Transição Energética 99
Dinâmica Internacional
Artigo de Wendel Trio: “Um roadmap da UE para eliminar combustíveis fósseis”
Em artigo publicado no EnergyTransition.org, Wendel Trio (ex-diretor da Climate Action Network Europe) defende que, após a falha da COP30 em avançar significativamente na eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, a União Europeia deveria liderar pelo exemplo e desenvolver seu próprio roteiro de transição para a eliminação do carvão, petróleo e gás. O autor destaca, todavia, que, apesar de ter se posicionado fortemente a favor da inclusão de um roadmap global na declaração final da conferência, a própria contribuição da UE ainda é se mostra insuficiente. A UE comprometeu-se a reduzir suas emissões em pelo menos 66,25% até 2035 em relação a 1990, o que equivale a apenas 54% em comparação com 2019 — abaixo da média global necessária de 60% para manter o aquecimento abaixo de 1,5°C. Segundo o autor, isso não condiz com a responsabilidade histórica e capacidade financeira da UE, que exigiriam metas mais ambiciosas. O texto critica a ausência de compromissos específicos da UE sobre o fim da produção e consumo de combustíveis fósseis e cobra que o bloco europeu estabeleça prazos concretos, planos de ação e políticas para viabilizar essa transição, incluindo o setor de energia, indústria, agricultura e florestas. (EnergyTransition.org – 03.12.2025)
China: Relatório do CREA aponta falta de compromisso para redução do carvão
O Centro de Pesquisa de Energia e Ar Limpo (CREA, na sigla em inglês) publicou o “China’s Climate Transition: Outlook 2025”. O relatório aponta que, em 2025, a China aproximou-se de uma trajetória compatível com o Acordo de Paris, com emissões de CO₂ estabilizadas e reduções já visíveis nos setores elétrico e de transportes, impulsionadas pelo avanço recorde das renováveis, da eletrificação e do armazenamento em rede. Apesar desse progresso estrutural, o país não cumprirá metas centrais do 14º Plano Quinquenal, incluindo a redução da intensidade de carbono e o compromisso de “controlar estritamente” o crescimento do consumo de carvão e de novas térmicas. Ainda, a omissão, na nova NDC e nas diretrizes do próximo plano, de um compromisso claro de queda do carvão entre 2026 e 2030 aumenta o risco de um novo pico de emissões após dois anos de estabilidade. A China apresentou seus primeiros alvos absolutos de redução sob o Acordo de Paris, mas com ambição limitada: as emissões deverão cair a partir de um “nível de pico” não especificado, permitindo crescimento no curto prazo. Ainda assim, o dinamismo econômico da cadeia de energia limpa, que ganhou significância tanto a nível nacional quanto provincial, tende a sustentar a expansão renovável e a viabilizar reduções estruturais de emissões. (Centre for Research on Energy and Clean Air – 04.12.2025)
Colômbia: Relatório da Ember analisa estratégias para reduzir dependência do gás na transição energética
A Colômbia deverá enfrentar um déficit estrutural de gás a partir de 2030, quando a produção doméstica e a capacidade de importação não conseguirão suprir a demanda crescente. O país, que promove o gás desde os anos 1990, tornou-se dependente de um insumo agora em declínio, ampliando riscos à segurança energética. O relatório da Ember e Transforma mostra que esse déficit chegará a 14.556 Giga British Thermal Unit (GBtu) em 2030 e poderá atingir 1,2 milhão de GBtu acumulados até 2038. Para reduzir essa vulnerabilidade, o estudo aponta duas frentes principais: eficiência energética na indústria e eletrificação do setor residencial. Melhorias em processos industriais poderiam cortar mais de 14.000 GBtu já em 2030, enquanto a substituição de 10% dos fogões a gás por modelos elétricos, somada à troca de aquecedores, evitaria o aumento da demanda residencial. No total, essas medidas permitiriam reduzir 21.545 GBtu em 2030, evitando importações de US$ 190 milhões. Para viabilizar essa transição, recomendam-se políticas de substituição tecnológica, incentivos à eletrificação, planejamento integrado de oferta e demanda e limites à expansão da infraestrutura fóssil. O estudo conclui que reduzir o uso do gás não só mitiga riscos, mas abre caminho para um sistema energético mais competitivo e alinhado à transição justa. (Ember – 04.12.2025)
Editorial Valor Econômico: “Trump quer rebaixar meta de economia de gasolina estabelecida por Biden”
O editorial publicado pelo Valor Econômico trata da decisão do governo Donald Trump de reduzir drasticamente os padrões de economia de combustível para carros novos, revertendo metas mais rígidas estabelecidas por Joe Biden e facilitando a permanência e a venda de veículos a gasolina. A NHTSA aprovou para 2031 um consumo máximo de 14,64 km/l, muito abaixo dos 21,4 km/l previstos anteriormente, o que diminui a pressão por veículos elétricos e deve gerar economias bilionárias às montadoras, estimadas em US$ 35 bilhões até 2031. A proposta também elimina negociações de créditos ambientais e subsídios ligados à eficiência energética. A medida gerou críticas, como as do governador da Califórnia, que alerta para maiores gastos com combustível e piora da poluição, enquanto executivos de grandes montadoras celebraram maior flexibilidade e “acessibilidade” ao consumidor. (GESEL-IE-UFRJ – 03.12.2025)
Filipinas: Parceria com o Reino Unido para acelerar a transição energética
O Reino Unido e as Filipinas lançaram o Philippines Country Fund, dentro do programa britânico de parcerias para acelerar transições climáticas (UK PACT), para acelerar a transição energética filipina por meio de assistência técnica e fortalecimento institucional. A iniciativa prioriza eólica offshore, planejamento marinho, ferramentas avançadas de planejamento elétrico e expansão de microgrids em áreas remotas. O foco no setor energético está alinhado às metas nacionais: atingir 35% de renováveis até 2030, 50% até 2040 e participação majoritária até 2050, além da redução de 75% das emissões até 2030. Entre as ações iniciais, o fundo atualizará o modelo de precificação da eólica offshore para aprimorar os leilões de energia, avaliará infraestrutura e prontidão de desenvolvedores, introduzirá planejamento espacial marinho para orientar o uso sustentável do território marítimo, e criará uma ferramenta de simulação de custos do sistema elétrico. Ainda, a aceleração de microgrids busca ampliar o acesso à energia e promover desenvolvimento econômico inclusivo. Segundo a embaixadora Sarah Hulton, uma matriz renovável diversificada reduz emissões, diminui custos, aumenta resiliência e abre espaço para novas indústrias sustentáveis. Autoridades filipinas apoiaram a iniciativa, destacando seu potencial transformador no setor energético. (Power Technology – 03.12.2025)
PwC: Publicação de índice que analisa progresso dos países na transição energética
Uma nova análise da PwC, em parceria com a Oxford Economics, avalia o progresso dos países do G20 na transição para energia limpa por meio do “Changing Energy Order Index”, que considera avanços, capacidade de investimento, estabilidade, recursos e ambição política. O estudo mostra que cada país trilha uma transição distinta. Entre os advanced extractors (Austrália, Canadá, EUA e Arábia Saudita), ricos em combustíveis fósseis e capital, a transição depende de políticas industriais e diversificação, sem demonizar o papel temporário dos fósseis. Os policy drivers (França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido) avançaram graças a forte apoio público, mas precisam equilibrar descarbonização com segurança energética. Já os coal-fired emergers (China, Índia e Indonésia), dependentes de carvão, têm grande peso global e devem adotar gás como solução de curto prazo enquanto expandem a infraestrutura renovável. Para acelerar o ritmo, a PwC recomenda que governos fortaleçam resiliência de curto prazo, incluindo estabilidade da rede e armazenamento, enfatizem ganhos econômicos da transição, reforcem o caráter de segurança energética da diversificação, tornem regulações mais ágeis e ampliem mecanismos de blended finance para reduzir riscos e atrair capital internacional. (Pwc – 03.12.2025)
Ucrânia: Políticas para acelerar a geração solar distribuída reforçam segurança energética
O relatório da Agência Internacional de Energia sobre opções de política para acelerar a geração solar distribuída na Ucrânia parte do colapso recente da capacidade despachável do país, que caiu de cerca de 38 GW antes da invasão russa em 2022 para 12 GW após os ataques de 2024, com recuperação parcial de 3 GW até o fim de 2024. Nesse contexto de guerra e reconstrução, a energia solar fotovoltaica distribuída, combinada ao armazenamento em baterias, é apresentada como solução de rápida implementação, custo competitivo e alta contribuição à resiliência da rede, reduzindo a vulnerabilidade a ataques centralizados. A descentralização da geração é vista também como eixo para alinhar a resposta emergencial de segurança energética às metas de longo prazo do país, expressas no Plano Nacional de Energia e Clima 2030 e na Estratégia Energética 2050. O estudo descreve o cenário regulatório atual e propõe três caminhos de política pública para ampliar a capacidade de solar distribuída, em linha com a trajetória sugerida pelo relatório “Empowering Ukraine through a Decentralised Energy System”, que indica como modernizar e tornar mais robusto o setor elétrico ucraniano.(IEA – 04.12.2025)
WEF: Economia verde deve passar dos US$ 7 trilhões anuais nesta década
O Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) divulgou uma Pesquisa na qual mostra que empresas de diversos setores estão se beneficiando do crescimento da economia verde. O Boston Consulting participou da elaboração do relatório intitulado “Um Mercado Multibilionário: Um Guia para CEOs sobre o Crescimento na Economia Verde”. A publicação revela que a economia verde já atingiu US$ 5 trilhões por ano e está a caminho de ultrapassar US$ 7 trilhões nesta década. A COP 30 lançou plataforma para impulsionar a economia verde em micro e pequenas empresas. A pesquisa indica que o investimento em tecnologias verdes continua a atingir níveis recordes, apesar da incerteza econômica e das mudanças ambientais. Segundo o relatório, a economia verde é um dos setores de crescimento mais rápido do mundo. O setor de tecnologia é o único que está à frente. Além disso, o relatório destaca as vantagens desfrutadas por muitas empresas que adotam soluções limpas. (Agência CanalEnergia - 02.12.2025)
Nacional
Absolar: Brasil vira 4º maior mercado global de energia solar
O Brasil consolidou-se como o 4º maior mercado de energia solar do mundo após adicionar 18,9 GW de potência fotovoltaica em 2024, ultrapassando 55 GW instalados e respondendo por 22,2% da matriz elétrica, segundo Solar Power Europe e Absolar. O avanço evitou 66,6 milhões de toneladas de CO₂ e ampliou a relevância da manutenção de inversores, equipamentos críticos para o desempenho dos sistemas fotovoltaicos. Bruno Bueno, CEO da Ozora Soluções, destaca que falhas por superaquecimento, sujeira, conexões frouxas e firmware desatualizado comprometem geração e segurança, tornando a manutenção preventiva essencial para prolongar a vida útil e reduzir perdas. Com 3 milhões de sistemas residenciais em operação e 20,8 GW instalados em GD, cresce a demanda por diagnóstico avançado, reparos em nível de componente e práticas alinhadas à economia circular, que evitam descartes prematuros e reduzem custos, reforçando a confiabilidade da energia solar no país. (Valor Econômico - 04.12.2025)
Aneel: Redução de 21,9% no valor de referência de O&M para usinas solares em sistemas isolados
A Aneel aprovou a redução de 21,9% no valor de referência para o custo de operação e manutenção de centrais fotovoltaicas, que passa de R$ 11.267,89/MWh (jun/2025) para R$ 9.233,09/MWh (base set/2025). A revisão reflete a queda contínua dos custos de implantação e manutenção da energia solar e resulta de consulta pública seguida de análise técnica. O índice serve como parâmetro para o reembolso via Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) em sistemas isolados, e a atualização busca otimizar o uso dos recursos, garantir modicidade tarifária e preservar a sustentabilidade e qualidade dos serviços de geração nessas regiões. (Agência Eixos – 03.12.2025)
Artigo de Laercio Aniceto Silva: “Brasil na vanguarda da transição energética global”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Laercio Aniceto Silva (superintendente de negócios da Fundação CERTI) trata do papel estratégico que a COP 30 em Belém conferiu ao debate sobre sustentabilidade e transição energética no Brasil, destacando que o tema tornou-se central para o desenvolvimento econômico, climático e competitivo do país. Ele descreve a transição energética como um processo sistêmico guiado pelos “4Ds”, descarbonização, digitalização, descentralização e democratização, e observa que, embora o Brasil possua matriz elétrica majoritariamente renovável e vasto potencial solar e eólico, ainda enfrenta desafios como dependência de térmicas, limites na transmissão, expansão da demanda e falta de infraestrutura para mobilidade elétrica. O autor defende fortalecer cadeias produtivas nacionais, qualificar mão de obra e integrar políticas públicas, inovação e planejamento de longo prazo para que o país exerça liderança global em energia limpa, incluindo hidrogênio verde, bioenergia e exportação de energia sustentável. (GESEL-IE-UFRJ – 04.12.2025)
Brasol: Captação de R$ 200 milhões para projetos de GD
A Brasol contratou R$ 200 milhões em financiamento do BNDES para ampliar seus projetos de geração distribuída, com foco na instalação de usinas solares em diversos estados e na promoção de impactos econômicos e sociais relevantes. O aporte, proveniente das linhas Máquinas Verdes (Fundo Clima) e Máquinas e Serviços (Finame), será destinado à aquisição de equipamentos nacionais de alta eficiência, fortalecendo a estratégia da empresa, que tem Siemens e BlackRock como acionistas, de expansão no setor. A companhia também mantém investimentos em sistemas de armazenamento por baterias, buscando encerrar o ano com 100 MWh instalados, apoiada em um plano de investimentos de R$ 150 milhões. (Agência CanalEnergia – 04.12.2025)
MME: Governo define integrantes do GT de Eólicas Offshore
O Ministério de Minas e Energia nomeou representantes de 23 órgãos e entidades federais para compor o Grupo de Trabalho de Eólicas Offshore, criado pelo CNPE para coordenar estudos e estabelecer diretrizes para o desenvolvimento da geração eólica marítima no Brasil. A coordenação ficará a cargo de Karina Araújo Sousa, do próprio MME, com Natalia Hoffmann Ramos como suplente. O grupo reúne ministérios como Fazenda, Indústria e Comércio, Portos e Aeroportos, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, além da Casa Civil, Aeronáutica e Marinha. Agências reguladoras como Aneel, Anatel, Antaq e ANP, além da EPE, Ibama, ICMBio, ONS, BNDES e representantes dos estados, também integrarão o colegiado. A Portaria nº 166/2025 determina que todos os membros assumem imediatamente suas funções, entrando em vigor na data de sua publicação. (Agência CanalEnergia - 05.12.2025)
Petrobras: Construirá usina solar de 12 MW em refinaria no PE
A Petrobras anunciou a implantação de uma usina solar de 12 MW na Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, capaz de suprir cerca de 10% do consumo mensal de energia elétrica da unidade. Segundo a presidente Magda Chambriard e o gerente executivo Fernando Casa Nova, a capacidade equivale ao abastecimento de até 50 mil residências, reforçando a estratégia de incorporar geração renovável em operações industriais, incluindo futuras instalações solares nas refinarias Reduc e Regap. O anúncio ocorreu durante apresentação sobre a ampliação da capacidade de processamento da RNEST, projetada para atender 17% da demanda nacional de diesel. Considerada a refinaria mais moderna da Petrobras, a unidade se destaca por alto nível de automação, tecnologias de descarbonização, eficiência energética e segurança operacional, alinhando expansão produtiva e transição energética. (Agência CanalEnergia – 01.12.2025)
Porto do Açu mira expansão em minerais críticos e combustíveis verdes para a transição energética
O Porto do Açu busca ampliar sua atuação na cadeia de minerais críticos, negociando com empresas e governos de Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e Espírito Santo para atrair cargas ligadas à transição energética, como terras raras e cobre. Segundo a Prumo Logística, controladora do porto, a grande disponibilidade de área permite criar estruturas dedicadas e evitar contaminação, reforçando vantagem competitiva. Já consolidado no escoamento de cobre e com histórico na mineração via Ferroport, a Prumo negocia vender sua participação na joint venture, alinhando-se ao perfil de seus controladores EIG e Mubadala. Paralelamente, o porto expandiu o hub de combustíveis limpos, licenciando mais 4,5 milhões de m² para projetos de SAF, e-metanol e bioGNL, com expectativa de produção inicial em 2028. O Açu também busca novos mercados, como a Índia, e monitora impactos das tensões tarifárias globais. Hoje, movimenta cerca de 40% do petróleo exportado pelo país. (Agência Eixos – 02.12.2025)
Senai-RN: Abertura de edital para planta-piloto de eólica offshore
O Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis e a DOIS A Engenharia abriram edital para seleção de empresas interessadas em integrar a primeira planta-piloto de eólica offshore do Brasil, projeto já licenciado pelo Ibama e concebido para o mar de Areia Branca (RN). A iniciativa busca formar um arranjo cooperativo multissetorial para desenvolver, nacionalizar e validar tecnologias de construção, logística e instalação de turbinas adaptadas à Margem Equatorial. O cronograma prevê manifestações até 16 de janeiro e início dos trabalhos em 20 de abril, com investimento estimado de R$ 42 milhões na primeira etapa de três anos. A planta terá 24,5 MW, instalada a até 70 metros de profundidade e 4,5 km do Porto-Ilha, em área considerada rasa e distante de recifes e zonas de pesca. O projeto utiliza modelo espanhol da Esteyco, licenciado no Brasil, que permite montar torres em terra e transportá-las por rebocadores, reduzindo custos logísticos. Para o ISI-ER, a iniciativa marca o início da indústria offshore nacional, estimulando conteúdo local, inovação tecnológica e benefícios socioambientais. (Agência CanalEnergia – 01.12.2025)
Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais
ABVE: Eletromobilidade avança em novembro e Brasília assume liderança nacional
O mercado brasileiro emplacou 21.209 veículos eletrificados leves em novembro, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O resultado representa uma queda de 0,75% ante outubro, mas alta de 23,7% frente a 2024, alcançando 9,3% das vendas totais. Pela primeira vez desde 2012, Brasília liderou o ranking mensal, superando São Paulo, com 2.413 emplacamentos, dos quais 87,4% foram modelos plug-in (BEV e PHEV), e participação recorde de 35% nas vendas locais. No país, os plug-in seguiram predominantes, somando 16.943 unidades (79,9%), com os híbridos à frente (9.680), crescendo 2,4% sobre outubro e 39,8% em um ano. Os 100% elétricos recuaram 9,1% no mês, mas avançaram 34,1% na comparação anual. Já os híbridos sem recarga (HEV e HEV Flex) somaram 4.266 unidades, 20,1% do total, ampliando participação e registrando fortes altas anuais, sobretudo entre os HEV, que cresceram 77%. (Agência CanalEnergia - 04.12.2025)
Aliança pela Mobilidade Sustentável: Coalizão é responsável por 1/3 dos eletrificados no Brasil
A Aliança pela Mobilidade Sustentável, criada pela 99 em 2022, consolidou-se como um dos principais impulsionadores da eletromobilidade no Brasil, contribuindo para a inserção de 212 mil veículos eletrificados – o equivalente a 37% da frota nacional estimada pela ABVE. A iniciativa reúne empresas de mobilidade, montadoras, locadoras, instituições financeiras e atores do mercado de carbono, desempenhando papel relevante também na infraestrutura de recarga: cerca de um terço dos pontos públicos instalados no país, aproximadamente 5 mil unidades, foi viabilizado por suas ações. Esse avanço decorre de investimentos superiores a R$ 410 milhões em projetos voltados à eletrificação, com destaque para o uso intensivo por motoristas de aplicativo, considerados estratégicos para acelerar a transição pela alta quilometragem percorrida e ganhos operacionais. A 99, que opera atualmente 34 mil eletrificados em 173 municípios, registra mais de 267 milhões de quilômetros rodados e estima a redução de 31,2 mil toneladas de CO₂, equivalente ao plantio de cerca de 245 mil árvores. (Inside EVs - 05.12.2025)
Áustria: Carregadores ultrarrápidos passam a integrar serviços ancilares e VPP
A ADS-TEC Energy e a Salzburg AG concluíram a pré-qualificação dos carregadores ultrarrápidos ChargePost para participação nos mercados de serviços ancilares da Áustria, permitindo que essas unidades, equipadas com baterias de 201 kWh, integrem o portfólio do virtual power plant (VPP) da utility. Agora, além da função principal de recarga, os equipamentos podem gerar receita adicional ao fornecer reservas positivas e negativas para frequência e tensão, além de publicidade digital. A Salzburg AG, que já opera seu VPP com pequenas hidrelétricas desde 2013, planeja expandir um pool dedicado de baterias, utilizando modelos preditivos para otimizar o equilíbrio entre carregamento veicular e suporte à rede. A ADS-TEC afirma que o modelo é replicável internacionalmente, desde que os mercados ofereçam processos de pré-qualificação adequados. Localizações são definidas com apoio de IA, via plataforma Powerhive. A empresa, que também atua com sistemas BESS, confirmou avanços comerciais na Europa e nos EUA e desenvolve um projeto de 1 GW/2 GWh na Alemanha, estimado para render mais de €230 milhões anuais. Em H1 2025, registrou €14,6 milhões em receita, triplicou serviços e reduziu perdas, após levantar US$ 50 milhões e manter caixa de €37,9 milhões. (Energy Storage – 05.12.2025)
Brasil: Homologação do Eletra Padron impulsiona mobilidade elétrica
A aprovação do ônibus elétrico e-Bus Eletra Padron pela SPTrans marca um avanço relevante na mobilidade sustentável do transporte público brasileiro. Produzido com tecnologia nacional e desenvolvido em parceria com a WEG, o modelo destaca-se pela significativa redução de peso, entre 350 kg e 400 kg, graças ao novo conjunto de baterias e motores de ímã permanente, o que melhora sua eficiência. Com isso, o ônibus alcança autonomia de 255 km e capacidade para até 82 passageiros. Homologado para operar nas exigentes condições de São Paulo, o veículo atende padrões rigorosos de acessibilidade, conforto e desempenho, servindo como referência para outros países latino-americanos. A aprovação permite sua comercialização imediata e fortalece a meta da capital paulista de ampliar sua frota de transporte limpa e eficiente. (Inside EVs – 29.11.2025)
Brasil: Ônibus elétricos disparam 149% e puxam importações de pesados
As importações brasileiras de veículos pesados apresentaram trajetórias divergentes em 2025: enquanto o valor total do setor recuou 8%, chegando a US$ 193,7 milhões, as compras de ônibus elétricos cresceram 149%, impulsionando a eletrificação no transporte de passageiros. Esse comportamento desigual acompanha tendência semelhante observada no mercado de veículos leves eletrificados, no qual diferentes segmentos têm avançado ou recuado conforme condições específicas de competitividade e demanda. No transporte pesado, o contraste é mais evidente entre ônibus e veículos de carga. As importações de caminhões elétricos caíram 38%, atingindo US$ 34,5 milhões, e os ônibus a diesel, ainda majoritários, tiveram leve queda de 3%. Em sentido oposto, os ônibus elétricos ganharam força, refletindo maior pressão por renovação de frotas urbanas e soluções sustentáveis. Esse descompasso, segundo especialistas, indica que a adoção da eletromobilidade avança mais rapidamente onde há incentivos e demandas estruturais mais claras, especialmente nos centros urbanos. (Inside EVs - 04.12.2025)
Bright Consulting: Participação de VEs no mercado de veículos leves chega a 11%
Os veículos eletrificados somaram 24.893 unidades em novembro de 2025, alta de 46,6% ante novembro de 2024, mas queda de 7% frente a outubro, segundo a Bright Consulting. O mercado total de veículos leves registrou 226,4 mil emplacamentos, recuos de 8,8% no mês e 6% em 12 meses. A participação dos eletrificados ficou perto de 11%, acima dos 10,8% de outubro e dos 7% de um ano antes. No acumulado de 2025, são 238,2 mil unidades (+54,8%), equivalentes a 10,5% do mercado. Os modelos híbridos plug-in (PHEVs) lideram, com 8.159 e 32,8% do total. Em seguida, vêm os elétricos a bateria (BEVs), com 7.785 unidades e 31,3% de participação); os híbridos leves (MHEVs), com 4.838 unidades e fatia de 19,4%; e os elétricos híbridos (HEVs) somam 4.111 unidades ou 16% do total. Quanto às marcas, o BYD Dolphin Mini domina entre os BEVs, respondendo por 37% das vendas, e o BYD Song Plus entre os PHEVs, com 30,7%. Já o Fiat Fastback lidera os MHEVs (36,3%) e o Toyota Corolla Cross os HEVs (28,9%). As marcas chinesas chegaram a 10,8% de participação, ligeiramente acima de outubro. (Agência CanalEnergia - 03.12.2025)
China: BYD supera 2 milhões de carros elétricos vendidos e amplia liderança global
A BYD atingiu um marco inédito na indústria automotiva ao superar 2 milhões de veículos elétricos vendidos entre janeiro e novembro de 2025, consolidando-se como nova líder mundial do segmento e ampliando a distância em relação à Tesla. A marca registrou 2,06 milhões de BEVs, alta de 32,7% em um ano, enquanto seus híbridos plug-in recuaram 5,4%. No total, somando passageiros e comerciais, foram 4,18 milhões de eletrificados. Novembro trouxe o melhor resultado mensal do ano, com 480 mil unidades, impulsionadas sobretudo pelos BEVs. O salto mais expressivo veio das exportações, que cresceram 326% em relação a 2024 e já somam 912 mil veículos no ano, aproximando a empresa da marca de 1 milhão de unidades embarcadas. A BYD também se destaca na produção de baterias, que alcançou 258 GWh no acumulado do ano, crescimento de 50,8%. Enquanto isso, modelos como o Dolphin ultrapassam marcos próprios e preparam novas gerações. Projeções indicam que a empresa pode encerrar 2025 com 2,3 milhões de BEVs vendidos, consolidando uma mudança estrutural no mercado global. (Inside EVs – 02.12.2025)
Espanha: Stellantis e CATL iniciam construção de gigafábrica de baterias LFP
A Stellantis e a chinesa CATL iniciaram as obras de uma nova gigafábrica de baterias LFP em Saragoça, Espanha, marco estratégico para reduzir a dependência europeia de fornecedores asiáticos. Parte do joint venture Contemporary Star Energy, o projeto recebe investimento de 4,1 bilhões de euros e terá capacidade de até 50 GWh por ano, produzindo células destinadas a veículos elétricos da plataforma Smart Car. A planta adotará tecnologia cell-to-body, que integra as células diretamente à estrutura do veículo, aumentando eficiência e reduzindo peso. Com mais de 80% da energia proveniente de fontes renováveis, a fábrica deve gerar mais de 4.000 empregos diretos e impulsionar a economia local, contando ainda com apoio de 300 milhões de euros da União Europeia. Prevista para operar no fim de 2026, a unidade reforça o esforço europeu em construir uma cadeia própria de baterias e acelerar a transição para a mobilidade elétrica, apoiada pela transferência tecnológica trazida por parceiros chineses. (Inside EVs – 02.12.2025)
Aurora Lab: Relatório destaca barreiras no transporte de cargas elétrico
A Aurora Lab, na publicação do relatório “Rotas para o Futuro: 100 dias em um caminhão 100% elétrico pelas estradas do Brasil – Dados e Reflexões”, concluiu que a eletrificação do transporte de cargas no Brasil avança, mas ainda enfrenta barreiras estruturais. O estudo, resultado de iniciativa que percorreu 6.060 km em 102 dias com um caminhão 100% elétrico, aponta benefícios ambinetais e custos competitivos da modalidade, que ficaram em cerca de R$ 2,30 por km, valor próximo ao do diesel. Entretanto, entre os principais entraves figuram a baixa autonomia dos pesados, a distribuição desigual e a falta de padronização dos eletropostos, além da fragilidade das redes elétricas em várias cidades. O trabalho recomenda ampliar infraestrutura de recarga, fortalecer redes elétricas e incentivar tecnologias de maior autonomia para viabilizar a descarbonização do transporte em larga escala. (Agência CanalEnergia - 05.12.2025)
Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis
Petrobras: Busca por parceiros para ampliar produção de biodiesel
A Petrobras pretende ampliar sua atuação em biocombustíveis e busca parceiros “relevantes” para crescer na produção de biodiesel e ingressar de forma minoritária no mercado de etanol, afirmou Angélica Laureano, diretora de transição energética, durante o Fórum Técnico PPSA 2025. A estatal adota estratégia semelhante para o biometano, visando consolidar presença em bioprodutos alinhados ao core de óleo e gás. O plano de negócios 2026–2030 prevê US$ 13 bilhões em investimentos, com forte ênfase nesse segmento, refletindo a prioridade da empresa em diversificar a matriz, reduzir emissões e fortalecer cadeias renováveis em parceria com o setor privado. (Valor Econômico - 09.12.2025)
Artigo de Malvin Delgado: “Navegando a transição energética: valor para midstream e offshore”
Em artigo publicado no Inspenet, Malvin Delgado (fundador e CEO da Trustwell Energy) argumenta que a transição energética global não ameaça, mas cria novas oportunidades estratégicas para ativos como tanques, terminais, gasodutos e instalações offshore — tradicionais pilares da indústria fóssil. O autor destaca que, com a incorporação de energia renovável, hidrogênio, captura de carbono e digitalização, esses ativos podem se tornar hubs multifuncionais e resilientes em um futuro de baixo carbono. Para isso, todavia, tanques e terminais precisam adaptar-se para armazenar biocombustíveis, hidrogênio e amônia, com novos materiais e tecnologias de monitoramento. Gasodutos (midstream) estão sendo requalificados para transportar hidrogênio e CO₂, enquanto plataformas offshore integram fontes híbridas de energia, como eólica e solar, reduzindo emissões e custos operacionais. Segundo o autor, estratégias-chave para os operadores incluem, além do reaproveitamento da infraestrutura para novos combustíveis, digitalização e automação, capacitação da força de trabalho, parcerias, integração com metas ESG e governança corporativa. O texto pontua que, apesar de desafios como custos elevados, incertezas regulatórias e questões técnicas, empresas que investirem desde já estarão à frente na transição energética, combinando lucro, resiliência e contribuição climática. Por fim, o autor conclui que a questão não é mais se esses ativos devem evoluir, mas quão rápido podem se adaptar a liderar a nova economia energética. (Inspenet – 02.12.2025)
União Europeia: Comissão anuncia € 5,2 bilhões para acelerar descarbonização e amplia escopo do hidrogênio
A Comissão Europeia anunciou três pacotes de financiamento que somam €5,2 bilhões, provenientes do EU ETS, para impulsionar a descarbonização industrial. O pacote inclui o terceiro leilão do European Hydrogen Bank (€1,3 bi), que pela primeira vez aceitará projetos de hidrogênio eletrolítico de baixo carbono, produzido com eletricidade da rede, desde que reduza 70% das emissões em relação aos combustíveis fósseis. A ampliação ocorre em meio à pressão para eliminar totalmente as importações de gás russo até 2027 e à lentidão do hidrogênio verde, cuja capacidade instalada está muito aquém da meta de 40 GW até 2030. Além disso, a UE lançou a 2025 Net-Zero Technologies call (€2,9 bi) para fortalecer a cadeia de tecnologias limpas e o primeiro leilão de calor industrial limpo (€1 bi), que premiará projetos capazes de substituir fontes fósseis ao menor custo por até cinco anos. As iniciativas buscam reduzir riscos, dar previsibilidade e destravar investimentos diante dos altos custos e da baixa maturidade do mercado de hidrogênio e de soluções industriais de baixo carbono. (Agência Eixos – 04.12.2025)
Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização
ANEEL: Abertura de tomada de subsídios sobre valoração de custos e benefícios da GD
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) abriu a Tomada de Subsídios nº 23/2025 para avaliar estudos internacionais e reunir propostas regulatórias sobre a valoração dos custos e benefícios da geração distribuída (GD), etapa necessária para aplicar o Artigo 17 da Lei nº 14.300/2022, que define regras tarifárias para unidades consumidoras com geração própria. A consulta receberá contribuições entre 4 de dezembro de 2025 e 4 de março de 2026, por meio de formulário no site da agência. Pela Lei nº 14.300/2022, a valoração deve considerar todos os benefícios que as centrais de micro e minigeração distribuída (MMGD) proporcionam ao sistema, enquanto as diretrizes caberiam ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e a metodologia de cálculo à ANEEL — ambos com prazos vencidos há mais de dois anos. Após o fim do período de transição previsto na legislação, as unidades participantes do Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE) passarão a ser faturadas conforme a modalidade tarifária definida para sua classe de consumo. (Canal Solar - 04.12.2025)
Artigo de Hannah Bascom: “Além de novos cabos: o caminho inexplorado para a resiliência da rede”
Em artigo publicado no Utility Dive, Hannah Bascom (CCO da Uplight) propõe um modelo alternativo à implantação de novas capacidades de geração e transmissão para ampliar a resiliência da rede elétrica ante o crescimento acelerado da demanda. O caminho apontado consiste na integração de recursos energéticos distribuídos (REDs) já existentes com estratégias de gestão da demanda — eficiência energética, tarifas variáveis e programas de resposta ao consumo — em uma "pilha de demanda" coordenada, onde as concessionárias podem simular a lógica da oferta (base, intermediária e de pico), oferecendo flexibilidade ao sistema a baixo custo. A autora destaca, entretanto, que, para que essa abordagem funcione, é crucial aumentar a participação dos consumidores, que hoje é mínima. A solução está em programas opt-out, com acionamento automático de dispositivos ou incentivos comportamentais, que ampliam o alcance sem exigir esforço ativo dos clientes — especialmente útil para populações vulneráveis.O texto conclui que a verdadeira resiliência vai além da construção de infraestrutura: exige otimizar os recursos já disponíveis, com tecnologia, coordenação e engajamento, para garantir uma rede elétrica mais rápida, acessível, equitativa e sustentável. (Utility Dive – 01.12.2025)
Artigo de Paula Chimenti e Thiago Felippe Ribeiro: “O Paradoxo Energético da IA”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Paula Chimenti (coordenadora do Centro de Estudos em Estratégia e Inovação (CEEI) do COPPEAD/UFRJ) e Thiago Felippe Ribeiro (global head of Energy na Siemens Software) tratam do aparente paradoxo levantado por Sam Altman, o alto custo energético até de interações educadas com a IA, para discutir como a inteligência artificial, embora aumente significativamente o consumo de eletricidade em data centers globalmente, também pode se tornar uma poderosa aceleradora da transição energética. Os autores mostram que grandes empresas de tecnologia já investem pesadamente em fontes renováveis, armazenamento e contratos de energia limpa para garantir operação estável e cumprir metas climáticas, ao mesmo tempo em que oferecem soluções de IA que ajudam outros setores a reduzir emissões e aumentar eficiência, como manutenção preditiva, detecção de vazamentos, descobertas de novos materiais e otimização energética. Assim, defendem que a IA não deve ser vista apenas como consumidora de energia, mas como motor de descarbonização, e que o verdadeiro dilema não é entre boas maneiras e sustentabilidade, mas entre reagir tardiamente ao aumento do consumo ou liderar a construção de uma infraestrutura energética mais limpa, inteligente e resiliente. (GESEL-IE-UFRJ – 05.12.2025)
EPE: Projeção de até 16 GW em data centers no Brasil até 2038
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta que, até 2038, o Brasil pode acomodar até 16 GW de carga em data centers, dentro de um contexto em que a capacidade global desse tipo de infraestrutura deve subir de 60 GW para 90 GW até 2027, quase 50% de crescimento em dois anos. O PDE trabalha, no cenário superior, com 13 GW adicionais de carga de data centers até 2035, mas já há 26 GW em pedidos de conexão, dentro de um total de 53 GW de novas cargas mapeadas (o restante é de projetos de hidrogênio verde). Segundo o diretor Thiago Ivanoski, o Brasil virou alvo de grandes players globais, como Google, Amazon e Meta, por combinar matriz 90% renovável, 260 GW de capacidade instalada, 180 mil km de linhas de transmissão e um mercado interno em rápida digitalização. Já existem cerca de 6 GW formalizados por portarias e pedidos de acesso – 4 GW reconhecidos pelo MME e 2,2 GW com solicitação de conexão até 2030, o que indica materialização concreta da demanda. O avanço, porém, esbarra no descompasso entre a velocidade de construção dos data centers, que pode levar menos de três anos, e o tempo de implantação de grandes linhas de transmissão, que pode demorar sete anos ou mais. Isso tem levado a EPE, o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Operador Nacional do Sistema (ONS) a planejar reforços estruturais, incluindo cerca de R$ 800 milhões em obras para ampliar a margem de atendimento em regiões estratégicas. Mesmo que apenas 20% a 30% do pipeline se torne realidade, o impacto sobre a demanda elétrica é considerado “impressionante” e já está sendo incorporado às revisões de carga. (Megawhat – 03.12.2025)
Holanda: Armazenamento residencial deve atingir 2,9 GWh em 2025
A eliminação gradual do net-metering está impulsionando rapidamente a adoção de baterias residenciais nos Países Baixos, onde a capacidade instalada total pode atingir 2,9 GWh em 2025, alta de 115% em relação a 2024, segundo o Solar & Storage Trend Report da DNE Research. Somente neste ano, 1,55 GWh devem ser adicionados, com 860 MWh vindos do setor residencial. As projeções indicam aceleração ainda maior: em 2026, o país pode instalar 1,7 GWh em residências, 650 MWh no C&I e 550 MWh em escala utilitária, chegando em 2027 a 4,5 GWh, 1,4 GWh e 1,1 GWh, respectivamente. A década deve fechar com 36,8 GWh de armazenamento distribuído e de grande porte. A adoção cresce mesmo sem subsídios nacionais, ainda restritos à isenção fiscal, e ocorre em contraste com a desaceleração da instalação de painéis solares. Com preços variando de €206/kWh a mais de €1.200/kWh, o relatório aponta que o valor dos sistemas solares passará a depender de integração, controle inteligente e flexibilidade, consolidando o armazenamento como elemento central do novo modelo energético. (Ess News – 24.11.2025)
Impactos Socioeconômicos
África do Sul: Desenvolvimento de competências será o alicerce da transição justa
O sucesso da transição energética da África do Sul dependerá fortemente do desenvolvimento de competências técnicas e profissionais que sustentem novos setores verdes e garantam inclusão social. Durante o Climate Talk 2025, a diretora-geral interina de Higher Education and Training, Thembisa Futshane, destacou que a transição já molda a economia e definirá os empregos acessíveis aos jovens. Segundo ela, parcerias com a Alemanha e com empresas como BMW, Siemens, Bosch e o programa uYilo têm fortalecido o sistema de formação técnica, atualizando currículos, capacitando docentes e ampliando infraestrutura e vivências práticas. Futshane também enfatizou que a transição exige um ecossistema integrado de qualificação e que oportunidades devem chegar a trabalhadores impactados pelo fim gradual do carvão. O governo reforça uma abordagem de transição justa, centrada em não deixar comunidades para trás, especialmente regiões dependentes do carvão. Para isso, criou o JET Skills Desk, responsável por alinhar governo, autoridades setoriais de educação e treinamento (SETAs), instituições de ensino e setor privado na formação de competências em renováveis, eficiência energética, digitalização, manutenção e empreendedorismo. (South Africa Government News Agency – 03.12.2025)
Artigo de Alexandre Heringer Lisboa: “Curtailment: o sapo que pode virar um príncipe.”
Em artigo publicado no LinkedIn, Alexandre Heringer Lisboa trata do enorme volume de energia renovável desperdiçada em 2025 por restrições de escoamento, cerca de 5,6 milhões de MWh apenas em outubro e 41 TWh no acumulado até então, dos quais uma parcela significativa decorre de excesso de oferta, e mostra que, se aproveitada, essa energia poderia produzir aproximadamente 400 mil toneladas de hidrogênio verde, equivalente a 0,4% de todo o hidrogênio mundial ou 40% do hidrogênio de baixo carbono. Ele argumenta que esse “curtailment energético” deveria ser visto como oportunidade para soluções como hidrogênio verde, usinas reversíveis e baterias, defendendo um leilão competitivo de alternativas de armazenamento e uso das sobras, acompanhado de nova regulação, visão sistêmica e inovação. Para Lisboa, a incapacidade de corrigir previamente distorções na geração distribuída agravou o problema e exige agora respostas mais inteligentes, disruptivas e integradas, apoiadas por políticas públicas, incentivos adequados e um mercado de carbono que reflita custos reais, transformando um aparente desperdício em vantagem estratégica. (GESEL-IE-UFRJ – 27.11.2025)
Artigo de Marcelo Souza de Castro: “Deeptechs no Setor de Óleo e Gás e Transição Energética”
Em artigo publicado no Brasil Energia, Marcelo Souza de Castro (diretor da Cepetro da Unicamp) argumenta que deeptechs no setor de Óleo & Gás e Transição Energética enfrentam desafios estruturais no Brasil. O autor pontua que as dificuldades vão além da tecnologia, envolvendo lacunas em gestão e liderança entre empreendedores técnicos, barreiras contratuais com grandes players como a Petrobras, e acesso restrito a financiamento — ainda majoritariamente público. Ele argumenta que a formação empreendedora precisa ser prática, voltada para risco, resiliência e comunicação clara. O mercado, altamente concentrado, impõe exigências contratuais complexas que dificultam a entrada e sobrevivência de startups. Além disso, a internacionalização é essencial para escalabilidade, mas esbarra em barreiras culturais, regulatórias e de financiamento. O texto conclui que superar esses entraves exige formação em gestão, ampliação do capital privado, estratégias específicas de entrada no mercado e mudança na percepção da tecnologia nacional. (Brasil Energia – 02.12.2025)
Artigo de Laurent Bataille: “Eletrificação na Europa poderia poupar € 250 bilhões por ano para reinvestimento na transição energética”
Em artigo publicado no Fórum Econômico Mundial (WEF), Laurent Bataille (vice-presidente executivo da Schneider Electric para a Europa) destaca que acelerar a eletrificação de indústrias, edifícios e transportes poderia gerar € 250 bilhões anuais em economia para a Europa, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis caros, fortalecendo a competitividade e ampliando a soberania energética. Ele enfatiza, todavia, que a estagnação da taxa de eletrificação europeia (21% há uma década) evidencia a urgência de políticas focadas no lado da demanda, com soluções que integrem geração distribuída, armazenamento e digitalização. Na indústria e na construção, tecnologias como controles digitais, energia solar e bombas de calor podem reduzir custos entre 15% e 80%, enquanto a eletrificação do transporte diminui gastos dos usuários e reduz picos de demanda, evitando expansões caras da rede. O autor pontua também que a transição é crucial para sustentar o avanço da inteligência artificial, cujo consumo elétrico pode crescer até 20% na próxima década. No entanto, congestionamentos na rede e lentidão nos licenciamentos ameaçam novos investimentos, exigindo reforço de infraestrutura, expansão renovável e recursos flexíveis. O texto conclui que o continente está diante de uma mudança estrutural: combinar eletrificação e digitalização é vital para eficiência, estabilidade da rede e competitividade global. O desafio agora é transformar potencial tecnológico em ação regulatória e investimento acelerado. (World Economic Forum – 29.12.2025)
Artigo de Paddy Young: “Resiliência deve ser a base da reformulação do sistema energético europeu”
Em artigo do Enlit, o diretor Paddy Young argumenta que a resiliência deve ser o alicerce da transformação energética da Europa, que enfrenta seu maior processo de mudança histórica no setor. O autor destaca que, apesar de investimentos recordes e ambição política, o sistema permanece vulnerável diante de choques de preços do gás, riscos geopolíticos, envelhecimento da infraestrutura e aumento acelerado da demanda elétrica — agravados pelas mudanças climáticas. Ele pondera que o modelo centralizado e baseado em combustíveis fósseis já não atende às necessidades atuais, e que, para garantir segurança energética, competitividade e estabilidade climática, a Europa precisa redesenhar completamente sua arquitetura energética, focando em flexibilidade, descentralização, integração de setores e digitalização. A digitalização, nesse sentido, é vista como chave para a resiliência, por meio de redes inteligentes, monitoramento em tempo real, manutenção preditiva, tarifas dinâmicas e otimização de consumo em nível de dispositivo. Além disso, a integração entre eletricidade e gás é essencial para flexibilidade em momentos de baixa geração renovável. O texto critica a fragmentação regulatória e defende marcos legais neutros em tecnologia, integrados e voltados à inovação. Por fim, o autor alerta que adiar essa transformação trará custos elevados e riscos prolongados, e que os recursos tecnológicos já estão disponíveis. (Enlit – 04.12.2025)
BNEF: Transição energética causa desequilíbrios nas cadeias de metais críticos
O avanço global da transição energética pressiona cadeias de suprimentos de metais críticos, gerando desequilíbrios estruturais que podem limitar os esforços de descarbonização. Segundo o “Transition Metals Outlook 2025” da BloombergNEF, a demanda por cobre, grafite, alumínio, lítio, cobalto e manganês cresce rapidamente diante da expansão de veículos elétricos, armazenamento, redes elétricas e data centers. A China mantém domínio esmagador no refino e processamento desses metais, apesar de iniciativas de diversificação nos EUA, Europa e Sudeste Asiático. Ainda assim, a concentração chinesa no midstream deixa outros mercados vulneráveis a choques de oferta. O cobre é listado como o maior ponto de tensão: entra em déficit estrutural já em 2025, com risco de faltar 19 milhões de toneladas até 2050 sem novos projetos de mineração e reciclagem. Ainda, o grafite tende a entrar em déficit técnico após 2030, enquanto o lítio deve expandir fortemente graças a novos projetos na América do Sul e África, além de maior reciclagem. A análise também enfatiza a importância crescente de intervenções políticas, investimentos e estratégias corporativas no desenvolvimento desse mercado. Além disso, alerta para a necessidade de descarbonizar a produção de metais, já que aço, alumínio e cobre concentram emissões embutidas de projetos eólicos e solares. Sem descarbonização upstream, a transição permanece incompleta. A BNEF mapeia 2.582 empresas de mineração e processamento ligadas à transição energética, somando US$ 386 bilhões em receita em 2024. (BloombergNEF – 04.12.2025)
Global Wind Energy: Demanda de profissionais para setor eólico cresce 50% em 5 anos
O Panorama Global da Força de Trabalho Eólica 2025–2030, elaborado pelo Global Wind Energy Council e pela Global Wind Organisation, projeta que até 2030 serão necessários cerca de 628 mil técnicos para atender à expansão dos parques eólicos, refletindo um aumento de aproximadamente 50% na demanda por profissionais qualificados em apenas cinco anos. Em 2025, já se estima a necessidade de 475 mil técnicos, mas a formação dessa força de trabalho pode levar até uma década, criando potenciais atrasos no desenvolvimento do setor. O relatório alerta para desafios relacionados à disponibilidade de talentos, ao desenvolvimento de habilidades e à preparação das equipes para sustentar a meta global de 2,1 TW instalados. Lideranças do setor, como Ben Backwell e Jakob Lau Holst, reforçam a urgência de investir na capacitação e no alinhamento das estruturas regionais e nacionais de treinamento, garantindo que trabalhadores tenham acesso às competências e informações necessárias para impulsionar a transição energética. (Agência CanalEnergia – 04.12.2025)
União Europeia: Comissão rejeita revisão de projetos de minerais “estratégicos” para a transição energética
A Comissão Europeia rejeitou os 11 pedidos de revisão apresentados por ONGs contra 16 projetos minerais classificados como “estratégicos” para a segurança de suprimento de matérias-primas críticas da transição energética, apesar das alegações de riscos socioambientais. Segundo a Comissão, todos os pontos levantados já haviam sido avaliados no processo de seleção, e caberá aos Estados-membros assegurar o cumprimento integral das normas ambientais — posição criticada por especialistas, que afirmam que isso cria “padrões nebulosos” e dificulta contestação judicial efetiva. Sob o Critical Raw Materials Act, 47 projetos receberam o selo estratégico, garantindo tramitação acelerada, acesso facilitado a financiamento e presunção de interesse público, ainda que muitos não tenham sequer licenças ambientais ou estudos detalhados de impacto. Grupos civis denunciam falta de transparência e engajamento, e sustentam que o rótulo vem sendo usado para impulsionar empreendimentos controversos, como a mina de lítio de Barroso, em Portugal — já alvo de reprimenda da ONU por falhas em participação social. Para advogados e ativistas, o reconhecimento automático de sustentabilidade é quase “cosmético”, favorecendo projetos com alto potencial de danos em nome da autonomia mineral europeia. Embora a Comissão recomende que disputas sejam levadas às cortes nacionais, especialistas afirmam que a fragmentação de responsabilidades mina a proteção ambiental e tende a assegurar a implementação dos projetos. Ainda assim, espera-se que novas contestações cheguem ao Tribunal Geral da UE, especialmente envolvendo projetos localizados fora do bloco, cuja resposta oficial é esperada para janeiro. (Climate Change News – 28.11.2025)