Transição Energética 112
Eventos
GESEL participa do ENASE 2026
O ENASE é o principal evento estratégico do setor elétrico brasileiro, reunindo CEOs, líderes, reguladores e empresas para debater e definir os rumos da energia no país. Em sua 23ª edição, nos dias 17 e 18 de junho de 2026, no Hotel Windsor Oceânico, na Barra da Tijuca – RJ, o ENASE reafirma sua posição como o principal evento onde as grandes decisões e inovações do setor elétrico ganham forma e avançam para transformar o futuro da energia no Brasil. Com o Brasil liderando a transição energética global, graças à sua matriz predominantemente limpa e ao sistema interligado robusto, o ENASE deste ano será palco de discussões essenciais sobre modernização, digitalização, sustentabilidade e abertura total do mercado de energia até 2027. Aqui, desafios são transformados em oportunidades e soluções estratégicas que impulsionam o futuro da energia. Mais do que um congresso, o ENASE é o ponto de encontro para quem está à frente das mudanças. O Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL) participará do ENASE 2026 com representantes em dois painéis estratégicos da programação do evento. No dia 17 de junho, às 14h, o professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do Grupo, Nivalde de Castro, integrará a trilha “Planejamento e Expansão do Setor”, no painel “Visão Sistêmica do Setor: Superando defesas setoriais individuais”, que discutirá temas como planejamento da expansão energética, cortes de geração, reindustrialização, armazenamento de energia e o papel das hidrelétricas na segurança energética nacional. Já no dia 18 de junho, também às 14h, o diretor técnico-científico do GESEL, Roberto Brandão, participará da trilha “Planejamento e Expansão do Sistema”, no painel “Repotenciação e Ampliação das UHEs e UHReversíveis”. O debate abordará os desafios técnicos, econômicos, ambientais e regulatórios da modernização do parque hidrelétrico brasileiro, além da contribuição das hidrelétricas para a transição energética e a segurança do sistema elétrico. (GESEL-IE-UFRJ – 13.05.2026)
Brazil Offshore Wind Summit debate avanço da eólica offshore
A quarta edição do Brazil Offshore Wind Summit, marcada para 16 de junho no Rio de Janeiro, terá como tema a necessidade de acelerar decisões para viabilizar a fonte eólica offshore no Brasil. O encontro ocorre após a aprovação, pelo Conselho Nacional de Política Energética, das diretrizes para regulamentar o marco legal da atividade. Organizado pelo Global Wind Energy Council e pela ABEEólica, o evento discutirá cessão de áreas, infraestrutura portuária, inovação, cronogramas e prazos para os primeiros projetos. A presidente executiva da ABEEólica, Elbia Gannoum, afirma que a falta de sinalização pode provocar desinvestimentos e perdas para o país. Para Ben Backwell, CEO da GWEC, o Brasil tem elevado potencial offshore, mas precisa transformar o marco regulatório em ações concretas, com previsibilidade e coordenação entre governo, indústria e demais agentes. O setor vê a fonte como vetor de energia limpa, segurança energética e industrialização verde. (Agência CanalEnergia – 15.05.2026)
Aurora Energy Transition Summit: Madrid reunirá líderes para discutir transição energética no sul da Europa
A cidade de Madrid, na Espanha, sediará, em 3 de junho de 2026, a primeira edição do Aurora Energy Transition Summit Madrid, encontro voltado aos principais desafios da transição energética no sul da Europa. O evento reunirá formuladores de políticas públicas, operadores de redes, investidores, utilities, desenvolvedores e empresas de tecnologia limpa para discutir a construção de um sistema elétrico flexível, seguro e de baixa emissão de carbono. A programação inclui debates sobre operabilidade de redes com alta penetração renovável, segurança de suprimento, estratégias para armazenamento e ativos híbridos, redução de curtailment, desenho de produtos de flexibilidade, licenciamento, filas de conexão, sinais de capacidade e financiamento para acelerar energia limpa. Entre os participantes estão representantes de ENGIE España, Sonnedix, MITECO, Iberdrola, FRV, Entrix, METLEN, Terna, Nexus Energia, Statkraft e Aurora Energy Research. (Strategic Energy - 16.05.2026)
Dinâmica Internacional
Europa: Aurora aponta que projetos renováveis com baterias devem crescer 450% até 2030
A capacidade europeia de projetos renováveis co-localizados com baterias deve saltar mais de 450% até 2030, passando de 6,3 GW em 2025 para cerca de 35 GW, conforme projeção da Aurora Energy Research para os 20 principais mercados elétricos da região. A expansão é impulsionada pela maior participação de eólicas e solares, que vêm incorporando armazenamento para evitar vendas de energia a preços negativos em momentos de excesso de oferta e permitir a descarga quando os preços se recuperam. A combinação solar com baterias respondeu por mais de 60% das implantações em 2025. A Alemanha aparece como o mercado mais atrativo, por maiores retornos esperados, seguida por Reino Unido e Bulgária, enquanto Espanha, Hungria e França são apontadas como mercados em observação diante de reformas regulatórias. Ainda, segundo o relatório, as horas de preços negativos superaram 500 na Espanha, Holanda e Alemanha em 2025, e o corte de geração renovável (curtailment) pode subir de mais de 10 TWh em 2024 para cerca de 33 TWh em 2030. (Reuters - 11.05.2026)
União Europeia: Substituição do gás russo deve ampliar dependência dos EUA
A União Europeia deve ampliar a dependência do gás dos Estados Unidos à medida que avança na substituição dos suprimentos russos, elevando os riscos de concentração em um único fornecedor. As importações europeias de GNL norte-americano triplicaram desde 2021 e, em 2025, os EUA responderam por 58% das compras de GNL do bloco, volume equivalente a cerca de 25% do consumo total de gás. A Agência da União Europeia para a Cooperação dos Reguladores de Energia (ACER, na sigla em inglês) alertou que choques recentes no mercado reforçam a necessidade de diversificar origens, rotas e fontes para evitar impactos sobre o sistema energético e a economia. O Institute for Energy Economics and Financial Analysis (IEEFA) estima que os EUA podem se tornar o maior fornecedor de gás da Europa neste ano e chegar a 80% das importações europeias de GNL até 2028, ao passo que a UE mantém o plano de banir o gás russo até setembro de 2027. (Reuters - 13.05.2026)
Áustria: IEA aponta reformas para acelerar transição energética
A Agência Internacional de Energia avalia que a Áustria possui bases sólidas para avançar na transição energética, mas precisa acelerar reformas e alinhar metas, mecanismos de entrega e recursos. O país estabeleceu objetivos ambiciosos, como eletricidade 100% renovável até 2030 e neutralidade climática em 2040. Segundo a AIE, a Áustria já tem a maior participação de renováveis na geração elétrica entre os países da União Europeia, sustentada por hidrelétricas que respondem por cerca de 60% da produção e por relevante capacidade de armazenamento por bombeamento. O relatório destaca ainda a diversificação do gás desde 2022, quando 80% das importações vinham da Rússia, e a ampliação de reservas estratégicas. Apesar dos avanços, a agência alerta para uma lacuna crescente entre ambição e implementação, exigindo legislação mais rápida, governança clara, investimentos sustentados, expansão eólica, flexibilidade do sistema e controle de custos para preservar competitividade industrial. (IEA – 11.05.2026)
Escócia: Projeto eólico offshore Bowdun avança no licenciamento
A Thistle Wind Partners apresentou ao Marine Directorate do governo escocês o pedido de consentimento offshore para o parque eólico Bowdun, localizado na costa de Aberdeenshire. O projeto, que também já havia protocolado solicitação para infraestrutura terrestre junto ao Aberdeenshire Council em novembro de 2025, entra agora em fase de avaliação regulatória para seus componentes em terra e no mar. A usina deve superar 1 GW de capacidade instalada e gerar eletricidade suficiente para mais de 1,2 milhão de residências. A fase de construção, estimada em cinco anos, poderá criar mais de 700 empregos na Escócia, enquanto a operação e manutenção devem sustentar cerca de 60 vagas permanentes. O empreendimento ficará na zona de arrendamento E3, área de 187 km² situada a aproximadamente 44 km de Stonehaven, e utilizará turbinas com fundações fixas conectadas à rede por subestação em Fetteresso Forest. O projeto integra a rodada ScotWind, conduzida pela Crown Estate Scotland. (Energy Monitor – 08.05.2026)
Espanha: Governo destina € 670 mi à transição energética
O governo da Espanha aprovou a resolução provisória de seis linhas de apoio do Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência, com € 670 milhões para acelerar a transição energética e a eletrificação da economia. Os recursos, geridos pelo IDAE e anunciados pela vice-presidente e ministra da Transição Ecológica, Sara Aagesen, financiarão eólica offshore e energias do mar, bombeamento hidrelétrico reversível, cadeia de valor renovável, mobilidade elétrica e produção de eletricidade e calor a partir de fontes limpas. O programa PORT-EOLMAR receberá € 212 milhões para adaptar os portos de Gijón, Las Palmas, Tarragona, Castellón e o agrupamento A Coruña/Ferrol-San Cibrao à logística da eólica marinha. Outros € 165 milhões irão a sete projetos de armazenamento por bombeamento, enquanto € 165 milhões apoiarão 41 iniciativas industriais em 12 comunidades autônomas. O pacote inclui ainda mais de € 97 milhões para 337 projetos de recarga elétrica e € 21 milhões para substituir combustíveis fósseis por renováveis. (Strategic Energy - 06.05.2026)
Espanha: Matrix conecta novas usinas solares à rede
A Matrix Renewables conectou à rede elétrica espanhola os projetos solares Cruz de los Caminos e Piedra de la Sal, elevando para 15 o número de ativos interligados da empresa no país e para 691 MW sua capacidade instalada total. Localizadas na província de Cuenca, as usinas têm 51,29 MW e 51,25 MW, respectivamente, e fornecerão energia por meio de contrato de compra de longo prazo com a Merck. Os empreendimentos concluíram os processos técnicos e regulatórios exigidos para integração ao sistema e haviam obtido fechamento financeiro no início de 2025. A companhia também avança em planos de hibridização de seu portfólio, com integração de armazenamento em baterias e tecnologia eólica em instalações existentes e futuras. Além disso, desenvolve projetos autônomos de BESS para otimizar ativos e reforçar a flexibilidade do sistema elétrico espanhol. A estratégia busca apoiar a confiabilidade da rede, a transição energética e a estabilidade do suprimento. (Energy Monitor – 14.05.2026)
França: ENGIE avança em eólicas offshore fixas e flutuantes
A ENGIE, por meio da Ocean Winds, joint venture com a EDP Renewables, alcançou marcos relevantes em dois projetos eólicos offshore na França. O parque Yeu e Noirmoutier, localizado na costa da Vendée, entrou em operação plena após a instalação da última turbina, três anos depois do início das obras. O empreendimento possui 61 turbinas de fundação fixa, 500 MW de capacidade e energia suficiente para atender cerca de 800 mil pessoas. A construção envolveu mais de 200 empresas regionais e criou aproximadamente 2.400 empregos, enquanto a fase operacional manterá cerca de 80 postos permanentes. A Ocean Winds também iniciou a geração do projeto piloto flutuante Gulf of Lion, de 30 MW, desenvolvido a 16 km de Port-la-Nouvelle, na Occitânia. A usina usa três turbinas de 10 MW sobre fundações flutuantes e deve produzir 110 mil MWh por ano durante 20 anos, abastecendo cerca de 50 mil pessoas. Os projetos demonstram a maturidade de tecnologias offshore complementares na transição energética francesa. (Energy Monitor – 05.05.2026)
Polônia: Ørsted e PGE iniciam obras offshore de Baltica 2
Ørsted e PGE iniciaram as obras offshore do parque eólico Baltica 2 no Mar Báltico polonês, marcando a instalação das primeiras fundações monopile do projeto. O empreendimento terá capacidade total de 1,5 GW, suficiente para abastecer cerca de 2,5 milhões de residências na Polônia, com geração anual estimada entre 5 e 6 TWh. O programa de instalação prevê 111 monopiles, dos quais 107 sustentarão turbinas Siemens Gamesa de 14 MW e quatro apoiarão subestações offshore. Cada estrutura possui aproximadamente 100 metros de comprimento e peso médio de 1.500 toneladas. O projeto opera sob contrato por diferença de 25 anos com o governo polonês e já possui todas as licenças necessárias, além de conexão garantida com a operadora nacional PSE. As obras marítimas devem seguir até o quarto trimestre de 2026, com entrada em operação prevista para o fim de 2027, reforçando a segurança energética e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis importados. (Energy Monitor – 12.05.2026)
Portugal: IEA recomenda redes mais fortes para eletrificação
A Agência Internacional de Energia afirma que Portugal avançou de forma significativa na transformação de seu sistema elétrico, impulsionado pelo crescimento da energia solar, além de contribuições relevantes de hidrelétricas e eólicas. Segundo a revisão da AIE, a geração elétrica portuguesa já apresenta uma das menores intensidades de carbono entre os países-membros da agência, fortalecendo a segurança energética e reduzindo a dependência de importações. Para consolidar esse progresso, o relatório recomenda acelerar a eletrificação em transportes, edifícios e indústria, além de ampliar investimentos em redes de transmissão e distribuição. A AIE aponta que a demanda elétrica já começa a crescer com a eletrificação, enquanto a maior participação de solar e eólica aumenta a necessidade de flexibilidade, incluindo armazenamento, resposta da demanda e serviços de sistema. O relatório também defende um roteiro nacional baseado em acordos setoriais, expansão da recarga de veículos elétricos, apoio a usados eletrificados e estratégia industrial para aproveitar eletricidade de baixa emissão. (IEA – 08.05.2026)
Reino Unido: Governo autoriza 4 GW em eólicas offshore
O governo do Reino Unido concedeu consentimento de desenvolvimento para os projetos eólicos offshore Dogger Bank South e North Falls, ampliando a capacidade renovável prevista no país em até 4 GW. O pacote inclui as usinas DBS West e DBS East, desenvolvidas por RWE, com 51%, e Masdar, com 49%, cada uma com 1,5 GW de capacidade instalada. Localizados no Mar do Norte, a mais de 100 km da costa nordeste da Inglaterra, os empreendimentos poderão atender cerca de três milhões de residências por ano. A autorização permite instalar até 100 turbinas em cada parque, cabos submarinos, infraestrutura terrestre e estações conversoras. Os projetos obtiveram contratos por diferença na Rodada de Alocação 7 e miram decisão final de investimento em 2027. O North Falls, parceria entre RWE e SSE Renewables, terá até 57 turbinas e cerca de 1 GW. Para o setor, as aprovações devem atrair bilhões de libras em investimento privado e fortalecer a cadeia de suprimentos limpa. (Energy Monitor – 15.05.2026)
Taiwan: TSMC amplia contrato de energia eólica offshore
A Northland Power assinou um contrato corporativo de compra de energia de 30 anos com a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) para ampliar o fornecimento de eletricidade do projeto eólico offshore Hai Long, de 1,02 GW, em Taiwan. O empreendimento é desenvolvido por uma joint venture entre Northland, com 30,6%, Mitsui, com 40%, e Gentari International Renewables, com 29,4%. Localizado entre 45 km e 70 km da costa de Changhua, no Estreito de Taiwan, o projeto inclui três áreas: Hai Long 2A, com 294 MW, Hai Long 2B, com 224 MW, e Hai Long 3, com 504 MW. O novo acordo amplia a relação iniciada em 2022 entre Northland e TSMC, que já envolvia energia das áreas 2B e 3. Após etapas administrativas previstas para 2026, a TSMC deverá comprar toda a produção do complexo. A operação reforça a atratividade econômica do projeto, alonga sua receita contratada e vincula a descarbonização industrial da cadeia de semicondutores à expansão da energia eólica offshore em Taiwan. (Energy Monitor – 01.05.2026)
Uzbequistão: Ampliação de renováveis e meta de 54% de energia limpa até 2030
O Uzbequistão adicionou 5.600 MW de capacidade solar e eólica ao sistema elétrico nacional por meio de parcerias com desenvolvedores internacionais, em estratégia para acelerar a transição energética e modernizar a infraestrutura do setor. As renováveis já respondem por cerca de 30% da matriz elétrica do país, e o governo pretende elevar essa participação para 54% até 2030, diante do aumento da demanda por eletricidade. Com US$ 35 bilhões, aproximadamente € 31 bilhões, em projetos de investimento, a produção de energia cresceu 1,5 vez e chegou a 87 bilhões de kWh. Entre os empreendimentos em desenvolvimento está uma usina solar em Samarcanda, apoiada pelo Banco Asiático de Desenvolvimento, com 0,5 GW de capacidade prevista e potencial para se tornar a maior da Ásia Central. O país também investe em armazenamento, modernização da rede, laboratórios de inteligência artificial e data centers, incluindo projeto 100% verde da ACWA em Tashkent. (Euronews - 12.05.2026)
Artigo GESEL: “A guerra contra Irã e a eletrificação europeia”
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Coordenador-Geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico – Gesel-UFRJ) e Vitor Santos (Professor Catedrático do ISEG – Instituto de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa e pesquisador associado do Gesel-UFRJ) analisam os impactos da guerra promovida por Estados Unidos e Israel contra o Irã sobre o mercado europeu de gás natural e os reflexos desse cenário para a eletrificação das economias da União Europeia. Os autores destacam que a escalada do conflito provocou forte aumento e elevada volatilidade dos preços do gás natural, pressionando os custos da eletricidade e ampliando riscos inflacionários. O texto evidencia que países com maior participação de fontes renováveis apresentaram maior resiliência energética, enquanto economias dependentes do gás importado sofreram impactos mais severos. A análise também compara o ritmo de eletrificação europeu ao avanço chinês e apresenta exemplos como Noruega e França, ressaltando políticas voltadas à descarbonização, segurança energética e expansão das energias limpas. Na conclusão, os autores defendem a eletrificação baseada em fontes renováveis como estratégia indispensável para reduzir a vulnerabilidade geopolítica e energética da Europa. (GESEL-IE-UFRJ – 11.05.2026)
Nacional
Brasil: Câmara aprova marco legal para minerais críticos
A Câmara dos Deputados aprovou o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, considerado um dos principais marcos para o desenvolvimento das cadeias ligadas à transição energética no Brasil. O texto prevê a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral, com aporte de até R$ 2 bilhões da União, além de incentivos fiscais de R$ 5 bilhões entre 2030 e 2034 para estimular beneficiamento e transformação mineral no país. A proposta cria ainda o Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos, vinculado à Presidência da República, responsável por definir projetos prioritários e autorizar mudanças societárias em empresas do setor. O projeto também institui mecanismos de rastreabilidade, certificado de mineração de baixo carbono e obrigações de investimentos em pesquisa e inovação. O texto segue agora para o Senado em meio a divergências sobre soberania, industrialização e participação estatal na gestão dos recursos minerais estratégicos. (Agência CanalEnergia - 07.05.2026)
Editorial Valor Econômico: “Marco de minerais críticos é bom começo, mas demanda evolução”
Em editorial publicado pelo Valor Econômico, o jornal analisa a recente aprovação, na Câmara dos Deputados, do projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos, destacando a relevância estratégica desses recursos no contexto da disputa geopolítica entre Estados Unidos e China. O texto observa que minerais como lítio, cobalto, níquel e terras raras tornaram-se essenciais para setores ligados à transição energética e à indústria de defesa, especialmente diante da predominância chinesa no processamento global desses insumos. O editorial sustenta que o Brasil, detentor de uma das maiores reservas mundiais, possui oportunidade relevante de inserção estratégica nesse mercado, mas ressalta a necessidade de desenvolver capacidade tecnológica e industrial própria. A análise considera positivo o marco regulatório aprovado, sobretudo pelos incentivos graduais à agregação de valor doméstico e pelo estímulo à participação privada, mas aponta limitações relacionadas à ausência de uma estratégia mais clara para construção de expertise nacional. Também elogia o abandono da proposta de criação da estatal Terrabras e enfatiza que o país precisará combinar incentivos, inovação tecnológica e equilíbrio diplomático nas relações com China e Estados Unidos para consolidar posição relevante no setor de minerais críticos. (GESEL-IE-UFRJ – 08.05.2026)
MME: Silveira defende rapidez em PL de minerais críticos
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que trabalhará para acelerar no Senado a aprovação do projeto de lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A Câmara aprovou o substitutivo ao PL 2.780, relatado pelo deputado Arnaldo Jardim, que cria a PNMCE, o Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos e o Fundo Garantidor da Atividade Mineral. O fundo poderá receber aporte de até R$ 2 bilhões da União, além de recursos de outras fontes, para reduzir riscos e ampliar a atratividade de investimentos. O texto também prevê até R$ 5 bilhões em créditos tributários ao longo de cinco anos para estimular beneficiamento, transformação mineral e industrialização no Brasil. Para Silveira, a proposta fortalece a soberania nacional ao buscar superar o papel de exportador de matéria-prima bruta. O ministro também destacou a importância da obrigatoriedade de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação na cadeia mineral. (Agência CanalEnergia – 07.05.2026)
MCTI: Criação de grupo para inovação em minerais críticos
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação criou o Grupo de Trabalho de Inovação para o Setor Mineral, chamado GT Soberania Tecnológica Nacional, para elaborar em até 90 dias o programa Inova+Mineral. A iniciativa busca integrar políticas públicas, financiamento, universidades, centros de pesquisa e empresas para ampliar a capacidade brasileira de inovação e agregação de valor em minerais críticos, insumos essenciais para energia, digitalização e defesa. A ministra Luciana Santos afirmou que o Brasil não deve limitar-se à exportação de minério bruto e precisa transformar sua riqueza mineral em tecnologia, sustentabilidade e soberania. O GT será coordenado pela Setec/MCTI, com participação de CNPq, Embrapii, Cetem, CGEE e Finep. A medida ocorre enquanto o Senado analisa o PL 2780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e o conselho responsável por selecionar projetos prioritários para incentivos. (Agência Eixos – 15.05.2026)
BNDES: Projeção de R$ 50 bi para minerais críticos
O BNDES avalia atualmente 56 projetos ligados ao setor de minerais críticos e pretende mobilizar até R$ 50 bilhões em investimentos e crédito para a área. A informação foi divulgada pelo presidente da instituição, Aloizio Mercadante, durante apresentação do balanço trimestral do banco. Segundo ele, o BNDES busca diversificar sua carteira, ampliando investimentos em segmentos considerados estratégicos para a transição energética e a neoindustrialização, incluindo minerais críticos, fertilizantes, bioinsumos, inteligência artificial e tecnologias aeronáuticas. Mercadante destacou ainda a importância do acordo Mercosul-União Europeia, que entrou provisoriamente em vigor em maio, como oportunidade para ampliar cooperação comercial e industrial entre os blocos em um cenário global marcado por disputas geopolíticas e transição energética. O avanço do setor de minerais críticos é considerado estratégico para cadeias ligadas à eletrificação, baterias, renováveis e tecnologias digitais, fortalecendo a posição do Brasil como fornecedor e potencial processador de insumos essenciais para a economia de baixo carbono. (Agência Eixos – 12.05.2026)
Aneel: Lançamento de guia para incorporar transição energética e mudanças climáticas à regulação elétrica
A Aneel lançou um Guia voltado à incorporação de conceitos, diretrizes e práticas relacionadas às mudanças climáticas e à transição energética em seus processos internos. A iniciativa integra o Plano Estratégico Aneel 2024–2027, no âmbito do Objetivo Estratégico “Atuar para a Transição Energética com alocação justa de seus efeitos e com responsabilidade social e climática”, reforçando o papel da Agência na construção de um setor elétrico mais moderno, confiável e alinhado aos compromissos climáticos do Brasil. O material reúne informações técnicas atualizadas sobre transição energética, transição justa e mudanças climáticas, funcionando como instrumento de apoio ao corpo técnico da Agência na instrução de processos e no aprimoramento contínuo da atuação regulatória. A proposta é fortalecer a capacidade institucional da Aneel de criar condições favoráveis para o desenvolvimento equilibrado do mercado de energia elétrica, em benefício da sociedade. Acesse o estudo aqui. (Aneel – 11.05.2026)
Brasil e Alemanha anunciam R$ 4,1 bi para transição energética e mobilidade sustentável
O Brasil e a Alemanha firmaram acordos que podem mobilizar R$ 4,1 bilhões em projetos ligados à transição energética e mobilidade sustentável. As iniciativas foram anunciadas durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Hannover Messe e incluem intenção de aporte de até R$ 2,94 bilhões no Fundo Clima por meio do banco de desenvolvimento alemão KfW, além de R$ 1,17 bilhão voltados a projetos de mobilidade sustentável. O governo alemão também manifestou interesse em aportar € 1 bilhão no Fundo Florestas Tropicais para Sempre a partir de 2027. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o plano de transformação ecológica brasileiro deve alcançar R$ 27 bilhões em 2026, direcionados a bioeconomia, infraestrutura resiliente, economia circular e descarbonização. A cooperação bilateral em financiamento climático remonta à década de 1960 e já resultou em operações superiores a US$ 1,2 bilhão entre BNDES e KfW. (Valor Econômico - 07.05.2026)
Brasil: Governo mira etapas iniciais do mercado de carbono até dezembro
O governo federal pretende concluir até dezembro as primeiras etapas regulatórias do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, informou José Pedro Bastos Neves, secretário-adjunto de Mercados de Carbono do Ministério da Fazenda. O cronograma prevê consulta pública em julho sobre a cobertura setorial e a definição dos segmentos que entrarão primeiro no mercado regulado. Em agosto e setembro, devem ser abertas consultas sobre o Programa Nacional de Relato de Emissões e o Programa Nacional de Compensação de Emissões. O objetivo é dar tempo de adaptação às empresas antes da entrada efetiva das obrigações legais. Pela Lei 15.042/2024, instalações que emitem mais de 10 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano terão deveres de monitoramento, e as acima de 25 mil toneladas também estarão sujeitas a metas de redução. A primeira fase deve priorizar setores industriais e de energia, com mecanismos de MRV, controle contra fraudes e regras para evitar dupla contagem de créditos. (Agência Eixos – 14.05.2026)
SPIC: Brasil tem potencial para manufatura verde com energia limpa
O gerente sênior de pesquisa e desenvolvimento da SPIC Brasil, Amadeu Fernandes de Macedo, avalia que o país tem posição privilegiada para atrair investimentos em manufatura verde, mas precisa resolver gargalos regulatórios ligados à integração de renováveis. Segundo estudo do Conselho Empresarial Brasil-China, a área de eletricidade concentrou mais de 40% dos investimentos chineses no Brasil entre 2007 e 2025. Macedo destacou que, em 2025, a China respondeu por 444 GW dos 692 GW de energia renovável adicionados no mundo, quase duas vezes a capacidade total instalada brasileira, de 250 GW. Para ele, o Brasil já possui vantagem por ter mais de 80% de sua geração baseada em fontes renováveis e a matriz elétrica mais limpa do G20. O desafio está na intermitência, no curtailment e na falta de regras claras para remunerar baterias por serviços ancilares. A SPIC possui uma empresa de BESS na China, que poderá fornecer sistemas para seu modelo integrado no país. (Agência CanalEnergia – 14.05.2026)
CNPE: Definição de diretrizes para eólicas offshore
O Conselho Nacional de Política Energética definiu diretrizes para a geração eólica offshore no Brasil, regulamentando etapas previstas na Lei nº 15.097/2025 e preparando a futura oferta de áreas para cessão. A resolução estabelece critérios técnicos, ambientais, sociais e econômicos para seleção de áreas, considerando distância da costa, conexão à rede, acesso a portos e impactos sobre pesca, turismo e meio ambiente. O texto também prevê definição de áreas prioritárias com base em potencial energético, custos, infraestrutura disponível e competição entre agentes. Na governança, será criado o Portal Único de Gestão de Áreas Offshore, que centralizará pedidos, dados georreferenciados e a emissão da Declaração de Interferência Prévia para identificar conflitos com outras atividades. O CNPE também determinou regras econômicas para pagamentos, sanções e participações governamentais. A medida busca viabilizar a primeira fase da fonte no país e incentivar a formação de cadeia produtiva nacional ligada à transição energética. (Agência CanalEnergia – 06.05.2026)
MME: Abertura de consulta pública sobre eólicas offshore
O Ministério de Minas e Energia abriu consulta pública para discutir o estudo “Plano de Engajamento de Partes Interessadas no Desenvolvimento de Eólicas Offshore no Brasil”. A medida, formalizada pela Portaria SNTEP/MME nº 3.134, busca ampliar o diálogo entre governo, empresas e sociedade sobre o avanço da geração eólica em alto-mar. O ministério disponibilizou também a Nota Técnica nº 9/2026/CGEBC/DTE/SNTEP, que fundamenta a proposta. As contribuições poderão ser enviadas em até 20 dias por meio eletrônico nas plataformas do MME e Participa \+ Brasil. A iniciativa integra o processo de regulamentação do setor de eólicas offshore previsto na Lei nº 15.097/2025. O objetivo é estruturar mecanismos de participação e alinhamento institucional em torno da expansão da fonte no país, considerada estratégica para diversificação da matriz elétrica, segurança energética, atração de investimentos e desenvolvimento industrial ligado à transição energética brasileira. (Agência CanalEnergia – 12.05.2026)
MME: Preparativos para leilão para contratação de 2 GW em baterias
O governo federal pretende realizar o primeiro leilão nacional voltado especificamente ao armazenamento de energia em larga escala, com previsão inicial de contratação de 2 GW em sistemas BESS, sigla em inglês para Battery Energy Storage Systems. A iniciativa, conduzida pelo Ministério de Minas e Energia, busca ampliar o aproveitamento da geração solar e eólica, reduzir desperdícios em períodos de excedente de produção renovável e reforçar a estabilidade do Sistema Interligado Nacional. As megabaterias armazenam eletricidade gerada em momentos de maior oferta e permitem sua utilização em horários de demanda elevada ou necessidade operacional, com acionamento rápido pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. A medida é vista como etapa relevante para modernizar a infraestrutura elétrica brasileira, aumentar a segurança de suprimento, atrair investimentos em tecnologia e acompanhar a tendência global de expansão do armazenamento em mercados com alta participação de fontes renováveis variáveis. (CPG Click Oil and Gas - 13.05.2026)
Aneel: Prorrogação de suspensão de ressarcimento por curtailment
A Aneel prorrogou por mais 60 dias a suspensão dos ressarcimentos previstos em contratos regulados para casos de frustração de geração de usinas eólicas e solares afetadas por constrained-off. A decisão atende parcialmente pedidos da Abeeólica, Absolar e do Ministério de Minas e Energia. Em janeiro, a agência já havia suspendido os reembolsos por 90 dias, aguardando a regulamentação da compensação financeira prevista na Lei 15.269/2025. A legislação ampliou as hipóteses de pagamento aos geradores impactados por cortes de geração, incluindo eventos relacionados à confiabilidade elétrica além das restrições de transmissão. O entendimento do MME é de que a nova compensação interfere diretamente nas contabilizações conduzidas pela CCEE e exige alinhamento com os ressarcimentos dos contratos regulados. A regulamentação também deverá tratar da cobertura dos custos acumulados entre setembro de 2023 e novembro de 2025, condicionada à adesão dos geradores a termos de compromisso relacionados ao passivo do curtailment. (Agência CanalEnergia – 13.05.2026)
Artigo de Welinton Ferreira: “Impacto do Constrained-off nas Fontes Eólica e Solar Fotovoltaica no Brasil”
Em artigo publicado pelo Ensaio Energético, Welinton Ferreira (Professor do Departamento de Ciências Econômicas da UFRRJ) analisa o avanço do constrained-off nas fontes eólica e solar fotovoltaica no Brasil e seus impactos sobre o setor elétrico. O autor explica que o constrained-off corresponde à restrição operacional imposta pelo ONS à geração de energia, geralmente por razões técnicas, de confiabilidade do sistema ou sobreoferta energética. O texto demonstra que o problema se agravou a partir de 2023, especialmente após o apagão ocorrido no Nordeste naquele ano e com o crescimento acelerado da geração distribuída e da expansão de usinas renováveis no Ambiente de Contratação Livre. O artigo destaca que, em 2025, o nível de constrained-off atingiu 20,7%, gerando perdas bilionárias e insegurança regulatória para investidores. Também são discutidas as disputas sobre compensação financeira aos geradores e as limitações da atual regulamentação da ANEEL. Como soluções, o autor aponta a ampliação da infraestrutura de transmissão, investimentos em armazenamento de energia, melhorias operacionais no SIN, revisão de subsídios e ajustes regulatórios voltados à redução dos cortes de geração. (Ensaio energético – 11.05.2026)
Artigo de Darlan Santos: “Polo energético nacional: o Nordeste como protagonista do século 21”
Em artigo publicado pela Agência Eixos, Darlan Santos (presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia – Cerne) defende que o Nordeste brasileiro assumiu posição estratégica na nova economia energética global, impulsionada por projetos ligados ao hidrogênio verde, data centers, mineração de baixo carbono, eletrificação veicular e produção de fertilizantes. O autor argumenta que a região deixou de ser vista apenas sob a lógica da escassez e passou a representar a principal fronteira de abundância energética do país, graças à oferta de energia renovável e à infraestrutura logística. O texto destaca investimentos bilionários em hidrogênio verde no Rio Grande do Norte e na instalação de grandes data centers no Ceará, ressaltando o potencial de industrialização regional associado à transição energética. Também aponta desafios estruturais, como as limitações de transmissão do Sistema Interconectado Nacional, defendendo que a solução passa pela atração de indústrias eletrointensivas para consumir energia na própria região. O autor conclui que o Nordeste deve assumir protagonismo industrial e geopolítico na economia de baixo carbono, evitando permanecer apenas como fornecedor de energia para outras regiões do país. (GESEL-IE-UFRJ – 08.05.2026)
Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais
Brasil: Eletrificados chegam a 17,7% das vendas de leves
O mercado brasileiro de veículos leves registrou 235.942 emplacamentos em abril, alta de 19,5% em relação ao mesmo mês de 2025, mas a principal mudança foi a expansão dos eletrificados, que alcançaram 17,7% do total. Segundo a Bright Consulting, foram 41.791 veículos eletrificados no mês, mais que o dobro do volume observado um ano antes. No acumulado de 2026, o segmento soma 133.784 unidades, crescimento próximo de 95%. Os elétricos a bateria lideraram com 41,2% das vendas eletrificadas, impulsionados pela BYD e pelo Dolphin Mini, enquanto híbridos plug-in e híbridos convencionais ampliaram sua presença como soluções intermediárias. O avanço ocorre junto ao fortalecimento das marcas chinesas, que responderam por 17% do mercado total em abril, acima dos 14,7% de março. A tendência aponta para uma transição mais estrutural, com maior oferta, preços competitivos, projetos industriais locais e adaptação tecnológica ao perfil brasileiro, incluindo híbridos flex e elétricos com extensor de alcance. (Inside EVs – 04.05.2026)
Brasil: Vendas de 100% elétricos bate recorde em abril de 2026
O mercado brasileiro de veículos 100% elétricos atingiu novo recorde em abril, com 17.488 unidades vendidas, segundo a ABVE. O volume representa alta de 24,3% sobre março, quando foram emplacadas 14.073 unidades, e crescimento de 272% frente a abril de 2025, quando os elétricos a bateria somaram 4.702 veículos. A expansão acompanha o avanço mais amplo dos eletrificados, que reuniram BEVs, híbridos plug-in, híbridos convencionais e híbridos flex em 38.516 unidades no mês, equivalentes a 16,2% das vendas totais de veículos leves. Os modelos com recarga externa predominaram, com 80% do mercado eletrificado: os elétricos puros responderam por 45,4% e os híbridos plug-in por 34,3%. No primeiro quadrimestre, os eletrificados somaram 122.463 unidades, mais da metade de todo o volume vendido em 2025. O desempenho reforça a presença das marcas chinesas e a possibilidade de o país se aproximar de 300 mil eletrificados em 2026. (Inside EVs – 07.05.2026)
Brasil: BYD lidera ranking de elétricos em abril
O ranking de carros elétricos mais vendidos no Brasil em abril mostra liderança consolidada da BYD, mas também maior diversificação entre marcas e modelos. Segundo dados da K-Lume Consultoria e Fenabrave, o Dolphin Mini ficou em primeiro lugar, com 6.880 unidades, reforçando sua posição não apenas no segmento elétrico, mas também no mercado geral de compactos. O Geely EX2 foi o segundo colocado, com 3.602 unidades, sinalizando a chegada de novos concorrentes capazes de operar em volume relevante. O BYD Dolphin completou o top 3, com 3.022 emplacamentos. O Chevrolet Spark EUV também se destacou ao superar mil unidades pela primeira vez, com 1.047 vendas. A lista ainda inclui BYD Yuan, GWM Ora 03, Volvo EX30, GAC Aion V, Leapmotor B10 e Geely EX5. O desempenho confirma que o mercado brasileiro de BEVs entra em fase mais competitiva, com marcas chinesas dominantes, presença crescente de novos players e estratégias variadas entre elétricos puros, híbridos e modelos com extensor de alcance. (Inside EVs – 05.05.2026)
Brasil: BYD prepara Dolphin G híbrido plug-in para produção local
A BYD confirmou que o Dolphin G, hatch compacto híbrido plug-in previsto para chegar ao Brasil em 2026, será o primeiro modelo da marca desenvolvido especificamente para atender ao consumidor europeu. A informação foi dada por Stella Li, vice-presidente executiva global da empresa, durante o Future of the Car Summit. Embora criado para a Europa, onde deverá disputar o segmento de compactos urbanos com modelos como Toyota Yaris, Renault Clio e Peugeot 208, o veículo já está confirmado para o mercado brasileiro. O Dolphin G utilizará a tecnologia DM-i e deve ser posicionado abaixo do Dolphin elétrico, ampliando o acesso da marca a consumidores que buscam eletrificação com apoio do motor a combustão. O modelo também está nos planos de produção nacional da fábrica de Camaçari, na Bahia. A combinação de fabricação local, proposta compacta e arquitetura híbrida plug-in pode transformar o Dolphin G em produto estratégico para ganho de escala da BYD no Brasil. (Inside EVs – 15.05.2026)
Brasil: BYD Dolphin Mini supera HB20 em vendas mensais
O BYD Dolphin Mini alcançou em abril a sexta posição no ranking geral de emplacamentos no Brasil e superou pela primeira vez o Hyundai HB20, um dos compactos mais tradicionais do mercado nacional. O modelo elétrico vendeu 6.880 unidades no mês, consolidando sua presença entre os carros mais vendidos do país e reforçando a estratégia da BYD de atuar em volume com veículos mais acessíveis. A ultrapassagem sobre um hatch de combustão com histórico robusto de vendas tem valor simbólico para a eletrificação, pois indica que os elétricos começam a competir no núcleo do mercado brasileiro, onde preço, custo de uso e percepção de valor são decisivos. O desempenho do Dolphin Mini também ocorre em um contexto de forte expansão dos eletrificados, impulsionado por marcas chinesas e pela ampliação da oferta de modelos. Embora seja um recorte mensal, o resultado evidencia mudança gradual no comportamento do consumidor e maior aceitação de tecnologias de baixa emissão no varejo automotivo. (Inside EVs – 06.05.2026)
Brasil: Projeto prevê multa por ocupar vaga após recarga
A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 801/2026, que cria punições para motoristas que mantiverem veículos elétricos estacionados em vagas públicas de recarga após o fim do abastecimento da bateria. A proposta, apresentada pelo deputado Marcos Soares, altera o Código de Trânsito Brasileiro para tipificar a conduta como infração grave. O texto permite permanência apenas durante a recarga efetiva e estabelece tolerância de 15 minutos após o encerramento do processo. Ultrapassado esse prazo, o motorista poderá receber multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH. Após 30 minutos, a remoção do veículo se tornaria obrigatória. A medida também determina que estacionamentos coletivos e privados com vagas para elétricos adotem regras de rotatividade. A discussão acompanha a expansão da frota eletrificada e da infraestrutura pública de recarga no Brasil, ainda limitada em várias regiões, e busca evitar bloqueios que prejudiquem o acesso de outros usuários. (Inside EVs – 08.05.2026)
China: Eletrificados superam 60% das vendas de automóveis
A China registrou em abril de 2026 uma marca inédita na eletrificação do setor automotivo: veículos de nova energia, incluindo elétricos, híbridos plug-in e modelos com extensor de autonomia, responderam por 61,4% das vendas de varejo. Segundo dados da China Passenger Car Association, foram 849 mil unidades eletrificadas vendidas no mês, contra cerca de 530 mil veículos exclusivamente a combustão. A BYD liderou o mercado, com 149.985 unidades, à frente de Geely, Toyota e Volkswagen. O avanço mostra a consolidação de uma mudança estrutural no maior mercado automotivo do mundo, onde apenas um modelo puramente a gasolina apareceu entre os dez carros de passeio mais vendidos. As vendas de veículos a combustão caíram 37% na comparação anual, enquanto a penetração de eletrificados entre marcas chinesas chegou a 80,1%. O movimento também afeta exportações e antecipa tendências para mercados como o Brasil, onde montadoras chinesas ampliam presença. (Inside EVs – 15.05.2026)
China: Desaceleração do mercado doméstico e alta do petróleo levam à exportação de mais eletrificados
A China exportou pela primeira vez mais veículos elétricos e híbridos plug-in do que carros movidos a gasolina ou diesel, consolidando a expansão global da indústria automotiva eletrificada do país. Em abril, os veículos de nova energia representaram 52,7% das exportações chinesas de automóveis, totalizando 406 mil unidades, segundo a Associação Chinesa de Carros de Passageiros. O avanço ocorre em meio à desaceleração do mercado doméstico e ao aumento dos preços do petróleo, fatores que incentivam consumidores a migrarem para modelos eletrificados. As montadoras chinesas ampliam operações na Europa e América Latina para compensar demanda mais fraca em outras regiões. O movimento reforça a liderança chinesa na cadeia global de mobilidade elétrica e amplia a competitividade internacional dos veículos produzidos no país. (CNN Brasil – 11.05.2026)
China: BYD negocia uso de fábricas ociosas na Europa
A BYD negocia com a Stellantis e outras montadoras europeias a possibilidade de utilizar fábricas subutilizadas no continente, em uma estratégia para acelerar sua expansão industrial fora da China. A informação foi confirmada por Stella Li, vice-presidente executiva da fabricante chinesa, durante conferência do Financial Times em Londres. A empresa busca plantas disponíveis que possam aproveitar capacidade ociosa já existente, reduzindo a dependência de novas construções e ampliando a velocidade de implantação. A executiva indicou preferência por operar as unidades de forma independente, sem joint ventures, o que reforça a busca por controle produtivo e de custos. O movimento ocorre em meio à pressão regulatória europeia sobre veículos elétricos importados da China e à necessidade de produção local para preservar competitividade. A BYD já iniciou produção experimental em sua fábrica na Hungria e confirmou polo industrial na Turquia. O uso de plantas prontas pode dar escala adicional à marca no mercado europeu de eletrificados. (Inside EVs – 14.05.2026)
Canadá: Redução tarifária acelera entrada de elétricos chineses
A redução das tarifas de importação de veículos chineses no Canadá, de 100% para 6,1%, já começou a alterar o mercado automotivo local. Chery e Geely estão entre as primeiras montadoras chinesas a desembarcar veículos elétricos e híbridos plug-in no país. Modelos das marcas Jaecoo, Omoda e Exelantis foram vistos em Toronto em fase inicial de testes e certificação, enquanto a Lotus, controlada pela Geely, enviou 18 SUVs elétricos Eletre ao mercado canadense. A Chery teria embarcado cerca de 150 veículos inicialmente e planeja enviar outros 1.000 nos próximos três meses, além de estruturar dez concessionárias até junho. Após a redução tarifária, o preço do Lotus Eletre caiu aproximadamente 50% no Canadá. O novo marco comercial impõe limite anual de importação de 49 mil veículos chineses, mas amplia significativamente a competitividade dos modelos asiáticos em relação ao mercado norte-americano, em meio ao aumento dos preços de veículos e combustíveis nos Estados Unidos. (Inside EVs – 13.05.2026)
Reino Unido: Estudo aponta maior desgaste em baterias de híbridos plug-in
Um estudo da empresa britânica Generational indica que híbridos plug-in podem apresentar degradação de bateria mais irregular que veículos 100% elétricos. A análise comparou 2 mil veículos eletrificados, sendo 1.000 PHEV e 1.000 BEV, com perfis semelhantes de uso. A retenção média de capacidade foi próxima: 94,27% nos híbridos plug-in e 94,94% nos elétricos puros. A diferença mais relevante apareceu na parcela de veículos com menos de 85% da capacidade original: 4,7% entre os PHEV, contra 1,5% nos BEV. O resultado sugere risco cerca de três vezes maior de desgaste elevado nos híbridos plug-in, embora a maioria dos modelos mantenha desempenho considerado saudável. A explicação está no uso de baterias menores, submetidas a ciclos mais frequentes de carga e descarga, além de sistemas térmicos por vezes menos sofisticados. O estudo reforça a importância de avaliar o estado da bateria no mercado de seminovos eletrificados. (Inside EVs – 16.05.2026)
Artigo de Clarissa Lins: “Eletrificação: solução estrutural para a crise?”
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Clarissa Lins (Economista e sócia fundadora da Catavento Consultoria) analisa os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os mercados globais de energia e discute a eletrificação como alternativa estrutural para reduzir a dependência de combustíveis fósseis sujeitos à instabilidade geopolítica. A autora argumenta que, diante da volatilidade do petróleo e da ameaça de escassez de derivados energéticos, os países precisam decidir entre apenas diversificar fornecedores fósseis ou promover uma transformação estrutural baseada em eletrificação sustentada por fontes renováveis. O texto destaca a experiência chinesa como principal exemplo dessa transição, enfatizando o avanço da geração renovável, da mobilidade elétrica, do armazenamento de energia e das redes inteligentes. Clarissa Lins ressalta que a China consolidou posição dominante nas cadeias globais de tecnologias de baixo carbono, tornando-se referência na chamada “era da eletricidade”. Ao mesmo tempo, alerta para os novos riscos associados à concentração tecnológica e industrial chinesa. Na conclusão, defende que a eletrificação representa solução relevante para fortalecer segurança energética, ampliar a geração doméstica e reduzir vulnerabilidades externas, desde que cada país desenvolva estratégias compatíveis com suas vantagens competitivas e construa sistemas energéticos mais resilientes e flexíveis. (GESEL-IE-UFRJ – 11.05.2026)
Artigo de Ben Evans: “Por que os EUA estão abandonando a eficiência energética?”
Em artigo publicado pelo Utility Dive, Ben Evans (diretor legislativo federal do Conselho de Construção Verde dos EUA) argumenta que a eficiência energética continua sendo uma das ferramentas mais rápidas e baratas para reduzir custos, emissões e pressão sobre as redes elétricas, mas enfrenta crescente resistência política e institucional nos Estados Unidos. O debate em torno do programa Energy Star, citado no artigo, simboliza essa disputa sobre o papel das políticas públicas de eficiência no contexto da transição energética. O texto aponta que programas de eficiência energética geram benefícios sistêmicos amplos, como redução da demanda de pico, menor necessidade de grandes investimentos em geração e transmissão e alívio de custos para consumidores. Segundo o autor, diante disso, em um cenário de expansão acelerada de data centers, eletrificação e crescimento da demanda, especialistas e formuladores de políticas defendem que a eficiência deve ser tratada como recurso estratégico equivalente à expansão da oferta energética. Alternativamente, o texto destaca que a eventual fragilização de programas como o Energy Star pode aumentar custos operacionais e dificultar metas climáticas, já que padrões de eficiência influenciam decisões industriais, inovação tecnológica e comportamento do consumidor em larga escala. O artigo conclui que a modernização do sistema energético não depende apenas da construção de nova capacidade de geração, mas também da preservação e fortalecimento de políticas de eficiência energética, consideradas essenciais para garantir segurança energética, competitividade econômica e redução estrutural do consumo. (Utility Dive - 13.05.2026)
Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis
Brasil: ABIHV firma acordos internacionais para impulsionar H2V
A Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde assinou memorandos de entendimento com a France Hydrogène e a iniciativa H2Global para ampliar a inserção internacional do Brasil na cadeia global do hidrogênio de baixa emissão. O acordo com a entidade francesa prevê cooperação em políticas públicas, regulação, segurança, padronização, infraestrutura compartilhada, financiamento e desenvolvimento de mercados para hidrogênio verde e derivados, como amônia, metanol e combustíveis sintéticos. Já a parceria com a H2Global busca aproximar produtores brasileiros da demanda internacional por meio de mecanismos de offtake, leilões, contratos por diferença, certificação e rastreabilidade. Os acordos também incluem agendas técnicas relacionadas a hubs portuários e industriais, harmonização de padrões e advocacy regulatório. Para a ABIHV, as iniciativas fortalecem a competitividade do Brasil em uma cadeia global em consolidação e ampliam as oportunidades de investimentos, industrialização e desenvolvimento de mercado no contexto da transição energética.(Agência CanalEnergia – 13.05.2026)
Brasil: Mapeamento de H2 natural em quatro estados
O Brasil identificou áreas com potencial para hidrogênio natural em pelo menos quatro estados — Ceará, Roraima, Tocantins e Minas Gerais — em projetos ainda em fase de pesquisa conduzidos por GEO4U e Engie Brasil, segundo levantamento da COPPE-UFRJ. Também chamado de hidrogênio geológico ou branco, o H2 natural se forma espontaneamente no subsolo pela reação entre água e rochas ricas em ferro, sem necessidade de eletrólise, o que pode reduzir custos frente ao hidrogênio cinza e ao verde. A Petrobras iniciou estudos sobre o tema em outubro de 2023, na Bahia, e anunciou R$ 20 milhões para mapear ambientes favoráveis, como rochas ultrabásicas, falhas geológicas e bacias específicas, em parceria com universidades brasileiras e instituições internacionais. O avanço comercial ainda depende da confirmação de volumes economicamente viáveis e de um marco regulatório específico, em análise pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). (CPG Click Oil and Gas - 08.05.2026)
Artigo de Jerson Kelman: “Há mercado para produtos que utilizem hidrogênio verde?”
Em artigo publicado pela Folha de São Paulo, Jerson Kelman (ex-dirigente da Aneel) discute as perspectivas de mercado para produtos associados ao hidrogênio verde diante dos incentivos criados pelo Rehidro, programa federal voltado à produção de hidrogênio de baixa emissão de carbono. O autor analisa o potencial brasileiro para exportação de hidrogênio verde e derivados, especialmente em setores industriais de difícil descarbonização, mas questiona a viabilidade econômica desses produtos em um cenário internacional ainda pouco disposto a pagar prêmios elevados por soluções sustentáveis. O texto destaca oportunidades na produção de fertilizantes verdes a partir de excedentes de energia renovável, ressaltando o exemplo de um projeto no Paraguai já respaldado por contratos de longo prazo. Kelman também examina as incertezas relacionadas à demanda internacional por aço verde e outros produtos de baixo carbono, diante das mudanças geopolíticas e das prioridades energéticas da Europa e da China. Na conclusão, adverte que o Brasil deve agir com cautela para evitar subsidiar cadeias produtivas voltadas à descarbonização externa sem garantia concreta de competitividade ou de mercado sustentável para os produtos baseados em hidrogênio verde. (GESEL-IE-UFRJ – 13.05.2026)
Brasil: Estudo da FGV aponta que biocombustíveis podem somar R$ 403,2 bi ao PIB
Um estudo da FGV Agro, com apoio do Instituto Equilíbrio e da Agni, aponta que os biocombustíveis podem adicionar até R$ 403,2 bilhões ao PIB entre 2030 e 2035, com produção estimada de 64 bilhões de litros, incluindo etanol de cana, etanol de milho, etanol de segunda geração e biodiesel. O levantamento calcula retorno de R$ 62 para cada R$ 1 investido e projeta expansão de até 70% do setor, com impactos sobre transportes, indústria de transformação, agropecuária e agroindústria. A produção de cana poderia crescer 31,34%, enquanto a geração de empregos chegaria a 225,5 mil novas ocupações. O estudo estima ainda redução de 27,6 Mt CO₂e pela substituição de fósseis e preservação de 480 mil hectares, sobretudo no Cerrado e na Amazônia. (Brasil Energia – 07.05.2026)
Brasil: Bioeletrificação ganha espaço como estratégia de transição
O conceito de bioeletrificação vem ganhando força no debate energético brasileiro ao propor integração entre eletrificação e uso de biocombustíveis como caminho mais eficiente para a descarbonização. A estratégia combina eletricidade renovável com moléculas energéticas de baixa emissão, como etanol, biodiesel, biometano, diesel verde e SAF, aproveitando infraestrutura já existente e reduzindo custos de transição. O modelo considera que setores como transporte pesado, aviação, navegação e indústria ainda enfrentam limitações técnicas para eletrificação plena devido à densidade energética das baterias. Nesse cenário, o Brasil surge como um dos poucos países capazes de reunir matriz elétrica renovável, biomassa abundante, liderança em biocombustíveis, motores flex e potencial de biometano e bioeletricidade. A proposta também reduz vulnerabilidades geopolíticas e amplia oportunidades industriais ligadas a carbono biogênico, fertilizantes, combustíveis sustentáveis e hidrogênio verde. O debate reforça a visão de que a transição energética será híbrida e dependerá da combinação eficiente entre elétrons e moléculas renováveis. (Agência Eixos – 12.05.2026)
Brasil: Crise do petróleo fortalece defesa dos biocombustíveis
A escalada das tensões geopolíticas e o avanço dos preços internacionais do petróleo reforçaram no governo brasileiro o discurso em favor dos biocombustíveis como instrumento de segurança energética e redução de custos. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que os testes técnicos já permitem elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina dos atuais 30% para 32%, medida considerada temporária e emergencial pelo Ministério de Minas e Energia. O avanço depende de aprovação do CNPE, cuja reunião prevista para maio foi cancelada. Paralelamente, o setor de biodiesel segue pressionando pela retomada do cronograma de aumento da mistura obrigatória, defendendo a adoção imediata do B16 e até antecipação do B17. Produtores argumentam que os testes realizados ao longo dos últimos anos já validam tecnicamente percentuais mais elevados. O governo também anunciou subsídios temporários para gasolina e diesel como forma de mitigar os efeitos da crise internacional sobre consumidores e empresas. (Agência Eixos – 13.05.2026)
Brasil: Biodiesel pode elevar demanda logística, diz Grupo Potencial
O Grupo Potencial defende que o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel pode gerar ganhos econômicos para a cadeia logística, além de contribuir para a descarbonização. Segundo Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente Comercial, de Relações Institucionais e Novos Investimentos da companhia, a industrialização da soja cria subprodutos como farelo, óleo, biodiesel, glicerina, metanol e metilato de sódio, ampliando a necessidade de transporte rodoviário em seis a sete vezes. O setor pressiona pela evolução do B15 para o B16, conforme a Lei do Combustível do Futuro, e avalia antecipar o B17, apesar da resistência de governo, distribuidoras, transportadoras e Petrobras. Hammerschmidt afirma que o B20 já seria tecnicamente plausível e cita a experiência do grupo, que comercializou 1,1 bilhão de litros de diesel sem reclamações ligadas ao B15. A empresa também estrutura planos para produzir SAF a partir de etanol de milho. (Agência Eixos – 15.05.2026)
Brasil: Copersucar aposta no biometano para reduzir importação de diesel
A Copersucar estima que o uso de biometano no transporte pesado pode reduzir pela metade as importações brasileiras de diesel em até dez anos. A avaliação foi apresentada pelo presidente da companhia, Tomás Manzano, durante o lançamento do projeto BioRota, primeira rota sustentável com caminhões movidos a biometano para exportação de açúcar via Porto de Santos. Atualmente, a empresa já substituiu 15% da frota a diesel por mais de 70 caminhões abastecidos com biometano produzido a partir de resíduos da cana-de-açúcar em unidades da Cocal, no interior paulista. As plantas produzem até 85 mil m³ diários do combustível durante a safra. Segundo a companhia, a iniciativa já evitou o consumo de cerca de 5 milhões de litros de diesel e reduziu mais de 8 mil toneladas de CO2. A Copersucar pretende alcançar produção de 2 a 4 milhões de m³ por dia de biometano em dez anos, mas aponta gargalos logísticos e infraestrutura de abastecimento como desafios para expansão da tecnologia. (Agência Eixos – 13.05.2026)
Brasil: Acelen mantém projeto de SAF apesar de atraso regulatório
A Acelen afirma que a demora na publicação do decreto que regulamentará o mandato brasileiro de combustível sustentável de aviação não altera o cronograma de sua biorrefinaria na Bahia. O projeto, localizado ao lado da Refinaria de Mataripe, prevê início de operação no começo de 2028 e produção de 1 bilhão de litros por ano de combustíveis renováveis, incluindo SAF e diesel verde. Segundo Marcelo Lyra, vice-presidente de Comunicação, ESG e Relações Institucionais, a decisão final de investimento deve ser anunciada nas próximas semanas, com contratos de longo prazo já firmados para boa parte da produção, voltada principalmente a Estados Unidos e Europa. A planta flexível demandará US$ 3 bilhões e usará inicialmente óleo de soja, óleo de cozinha usado e gordura animal, com incorporação gradual da macaúba. A empresa planeja plantar 180 mil hectares da cultura em áreas degradadas, parte com agricultura familiar, para ampliar a captura de carbono e a competitividade internacional do SAF brasileiro. (Agência Eixos – 15.05.2026)
Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização
Artigo de Anish De: “Por que a IA será fundamental para acelerar a transição energética”
Em artigo publicado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), Anish De (Diretor Global de Energia, Recursos Naturais e Produtos Químicos da KPMG International) argumenta que a inteligência artificial pode acelerar significativamente a transição energética ao otimizar sistemas elétricos, aumentar eficiência operacional e ampliar a integração de fontes renováveis. Segundo o autor, a IA deixa de ser apenas uma tecnologia digital e passa a atuar como infraestrutura estratégica para descarbonização, segurança energética e modernização industrial. O texto aponta que aplicações de IA já estão sendo utilizadas em previsão de geração renovável, gestão de demanda, manutenção preditiva, operação de redes inteligentes e otimização de consumo em edifícios e indústrias, permitindo reduzir desperdícios, melhorar estabilidade da rede e lidar com a crescente complexidade causada pela expansão de solar, eólica, armazenamento e eletrificação. Além disso, o texto destaca que a IA pode acelerar processos decisórios e reduzir custos sistêmicos ao integrar grandes volumes de dados em tempo real. Ao mesmo tempo, reconhece que a própria expansão da IA eleva o consumo energético de data centers, criando pressão adicional sobre infraestrutura elétrica. Diante disso, o autor pondera que o impacto líquido da IA dependerá de governança adequada, disponibilidade de energia limpa e investimentos em infraestrutura digital e elétrica. O artigo conclui que a IA tem potencial para se tornar um importante catalisador da transição energética, desde que sua expansão esteja alinhada a fontes limpas, modernização das redes e políticas capazes de transformar ganhos tecnológicos em benefícios sistêmicos reais. (World Economic Forum - 13.05.2026)
Artigo de Pedro Dante e Roberta Arakaki: “Curtailment como nova normalidade: ‘soluções behind-the-meter’ surgem como estratégia de mercado para os geradores de energia”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Pedro Dante (Sócio de Energia do escritório de advocacia Lefosse) e Roberta Arakaki (Advogada de Energia do escritório de advocacia Lefosse) analisam como o curtailment deixou de ser um evento pontual no setor elétrico brasileiro para se tornar uma condição estrutural, especialmente para empreendimentos renováveis. Os autores argumentam que a combinação entre expansão acelerada da geração, limitações da infraestrutura de transmissão e crescimento desigual da demanda criou um cenário recorrente de excedentes de energia. Nesse contexto, destacam o avanço das soluções behind-the-meter (BTM), nas quais cargas conectadas diretamente às usinas — como data centers e atividades de processamento intensivo de dados — passam a funcionar como estratégia econômica para absorver energia excedente e reduzir perdas financeiras. O artigo enfatiza que essas soluções não substituem o mercado tradicional, mas complementam sua dinâmica, exigindo modelagens contratuais, regulatórias e jurídicas sofisticadas. Os autores também ressaltam desafios relacionados ao enquadramento regulatório das cargas, à segregação de responsabilidades e à mitigação de riscos. Na conclusão, defendem que o setor elétrico precisa incorporar as soluções BTM de forma transparente e compatível com o arcabouço regulatório, reconhecendo o curtailment como uma nova realidade estrutural do sistema elétrico brasileiro. (GESEL-IE-UFRJ – 11.05.2026)
Brasil: Renova avalia baterias e projetos híbridos sem aporte imediato
A Renova Energia avalia oportunidades em projetos híbridos, combinando fontes como solar e eólica, mas não possui investimentos aprovados para ampliar sua capacidade de geração solar no curto prazo. Segundo Bruno Duarte, coordenador de Relações com Investidores, a companhia revisita alternativas de expansão de forma recorrente, embora sem aportes imediatos em curso. A empresa também considera o uso de baterias para armazenamento de energia, mas condiciona a decisão ao avanço do desenho regulatório do setor. A expectativa recai sobre a publicação do edital de um possível leilão de LRCAP para baterias, aguardado ainda em 2026. A Renova mantém no radar alternativas estratégicas para geração de valor, incluindo reorganizações societárias, mas sem deliberação formal sobre eventual spin-off. Duarte também alertou que a alta do PLD tende a pressionar negativamente o Ebitda, sobretudo pelo efeito do curtailment, que limita a geração e aumenta a exposição a custos em cenários de preços elevados. (Agência CanalEnergia – 14.05.2026)
Brasil: Neoenergia investirá US$ 10 bilhões em redes até 2030
A Neoenergia, subsidiária brasileira da Iberdrola, anunciou plano de investimentos de quase 50 bilhões de reais, equivalentes a cerca de US$ 10,2 bilhões, até 2030 para modernização, expansão e digitalização de suas redes elétricas no Brasil. O anúncio acompanha a renovação por mais 30 anos das concessões de distribuição da Neoenergia Coelba, na Bahia, Neoenergia Cosern, no Rio Grande do Norte, e Neoenergia Elektro, em São Paulo e Mato Grosso do Sul. O montante praticamente dobra os 27,5 bilhões de reais investidos pela companhia nos últimos cinco anos. Segundo Ignacio Galán, chairman da Iberdrola, a renovação fortalece a segurança jurídica e cria ambiente regulatório previsível para ampliar compromissos de investidores internacionais no país. Os recursos serão direcionados à digitalização das redes, melhoria da qualidade do fornecimento e ampliação da capacidade para atender ao crescimento da demanda energética associado à eletrificação da economia brasileira. Atualmente, a Neoenergia atende cerca de 40 milhões de consumidores em 18 estados e no Distrito Federal. (Energy Monitor – 11.05.2026)
China: BYD assume liderança global em baterias estacionárias
A BYD ampliou sua presença na transição energética ao superar a Tesla no mercado global de sistemas de armazenamento de energia em larga escala. Segundo a Benchmark Mineral Intelligence, a fabricante chinesa tornou-se em 2025 a maior integradora mundial de BESS, com 13% de participação, ante 10% da Tesla. A empresa distribuiu mais de 60 GWh em sistemas de armazenamento no ano, acima dos 46,7 GWh instalados pela rival norte-americana. O avanço ocorre em um mercado que cresceu 51% em 2025, chegando a quase 315 GWh em instalações globais, enquanto os embarques de células para armazenamento estacionário passaram de 600 GWh. A vantagem da BYD está na integração vertical, com produção própria de células, baterias e sistemas, além do lançamento da plataforma HaoHan, de 14,5 MWh por unidade. O resultado reforça o domínio chinês na cadeia global de baterias e o papel estratégico do armazenamento para integrar renováveis e estabilizar redes elétricas. (Inside EVs – 16.05.2026)
Estados Unidos: Sun Pond inicia operação com solar e baterias
A Longroad Energy iniciou a operação comercial do projeto Sun Pond, localizado no condado de Maricopa, no Arizona, combinando geração solar e armazenamento em baterias. A instalação possui 111 MWdc de capacidade fotovoltaica e sistema de armazenamento de 85 MWac/340 MWh, integrando o complexo Sun Streams, que reúne quatro projetos com quase 1,6 GW de capacidade total. A energia será comercializada por contratos de compra com Ava Community Energy e San José Clean Energy, atendendo consumidores da Califórnia. Segundo a empresa, o projeto deve gerar eletricidade suficiente para abastecer cerca de 35 mil residências por ano e reduzir mais de 145 mil toneladas anuais de CO2, equivalente à retirada de quase 34 mil veículos a gasolina de circulação. A construção, conduzida pela McCarthy Building Companies, empregou mais de 300 trabalhadores no pico. O projeto utiliza módulos da First Solar, rastreadores Nextpower, inversores Sungrow e sistema de armazenamento Gridstack da Fluence, ampliando a oferta de energia limpa flexível para a rede. (Energy Monitor – 06.05.2026)
Caribe: Sungrow vê baterias como próximo avanço do sistema elétrico na região
A expansão da geração fotovoltaica no Caribe está elevando o papel estratégico das baterias, que devem ganhar mais protagonismo que novos projetos solares na próxima fase de desenvolvimento do sistema elétrico regional. Héctor Núñez, Head de Vendas para o Norte da América Latina da Sungrow, afirmou durante o FES Caribe que os novos empreendimentos tendem a incorporar armazenamento desde a origem, enquanto ativos existentes avaliam baterias para otimizar desempenho e responder a exigências de confiabilidade, estabilidade e qualidade do suprimento. A avaliação ocorre em meio a apagões de grande escala na República Dominicana e a um cenário de maior pressão sobre custos, com o lítio praticamente dobrando de valor desde dezembro, o que exige contratos mais flexíveis e estratégias de longo prazo. Segundo o executivo, a Sungrow aposta em soluções integradas de eletrônica de potência e baterias, com sistemas de até 7 MWh por contêiner, refrigeração líquida para ambientes úmidos e salinos e funcionalidades como BlackStart e Grid Forming. (Strategic Energy - 04.05.2026)
Cuba: Inauguração do primeiro parque solar com baterias
Cuba inaugurou o parque solar fotovoltaico General Ángel del Castillo Agramonte, na província de Ciego de Ávila, primeiro projeto do país a integrar armazenamento em baterias. A usina tem 5 MW de capacidade fotovoltaica e sistema de 1 MW em baterias, com possibilidade de picos de até 2 MW, voltado à estabilização de tensão, regulação de frequência e apoio à operação do Sistema Elétrico Nacional. O empreendimento é o primeiro sincronizado da segunda etapa de uma doação de 120 MW da China, que prevê 85 MW com acumulação energética, e se diferencia dos sete parques anteriores do mesmo programa, que não contavam com baterias. A instalação, conectada ao sistema em 25 de março, pode operar em modo ilha em caso de desconexão da rede, reforçando o suprimento local em infraestruturas críticas. Com o projeto, Ciego de Ávila soma nove parques solares e supera 100 MW fotovoltaicos instalados. (Strategic Energy - 12.05.2026)
Emirados Árabes: Masdar e JinkoSolar fecham acordo para projeto 24 horas
A JinkoSolar e a Masdar assinaram acordo para fornecimento de 2 GW em módulos fotovoltaicos Tiger Neo destinados ao projeto RTC de energia renovável contínua em Abu Dhabi. Desenvolvido em parceria com a Emirates Water and Electricity Company, o empreendimento combinará uma usina solar de 5,2 GW com um sistema de armazenamento em baterias de 19 GWh, buscando fornecer energia renovável de forma ininterrupta. Os módulos utilizarão tecnologia N-type TOPCon para atender às especificações técnicas do projeto. A iniciativa é considerada estratégica para enfrentar a intermitência das fontes renováveis e ampliar a oferta estável de energia limpa em larga escala. O projeto integra os planos dos Emirados Árabes Unidos para acelerar a expansão de energia renovável, fortalecer a segurança energética e ampliar a participação industrial local. Recentemente, EWEC e Masdar também anunciaram estrutura para desenvolver mais de 30 GW de capacidade solar fotovoltaica e 8 GW de armazenamento em baterias no país. (Energy Monitor – 13.05.2026)
Impactos Socioeconômicos
Artigo de Harjeet Singh: “Os países em desenvolvimento devem segurar a caneta para roteirizar a transição dos combustíveis fósseis”
Em artigo publicado no Climate Change News, Harjeet Singh (ativista climático e consultor estratégico da Fossil Fuel Treaty Initiative) argumenta que os países em desenvolvimento precisam assumir protagonismo na definição da transição dos combustíveis fósseis, em vez de apenas seguir modelos e interesses estabelecidos por economias ricas. Segundo o autor, a forma como a descarbonização global será conduzida determinará não apenas resultados climáticos, mas também distribuição de riqueza, soberania energética e oportunidades de desenvolvimento. O texto aponta que muitas nações do Sul Global ainda dependem fortemente da exploração de petróleo, gás e carvão para receitas fiscais, empregos e financiamento público. Nesse contexto, políticas climáticas desenhadas sem considerar essas realidades podem aprofundar desigualdades econômicas e limitar capacidades de desenvolvimento. Além disso, o texto destaca que países em desenvolvimento possuem vantagens estratégicas importantes, como abundância de minerais críticos, potencial renovável e mercados em expansão, mas correm o risco de permanecer apenas como exportadores de matérias-primas se não desenvolverem capacidade industrial própria nas cadeias da transição energética. O texto também expõe críticas ao modelo atual de governança climática internacional, frequentemente percebido como dominado por prioridades do Norte Global, enquanto países mais vulneráveis enfrentam custos sociais elevados sem garantias proporcionais de apoio financeiro e tecnológico. O artigo conclui que a transição energética global só será efetivamente justa e sustentável se os países em desenvolvimento tiverem poder real para definir seus próprios caminhos de descarbonização, equilibrando metas climáticas com industrialização, soberania e inclusão econômica. (Climate Change News - 08.05.2026)
Editorial Reuters: “Estamos tendo o debate certo sobre a transição energética, mas estamos ignorando a urgência”
Em editorial, a Agência Reuters argumenta que o debate atual sobre transição energética está mais maduro e tecnicamente consistente do que em anos anteriores, mas ainda carece da urgência necessária diante da velocidade das mudanças climáticas e da transformação dos sistemas energéticos. Segundo o texto, há hoje maior consenso sobre a necessidade de descarbonização, eletrificação e expansão das renováveis, porém a implementação prática continua lenta frente à escala do desafio. Governos e empresas passaram a discutir temas mais estruturais — como redes elétricas, armazenamento, minerais críticos, financiamento e segurança energética —, superando parte das disputas ideológicas iniciais sobre a própria existência da transição. Ainda assim, gargalos regulatórios, demora em infraestrutura e dificuldade de coordenação política impedem que investimentos avancem no ritmo necessário. Além disso, o texto destaca que a pressão crescente da demanda energética, impulsionada por data centers, inteligência artificial, eletrificação industrial e expansão econômica, aumenta a urgência de decisões rápidas sobre geração, transmissão e flexibilidade do sistema elétrico. Nesse contexto, atrasos podem elevar custos, ampliar riscos de confiabilidade e dificultar metas climáticas. O texto também expõe que muitos países seguem presos a ciclos políticos curtos e a disputas setoriais que retardam reformas consideradas inevitáveis, mesmo quando já existe clareza técnica sobre os caminhos necessários. A conclusão é que o principal desafio da transição energética deixou de ser provar sua viabilidade e passou a ser acelerar sua execução, exigindo capacidade política, coordenação regulatória e velocidade de implementação compatíveis com a dimensão da transformação em curso. (Reuters - 13.05.2026)
Brasil: Pesquisa mostra apoio a renováveis sem alta tarifária
Pesquisa Ipsos-Ipec com duas mil pessoas em 129 municípios brasileiros indicou amplo apoio à expansão das fontes renováveis, mas forte resistência a aumentos na conta de luz. Segundo o levantamento, 93% dos entrevistados consideram importante ou muito importante que a eletricidade no país seja gerada por fontes como solar e eólica, enquanto 78% dizem estar pouco ou nada dispostos a pagar mais por essa mudança. Apenas 19% aceitariam aumento tarifário. A percepção de custo elevado pesa no debate: 71% avaliam a tarifa atual como alta ou muito alta em relação à qualidade do serviço. A instabilidade também influencia a opinião, já que 73% relataram ao menos uma queda de energia nos três meses anteriores. O apoio às renováveis é maior entre famílias com renda acima de cinco salários mínimos, das quais 71% consideram o tema muito importante. O estudo mostra que a transição energética depende não apenas de metas ambientais, mas também de qualidade, informação, renda e justiça tarifária. (Além da Energia – 07.05.2026)
Brasil: Descarbonização amplia desafios de energia e ESG
O avanço das metas ESG e da descarbonização está redefinindo os desafios do setor energético global e brasileiro, em meio ao crescimento contínuo da demanda por eletricidade. Segundo relatório do Energy Institute, as emissões globais do setor energético alcançaram 40,8 GtCO2e em 2024, mesmo com expansão recorde das renováveis. A produção global de eletricidade cresceu 2,5%, aproximando-se de 30 mil TWh, enquanto mais de 40% da geração mundial já veio de fontes de baixo carbono. No Brasil, a matriz energética atingiu 50% de participação renovável em 2024, impulsionada por hidrelétricas, biomassa, eólica e solar, mas o setor de transportes segue como principal emissor, com 214,3 MtCO2e. O crescimento acelerado de data centers e inteligência artificial também amplia a pressão sobre sistemas elétricos e metas climáticas. Nesse cenário, empresas intensivas em energia passaram a integrar estratégias de contratação renovável, eficiência energética e autoprodução como parte central de suas agendas ESG e competitividade internacional. (Além da Energia – 11.05.2026)
Brasil: Especialistas defendem neoindustrialização verde no país
O Brasil possui condições estratégicas para liderar a economia global de baixo carbono ao combinar energia renovável, minerais críticos e carbono biogênico, afirma Philipp Hauser, presidente do conselho do Instituto E+ Transição Energética. Em entrevista, o especialista destacou que o acordo Mercosul-União Europeia pode impulsionar investimentos sustentáveis ao integrar oportunidades comerciais, salvaguardas socioambientais e mecanismos financeiros. Segundo Hauser, o país pode ampliar sua participação nas cadeias globais de valor ao produzir bens industriais de maior valor agregado com baixas emissões, aproveitando vantagens competitivas em biomassa, eletrificação e hidrogênio renovável. O conceito de powershoring também foi apontado como oportunidade para atrair indústrias eletrointensivas ao Nordeste, reduzindo gargalos de transmissão e curtailment. O especialista ressaltou ainda a importância de marcos regulatórios mais eficientes, segurança jurídica e financiamento internacional para acelerar projetos ligados à neoindustrialização verde, minerais críticos, hidrogênio verde, fertilizantes limpos e uso sustentável de florestas e agricultura. (Além da Energia – 12.05.2026)
Brasil: Jogos da seleção alteram demanda do sistema elétrico
Partidas da seleção brasileira em grandes torneios internacionais provocam fortes oscilações de carga no Sistema Interligado Nacional, exigindo planejamento especial do Operador Nacional do Sistema Elétrico. Relatórios do ONS mostram que, em jogos anteriores, a demanda de energia caiu até 15% antes e durante as partidas, chegando a cerca de 12 mil MW abaixo do padrão habitual, devido à redução de atividades industriais e comerciais e à concentração do consumo residencial. Durante os jogos, o sistema opera em patamares mais baixos e estáveis. Já nos intervalos e após o apito final ocorrem rampas abruptas de elevação da carga, impulsionadas pelo uso simultâneo de eletrodomésticos e retomada das atividades. Em Brasil x Coreia do Sul na Copa de 2022, o intervalo gerou aumento de 2.943 MW em apenas oito minutos, enquanto o pós-jogo registrou alta de 7.665 MW em meia hora. Para garantir estabilidade, o ONS adota regime operacional especial, reforçando equipes e ampliando a disponibilidade de geração hidráulica. (Além da Energia – 13.05.2026)
BNEF: Financiamento à transição energética avança lentamente na Ásia
Bancos de oito mercados da Ásia-Pacífico — Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Singapura, Malásia, Tailândia, Indonésia e Filipinas — ainda não conseguiram fazer o financiamento à transição energética superar de forma consistente os aportes em combustíveis fósseis, aponta a BNEF em novo relatório. Em 2024, essas instituições viabilizaram US$ 0,83 em oferta de energia limpa para cada US$ 1 destinado a fontes fósseis, melhor resultado desde 2021, mas abaixo da média global de 0,89:1. Entre 2022 e 2024, o volume anual de financiamento à oferta de energia ficou em torno de US$ 240 bilhões, com queda gradual nas operações fósseis e avanço apenas marginal das transações de baixo carbono. Redes elétricas e armazenamento puxaram o crescimento em 2024, enquanto eólica e solar permaneceram praticamente estáveis. Ainda, o documento pontua que o investimento em transição energética nos mercados asiáticos, excluindo a China continental, cresceu 23% em 2025, acima da média global de 8%, mas a razão de investimento ficou em US$ 1,30 em energia limpa para cada US$ 1 em fósseis, longe dos 3,5:1 da Europa. (BloombergNEF - 14.05.2026)
Artigo de Nicolau Wagner, Sacha Bazin e Ojasvee Arora: “Como a guerra no Oriente Médio está remodelando a transição energética da Ásia?”
Em artigo publicado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), Nicolau Wagner, Sacha Bazin e Ojasvee Arora (especialistas de Iniciativas Energéticas do WEF) argumenta que a guerra no Oriente Médio está remodelando a equação energética da Ásia ao expor sua forte dependência de combustíveis fósseis importados. O autor pontua que cerca de 80% do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz tem como destino mercados asiáticos, principalmente China, Índia e Japão. No caso da ASEAN, 55% das importações de petróleo vêm do Oriente Médio, deixando até 28% do consumo final de energia exposto a interrupções. A crise elevou custos, pressionou contas públicas e levou países como Filipinas, Tailândia, Malásia, Vietnã e Indonésia a adotarem medidas emergenciais de conservação. O texto aponta que o choque tem efeito duplo: fortalece o argumento estratégico por renováveis e combustíveis limpos, mas também leva governos a recorrerem a soluções fósseis imediatas, como subsídios, controle de preços e maior uso de carvão. Países com renováveis mais avançadas, como Vietnã e China, demonstram maior resiliência. A análise cita, ainda, que substituir capacidade planejada a gás por solar e armazenamento poderia economizar até US$ 4 bilhões até 2030 na ASEAN. O artigo conclui que a crise reforça a transição energética como estratégia de segurança, mas seu avanço dependerá da capacidade dos países asiáticos de evitar respostas fósseis permanentes e acelerar diversificação, renováveis e combustíveis limpos. (World Economic Forum - 06.05.2026)
China: Indústria solar tenta conter perdas após dez trimestres de perdas
A indústria fotovoltaica chinesa busca sinais de estabilização após dez trimestres consecutivos de perdas, pressionada por excesso de capacidade, guerra de preços e fábricas operando em torno de metade do potencial produtivo. A deterioração afeta grandes fabricantes de módulos, células, wafers e polissilício, em um mercado no qual a expansão acelerada dos últimos anos ampliou a oferta acima da demanda global e levou empresas a vender abaixo do custo. No primeiro semestre de 2025, grupos como Tongwei, Longi e JA Solar projetaram prejuízos bilionários, enquanto investidores passaram a observar possíveis avanços em cortes de produção, consolidação industrial e medidas de coordenação para reduzir a competição predatória. Mesmo com a China mantendo liderança na cadeia solar global e forte ritmo de instalações domésticas, a recuperação pode depender de disciplina de oferta, recomposição de margens e absorção de estoques em um ambiente de preços ainda deprimidos. (Strategic Energy - 13.05.2026)
Editorial Reuters: “Novos modelos são necessários para acompanhar a complexa transição de commodities da China”
Em editorial, a Agência Reuters argumenta que os modelos tradicionais de análise de commodities já não conseguem interpretar adequadamente a transformação econômica e energética da China. Segundo o texto, a combinação entre desaceleração estrutural, transição energética, políticas industriais e intervenção estatal tornou o comportamento da demanda chinesa mais complexo e menos previsível do que em ciclos anteriores. A China continua sendo o principal consumidor global de minerais e energia, mas a composição dessa demanda mudou profundamente. Setores ligados à construção civil e infraestrutura pesada perderam protagonismo relativo, enquanto cadeias associadas à transição energética — como veículos elétricos, baterias, redes elétricas, solar e armazenamento — passaram a exercer influência crescente sobre mercados de cobre, alumínio, lítio, níquel e aço. Além disso, o texto destaca que essa mudança gera sinais contraditórios: indicadores tradicionais de crescimento industrial podem sugerir enfraquecimento econômico, enquanto determinados metais estratégicos continuam apresentando demanda robusta devido à expansão das tecnologias limpas. O texto, ainda, expõe que a forte atuação do Estado chinês, incluindo subsídios, metas industriais e controle sobre cadeias produtivas, distorce parcialmente mecanismos clássicos de mercado e exige novas metodologias analíticas capazes de captar dinâmicas geopolíticas, tecnológicas e regulatórias. A conclusão é que compreender a nova fase da economia chinesa exige abandonar modelos tradicionais centrados em crescimento linear e adotar abordagens mais sofisticadas, capazes de interpretar uma transição simultaneamente energética, industrial e geopolítica. (Reuters - 14.05.2026)
Austrália: mineradoras ampliam uso de renováveis e baterias
Mineradoras globais intensificam investimentos em energia renovável e armazenamento por baterias para reduzir o uso de diesel e descarbonizar operações em áreas isoladas. Na Austrália, a Fortescue instalou em sua mina de ferro em Pilbara um sistema de 48 contêineres de baterias, com 250 MWh, como primeira etapa de um projeto que pode chegar a 5 GWh até 2030. A iniciativa integra geração renovável e eletrificação de caminhões, escavadeiras e equipamentos de processamento. Também na Austrália, a mina de cobre Eva, da Harmony Gold, receberá usina solar de 118 MWp, baterias de 250 MWh e termelétrica de baixa emissão de 104 MVA. Na África, projetos híbridos já reduziram consumo de diesel, como na mina de Sukari, no Egito, que evitou 22 milhões de litros. No Brasil, a Monte Cristo adotou sistema solar com 3 MWp e baterias de 5 MWh em Mato Grosso, enquanto a Cedro usa solar em reprocessamento e iluminação de frentes de lavra. (Além da Energia – 14.05.2026)
Uruguai: Matriz limpa fortalece a segurança diante da crise
O ministro da Economia e Finanças do Uruguai, Gabriel Oddone, afirmou que a elevada participação de fontes renováveis na matriz elétrica do país colocou a economia uruguaia em posição privilegiada para enfrentar os impactos da guerra no Oriente Médio e da alta internacional do petróleo. Segundo ele, 98% da geração elétrica uruguaia em 2025 teve origem renovável, reduzindo significativamente a exposição aos choques energéticos globais. O ministro destacou que, há três décadas, um cenário semelhante teria provocado forte impacto nos preços internos de energia, enquanto atualmente os efeitos se concentram apenas nos combustíveis. Oddone também ressaltou que inflação controlada, elevado volume de reservas internacionais e grau de investimento permitem ao governo amortecer reajustes sem transferir integralmente os custos à população. O ministro atribuiu os avanços à continuidade de políticas de Estado mantidas por diferentes governos desde os anos 1980 e defendeu maior integração regional liderada pelo Brasil, além de considerar o acordo Mercosul-União Europeia um marco estratégico diante do avanço do protecionismo global. (Valor Econômico - 10.05.2026)
Artigo Thiago Tierry: “Mineração em águas profundas: benefícios e riscos para a transição energética verde”
Em artigo publicado no The Loop, Thiago Tierry (doutorando no Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio) argumenta que a mineração em águas profundas pode fornecer minerais importantes para a transição energética, mas também cria riscos ambientais e jurídicos significativos. Segundo o autor, o foco são os nódulos polimetálicos encontrados na Zona Clarion-Clipperton (CCZ), no Pacífico, ricos em ferro, lítio, cobalto, níquel e manganês — insumos associados a baterias, turbinas eólicas, eletrônicos e até aplicações militares —, que reacendem o debate sobre como conciliar descarbonização e proteção ambiental. O texto aponta que a extração desses nódulos exigiria robôs capazes de aspirá-los do fundo do mar, a cerca de 4.000 metros de profundidade, destruindo organismos que vivem diretamente sobre eles e gerando impactos como plumas de sedimentos, ruído e poluição luminosa em ecossistemas pouco conhecidos. A governança cabe à Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA), criada no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), mas o autor questiona se a instituição prioriza a proteção ambiental ou a exploração econômica. O texto também destaca o papel controverso de empresas que exploram brechas regulatórias enquanto pressionam por regras que possam legitimar a atividade. O artigo conclui que a mineração em águas profundas pode aliviar gargalos de minerais críticos, mas, se regulada de forma apressada, corre o risco de sacrificar ecossistemas marinhos desconhecidos em nome da transição energética. (The Loop - 05.05.2026)
Artigo de Igor Shislov: “O papel oculto do crédito à exportação na transição energética”
Em artigo publicado no The Conversation, Igor Shislov (diretor da Perspectives Climate Group e professor afiliado da HEC Paris) argumenta que as agências de crédito à exportação (ECAs) exercem um papel pouco visível, mas decisivo, no financiamento da transição energética. Embora sejam normalmente vistas como instrumentos para apoiar exportadores nacionais por meio de empréstimos, garantias e seguros públicos, o autor pontua que essas instituições influenciam diretamente quais tecnologias energéticas recebem capital em escala global. O texto referencia um estudo que analisou 921 operações de financiamento energético apoiadas por ECAs de 31 países entre 2013 e 2023. Nesse período, a participação das renováveis nos compromissos energéticos das ECAs subiu de 9% em 2013 para mais de 40% em 2023, indicando avanço relevante. Ainda assim, o financiamento fóssil permanece elevado, especialmente em petróleo, gás e carvão, com diferenças importantes entre países. ECAs europeias avançaram mais na “ecologização” de carteiras, enquanto instituições de Japão, Coreia do Sul e China ainda mantêm apoio significativo a infraestrutura fóssil. O texto também destaca que o movimento atual é fragmentado e desigual: a guinada verde tende a beneficiar mais países de alta renda, enquanto economias em desenvolvimento seguem recebendo maior parte do financiamento fóssil. O artigo conclui que as ECAs podem acelerar a transição energética, mas isso exige regras climáticas mais rigorosas, cooperação internacional e redirecionamento efetivo do crédito público à exportação para renováveis, evitando novo aprisionamento fóssil. (The Conversation - 13.05.2026)