Transição Energética 114
Dinâmica Internacional
Artigo GESEL: “A energia eólica offshore no contexto da transição e segurança energética”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador geral do GESEL - Grupo de Estudos do Setor Elétrico) e Sérgio Augusto Gomes Coelho (Pesquisador associado do GESEL) analisam o papel estratégico da energia eólica offshore diante do cenário de instabilidade geopolítica e crescente preocupação com a segurança energética global. Os autores argumentam que conflitos internacionais, especialmente no Oriente Médio, evidenciam a vulnerabilidade das cadeias de suprimento de combustíveis fósseis e reforçam a necessidade de ampliar fontes renováveis capazes de reduzir riscos de abastecimento. Nesse contexto, defendem que o Brasil reúne condições excepcionais para desenvolver a geração eólica marítima, em razão de seu vasto potencial técnico, extensa costa oceânica, baixa incidência de eventos climáticos extremos e experiência acumulada em operações offshore ligadas ao setor de petróleo e gás. O texto destaca a maturidade tecnológica da fonte, a redução expressiva de seus custos e sua contribuição potencial para a eletrificação da economia e a produção de hidrogênio de baixo carbono. Também examina desafios regulatórios, industriais, ambientais e de infraestrutura, ao mesmo tempo em que ressalta avanços institucionais recentes. Concluem que a energia eólica offshore pode consolidar uma nova fronteira de investimentos, fortalecer a segurança energética e ampliar a competitividade sustentável da economia brasileira. (GESEL-IE-UFRJ – 29.05.2026)
Artigo Greenpeace: “Como uma visão de energia renovável de 10 anos atrás está se tornando realidade”
Em artigo, o Greenpeace manifesta que a expansão das energias renováveis na última década confirmou previsões que antes eram consideradas excessivamente otimistas. A análise compara o cenário atual com projeções feitas há dez anos e sustenta que solar e eólica avançaram mais rapidamente do que muitos governos, empresas e analistas esperavam, tornando-se pilares centrais da transição energética global. O texto aponta que a queda acelerada dos custos de tecnologias renováveis, especialmente da energia solar e do armazenamento em baterias, foi decisiva para essa transformação. O crescimento da capacidade instalada ocorreu em ritmo superior ao previsto em diversos mercados, demonstrando que políticas públicas, inovação tecnológica e ganhos de escala podem acelerar mudanças estruturais no setor energético. Além disso, o texto destaca que o sucesso das renováveis enfraqueceu argumentos que defendiam uma dependência prolongada de combustíveis fósseis. Frisa, entretanto, que desafios importantes permanecem, incluindo a necessidade de ampliar redes elétricas, armazenamento, flexibilidade do sistema e eletrificação de setores como transporte e indústria. O artigo conclui que a experiência da última década demonstra que transformações energéticas podem ocorrer muito mais rápido do que o previsto quando existem condições favoráveis de mercado, tecnologia e políticas públicas, reforçando a ideia de que uma transição energética acelerada é tecnicamente e economicamente viável. (Greenpeace - 08.06.2026)
Artigo de Marília Brilhante: “Guerra entre EUA e Irã expõe vulnerabilidade energética do Brasil e reforça urgência da transição”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Marília Brilhante (Diretora da Energo Soluções em Energias) discute os impactos da escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã sobre o mercado internacional de petróleo e os reflexos dessa instabilidade para a economia brasileira. A autora explica que a alta dos preços do barril afeta diretamente combustíveis como o diesel, elevando custos logísticos, pressionando a inflação e ampliando desafios econômicos internos. Embora o Brasil seja produtor relevante de petróleo, permanece dependente da importação de derivados, o que o torna vulnerável às oscilações geopolíticas e de mercado. O texto critica a limitação de medidas emergenciais baseadas em redução tributária, por não enfrentarem as causas estruturais do problema. Como alternativa, defende uma estratégia energética de longo prazo baseada na diversificação das fontes e na ampliação da segurança energética. Brilhante destaca o potencial brasileiro em energia solar, eólica, hidrogênio verde, eletrificação da mobilidade e biocombustíveis. Conclui que a atual crise deve servir de alerta para acelerar a transição energética e posicionar o país como protagonista da nova economia global de energia. (GESEL-IE-UFRJ – 01.06.2026)
IEA: Investimento global em energia atingirá US$ 3,4 tri este ano
Segundo a edição de 2026 do relatório anual da Agência Internacional de Energia (IEA) sobre investimentos mundiais em energia, eles atingirão US$ 3,4 trilhões este ano, um aumento de 5% em relação a 2025, provenientes principalmente da China, dos EUA e da UE. O investimento em energia limpa aumenta 7% ao ano, para US$ 2,2 trilhões, puxado por economias avançadas e pela China, enquanto em outros mercados emergentes o aumento é de 4%. Os US$ 2,2 trilhões citados deverão ser destinados a redes elétricas, armazenamento, combustíveis de baixa emissão, energia nuclear, energias renováveis, eficiência energética e eletrificação em 2026. O relatório também apresenta previsões de investimento em fornecimento e infraestrutura de eletricidade, em armazenamento de baterias, em projetos de energia renovável e de gastos com redes elétricas. O documento analisa, também, a América Latina. A agência aponta que choques energéticos anteriores levaram a mudanças significativas na atenção política à eficiência do lado da demanda. (Brasil Energia - 02.06.2026)
Europa: Gargalo de conexão trava 170 GW de energia eólica
A Europa acumula mais de 170 GW de capacidade eólica em filas de conexão, evidenciando que a infraestrutura elétrica se tornou o principal limite à expansão renovável no continente. A Alemanha concentra 46,5 GW aguardando acesso à rede, seguida por Itália, com 35,5 GW; Polônia, 30 GW; França, 17,5 GW; e Espanha, 13 GW. O entrave ocorre apesar da adição de 19,1 GW eólicos em 2025, que elevou o parque europeu a 304 GW, e da projeção da WindEurope de mais 151 GW entre 2026 e 2030. A pressão sobre as redes também envolve 800 GW renováveis em espera em cinco mercados, 550 GW em pedidos de conexão de baterias e 321 GW de grandes consumidores elétricos. Embora o investimento anual em redes supere € 70 bilhões, a Comissão Europeia estima necessidade de € 1,2 trilhão até 2040 para adaptar a infraestrutura à eletrificação, ao armazenamento, ao hidrogênio verde, aos data centers e à geração variável. (Energía Estratégica - 28.05.2026)
UE: Seis países resistem ao plano de redução das licenças de emissão de carbono gratuitas
Um plano da UE para reduzir gradualmente o número de licenças de emissão de CO2 gratuitas concedidas às indústrias encontrou resistência de seis governos que exigiram regras mais flexíveis para ajudar as empresas a lidar com o impacto da guerra com o Irã nos preços da energia, conforme apurado pela Reuters. A Comissão Europeia propôs novas regras este mês sobre o número de licenças de emissão gratuitas que as indústrias receberão até 2030. Com as crescentes preocupações sobre a competitividade decrescente da União Europeia, Bruxelas afirmou que a mudança teria o impacto geral de reduzir os custos de carbono que a indústria precisa pagar em € 4 bilhões (US$ 4,66 bilhões) até o final da década. Mas a Bulgária, a República Tcheca, a Grécia, a Polônia, a Romênia e a Eslováquia pediram à Comissão que, em vez disso, congelasse o número de licenças de emissão de CO2 concedidas gratuitamente nos níveis do ano passado. Segundo apuração da Reuters, eles afirmaram que os altos preços da energia, que dispararam desde o início da guerra com o Irã em fevereiro, representam um risco para a competitividade das indústrias com uso intensivo de energia. O Sistema de Comércio de Emissões (ETS), o mercado de carbono da UE, é a principal ferramenta do bloco para lidar com as emissões de CO2 e as mudanças climáticas, obrigando as indústrias a comprar licenças quando poluem. Enquanto algumas indústrias pesadas e governos cujos países têm matrizes energéticas com alto consumo de carbono estão pressionando por mais licenças de CO2 gratuitas, outros governos, incluindo Espanha e Suécia, mais avançados na transição para energia limpa, pediram a Bruxelas que não enfraqueça o ETS. Os ministros da indústria dos países da UE discutirão o documento dos seis governos em uma reunião em 4 de junho, e a versão final das regras deverá ser adotada até o final de junho. A UE também está se preparando para propor uma revisão de longo prazo do sistema de comércio de emissões em meados de julho, para alinhá-lo com a meta climática do bloco para 2040. (Reuters – 27.05.2026)
América Latina: Energia eólica amplia papel na segurança dos sistemas elétricos
A expansão da energia eólica na América Latina entra em uma nova etapa marcada não apenas pelo crescimento da capacidade instalada, mas pela necessidade de garantir segurança energética, estabilidade operacional e eficiência econômica em sistemas cada vez mais renováveis. O debate passa a considerar a capacidade das fontes de fornecer potência, previsibilidade e suporte ao sistema, além da simples entrega de energia. A complementaridade entre recursos eólicos e solares, associada ao avanço do armazenamento e das soluções digitais de controle, amplia o potencial das renováveis para contribuir com a confiabilidade das redes. O cenário posiciona a região de forma estratégica na transição energética global e exige novos modelos regulatórios e tecnológicos capazes de valorizar atributos sistêmicos essenciais para a operação elétrica. (Agência Eixos – 29.05.2026)
Economic Security Forum: Países nórdicos precisam reforçar segurança energética
O sistema energético nórdico enfrenta riscos crescentes de segurança e precisa ampliar sua resiliência diante de ataques cibernéticos, sabotagem e interrupções em infraestruturas críticas. A análise “Energy Security in the Nordics”, elaborada pelo Economic Security Forum a pedido do Conselho Nórdico de Ministros e da Nordic Energy Research, apresenta 25 recomendações para uma abordagem regional mais robusta. Entre as medidas propostas estão o desenvolvimento de uma estratégia comum de segurança energética, maior coordenação na conexão de grandes novos consumidores de eletricidade e reforço da preparação por meio de estoques de componentes críticos. O relatório aponta que a forte interconexão entre os países nórdicos exige gestão conjunta de ameaças e crises, em nível não apenas político e estratégico, mas também operacional. A demanda elétrica deve crescer de forma relevante nos próximos anos, impulsionada pela transformação industrial e por novos negócios eletrointensivos, tornando a expansão de fontes renováveis e livres de fósseis essencial para a resiliência de longo prazo. (Nordic Council of Ministers - 08.06.2026)
China: Fabricantes de tecnologia solar investem em baterias ante desaceleração de vendas
Os principais fabricantes de painéis solares da China estão intensificando as exportações de baterias de maior margem de lucro para impulsionar a receita frente à desaceleração das vendas de painéis fotovoltaicos, apostando no crescimento da demanda global por armazenamento de energia renovável para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. O setor foi afetado por instalações domésticas mais fracas, desaceleração das exportações e preços historicamente baixos, com executivos prevendo uma queda na demanda global em 2026. Isso levou empresas como JinkoSolar, JA Solar, LONGi Green Energy e Trina Solar a acelerar a expansão para o armazenamento de baterias, disseram executivos das empresas à Reuters. A JinkoSolar planeja quase triplicar sua capacidade de fabricação de baterias. Países com alta penetração de energias renováveis - incluindo Japão, Vietnã e Índia, bem como Alemanha, Holanda, EUA e Austrália - estavam entre os maiores importadores de baterias da China em 2025, de acordo com o think tank de energia Ember. As exportações de painéis solares, que normalmente têm melhores margens do que as vendas domésticas, cresceram 4,7% em 2025 - o ritmo mais lento desde 2018, segundo dados da Ember. O crescimento de maio a dezembro deve ficar abaixo do observado nos primeiros quatro meses do ano, mas as exportações de baterias para armazenamento de energia devem saltar 30%, para 150 GWh em 2026, disse o analista da Rystad Energy, Fei Chen. Os fabricantes chineses de energia solar estão entrando em um mercado dominado por gigantes de baterias como CATL e BYD, mas apostam em sua expertise na cadeia de suprimentos e na capacidade de oferecer soluções integradas de energia solar e armazenamento. (Reuters - 04.06.2026)
Austrália: RWE avança com parque eólico de 1,1 GW em Queensland
A RWE obteve contrato no âmbito do Capacity Investment Scheme Tender 7 do governo australiano para o projeto eólico onshore Theodore, de 1,1 GW, em Queensland. O empreendimento, estimado em A$ 3 bilhões, deverá contar com até 170 turbinas e uma instalação de armazenamento em baterias, com geração suficiente para abastecer cerca de 500 mil residências. Localizado a aproximadamente 22 km de Theodore, 50 km de Biloela e 150 km de Gladstone, o projeto recebeu aprovação estadual em junho de 2025 e ainda passa por avaliação ambiental federal. A construção pode começar ainda em 2026, condicionada às licenças e à decisão final de investimento, com duração prevista de até quatro anos e até 500 empregos no pico das obras. O leilão adicionará 7,8 GW renováveis e 7,9 GWh em baterias ao sistema australiano. (Energy Monitor – 25.05.2026)
Espanha: Comissão Europeia aprova mecanismo de capacidade de € 9 bi
A Comissão Europeia autorizou, pelas regras de auxílios estatais da UE, o mecanismo de capacidade da Espanha para reforçar a segurança do suprimento elétrico. A medida mira assegurar visa assegurar capacidade suficiente para produzir, armazenar ou consumir eletricidade de forma flexível e garantir que a produção de eletricidade corresponde à procura prevista. O mecanismo será válido por dez anos, a partir de maio de 2026, e terá orçamento estimado em € 900 milhões por ano, totalizando cerca de € 9 bilhões, conforme o resultado de cada leilão. O esquema remunerará, por meio do operador do sistema de transmissão, a capacidade necessária para cumprir o padrão de confiabilidade aprovado pela Agência da União Europeia para a Cooperação dos Reguladores de Energia (ACER), incluindo geração, armazenamento e resposta da demanda disponíveis em períodos de escassez. Poderão participar projetos novos e existentes localizados na Espanha, com seleção por licitações transparentes e não discriminatórias, sujeitos a critérios ambientais no caso do armazenamento. O governo espanhol também buscará viabilizar a entrada de Estados-membros interconectados. Para Bruxelas, o desenho é necessário, proporcional e tem efeitos limitados sobre concorrência e comércio intrabloco. (Energía Estratégica - 29.05.2026)
Itália: Comissão Europeia aprova subsídios de € 23 bi a energias renováveis
A Comissão Europeia anunciou, em 8 de junho, a aprovação de um programa de auxílio estatal italiano de € 23 bilhões (US$ 27 bilhões) para a produção de eletricidade renovável. A medida visa ajudar a Itália a atingir sua meta de obter 39,4% do consumo bruto final de eletricidade de fontes renováveis até 2030. O auxílio será fornecido por meio de contratos bilaterais por diferença (contracts for difference - CfDs) com duração de 20 anos, nos quais o Estado paga aos produtores quando os preços de mercado caem abaixo de um preço de referência acordado, enquanto os produtores reembolsam a diferença quando os preços sobem acima desse preço. "O programa também ajudará a Itália a reduzir sua dependência de importações de combustíveis fósseis e a aumentar sua participação de energia renovável", afirmou a chefe da área antitruste da UE, Teresa Ribera. O orçamento de € 23 bilhões é baseado em estimativas de preços de mercado, e o apoio líquido efetivo poderá ser significativamente menor se os preços da eletricidade excederem as projeções. Sob o governo de direita da primeira-ministra Giorgia Meloni, a Itália tem ficado para trás em relação aos países da UE na transição para energias renováveis. (Reuters - 08.06.2026)
Tailândia: Acordo prevê fornecimento de 1 GW em módulos solares
A GCL System Integration e a Getz Energy firmaram memorando de entendimento para o fornecimento de até 1 GW de módulos fotovoltaicos ao longo dos próximos três anos, apoiando a expansão da capacidade solar da Tailândia. O acordo inclui também soluções de armazenamento em baterias destinadas a projetos solares de grande escala e empreendimentos híbridos, com entregas alinhadas aos cronogramas de construção e conexão à rede. A parceria integra a estratégia da Global Power Synergy Public Company de ampliar sua participação em energias renováveis e responde ao crescimento da demanda regional por tecnologias avançadas de geração limpa. O movimento reforça o dinamismo do mercado solar do Sudeste Asiático e a crescente integração entre geração fotovoltaica e armazenamento. (Energy Monitor – 26.05.2026)
Artigo de Julia Damasceno: “O Plano Nuclear da Polônia é a Melhor Rota para a Transição Verde?”
Em artigo publicado pelo Regard sur l’Est, Julia Damasceno (Mestra em Gestão Sustentável e Impacto Social pela ESSCA School of Management), argumenta que o plano nuclear da Polônia é apresentado pelo governo como elemento central da transição energética, mas sua capacidade de liderar a descarbonização do país é questionável diante dos elevados custos, longos prazos de implantação e incertezas associadas ao setor nuclear. O debate central é se a energia nuclear representa a melhor estratégia para substituir a forte dependência polonesa do carvão. O texto aponta que a Polônia continua sendo uma das economias europeias mais dependentes de combustíveis fósseis e vê na energia nuclear uma forma de reduzir emissões sem comprometer a segurança energética. O programa prevê a construção de grandes usinas nucleares para fornecer geração firme e reduzir a necessidade de importações energéticas. Alternativamente, destaca-se que os críticos do plano argumentam que os recursos destinados ao nuclear poderiam gerar resultados mais rápidos se direcionados para energias renováveis, armazenamento, modernização das redes elétricas e eficiência energética. O texto também expõe que a escolha envolve uma questão estratégica mais ampla: equilibrar segurança energética, metas climáticas e viabilidade econômica. Nesse contexto, a guerra na Ucrânia e a redução da dependência energética da Rússia reforçaram a busca polonesa por fontes domésticas e estáveis de eletricidade. O artigo conclui que a energia nuclear pode desempenhar um papel relevante na descarbonização da Polônia, mas dificilmente será suficiente ou necessariamente a opção mais eficiente isoladamente, exigindo complementaridade com renováveis, armazenamento e modernização da infraestrutura elétrica para viabilizar uma transição energética sustentável. (Regard sur l’EST - 01.06.2026)
Artigo de Bráulio Borges e Moacyr Araujo: “Descarbonização e segurança energética, fim da dicotomia”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Bráulio Borges (diretor da LC) e Moacyr Araujo (coordenador da Rede Clima e vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco) defendem que a tradicional oposição entre descarbonização e segurança energética perdeu sentido diante das transformações recentes do cenário internacional. Os autores argumentam que eventos como a guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões no Oriente Médio evidenciaram a vulnerabilidade de sistemas energéticos dependentes de combustíveis fósseis concentrados em poucas regiões e rotas logísticas. Sustentam que a expansão das fontes renováveis fortalece simultaneamente a segurança energética, reduz emissões e diminui riscos geopolíticos. O texto destaca ainda a crescente competitividade econômica das energias renováveis, a rápida queda dos custos dos sistemas de armazenamento por baterias e o papel estratégico dos biocombustíveis na redução da dependência do petróleo. Conclui que a descarbonização passou a representar não apenas uma resposta climática, mas também uma estratégia de desenvolvimento, resiliência econômica e soberania energética, especialmente para países com ampla disponibilidade de recursos renováveis, como o Brasil. (GESEL-IE-UFRJ – 08.06.2026)
Nacional
EPE: Participação da energia renovável na matriz caiu 0,5 ponto percentual
A matriz energética brasileira apresentou, em 2025, um recuo de 0,5 ponto percentual na participação da energia renovável, totalizando 49,5%. Ainda assim, o Brasil segue desfrutando de um patamar de renovabilidade muito superior ao observado no mundo, que, em 2023, se mantinha em uma fatia média de apenas 14,5%. Esses dados são parte do Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional 2026 – ano base 2025. De acordo com o relatório, em relação à participação das fontes renováveis na matriz energética, houve um aumento da oferta interna de energia eólica e solar, associado à queda de energia hidráulica. A oferta de energia elétrica, por sua vez, apresentou aumento de 2,7%, atingindo um patamar de 20,4 TWh. Ao todo, as fontes renováveis tiveram, no ano passado, uma participação de 86,8% na matriz elétrica. As usinas eólicas e solares fotovoltaicas representaram 26,4% da geração total de eletricidade no país em 2025. Quanto à geração termelétrica, houve um aumento de 12,3% em 2025 em relação ao ano anterior. (Brasil Energia - 05.06.2026)
Brasil: Matriz diversificada reduz exposição à crise no Oriente Médio
A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã reacendeu preocupações globais sobre a segurança energética devido à relevância estratégica do Estreito de Ormuz para o comércio internacional de petróleo. Em meio ao risco de interrupções no abastecimento e volatilidade dos preços, especialistas destacam que o Brasil apresenta maior resiliência graças à elevada participação de fontes renováveis e ao desenvolvimento de biocombustíveis como etanol, biodiesel, biometano e combustível sustentável de aviação. A diversificação da matriz energética reduz a dependência de combustíveis fósseis importados e fortalece a capacidade do país de enfrentar choques externos. O cenário reforça a importância dos investimentos em transição energética como instrumento de segurança econômica e energética de longo prazo. (Além da Energia – 27.05.2026)
FGV Clima: Estudo aponta transição energética com ritmos distintos entre regiões
Uma pesquisa da FGV Clima, com apoio do Instituto Itaúsa, concluiu que a transição energética brasileira ocorrerá de forma desigual entre as regiões, refletindo diferenças de recursos naturais, infraestrutura, cadeias produtivas e capacidades institucionais. O estudo destaca vocações específicas, como bioeconomia e recursos hídricos no Norte, renováveis no Nordeste, bioenergia no Centro-Oeste, descarbonização industrial no Sudeste e biomassa no Sul. Embora reconheça avanços na construção de políticas públicas e instrumentos voltados à transição energética, a análise identifica lacunas, sobreposições e desafios de coordenação entre governos e agentes. Os pesquisadores defendem maior integração das políticas, monitoramento contínuo dos resultados e diretrizes nacionais que respeitem as particularidades regionais, fortalecendo uma transição justa, eficiente e alinhada aos objetivos de descarbonização. (Valor Econômico - 05.06.2026)
Brasil: Pesquisa mostra avanço da preocupação climática
Um levantamento da Descarbonize Soluções revela que os impactos das mudanças climáticas já influenciam decisões cotidianas da população brasileira. Segundo a pesquisa, 77% dos entrevistados afirmam ter sofrido algum prejuízo causado por eventos climáticos extremos e oito em cada dez relatam ter sido diretamente afetados ou conhecer alguém impactado por enchentes, secas, queimadas ou ondas de calor. O estudo mostra ainda que 91% dos participantes já desistiram ou reconsideraram planos em razão dos efeitos climáticos, incluindo viagens, aquisição de imóveis e investimentos de longo prazo. A preocupação também afeta o bem-estar emocional, com 52% declarando ansiedade frequente em relação a eventos extremos. O cenário ocorre em meio a projeções do Met Office indicando que 2026 poderá registrar temperatura média 1,4°C acima dos níveis pré-industriais, reforçando a percepção de que os riscos climáticos tendem a se intensificar e aumentar a pressão por medidas de descarbonização e expansão das fontes renováveis. (Agência CanalEnergia - 09.06.2026)
Brasil: Pesquisas por terras raras avançam
O Brasil registrou forte crescimento dos processos de pesquisa mineral relacionados a terras raras, insumos considerados estratégicos para a transição energética, a indústria de alta tecnologia e aplicações de defesa. Atualmente, existem cerca de 2,7 mil processos ativos cobrindo 4,39 milhões de hectares, com destaque para a expansão observada entre 2023 e 2024. Apenas os pedidos protocolados em 2025 e 2026 abrangem aproximadamente 1,2 milhão de hectares, área equivalente a quase oito vezes o território da cidade de São Paulo. Especialistas atribuem o movimento ao aumento das tensões geopolíticas, às políticas internacionais de diversificação de cadeias de suprimento e à crescente demanda por minerais críticos utilizados em veículos elétricos, ímãs permanentes e tecnologias limpas. O país possui a segunda maior reserva mundial desses elementos e reúne condições geológicas favoráveis à exploração de depósitos de argilas iônicas. Embora poucos projetos avancem até a produção comercial, o crescimento das pesquisas amplia o conhecimento geológico e fortalece o potencial brasileiro nesse mercado estratégico. (Valor Econômico - 09.06.2026)
Ministério da Fazenda: Governo condiciona minerais críticos a soberania e valor agregado
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Brasil está aberto a investimentos estrangeiros em terras raras e minerais críticos, desde que os aportes respeitem a soberania nacional sobre esses recursos. A declaração ocorreu no lançamento do 5º leilão do Eco Invest, modalidade voltada a destravar capital privado e estrangeiro para projetos de sustentabilidade. A rodada inclui beneficiamento de minerais críticos, fertilizantes verdes, combustíveis avançados, automação, inteligência artificial aplicada à indústria, baterias, veículos elétricos, química verde e biomateriais. Segundo Durigan, o objetivo é evitar a exportação de commodities em estado bruto e ampliar a agregação de valor nas cadeias produtivas dentro do país. O governo também trabalha em arcabouço normativo específico para minerais críticos, buscando segurança jurídica, tecnologia local e empregos qualificados. (Agência Eixos – 25.05.2026)
Brasil: Eco Invest prevê R$ 50 bi para cadeias estratégicas
O 5º Leilão do Eco Invest Brasil foi lançado com expectativa de mobilizar R$ 50 bilhões para inovação em cadeias estratégicas da transição energética e da indústria nacional. A nova rodada mira fertilizantes verdes, combustíveis avançados, beneficiamento de minerais críticos, baterias, veículos elétricos, automação, inteligência artificial aplicada à indústria, química verde, biomateriais e circularidade de resíduos. O Tesouro Nacional aportará até R$ 2,5 bilhões, com R$ 1,5 bilhão destinado aos fundos de inovação e exigência de alavancagem privada mínima de duas vezes, permitindo que cada fundo alcance até R$ 4,5 bilhões. A agenda busca reduzir riscos ao investidor, atrair capital estrangeiro e ampliar a agregação de valor no Brasil, evitando a exportação de minerais críticos em estado bruto e fortalecendo soberania tecnológica. (Agência Eixos – 25.05.2026)
Petrobras: Empresa avalia entrada no mercado de minerais críticos
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, indicou que a companhia avalia oportunidades em minerais críticos, potássio e urânio, ampliando o debate sobre a diversificação dos negócios da estatal em direção às cadeias estratégicas da transição energética. A manifestação ocorreu durante anúncio de R$ 72 bilhões em investimentos em Sergipe voltados à produção de óleo, gás, fertilizantes e expansão da oferta energética. O interesse surge em meio às discussões sobre políticas industriais, segurança de suprimentos e fortalecimento de cadeias nacionais ligadas a baterias, eletrificação, defesa e tecnologias limpas. A possível atuação da Petrobras em minerais considerados estratégicos reforça a tendência de integração entre energia e mineração, observada em diversos países que buscam garantir acesso a insumos essenciais para a descarbonização. (Agência Eixos – 29.05.2026)
CCEE: Varejo representou 75% das migrações ao mercado livre em abril de 2026
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) concluiu, em abril de 2026, a migração de 1.213 consumidores para o mercado livre de energia, dos quais cerca de 75% passaram a atuar no ambiente por meio da representação de agentes varejistas. Esse modelo simplifica o acesso ao segmento ao concentrar no fornecedor a gestão dos processos de compra e venda de energia. No mercado livre, consumidores podem escolher seus supridores e negociar preço, prazo e tipo de fonte, em um universo que já reúne mais de 90 mil empresas e pessoas físicas aptas a exercer esse direito no Brasil. Após forte expansão nos dois primeiros anos de abertura para toda a alta tensão, o ritmo de adesões entrou em fase de acomodação, ainda em patamar superior à média registrada até 2023. Segundo Gerusa Côrtes, diretora de Operação de Mercado da CCEE, a abertura para todos os consumidores em 2027 e 2028 deve elevar o mercado a um novo patamar. Para dar escala ao processo, a CCEE lançou em julho de 2025 um modelo de troca de informações via APIs. (CCEE – 27.05.2026)
ePowerBay: Curtailment cresce apesar de forte desempenho operacional das renováveis
O desempenho operacional das usinas eólicas e solares permaneceu elevado em abril, mas as perdas provocadas por restrições operacionais no Sistema Interligado Nacional continuaram avançando. Segundo levantamento da ePowerBay com dados da CCEE, a usina GSII Solar 3, da Matrix Energia, liderou o ranking solar com fator de capacidade de 33,77%, enquanto o parque eólico Ventos de Santo Abraão, da Enel, alcançou 64,01%, o melhor resultado entre os empreendimentos avaliados. Apesar da elevada produtividade, as perdas acumuladas por curtailment em projetos eólicos e solares se aproximaram de 53 milhões de MWh, crescimento de 4,2% em relação ao mês anterior. Apenas em abril, foram cortados 2,13 milhões de MWh, volume 87,2% superior ao registrado em março. O estudo aponta que as restrições por razões energéticas já respondem por quase metade das perdas e reforça que a capacidade de escoamento da rede passou a ser um fator determinante para o desempenho econômico dos empreendimentos renováveis. (Agência CanalEnergia - 08.06.2026)
Brasil: País reúne condições para liderar dupla face transição energética
Maurício Tolmasquim afirmou que o Brasil está posicionado para liderar simultaneamente a economia dos combustíveis fósseis e a expansão das energias limpas, beneficiando-se de uma matriz energética diversificada e de abundantes recursos naturais. Segundo o especialista, a demanda global por petróleo continuará relevante por décadas, embora apresente desaceleração de crescimento, enquanto fontes renováveis como eólica e solar assumem parcela crescente da expansão energética mundial. A combinação entre produção de hidrocarbonetos, geração renovável, biocombustíveis e potencial para novas cadeias industriais oferece ao país uma oportunidade estratégica singular. A avaliação foi apresentada durante o Seminário LIDE Energia e reforça a visão de que competitividade e segurança energética dependerão da integração entre moléculas e eletricidade no processo de transição. (Agência CanalEnergia – 26.05.2026)
Artigo GESEL: “O Plano Nacional de Transição Energética Brasileira”
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico \[GESEL\]) e Kalyne Brito (pesquisadora associada do GESEL) analisam o Plano Nacional de Transição Energética (PLANTE), apresentado pelo Ministério de Minas e Energia como instrumento estratégico para orientar a descarbonização da economia brasileira. Os autores destacam que o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo, mas ainda enfrenta desafios relevantes em setores dependentes de combustíveis fósseis. O texto explica que o PLANTE complementa os instrumentos tradicionais de planejamento energético, estruturando ações de longo prazo apoiadas em três pilares: segurança energética, justiça energética e climática e competitividade econômica de baixo carbono. Também ressalta o caráter participativo de sua elaboração, envolvendo órgãos públicos, setor produtivo, sociedade civil e academia. A análise evidencia ainda a necessidade de expansão da infraestrutura elétrica, o combate à pobreza energética e o aproveitamento das vantagens competitivas brasileiras em minerais estratégicos e biocombustíveis. Conclui que o plano fortalece a institucionalidade do setor energético, embora seu sucesso dependa de monitoramento contínuo, financiamento adequado e ampla participação social. Acesse o texto na íntegra aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 09.06.2026)
Artigo de Alexandre Street: “O setor elétrico e o país das oportunidades perdidas”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Alexandre Street (professor associado da PUC-Rio e tinker visiting professor na Universidade Stanford) examina criticamente as escolhas regulatórias adotadas para enfrentar os desafios recentes do sistema elétrico brasileiro. O autor argumenta que o crescimento acelerado da geração solar distribuída criou um excedente de energia durante o dia e ampliou a necessidade de flexibilidade operacional no período de maior demanda ao entardecer. Embora reconheça a necessidade de medidas para garantir a segurança do sistema, sustenta que o Leilão de Reserva de Capacidade realizado em 2026 priorizou excessivamente a contratação de usinas termelétricas, resultando em custos elevados para os consumidores e em baixa competição tecnológica. O texto destaca que alternativas como baterias, recursos distribuídos, mercados locais de flexibilidade e mecanismos de integração entre distribuição e transmissão poderiam oferecer soluções mais eficientes e econômicas. Também aponta que a redução dos custos de armazenamento e da geração distribuída tende a acelerar mudanças estruturais no setor. Como conclusão, defende uma reforma regulatória capaz de atacar as causas do problema na origem, promovendo maior coordenação entre varejo e atacado, valorização da flexibilidade distribuída e uso mais eficiente dos recursos do sistema elétrico, evitando que o país desperdice vantagens competitivas relevantes no contexto da transição energética. (GESEL-IE-UFRJ – 09.06.2026)
Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais
IEA: Vendas globais de veículos elétricos devem alcançar 23 milhões de unidades em 2026
As vendas globais de veículos elétricos deverão alcançar 23 milhões de unidades em 2026, correspondendo a quase 30% de todos os automóveis comercializados no mundo, segundo relatório Global EV Outlook da Agência Internacional de Energia. O estudo destaca a crescente competitividade dos modelos elétricos e o avanço da participação da China, responsável por cerca de 60% das vendas globais em 2025. Na América Latina, o mercado registrou crescimento de 75%, refletindo a expansão da eletrificação da frota. A projeção indica que o número global de veículos elétricos poderá superar 510 milhões até 2035. No Brasil, especialistas avaliam que o segmento atravessa uma fase de forte crescimento impulsionada por novos lançamentos e maior oferta de modelos, embora a tendência de longo prazo aponte para uma convivência entre veículos totalmente elétricos e híbridos, que devem continuar relevantes na preferência dos consumidores. (CNN Brasil - 30.05.2026)
Brasil: BNDES disponibiliza R$ 21,2 bi para renovação de frotas
O BNDES abriu o recebimento de operações do programa Move Brasil, iniciativa coordenada pelo MDIC que prevê até R$ 21,2 bilhões para financiar a renovação de frotas de caminhões, ônibus e micro-ônibus produzidos no país. Do total, R$ 14,5 bilhões são provenientes do Tesouro Nacional e até R$ 6,7 bilhões de recursos do próprio banco. O programa prioriza veículos com menores emissões, exigindo conformidade com os padrões ambientais Proconve P-8 para modelos novos e critérios específicos para seminovos. Além de estimular a indústria nacional, a medida busca reduzir emissões no transporte rodoviário, aumentar a eficiência energética da logística brasileira e acelerar a modernização da frota, considerada um dos principais desafios para a descarbonização do setor de transportes. (Agência Eixos – 29.05.2026)
Brasil: Carregador de 480 kW eleva padrão da recarga ultrarrápida
A Esquina do Futuro inaugurou em Porto Alegre o primeiro carregador público ultrarrápido de 480 kW do Brasil, ampliando a capacidade da infraestrutura nacional para veículos elétricos. Desenvolvido em parceria com WEG e Tupi, o equipamento recebeu investimento próximo de R$ 1 milhão e pode atender simultaneamente até quatro veículos, superando o padrão predominante de estações entre 150 kW e 350 kW. Segundo a empresa, modelos compatíveis podem elevar a carga de 10% para 80% em cerca de 15 minutos, reduzindo o tempo de permanência nas estações e aumentando a rotatividade dos pontos de abastecimento. A iniciativa integra um projeto de mobilidade de baixo carbono ligado ao Distrito de Inovação de Porto Alegre e busca antecipar a expansão da eletromobilidade no país, em um contexto de chegada futura de carregadores superiores a 1 MW. (Inside EVs – 29.05.2026)
Brasil: Brado Logística migra para energia 100% renovável
A Brado Logística encerrou 2025 com todo o consumo de eletricidade proveniente de fontes renováveis, resultado da migração para o mercado livre de energia e de medidas de eficiência energética. A empresa contratou fornecedores com certificação I-REC, mecanismo internacional que comprova a origem renovável de cada MWh consumido em suas operações. Além da redução das emissões de escopo 2, a companhia cortou em 16% o consumo total de energia em relação ao ano anterior. Entre as ações adotadas está a substituição de servidores de TI por equipamentos de nova geração, com consumo 97% menor e menor emissão de calor, reduzindo também a demanda por climatização em data centers e salas técnicas. A iniciativa reflete a expansão da contratação corporativa de energia renovável no mercado livre, impulsionada por metas ESG e compromissos climáticos. (Agência CanalEnergia – 25.05.2026)
China: Alta de custos eleva preços de veículos elétricos
Após anos de intensa competição e redução de preços, o mercado chinês de veículos elétricos começa a registrar reajustes provocados pelo aumento dos custos de insumos e componentes. Fabricantes como BYD, Xiaomi e Volkswagen revisaram preços ou reduziram incentivos comerciais, refletindo a valorização do carbonato de lítio utilizado em baterias e o encarecimento de semicondutores impulsionado pela demanda da indústria de inteligência artificial. Enquanto a China enfrenta pressões inflacionárias na cadeia produtiva, o Brasil vive momento distinto, com crescimento das vendas de veículos eletrificados, ampliação da oferta e planos de produção local. A diferença entre os mercados evidencia estágios distintos de maturidade e desafios específicos para a expansão da mobilidade elétrica. (Inside EVs – 26.05.2026)
Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis
Brasil: BNDES bate recorde de financiamento para biocombustíveis
O BNDES aprovou R$ 6,4 bilhões em financiamentos para projetos de biocombustíveis em 2025, estabelecendo novo recorde histórico e superando os R$ 4,8 bilhões registrados em 2010. O avanço ocorre em um contexto de crescimento esperado da demanda global por combustíveis renováveis, que pode quadruplicar nas próximas décadas. Nos últimos três anos, o banco aprovou R$ 13,3 bilhões para o segmento, valor 204% superior ao observado entre 2019 e 2022. Os recursos apoiam iniciativas ligadas a etanol, biodiesel, biometano, combustível sustentável de aviação (SAF) e novas tecnologias voltadas à descarbonização. Entre os projetos financiados está uma usina de etanol de milho na Bahia, com capacidade anual de 498 milhões de litros de combustível. Segundo o banco, o fortalecimento da cadeia de biocombustíveis contribui para a redução de emissões, estimula a inovação industrial e amplia o protagonismo brasileiro na transição para uma economia de baixo carbono. (Valor Econômico - 09.06.2026)
Brasil: TCU suspende penalidades relacionadas ao RenovaBio
O ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, determinou a suspensão cautelar das multas aplicadas a distribuidoras pelo descumprimento das metas do RenovaBio até a promulgação da Lei 15.082/2024. A decisão considera que o mercado operou em ambiente regulatório distinto e que a aplicação imediata das penalidades poderia comprometer a continuidade de agentes econômicos relevantes para a política pública. O ministro defende que a ANP desenvolva um mecanismo de renegociação dos passivos acumulados, permitindo regularização gradual das obrigações antes da adoção de sanções mais severas. A medida reacende o debate sobre governança, previsibilidade regulatória e sustentabilidade financeira do principal programa brasileiro de estímulo aos biocombustíveis. (Agência Eixos – 28.05.2026)
Brasil: Usina em Pernambuco conclui implantação de motor a etanol
A Suape Energia concluiu a implantação do primeiro motor dedicado à geração elétrica com etanol na UTE Suape II, em Recife, iniciativa desenvolvida em parceria com a Wärtsilä Energy para avaliar o uso do biocombustível como fonte de energia firme. Os primeiros resultados apontam eficiência térmica entre 43% e 44%, próxima à observada em tecnologias convencionais, com potencial de compensação por ganhos ambientais e competitividade do combustível. O projeto recebeu investimento de R$ 60 milhões e possui capacidade inicial de 4 MW, prevendo até 4 mil horas de testes ao longo de dois anos. A iniciativa busca demonstrar a viabilidade técnica e econômica do etanol para geração elétrica, ampliando alternativas de descarbonização do setor energético brasileiro. (Agência Eixos – 28.05.2026)
Brasil: Gasmig busca biometano para expandir rede no Triângulo Mineiro
A Gasmig abriu chamada pública para contratar suprimento de longo prazo de biometano e apoiar a expansão da rede de distribuição de gás no Triângulo Mineiro. A concessionária pretende adquirir até 250 mil m³ por dia do combustível renovável, com propostas até 3 de junho e contratos de dez anos. O biometano deverá ser produzido em Minas Gerais e entregue na região, diretamente na futura rede ou por gasoduto virtual, modelo baseado em transporte rodoviário que antecipa a operação antes da infraestrutura física. A iniciativa acompanha o mandato gradual da Lei do Combustível do Futuro e a meta federal inicial de 0,5% de descarbonização no mercado de gás natural. A região foi priorizada pela forte atividade agroindustrial, disponibilidade de resíduos orgânicos e demanda industrial concentrada, além de integrar rota prevista no PNIIGB. (Agência Eixos – 26.05.2026)
Brasil: Meta de biometano adiciona novo custo ao gás natural
A meta de descarbonização do mercado de gás natural por biometano introduz um novo componente regulatório-ambiental na formação de preços do setor. A Lei do Combustível do Futuro criou o programa de incentivo ao biometano e permitiu o cumprimento das obrigações por uso direto do combustível renovável ou aquisição de Certificados de Garantia de Origem do Biometano, recentemente regulamentados pela ANP. Embora o percentual inicial previsto fosse de 1%, o CNPE fixou meta excepcional de 0,5%, considerando condições de oferta e infraestrutura. O impacto econômico dependerá da disponibilidade de biometano, da liquidez e preço dos certificados, dos contratos e da capacidade de repasse dos custos. A criação de uma Mesa de Monitoramento no MME deverá acompanhar oferta, preços e infraestrutura, subsidiando ajustes graduais nas metas. (Agência Eixos – 25.05.2026)
Brasil: Etanol de milho impulsiona expansão em Mato Grosso
O etanol de milho deverá liderar a expansão dos biocombustíveis em Mato Grosso na safra 2025/26, segundo projeções do Bioind-MT e do Imea. A produção deve alcançar 6,18 milhões de m³, alta de 9,89% ante o ciclo anterior, enquanto o etanol de cana-de-açúcar deve chegar a 1,09 milhão de m³, crescimento de 1,37%. No total, a produção estadual de etanol deve avançar 8,52%, atingindo 7,27 milhões de m³. Mato Grosso já responde por 62% da produção nacional de etanol de cereais e mantém a segunda posição no ranking brasileiro, atrás de São Paulo. Para a safra 2026/27, a produção total pode crescer 16,08%, chegando a 8,44 milhões de m³, com 7,33 milhões de m³ provenientes do milho. O Imea projeta que o estado poderá produzir 15,02 milhões de m³ até 2033/34. (Agência Eixos – 25.05.2026)
Austrália: Plano de imposição do uso de biocombustíveis para aumentar a segurança energética
A Austrália planeja introduzir a obrigatoriedade de mistura de biocombustíveis para incentivar a produção local e aumentar sua segurança energética, segundo um porta-voz do governo, acrescentando que o desenvolvimento da política já era uma prioridade após a guerra no Irã ter posto em risco as importações de combustível. A Austrália é uma grande produtora de sementes de canola e gordura animal, usados na fabricação de biocombustíveis, mas atualmente exporta esses produtos e importa a grande maioria de seu combustível. O aumento dos preços da gasolina, do diesel e do querosene de aviação, bem como a ameaça de escassez de oferta, dominaram as manchetes dos jornais na Austrália após o início da guerra no Irã. A obrigatoriedade de mistura de biocombustíveis, já implementada em diversos países, exige que os fornecedores de combustível garantam que uma parcela do combustível seja proveniente de biocombustíveis. O governo iniciará uma consulta nos próximos meses sobre quais medidas implementar e poderá ter uma política pronta até o final do ano, disse um porta-voz. A consulta incluirá o diálogo com a indústria, o estudo das políticas de outros países, análises de custo-benefício e a avaliação do potencial da Austrália como produtora de combustíveis de baixo carbono. O governo trabalhista de centro-esquerda anunciou, no ano passado, um investimento de A$ 1,1 bilhão (US$ 783,86 milhões) na próxima década para apoiar a infraestrutura de produção e afirmou que a Austrália poderia ter uma indústria de combustíveis de baixo carbono avaliada em dezenas de bilhões de dólares até meados do século. (Reuters – 21.05.2026)
Hong Kong: Hyundai planeja ecossistema urbano de hidrogênio
A Hyundai anunciou plano para transformar Hong Kong em um polo regional de hidrogênio na Ásia, com produção local, infraestrutura de abastecimento e veículos comerciais movidos a célula de combustível. O projeto, formalizado durante o International Hydrogen Development Symposium 2026, reúne empresas da Coreia do Sul, Hong Kong, China continental e França. Um dos pilares será a produção de hidrogênio de baixo carbono a partir do reaproveitamento de gases gerados em aterros sanitários, no modelo Waste-to-Hydrogen. A estratégia também prevê estações de abastecimento e uso de ônibus a hidrogênio em transporte turístico e translados aeroportuários, setores relevantes em uma cidade que recebe cerca de 50 milhões de visitantes por ano. A expectativa é que o ecossistema esteja totalmente operacional até o fim de 2030, com definição do local até 2027. (Inside EVs – 25.05.2026)
Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização
Brasil: Aneel aprova marco regulatório para armazenamento de energia
A Aneel aprovou a regulamentação dos sistemas de armazenamento de energia, estabelecendo regras diferenciadas para a cobrança do uso da rede elétrica conforme o modelo de operação adotado. Pelo texto aprovado, sistemas autônomos integralmente despachados pelo ONS pagarão encargos apenas quando injetarem energia na rede, evitando a chamada dupla tarifação. Já os empreendimentos com operação livre continuarão sujeitos à cobrança tanto no carregamento quanto na descarga das baterias. A decisão ocorre simultaneamente ao anúncio das diretrizes do primeiro leilão de baterias do país e é considerada fundamental para conferir segurança jurídica aos investidores. A Absae avaliou que a regulamentação cria condições para acelerar projetos de armazenamento associados ou não a fontes renováveis, reforçando o papel das baterias na estabilidade do sistema elétrico e na mitigação da intermitência das usinas solares e eólicas. (Valor Econômico - 02.06.2026)
Brasil: Portaria regulamenta LRCAP de baterias para dezembro
O MME publicou, em 3 de junho, a portaria 136, que estabelece as diretrizes e a sistemática do leilão de reserva de capacidade por meio de novos sistemas de armazenamento de energia em baterias (LRCAP de 2026 – Armazenamento). Os certames serão realizados nos dias 2 e 4 de dezembro e terão como objetivo contratar novos sistemas de armazenamento com potência mínima de 30 MW, capacidade de operação contínua por pelo menos quatro horas, eficiência mínima de 85% e recarga completa em até seis horas. Os contratos terão 15 anos de duração, com início de suprimento em 1º de agosto de 2028. Os SAEs (Sistemas de Armazenamento de Energia) operarão sob despacho do ONS no carregamento e descarregamento, em ciclos de 6 e 4 horas (respectivamente), sendo até dois ciclos diários e 366 por ano, e deverão oferecer capacidade de formação de rede (grid-forming). Considerada um marco para a modernização do setor elétrico pela Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae), a iniciativa cria as bases para a primeira contratação estruturada de sistemas de armazenamento em larga escala no Brasil. (Brasil Energia - 03.06.2026)
Brasil: Regulação avança, mas setor ainda vê entraves para baterias
As recentes diretrizes do Ministério de Minas e Energia para os primeiros leilões de armazenamento e a regulamentação aprovada pela Aneel foram recebidas como marcos relevantes para o desenvolvimento do mercado de baterias no Brasil. Entidades como Absolar e ABCE avaliam que os contratos de 15 anos aumentam a atratividade dos projetos, reduzem riscos e favorecem a captação de investimentos de longo prazo. Apesar do avanço, permanecem preocupações com aspectos regulatórios que podem limitar a expansão da tecnologia, especialmente a cobrança pelo uso da rede tanto no carregamento quanto na descarga de sistemas autônomos não despachados pelo ONS. As associações também questionam a forma de custeio do ERCAP, alertam para possíveis impactos sobre a viabilidade econômica dos projetos e destacam a necessidade de definições adicionais por parte da Aneel sobre edital, garantias e regras operacionais antes do leilão previsto para dezembro. (Agência CanalEnergia - 05.06.2026)
Brasil: Pesquisa indica que 78% dos brasileiros têm interesse em solar com baterias
Uma pesquisa da Descarbonize Soluções, empresa especializada em energia solar e sustentabilidade, aponta que 78% dos brasileiros gostariam de investir em sistemas solares com baterias integradas caso não houvesse a barreira do custo. O levantamento mostra que 42% dos entrevistados acreditam que a frequência de faltas de energia deve aumentar nos próximos anos, percepção associada à maior ocorrência de blecautes. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o sistema elétrico registrou 22 ocorrências no primeiro semestre de 2025, quase o dobro das 13 contabilizadas no mesmo período de 2024. Entre os fatores mais relacionados a apagões, os respondentes citaram eventos climáticos intensos (75%), sobrecarga pelo alto consumo (53%) e infraestrutura elétrica antiga ou com pouca manutenção (52%). O estudo também indica que 95% vivenciaram ao menos uma queda de energia no último ano, sendo que 38% relataram entre três e cinco interrupções e 13% enfrentaram mais de 10 apagões. Os principais impactos foram interrupção do trabalho (68%), suspensão de lazer ou entretenimento (58%) e dificuldade para realizar tarefas domésticas (56%). Entre as soluções desejadas estão baterias independentes da rede (45%) e melhoria da instalação elétrica residencial (43%). (Brasil Energia – 27.05.2026)
Brasil: ONS registra cortes de geração renovável em todos os submercados
O Operador Nacional do Sistema Elétrico registrou restrições de geração renovável em todos os submercados do Sistema Interligado Nacional em 28 de maio, evidenciando desafios operacionais associados à crescente participação das fontes renováveis. O Nordeste concentrou o maior volume de cortes, com pico de 7.375 MW, motivado por controle de frequência, restrições regionais e fluxos sistêmicos, além de intervenções em andamento. Também foram observadas limitações no Sudeste/Centro-Oeste, com até 442 MW, no Sul, com 18 MW, e no Norte. Os dados reforçam a necessidade de investimentos em transmissão, armazenamento, digitalização e mecanismos avançados de operação para aumentar a flexibilidade do sistema elétrico e reduzir desperdícios de energia renovável em períodos de elevada produção. (Agência CanalEnergia – 29.05.2026)
Brasil: Baterias podem reduzir cortes renováveis em até 76% até 2037
A Atlas Renewable Energy estima que a expansão dos sistemas de armazenamento pode reduzir o curtailment em até 76% no Brasil até 2037. O cálculo considera a experiência da companhia no Chile, dados da usina solar Sol del Desierto e estudos de mercado para 2024 a 2037. Após pico projetado de 279.516 MWh de energia vertida em 2025, a adoção de baterias poderia reduzir os cortes em cerca de 53% nos três anos seguintes. A lógica operacional consiste em armazenar excedentes solares nos períodos de maior oferta e redistribuir a eletricidade à noite, especialmente entre 18h e 22h, quando o consumo cresce. A empresa defende que o leilão de baterias previsto pelo MME avance com regras que remunerem serviços como atendimento à ponta, confiabilidade, suporte à rede e redução de desperdícios renováveis. (Agência CanalEnergia – 25.05.2026)
Brasil: MME prepara norma para ressarcir cortes de renováveis
O Ministério de Minas e Energia está na fase final de elaboração da portaria que tratará do ressarcimento dos cortes de geração renovável registrados entre setembro de 2024 e novembro de 2025. A norma deverá trazer a minuta do termo de compromisso a ser assinado por geradores eólicos e solares que aderirem à compensação do passivo, incluindo a parcela de cortes por confiabilidade prevista na Lei 15.269. Para a presidente da Abeeólica, Élbia Gannoum, a solução financeira do passado precisa ser acompanhada de medidas estruturais, pois os cortes já chegam a 45% em determinados momentos. Entre as alternativas citadas estão aumento da carga, absorção por data centers e sinais de preço que desloquem o consumo. O MME também trabalha em decretos sobre abertura do mercado de baixa tensão, Supridor de Última Instância e reserva de capacidade. (Agência CanalEnergia – 25.05.2026)
Brasil: Itaipu investe R$ 102 mi em energia solar para ensino
A Itaipu Binacional assinou planos de ação para instalar sistemas fotovoltaicos em 15 instituições de ensino superior e técnico do Paraná e de Mato Grosso do Sul. O projeto atenderá 91 campi, com investimento próximo de R$ 102 milhões e economia anual estimada em R$ 10 milhões nas contas de energia. Do total, R$ 53,8 milhões serão destinados à implantação de 16,5 MW em painéis solares, R$ 22,8 milhões a melhorias na infraestrutura elétrica e integração às redes existentes, e R$ 25,3 milhões à aquisição de equipamentos para 39 laboratórios de pesquisa. Os recursos beneficiarão 39 municípios paranaenses e oito sul-mato-grossenses, com R$ 82 milhões no Paraná e R$ 20 milhões em Mato Grosso do Sul. A iniciativa amplia a geração distribuída em instituições públicas e reforça pesquisa aplicada em energias renováveis. (Agência CanalEnergia – 25.05.2026)
Brasil: Motiva amplia uso de energia solar em concessões rodoviárias
A Motiva fechou contrato de dois anos com a FIT Energia para abastecer concessões rodoviárias em São Paulo e no Paraná com energia solar no modelo de geração distribuída. O acordo atenderá praças de pedágio, bases operacionais, áreas administrativas, iluminação e câmeras de monitoramento, com previsão inicial de 2.636 MWh anuais em créditos para 293 unidades consumidoras de baixa tensão. Ao longo da vigência, o volume poderá chegar a 11.231 MWh por ano, alcançando até 350 pontos de consumo. A companhia estima economia anual de 22% na conta de luz e redução de 479 toneladas de CO₂ por ano no pico do contrato. Parte da energia também poderá abastecer frotas operacionais elétricas, reforçando a estratégia de descarbonização que levou a empresa a reduzir em 61% as emissões dos escopos 1 e 2 em 2025 ante 2019. (Agência CanalEnergia – 26.05.2026)
Argentina: Adjudicação de 320 MW em energias renováveis no MATER
A Companhia Administradora do Mercado Elétrico Atacadista (CAMMESA) adjudicou 320 MW de prioridade de despacho na convocatória do primeiro trimestre de 2026 do Mercado a Término de Energías Renovables (MATER), na Argentina. Foram selecionados oito projetos entre 10 iniciativas que somavam 456,8 MW, em uma rodada limitada pela capacidade disponível de transporte para atendimento a grandes usuários. A energia eólica liderou a contratação, com 215 MW distribuídos em cinco parques, enquanto a solar fotovoltaica respondeu por 105 MW em quatro empreendimentos. O corredor Patagônia–Província de Buenos Aires voltou às adjudicações com 215 MW, após sucessivas rodadas sem alocações, mas 290 MW do total aprovado ficaram enquadrados no mecanismo Referencial A, que admite até 8% de curtailment até a execução de obras de transmissão; apenas 30 MW foram habilitados no MATER Pleno. Além disso, a Genneia obteve 150 MW para o eólico Los Sabios, em duas etapas, e também foram contempladas AES Argentina, CAPEX, CLA Nehuen Antu, Ambiente y Energía e DQD Energy. O MATER já soma mais de 3.646 MW habilitados. (Energía Estratégica - 27.05.2026)
México: Data centers abrem corrida energética de nova demanda de 1.500 MW
O avanço dos data centers no México deve exigir a incorporação de 1.500 MW de nova demanda elétrica até 2030, volume equivalente a quase 3% da demanda máxima atual do Sistema Elétrico Nacional, estimada em 52.302 MW. A expansão pode mobilizar US$ 18 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos e gerar impacto equivalente a 5% do PIB, ampliando oportunidades para renováveis, baterias, autoconsumo e novos contratos de fornecimento. A capacidade operacional do setor mais que dobrou, de 115 MW em 2023 para 279 MW em 2026, com outros 205 MW em construção, ainda insuficientes frente à meta. Querétaro segue como principal hub digital e concentra pressões sobre rede, parques industriais e suprimento firme. Para evitar gargalos, o governo acelera projetos de transmissão, armazenamento e novas regras de investimento, enquanto avalia polos em estados como Sonora, Puebla, Veracruz, Chihuahua, Guanajuato, Campeche e Tamaulipas. (Energía Estratégica - 27.05.2026)
Brasil: ONS aciona plano inédito para conter excedente de geração no sistema
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou pela primeira vez o plano emergencial de gestão de excedentes para preservar a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN) diante da combinação entre baixa demanda no feriado prolongado de Corpus Christi e elevada geração distribuída. A medida determinou às distribuidoras a redução da produção de usinas Tipo III, grupo que inclui pequenas centrais hidrelétricas, empreendimentos a biomassa e unidades eólicas e solares de menor porte. Entre 10h e 14h do dia 6 de junho, o operador solicitou o gerenciamento de cerca de 1.000 MW, volume capaz de atender milhões de consumidores. O mecanismo, aprovado pela Aneel em 2025, surgiu após episódios de forte estresse operacional provocados pela expansão da geração distribuída. Segundo o ONS, a operação foi bem-sucedida e contou com a atuação coordenada de distribuidoras responsáveis por aproximadamente 80% da capacidade instalada dessas usinas. (Valor Econômico - 08.06.2026)
Impactos Socioeconômicos
Artigo de Maria Carla Rota: “O custo social do carbono agora é um fator para as decisões da transição”
Em artigo publicado no Renewable Matter, Maria Carla Rota (jornalista) argumenta que o custo social do carbono (Social Cost of Carbon – SCC) deve ocupar papel central nas decisões relacionadas à transição energética, pois permite incorporar aos cálculos econômicos os danos climáticos causados pelas emissões de gases de efeito estufa. Segundo a autora, considerar apenas custos diretos de produção e investimento leva à subavaliação dos impactos reais dos combustíveis fósseis e pode distorcer escolhas de política energética. O texto aponta que o SCC busca monetizar prejuízos associados às mudanças climáticas, incluindo perdas agrícolas, eventos climáticos extremos, impactos à saúde, danos à infraestrutura e redução da produtividade econômica. Além disso, destaca-se que a definição do valor do SCC envolve desafios metodológicos e políticos, já que depende de premissas sobre crescimento econômico, sensibilidade climática, taxas de desconto e distribuição dos impactos entre gerações e regiões. O texto também expõe que incorporar o custo social do carbono tende a favorecer investimentos em energias renováveis, eficiência energética e tecnologias de baixo carbono, ao tornar mais visíveis os custos ocultos associados à continuidade da dependência de combustíveis fósseis. O artigo conclui que o custo social do carbono é uma ferramenta estratégica para orientar a transição energética, permitindo decisões mais alinhadas aos impactos climáticos de longo prazo e contribuindo para uma avaliação econômica mais completa das opções energéticas disponíveis. (Renewable Matter - 09.06.2026)
Brasil: TCU alerta para riscos da abertura do mercado e avanço da GD
Relatório do Tribunal de Contas da União aponta que a expansão da geração distribuída e a abertura do mercado livre podem comprometer a sustentabilidade econômico-financeira das distribuidoras de energia caso não sejam implementados mecanismos adequados de adaptação regulatória. Segundo o documento, a migração de consumidores reduz a base do mercado cativo e amplia problemas de sobrecontratação de energia, que já geraram custos bilionários para concessionárias. O tribunal também destaca impactos relacionados a furtos, inadimplência e perda de arrecadação, fatores que podem resultar em aumento tarifário e deterioração da qualidade do serviço. A análise reforça a necessidade de aperfeiçoamentos regulatórios para equilibrar a modernização do setor elétrico com a manutenção da sustentabilidade das concessões. (Agência CanalEnergia – 28.05.2026)
Aurora: Após 2030, 95% do curtailment deve vir do excesso de oferta
Segundo estudo apresentado pela Aurora Energy Research, mais de 95% dos cortes projetados para a próxima década passarão a ter natureza energética, ou seja, deixarão de ocorrer principalmente por restrições físicas de transmissão e passarão a refletir momentos de excesso de oferta renovável frente à demanda do sistema. Os cortes de geração renovável provocados por limitações da rede elétrica devem perder força no Brasil a partir de 2030, mas isso não significará o fim do curtailment. No cenário-base, os níveis de curtailment permanecem elevados em 2026 e 2027. Em 2028, a entrada de baterias reduz parcialmente os cortes. A mudança mais relevante, porém, ocorre entre 2029 e 2030, com a entrada de novas linhas em corrente alternada e do bipolo Graça Aranha–Serra da Mesa, que ampliam o escoamento da geração do Nordeste. Além do cenário central, a Aurora elaborou um cenário sob condições adversas. Nesse caso, o curtailment em 2035 supera o nível registrado em 2026. A modelagem também atribui papel relevante aos projetos de hidrogênio verde e destaca a permanência do risco climático. (Brasil Energia - 02.06.2026)
UE: Transição renovável acelerada pode gerar até € 600 bi em benefícios
A aceleração da transição renovável na União Europeia pode gerar benefícios líquidos de aproximadamente € 100 bilhões a € 600 bilhões entre 2020 e 2050, considerando cenários baseados nos preços de combustíveis fósseis observados de 2021 a 2023. O estudo interdisciplinar liderado por Yafang Cheng, do Instituto Max Planck de Química, avalia que antecipar em dez anos a neutralidade climática, de 2050 para 2040, ampliaria ganhos econômicos, climáticos, sanitários e de qualidade do ar, além de reduzir a exposição do bloco à volatilidade dos preços de energia e à dependência de importações. A análise combinou o modelo Wiliam, com parâmetros nacionais e custos dinâmicos de eletricidade, ao modelo Gains, voltado a gases de efeito estufa e poluição atmosférica. Os resultados indicam que a expansão renovável exigirá planejamento em flexibilidade, armazenamento, redes e redução de curtailment, mas seus benefícios superam os custos de infraestrutura, usinas e equipamentos finais. (Max-Planck-Gesellschaft - 01.06.2026)
UE: Recomendação de isenção de penalidades para empresas que violaram a lei do metano
A União Europeia pedirá aos seus países membros que suspendam as penalidades por três anos para empresas de petróleo e gás que violarem a lei sobre emissões de metano, em resposta à interrupção do fornecimento de energia causada pela guerra com o Irã, segundo apurado pela Reuters. A medida surge após pressão do governo dos EUA e de grupos da indústria de petróleo e gás, que alegaram que a lei poderia prejudicar a capacidade da Europa de garantir o fornecimento de combustível, e ela enfraqueceria a política climática pioneira da UE, concebida para reprimir os vazamentos de metano, um potente gás de efeito estufa e a segunda maior causa das mudanças climáticas, depois das emissões de CO2. O documento preliminar da Comissão Europeia, visto pela Reuters, afirma que os países da UE não devem aplicar penalidades às empresas que violarem a lei do metano em 2027, 2028 e 2029, exceto em casos de "violações fraudulentas em larga escala". A mudança se aplicaria a contratos de fornecimento de petróleo e gás existentes e àqueles assinados ou renovados antes de janeiro de 2028. O projeto de documento é uma "recomendação" da Comissão Europeia, uma instrução não compulsória. A lei da UE sobre metano exige que, a partir de janeiro de 2027, o gás importado esteja em conformidade com as regras de monitoramento e verificação de emissões equivalentes às da Europa. As empresas que não cumprirem a lei poderão ser multadas em até 20% do seu faturamento anual. A maioria dos governos da UE ainda não confirmou como aplicará as sanções para fazer cumprir a lei – o que levou a alertas da indústria de que o risco de multas elevadas poderá dissuadir as empresas de assinar novos contratos de fornecimento de gás. O governo Trump exigiu que a UE fosse além e isentasse completamente o petróleo e o gás dos EUA das regras por uma década. Ativistas ambientais disseram que a isenção das penalidades reduziria a lei da UE sobre metano a um "tigre de papel". (Reuters – 28.05.2026)
Artigo de Stella Tsani: “Transição para energias limpas como estratégia transformadora europeia: a importância da equidade, da coesão e da governança”
Em artigo publicado pelo Balkan Green Energy News, Stella Tsani (professora associada do Departamento de Economia da Universidade Nacional e Kapodistriana de Atenas) argumenta que a transição energética deve ser entendida não apenas como uma mudança tecnológica ou climática, mas como uma estratégia transformadora para o desenvolvimento europeu, capaz de fortalecer competitividade, segurança energética e coesão social. O texto aponta que a aceleração das energias renováveis, da eletrificação e da eficiência energética produz benefícios econômicos e ambientais, mas também gera custos e impactos distribuídos de forma desigual entre regiões, setores produtivos e grupos sociais. Diante disso, a autora pontua que políticas públicas precisam considerar questões de equidade, evitando que comunidades mais vulneráveis arquem de forma desproporcional com os custos da transformação. Além disso, destaca-se que a governança da transição exige coordenação entre diferentes níveis de governo, participação social e mecanismos transparentes de tomada de decisão. A aceitação pública de projetos energéticos, a distribuição dos benefícios econômicos e o apoio às regiões mais afetadas tornam-se elementos centrais para garantir legitimidade e estabilidade política. O texto também expõe que a coesão territorial é fundamental para evitar novas desigualdades dentro da União Europeia, especialmente em regiões dependentes de atividades intensivas em carbono ou com menor capacidade de investimento e adaptação. Por fim, o artigo conclui que a transição energética europeia só alcançará seus objetivos de longo prazo se for conduzida como um projeto de transformação econômica e social, baseado em justiça, inclusão, boa governança e repartição equilibrada de custos e benefícios. (Balkan Green Energy News - 05.06.2026)
Ásia-Pacífico: UNESCAP defende requalificação para transição energética justa
A transição energética na Ásia-Pacífico exigirá uma ampla estratégia de requalificação profissional para evitar que trabalhadores e comunidades fiquem à margem da expansão de tecnologias limpas. A região responde por cerca de metade das emissões globais de gases de efeito estufa e deve concentrar a maior parte do crescimento futuro da demanda por energia, o que torna a formação de mão de obra decisiva para acelerar renováveis, redes, eficiência energética e eletrificação. A A Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico (UNESCAP) aponta que investimentos antecipados e escaláveis em reskilling, certificação e aprendizagem ao longo da vida podem reduzir custos de ajuste, ampliar a participação em empregos de energia limpa e apoiar trabalhadores deslocados de setores intensivos em carbono. A agenda também requer coordenação entre governos, empresas, instituições de ensino e sindicatos, com atenção a jovens, mulheres, idosos e grupos vulneráveis, para alinhar currículos, financiamento e políticas industriais a uma transição inclusiva. (ESCAP - 03.06.2026)
China: Restrições a terras raras pressionam indústria japonesa
As exportações chinesas de sete elementos de terras raras para o Japão registraram forte retração em 2026, com quedas superiores a 80% em março e abril na comparação anual, após o endurecimento das restrições impostas por Pequim. A medida afeta insumos estratégicos como disprósio, térbio e ítrio, amplamente utilizados em motores de veículos elétricos, equipamentos médicos, fabricação de semicondutores, aplicações aeroespaciais e tecnologias avançadas. A China responde por cerca de 70% da produção mundial de terras raras e controla aproximadamente 90% das etapas de processamento e refino, ampliando sua influência sobre cadeias globais de suprimento. Diante da redução das exportações, empresas japonesas passaram a buscar alternativas na Austrália e na Índia, além de ampliar investimentos em reciclagem e em tecnologias capazes de reduzir a dependência desses minerais. O governo japonês acompanha os impactos sobre a indústria e teme interrupções produtivas caso as restrições persistam por período prolongado. (Valor Econômico - 09.06.2026)
Nigéria: Minirredes impulsionam liderança econômica feminina no campo
O Africa Minigrids Program (AMP), iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para ampliar o acesso à energia sustentável, busca transformar a eletrificação rural em vetor de inclusão produtiva e liderança feminina na Nigéria. O programa apoia mulheres em comunidades fora da rede, onde a falta de eletricidade limita renda, educação, saúde e empreendedorismo, e integra critérios de gênero ao desenho, financiamento e governança de projetos de minirredes. A agenda envolve desde o uso produtivo da energia em agronegócios e pequenos negócios até a redução da carga de trabalho doméstico e a abertura de espaço para participação econômica. O programa também desenvolve plataformas digitais com a LocateIT para monitoramento em tempo real e verificação de investimentos. Modelagens do PNUD indicam que minirredes são a rota de menor custo para eletrificar 265 milhões de pessoas até 2030, em uma oportunidade estimada em US$ 46 bilhões. (UNDP Climate Promise - 05.06.2026)
Eventos
Baku Energy Forum: IGU defende expansão do gás em debate sobre transição energética
A International Gas Union (IGU) defendeu a necessidade de ampliar o financiamento e a infraestrutura global de gás natural, em contraponto à ideia de que a transição energética já estaria substituindo combustíveis fósseis em escala. A posição foi apresentada por Damjan Krnjević Mišković, chefe de gabinete do secretário-geral da entidade, durante o Baku Energy Forum, no Azerbaijão, em painel sobre mercados de gás, infraestrutura, estratégia e geopolítica. O executivo argumentou que as renováveis têm sido adicionadas a um sistema energético em expansão, mas ainda não substituem fontes fósseis em ritmo compatível com o crescimento da demanda. Segundo a IGU, combustíveis fósseis seguem respondendo por mais de 80% da energia primária global, enquanto o gás representa cerca de um quarto desse volume. A entidade também criticou restrições de financiamento, regulações discriminatórias e subsídios renováveis, defendendo mais gasodutos e sistemas de GNL resilientes para reforçar segurança energética, acessibilidade e disponibilidade. (International Gas Union - 07.06.2026)