy Storage – 03.02.2026)
EUA: Solar e armazenamento para data centers exigem redes ativas e planejamento integrado
O CTO da Hitachi Energy, Gerhard Salge, afirma que alimentar data centers com renováveis e armazenamento é tecnicamente viável, mas “não é uma simples troca”: a confiabilidade depende de redes ativas, infraestrutura adequada e coordenação entre geração, demanda e flexibilidade. Ele destaca que renováveis são elementos “ativos” do lado da oferta e data centers do lado da carga, exigindo recursos como baterias e hidrelétricas reversíveis, além de sistemas capazes de manter segurança do suprimento, qualidade de tensão e frequência e otimização de custos. Salge diferencia data centers convencionais (carga base com flutuações aleatórias) dos de IA, com GPUs e picos sincronizados, que podem demandar combinação de BESS e supercapacitores para ciclos frequentes sem degradar rapidamente as baterias. Também ressalta aderência a grid codes e uso de demand response, deslocando treinos de IA para janelas de maior capacidade do sistema. (Ess News – 02.02.2026)
Brasil: WEG fornecerá transformadores para data center de 50 MW da Elea voltado à IA
A WEG firmou parceria estratégica com a Elea Data Centers para fornecimento de transformadores destinados ao site de alta tensão de 50 MW em São Paulo, integrando a primeira fase de investimentos de US$ 300 milhões da plataforma em infraestrutura dedicada à inteligência artificial. Fabricados em Gravataí (RS) e com entrega prevista para meados de 2025, os equipamentos garantirão regulação de tensão, redução de perdas e maior eficiência energética para cargas críticas de IA. A Elea, que opera nove data centers em cinco metrópoles e utiliza 100% de energia renovável, reforça com o projeto sua estratégia de suportar altas densidades computacionais. A iniciativa evidencia o avanço da cadeia nacional de suprimentos para infraestrutura elétrica de missão crítica. (WEG – 17.01.2026)
Inovação e Tecnologia
Internacional: Líderes do setor classificam data centers espaciais como inviáveis no curto prazo
Executivos e analistas, incluindo Sam Altman, Jim Chanos e o Gartner, criticaram projetos de data centers orbitais, apontando inviabilidade econômica e desafios técnicos relevantes. Relatório do Gartner afirma que custos de lançamento, seguro, redundância e painéis solares espaciais, até 1.000 vezes mais caros que modelos terrestres, inviabilizam a proposta para atender demandas na Terra. O documento destaca dificuldades de resfriamento no vácuo, variações extremas de temperatura entre 100 e 400 kelvin e limitações na transmissão de dados por laser devido à cobertura de nuvens. Embora empresas como SpaceX, Google e Blue Origin estudem constelações com processamento embarcado, a avaliação predominante é que aplicações orbitais tendem a se restringir a dados gerados no espaço. (Data Center Dynamics – 26.02.2026)
EUA: Projeto na Califórnia demonstra orquestração energética de GPUs em 20 ms
CPower Energy, Bentaus e Supermicro concluíram na Califórnia um projeto de demonstração que integra cargas de data centers de IA aos sinais do mercado atacadista operado pelo CAISO. Durante o teste, sinais em tempo real foram enviados à infraestrutura de GPUs Nvidia B200, que respondeu a um ciclo completo de despacho em menos de 20 milissegundos, mantendo workloads e SLAs enquanto reduzia o consumo elétrico em até 75% sob determinadas condições de rede. A arquitetura validou a conversão de sinais de mercado em ações de orquestração computacional, com capacidade de modular e restaurar cargas dinamicamente. As empresas planejam expandir a iniciativa para outros mercados atacadistas nos EUA, posicionando fábricas de IA como cargas flexíveis e participantes ativos do sistema elétrico. (Data Center Dynamics – 26.02.2026)
Brasil: Ascenty cria ambiente com Dell e NVIDIA para testes de IA em data center de Vinhedo
A Ascenty lançou um ambiente dedicado à experimentação de soluções de inteligência artificial dentro de seu data center em Vinhedo (SP), desenvolvido em parceria com a Dell para apoiar Provas de Conceito (POCs) e Provas de Valor (POVs). A iniciativa busca oferecer alto desempenho, neutralidade e uso de dados sintéticos, com foco em confidencialidade, segurança e resultados confiáveis. O espaço utiliza a arquitetura Dell AI Factory with NVIDIA, incluindo servidores Dell PowerEdge XE7745 e GPUs NVIDIA RTX PRO 6000 Blackwell Server Edition de 96 GB (PCIe), direcionado a aplicações como computer vision, geração de código, assistentes digitais, guardrails e chatbots. Segundo a empresa, o processo é gratuito para clientes da Dell Technologies, permitindo validar projetos antes de investimentos, acelerar a adoção de IA e fortalecer o posicionamento da Ascenty como infraestrutura para cargas avançadas na América Latina. (TI Inside – 19.02.2026)
EUA: Cisco lança chip Silicon One G300 de 102,4 Tbps para redes de data centers de IA
A Cisco apresentou o Silicon One G300, chip de 102,4 Tbps projetado para viabilizar clusters massivos e distribuídos de inteligência artificial em data centers. O componente deve equipar novos switches da série Cisco N9000 e roteadores da série Cisco 8000, com proposta de ampliar desempenho, segurança e confiabilidade das redes de backend de IA. A empresa afirma que os sistemas incluem resfriamento líquido e suporte a adaptadores ópticos de alta densidade, buscando elevar eficiência e melhorar o aproveitamento de investimentos em GPU. O G300 incorpora a “Intelligent Collective Networking”, combinando buffer de pacotes totalmente compartilhado, balanceamento de carga por caminho e telemetria proativa para mitigar falhas de link e reduzir perdas de pacotes. Em simulações, a Cisco indica ganho de 33% na utilização da rede e redução de 28% no tempo de conclusão de tarefas versus seleção de caminho não otimizada, além de alta programabilidade e segurança integrada em hardware. (TI Inside – 18.02.2026)
EUA: Energy Vault e Peak Energy fecham 1,5 GWh de baterias sodium-ion para cargas voláteis de IA
A suíça Energy Vault firmou parceria com a norte-americana Peak Energy para co-desenvolver uma plataforma “full-stack” de armazenamento dedicada a infraestrutura de IA, combinando baterias sodium-ion com o desenho de sistemas e o software Vault OS™. A proposta é atender AI Neoclouds e operadores de data centers “AI-first”, argumentando que sistemas tradicionais, concebidos para cargas de rede mais estáveis, não respondem bem à volatilidade de treinamento e inferência. Segundo as empresas, a integração ao Vault OS™ permitirá otimizar despacho, prolongar a vida do ativo e manter controle operacional, com benefícios como simplificação do projeto elétrico, menor dependência de UPS, redução de requisitos de resfriamento e melhor gestão de picos. A Energy Vault garantiu um offtake inicial de 1,5 GWh de baterias sodium-ion fabricadas nos EUA, buscando segurança de cadeia de suprimentos e elegibilidade a créditos de Domestic Content, além de alegar perfil econômico superior a alternativas de íons de lítio. O acordo também concede direitos exclusivos de canal regional para a tecnologia da Peak Energy na Austrália e no Japão. (Ess News – 10.02.2026)
EUA: Estudos apontam BMS com IA como eixo para baterias confiáveis em data centers
Um estudo no Journal of Energy Storage indica que a adoção de baterias em data centers, tanto em UPS internos quanto em BESS externos, depende de sistemas avançados de battery management (BMS), com integração de IA para monitorar, otimizar e prever desempenho. Os autores argumentam que revisões anteriores focaram demanda, modelagem de carga e eficiência, mas abordaram pouco a integração de baterias com padrões, white papers, projetos financiados e aplicações práticas. O trabalho detalha arquiteturas e topologias recomendadas e defende que o BMS é crítico para segurança, eficiência e vida útil de íons de lítio ao acompanhar temperatura, tensão e corrente, evitando sobrecarga, superaquecimento e descarga profunda, além de viabilizar balanceamento, gestão térmica e manutenção preditiva. O texto descreve monitoramento contínuo de SoC, SoH, SoE e SoT e uma arquitetura hierárquica em três camadas (dados, computação e aplicação) para estimar estados internos, diagnosticar falhas, controlar envelhecimento e prever RUL. Modelos como redes neurais, RL, LSTM/BiLSTM e GANs podem elevar precisão e reduzir falhas, embora persistam desafios de escala e requisitos para metas net-zero. (Ess News – 04.02.2026)