Transição Energética 113
Dinâmica Internacional
GESEL publica TDSE 156 “The Geography of Decarbonization: Distorted Relative Prices and the Misallocation of Global Green Investment”
O Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL-UFRJ) está publicando o Texto de Discussão do Setor Elétrico (TDSE) nº 156, intitulado “The Geography of Decarbonization: Distorted Relative Prices and the Misallocation of Global Green Investment”. O estudo, publicado em língua inglesa, analisa como a transição para uma economia de baixo carbono está promovendo uma reorganização profunda na geografia da produção mundial e na estrutura de preços relativos, considerando a emergência de novos fatores de produção como a energia limpa, o capital natural e os ativos geograficamente fixos. Foram quatro eixos centrais de discussão: a redefinição das vantagens comparativas sob a ótica da descarbonização; o papel das características físicas dos sistemas renováveis no retorno da importância da geografia; os impactos das intervenções de política industrial verde na distorção da competitividade efetiva; e os desafios impostos pela incerteza da demanda e pelas restrições de bancabilidade de projetos. O trabalho examinou como a divergência entre a competitividade estrutural (baseada em fundamentos de custo) e a competitividade efetiva (moldada por subsídios e barreiras) pode subsidiar a compreensão de por que o investimento verde ainda não flui massivamente para economias ricas em recursos renováveis. Os debates concentraram-se em temas como o impacto dos subsídios massivos dos Estados Unidos (IRA) e das barreiras regulatórias da União Europeia (CBAM) na manutenção da produção em locais estruturalmente ineficientes; o fenômeno da “rematerialização” da economia, que aumenta a dependência de ativos físicos como minerais críticos e infraestrutura de transmissão; e o potencial do powershoring para atrair etapas eletrointensivas de cadeias globais de valor para regiões com energia limpa abundante. O estudo acena para a complexidade dessa integração, que exige reconfigurações profundas na governança global e uma articulação institucional coordenada para harmonizar sistemas de certificação e padrões técnicos interoperáveis. Conclui-se que o principal desafio será alinhar as metas climáticas à eficiência econômica global, de modo que o sucesso da transição energética dependerá de arranjos capazes de permitir que a produção se desloque para onde a geografia e a física indicam ser mais barato e menos intensivo em emissões, garantindo uma descarbonização rápida e inclusiva. Acesse o estudo aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 18.05.2026)
IRENA: Eletrificação deve liderar nova fase da transição energética
Um novo Relatório da IRENA aponta que tensões geopolíticas, alta da demanda e volatilidade dos combustíveis fósseis estão abrindo uma nova etapa da transição energética, centrada em eletrificação, renováveis e redução estrutural do uso de fósseis. No cenário de 1,5°C, a eletricidade passa de cerca de 23% do consumo final global hoje para 35% em 2035 e mais de 50% em 2050, tornando-se o principal vetor energético. A participação dos combustíveis fósseis cairia dos atuais 80% para cerca de 50% em 2035 e 20% ou menos em 2050. O relatório também alerta para gargalos em redes, com cerca de 2.500 GW eólicos e solares aguardando conexão, e estima que os investimentos anuais em transmissão e distribuição precisariam subir de US$ 500 bilhões para US$ 1,2 trilhão. Hidrogênio, biocombustíveis e derivados seguem essenciais em setores de difícil descarbonização. (Agência CanalEnergia – 21.05.2026)
Global Energy Monitor: Geração a carvão recua mesmo com alta da capacidade global
A capacidade global instalada de usinas a carvão cresceu 3,5% em 2025, mas a geração efetiva de eletricidade pela fonte caiu 0,6%, indicando que novas térmicas foram construídas, porém operaram por menos horas. O movimento, identificado em estudo do Global Energy Monitor, reflete mudança estrutural no setor elétrico, com avanço de solar, eólica e armazenamento reduzindo o espaço operacional dos combustíveis fósseis. A tendência foi observada principalmente na China e na Índia, que concentram grande parte dos novos projetos a carvão. Na China, a geração térmica caiu 1,2%, apesar de alta de 6% na capacidade instalada, enquanto solar e eólica atenderam 94% do crescimento líquido da demanda elétrica. Na Índia, a produção a carvão recuou 2,9%, ante aumento de 3,8% na capacidade, com a geração solar reduzindo o despacho diurno. O relatório aponta que o carvão passa a atuar mais como reserva de segurança do sistema, enquanto baterias e resposta da demanda ganham protagonismo na flexibilidade operacional. (Canal Solar - 22.05.2026)
OCDE: Países ricos elevaram financiamento climático a recorde em 2024, mas futuro é incerto
Países desenvolvidos destinaram US$ 136,7 bilhões em financiamento climático a nações em desenvolvimento em 2024, maior volume já registrado e alta de 3% ante 2023, conforme levantamento da OCDE. Os recursos foram aplicados em iniciativas como expansão de energia renovável, redução de emissões e reforço de infraestrutura contra eventos climáticos extremos. O resultado mantém a superação da meta anual de US$ 100 bilhões, compromisso assumido em 2009 para ser cumprido até 2020 e alcançado pela primeira vez apenas em 2022. Apesar do avanço, a trajetória futura se mostra incerta: a OCDE indicou que os dados de 2025 podem mostrar queda, após o governo Donald Trump suspender contribuições dos Estados Unidos a fundos climáticos internacionais. A discussão ocorre em meio à pressão de países vulneráveis por aportes maiores e mais previsíveis, após a COP29 fixar novo objetivo coletivo de US$ 300 bilhões por ano até 2035, valor ainda considerado insuficiente por economias em desenvolvimento diante dos custos de adaptação e mitigação. (Reuters - 21.05.2026)
Ember: Eólica e solar superam gás na geração elétrica global em abril de 2026
A geração global combinada de energia eólica e solar superou a produção a gás pela primeira vez em abril de 2026, alcançando 22% da eletricidade mundial, ante 20% das usinas a gás, segundo análise da Ember. As duas fontes renováveis produziram 54 TWh a mais que as plantas movidas a gás, um marco associado à expansão estrutural dessas tecnologias, consideradas mais baratas, domésticas e seguras em comparação ao gás importado. Em abril de 2021, a geração a gás estava em patamar semelhante, de 476 TWh, enquanto eólica e solar somavam 245 TWh, evidenciando a aceleração recente das renováveis. A produção cresceu 13% em base anual, com avanços em mercados relevantes como China (+14%), União Europeia (+13%), Reino Unido (+35%), Estados Unidos (+8%), Austrália (+17%), Chile (+24%) e Brasil (+4%). A Ember ressalta, todavia, que o resultado não representa uma inversão permanente, mas pode sinalizar mudança no mix global, reforçada pela necessidade de ampliar redes e armazenamento. (Sustainability Magazine - 22.05.2026)
América do Norte: Estádios da Copa de 2026 ampliam uso de energia renovável
A Copa do Mundo de 2026, marcada para junho e julho nos Estados Unidos, Canadá e México, terá 12 dos 16 estádios com uso de energias renováveis, por meio de sistemas solares, projetos de eficiência energética, armazenamento ou compensação de emissões. Entre os destaques estão o Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, com mais de 4 mil painéis solares e capacidade para 71 mil pessoas; o Lincoln Financial Field, na Filadélfia, com mais de 11 mil painéis e turbinas eólicas; e o MetLife Stadium, em Nova Jersey, palco da final, com cerca de 1.350 painéis no “Solar Ring” e capacidade superior a 82 mil espectadores. Também integram a lista o Levi’s Stadium, com mais de 1.500 painéis solares, o Gillette Stadium, com geração solar e célula de combustível, além de arenas como BBVA, NRG Stadium, Arrowhead, SoFi, AT&T Stadium, Lumen Field e BC Place, que combinam geração limpa, eficiência operacional, créditos renováveis e matriz hidrelétrica. (Canal Solar - 22.05.2026)
Ásia Central disputa liderança na transição para energia verde
O Cazaquistão e o Uzbequistão lideram a expansão renovável na Ásia Central, região que ganha atenção global pelo potencial solar, eólico, hidrelétrico, de hidrogênio verde e de exportação de eletricidade. O Cazaquistão é apontado como mercado mais promissor, com grandes corredores de vento, elevada irradiação solar, vastas áreas para projetos e leilões que atraem investidores da Europa, China e Oriente Médio, embora ainda dependa fortemente de petróleo, gás e carvão. Já o Uzbequistão acelera usinas solares e eólicas com apoio externo, buscando aliviar a pressão sobre o gás doméstico, melhorar a confiabilidade elétrica e se consolidar como hub regional de energia e logística. Além disso, o Quirguistão e o Tajiquistão concentram esforços em hidrelétricas, por causa da geografia montanhosa e dos rios, mas enfrentam riscos associados à água, ao derretimento de geleiras e a disputas com países a jusante. O Turcomenistão, por sua vez, segue dependente do gás natural, apesar de começar a explorar renováveis. (News.Az - 19.05.2026)
Alemanha: Conselho de especialistas alerta que metas climáticas de 2030 não deverão ser cumpridas
A Alemanha deve descumprir suas metas climáticas de 2030 e emitir mais CO₂ do que o previsto, conforme avaliação do Conselho de Especialistas em Mudanças Climáticas, órgão independente que diverge das projeções da principal autoridade climática do governo. O país tem compromisso legal de reduzir emissões de gases de efeito estufa em 65% até 2030, na comparação com 1990, e alcançar neutralidade climática em 2045, mas o ritmo de queda é considerado insuficiente, especialmente em transportes e edifícios. O governo do chanceler Friedrich Merz apresentou em março um plano climático apoiado por € 8 bilhões para medidas como expansão da energia eólica e estímulo à venda de veículos elétricos. Ao mesmo tempo, revogou a controversa lei de aquecimento aprovada pela gestão anterior, criticada por impor custos às famílias, e pretende substituí-la por uma legislação de modernização de edifícios sem obrigação de incluir componentes renováveis. (Reuters - 18.05.2026)
China: Exportações solares avançam na África e no Sudeste Asiático
As exportações chinesas de células e painéis solares para África e Sudeste Asiático mantiveram forte crescimento anual em abril de 2026, apesar da expectativa de alta de preços após o fim, em 1º de abril, do programa de restituição tributária às vendas externas. Dados alfandegários da China mostram que os embarques para países africanos avançaram 83% ante abril de 2025, para 123.787 toneladas, embora tenham recuado em relação ao pico de 209.474 toneladas de março. Para o Sudeste Asiático, as vendas subiram 75% em base anual, para 170.733 toneladas, também abaixo das 336.891 toneladas do mês anterior. No total, as exportações chinesas de células e painéis solares cresceram 60% em número de unidades e 4% em volume, pressionadas por quedas nos envios ao Sul da Ásia e ao Oriente Médio. A Holanda liderou as importações por volume, enquanto Filipinas, África do Sul e República Democrática do Congo se destacaram, esta última com alta de 482%, para 17.953 toneladas. (Reuters - 21.05.2026)
Emirados Árabes Unidos: IRENA reforça eletrificação como eixo da transição energética
A IRENA publicou novo roteiro para a transição energética alinhado à meta de 1,5°C, defendendo eletrificação acelerada, expansão das renováveis e redução estrutural do uso de combustíveis fósseis. O documento, elaborado em parceria com a presidência brasileira da COP30, projeta que a eletricidade responderá por 35% do consumo energético global em 2035 e por mais de 50% em 2050, enquanto a participação dos fósseis cairá de 80% para cerca de 50% em 2035 e para 20% ou menos até 2050. A agência destaca que eletrificação, redes, armazenamento e flexibilidade dos sistemas elétricos são essenciais para atender ao crescimento da demanda em transporte, indústria, edificações e digitalização. A IRENA estima necessidade de investimentos anuais de US$ 1,2 trilhão em redes elétricas, mais que o dobro do nível atual, e alerta para o gargalo de 2.500 GW de projetos renováveis aguardando conexão. (IRENA – 20.05.2026)
Espanha: Destinação de € 512 mi à repotenciação eólica e hidrelétrica
A Espanha selecionou preliminarmente 149 projetos em 16 comunidades autônomas para receber € 512 milhões em apoios à repotenciação de parques eólicos antigos e à modernização tecnológica e ambiental de usinas hidrelétricas de até 50 MW. A iniciativa integra a segunda chamada do programa Repotenciación Circular, o REPOTEN 2, conduzido pelo MITECO por meio do IDAE e financiado com recursos NextGenerationEU do Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência. O orçamento foi ampliado em 75%, ante os € 292 milhões previstos inicialmente, para atender à forte demanda do setor. As propostas incluem 80 iniciativas de substituição e modernização de aerogeradores e 69 de renovação de instalações hidrelétricas, com potencial de mobilizar € 3,7 bilhões em novos investimentos. Cerca de 65% dos projetos selecionados incorporam armazenamento hibridizado, somando 2 GWh de capacidade, e o conjunto alcança 3,3 GW de potência de geração. Galicia, Andaluzia e Castilla y León concentram 55% das atuações, que deverão ser executadas até o fim de 2030. (Strategic Energy - 22.05.2026)
Índia: Crise no Golfo impele revisão do gás como combustível de transição
A crise no transporte marítimo no Golfo expõe a vulnerabilidade da Índia à dependência de combustíveis importados e enfraquece a tese do gás como eixo da transição energética. Embora o gás natural liquefeito (LNG) e o gás liquefeito de petróleo (LPG) tenham sido tratados como alternativas mais limpas ao carvão, interrupções logísticas e custos elevados reforçam limites estruturais, sobretudo porque o gás representa apenas 6,4% da matriz energética indiana e não há planos para novas usinas a gás. Cerca de 10 GW de capacidade a gás são usados para atendimento de pico, não como geração de base. Antes do conflito, o Catar fornecia 40% do LNG importado pela Índia, seguido por Omã, com 16%, e Emirados Árabes Unidos, com 13%; entre fevereiro e abril, o país elevou compras de Nigéria e Angola e contratou suprimentos dos EUA, Austrália, Mauritânia e Indonésia. O governo também aprovou programa de INR 375 bilhões, ou US$ 3,9 bilhões, para gaseificação de carvão, mas especialistas apontam renováveis, baterias e modernização da rede como rota mais resiliente. (EnterpriseAM - 22.05.2026)
Índia: Regulador do Rajastão volta a barrar projeto a carvão por contrariar objetivos de energia limpa
O regulador de energia do Rajastão, maior estado produtor de energia solar da Índia, bloqueou pela segunda vez um projeto de geração a carvão de 3,2 GW, determinando que as distribuidoras reavaliem a demanda e as necessidades de capacidade antes de avançar. A Rajasthan Electricity Regulatory Commission já havia negado autorização em novembro, ao considerar que a proposta contrariava metas de energia limpa e não estava suficientemente justificada pelas projeções de demanda. A estatal Rajasthan Urja Vikas & IT Services apresentou pedido de revisão, alegando necessidade de nova capacidade para atender ao crescimento do consumo firme e contínuo, mas o órgão encerrou a análise sem liberar o empreendimento. A decisão ocorre enquanto outros estados indianos aceleram compras de energia a carvão para garantir suprimento de base diante da alta da demanda elétrica. A Índia busca quase dobrar sua capacidade não fóssil, para 500 GW até 2030, como parte da meta de neutralidade líquida em 2070. (Reuters - 16.05.2026)
Artigo de Yoo Yeon-chul: “A Coreia precisa acelerar sua transição energética para além da dependência do Oriente Médio”
Em artigo publicado no Korea JoongAng Daily, Yoo Yeon-chul (ex-embaixador no Kuwait e chefe do Reset Korea Climate Response Committee) argumenta que a Coreia do Sul precisa acelerar sua transição energética para reduzir a dependência estratégica do Oriente Médio. Segundo o autor, mais de 70% do petróleo bruto importado pela Coreia vem da região, e cerca de 95% desse volume passa pelo Estreito de Ormuz, tornando o país altamente vulnerável a choques geopolíticos e interrupções físicas de suprimento. O texto aponta três prioridades: diversificar importações para países como Estados Unidos, Austrália e nações africanas; superar o debate binário entre renováveis e nuclear; e integrar política energética à política industrial. Setores como semicondutores, baterias e aço dependem de eletricidade estável, exigindo investimentos em redes, armazenamento e infraestrutura nos polos de Yongin, Saemangeum, Pohang e Gwangyang. O artigo conclui que a segurança energética coreana exige uma reorganização estrutural do sistema, combinando diplomacia energética, renováveis, redes e armazenamento para transformar vulnerabilidade externa em resiliência industrial. (Korea JoongAng Daily - 21.05.2026)
Nacional
Brasil: Ampliação de térmicas a gás na contramão da transição global
Em 2025, observou-se uma inflexão global da energia limpa, quando fontes de baixo carbono atenderam sozinhas aos 849 TWh de aumento da demanda elétrica mundial e as renováveis, com 33,8% da geração, superaram o carvão, com 33,0%, pela primeira vez em um século. O avanço foi liderado pela China e a Índia, que reduziram a geração fóssil em 56 TWh e 52 TWh, respectivamente, ao passo que solar, eólica e baterias ganharam escala. No armazenamento, o preço dos packs para aplicações estacionárias caiu para US$ 70/kWh, com retração de 45% em um ano, e a energia solar despachável com baterias atingiu US$ 76/MWh. No Brasil, apesar de a geração solar ter saltado de 17 TWh em 2021 para 89 TWh em 2025 e do alto grau de renovabilidade da matriz elétrica nacional (87% de fontes renováveis), a queda de 25 TWh na geração hidrelétrica levou à expansão das térmicas a gás, cuja geração cresceu 12%, expondo o risco da manutenção de contratos fósseis por mais anos. (Canal Solar - 20.05.2026)
Brasil: Governo define comitê executivo do programa de energia geotérmica
O Ministério de Minas e Energia publicou despacho no Diário Oficial da União designando os representantes do Comitê Executivo do Programa Nacional de Energia Geotérmica. O CE-Progeo foi criado por resolução do Conselho Nacional de Política Energética em outubro de 2025 e passa a reunir órgãos públicos e entidades técnicas para estruturar a agenda brasileira nessa fonte renovável. Pelo MME, Carlos Agenor Onofre Cabral será o membro titular e coordenador, com Diogo Santos Baleeiro como suplente. Também foram indicados representantes do MDIC, MCTI, ANP, Aneel, Serviço Geológico do Brasil e Empresa de Pesquisa Energética. A composição institucional sinaliza avanço na organização da política pública para avaliar o potencial geotérmico, integrar competências regulatórias e técnicas e apoiar a diversificação da matriz energética no contexto da transição energética. (Agência CanalEnergia – 20.05.2026)
Ceará: Porto do Pecém receberá R$ 700 mi para transição energética
O Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, receberá quase R$ 700 milhões em investimentos voltados à transição energética, após o Senado Federal autorizar operações de crédito externo com o Banco Mundial, por meio do Bird, no valor total de US$ 123,5 milhões. O anúncio foi feito pelo governador Elmano de Freitas durante a 3ª edição do fórum Cresce Ceará, organizado pelo Diário do Nordeste em parceria com o Banco do Nordeste. Parte dos recursos será destinada ao Programa de Transição Energética do Pecém, com foco em infraestrutura, pesquisa, inovação e capacitação de mão de obra para consolidar a cadeia de produção de hidrogênio verde. Outra parcela financiará o programa Pecém Verde, voltado à descarbonização industrial, governança ambiental, formação profissional e fortalecimento institucional. O senador Camilo Santana destacou que o estado reúne sol, vento, localização estratégica, porto competitivo e capacidade técnica para liderar a atração de investimentos verdes no Nordeste. (DatamarNews - 22.05.2026)
CEBC: Mineração e renováveis puxam avanço de investimentos chineses
Os investimentos chineses no Brasil somaram US$ 6,1 bilhões em 2025, alta de 45% ante o ano anterior e maior volume desde 2017, segundo estudo do CEBC. O Brasil respondeu por 10,9% do investimento externo chinês, liderando entre os destinos globais no período. O setor elétrico atraiu US$ 1,79 bilhão, 29,5% do total, com foco em renováveis e transmissão. A mineração recebeu US$ 1,76 bilhão, mais que o triplo de 2024 e recorde da série iniciada em 2007, impulsionada pela busca por níquel, cobre, lítio e nióbio. O setor automotivo somou US$ 965 milhões, associado à produção local de eletrificados por BYD e GWM. O CEBC vê oportunidades em baterias, data centers, hidrogênio de baixo carbono e usinas reversíveis, desde que avancem regulações capazes de destravar novos projetos. (Agência Eixos – 20.05.2026)
EBEX: CCS ainda enfrenta entraves para obter crédito no Brasil
Projetos de captura e armazenamento de carbono e de bioenergia com captura de carbono ainda encontram dificuldade para acessar financiamento no Brasil, apesar do interesse crescente por soluções de descarbonização permanente. Durante o Fórum CCS Brasil, em São Paulo, Carlos Martins, diretor executivo da EBEX, afirmou que praticamente não há crédito para CCS e BECCS no país sem patrocinadores de baixo risco, como petroleiras ou grandes empresas, devido ao estágio inicial do mercado de carbono. Vitor Santos, do BTG Pactual, destacou que bancos tendem a agir com cautela diante de tecnologias emergentes, priorizando parcerias, investimentos indiretos ou P&D. Para os executivos, a bancabilidade deve exigir blended finance, capital catalítico público e instrumentos capazes de reduzir riscos. O avanço do SBCE e da regulação pela CVM e Banco Central pode transformar créditos em garantias financeiras. (Brasil Energia – 18.05.2026)
EPE: Publicação de NT de avaliação de potencial da energia hidrocinética no Brasil
A EPE publicou a Nota Técnica “Energia Hidrocinética: Perspectivas no Contexto Brasileiro”, com análise sobre o potencial da tecnologia como alternativa renovável para o suprimento elétrico no Brasil. A geração hidrocinética aproveita o fluxo natural de rios, marés e correntes, sem exigir grandes barragens, e pode atender Sistemas Isolados, comunidades ribeirinhas e projetos de micro e minigeração distribuída. O estudo reúne referências internacionais, revisa estimativas de potencial no país e avalia experiências práticas no exterior, além de modelagem técnico-econômica para aplicação em Sistemas Isolados. A conclusão aponta oportunidades em arranjos híbridos com renováveis, com redução do diesel, das emissões e dos custos em áreas remotas, mas ressalta desafios de maturidade comercial, custos, manutenção e necessidade de pilotos em escala real. (EPE – 18.05.2026)
Lula defende soberania brasileira sobre minerais críticos e terras raras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não abrirá mão de sua soberania na exploração de minerais críticos e terras raras. Em evento no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas, o presidente disse que empresas e países estrangeiros poderão se associar ao Brasil, desde que a exploração ocorra em território nacional e respeite o domínio brasileiro sobre os recursos. A declaração foi feita durante a inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador Sirius, chamadas Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê, destinadas a ampliar pesquisas em saúde, energia, agricultura, clima e nanotecnologia. O investimento é de R$ 800 milhões, com recursos do novo PAC e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Lula defendeu o uso de ciência e tecnologia para acelerar o mapeamento dos recursos minerais estratégicos e afirmou que projetos estruturados poderão receber apoio financeiro. A ministra Luciana Santos afirmou que o CNPEM reforça a autonomia científica e industrial do país em áreas estratégicas. (Agência Eixos - 18.05.2026)
Artigo de João Carlos Mello: “Contratação do LRCAP é essencial para a confiabilidade elétrica e energética do Brasil”
Em artigo publicado pela CanalEnergia, João Carlos Mello (CEO e fundador da Thymos Energia) defende a contratação de capacidade no Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP 2026\) como medida indispensável para assegurar a confiabilidade elétrica e energética do Brasil. O autor argumenta que a expansão acelerada das fontes renováveis variáveis, como solar e eólica, ampliou a necessidade de recursos capazes de fornecer potência firme e flexibilidade operativa em momentos críticos do sistema. Sustenta que a revisão dos preços-teto promovida pelo Ministério de Minas e Energia foi necessária para adequar o certame à realidade dos custos de investimento e financiamento, viabilizando a participação de agentes aptos a entregar segurança operativa ao Sistema Interligado Nacional. O texto ressalta ainda o risco de descontratação de cerca de 14 GW de usinas até 2028 e apresenta estudos da Thymos Energia que indicam a necessidade de expansão da capacidade instalada para preservar a estabilidade do sistema. Ao final, conclui que o LRCAP deve ser compreendido como instrumento estratégico de planejamento e confiabilidade, permitindo que a transição energética brasileira ocorra de forma segura, eficiente e sustentável. (GESEL-IE-UFRJ – 18.05.2026)
Artigo de Alexandre Uhlig: “Mercado de carbono e o papel estratégico do setor elétrico”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Alexandre Uhlig (diretor de Sustentabilidade no Instituto Acende Brasil) analisa os desafios da regulamentação do mercado de carbono no Brasil e defende que o desenho do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) considere as particularidades da matriz elétrica nacional. O autor argumenta que, diferentemente de outros países, o setor elétrico brasileiro possui predominância de fontes renováveis, com 88,2% da matriz elétrica baseada em energia limpa, o que lhe confere vantagem comparativa estratégica. Nesse contexto, sustenta que a inclusão imediata e rígida do setor em mecanismos de cap-and-trade pode gerar sinais econômicos inadequados e penalizar justamente um segmento essencial para a descarbonização da economia. Uhlig destaca ainda o papel das usinas termelétricas na garantia da confiabilidade e da segurança energética, alertando para os riscos operacionais de uma precificação de carbono mal calibrada. O artigo conclui que o mercado de carbono deve funcionar como instrumento de desenvolvimento econômico e fortalecimento competitivo do país, valorizando o setor elétrico como plataforma central da transição energética brasileira. (GESEL-IE-UFRJ – 18.05.2026)
Artigo de Renata Menescal: “O novo papel das hidrelétricas de pequeno porte como política pública”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Renata Menescal (diretora jurídico/regulatório da Abragel) analisa a importância estratégica das hidrelétricas de pequeno porte no contexto da transição energética brasileira e defende sua valorização como política pública estruturante para a segurança do sistema elétrico. A autora argumenta que o avanço acelerado das fontes solar e eólica amplia a necessidade de recursos capazes de oferecer previsibilidade, potência firme e flexibilidade operacional, atributos que as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) conseguem fornecer de forma renovável e contínua. O texto destaca que a Lei nº 14.182/2021, atualizada pela Lei nº 15.269/2025, instituiu uma política de contratação de até 4,9 GW adicionais dessas usinas por meio de leilões de reserva de capacidade com contratos de longo prazo, reconhecendo explicitamente os serviços sistêmicos prestados por essas fontes. Menescal enfatiza ainda os benefícios da descentralização regional da geração, a redução de perdas elétricas, o fortalecimento da indústria nacional associada ao setor hidrelétrico e a complementaridade dessas usinas às renováveis intermitentes. O artigo conclui que as hidrelétricas de pequeno porte podem se consolidar como pilares de uma matriz elétrica mais resiliente, segura e sustentável, conciliando expansão renovável, confiabilidade operacional e desenvolvimento econômico. (GESEL-IE-UFRJ – 20.05.2026)
Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais
IEA: Carros elétricos devem chegar a 28% das vendas globais em 2026
As vendas globais de carros elétricos devem atingir 25% de participação nos próximos meses e chegar a 28% até o fim de 2026, conforme projeção do Global EV Outlook 2026, da Agência Internacional de Energia (IEA). O mercado mundial ultrapassou 17 milhões de unidades vendidas em 2025, mantendo trajetória de expansão mesmo com desaceleração econômica em alguns países e redução gradual de incentivos públicos. A China permanece como principal vetor do avanço, com forte presença na produção de baterias, domínio da cadeia industrial e expansão internacional de montadoras, especialmente por meio de modelos mais acessíveis. O crescimento também ganha tração em mercados emergentes, como América Latina e Sudeste Asiático, onde a eletrificação tende a avançar nos próximos anos. No Brasil, as vendas de veículos elétricos cresceram 184% em março de 2026 ante igual mês de 2025, impulsionadas por marcas chinesas, infraestrutura de recarga e maior oferta de modelos. (Canal VE - 21.05.2026)
BNEF: New Energy Outlook 2026 aponta que eletrificação e tecnologias limpas podem reforçar segurança energética global
A BloombergNEF avalia que a adoção acelerada de tecnologias limpas e a eletrificação podem reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e fortalecer a segurança energética dos países, em meio aos choques provocados pela Covid-19, pela guerra na Ucrânia e pelo conflito entre Irã e Israel. No New Energy Outlook 2026, o cenário econômico de transição indica que a demanda elétrica crescerá 29% até 2035 e 69% até 2050, impulsionada por veículos elétricos, data centers, população, renda e atividade industrial. As projeções indicam energia solar deve se tornar a maior fonte de eletricidade do mundo em 2032, favorecida por excesso de oferta, avanços tecnológicos e queda de preços, enquanto o armazenamento deve saltar de 223 GW em 2025 para 3,8 TW em 2035. Além disso, o BNEF estima que data centers consumiram 500 TWh em 2025, ou 1,9% da demanda global, e chegarão a 1.114 TWh em 2050. O relatório aponta, ainda, que o investimento na transição atingiu US$ 2,3 trilhões em 2025, mas o cenário de emissões líquidas zero exigiria US$ 235 trilhões até 2050. (BloombergNEF - 19.05.2026)
Brasil: Eletrificados já representam quase 20% do mercado automotivo
Os veículos eletrificados atingiram participação recorde de 19,2% nas vendas de automóveis leves no Brasil na primeira quinzena de maio de 2026, segundo dados da Bright Consulting. Foram 20.863 unidades emplacadas no período, quase o dobro do registrado um ano antes. No acumulado do ano, o segmento soma 157.858 unidades, crescimento de cerca de 104% sobre 2025. Os elétricos puros lideraram entre os powertrains eletrificados, com 8.788 unidades e 42,1% do total, superando híbridos plug-in, híbridos convencionais e mild hybrids. O BYD Dolphin Mini foi novamente o BEV mais vendido, respondendo sozinho por quase 40% dos elétricos comercializados no período. O avanço dos eletrificados também impulsiona a participação das montadoras chinesas, que chegaram a 18,4% do mercado brasileiro de veículos leves, consolidando a eletrificação como um dos principais vetores de crescimento da indústria automotiva nacional. (Inside EVs – 19.05.2026)
Brasil: Programa Move Brasil inclui elétricos em crédito para apps e taxistas
O governo federal lançou o Move Brasil, uma linha de crédito de até R$ 30 bilhões para financiar veículos novos destinados a motoristas de aplicativo e taxistas. A política contempla carros de até R$ 150 mil, incluindo modelos flex, híbridos e elétricos, e será operacionalizada pelo BNDES, com participação de bancos públicos e privados. A inclusão dos eletrificados insere a descarbonização na renovação da frota urbana e mira um perfil considerado estratégico para a eletromobilidade, composto por profissionais que percorrem longas distâncias diariamente e têm forte exposição aos custos de combustível e manutenção. A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) avaliou que o programa demonstra sensibilidade social e reconhecimento aos veículos eletrificados, ao ampliar o acesso à tecnologia e contribuir para reduzir emissões no transporte de passageiros. A iniciativa mantém a estratégia brasileira de múltiplas rotas tecnológicas, combinando eletrificação, híbridos e modelos flex na transição energética. (Canal VE - 20.05.2026)
Brasil: Chineses dominam ranking dos elétricos mais baratos de 2026
O mercado brasileiro de veículos elétricos entrou em 2026 com nova configuração entre os modelos de entrada, marcada pela predominância de montadoras chinesas após a saída do Renault Kwid E-Tech da liderança histórica dos elétricos mais acessíveis. O ranking atualizado mostra o JAC E-JS1 como modelo mais barato do país, a R$ 119,9 mil, seguido pelo BYD Dolphin Mini, a R$ 119,99 mil, e pelo Geely EX2, a R$ 123,8 mil. O levantamento destaca ainda modelos da BYD, GWM, GAC, MG e Chevrolet, refletindo o avanço da competição em uma faixa entre R$ 120 mil e R$ 180 mil. O crescimento da oferta vem acompanhado de promoções, expansão da produção local e maior participação dos eletrificados no mercado nacional. O setor também tenta superar desafios estruturais como infraestrutura de recarga, tributação de importados e nacionalização das cadeias produtivas. (Inside EVs – 19.05.2026)
Brasil: Anfavea passa a tratar eletrificados como eixo estratégico do mercado
A Anfavea destacou os veículos eletrificados como um dos principais motores do mercado automotivo brasileiro durante apresentação dos resultados de maio de 2026. Segundo a entidade, os eletrificados responderam por 18,3% dos emplacamentos em abril, maior participação já registrada pela associação. Pela primeira vez, os veículos 100% elétricos lideraram o segmento, com 17,5 mil unidades vendidas, acima dos híbridos plug-in e híbridos convencionais. A entidade aponta que o avanço dos elétricos resulta da chegada de modelos mais acessíveis, da expansão das montadoras chinesas e da intensificação da concorrência de preços. A Anfavea também informou que cerca de 40% dos eletrificados vendidos em 2026 já são produzidos no Brasil, refletindo investimentos em manufatura local. Apesar disso, a associação mantém preocupação com o crescimento das importações de veículos eletrificados no país. (Inside EVs – 18.05.2026)
Brasil: Arcfox T1 é flagrado em testes e pode disputar mercado de elétricos compactos
O Arcfox T1, hatch elétrico da chinesa BAIC, foi flagrado sem camuflagem em um eletroposto na Rodovia Castelo Branco, em São Paulo, indicando testes locais e possível preparação para entrada no mercado brasileiro. O modelo integra a submarca elétrica Arcfox e deve mirar o segmento de compactos eletrificados, hoje disputado por BYD Dolphin, Geely EX2 e GWM Ora 03. O veículo visto no Brasil já apresentava visual definitivo, o que sugere etapa de homologação ou validação técnica. Na China, o T1 mede cerca de 4,33 metros de comprimento, tem entre-eixos de aproximadamente 2,77 metros, motores de 94 cv ou 127 cv e baterias LFP de 41,7 kWh ou 42,3 kWh, com autonomia de 320 km a até 425 km no ciclo CLTC. Para o Brasil, ainda não há especificações confirmadas, mas a expectativa é de adequação à faixa de elétricos de entrada. (Inside EVs – 20.05.2026)
Alemanha: Volkswagen adia lançamento do Golf elétrico para depois de 2030
A Volkswagen confirmou que o futuro Golf totalmente elétrico não deve chegar ao mercado antes do fim da década, adiando previsões anteriores que indicavam estreia entre 2028 e 2029. Segundo o CEO Thomas Schäfer, a montadora considera que a atual linha de veículos elétricos ainda atende aos objetivos estratégicos da marca. O futuro modelo será baseado na plataforma SSP, arquitetura elétrica que servirá de base para a próxima geração de veículos do grupo, mas Audi e Porsche terão prioridade inicial na adoção da tecnologia. O adiamento ocorre em meio a uma reorganização industrial na Alemanha, com redução de capacidade produtiva em fábricas como Wolfsburg, Zwickau e Emden após desaceleração da demanda por elétricos na Europa. A empresa também planeja transferir a produção do Golf a combustão para o México, liberando espaço para futuros modelos elétricos. (Inside EVs – 18.05.2026)
Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis
Brasil: Abihv e NLHydrogen firmam cooperação para H2V
A Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde e a NLHydrogen assinaram, durante o World Hydrogen Summit, na Holanda, um Memorando de Entendimentos para aproximar Brasil e Países Baixos em projetos de hidrogênio renovável e derivados. O acordo busca acelerar investimentos, parcerias comerciais e iniciativas ligadas a amônia, e-metanol e combustíveis sustentáveis, com foco em desenvolvimento de hubs, padrões de certificação, mercado e offtake. A cooperação prevê mapear oportunidades no Brasil, especialmente em portos e polos industriais, e conectá-las à demanda europeia por meio de rotas logísticas e exportações via portos holandeses. Também estão previstos alinhamento de metodologias de pegada de carbono, garantias de origem, rastreabilidade e instrumentos de demanda como contratos por diferença e leilões. (Agência Eixos – 21.05.2026)
Thyssenkrupp: H2V não veio de forma avassaladora como se pensou e é solução de nicho
O CEO da Thyssenkrupp na América do Sul, Paulo Alvarenga, afirmou que o hidrogênio verde deve ocupar um espaço mais restrito do que o inicialmente projetado na transição energética global, destacando que a tecnologia é uma solução “de nicho” e ainda enfrenta limitações econômicas para aplicação em larga escala na indústria e no transporte. Durante painel no São Paulo Innovation Week, o executivo avaliou que a adoção dependerá de políticas públicas, precificação de carbono, financiamentos e desenvolvimento de infraestrutura e cadeias produtivas. O vice-presidente da Axia Energia, Ítalo Carvalho, alertou para os desafios operacionais provocados pela expansão acelerada da geração solar intermitente, citando a necessidade de sistemas de armazenamento e fontes despacháveis para garantir estabilidade ao sistema elétrico. Já a Baterias Moura destacou investimentos em soluções de armazenamento com baterias de lítio, incluindo sistemas BESS voltados à integração com fontes renováveis e mitigação de gargalos de transmissão. (Estadão - 15.05.2026)
Brasil: Acelen confirma US$ 1,5 bi para biorrefinaria de SAF na Bahia
A Acelen Renováveis, do Mubadala Capital, anunciou decisão final de investimento e US$ 1,5 bilhão para iniciar a construção de sua biorrefinaria na Bahia, ao lado da Refinaria de Mataripe. O financiamento envolve consórcio liderado por HSBC e IFC, com participação de instituições como BNDES, BID Invest, AIIB, FAB, ADCB, Bradesco, BBVA e Bank of China. O projeto prevê investimento total superior a US$ 3 bilhões e operação em 2029, com capacidade de produzir 1 bilhão de litros anuais de SAF e diesel verde em planta flexível. Cerca de 90% da produção futura já tem contratos de offtake, voltados sobretudo aos mercados dos Estados Unidos e da Europa. A unidade usará óleo de soja, óleo de cozinha usado e gordura animal, com incorporação gradual da macaúba em 144 mil hectares de áreas degradadas na Bahia e em Minas Gerais. (Agência Eixos – 21.05.2026)
Brasil: MME publica plano de testes para biodiesel até B25
O Ministério de Minas e Energia publicou portaria com o cronograma e o detalhamento do plano de testes para misturas de biodiesel ao diesel em teores de até 25%, o B25. Os ensaios serão feitos em duas fases, abrangendo motores novos e modelos com mais de 30 anos. A primeira etapa avaliará misturas acima do B15 já validado até o B20, enquanto a segunda analisará teores até B25. Segundo o MME, a divisão busca priorizar estudos até B20 para viabilizar o cronograma da Lei do Combustível do Futuro, que prevê aumento de 1 ponto percentual ao ano até 20% em março de 2030, condicionado à validação técnica. O avanço para B16, previsto para março de 2026, ficou travado em B15. A portaria afirma que o plano não presume viabilidade técnica acima de B15 nem altera o cronograma legal, e prevê atualização até 30 de novembro de 2026. (Agência Eixos – 20.05.2026)
Brasil: 3tentos inicia operação de usina de etanol de milho em Mato Grosso
A 3tentos iniciou oficialmente a operação de sua primeira indústria de etanol de milho em Porto Alegre do Norte, no Vale do Araguaia, após autorização da ANP pela SPC-ANP nº 253, de 19 de maio de 2026. A unidade processará 2.800 toneladas de milho por dia e terá capacidade para produzir 1.275 m³/dia de etanol hidratado, 1.215 m³/dia de etanol anidro, 785 toneladas diárias de DDGS e 50 toneladas por dia de óleo de milho, podendo também processar sorgo em composição com milho. O projeto integra a expansão da companhia em Mato Grosso e deve gerar cerca de 350 empregos diretos e mais de 500 indiretos. A empresa afirma que a planta reforça sua estratégia em biocombustíveis, segurança energética e descarbonização, além de integrar agricultura, pecuária e produção de insumos para alimentação animal. (Agência Eixos – 20.05.2026)
Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização
Brasil: Curtailment de até 35% pressiona renováveis e reforça urgência de baterias
A Elera Renováveis alertou que os cortes de geração renovável atingiram níveis capazes de comprometer a sustentabilidade financeira de projetos no Brasil. Segundo o diretor jurídico Daniel Chen, as taxas chegaram a 39% no início de maio de 2026, enquanto a usina da empresa em Janaúba registrou curtailment de 35%, patamar considerado incompatível com os modelos financeiros dos empreendimentos. O executivo afirmou que a volatilidade já afeta fluxos de caixa, covenants e a bancabilidade de novos investimentos, inclusive diante de investidores estrangeiros. A companhia defende critérios mais claros do ONS e da Aneel para classificar restrições por confiabilidade ou energia, maior transparência em dados e metodologias e regulamentação urgente para baterias. A Elera também avalia data centers como forma de absorver excedentes de geração. (Agência CanalEnergia – 21.05.2026)
Brasil: Regulação de IBS e CBS reacende disputa sobre geração distribuída compartilhada
Os regulamentos do IBS e da CBS, publicados pela Resolução CGIBS nº 6/2026 e pelo Decreto nº 12.955/2026, reacenderam preocupações tributárias no setor de geração distribuída. A análise destaca que a LC nº 214/2025 reproduziu lógica semelhante à do Convênio ICMS nº 16/2015 ao excluir da base de cálculo, no autoconsumo local, a energia injetada pela própria unidade consumidora no sistema de distribuição. Os novos regulamentos, porém, deixam claro que esse ajuste não alcança geração compartilhada, consórcios, cooperativas, condomínios, associações ou empreendimentos com múltiplas unidades consumidoras. Para os autores, isso não significa tributação automática dessas modalidades, pois o autofornecimento não configuraria operação onerosa. No caso de consórcios não contribuintes, defendem a não incidência sobre a energia gerada para os próprios participantes. (Agência Eixos – 21.05.2026)
Artigo de Diogo Olm Ferreira: “Geração Distribuída nos regulamentos de IBS e CBS: déjà vu de preocupações para estruturas compartilhadas”
Em artigo publicado pela Agência Eixos, Diogo Olm Ferreira (sócio da área de Direito Tributário do VBSO Advogados) analisa os impactos dos regulamentos do IBS e da CBS sobre a geração distribuída compartilhada de energia elétrica. O autor argumenta que os novos regulamentos reproduzem discussões já enfrentadas no âmbito do ICMS, especialmente em relação à tributação de estruturas de autoconsumo e geração compartilhada. O texto explica que a Lei Complementar nº 214/2025 incorporou lógica semelhante à do Convênio ICMS nº 16/2015 ao prever exclusões da base de cálculo apenas para hipóteses específicas de autoconsumo local. A partir disso, Ferreira examina a interpretação dos regulamentos recentes, que afastam esse ajuste para modalidades compartilhadas, como consórcios e cooperativas. O autor sustenta, contudo, que isso não implica automaticamente tributação integral dessas operações, defendendo que o autofornecimento de energia não configura operação onerosa sujeita ao IBS e à CBS. Ao final, propõe maior clareza regulatória para evitar judicializações futuras e garantir segurança jurídica ao setor de geração distribuída. (GESEL-IE-UFRJ – 21.05.2026)
Allianz Research: Data centers podem elevar consumo de energia até 2030
Relatório da Allianz Research estima que o consumo de energia dos data centers deve crescer entre 58% e 137% nas principais regiões do mundo entre 2025 e 2030, impulsionado pela expansão da inteligência artificial generativa e de sistemas autônomos. Nos Estados Unidos, o estudo projeta impacto adicional de US$ 1,4 bilhão por ano nas contas residenciais, com aumento médio nacional de 0,6%, mas pressão mais forte em áreas de alta concentração tecnológica, como Norte da Virgínia, Arizona e Noroeste do Pacífico. Apenas cinco concessionárias, que atendem 4,4 milhões de residências, concentrariam mais de 40% do custo adicional. A demanda contínua de data centers pressiona leilões de capacidade, redes de transmissão e o uso de fontes firmes como gás e nuclear. (Agência CanalEnergia - 19.05.2026)
Brasil: Omnia e Casa dos Ventos fecham acordo de US$ 2 bi para data center renovável
A Omnia e a Casa dos Ventos assinaram contrato de autoprodução de energia renovável voltado ao abastecimento de data centers na América Latina. O acordo prevê fornecimento de até 300 MW médios de energia eólica para o Data Center Pecém, no Ceará, com investimentos estimados em US$ 2 bilhões. A Casa dos Ventos ficará responsável pelo desenvolvimento e operação dos parques eólicos no Ceará e no Piauí, com aportes de cerca de R$ 4 bilhões, enquanto a Omnia atuará como investidora e operadora do complexo digital. As empresas destacam que o modelo amplia previsibilidade de custos energéticos e reduz exposição às oscilações do mercado livre, aspecto considerado estratégico para operações intensivas em consumo de energia. O empreendimento utilizará exclusivamente energia renovável rastreável, alinhando-se a padrões internacionais de sustentabilidade e podendo gerar mais de 6 mil empregos diretos durante construção e operação. (Agência CanalEnergia – 19.05.2026)
Brasil: Neoenergia inicia testes de usina solar com baterias em Fernando de Noronha
A Neoenergia concluiu a primeira etapa do Projeto Noronha Verde, voltado à descarbonização de Fernando de Noronha, com instalação de 4,8 mil painéis solares e início dos testes de injeção de energia na rede elétrica da ilha. O projeto prevê mais de 30 mil módulos fotovoltaicos até o fim de 2026 e investimento total de R$ 350 milhões. Quando concluída, a usina terá capacidade instalada de 22 MWp e sistemas de armazenamento em baterias com capacidade de 49 MWh, equivalente ao consumo de cerca de 9 mil residências no continente. A iniciativa busca reduzir a dependência da Usina Tubarão, atualmente abastecida majoritariamente por biodiesel, ampliando a participação de fontes renováveis no arquipélago. O empreendimento integra o Programa Mais por Noronha, que reúne ações em mobilidade sustentável, inovação tecnológica e expansão de energia limpa. (Agência CanalEnergia – 18.05.2026)
China: BYD enfrenta gargalo de baterias após avanço da recarga ultrarrápida
A BYD confirmou restrições em sua capacidade de produção de baterias diante da forte demanda por veículos equipados com a nova geração da Blade Battery e sistemas de recarga ultrarrápida. Segundo o chairman Wang Chuanfu, a pressão decorre da rápida expansão dos modelos compatíveis com a tecnologia de “flash charging”, apresentada em março e capaz de elevar a carga de 10% a 70% em cerca de cinco minutos em condições ideais. Estimativas indicam que os pedidos de veículos com a Blade Battery de segunda geração já ultrapassaram 140 mil unidades na China. Paralelamente, a montadora acelera a expansão de sua infraestrutura de carregamento, alcançando 5.979 estações ultrarrápidas em 312 cidades chinesas e planejando chegar a 20 mil unidades até o fim de 2026. A empresa também confirmou expansão dessa estratégia para o Brasil, com previsão de até mil carregadores Flash até 2027. (Inside EVs – 19.05.2026)
China: Bateria sólida mantém funcionamento após corte e reacende debate tecnológico
A startup chinesa Pure Lithium Energy apresentou demonstração em que uma bateria de estado sólido continuou funcionando após ser cortada, reacendendo o debate sobre a maturidade dessa tecnologia para veículos elétricos. A empresa afirma utilizar arquitetura baseada em lítio metálico e eletrólito sólido, com foco em ampliar segurança e estabilidade estrutural frente às baterias convencionais de íons de lítio. Segundo a companhia, a capacidade produtiva já alcança 500 MWh por ano, embora a densidade energética inicial, entre 180 e 190 Wh/kg, ainda não represente salto disruptivo em relação às tecnologias atuais. Especialistas destacam que desafios como custos, durabilidade, formação de dendritos e escalabilidade industrial continuam limitando a adoção comercial em larga escala. Montadoras e fabricantes como BYD, CATL e Toyota seguem investindo no tema, mas estimam aplicações relevantes apenas no fim da década. (Inside EVs – 17.05.2026)
EUA: Armazenamento de energia bate recorde no 1º trimestre de 2026
O mercado de armazenamento de energia dos Estados Unidos instalou 9,7 GWh de nova capacidade no primeiro trimestre de 2026, alta de 32% frente ao mesmo período de 2025 e maior volume já registrado para os três primeiros meses do ano, conforme relatório da Solar Energy Industries Association e da Benchmark Mineral Intelligence. A expansão reflete a busca de utilities por maior estabilidade da rede e redução de custos em meio ao crescimento da demanda elétrica, impulsionado também por data centers de empresas como Google e Meta, que exigem fornecimento contínuo. As baterias permitem armazenar energia solar e eólica de menor custo para uso em horários de pico, além de ampliar a flexibilidade do sistema e apoiar projetos renováveis ou operar de forma independente. A capacidade total instalada de armazenamento nos EUA chegou a 174,9 GWh, com projeção de superar 610 GWh até 2030. Apesar do avanço, o setor alerta que entraves de licenciamento federal podem atrasar novos projetos. (Reuters - 21.05.2026)
Artigo de Alexandra Garatzogianni: “Governando o Invisível: Interdependências na Transição Digital-Energética e na Soberania da Europa”
Em artigo publicado na Balkan Green Energy News, Alexandra Garatzogianni (líder Estratégica do Centro de Informação Leibniz para a Ciência e a Tecnologia \[TIB\]) argumenta que a transição energética europeia depende cada vez mais da convergência entre infraestruturas digitais e elétricas. Segundo a autora, tecnologias como IA, computação em nuvem e data centers elevam a demanda por eletricidade, enquanto o sistema elétrico passa a depender de ferramentas digitais para integrar renováveis, prever demanda e gerir variabilidade. O texto aponta que essa interdependência cria oportunidades de eficiência, mas também novos riscos para resiliência, competitividade e soberania estratégica. Ele pontua que políticas digitais e energéticas ainda são formuladas em trilhas institucionais separadas, apesar de decisões em um setor afetarem diretamente o outro, como a localização de data centers, capacidade de rede, prazos de conexão e necessidade de flexibilidade. Destaca também que a soberania europeia passa a depender menos do controle isolado de setores e mais da capacidade de governar sistemas interconectados, incluindo matérias-primas críticas, cadeias de suprimento e competências especializadas. O artigo conclui que a Europa precisa integrar planejamento energético e digital, fortalecendo redes, interconexões e governança sistêmica para evitar ineficiências estruturais e garantir autonomia, segurança e competitividade na transição energética. (Balkan Green Energy News - 18.05.2026)
Impactos Socioeconômicos
Global Energy Monitor: Brasil encerra novos projetos de carvão, mas mantém subsídios bilionários a térmicas até 2040
Relatório “Boom and Bust Coal 2026”, do Global Energy Monitor, aponta que o Brasil se tornou o primeiro país da América Latina sem novos projetos de usinas a carvão mineral em desenvolvimento, mas simultaneamente ampliou subsídios e contratos para manter térmicas existentes em operação até 2040. Segundo o estudo, a extensão contratual do Complexo Jorge Lacerda e da usina Candiota III pode gerar mais de R$ 100 bilhões em subsídios até 2040. O relatório também destaca que o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026 contratou 1,4 GW de potência de usinas a carvão importado após mais de uma década sem novas contratações do tipo. Embora o país tenha encerrado projetos de novas térmicas a carvão após o arquivamento de empreendimentos no Rio Grande do Sul, especialistas criticam a ausência de um plano estruturado de descomissionamento das usinas existentes e de políticas de transição justa para trabalhadores do setor carbonífero. (Estadão - 20.05.2026)
UNCTAD: Defesa de regras mais inteligentes para investimento verde
A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) avalia que atrair investimentos em energia limpa é condição necessária, mas insuficiente para garantir uma transição energética inclusiva nos países em desenvolvimento. A entidade estima que o mundo precisará de mais de US$ 1 trilhão por ano em investimentos renováveis até 2030, grande parte de fontes privadas e estrangeiras, enquanto o World Investment Report 2023 apontou necessidade anual de US$ 1,7 trilhão nesses países, que captaram apenas US$ 544 bilhões em 2022. A análise alerta que muitos acordos internacionais de investimento, firmados nas décadas de 1980, 1990 e 2000, foram desenhados antes da centralidade da agenda climática e podem limitar políticas de capacitação local, desenvolvimento de fornecedores e difusão tecnológica. Mais de um terço das relações de tratados existentes inclui restrições a algumas dessas medidas. Para evitar nova dependência, na qual países importam painéis solares, baterias e equipamentos sem absorver conhecimento, a transição deve combinar capital, flexibilidade regulatória, infraestrutura, mão de obra qualificada e redes produtivas locais. (UNCTAD - 21.05.2026)
Artigo de Katie Hall: “Uma transição energética impulsionada pela demanda”
Em artigo publicado pela Atlantic Council como parte “The 2026 Global Energy Agenda”, Katie Hall (CEO e copresidente da Galvanize) argumenta que a próxima fase da transição energética será menos guiada por metas climáticas abstratas e mais pela explosão da demanda por eletricidade. O texto pontua que a energia limpa já é, em muitos mercados, a forma mais barata para novas capacidades de geração, mas o gargalo deslocou-se do capital para infraestrutura, interconexão e capacidade institucional. Nos Estados Unidos, por exemplo mais de 1 TW de capacidade de geração, grande parte renovável, aguarda conexão às redes. Nessa dinâmica, três forças centrais são destacadas: o crescimento acelerado da demanda por data centers, IA, eletrificação de transportes, edifícios e indústria; a mudança no comportamento dos compradores, que passam a buscar energia confiável e previsível para reduzir custos e garantir competitividade; e o deslocamento de valor da geração isolada para ativos como armazenamento, redes, flexibilidade, geração distribuída, software e tecnologias de melhoria da rede. O artigo conclui que a era da ambição climática criou a base da transição, mas a “era da demanda” definirá o que realmente escalará: soluções capazes de entregar eletricidade limpa, confiável, rápida e próxima aos centros de consumo. (Atlantic Council - 20.05.2026)
Brasil: Cortes de solar e eólica chegam a 2,8 GW médios em 2026
Os cortes de geração solar e eólica no Brasil somaram 2.843 MW médios entre 1º de janeiro e 30 de abril de 2026, volume equivalente a 17,2% da produção potencial das usinas afetadas, conforme dados do ONS. No mesmo período de 2025, as restrições haviam atingido 2.436 MW médios, ou 15,3% da geração disponível. A principal causa do curtailment no primeiro quadrimestre deste ano foi a razão energética, quando a carga do sistema não absorve toda a energia apta ao despacho, responsável por 1.772 MW médios. Os cortes por confiabilidade elétrica alcançaram 651 MW médios, enquanto a indisponibilidade externa, associada a limitações de transmissão, respondeu por 420 MW médios. As usinas eólicas foram as mais impactadas, com 1.806 MW médios cortados, ante 1.037 MW médios da fonte solar. Regionalmente, o Nordeste concentrou 2.233 MW médios de cortes, seguido pelo Sudeste, com 476 MW médios, em meio à expansão renovável, ao avanço da geração distribuída (GD) e à indefinição sobre mecanismos de ressarcimento aos geradores. (Canal Solar - 18.05.2026)
Índia: País acelera leilões de baterias, mas rentabilidade preocupa
A Índia adjudicou 10,4 GW em projetos autônomos de armazenamento em baterias em 2025. O resultado foi impulsionado pela queda nos preços dos equipamentos, por políticas de apoio e pela meta de atingir 500 GW de capacidade renovável até 2030. Segundo relatório da JMK Research and Analytics e do IEEFA, a capacidade acumulada licitada em armazenamento no país saltou de 6,8 GW em 2018 para 90,7 GW em 2025, com sistemas autônomos respondendo por mais de 71% do total licitado no ano. A maior parte dos projetos contratados envolve baterias de duas horas e dois ciclos, capazes de atender picos de demanda pela manhã e à noite, embora sistemas de quatro horas ganhem espaço desde meados de 2025. A rentabilidade, porém, tornou-se o principal risco: a menor tarifa chegou a INR 1,48 lakh/MW/mês, abaixo do referencial de INR 2,3 lakh/MW/mês, deixando quase 75% da capacidade de duas horas em situação de risco. O relatório recomenda pisos tarifários, critérios mais rigorosos e ajustes nos leilões. (Strategic Energy - 22.05.2026)
Indonésia: CELIOS aponta desigualdade na transição renovável rural
A transição para energia renovável na Indonésia ainda deixa comunidades rurais à margem, apesar do elevado potencial do país, segundo estudo do CELIOS. O relatório identifica desigualdade estrutural, fragilidade regulatória e dependência de atividades extrativas como barreiras ao acesso energético justo nas aldeias. Entre 2021 e 2024, a adoção de energia solar residencial caiu 26,3%, o uso de biogás recuou 19,8% e o desenvolvimento de micro-hidrelétricas comunitárias diminuiu 10,1%, indicando dificuldade de expansão sustentável da infraestrutura renovável rural. Mais de 658 mil famílias ainda vivem sem eletricidade, com maior concentração no leste da Indonésia, sobretudo em Papua e Maluku. Embora mais de 120 mil aldeias tenham potencial hídrico para geração elétrica, apenas cerca de 1 mil utilizam esse recurso, deixando mais de 99% do potencial inexplorado. O estudo também aponta aumento da poluição hídrica em mais de 11 mil aldeias e vínculo de mais de 15 mil comunidades com mineração, fator associado a menor adoção de renováveis e maior vulnerabilidade ecológica. (CELIOS - 20.05.2026)
Itália: Pagamento do custo elevado de uma transição verde travada
A Itália enfrenta custos elétricos elevados e maior exposição à volatilidade do gás em meio à lentidão da transição energética conduzida pelo governo Giorgia Meloni. Empresas como a Copenhagen Infrastructure Partners, interessada em investir em eólicas offshore no país, cobram a definição do calendário de leilões prometido após a lei de 2024 criar incentivos para a expansão dessa fonte até 2028. A demora amplia a insegurança regulatória e pode comprometer investimentos considerados essenciais para reduzir a dependência externa. O gás responde por quase metade da geração elétrica italiana, maior fatia da União Europeia, segundo dados de 2025 da Ember e do Energy Institute, tornando famílias e empresas mais vulneráveis à alta dos combustíveis fósseis, agravada pela guerra no Irã. Embora o governo tenha buscado aliviar contas de energia e defender o gás como eixo de segurança, especialistas e investidores avaliam que a falta de avanço em renováveis, redes e armazenamento limita a competitividade industrial e dificulta o cumprimento das metas climáticas europeias. (Reuters - 21.05.2026)
Eventos
GESEL participa do ENASE 2026
O ENASE é o principal evento estratégico do setor elétrico brasileiro, reunindo CEOs, líderes, reguladores e empresas para debater e definir os rumos da energia no país. Em sua 23ª edição, nos dias 17 e 18 de junho de 2026, no Hotel Windsor Oceânico, na Barra da Tijuca – RJ, o ENASE reafirma sua posição como o principal evento onde as grandes decisões e inovações do setor elétrico ganham forma e avançam para transformar o futuro da energia no Brasil. Com o Brasil liderando a transição energética global, graças à sua matriz predominantemente limpa e ao sistema interligado robusto, o ENASE deste ano será palco de discussões essenciais sobre modernização, digitalização, sustentabilidade e abertura total do mercado de energia até 2027. Aqui, desafios são transformados em oportunidades e soluções estratégicas que impulsionam o futuro da energia. Mais do que um congresso, o ENASE é o ponto de encontro para quem está à frente das mudanças. O Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL) participará do ENASE 2026 com representantes em dois painéis estratégicos da programação do evento. No dia 17 de junho, às 14h, o professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do Grupo, Nivalde de Castro, integrará a trilha “Planejamento e Expansão do Setor”, no painel “Visão Sistêmica do Setor: Superando defesas setoriais individuais”, que discutirá temas como planejamento da expansão energética, cortes de geração, reindustrialização, armazenamento de energia e o papel das hidrelétricas na segurança energética nacional. Já no dia 18 de junho, também às 14h, o diretor técnico-científico do GESEL, Roberto Brandão, participará da trilha “Planejamento e Expansão do Sistema”, no painel “Repotenciação e Ampliação das UHEs e UHReversíveis”. O debate abordará os desafios técnicos, econômicos, ambientais e regulatórios da modernização do parque hidrelétrico brasileiro, além da contribuição das hidrelétricas para a transição energética e a segurança do sistema elétrico. (GESEL-IE-UFRJ – 13.05.2026)
Brasil: E-Days 2026 amplia foco em experiência prática com eletrificados
O E-Days 2026, evolução do antigo Electric Days, anunciou que terá pela primeira vez uma área dedicada a test-drives de veículos eletrificados durante o evento na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. A proposta reforça o conceito de experiência prática associado à mobilidade elétrica e às novas tecnologias energéticas. Os visitantes poderão testar híbridos leves, híbridos plug-in e modelos totalmente elétricos, aproximando o público das soluções de eletrificação e ajudando a esclarecer dúvidas sobre autonomia, recarga, desempenho e usabilidade. O evento será realizado entre 23 e 25 de junho de 2026 em parceria com o Energy Summit 2026 e combinará conferências, exposição de tecnologias, networking, startups e experiências ao volante. A organização afirma que o formato busca consolidar o encontro como principal plataforma latino-americana de mobilidade e novas energias. (Inside EVs – 19.05.2026)
EUSEW 2026 terá foco em energia limpa, segurança e competitividade
A 20ª edição da European Sustainable Energy Week (EUSEW) será realizada de 9 a 11 de junho de 2026, em Bruxelas e em formato online, sob o tema “Uma União da Energia limpa, segura e competitiva”. Organizado pela CINEA, o evento reunirá formuladores de políticas, inovadores e agentes do setor energético para debater eficiência energética, renováveis e os rumos da transição energética europeia. A programação prevê 50 sessões de política pública, feira presencial no edifício Charlemagne da Comissão Europeia, com 28 estandes, e atividades de networking presenciais e digitais. Em 9 de junho, um painel de alto nível reunirá os ex-comissários europeus Andris Piebalgs, Günther Oettinger, Miguel Arias Cañete e Kadri Simson, além do comissário Dan Jørgensen, para discutir a evolução das prioridades energéticas da Europa. A cerimônia do EUSEW Awards 2026 premiará iniciativas em ação energética local, mulheres na energia e eficiência energética em pequenas e médias empresas. (Comissão Europeia - maio de 2026\)
JRC abordará casas e redes inteligentes na EUSEW 2026
O Joint Research Centre participará da European Sustainable Energy Week 2026, principal evento da Comissão Europeia sobre energias renováveis e eficiência energética, entre 9 e 11 de junho, no edifício Charlemagne, na Bélgica. Com o tema “União da Energia limpa, segura e competitiva”, a programação reunirá formuladores de políticas, indústria, pesquisadores e cidadãos para debater a transição energética europeia. Na conferência, o JRC integrará duas sessões: uma sobre redução de custos e oportunidades para implantação competitiva de bombas de calor, com Jonathan Volt, e outra sobre parcerias estratégicas para cadeias de suprimento seguras e sustentáveis, com Evangelos Tzimas. Na Energy Fair, o centro apresentará o estande “Smart Homes and Smart Grids Interoperability”, com demonstrações de medidores inteligentes, conectividade GSM, controle residencial via Wi-Fi, integração com bombas de calor e carregadores de veículos elétricos, além do simulador resLoadSIM, voltado a avaliar a flexibilidade residencial em escala. (Joint Research Centre - 09.06.2026)
Conselho da IRENA debate nova etapa da transição energética
A 31ª reunião do Conselho da IRENA começou em Abu Dhabi, em formato híbrido, reunindo mais de 300 representantes governamentais para discutir prioridades da próxima fase da transição energética global. Ao longo de dois dias, os delegados avaliam o avanço do programa de trabalho da agência, o orçamento 2026-2027 e a elaboração da Estratégia de Médio Prazo 2028-2032. As discussões programáticas têm como eixo o papel das renováveis na segurança energética, na resiliência dos sistemas e na expansão das economias digitais, incluindo inteligência artificial, digitalização e eletrificação. O diretor-geral Francesco La Camera destacou que as mudanças no cenário energético afetam economias inteiras, sobretudo comunidades vulneráveis. A presidência dos Emirados Árabes Unidos defendeu acelerar renováveis e preservar a liderança institucional da IRENA. (IRENA – 21.05.2026)
Fórum de Copenhague reforça papel das redes na transição energética
Autoridades, representantes da indústria e stakeholders reunidos em Copenhague, nos dias 21 e 22 de maio, no 12º Fórum de Infraestrutura Energética, destacaram que as redes de energia são essenciais para a segurança, a competitividade e a transição energética da União Europeia. No encontro, especialistas discutiram que os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia reforçam os riscos da dependência energética e a necessidade de infraestrutura resiliente. Os debates trataram da modernização e expansão das redes elétricas, do uso mais eficiente da capacidade existente, de soluções digitais e tecnologias para reduzir congestionamentos. Destacou-se que o financiamento segue como desafio, exigindo instrumentos inovadores, apoio público direcionado e mais capital privado, com distribuição justa de custos e benefícios entre países. Ainda, o fórum abordou a infraestrutura de hidrogênio, transparência para investimentos e implementação rápida de soluções já conhecidas. (Comissão Europeia - 22.05.2026)