Transição Energética 115
Dinâmica Internacional
IEA: Novo relatório destaca lacuna de progresso, colaboração internacional e importância dos governos na transição energética
De acordo com o novo relatório Breakthrough Agenda, o ritmo de implantação de novas tecnologias energéticas nesta década vai depender cada vez mais da capacidade de governos, empresas e instituições internacionais trabalharem em conjunto para superar as barreiras que dificultam o investimento e o desenvolvimento de infraestrutura. O novo relatório constata que, embora muitos países continuem comprometidos com a cooperação em energia e clima, a geração de resultados ainda representa um desafio. O relatório surge em um contexto no qual a demanda global por eletricidade aumentou cerca de 3% em 2025 – mais do que o dobro do ritmo de crescimento da demanda energética global. As energias renováveis e a energia nuclear atenderam a quase 60% desse aumento. A capacidade instalada anual de energia renovável atingiu o recorde de 800 GW Apesar do crescimento recente da cooperação internacional, em alguns setores, as abordagens fragmentadas para a redução das emissões podem retardar o progresso, especialmente em projetos que dependem de investimentos coordenados, infraestrutura compartilhada ou padrões comuns. De acordo com o relatório, a colaboração internacional é mais eficaz quando há alinhamento de padrões para evitar a fragmentação dos mercados globais, o compartilhamento dos riscos e a melhoria das condições de financiamento em economias emergentes e em desenvolvimento. O relatório também destaca o papel crucial dos governos no esforço de formular, aprovar e implementar os planos propostos. (IEA - 09.06.2026)
SolarPower Europe: Capacidade fotovoltaica global bateu recorde em 2025, mas crescimento desacelera
A indústria solar global instalou 664 GW de nova capacidade fotovoltaica em 2025, maior volume anual já registrado, mas entrou em fase de crescimento mais moderado, com expansão de 12% no ano, conforme o Global Solar Market Outlook 2026-2030, da SolarPower Europe. A geração solar alcançou 2.778 TWh, equivalente a cerca de 9% da demanda elétrica mundial, e a capacidade instalada total superou 3 TW no início de 2026, triplicando em quatro anos. A China manteve liderança com 382 GW adicionados, ou 57% do total global, enquanto a Índia assumiu a segunda posição, com 45,7 GW e alta de 49%, superando os Estados Unidos. A União Europeia instalou 67,2 GW, crescimento de 1%. O relatório projeta queda temporária de 8% nas instalações em 2026, para cerca de 612 GW, pressionada por mudanças de política na China, onde se espera recuo de 24%. Até 2030, o cenário médio prevê 864 GW anuais e 6,6 TW acumulados, podendo chegar a 7,6 TW no cenário otimista, com redes, baterias e flexibilidade como prioridades. (SolarQuarter - 22.06.2026)
G7 lança aliança para diversificar suprimento de minerais críticos
O G7 anunciou uma nova aliança voltada ao fortalecimento das cadeias de suprimento de minerais críticos e terras raras, com o objetivo de reduzir a dependência global da China em segmentos considerados estratégicos para a indústria, a transição energética e tecnologias avançadas. A iniciativa prevê compartilhamento de informações sobre estoques, acompanhamento de investimentos e estímulo à diversificação de fornecedores. O grupo estabeleceu como meta reduzir para menos de 60% até 2030 a dependência de um único fornecedor externo para terras raras e ímãs permanentes, ampliando a resiliência das cadeias produtivas. A medida reflete preocupações crescentes com segurança de abastecimento, riscos geopolíticos e concentração da produção mundial desses insumos, fundamentais para setores como veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, defesa, geração renovável e armazenamento de energia. (Valor Econômico - 18.06.2026)
Ásia-Pacífico: Transição energética deve integrar metas climáticas e desenvolvimento
A transição energética na Ásia e no Pacífico precisa ser tratada como política de desenvolvimento para evitar impactos macroeconômicos adversos e ampliar sua sustentação política, segundo avaliação da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico (UNESCAP). O “Economic and Social Survey of Asia and the Pacific 2026” aponta que o desafio central não é a falta de alternativas, mas sim a definição de reformas capazes de combinar estabilidade macroeconômica, crescimento econômico e bem-estar social. O estudo frisa que a energia fóssil influencia inflação, balança comercial, pressões cambiais, competitividade industrial e espaço fiscal, tornando inadequadas abordagens restritas ao setor energético. Na apresentação de casos, destaca-se que a Indonésia reduziu subsídios à gasolina quando os preços do petróleo caíram em 2014, fazendo o gasto explícito com subsídios energéticos recuar de 3,2% para 1,0% do PIB e redirecionando recursos para infraestrutura e proteção social. Na Índia, incentivos à manufatura solar viabilizaram 48 GW de capacidade e devem economizar US$ 1,8 bilhão ao ano em divisas. Já o Nepal ampliou a eletrificação de 53% para 95% da população entre 2010 e 2024. (ESCAP - 18.06.2026)
Ásia-Pacífico: UNESCAP avalia que transição energética exige coordenação macroeconômica
A transição energética na Ásia e no Pacífico requer uma abordagem macroeconômica integrada para transformar metas climáticas em resultados concretos de desenvolvimento, avalia a Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico (UNESCAP). O avanço para sistemas de baixo carbono depende de políticas capazes de articular segurança energética, estabilidade fiscal, controle inflacionário, competitividade industrial e proteção social, evitando que reformas mal calibradas elevem custos, ampliem desigualdades ou gerem resistência política. O “Economic and Social Survey of Asia and the Pacific 2026” destaca que subsídios aos combustíveis fósseis, choques nos preços internacionais de energia e dependência de importações continuam afetando balanços externos, contas públicas e poder de compra das famílias. A região precisa combinar reforma tributária, investimento em infraestrutura, financiamento climático, expansão de energias renováveis e medidas compensatórias direcionadas, para que a descarbonização fortaleça crescimento, emprego e resiliência econômica. (ESCAP - 22.06.2026)
Sudeste Asiático: Aliança elétrica de quatro países pode acelerar a transição
A integração elétrica entre Vietnã, Tailândia, Malásia e Singapura é apontada pela Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico (UNESCAP) como uma rota prática para acelerar a ASEAN Power Grid e ampliar o comércio multilateral de energia limpa no Sudeste Asiático. A proposta VTMS aproveitaria interconexões existentes e planejadas, maior maturidade regulatória e a experiência do projeto Laos-Tailândia-Malásia-Singapura, criando um piloto sub-regional para testar recomendações do ASEAN Interconnection Masterplan Study III e do roteiro de comércio multilateral de energia da ASEAN. Em 2023, Singapura aprovou condicionalmente a importação de 1,2 GW de eletricidade limpa do Vietnã por cabo submarino de cerca de 1.000 km. Em maio de 2026, Malásia, Singapura e Vietnã firmaram acordo para avaliar alternativa em que a energia chegaria à Península da Malásia por cabo submarino e seguiria a Singapura pela rede existente, reduzindo a infraestrutura submarina para cerca de 40% da ligação direta. A inclusão da Tailândia ampliaria mercados, reforçaria o uso da estrutura LTMS-PIP e apoiaria harmonização regulatória, tarifas de uso da rede e modelos de financiamento comum. (ESCAP - 19.06.2026)
China: Descarbonização da indústria pesada será determinante para a transição energética
A descarbonização da indústria pesada tornou-se o principal desafio da transição energética da China, após a expansão acelerada de renováveis reduzir o problema de escala da oferta limpa. Segundo um estudo dos think tanks Agora Energy China e Agora Energiewende, o cumprimento das metas climáticas chinesas dependerá da redução de emissões em setores de difícil eletrificação, especialmente aço, cimento e químicos, que respondem por 14% das emissões totais do país. Em 2025, as emissões chinesas cresceram apenas 0,5% na comparação anual, indicando possível estabilização, mas precisará reduzi-las em pelo menos 1% ao ano até 2035. A geração a carvão, por sua vez, caiu pela primeira vez em uma década. Destaca-se, ainda, que o avanço de hidrogênio renovável, aquecimento elétrico e materiais de baixo carbono exigirá grande volume de eletricidade limpa e maior flexibilidade do sistema elétrico. Embora a geração solar e eólica tenha mais que dobrado em cinco anos e alcançado cerca de 22% da eletricidade em 2025, a utilização efetiva caiu abaixo de 95%. (GMK Center - 20.06.2026)
França: Abertura de concurso para 10 GW em projetos de eólica offshore
O Ministério da Energia da França anunciou que abrirá, em 12 de junho, um concurso público para o desenvolvimento de 10 GW em projetos de energia eólica offshore, localizados principalmente na costa oeste do país. Tais projetos têm enfrentado desafios em todo o mundo, já que o aumento dos custos e a crescente oposição política em alguns países, como a do governo Trump nos Estados Unidos, levaram algumas empresas a abandonar seus planos de desenvolvimento. Os novos projetos expandiriam significativamente a capacidade de energia eólica offshore da França, que o país pretende aumentar de menos de 2 GW atuais para 15 GW até 2035. Também impulsionariam a capacidade europeia, que estava em pouco menos de 40 GW no final de 2025, segundo o WindEurope. O concurso público, inicialmente prometido em 2024, será dividido entre 5 GW de parques eólicos de base fixa e 5 GW de parques eólicos flutuantes. Os projetos venderão eletricidade por meio de contratos por diferença, que garantem aos operadores um preço acordado, e as turbinas eólicas deverão ser majoritariamente fabricadas na Europa. As empresas terão quatro meses para apresentar suas propostas, e os vencedores serão selecionados em fevereiro de 2027. Isso significaria ao governo de Emmanuel Macron a finalização das metas estabelecidas na Lei de Planejamento Energético, promulgada no final de fevereiro, antes da próxima eleição presidencial em abril de 2027. (Reuters - 11.06.2026)
Artigo WEF: “Os alicerces da transição energética estão se enfraquecendo. A crise entre EUA e Irã demonstra por que isso importa agora.”
Em artigo, o Fórum Econômico Mundial argumenta que a guerra entre Estados Unidos e Irã cria um freio de curto prazo à transição energética, mas também reforça, para o longo prazo, a necessidade de sistemas mais limpos, seguros e resilientes. Segundo o texto, a crise expôs vulnerabilidades que já vinham se acumulando antes do conflito: fragmentação geopolítica, cadeias de suprimento frágeis, restrições de financiamento em mercados emergentes, instabilidade regulatória e atraso em infraestrutura. Pontua-se que o choque no Estreito de Ormuz ampliou pressões sobre segurança energética, preços e confiabilidade. Alternativamente, contribuiu para a mudança a justificativa política das renováveis: além de custo e sustentabilidade, elas passaram a ser vistas como ativo relevante para a segurança industrial e energética. Não obstante, há risco de respostas emergenciais — como maior uso de carvão, controle de preços e extensão de geração fóssil — enfraquecerem a previsibilidade regulatória e afastaram o capital privado. O artigo conclui que a guerra EUA-Irã não muda a direção da transição energética, mas evidencia que seu sucesso dependerá cada vez mais de segurança energética, redes, financiamento, minerais críticos, cooperação regional e credibilidade regulatória. (World Economic Forum - 18.06.2026)
Artigo de Juliana Montani: “Petroestados, eletroestados e a nova geopolítica da energia”
Em artigo publicado no Latinoamérica 21, Juliana Montani (Analista do Instituto de Segurança Internacional e Assuntos Estratégicos \[ISIAE/CARI\]) argumenta que a transição energética está redefinindo a geopolítica global ao deslocar o poder dos petroestados para os chamados eletroestados. Segundo a autora, crises como os bloqueios no Estreito de Ormuz mostram que a energia continua sendo questão de segurança nacional, mas o eixo estratégico deixa de estar apenas no controle de petróleo, gás, oleodutos e rotas marítimas, passando a envolver eletricidade, armazenamento, redes inteligentes, minerais críticos e capacidade tecnológica. O texto aponta que os combustíveis fósseis não desaparecerão rapidamente, pois seguem relevantes para diversos segmentos; no entanto, em uma matriz mais diversificada, seu peso relativo pode mudar. Já pelo lado das renováveis, destaca-se que o desafio deixa de ser a energia e passa a ser a capacidade de gerir a variabilidade da geração. Ademais, o artigo acena para a emergência de um novo tipo de dependência energética assentada em tecnologias, como semicondutores e baterias, redes e minerais críticos. Diante disso, pontua-se que a América Latina possui uma oportunidade estratégica por deter lítio, cobre, urânio e abundantes recursos renováveis, mas corre o risco de repetir a “maldição dos recursos” se permanecer apenas como fornecedora de matérias-primas. O texto conclui que, para transformar abundância em poder, a região precisará desenvolver processamento mineral, armazenamento, redes inteligentes, tecnologia nuclear, software energético, capital humano e estabilidade institucional. (Latinoamérica 21 - 21.06.2026)
Artigo de Joaquim Levy: “O magnetismo das terras raras”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Joaquim Levy (Diretor de Estratégia Econômica e Relações com Mercado do Banco Safra) examina a importância estratégica das terras raras para a economia contemporânea, destacando seu papel fundamental na produção de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e tecnologias médicas. O autor apresenta a evolução histórica desses materiais, explicando os avanços científicos que permitiram o desenvolvimento de ligas magnéticas cada vez mais eficientes, especialmente as baseadas em neodímio, ferro e boro. O texto detalha ainda as propriedades físicas dos lantanídeos e descreve as complexas etapas da cadeia produtiva, desde a mineração e o beneficiamento dos minerais até a separação química, metalurgia e fabricação dos ímãs, ressaltando o elevado grau de conhecimento tecnológico exigido em cada fase. Levy destaca a liderança chinesa em segmentos críticos dessa cadeia e analisa as oportunidades brasileiras decorrentes da existência de reservas minerais promissoras e de iniciativas voltadas à industrialização e pesquisa tecnológica. O artigo conclui que o aproveitamento pleno desse potencial dependerá de estratégias de longo prazo, cooperação internacional e objetivos claros para ampliar a participação do Brasil em um mercado de crescente relevância geopolítica e econômica. (GESEL-IE-UFRJ – 19.06.2026)
Artigo de Shauna Higgins: “A transformação em curso da Irlanda em um eletroestado global”
Em artigo publicado pelo Energy Intelligence, Shauna Higgins (vice-presidente de engenharia e economia verde da IDA Ireland) trata da consolidação da geração elétrica nacional renovável e da transição energética na Irlanda. A autora argumenta que, na década de 2020, a história de dependência energética irlandesa está sendo revertida com a demonstração do papel essencial da soberania energética para a segurança nacional e a competitividade industrial, a exemplo da meta de 37 GW de geração eólica offshore em 2050. É destacado também que o país está expandindo sua conexão elétrica com o restante da Europa e que, em 2026, a Irlanda entrou na fase de implementação em larga escala de geração de energia renovável, particularmente da eólica em terra, ultrapassando a marca histórica de 8 GW de energias renováveis. Além disso, o texto aponta que a colaboração entre as energias renováveis e a indústria de tecnologia avançada, que inclui um polo europeu de semicondutores e de inovação, é uma característica definidora da transição irlandesa para a descarbonização, resiliência energética e desenvolvimento econômico regional. O artigo conclui que a trajetória da Irlanda está estabelecida e que seu ritmo será sustentado a longo prazo pelo foco contínuo na regulação, na transmissão elétrica e na infraestrutura portuária de suporte ao setor offshore, reduzindo a dependência, aumentando a resiliência energética nacional e sustentando o crescimento industrial futuro. (Energy Intelligence - 15.06.2026)
Nacional
Artigo GESEL: “Segurança e Resiliência na Transição Energética”
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Coordenador-Geral do GESEL), Katarina Ferreira e Paulo Giovane (Pesquisadores do GESEL-UFRJ) defendem que a segurança e a resiliência dos sistemas elétricos devem ocupar posição central no planejamento da transição energética brasileira. Os autores argumentam que a crescente eletrificação da economia, a expansão das fontes renováveis intermitentes, a digitalização das redes e os impactos das mudanças climáticas ampliam a exposição do setor elétrico a eventos extremos, exigindo novas abordagens regulatórias e de investimento. O texto destaca o papel do Plano de Transição Energética (PLANTE) como instrumento capaz de incorporar a resiliência ao planejamento energético, além de enfatizar a necessidade de modernização tecnológica das redes, adoção de métricas orientadas a resultados e fortalecimento de mecanismos de inovação regulatória. Também são ressaltadas a importância estratégica do armazenamento de energia e o potencial das usinas hidrelétricas reversíveis para ampliar a flexibilidade e a segurança do Sistema Interligado Nacional. Conclui-se que a consolidação da transição energética dependerá da capacidade de integrar resiliência, inovação e planejamento de longo prazo à infraestrutura elétrica brasileira. (GESEL-IE-UFRJ – 19.06.2026)
Brasil: MME cria comissão permanente para ampliar monitoramento do mercado elétrico
O Ministério de Minas e Energia instituiu a Comissão Permanente de Análise e Acompanhamento do Mercado de Energia Elétrica (Copam), com o objetivo de aprimorar a qualidade das informações utilizadas no planejamento energético e fortalecer os métodos de análise do setor. A nova estrutura, criada por portaria publicada no Diário Oficial da União, terá sua Secretaria-Executiva coordenada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e resulta de processo de consulta pública realizado entre janeiro e fevereiro de 2026. A iniciativa estabelece que distribuidoras, comercializadoras, autoprodutores e demais agentes deverão fornecer dados históricos, projeções de mercado e informações relacionadas à injeção de energia proveniente da micro e minigeração distribuída. Segundo o governo, a medida integra a construção da Estratégia Nacional de Dados Energéticos, desenvolvida pelo MME em parceria com instituições do setor e com apoio da Agência Internacional de Energia (IEA). A modernização da coleta e tratamento de dados busca ampliar a confiabilidade das informações, apoiar decisões regulatórias e aprimorar o acompanhamento das transformações associadas à expansão da geração distribuída, à abertura de mercado e à transição energética brasileira. (Agência Eixos – 17.06.2026)
Brasil: Setor eólico pressiona governo para realizar leilão offshore ainda em 2026
Representantes da indústria eólica intensificaram a pressão pela publicação do decreto que complementa a regulamentação da geração offshore no Brasil, considerado essencial para viabilizar o primeiro leilão de cessão de áreas ainda em 2026. Durante audiência pública no Senado, entidades do setor destacaram que o atraso do regulamento compromete o planejamento de investimentos e o avanço de uma indústria vista como estratégica para a reindustrialização do país. Atualmente, existem mais de 134 GW em projetos com pedidos de licenciamento junto ao Ibama, sendo 62 GW concentrados no Nordeste. Segundo o setor, a definição das áreas permitirá a realização de estudos ambientais e de viabilidade econômica necessários ao desenvolvimento dos empreendimentos. A tecnologia já soma 92,5 GW instalados em 19 países e adicionou 9,3 GW de capacidade global em 2025. Apesar do crescimento médio anual de 10% na última década, a indústria enfrenta desafios relacionados à inflação, juros elevados, restrições na cadeia de suprimentos e incertezas regulatórias. Para os agentes, a regulamentação brasileira é decisiva para transformar o potencial renovável nacional em novos investimentos industriais e energéticos. (Agência Eixos – 16.06.2026)
Brasil: Abrace alerta para impacto de R$ 348 bilhões com derrubada de vetos das eólicas offshore
A Abrace Energia reforçou o alerta sobre os potenciais impactos econômicos da derrubada integral do Veto 3/2025, relacionado à Lei das Eólicas Offshore, cuja análise pelo Congresso Nacional pode resultar em custos adicionais de até R$ 348 bilhões para os consumidores brasileiros até 2050. Segundo a entidade, parte dos dispositivos já reincorporados ao texto legal representa mais de R$ 197 bilhões em encargos futuros. Entre os trechos ainda em discussão estão a contratação compulsória de térmicas a gás inflexíveis, estimada em R$ 155 bilhões, a ampliação de subsídios para micro e minigeração distribuída, com impacto de R$ 101 bilhões, e a extensão da contratação de usinas a carvão, avaliada em R$ 92 bilhões. A associação argumenta que esses custos serão repassados às tarifas, comprometendo a competitividade industrial e o orçamento das famílias. As projeções indicam aumento médio de 9% nas contas de energia, com impactos mais elevados em estados como Ceará, Mato Grosso e Rio de Janeiro. A entidade defende a manutenção dos vetos para preservar uma expansão do setor baseada em eficiência econômica e menor custo para os consumidores. (Agência CanalEnergia – 17.06.2026)
Artigo de Eduardo Ricotta: “O Brasil já venceu a corrida da geração. Agora começa a corrida do valor”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Eduardo Ricotta (CEO da Vestas para a América Latina) sustenta que o Brasil já consolidou sua posição como potência em geração de energia renovável e que o principal desafio da próxima etapa da transição energética consiste em transformar essa vantagem em desenvolvimento econômico, inovação e atração de investimentos. O autor argumenta que, diante do crescimento da inteligência artificial, dos data centers, da eletrificação industrial e das cadeias produtivas ligadas à economia de baixo carbono, a competitividade passará a depender menos da capacidade de produzir energia e mais da habilidade de convertê-la em valor agregado. O texto destaca que o país reúne condições privilegiadas para liderar esse processo, mas alerta para obstáculos como restrições de transmissão, episódios de curtailment e limitações no escoamento da energia gerada. Nesse contexto, enfatiza a importância crescente do armazenamento por baterias, da integração inteligente das fontes renováveis e da modernização da operação do sistema elétrico. Conclui que o futuro do setor dependerá da ampliação da segurança energética, da confiabilidade dos ativos e da criação de condições favoráveis para investimentos de longo prazo, permitindo que a abundância de energia limpa se converta em prosperidade e crescimento sustentável. (GESEL-IE-UFRJ – 19.06.2026)
Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais
Public First: 90% das empresas globais miram eletrificação da operação até 2035
Em pesquisa realizada em economias-chave e mercados emergentes, publicada em 15 de junho (sob encomenda de E3G, We Mean Business Coalition e Global Renewables Alliance), a consultoria Public First mostrou que 90% das empresas globais esperam eletrificar suas operações até 2035, em meio à instabilidade geopolítica que aumenta a volatilidade no fornecimento e nos preços dos combustíveis fósseis. A pesquisa, realizada no final de abril, entrevistou 1.994 CEOs, vice-presidentes, diretores ou executivos de alto nível de empresas de médio e grande porte em 18 mercados sobre suas perspectivas em relação à eletrificação em meio à interrupção no fornecimento de petróleo e gás no Estreito de Ormuz. A pesquisa foi conduzida na Austrália, Brasil, China, Colômbia, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Japão, Quênia, Nigéria, Filipinas, Polônia, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos. Entre os entrevistados, 91% afirmam que a eletrificação melhoraria a segurança energética e 79% acreditam que a instabilidade tornou a eletrificação mais urgente em seus negócios. A maioria também afirmou que a transição para um sistema elétrico baseado em energias renováveis em seus países provavelmente impulsionará o crescimento econômico e a competitividade de suas empresas. No entanto, 72% observaram que as políticas governamentais de eletrificação estão aquém do ritmo necessário para as empresas, e 62% indicaram que transfeririam suas operações, caso seus governos não oferecessem apoio suficiente para a eletrificação. (OilPrice.com - 15.06.2026)
Brasil: Eletrificados alcançam 21% das vendas e lideram crescimento do mercado automotivo
Os veículos eletrificados consolidaram sua posição como principal vetor de crescimento da indústria automotiva brasileira em 2026. Na primeira quinzena de junho, foram registrados 22.779 emplacamentos, avanço de 9% em relação ao mesmo período de maio e expressivo crescimento de 152,4% na comparação anual. Com esse desempenho, os eletrificados passaram a representar 21,1% das vendas de veículos leves no país, frente aos 9,3% observados um ano antes. No acumulado de 2026, o segmento soma 210,8 mil unidades comercializadas, alta de 111,7% sobre 2025, elevando sua participação para 17,5% do mercado total. O avanço contrasta com a estabilidade das vendas gerais de veículos leves, evidenciando uma transformação estrutural do setor. A BYD mantém liderança destacada, com 61,7% do mercado de veículos elétricos e 54,1% dos híbridos plug-in, além de posicionar dois modelos elétricos entre os veículos mais vendidos do país. O crescimento também reflete a expansão das marcas chinesas, que já respondem por mais de 20% das vendas nacionais de automóveis leves. (Inside EVs – 17.06.2026)
Brasil: Infraestrutura de recarga supera 25 mil pontos e acelera interiorização da eletromobilidade
O Brasil alcançou 25.455 pontos públicos e semipúblicos de recarga para veículos eletrificados em maio de 2026, segundo levantamento da ABVE em parceria com a Tupi Mobilidade. O resultado representa crescimento de 20,9% em relação a fevereiro e evidencia a rápida expansão da infraestrutura necessária para sustentar o avanço da mobilidade elétrica. Os carregadores rápidos (DC) lideraram o crescimento, com aumento de 32,8%, passando de 6.479 para 8.606 unidades e ampliando sua participação para 33,8% da rede nacional. Já os carregadores lentos (AC) cresceram 15,5%, totalizando 16.836 pontos. A expansão também foi marcada pela adoção crescente de equipamentos ultrarrápidos, com potência de até 480 kW, e pelo aumento da capilaridade geográfica da rede. O número de municípios com infraestrutura de recarga passou de 1.649 para 1.832 em apenas três meses. O Norte registrou a maior expansão proporcional, enquanto Centro-Oeste e Sul também apresentaram crescimento expressivo, indicando que a eletromobilidade avança além dos grandes centros urbanos e alcança corredores logísticos e cidades médias em todo o país. (Inside EVs – 17.06.2026)
Brasil: Senado cria política para reciclagem de baterias veiculares
A Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado aprovou, em primeiro turno, o Projeto de Lei 2.132/2025, que cria a Política Nacional de Circularidade das Baterias Veiculares. A proposta estabelece regras para reaproveitamento, reuso e reciclagem de baterias de veículos elétricos e híbridos. O texto, de autoria do senador Jaques Wagner, foi relatado pelo senador Confúcio Moura e ainda passará por turno suplementar de votação. Pela proposta, fabricantes, importadores, montadoras, distribuidores, comerciantes e proprietários terão responsabilidade compartilhada pela logística reversa das baterias usadas. Esses agentes deverão implementar sistemas de coleta e destinação adequada, além de apresentar um Plano de Logística Reversa de Baterias ao órgão ambiental competente. O projeto prevê mecanismos para rastrear a origem, o uso e o reaproveitamento das baterias ao longo de seu ciclo de vida. As empresas também deverão comprovar a procedência dos materiais utilizados na fabricação dos componentes. A proposta acompanha o crescimento da mobilidade elétrica no Brasil. Segundo dados citados no relatório, o país registrou 177 mil emplacamentos de veículos elétricos em 2024, alta de 80% em relação ao ano anterior. Além da reciclagem, a política busca estimular o desenvolvimento de tecnologias nacionais voltadas à recuperação de materiais e à economia circular no setor. (Canal VE - 10.06.2026)
Brasil: MG confirma planos para montar veículos elétricos no país a partir de 2026
A MG Motor confirmou que negocia com parceiros nacionais para iniciar a montagem de veículos no Brasil até o fim de 2026, marcando um avanço relevante na industrialização da mobilidade elétrica no país. Embora a empresa ainda não tenha divulgado oficialmente os modelos, o formato produtivo ou o local da operação, informações de mercado apontam para a utilização do complexo industrial da PACE, em Horizonte (CE), onde também está prevista a montagem do Chevrolet Captiva EV. Entre os veículos cotados para produção local estão o hatch elétrico MG4 Urban e o SUV MG S5. O movimento ocorre paralelamente ao lançamento comercial do MG4 Urban no mercado brasileiro, modelo que deverá atuar no segmento de elétricos compactos e disputar espaço com concorrentes como BYD Dolphin e Geely EX2. Globalmente, o veículo utiliza baterias de 43 kWh ou 54 kWh, associadas a motor de 163 cv e autonomia entre 320 km e 415 km pelo ciclo WLTP, além de recarga rápida de 10% a 80% em menos de 30 minutos. A iniciativa reforça a tendência de nacionalização da cadeia de veículos elétricos e pode ampliar a competitividade do segmento no Brasil. (Inside EVs – 18.06.2026)
Brasil: Descontos ampliam acesso ao Chevrolet Spark EUV para transporte por aplicativo
A Chevrolet passou a oferecer condições especiais para aquisição do Spark EUV dentro do programa federal Move Brasil, reduzindo significativamente o custo de entrada da eletrificação para taxistas e motoristas de aplicativo. O veículo, cujo preço público é de R$ 154.990, pode ser adquirido por R$ 133.291 por profissionais do transporte individual e chegar a R$ 120.090 para taxistas com isenções de IPI e ICMS. O desconto máximo alcança R$ 34.900, permitindo enquadramento nas regras do programa, que prevê até R$ 30 bilhões em crédito para renovação da frota e potencial de financiamento entre 200 mil e 300 mil veículos. A iniciativa coincide com o crescimento das vendas do modelo, que registrou 1.220 emplacamentos em maio e acumulou 4.866 unidades em 2026. Para o transporte profissional, a combinação de eletrificação, menor custo de manutenção e redução dos gastos operacionais fortalece a competitividade do modelo frente aos veículos convencionais. A montadora também destaca financiamento com taxas a partir de 0,91% ao mês e prazos de até 72 meses, ampliando o acesso à mobilidade elétrica. (Inside EVs – 19.06.2026)
Brasil: GM amplia produção local de elétricos e prepara nova tecnologia no Ceará
A General Motors iniciou oficialmente a produção do Chevrolet Captiva EV na Planta Automotiva do Ceará (PACE), em Horizonte, fortalecendo sua estratégia de eletrificação no Brasil e ampliando a fabricação local de veículos de baixa emissão. A unidade já produz o Spark EUV e torna o Brasil o primeiro mercado fora da China a montar ambos os modelos. Além disso, a empresa anunciou a implantação de uma terceira linha de produção até o final de 2026 para um veículo equipado com uma tecnologia inédita para a marca no país. Embora não tenha revelado detalhes, o mercado aposta na futura produção do Captiva PHEV, versão híbrida plug-in já comercializada em países vizinhos. A expansão da operação deverá aumentar em cerca de 50% o quadro de funcionários da planta e elevar significativamente sua capacidade produtiva, atualmente estimada em 20 mil veículos por ano, podendo alcançar até 50 mil unidades em uma etapa posterior. O movimento reforça o papel do Ceará como polo emergente da eletromobilidade e acompanha a crescente demanda por veículos eletrificados no mercado brasileiro. (Inside EVs – 17.06.2026)
Brasil: ABVE pede cautela sobre causas de explosões em incêndio após acidente no Rio
A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) defendeu cautela na interpretação das explosões registradas durante o incêndio que atingiu veículos em uma concessionária da BYD após a queda de um helicóptero no Rio de Janeiro. Segundo a entidade, ainda não existem elementos técnicos suficientes para associar os estampidos observados no local às baterias dos veículos elétricos. A ABVE destacou que o acidente envolveu uma combinação complexa de fatores, incluindo destroços aeronáuticos, estruturas urbanas e combustível de aviação, o que dificulta conclusões preliminares. De acordo com especialistas da associação, os ruídos podem ter sido provocados por sistemas suplementares de retenção dos veículos, como airbags e pré-tensionadores dos cintos de segurança, que podem gerar estampidos quando submetidos a temperaturas extremas. A entidade ressaltou a importância da realização de perícias técnicas antes de qualquer conclusão definitiva e alertou para os riscos de desinformação nas redes sociais. A ABVE também elogiou a atuação do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro na resposta à ocorrência, considerada de elevada complexidade operacional. (Inside EVs – 15.06.2026)
EUA: GM e Rivian ampliam uso de VEs como recurso de rede
Montadoras dos EUA avançam em iniciativas para ampliar o uso de veículos elétricos como ativos de gestão de carga e suporte ao sistema elétrico. A Rivian firmou parceria com a ChargeScape, plataforma de integração veículo-rede apoiada pela BMW, Ford, Honda e Nissan e utilizada por Tesla, Stellantis e outras fabricantes, permitindo que seus clientes participem de programas de recarga gerenciada e bidirecional oferecidos por utilities. A General Motors anunciou atualização de firmware para habilitar capacidade veículo-rede em sistemas GM Energy já instalados, sem necessidade de troca de hardware, além de parceria V2G com a DTE Energy, em Michigan, e planos adicionais com a Pacific Gas & Electric. A ChargeScape já cobre cerca de 70% dos veículos elétricos leves em circulação e busca chegar a 100%. Com mais de 7 milhões de VEs nas ruas dos EUA, utilities veem a recarga gerenciada e bidirecional como ferramenta para reduzir picos, aliviar redes de distribuição e criar flexibilidade, inclusive em pilotos com Puget Sound Energy no estado de Washington. (Utility Dive - 17.06.2026)
DHL: Projeção de multiplicação de receitas associadas à transição energética até 2030
O DHL Group pretende quintuplicar a receita com logística para novas energias, de cerca de €600 milhões em 2025 para €3 bilhões até 2030, área definida como vetor de crescimento na Strategy 2030. A companhia amplia serviços em oito segmentos ligados à transição energética, incluindo combustíveis alternativos, sistemas de armazenamento em baterias, veículos elétricos e baterias, hidrogênio, infraestrutura de redes, solar e eólica, em resposta à demanda por cadeias de suprimento mais limpas e resilientes. O plano inclui atuação no mercado de operação e manutenção eólica, que já soma cerca de 1,3 TW de capacidade instalada global, com o serviço Time Definite Plus inicialmente em 22 países e territórios europeus. A empresa também opera mais de 1.100 pontos de estoque avançado capazes de entregar peças em até quatro horas a 88% dos parques eólicos globais. Em baterias, a DHL iniciou um hub europeu em Holtum, na Holanda, com 17.000 m² para baterias de alta tensão, previsto para 2027, e já conta com mais de 20 EV Centers of Excellence no mundo. (ESG News - 17.06.2026)
Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis
Brasil: Primeiro leilão de hidrogênio de baixo carbono deve ser adiado para 2027
O primeiro leilão brasileiro destinado à concessão de incentivos para projetos de hidrogênio de baixo carbono deverá ocorrer apenas em 2027, segundo indicação do Ministério da Fazenda, adiando a expectativa anterior de realização ainda em 2026. Pelo cronograma apresentado pela pasta, uma consulta pública sobre as regras para acesso aos R$ 18,3 bilhões previstos em lei deverá ser aberta até 30 de novembro de 2026, enquanto o edital está previsto para janeiro de 2027. O atraso preocupa o setor, que aguarda a regulamentação definitiva do marco legal do hidrogênio para viabilizar investimentos estimados em R$ 188,7 bilhões, segundo levantamento da CNI. A proposta da Fazenda prevê um modelo de leilão orientado à redução de emissões de carbono, utilizando métricas como custo por tonelada de CO₂ evitada, em vez de focar exclusivamente na produção de hidrogênio. Representantes da indústria defendem maior previsibilidade regulatória para evitar a perda de competitividade internacional. O debate ocorre em um cenário global de desaceleração de projetos, com a DNV apontando redução de 45% nas perspectivas de expansão do hidrogênio de baixo carbono desde 2022 devido a atrasos regulatórios e insuficiência de mecanismos de apoio. (Agência Eixos – 17.06.2026)
Brasil: Indústria de hidrogênio verde mantém atratividade apesar de entraves comerciais
A indústria brasileira de hidrogênio de baixa emissão passa por um período de ajuste de expectativas marcado por custos elevados e desafios para consolidar contratos de longo prazo, mas continua atraindo interesse de investidores globais. A avaliação foi apresentada pela Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), que destaca a manutenção de vantagens competitivas estruturais do país, como abundância de recursos renováveis, matriz elétrica limpa e potencial para ganhos de escala. Segundo a entidade, a principal dificuldade atual está na formalização de contratos de compra de longo prazo com offtakers, considerados essenciais para viabilizar financiamentos e garantir a execução dos projetos. Embora existam negociações avançadas, a ausência de mecanismos regulatórios mais robustos em mercados consumidores, especialmente na Europa, continua retardando a assinatura dos acordos. O setor compara o estágio atual ao desenvolvimento inicial das indústrias eólica e solar, que reduziram custos à medida que ampliaram escala e maturidade tecnológica. Mesmo diante das incertezas, a expectativa permanece positiva quanto ao posicionamento estratégico do Brasil no mercado global de hidrogênio verde. (Agência CanalEnergia – 18.06.2026)
Brasil: Petrobras e Finep investem R$ 150 mi para desenvolver eletrolisador nacional
A Petrobras e a Finep lançaram edital de R$ 150 milhões destinado ao desenvolvimento de um eletrolisador industrial para produção de hidrogênio de baixa emissão de carbono, iniciativa considerada estratégica para fortalecer a cadeia tecnológica nacional e reduzir custos da molécula. O programa contará com R$ 75 milhões aportados por cada instituição, além de recursos de contrapartida das empresas participantes. O projeto exige pelo menos 50% de conteúdo nacional e busca desenvolver tecnologia capaz de reduzir a dependência de equipamentos importados, especialmente do Stack, componente central onde ocorre a reação eletroquímica de produção do hidrogênio. A proposta prevê a participação de ao menos três empresas e uma instituição científica e tecnológica, abrangendo desde a engenharia básica até a construção de um protótipo pré-comercial. A Petrobras destaca que a redução do custo da eletrólise é essencial para viabilizar aplicações em setores de difícil descarbonização, como siderurgia, refino e indústria química. A iniciativa integra o plano de negócios 2026-2030 da estatal, que prevê US$ 4 bilhões destinados a pesquisa, desenvolvimento e inovação. (Agência Eixos – 16.06.2026)
Brasil: Cooperação com Países Baixos prioriza SAF e hidrogênio até 2028
O Brasil e os Países Baixos formalizaram um plano de trabalho para o período de 2026 a 2028 voltado à ampliação da cooperação bilateral em transição energética. Assinado pelos ministérios responsáveis pelos temas energéticos e climáticos dos dois países, o acordo desdobra o memorando firmado durante a COP30 e estabelece uma agenda de colaboração em setores estratégicos como combustível sustentável de aviação (SAF), hidrogênio de baixo carbono, bioenergia, biorrefinarias, captura e armazenamento de carbono (CCS), biocombustíveis e bio recursos sustentáveis. O programa prevê intercâmbio técnico entre governos, universidades, centros de pesquisa e empresas, além da realização de missões internacionais e projetos conjuntos de inovação. Segundo o MME, a iniciativa busca acelerar o desenvolvimento de cadeias produtivas ligadas aos combustíveis renováveis, estimular a transferência tecnológica e ampliar a atração de investimentos para a economia de baixo carbono. A parceria reforça o posicionamento brasileiro como potencial fornecedor global de combustíveis sustentáveis e hidrogênio renovável, fortalecendo a integração internacional em torno da descarbonização dos setores de transporte e indústria. (Agência Eixos – 16.06.2026)
Brasil: BNDES aprova R$ 500 milhões para ampliar produção de etanol de milho
O BNDES aprovou financiamento de R$ 500 milhões para apoiar a construção de uma nova planta de etanol de milho da FS em Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso, fortalecendo a expansão dos biocombustíveis no país. O investimento total do empreendimento é de R$ 2,07 bilhões, sendo os recursos do banco provenientes do Fundo Clima e da linha BNDES Finem. A unidade terá capacidade para processar até 1,2 milhão de toneladas de milho por ano e produzir até 540 milhões de litros anuais de etanol. O projeto também prevê a geração de aproximadamente 390 mil toneladas anuais de grãos secos de destilaria, insumo utilizado na indústria de ração animal. Em uma segunda etapa, a empresa pretende dobrar a capacidade produtiva, alcançando processamento de 2,4 milhões de toneladas de milho e produção anual de 1,08 bilhão de litros de etanol. A iniciativa reforça a estratégia de expansão da bioenergia no Brasil, contribuindo para a diversificação da matriz de combustíveis e para a redução das emissões associadas ao transporte. (Agência Eixos – 15.06.2026)
Ucrânia: expansão do biometano fortalece segurança energética e descarbonização europeia
A Ucrânia deu um passo relevante para a transição energética ao realizar, em 2025, suas primeiras exportações de biometano para a União Europeia, abrindo caminho para ampliar a produção doméstica de gás renovável e reforçar a segurança energética regional. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o país possui potencial estimado de 11,6 bilhões de metros cúbicos equivalentes por ano utilizando apenas resíduos agrícolas e orgânicos, o maior da Europa. A infraestrutura existente, com rede de gasodutos conectada a diversos países europeus e capacidade de armazenamento subterrâneo de 31 bilhões de metros cúbicos, oferece base estratégica para expansão do setor. Em março de 2026, a Ucrânia contava com sete plantas de biometano em operação, com capacidade total de 111 milhões de metros cúbicos por ano, e outras cinco unidades devem entrar em funcionamento ainda em 2026. O governo estabeleceu metas de produção de 1 bilhão de metros cúbicos anuais até 2030 e 2,1 bilhões até 2035. Apesar do potencial, o setor enfrenta desafios regulatórios, tributários, financeiros e de infraestrutura, além dos impactos da guerra, exigindo políticas de incentivo e maior integração com os mercados europeus. (IEA – 15.06.2026)
Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização
Artigo de Daniel Araujo Carneiro: “Baterias no Brasil: a Portaria 136 inaugura uma era, mas ainda não fundou o mercado de armazenamento”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Daniel Araujo Carneiro (pesquisador associado do Gesel-UFRJ) analisa os efeitos da Portaria Normativa MME nº 136/2026, considerada um marco regulatório para a inserção de sistemas de armazenamento por baterias no setor elétrico brasileiro. O autor reconhece que a medida cria, pela primeira vez, um sinal econômico estruturado para contratação de potência proveniente de baterias e contribui para a segurança operacional de uma matriz cada vez mais dependente de fontes renováveis intermitentes. Entretanto, argumenta que o desenho regulatório restringe o potencial econômico desses ativos ao tratá-los como recursos voltados quase exclusivamente à oferta de potência, impedindo a exploração de múltiplas fontes de receita já adotadas em mercados internacionais. Também destaca a assimetria de riscos imposta aos investidores, que assumem os custos da degradação tecnológica sem controlar o despacho operacional. Por fim, sustenta que o sucesso do armazenamento no Brasil dependerá de avanços regulatórios adicionais capazes de valorizar a multifuncionalidade das baterias e consolidar um mercado sustentável e sofisticado para a tecnologia. (GESEL-IE-UFRJ – 19.06.2026)
Brasil: BNDES reserva até R$ 34 bi para impulsionar projetos de armazenamento em baterias
O BNDES anunciou a disponibilização de até R$ 34 bilhões para financiar projetos que venham a ser contratados no Leilão de Reserva de Capacidade em Baterias (LRCAP 2026), fortalecendo o desenvolvimento do armazenamento de energia no Brasil. O orçamento inicial é estimado em R$ 27 bilhões, podendo alcançar o valor máximo mediante futuras autorizações. O Fundo Clima será o principal instrumento de apoio financeiro aos projetos com conteúdo local, oferecendo custo financeiro de 6,5% ao ano e exigindo atendimento a critérios de nacionalização e credenciamento de equipamentos. A medida busca compensar os custos adicionais associados à fabricação nacional de sistemas de armazenamento, que, segundo representantes da indústria, podem elevar os investimentos entre 25% e 40% em comparação com soluções importadas. Apesar desse sobrecusto, o acesso às linhas de financiamento do banco pode proporcionar receitas até 10% superiores para os empreendimentos contemplados, aumentando sua competitividade. O BNDES também trabalha na estruturação do processo de credenciamento de fabricantes e componentes estratégicos, considerado fundamental para consolidar uma cadeia produtiva nacional de armazenamento e apoiar a modernização do sistema elétrico brasileiro. (Agência CanalEnergia – 17.06.2026)
BNEF: Baterias ficam mais competitivas que térmicas a gás pela primeira vez
O custo do armazenamento de energia em baterias tornou-se inferior ao da geração por termelétricas a gás pela primeira vez, segundo levantamento da BloombergNEF. Em 2025, o custo nivelado de energia das estações de armazenamento atingiu US$ 78 por MWh, queda de 27% em relação ao ano anterior, enquanto as usinas a gás registraram US$ 102 por MWh. O movimento é impulsionado principalmente pela forte redução dos preços das baterias, que recuaram cerca de 45% devido à expansão da produção chinesa e ao redirecionamento da capacidade industrial originalmente voltada ao mercado de veículos elétricos. Analistas avaliam que a tendência deverá se intensificar diante da crescente demanda por flexibilidade para integrar fontes renováveis e do aumento dos custos associados ao gás natural. O avanço reforça o papel estratégico do armazenamento para a descarbonização dos sistemas elétricos e para a segurança energética em diferentes mercados. (Valor Econômico - 17.06.2026)
Chile: EDP inaugura sistema de baterias para reduzir cortes de geração renovável
A EDP iniciou a operação de seu primeiro complexo de armazenamento por baterias na América do Sul, localizado no Chile, com o objetivo de reduzir os impactos do curtailment e ampliar a eficiência da geração renovável. Integrado ao Parque Eólico Punta de Talca, que possui capacidade instalada de 83 MW, o projeto recebeu investimento de aproximadamente US$ 44 milhões e conta com capacidade de armazenamento de 240 MWh, além de potencial para armazenar em média 60 GWh por ano. Segundo a companhia, a solução permitirá maior aproveitamento da energia gerada, aumentando a flexibilidade do sistema elétrico e contribuindo para a integração de fontes renováveis. O empreendimento possui capacidade equivalente ao consumo de mais de 30 mil residências. A EDP destaca que os sistemas BESS terão papel crescente na modernização das redes elétricas da região e vê potencial significativo para expansão desse mercado no Brasil. O anúncio ocorre paralelamente à conclusão do maior projeto de armazenamento do grupo nos Estados Unidos, reforçando a relevância estratégica das baterias para a estabilidade e a resiliência dos sistemas energéticos. (Agência Eixos – 15.06.2026)
Chile: Modelo de baterias renováveis pode inspirar o Brasil
A entrada em operação de um grande sistema de armazenamento de energia no Chile surge como uma solução prática para o curtailment, ganhando espaço no debate regulatório e empresarial no Brasil. A EDP iniciou a operação de seu primeiro sistema de armazenamento por baterias na América do Sul, integrado ao Parque Eólico Punta de Talca, na região de Ovalle, no norte chileno. Com investimento de US$ 44 milhões e capacidade instalada de 240 MWh, o empreendimento foi concebido para enfrentar o curtailment e integra um complexo que recebeu cerca de US$ 164 milhões em investimentos, cuja primeira etapa foi o parque eólico de 83 MW, inaugurado em 2024. No Brasil, conforme dados do relatório "Curtailment 2025: retrospectiva e projeção", da Volt Robotics, cerca de 20,6% de toda a geração solar e eólica disponível foi desperdiçada em 2025 devido a restrições operacionais e limitações da rede de transmissão. Em termos financeiros, as perdas superaram R$ 6 bilhões. Nesse cenário, a publicação da portaria do primeiro leilão de baterias do Brasil foi recebida com otimismo pelo setor elétrico. Entretanto, segundo o CEO da EDP na América do Sul, João Brito Martins, a questão dos encargos previstos no leilão ainda exige esclarecimentos, embora ele avalie que, em alguns meses, o tema já terá sido resolvido. Para a EDP, o armazenamento deve desempenhar um papel central na próxima fase da expansão das energias renováveis e será um componente essencial da transição energética. (Correio Braziliense - 15.06.2026)
Artigo de Matthew Williams e Luca Mezossy-Dona: “Por que não podemos simplesmente esperar que a IA resolva a transição energética”
Em artigo publicado pelo Fórum Econômico Mundial, Matthew Williams (CEO da IONATE) e Luca Mezossy-Dona (CGO da IONATE) argumentam que a inteligência artificial pode ser uma ferramenta importante para acelerar a transição energética, mas não substitui os investimentos urgentes em infraestrutura elétrica. O texto destaca que o crescimento da demanda por eletricidade impulsionada pela eletrificação e pela própria IA acompanhado pela expansão da oferta de forma distribuída e variável figura como um importante desafio que tensiona o sistema atual. E embora a IA possa melhorar a previsão de demanda, otimizar o despacho de energia e reduzir congestionamentos na rede, esses benefícios dependem da existência de uma infraestrutura física moderna, equipada com sensores, sistemas de controle e capacidade de resposta adequada. Assim, o planejamento adequado assume papel central no âmbito da harmonização do potencial do uso da IA para a descarbonização e eficiência e do alívio de pressões derivadas desse novo paradigma. O artigo conclui que a IA deve ser vista como um facilitador da transição energética, e não como uma solução autônoma. O sucesso da descarbonização dependerá da combinação entre digitalização inteligente, modernização das redes elétricas, expansão da infraestrutura energética e investimentos contínuos em fontes renováveis. O texto, por fim, expõe como mote a noção de que não se pode esperar que a IA resolva problemas que exigem ação física, regulatória e política imediata. (World Economic Forum - 19.06.2026)
Brasil: Ataques cibernéticos elevam alerta no setor elétrico
O aumento das ameaças cibernéticas contra empresas de energia tem ampliado a preocupação com a segurança digital do setor elétrico brasileiro. Especialistas alertam que a crescente digitalização das operações e a integração de sistemas críticos aumentam a exposição a riscos que podem comprometer a continuidade do fornecimento e a integridade das infraestruturas energéticas. O tema ganhou relevância diante da expansão do uso de tecnologias conectadas, automação e inteligência artificial na operação das redes elétricas. Empresas e órgãos do setor vêm reforçando investimentos em proteção digital, monitoramento e capacitação para enfrentar ameaças cada vez mais sofisticadas. A segurança cibernética é considerada um dos principais desafios estratégicos para garantir a resiliência do sistema elétrico nos próximos anos. (Petronotícias - 18.06.2026)
UE: Energy Community faz recomendações para ampliar a agência dos consumidores
A Energy Community publicou recomendações aos países para acelerar o desenvolvimento de consumidores ativos, ou prossumidores, considerados relevantes para a transição energética regional caso contem com suporte regulatório adequado. O relatório do Energy Community Regulatory Board aponta que regras desiguais e acesso limitado ao mercado ainda restringem a participação plena desses agentes no setor elétrico. As agências reguladoras nacionais identificam a falta de capacidade nas redes locais e de distribuição como principal obstáculo, além de limitações na transmissão e escassez de opções de flexibilidade. O órgão recomenda simplificar procedimentos de conexão à rede, ampliar o acesso a dados de medidores inteligentes, adotar tarifas por horário de consumo e contratos dinâmicos, além de avançar em compartilhamento de energia, planejamento de redes, regimes tarifários e conscientização dos consumidores. Entre 2023 e 2025, o número de autoconsumidores ativos ou renováveis mais que dobrou na Albânia e na Sérvia, enquanto Moldávia e Ucrânia registraram alta superior a 50%. (Balkan Green Energy News - 18.06.2026)
Impactos Socioeconômicos
WEF: Transição energética global perde fôlego e avança de forma desigual
A transição energética global não está regredindo, mas tornou-se mais fragmentada e desigual, indica a edição 2026 do Energy Transition Index, do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês). O levantamento avalia 120 países com base em 44 indicadores, considerando segurança energética, sustentabilidade, equidade e prontidão para a transição, incluindo política, infraestrutura, financiamento, inovação e capital humano. Apesar de o investimento global em energia ter alcançado US$ 3,3 trilhões em 2025, de renováveis e nuclear responderem por 42% da geração elétrica mundial e de a capacidade renovável ter avançado quase 800 GW, o ritmo perdeu força diante de gargalos em redes, atrasos em licenciamento e subinvestimento persistente em economias emergentes. A performance do sistema avançou, mas a dimensão de segurança recuou 0,9% em razão de desafios de suprimento e confiabilidade. Além disso, a prontidão para a transição caiu pela primeira vez em mais de uma década. Em 2026, 56% dos países melhoraram suas notas, mas só 24% avançaram simultaneamente em segurança, sustentabilidade e equidade. A Suécia na liderança no índice. (World Economic Forum - 18.06.2026)
Empresas estatais estão liderando a transição energética no Sul Global
A transição energética global requer que as economias emergentes e em desenvolvimento consigam descarbonizar-se, ao mesmo tempo em que enfrentam o desafio de atender à crescente demanda por eletricidade, garantir a acessibilidade para populações em crescimento, fortalecer a resiliência contra choques energéticos globais e reduzir a dependência de combustíveis intensivos em carbono. Em todo o Sul Global, as empresas estatais de serviços públicos estão se tornando cada vez mais ativas na estratégia de transição energética, operando sob a exigência de que elas apresentem tanto desempenho comercial quanto resultados sociais. Esse modelo institucional lhes confere uma vantagem única para abordar três dimensões: a segurança energética, equidade energética e sustentabilidade ambiental. Exemplos notáveis são a NTPC, da Índia; a KenGen, do Quênia; a TNB, da Malásia; a PLN, da Indonésia; e a EVN, do Quênia, desafiando a ideia de que as empresas de serviços públicos são lentas, ineficientes ou resistentes à mudança. A lição mais ampla é clara: os governos podem ampliar significativamente o impacto das empresas estatais por meio de diretrizes políticas coerentes, estruturas de planejamento de longo prazo e incentivos financeiros direcionados. (TyN Magazine - 15.06.2026)
UE: Países deliberam restringir suspensão da taxa de carbono sobre as importações
Os países da União Europeia concordaram, em 12 de junho, em restringir as circunstâncias em que o bloco pode suspender a taxa de emissões de carbono sobre as importações, o que pode proporcionar mais segurança para os investimentos de baixo carbono no bloco. Os ministros da Economia da UE apoiaram os planos em maioria. A taxa de carbono da UE impõe uma taxa sobre as emissões associadas às importações de bens, incluindo fertilizantes, aço e cimento. Esta política pioneira visa proteger as indústrias europeias da concorrência desleal de bens baratos e poluentes do exterior. A Comissão Europeia propôs inicialmente que poderia retirar bens da taxa de carbono futuramente se "circunstâncias graves e imprevistas" não especificadas resultassem em preços mais elevados. Alguns governos e empresas rejeitaram essa abordagem, afirmando que esta criava incerteza para os investimentos de baixo carbono. Além disso, uma minuta do acordo, vista pela Reuters, afirma que a Comissão só poderá propor a suspensão da taxa de carbono se, por exemplo, o preço do produto em questão ter aumentado mais de 50% em seis meses. Os países e legisladores da UE negociarão as regras finais, mas planejam reduzir ou eliminar completamente a cláusula de suspensão. As propostas ampliarão a lista para produtos como máquinas de lavar roupa e peças de automóveis. (Reuters - 12.06.2026)
UE: Restrições a inversores da China podem travar a implementação de energia solar
A proibição da União Europeia ao financiamento público de inversores solares fabricados na China, no mês passado, mostra receio de que inversores conectados à internet, fornecidos por países de "alto risco" como a China, possam ser usados para interromper a rede elétrica europeia, um risco sistêmico. Entretanto, alguns grupos econômicos alertam que a proibição pode aumentar os custos e atrasar instalações principalmente em mercados dependentes de subsídios públicos, atrasando o alcance das metas de energia renovável. Dados da indústria apontam que os inversores fabricados na UE custam de 20% a 40% a mais do que as peças chinesas, adicionando cerca de 2% aos custos totais do sistema. Fabricantes chineses, liderados pela Huawei e pela Sungrow, forneceram cerca de 70% dos inversores da UE nos últimos anos. Os produtores europeus afirmam que podem atender à demanda extra, enquanto outros, como Evangelos Gazis, da Aurora Energy Research, afirmam que as metas de energias renováveis podem ser adiadas no curto e médio prazo sem a tecnologia chinesa. Por enquanto, as restrições da UE aplicam-se apenas a projetos em andamento, deixando mais de 200 GW de capacidade de inversores fabricados na China já instalados na rede europeia. Porém, uma proposta atualmente em negociação pode abrir caminho para uma proibição na UE de inversores de fornecedores de "alto risco", dependendo do resultado de uma avaliação de segurança em andamento. (Reuters - 11.06.2026)
América Latina: Avanço em renováveis apesar de gargalos estruturantes
A América Latina mantém posição favorável na transição energética pela elevada participação de fontes renováveis na geração elétrica, apoiada em hidrelétricas, expansão solar e eólica e recursos estratégicos como lítio, cobre e potencial para hidrogênio verde. A trajetória regional, porém, segue desigual e condicionada por entraves de infraestrutura, financiamento, regulação e segurança energética. Brasil, Chile e Uruguai aparecem entre os mercados mais avançados, com matrizes de baixa emissão e maior atração de capital privado, enquanto outros países ainda dependem fortemente de combustíveis fósseis, subsídios, importações de gás natural ou sistemas elétricos vulneráveis. A incorporação de novas renováveis também pressiona redes de transmissão, armazenamento e flexibilidade operacional, exigindo leilões, planejamento integrado e marcos regulatórios mais estáveis. O avanço da eletrificação, da mineração crítica e de combustíveis limpos pode ampliar a competitividade regional, desde que acompanhado por investimentos em infraestrutura, integração elétrica, segurança jurídica e políticas capazes de reduzir desigualdades no acesso à energia. (BNamericas - 18.06.2026)
EUA: Fitch vê deterioração no setor elétrico por risco tarifário
A perspectiva para o setor de utilities e energia elétrica piorou diante do aumento das preocupações com a acessibilidade das contas de luz e do risco de maior pressão política e regulatória sobre a recuperação de custos pelas empresas, conforme avaliação da Fitch Ratings. A agência havia mantido visão neutra em dezembro, mas agora vê a resistência a reajustes se materializando de forma mais rápida e ampla que o previsto, em um contexto no qual 36 estados terão eleições para governador em novembro de 2026. As tarifas já foram tema central em disputas em Nova Jersey e Virgínia, no mercado da PJM — maior operadora da rede elétrica do país —, onde preços de capacidade subiram com a demanda projetada de data centers e oferta estagnada. Em março, o preço médio residencial da eletricidade nos EUA avançou 10,2%, para 18,8 centavos/kWh. O alerta ocorre em um momento em que utilities planejam cerca de US$ 240 bilhões em investimentos em 2026, com alta anual esperada de dois dígitos baixos a médios até 2030, para atender carga, confiabilidade e resiliência. (Utility Dive - 15.06.2026)
Artigo de Karen Cubas: “A transição energética também depende de qualificação e mais diversidade”
Em artigo publicado pela Agência Eixos, Karen Cubas (Gerente da Universidade Setorial do IBP \[UnIBP\]) argumenta que a transição energética não depende apenas de investimentos, infraestrutura, tecnologia e regulação, mas também da formação e requalificação de profissionais capazes de atuar em um setor cada vez mais complexo e integrado. A autora destaca que a expansão das energias renováveis, a permanência estratégica da indústria de óleo e gás, a digitalização dos processos e o surgimento de novas tecnologias exigem trabalhadores com competências híbridas, combinando conhecimentos técnicos, visão regulatória, domínio digital, sustentabilidade e cultura de segurança. O texto ressalta ainda que a formação profissional deve ser contínua para acompanhar as rápidas transformações do setor energético e atender às demandas por especialistas em áreas como integração de sistemas, eficiência energética, análise de dados e mercado de carbono. Paralelamente, defende que a transição energética deve ampliar a diversidade, criando oportunidades para grupos historicamente sub-representados e fortalecendo a inovação e a competitividade. Conclui que o potencial brasileiro para liderar a nova economia da energia dependerá da capacidade de desenvolver talentos qualificados, diversos e preparados para conduzir essa transformação. (GESEL-IE-UFRJ – 19.06.2026)
Artigo de Fernando de Lima Caneppele: “Agrivoltaica: quando o painel solar e a lavoura dividem o mesmo espaço”
Em artigo publicado pelo Jornal Ribeirão, Fernando de Lima Caneppele (pesquisador associado do Gesel-UFRJ) analisa o avanço da agrivoltaica, tecnologia que integra a geração de energia solar e a produção agrícola em uma mesma área, destacando seu potencial para transformar propriedades rurais em fontes simultâneas de alimentos e energia. O autor argumenta que a combinação entre painéis fotovoltaicos elevados e cultivos agrícolas gera benefícios mútuos, pois a sombra parcial favorece determinadas culturas e reduz a evapotranspiração, enquanto as plantas contribuem para o resfriamento dos módulos solares, aumentando sua eficiência. Com base em experiências internacionais e projetos-piloto brasileiros, sustenta que a tecnologia pode preservar ou ampliar a produtividade agrícola, ao mesmo tempo em que cria uma nova fonte de receita para produtores por meio da geração e comercialização de energia. O texto enfatiza ainda o crescimento global da agrivoltaica e defende que o Brasil, especialmente regiões como Ribeirão Preto, reúne condições privilegiadas para liderar esse segmento, convertendo a integração entre campo e energia em vetor de renda, inovação e sustentabilidade. (GESEL-IE-UFRJ – 19.06.2026)
Artigo de Abigail Broedlin: “O papel negligenciado da energia solar distribuída: manter as terras agrícolas fora do mercado imobiliário”
Em artigo publicado pelo Utility Dive, Abigail Broedlin (vice-presidente de gestão de ativos da Nautilus Solar Energy) argumenta que a energia solar distribuída pode desempenhar um papel subestimado na preservação de terras agrícolas nos Estados Unidos. Segundo a autora, projetos de community solar podem oferecer renda recorrente e previsível aos agricultores, ajudando a cobrir impostos e estabilizar o fluxo de caixa em anos ruins. O texto também destaca que a alternativa à renda solar pode ser pior para a preservação agrícola: sem estabilidade financeira, proprietários podem vender terras para empreendimentos imobiliários, industriais ou outros usos permanentes. Já os contratos solares, normalmente de 20 a 40 anos, permitem manter a propriedade na família, preservar flexibilidade futura e, ao fim do arrendamento, remover e reciclar os painéis, renová-lo ou devolver a área ao plantio. Pontua-se, ainda, que, segundo dados USDA Census of Agriculture, segundo os quais a fazenda média americana tinha cerca de 460 acres em 2024, enquanto projetos comunitários solares costumam ocupar apenas 16 a 60 acres, frequentemente em áreas de menor produtividade, não prejudicando a atividade agrícola nessas propriedades. O artigo conclui que a GD solar ajuda a agricultura familiar a manter-se economicamente viável, evitando que terras produtivas sejam transferidas para outros fins. (Utility Dive - 15.06.2026)
Eventos
EUSEW 2026 reforça eletrificação e competitividade na transição energética europeia
A Semana Europeia da Energia Sustentável (EUSEW) 2026, realizada em Bruxelas de 9 a 11 de junho, marcou os 20 anos do principal fórum europeu sobre renováveis e eficiência energética. Organizada pela Comissão Europeia e pela CINEA, a edição reuniu formuladores de políticas, indústria, instituições financeiras, sociedade civil e jovens em torno do tema “Uma União da Energia limpa, segura e competitiva”. Ao longo de mais de 50 sessões, os debates trataram de segurança energética, acessibilidade, eficiência, descarbonização e renováveis, com ênfase na eletrificação, na produção doméstica de energia limpa, nas cadeias sustentáveis de matérias-primas críticas e no financiamento de investimentos de baixo carbono. O Plano de Ação para Eletrificação, previsto para os próximos meses, mira elevar a participação da eletricidade no consumo final de energia para 32% até 2030. A agenda também inclui revisão de tarifas de rede, tributação, subsídios fósseis, ETS e medidas do pacote AccelerateEU. (Renewable Matter - 15.06.2026)