Data Center 12
Tendências de Mercado
EUA: Acordo bilionário entre Nvidia e OpenAI segue indefinido
Dois meses após anunciar intenção de investir até US$ 100 bilhões na OpenAI, em troca da implantação de ao menos 10 GW de hardware Nvidia em futuros data centers, o acordo permanece apenas na fase de carta de intenções. A CFO Colette Kress confirmou que nenhum contrato definitivo foi assinado, apesar de Jensen Huang ter chamado o projeto de “o maior empreendimento de infraestrutura de inteligência artificial da história”, potencialmente valendo até US$ 500 bilhões. Em seu 10-Q, a Nvidia alerta que não há garantia de que os investimentos prometidos, incluindo os destinados à OpenAI, Anthropic, Intel e Synopsys, serão concluídos. O possível acordo não foi incluído nas projeções de US$ 500 bilhões em Unidade de Processamento Gráfico (GPUs) para data centers em 2025-26. Hoje, a OpenAI ainda adquire GPUs via nuvens como Oracle e Microsoft, embora busque operar de forma direta. (Data Center Dynamics - 04.12.2025)
Brasil: Crescimento explosivo dos data centers já altera o planejamento elétrico nacional
O avanço global dos data centers, cuja capacidade deve subir de 60 GW para 90 GW até 2027, já impacta o planejamento energético brasileiro, segundo Thiago Ivanoski, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). No Brasil, o Plano Decenal de Energia (PDE) projeta 13 GW adicionais até 2035, mas os pedidos de conexão chegam a 26 GW, dentro de um total de 53 GW de novas cargas mapeadas até 2038, metade ligada a data centers. A atratividade do país decorre da matriz 90% renovável, robusta infraestrutura de transmissão e demanda crescente por computação em nuvem e inteligência artificial. Já há 6 GW formalizados via portarias e pedidos de acesso, e 446 MW de carga firme foram incorporados ao planejamento. O ritmo acelerado dessa expansão, porém, contrasta com o tempo maior para obras de transmissão, criando gargalos que exigem reforços estruturais e coordenação entre EPE, Ministério de Minas e Energia e Operador Nacional do Sistema Elétrico. Ainda que parte dos projetos não se concretize, mesmo uma fração teria impacto significativo na demanda elétrica nacional. (MegaWhat Energy - 03.12.2025)
Global: IA Agêntica deve se massificar em 2026 e transformar operações empresariais
A chamada Inteligência Artificial (IA) Agêntica, composta por agentes inteligentes capazes de executar tarefas completas com autonomia, deve ganhar escala em 2026, marcando uma mudança estrutural semelhante à dos primeiros grandes modelos de linguagem. Diferente das IAs tradicionais, esses agentes entendem objetivos, integram sistemas legados, aprendem continuamente e atuam como “equipes digitais”, ampliando produtividade e liberando profissionais para funções estratégicas. No Brasil, o Morpheus, da Matrix Go, destaca-se como solução avançada, demonstrando forte impacto operacional e precisão em clientes corporativos. A empresa lançará oficialmente a tecnologia no primeiro semestre de 2026, reforçando sua liderança no ecossistema nacional de IA aplicada ao atendimento e automação empresarial. (Telesintese - 02.12.2025)
Global: Relatório alerta para risco de “Grande Divergência” na era da inteligência artificial
Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) afirma que a rápida adoção da Inteligência Artificial (IA) pode aprofundar desigualdades entre países, criando a “Próxima Grande Divergência” caso não haja ação política robusta. Muitas nações carecem de infraestrutura, competências digitais e governança para captar os benefícios da tecnologia, enquanto enfrentam impactos sociais e econômicos. Na Ásia-Pacífico, região central dessa dinâmica, apenas 14% da população utiliza ferramentas de IA, apesar de concentrar mais da metade dos usuários potenciais, e persistem fortes disparidades de conectividade, gênero e renda. A IA pode elevar o Produto Interno Bruto e a produtividade, mas também ameaça empregos, sobretudo de mulheres e jovens, e pode reproduzir vieses estruturais. O relatório reforça a urgência de regulação, capacitação e modelos de IA culturalmente adequados para evitar que o avanço tecnológico aprofunde desigualdades globais. (Euronews - 02.12.2025)
Brasil: Renova Energia anuncia novo CFO para liderar fase de expansão em data centers
A Renova Energia nomeou João Cunha como novo CFO, reforçando a estratégia de integrar geração renovável e infraestrutura digital. Ele assume durante a conclusão do data center de 81 MW em Igaporã (BA), previsto para 2026, projeto que ajuda a mitigar curtailment ao posicionar consumo próximo às usinas eólicas do Alto Sertão III. Com a saída da recuperação judicial e capital reforçado, a empresa projeta um pipeline de R$ 1,4 bilhão em novos data centers ligados a projetos greenfield. Cunha destaca disciplina financeira e inovação como pilares para atrair investidores e consolidar a Renova como player único na convergência entre energia e infraestrutura digital. Apesar de elogiar avanços da Lei 15.269, ele lamenta que a solução para curtailment tenha sido parcial. (Agência CanalEnergia - 01.12.2025)
Global: AIE prevê explosão no consumo elétrico de data centers impulsionados por IA
A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que o consumo mundial de eletricidade dos data centers deve dobrar entre 2022 e 2026, alcançando volume equivalente ao uso anual do Japão. O avanço da IA intensifica essa pressão: pesquisas feitas com modelos avançados consomem até dez vezes mais energia que buscas comuns, e um modelo como o GPT-4 pode superar o consumo anual de 35 mil residências americanas. O salto de demanda deve exigir fortes investimentos em transmissão e expansão da capacidade produtiva de fornecedores. Especialistas alertam que a rápida corrida por terrenos e conexões elétricas exige planejamento rigoroso e filtros para evitar projetos sem viabilidade energética, além de mecanismos de garantia ao Operador Nacional do Sistema de Energia. Com a busca global por energia limpa, o Brasil pode ganhar relevância pela elevada participação renovável em sua matriz. (Valor Econômico - 28.11.2025)
Brasil: IA acelera transformação dos data centers e impulsiona corrida por resfriamento líquido
O avanço da IA generativa está revolucionando os data centers, elevando drasticamente o consumo de energia e exigindo soluções mais eficientes de resfriamento. No Brasil, 20% das instalações ainda usam sistemas a água e 80% utilizam condensação a ar, ambos insuficientes frente à alta densidade energética atual. Com racks que já superam 100 kW, o setor adota rapidamente o liquid cooling, capaz de remover calor diretamente de Unidades de Processamento Gráfico (GPUs) e servidores avançados. Empresas como Elea, Odata, Ascenty e AWS expandem capacidade e investem em tecnologias híbridas, energia renovável e até hidrogênio verde. Tendências incluem mini-reatores nucleares, captura de calor para aquecimento urbano e projetos futuristas que levam data centers ao espaço, à Lua e ao fundo do mar, sinalizando uma nova era de infraestrutura sustentável e de altíssimo desempenho. (Valor Econômico - 28.11.2025)
EUA: Falha de resfriamento em data center da CyrusOne paralisa negociações do CME Group
Uma pane no sistema de resfriamento do data center CHI1 da CyrusOne interrompeu por horas negociações do CME Group, maior operadora de bolsas do mundo. A falha afetou contratos futuros de câmbio, commodities, títulos e índices globais, congelando preços de referência como WTI, S&P 500, Nasdaq 100 e ouro, além de paralisar atualizações na plataforma de câmbio EBS. Corretoras suspenderam produtos e tiveram de usar dados próprios para precificação, aumentando riscos e incertezas. A equipe técnica conseguiu religar parte dos chillers e instalar refrigeração temporária, permitindo a retomada gradual das operações. A paralisação ocorreu em um dia de volumes reduzidos pós-Ação de Graças, mas expôs a dependência crítica dos mercados financeiros da infraestrutura física de data centers. (Valor Econômico - 28.11.2025)
Global: Coalizão une IA e transição energética para enfrentar demanda crescente por eletricidade
A Schneider Electric e a Bloomberg New Economy lançaram a Energy Technology Coalition, aliança internacional que reúne líderes de energia, tecnologia e infraestrutura para acelerar soluções que tornem o uso de eletricidade mais eficiente e resiliente diante do avanço da Inteligência Artificial (IA) e do aumento global da demanda energética. A iniciativa explorará como tecnologias emergentes podem otimizar redes elétricas e propor frameworks orientados por dados para reduzir barreiras na transição para energia limpa. Entre os membros fundadores estão representantes da IBM, MIT, Oxy, Span e TenneT. A primeira reunião ocorrerá em janeiro de 2026, em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial. (Agência Eixos - 27.11.2025)
EUA: OpenAI recua após polêmica sobre possível apoio federal a investimentos em data centers
A OpenAI enfrentou críticas após declaração de sua CFO, Sarah Friar, sugerir que o governo dos Estados Unidos (EUA) poderia “backstop”, ou garantir, parte dos US$ 1,4 trilhão em chips e infraestrutura de data centers que a empresa planeja adquirir. A interpretação de que o contribuinte arcaria com riscos de investimento gerou forte reação, levando Friar e o CEO Sam Altman a negar qualquer intenção de buscar garantias federais. A polêmica reacendeu dúvidas sobre como a empresa pretende financiar compromissos tão elevados e destacou preocupações de mercado com a sustentabilidade do boom de Inteligência Artificial (IA). Altman afirmou que a OpenAI deve alcançar US$ 20 bilhões em receita em 2025 e crescer para “centenas de bilhões” até 2030, reforçando que não quer auxílio público e que empresas mal-sucedidas devem falhar. O governo Trump, alinhado, declarou que não haverá resgate federal para as empresas de IA. (CNN - 08.11.2025)
Expansão e Investimentos
Brasil: NICNET inaugura novos data centers Tier III e acelera expansão no interior de São Paulo
A NICNET anuncia a abertura de dois novos data centers no interior paulista, em até 60 dias, impulsionada pela crescente demanda por ambientes de missão crítica e pela necessidade de baixa latência. Diferenciando-se de modelos baseados em revendas, a empresa expande sua rede própria, garantindo controle total da operação e SLAs elevados. As unidades seguem o padrão internacional Tier III, combinando redundância com arquitetura voltada a edge computing, o que permite respostas ultrarrápidas para ISPs, indústria, varejo e aplicações de internet das coisas. Preparados para atender às exigências da Lei Geral de Proteção de Dados, os data centers reforçam segurança, continuidade de negócios e recuperação de desastres. A NICNET consolida-se como peça-chave da infraestrutura digital paulista e planeja novas localidades para ampliar a capilaridade de sua rede. (Telesintese - 04.12.2025)
Noruega: Magnora lança projeto de data center com foco em resfriamento líquido e alta densidade
A investidora norueguesa em energia renovável Magnora iniciou o desenvolvimento do Magnora Scale Averøya, um novo data center de 100 MW em Kristiansund, na costa oeste da Noruega. O complexo ocupará 120 mil m² e será desenvolvido em parceria com Averøy Industripark e Tore Knapskog, com a Magnora detendo 70% da nova empresa. O projeto mira clientes que demandam capacidade de alta densidade e infraestrutura preparada para liquid cooling, hoje insuficiente no mercado global. A iniciativa reforça a estratégia da Magnora, que expandiu sua atuação para data centers após adquirir a Storespeed, desenvolvedora com planos superiores a 150 MW. A empresa também avalia novas implantações na Suécia, consolidando os países nórdicos como pólo emergente para cargas intensivas de inteligência artificial. (Data Center Dynamics - 04.12.2025)
Brasil: TikTok investirá R$ 200 bilhões em megadata center no Ceará com operação prevista para 2027
O TikTok confirmou a construção de seu primeiro data center na América Latina, localizado na Zona de Processamento de Exportação do Complexo do Pecém (CE), com início de operação em 2027 e investimento superior a R$ 200 bilhões até 2035. Voltado à exportação de serviços digitais, o projeto terá energia 100% renovável fornecida por parques eólicos e solares dedicados, sem uso da rede elétrica convencional. A parceria inclui a Omnia, responsável pela infraestrutura, e a Casa dos Ventos, fornecedora de energia. Estima-se a geração de mais de 4 mil empregos e investimentos sociais anuais obrigatórios de R$ 15 milhões. O empreendimento é apresentado pelo governo como motor de um novo ciclo industrial no Ceará e como referência em sustentabilidade, com resfriamento de baixa demanda hídrica e tecnologias que elevam a eficiência energética. (Telesintese - 03.12.2025)
Brasil: Dataprev e Huawei avançam em centro de IA focado em serviços públicos
A Dataprev, a Huawei e o Consórcio Nordeste avançam na criação do Centro de Inteligência Artificial do Nordeste, consolidando cinco MVPs desenvolvidos com universidades federais e alinhados ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (IA). Os protótipos incluem três chatbots para busca contextual em editais, personalização de capacitações e organização de registros médicos, além de dois sistemas de visão computacional voltados ao monitoramento de patrimônio público e análise ambiental por satélite. A iniciativa opera de forma virtual com infraestrutura da Dataprev em três estados, apoiando pesquisas aplicadas em áreas como gestão pública, agricultura, saúde, educação e segurança. A fase atual foca na validação dos primeiros resultados e no planejamento de expansão. (Telesintese - 03.12.2025)
América Latina: Actis e General Atlantic lançam Terranova para impulsionar data centers de hiperescala
A Actis, em parceria com a General Atlantic, lançou a Terranova, plataforma dedicada à expansão de data centers de hiperescala energeticamente eficientes na América Latina, diante da crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial e nuvem em Brasil, México e Chile. A empresa prevê investir US$ 1,5 bilhão nos próximos três anos, com o primeiro data center em Querétaro (México) entrando em operação em 2026, seguido por campi em Campinas e no Chile entre 2027 e 2028. A Terranova já assegurou terrenos e energia que podem viabilizar até 1 GW de capacidade futura, estabelecendo base robusta para expansão regional. Com experiência global da Actis em data centers na Ásia, a plataforma pretende replicar práticas operacionais e técnicas, apoiada por uma equipe sênior liderada por José Eduardo Quintella. (Agência CanalEnergia - 02.12.2025)
Reino Unido: BP desiste de hub de hidrogênio após avanço de data center em área estratégica
A BP retirou o pedido de autorização para o projeto H2Teesside, que previa um dos maiores centros de hidrogênio azul do Reino Unido, após o mesmo terreno receber aprovação para a construção de um data center. O conflito de interesses, somado ao atraso do governo britânico em decidir sobre o projeto, levou a empresa a abandonar a iniciativa, originalmente planejada para fornecer 1,2 GW de hidrogênio — cerca de 10% da meta nacional para 2030. A decisão ocorre enquanto a BP recua de investimentos em energia limpa e retoma foco em petróleo e gás para atrair investidores. Ainda assim, a companhia segue com outros projetos de captura e armazenamento de carbono em Teesside, como o Net Zero Teesside Power e o Northern Endurance Partnership. (Valor Econômico - 02.12.2025)
Brasil: EllaLink expande presença em data center da Telxius
A EllaLink ampliou sua instalação no data center da Telxius em Fortaleza, expandindo espaço físico e capacidade energética para atender ao aumento do tráfego internacional entre Brasil, Europa e África. O movimento fortalece o papel da empresa como ponto crítico de interconexão no Atlântico-Sul, onde opera infraestrutura de acesso aberto e constrói extensões para a Guiana Francesa e a Mauritânia. Fortaleza, maior hub de cabos submarinos das Américas, concentra mais de 16 sistemas e conecta polos como São Paulo e Rio de Janeiro. A Telxius, responsável pelos landing services, também investe na ampliação de suas estações no Brasil e em outros países. Com capacidade atual de 100 Tbps e 6.600 km, a rede EllaLink deve alcançar quase 10 mil km até 2026, reforçando rotas de baixa latência e alta capacidade essenciais ao ecossistema de data centers. (Telesintese - 28.11.2025)
México: Governo anuncia construção do supercomputador Coatlicue
O México lançará o Coatlicue, anunciado como o supercomputador mais poderoso da América Latina, com investimento público de 6 bilhões de pesos (US$ 327 milhões). A construção começa em janeiro de 2026 e deverá durar 24 meses. Segundo a presidente Claudia Sheinbaum, o equipamento colocará o país na vanguarda regional em processamento de dados e aplicações de inteligência artificial, suprindo uma lacuna atual de infraestrutura. Com 14.480 Unidade de Processamento Gráfico (GPUs) e capacidade de realizar trilhões de operações por segundo, desempenho sete vezes superior ao maior supercomputador da região, o projeto deve impulsionar áreas como saúde, clima, energia e mobilidade. O governo também destaca seu papel estratégico em previsões meteorológicas, gestão de desastres, otimização agrícola e energética, além do processamento massivo de dados para combater a corrupção e a evasão fiscal. (Correio do Povo - 27.11.2025)
Políticas Públicas e Regulatórias
Brasil: Abinee pede aprovação do ReData com salvaguardas para evitar importações que prejudiquem a indústria nacional
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica Eletrônica (Abinee) defendeu a rápida aprovação da política industrial Regime Especial de Tributação para serviços de Data Center (ReData), considerada essencial para o setor eletroeletrônico, mas alertou que seus incentivos fiscais devem ser limitados a itens sem produção nacional. A entidade teme brechas que permitam a importação de equipamentos já fabricados no Brasil, caso o programa adote classificações genéricas ou reduções tributárias indiscriminadas. Em reuniões com o governo, a Abinee propôs que a legislação detalhe os itens elegíveis e siga critérios de similaridade técnica semelhantes aos do ex-tarifário. Também criticou a possível junção do ReData ao Projeto Lei (PL) de inteligência artificial, defendendo tratamento autônomo para evitar complexidades adicionais. A articulação continua no Congresso, com apoio da Frente Parlamentar da Indústria Eletroeletrônica. (Telesintese - 04.12.2025)
Brasil: BNDES lançará em 2026 fundo de investimento para data centers e IA
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende lançar no início de 2026 um fundo dedicado a data centers e inteligência artificial, segundo o diretor de planejamento Nelson Barbosa. O banco estuda aportar entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão, em um modelo semelhante ao fundo de minerais críticos estruturado com a Vale, no qual o BNDES costuma contribuir com 25% do capital inicial ao lado de outro investidor âncora. A medida busca estimular projetos de infraestrutura digital em um cenário de possível queda da Selic, que tende a favorecer investimentos de médio e longo prazo. A iniciativa integra o esforço do banco para ampliar aprovações e desembolsos nos próximos anos, atendendo à demanda crescente do setor e fortalecendo a competitividade tecnológica brasileira. (Valor Econômico - 01.12.2025)
Brasil: BNDES aprova R$ 200 milhões para expansão de data centers da Scala
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) autorizou um novo financiamento de R$ 200 milhões à Scala Data Centers para aquisição de máquinas, sistemas industriais e componentes de informática, além de serviços técnicos nacionais e equipamentos especializados sem equivalente no Brasil. A empresa, que opera 13 data centers e mantém projetos em vários estados, utiliza o aporte para acelerar sua expansão, modernizar ambientes de alta densidade e atender à crescente demanda por computação em nuvem, Inteligência Artificial (IA) e machine learning. Com investimentos superiores a R$ 12 bilhões e mais de 300 MW de capacidade instalada e em desenvolvimento, a Scala mantém destaque regional com o Campus Tamboré, maior da América Latina, e com a futura AI City em Eldorado do Sul, projetada para suportar cargas intensivas de IA e consolidar infraestrutura crítica para a nova era digital. (Agência CanalEnergia - 01.12.2025)
Brasil: Debate jurídico sobre uso de dados jornalísticos por IA expõe riscos ao setor de mídia
O artigo discute o conflito crescente entre empresas de tecnologia e veículos de imprensa diante do uso de conteúdo jornalístico para treinar sistemas de Inteligência artificial (IA), prática que pode reduzir a audiência e comprometer a sustentabilidade financeira do jornalismo. Casos como Penske Media versus Google evidenciam a tensão entre a democratização do acesso à informação e o impacto sobre modelos de negócio que dependem de tráfego e publicidade. No Brasil, a legislação tende a proteger mais rigidamente direitos autorais do que o fair use dos Estados Unidos, favorecendo os detentores de conteúdo. A União Europeia oferece um modelo intermediário de opt-out, que exigiria forte regulamentação e fiscalização se adotado no país. O autor defende políticas equilibradas que preservem a inovação sem fragilizar o jornalismo, propondo revisões periódicas das normas de IA para mitigar riscos à informação qualificada e ao espaço público. (Telesintese - 01.12.2025)
Brasil: País acelera políticas e investimentos para disputar liderança regional em data centers de IA
O Brasil avança para se tornar um dos principais hubs latino-americanos de data centers voltados à Inteligência Artificial (IA), impulsionado por energia renovável abundante, cabos submarinos e políticas como o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), que reduz tributos para importação de equipamentos. Hoje, 60% dos dados corporativos brasileiros são processados no exterior, mas iniciativas como a instalação de cinco data centers na Zona de Processamento de Exportação de Pecém (R$ 571 bilhões) e incentivos estaduais ampliam a atratividade do país. A demanda global reprimida para IA chega a 4 GW em 2025 e pode atingir 95 GW até 2030, estimulando empresas como Ascenty, Cirion, Equinix e Scala a expandirem capacidade. Os projetos incluem desde hubs de conectividade no Rio até megaestruturas no RS com potencial de 5 mil MW. O governo também fortalece a pesquisa com o Sinapad e amplia interconexões por meio da RNP. (Valor Econômico - 28.11.2025)
Azerbaijão: UIT aprova Plano de Ação de Baku para ampliar infraestrutura digital global até 2029
Os Estados-Membros da União Internacional de Telecomunicações aprovaram em 28 de novembro de 2025 o Plano de Ação de Baku, que servirá como roteiro mundial para expandir a conectividade de 2026 a 2029, com foco especial em países em desenvolvimento, regiões remotas e grupos vulneráveis. A iniciativa responde ao fato de 2,2 bilhões de pessoas ainda estarem offline e orienta políticas e ações multilaterais para inclusão digital centrada no ser humano. O documento reúne novas resoluções, diretrizes para o UIT-D e recomendações sobre qualidade da conectividade, acessibilidade, habilidades digitais e segurança. Também foram lançados relatórios atualizados e projetos multilaterais, incluindo iniciativas para vilas inteligentes na Ásia-Pacífico, capacitação em comunicações por satélite e programas de empoderamento digital, reforçando o compromisso global em reduzir desigualdades tecnológicas. (Telesintese - 28.11.2025)
Brasil: Data center do TikTok recebe autorização para consumo hídrico sete vezes maior que o previsto
A Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará autorizou o data center do TikTok, em construção em Caucaia, a utilizar 144 mil litros de água por dia, volume sete vezes superior ao declarado no licenciamento inicial. A decisão, baseada apenas em uma declaração da empresa responsável, gerou críticas diante do histórico de seca da região, que enfrentou emergência hídrica em 16 dos últimos 21 anos. Especialistas e entidades apontam risco à segurança hídrica, possíveis violações das políticas estadual e federal de gestão da água e falta de avaliação técnica adequada. Órgãos estaduais argumentam que a outorga representa apenas uma cota máxima e não o consumo real projetado, enquanto a construtora afirma que os valores correspondem à vazão permitida de um dos poços que abastecerão o empreendimento. (TecMundo - 28.11.2025)
EUA: Lançamento da Genesis Mission impulsiona supercomputação e infraestrutura de dados
O governo dos Estados Unidos (EUA) lançou a Genesis Mission por meio de uma ordem executiva assinada pelo Presidente Donald J. Trump em 24 de novembro de 2025, estabelecendo um esforço nacional para transformar a pesquisa científica com o uso de Inteligência Artificial (IA). A iniciativa mobiliza os Laboratórios Nacionais do Departamento de Energia para integrar supercomputadores, vastos conjuntos de dados e pesquisadores em uma única plataforma de experimentação fechada, destinada a criar modelos fundamentais e operar laboratórios robóticos. O plano também envolve coordenação federal ampla para unificar infraestrutura de dados e colaborar com academia e setor privado. Com forte dependência de poder computacional e centros de dados avançados, a missão busca acelerar descobertas em áreas como biotecnologia, materiais críticos, energia nuclear, exploração espacial e semicondutores. Inserida em uma série de decisões recentes para fortalecer a liderança dos EUA em IA, a medida visa ampliar a produtividade científica e reverter a estagnação em pesquisa e desenvolvimento. (White House - 24.11.2025)
União Europeia: Comissão lança pacote digital para reduzir burocracia e impulsionar inovação
O novo pacote digital da Comissão Europeia promete diminuir drasticamente a carga administrativa das empresas, permitindo que dediquem mais tempo à inovação e expansão. O “digital omnibus” simplifica regras de Inteligência Artificial (IA), cibersegurança e dados, ajusta prazos do AI Act e amplia facilidades para pequenas e médias empresas, enquanto centraliza a supervisão de sistemas de IA. O pacote também unifica obrigações de reporte de incidentes de segurança, moderniza normas de privacidade e regular ulteriormente “banners” de “cookies”. A estratégia de Data Union reforça a soberania de dados e amplia o acesso a conjuntos de dados de alta qualidade para IA. (Comissão Europeia - 18.11.2025)
Global: Data centers oceânicos e espaciais ganham força como solução energética
Estudo da GlobalData indica que data centers instalados em oceanos ou no espaço podem aliviar a crescente crise energética, oferecendo resfriamento natural, acesso à energia renovável e maior flexibilidade de implantação. Projetos-piloto em várias regiões já demonstram a viabilidade de unidades subaquáticas modulares, como o primeiro data center comercial da China, que utiliza energia eólica offshore e resfriamento por água do mar, alcançando alta eficiência energética. Paralelamente, data centers espaciais exploram frio extremo e energia solar abundante para computação avançada, impulsionados por lançamentos mais baratos e foguetes reutilizáveis. Embora ainda experimentais, essas infraestruturas prometem expandir significativamente a capacidade computacional na próxima década. (Agência CanalEnergia - 28.11.2025)
Oferta de Energia Elétrica
Brasil: Especialistas pedem ajustes legais e estruturais para sustentar expansão energética e atender novas demandas digitais
Em debate promovido pela Folha, especialistas alertaram que, apesar da liderança brasileira em energia limpa, o país carece de aperfeiçoamentos legais e de infraestrutura para aproveitar plenamente seu potencial e enfrentar riscos como apagões por sobrecarga. Representantes da CNI, CCEE e Tupy defenderam políticas mais integradas, certificação robusta da energia renovável para evitar greenwashing e revisão do modelo tarifário, hoje um dos mais caros do mundo. Também ressaltaram a necessidade de uma política de Estado que coordene diferentes fontes energéticas diante do avanço da geração distribuída e da crescente demanda industrial e tecnológica, incluindo data centers e aplicações de inteligência artificial, que pressionam a rede. A integração de múltiplos combustíveis, planejamento centralizado e regulação moderna surgem como pontos-chave para garantir segurança, eficiência e competitividade na transição energética brasileira. (Folha de São Paulo - 04.12.2025)
EUA: Deep Atomic propõe primeiro campus de data center alimentado por SMR
A desenvolvedora de reatores modulares pequenos (SMRs) Deep Atomic apresentou ao Departamento de Energia dos Estados Unidos (EUA) uma proposta para construir o “primeiro” campus nuclear totalmente integrado destinado a cargas de Inteligência Artificial (IA), no Idaho National Laboratory. O projeto, conduzido por um consórcio de empresas, prevê início das operações em 24 a 36 meses com energia da rede, geotérmica e solar, enquanto o SMR MK60 avança em certificação e fabricação. O MK60, projetado especificamente para cargas de IA e HPC, combina 60 MW elétricos com 60 MW de capacidade integrada de resfriamento, além de 200 MW térmicos, prometendo eficiência inédita e replicabilidade para campi de computação de alta escala. Caso aprovado, o local funcionará como demonstração nacional de infraestrutura nuclear para data centers, com possibilidade de expansão modular por novos reatores e blocos de tecnologia da informação. (Data Center Dynamics - 02.12.2025)
EUA: Startups nucleares atraem bilhões para suprir demanda energética de data centers de IA
Investidores estão impulsionando o valor de startups nucleares pouco testadas, como a texana Fermi America, motivados pela expectativa de apoio regulatório do governo Trump em meio à crescente demanda energética dos data centers de inteligência artificial. A Fermi, fundada por aliados políticos do presidente, tornou bilionários seus sócios meses após solicitar autorização para construir o “Campus Donald J. Trump de Energia Avançada e Inteligência”, apesar de não possuir histórico técnico ou operacional. Outras empresas próximas ao governo, como Oklo, General Matter e Valar Atomics, também captam capital e avançam em processos regulatórios, superando concorrentes tradicionais. A estratégia do governo de flexibilizar revisões de segurança alimenta críticas de especialistas e provoca ações judiciais de estados conservadores. Embora as startups prometam reatores mais baratos e rápidos, o histórico de atrasos e estouros de orçamento da indústria levanta dúvidas sobre a viabilidade das metas, especialmente frente à urgência energética da infraestrutura digital. (Folha de São Paulo - 29.11.2025)
Inovação e Tecnologia
Brasil: Zilia investe R$ 1 bi para ampliar produção de chips voltados a IA e data centers
A Zilia Technologies anunciou mais de R$ 1 bilhão em investimentos até 2030 para expandir sua unidade em Atibaia (SP) e acelerar projetos de pesquisa e desenvolvimento focados em tecnologias para Inteligência Artificial (IA) e data centers. A empresa ampliará a área fabril para 23 mil m² e avança na execução de R$ 675 milhões já previstos, reforçando seu papel central no ecossistema nacional de semicondutores. Fundada em 2005, a Zilia reativou a produção de chips no país e segue como referência no PADIS. Com 700 colaboradores e novas contratações previstas, a companhia mira memórias de alta performance, como HBM, e SSDs corporativos, componentes estratégicos para cargas de IA. Também observa oportunidades do programa Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (ReData) para incentivar a fabricação local de servidores e memórias. (Telesintese - 04.12.2025)
Reino Unido: ABB investe na OctaiPipe para turbinar eficiência energética de data centers com IA avançada
A ABB adquiriu participação minoritária na OctaiPipe, startup britânica que desenvolve Inteligência Artificial (IA) especializada em otimizar sistemas de resfriamento de data centers. A parceria busca reduzir drasticamente o consumo de energia, fortalecer a resiliência operacional e atender à crescente pressão por sustentabilidade. A OctaiPipe utiliza tecnologias como aprendizado federado, reforço multiagente e gêmeos digitais para ajustar o resfriamento em tempo real, com processamento feito no próprio local para maior controle de dados. Segundo a ABB, a necessidade é urgente: até 2030, os Estados Unidos podem consumir mais eletricidade para processamento de dados do que para fabricar todos os bens intensivos em energia. A aliança inclui um roadmap de desenvolvimento conjunto para ampliar confiabilidade e desempenho, reforçando o avanço da ABB no mercado global de infraestrutura para IA. (Data Center Dynamics - 04.12.2025)
China: Startup lança chip de inteligência artificial que desafia domínio da NVIDIA em data centers
A chinesa CL Tech revelou o “Chana”, um novo processador de inteligência artificial projetado como uma GPTPU — um ASIC dedicado a redes neurais — que promete desempenho até 1,5 vez superior ao da NVIDIA A100, consumindo 30% menos energia e oferecendo custo computacional significativamente reduzido. Impulsionado por uma equipe de engenheiros formados no exterior e experientes em empresas como Google, Samsung e Oracle, o projeto integra a estratégia chinesa de autossuficiência tecnológica diante das restrições de exportação ocidentais. Embora o Chana supere um chip de 2020 e ainda esteja distante das séries H100 e Blackwell, ele surge como alternativa crucial para data centers chineses limitados pelo acesso ao hardware mais moderno. A produção em massa deve ficar a cargo da SMIC, possivelmente usando processo de 7 nm. (TugaTech- 28.11.2025)
EUA: Reforma regulatória acelera aprovação de químicos para data centers
O governo Trump está agilizando a análise de novos produtos químicos usados em data centers, abrindo espaço para a rápida liberação de substâncias potencialmente nocivas, como compostos PFAS, conhecidos como “químicos eternos”. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA/EUA) afirma manter o rigor científico, mas ex-integrantes alertam para a pressão da indústria de semicondutores e de tecnologias de resfriamento, especialmente o resfriamento por imersão, que reduz custos e consumo energético, mas pode gerar impactos ambientais e à saúde. A corrida por competitividade em inteligência artificial, chips e infraestrutura crítica impulsiona o debate sobre até que ponto a aceleração regulatória deve avançar diante dos riscos associados. (Olhar Digital- 26.11.2025)
EUA: Claude Opus 4.5 impulsiona agentes de IA para automatizar infraestruturas digitais
A Anthropic lançou o Claude Opus 4.5, novo modelo de inteligência artificial de ponta focado em codificação, agentes e uso direto de computador, com desempenho de nível superior em engenharia de software, automação em planilhas e tarefas longas e complexas. O modelo supera versões anteriores e concorrentes em benchmarks como SWE-bench, τ2-bench e Terminal Bench, resolvendo bugs multissistema, planejando refatorações amplas e operando fluxos autônomos por dezenas de minutos com menos falhas e menor uso de tokens. Disponível em apps, API e grandes nuvens, ele traz preço reduzido, novo parâmetro de “esforço” para equilibrar custo e qualidade, melhor visão e matemática, além de avanços de segurança contra prompt injection e comportamentos desalinhados, o que o torna candidato central para orquestrar agentes que administram infraestruturas digitais, inclusive ambientes de nuvem e data centers. (Anthropic- 24.11.2025)
Global: Google lança Gemini 3 com foco em raciocínio, multimodalidade e agentes para tarefas complexas
O Google apresentou o Gemini 3, descrito como seu modelo mais inteligente e o primeiro da empresa lançado simultaneamente em toda a pilha de produtos, de Search à Vertex AI. A nova geração aprofunda a capacidade de raciocínio, compreensão multimodal e uso de ferramentas, superando amplamente benchmarks anteriores e liderando rankings como o LMArena. O Gemini 3 Pro chega em prévia com desempenho de ponta em matemática, ciência, vídeo e factualidade, enquanto o modo Deep Think eleva ainda mais o raciocínio avançado, com resultados recordes em exames como ARC-AGI-2. Voltado para aprender, construir e planejar, o modelo atua como parceiro cognitivo, capaz de sintetizar conteúdos complexos, operar de forma agentic em plataformas como o novo Google Antigravity e executar fluxos longos de decisão. (Google - 18.11.2025)
Global: Novo marco para medir AGI expõe lacunas cognitivas profundas em sistemas de IA atuais
Pesquisadores propuseram uma definição quantificável de Inteligência Artificial Geral (AGI) baseada na cognição de um adulto bem-educado e estruturada pelo modelo Cattell-Horn-Carroll, referência empírica na psicometria humana. A abordagem decompõe a inteligência em dez domínios cognitivos, como raciocínio, memória e percepção, e adapta testes psicométricos para avaliar Inteligências Artificiais (IAs). A aplicação da metodologia revela perfis cognitivos irregulares em modelos atuais: apesar do bom desempenho em tarefas baseadas em conhecimento, eles falham em capacidades fundamentais, especialmente na memória de longo prazo. As pontuações estimadas, como 27% para o GPT-4 e 57% para o GPT-5, quantificam o avanço acelerado, mas também evidenciam a distância significativa que ainda separa a IA contemporânea de uma AGI plena.(ARXIV- 23.10.2025)