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IFE
11/05/2026

Transição Energética 111

Assinatura:
Equipe de Pesquisa UFRJ
Editor: Prof. Nivalde J. de Castro (nivalde@ufrj.br)
Subeditores: Gustavo Esteves
Pesquisadores: Gustavo Esteves e Paulo Giovane
Assistente de pesquisa: Sérgio Silva

IFE
11/05/2026

IFE nº 111

Assinatura:
Equipe de Pesquisa UFRJ
Editor: Prof. Nivalde J. de Castro (nivalde@ufrj.br)
Subeditores: Gustavo Esteves
Pesquisadores: Gustavo Esteves e Paulo Giovane
Assistente de pesquisa: Sérgio Silva

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Transição Energética 111

Dinâmica Internacional

GWEC: Energia eólica cresce globalmente, mas desacelera no Brasil

A capacidade eólica global atingiu recorde em 2025 com 165 GW adicionados, elevando o total para 1.299 GW, segundo o GWEC, com liderança da China, responsável por mais de 120 GW. Apesar do avanço internacional, o Brasil registrou desaceleração, com 2,3 GW instalados, impactado por baixa demanda e limitações na transmissão. O mercado asiático concentrou 80% das novas instalações, enquanto outras regiões também ampliaram investimentos. No Brasil, o excesso de oferta de energia limpa e gargalos estruturais têm reduzido a atratividade de novos projetos. Ainda assim, a expectativa é de recuperação a partir de 2027, impulsionada por novos consumidores intensivos, como data centers e indústria descarbonizada. Globalmente, o ritmo ainda está abaixo dos 200 GW anuais necessários até 2030 para atingir metas climáticas, em um cenário pressionado por crises geopolíticas e custos elevados de combustíveis fósseis. (Agência Eixos - 22.04.2026)

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UNFCCC: Guerra no Irã acelera transição para energias renováveis

A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã está acelerando a migração global para energias renováveis, à medida que países buscam reduzir a exposição à volatilidade dos mercados de petróleo e gás, afirmou Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC). O conflito, iniciado há dois meses, desorganizou cadeias de suprimento de combustíveis, levou alguns governos a racionar derivados e estimulou subsídios e cortes de impostos para conter a alta de preços ao consumidor. Sinais iniciais indicam avanço de sistemas solares em telhados na Europa e aumento das vendas de veículos elétricos em países como o Paquistão. Na China, Xi Jinping defendeu acelerar a construção de um novo sistema energético para reforçar a segurança, com ênfase em hidrelétricas e expansão nuclear. A crise também expôs riscos: alguns países elevaram o uso de carvão e óleo combustível para compensar a falta de gás do Oriente Médio. Cerca de 60 governos, incluindo Brasil, Alemanha, Canadá e Nigéria, discutiram na Colômbia mecanismos para reduzir o uso de fósseis e avançar nas regras comerciais da transição. (Reuters - 30.04.2026)

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Europa: Guerra no Irã impulsiona demanda por solar residencial

A demanda por sistemas solares em telhados na Europa voltou a crescer com força desde o início da guerra no Irã, em fevereiro, à medida que famílias buscam reduzir a exposição à alta dos preços de petróleo, gás e eletricidade. Empresas e distribuidores de equipamentos renováveis na Alemanha, no Reino Unido e na Holanda relatam que a procura de consumidores residenciais mais que dobrou em alguns casos. A alemã Solarhandel24 informou que suas vendas líquidas mais que triplicaram em março, para quase US$ 82 milhões, e podem triplicar novamente em abril, enquanto executivos do setor associam o movimento à busca por autonomia energética e menor dependência de combustíveis fósseis importados. O avanço ocorre após desaceleração das novas instalações solares na Europa em 2025, em meio à retirada de incentivos e à demanda residencial mais fraca. Apesar do impulso, fabricantes chineses avaliam que a retomada europeia não será suficiente para absorver a sobrecapacidade global do setor, já que a China tem capacidade produtiva próxima ao dobro da demanda mundial esperada no ano. (Reuters - 23.04.2026)

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Europa: UNECE inicia consultas sobre ferramentas analíticas para cadeias de minerais críticos

A Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (UNECE) abriu consulta a especialistas, governos, indústria e parceiros de desenvolvimento sobre um Policy Brief preliminar e duas ferramentas analíticas voltadas a cadeias sustentáveis de minerais críticos e à ampliação da agregação de valor no midstream. A iniciativa responde ao avanço da demanda por insumos da transição energética e à falta, em muitos países, de listas oficiais ou critérios de priorização. Uma ferramenta avalia criticidade com enfoque no nexo alimento-água-energia, mapeando dependências sistêmicas, riscos de ruptura de suprimento e impactos em sistemas energéticos, hídricos e industriais. A Midstream Readiness and Value Addition Assessment Tool (MidReVA) examina condições para processamento local, incluindo segurança de matéria-prima, infraestrutura, capacidades industriais e de trabalho, fatores ambientais e sociais e reaproveitamento de ativos. Baseadas no UNFC e no UNRMS, as ferramentas apoiam planejamento estratégico e diálogo regulatório, sem prescrever investimentos ou políticas específicas. (UNECE - 01.05.2026)

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UE: Comissão lança pacote para apoiar consumidores na transição energética

A Comissão Europeia apresentou um pacote de recomendações para proteger e apoiar consumidores e famílias na transição para energia limpa, com foco em um sistema energético mais inclusivo, resiliente e sustentável. As medidas orientam os países da União Europeia a proteger grupos vulneráveis contra preços elevados, inadimplência e desconexões, inclusive durante a substituição gradual do gás natural, por meio de identificação antecipada de famílias em risco, planos de pagamento, aconselhamento sobre dívidas, vouchers de energia, eficiência energética e acesso a renováveis. O pacote também busca padronizar termos de contratos de energia para facilitar comparação de ofertas, troca de fornecedores e redução de custos, além de reforçar regras de gestão de risco para evitar falências de comercializadoras e impactos sobre contas e serviços. Outro eixo prevê apoio a comunidades de energia e autoconsumo, permitindo que cidadãos, pequenas empresas e autoridades locais produzam e compartilhem energia renovável. A iniciativa inclui ainda relatório sobre preços de eletricidade e remuneração da flexibilidade no varejo. (European Commission - 30.04.2026)

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UE: Comissão prepara resposta a segunda crise energética em quatro anos

A Comissão Europeia preparou medidas para reduzir impostos sobre eletricidade e coordenar o reabastecimento dos estoques de gás no verão, em resposta aos impactos energéticos da guerra no Irã. A estratégia busca amortecer a pressão sobre consumidores e empresas sem repetir, por ora, intervenções mais duras adotadas em 2022, como teto para preços do gás e tributação de lucros extraordinários de companhias de energia. As propostas incluem orientações não vinculantes para alívio imediato, como cortes de tributos e encargos nacionais, além de ações para reduzir a demanda e preservar combustíveis, em um contexto de alta nos preços de petróleo e gás, mas sem escassez generalizada na Europa. Autoridades da UE avaliam que governos nacionais concentram os principais instrumentos de resposta, como subsídios e mudanças fiscais. O bloco também aposta no avanço de fontes de baixo carbono: renováveis e nuclear responderam por 71% da eletricidade europeia em 2025, ante cerca de 60% em 2022. (Reuters - 22.04.2026)

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Alemanha: Mina de lítio pode abastecer 1 mi de carros elétricos por ano

Um projeto de mineração de lítio liderado pela britânica Zinnwald Lithium, no leste da Alemanha, próximo à fronteira com a República Tcheca, pode atender entre 5% e 7% da demanda da União Europeia, especialmente para veículos elétricos e armazenamento. A reserva alemã soma cerca de 1,4 milhão de toneladas economicamente exploráveis, enquanto dois terços da formação geológica estão no lado tcheco. A produção é estimada para começar por volta de 2030, caso avancem licenciamento e financiamento. O projeto prevê extração e processamento para hidróxido de lítio grau bateria (LiOH), com potencial de abastecer até 1 milhão de carros elétricos por ano. A iniciativa responde à dependência europeia de cadeias externas, sobretudo da China, mas enfrenta resistência social, volatilidade de preços e necessidade de cerca de € 1 bilhão. (Agência Eixos – 30.04.2026)


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China: Exportações de tecnologia solar batem recorde histórico em março de 2026

As exportações chinesas de tecnologia solar atingiram 68 GW em março de 2026, o dobro do mês anterior e 49% acima do recorde anterior, segundo a Ember. O volume equivale à capacidade total instalada da Espanha e foi impulsionado pela crise energética global e pela antecipação de tarifas de exportação de 9%. África e Ásia responderam por três quartos do crescimento, com destaque para Índia, Malásia e Nigéria. Ao mesmo tempo, 50 países registraram recordes históricos de importação. O avanço reflete a expansão global da energia solar e o fortalecimento da cadeia de valor fora da China, com aumento das exportações de células e wafers. Tecnologias limpas chinesas cresceram 70% em março na comparação anual, incluindo baterias, que somaram US$ 10 bilhões em exportações. (Agência CanalEnergia – 24.04.2026)

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Reino Unido: Instalações de energia solar atingem maior nível em mais de uma década

O Reino Unido registrou em março o maior volume mensal de instalações solares desde 2012, impulsionado pela tentativa de famílias de reduzir a exposição à alta das tarifas de energia provocada pela guerra no Irã. Dados do Departamento de Segurança Energética e Net Zero mostram que mais de 27 mil sistemas solares foram instalados no mês, levando o total acumulado no país, entre telhados e usinas solares, a superar 2 milhões pela primeira vez. O avanço foi puxado principalmente pela geração distribuída, com dois terços das novas instalações em residências. A capacidade solar britânica cresceu 11,7% em 12 meses, com acréscimo de 2,3 GW à matriz elétrica. Em abril, a geração solar também bateu recorde ao ultrapassar 15 GW no sistema elétrico da Grã-Bretanha. O movimento ocorre em meio à previsão de aumento de mais de 12% nas contas domésticas de energia a partir de julho, em razão do reajuste trimestral do teto tarifário, enquanto os preços do gás no atacado estão cerca de 45% acima do nível anterior ao conflito no Oriente Médio. (Reuters - 30.04.2026)

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BII: Lançamento de fundo climático de US$ 1,48 bi para energia limpa na Ásia

A British International Investment (BII), instituição financeira de desenvolvimento do Reino Unido, lançou uma iniciativa de financiamento climático de US$ 1,48 bilhão para atrair capital privado a projetos de energia limpa na Índia e no Sudeste Asiático, regiões onde o carvão ainda tem peso dominante na geração elétrica. O programa, chamado British Climate Partners, terá duração de cinco anos e fará aportes em economias asiáticas em desenvolvimento ao lado de investidores privados, por meio de plataformas de equity e financiamento mezanino, com foco na expansão de projetos renováveis e de baixo carbono. A iniciativa abrangerá Índia, Indonésia, Vietnã, Filipinas, Tailândia e Malásia, países com demanda crescente por eletricidade e elevada necessidade de investimentos. Segundo a BII, a Ásia respondeu por cerca de três quartos da demanda global de carvão em 2024, evidenciando o desafio de reduzir emissões em economias de rápido crescimento. (Reuters - 23.04.2026)

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Artigo de Tatsuo Masuda: “A crise energética pode ser também uma oportunidade para acelerar a transição”

Em artigo publicado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), Tatsuo Masuda (Professor da Kaishi Professional University) argumenta que a crise energética atual, provocada por choques geopolíticos, pode se tornar uma oportunidade para acelerar a transição energética. Segundo o autor, a decisão da Agência Internacional de Energia (IEA) de liberar 400 milhões de barris de petróleo de reservas emergenciais em março de 2026 foi importante para aliviar impactos imediatos, mas não resolve a vulnerabilidade estrutural da dependência fóssil. O texto destaca lições de crises anteriores, como os choques do petróleo dos anos 1970 e o episódio de Fukushima em 2011, pontuando ações coordenadas para reduzir dependência fóssil, diversificar fontes e comunicação pública como importantes medidas de resposta. Pondera-se, todavia, que, embora os fósseis tenham caído de 87% da oferta global de energia em 1973 para cerca de 80% hoje, o avanço ainda é insuficiente. Subsídios amplos a combustíveis devem ser evitados, pois perpetuam dependências e enfraquecem incentivos à eficiência. O artigo conclui que a resposta mais robusta à crise inclui acelerar eficiência energética, renováveis, cooperação internacional e medidas de gestão da demanda, transformando o choque atual em avanço estrutural da transição. (World Economic Forum - 24.04.2026)


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Artigo de Karen Silverwood-Cope: “Mapa para sair dos fósseis precisa incluir demanda por renováveis”

Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Karen Silverwood-Cope (diretora de Clima, Economia e Finanças do WRI Brasil) argumenta que a transição para fora dos combustíveis fósseis exige não apenas a expansão da oferta de energias renováveis, mas sobretudo a criação estruturada de demanda por essas fontes. A autora sustenta que políticas públicas devem incentivar ativamente o consumo de energia limpa por meio de instrumentos como mercados de carbono, contratos de longo prazo e políticas industriais voltadas à eletrificação e eficiência energética. Destaca que setores como transporte e indústria são centrais nesse processo, dado seu elevado consumo de energia fóssil, e alerta para o risco de aumento das emissões caso mudanças estruturais não sejam implementadas. Aponta ainda que, apesar da competitividade crescente das renováveis, persistem distorções de incentivos que favorecem fontes fósseis. Conclui que a transição energética deve ser compreendida como uma transformação econômica ampla, baseada na reorganização da demanda e na construção de mercados para energia limpa (GESEL-IE-UFRJ – 27.04.2026)


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Artigo de Frederik Koenig: “O setor de energias renováveis ​​na Alemanha: reforma, incerteza e a corrida contra o tempo”

Em artigo publicado no Energy Monitor, Frederik Koenig (CEO da CC: Collective) argumenta que a transição energética da Alemanha entrou em uma fase de maturidade marcada por uma mudança de desafio sobre as fontes renováveis: ao invés da expansão, o problema passou a ser integrá-las com segurança ao sistema elétrico. Segundo o texto, em 2025, as renováveis responderam por 57,2% da geração bruta de eletricidade, com crescimento de 11,8% na capacidade solar e 7,2% na eólica. O autor aponta que as reformas em curso, lideradas pelo BMWE e pela BNetzA, buscam redesenhar subsídios, acesso à rede e tarifas. A revisão da Lei de Energias Renováveis (EEG), nesse sentido, deve substituir parte dos apoios fixos por mecanismos mais orientados ao mercado, como Contratos por Diferença (CfDs), além de favorecer projetos solares de maior escala, preferencialmente combinados com baterias. O texto conclui que a Alemanha continua sendo um dos principais mercados renováveis da Europa, mas sua próxima etapa dependerá menos de ambição climática e mais de execução regulatória, integração de rede e manutenção da confiança dos investidores. (Energy Monitor - 28.04.2026)


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Nacional

MME: Abertura de consulta pública para plano nacional de transição energética

O Ministério de Minas e Energia abriu consulta pública sobre a minuta do Plano Nacional de Transição Energética, estruturado em ciclos de quatro anos. O Plante reúne ações governamentais para orientar a trajetória brasileira rumo à neutralidade de emissões em 30 anos, com base no PNE 2055, no Balanço Energético Nacional e no Plano Decenal de Energia. No cenário Net Zero, o plano projeta 81% de renováveis na matriz energética e 99% no sistema elétrico até 2055, além de PIB crescendo 3,8% ao ano e neutralidade em 2050. Há ainda os cenários de Transição Alongada, com 73% da matriz renovável, e Transição Continuada, com 62%. O documento se apoia em segurança e resiliência energética, justiça energética, climática e ambiental, e energia competitiva para economia de baixo carbono. (Agência CanalEnergia – 29.04.2026)

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MME: Criação de grupo de trabalho para avaliar SMRs

O Ministério de Minas e Energia instalou o Grupo de Trabalho nº 19 para avaliar a inserção de Pequenos Reatores Modulares (SMRs) no Brasil, no âmbito do Programa Nuclear Brasileiro. O colegiado reúne governo, reguladores, empresas e academia para analisar aspectos técnicos, regulatórios e institucionais dessas tecnologias. Entre os temas prioritários estão definição de locais, gestão de rejeitos, financiamento, seleção tecnológica e desenvolvimento da cadeia de suprimentos. A iniciativa visa estruturar diretrizes estratégicas para apoiar decisões futuras sobre energia nuclear avançada. O grupo foi criado pela Resolução CDPNB nº 43/2026 e deverá elaborar um relatório consolidado com recomendações, reforçando o papel da energia nuclear como opção complementar na transição energética e na segurança do sistema elétrico. (Agência CanalEnergia – 24.04.2026)

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MDIC: Ministro defende marco regulatório para minerais críticos e industrialização

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, defendeu a criação urgente de um marco regulatório para minerais críticos, com foco na industrialização doméstica e não apenas na exportação de matérias-primas. A posição ocorre após a venda da mineradora Serra Verde à americana USA Rare Earth por cerca de US$ 2,8 bilhões, ativo estratégico que produz elementos como disprósio, térbio, neodímio e ítrio, essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas e tecnologias avançadas. O governo questiona iniciativas estaduais, como o memorando firmado por Goiás com os EUA, argumentando que a competência sobre recursos minerais e relações internacionais é da União. O Planalto também pediu mais tempo para discutir o PL 2780/2024, visando aperfeiçoar regras sobre exploração, investimentos e industrialização. O ministro rejeitou a criação de estatal, defendendo parcerias privadas e instrumentos já existentes. (Agência Eixos - 24.04.2026)

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Ministério da Fazenda: Governo busca representantes para estruturar investimentos sustentáveis

O Ministério da Fazenda abriu inscrições para selecionar representantes do Comitê Consultivo do Comitê Interinstitucional da Taxonomia Sustentável Brasileira. O processo escolherá 26 membros titulares e suplentes do setor público e da sociedade civil, distribuídos entre instituições financeiras, empresas da economia real, organizações sindicais ou movimentos sociais, terceiro setor e academia. As inscrições seguem até 7 de maio. A taxonomia é uma metodologia para orientar investimentos sustentáveis e faz parte do Plano de Transformação Ecológica, funcionando como sistema de classificação de ativos e projetos alinhados à agenda climática. Instituída pelo decreto 12.705/2025, a política prevê critérios científicos, transição justa, interoperabilidade com taxonomias internacionais, geração de trabalho decente e apoio ao financiamento público, privado e estrangeiro. (Agência Eixos – 30.04.2026)

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Absolar: Investimentos em energia solar no Brasil superam R$ 300 bi

Os investimentos em energia solar no Brasil superaram R$ 300 bilhões, considerando usinas centralizadas e sistemas de geração distribuída, segundo a Absolar. A fonte também acumulou mais de 2 milhões de empregos verdes na última década, consolidando seu papel na transição energética nacional. Apesar do avanço, o setor perdeu ritmo: em 2025 foram adicionados 11,6 GW, ante 15,6 GW em 2024, queda de 25,6%. Entre os entraves estão cortes de geração renovável sem ressarcimento, limitações de rede, dificuldades de conexão de pequenos sistemas e inversão de fluxo de potência. Na geração centralizada, Minas Gerais lidera com 8,6 GW, seguida por Bahia, com 2,9 GW, e Piauí, com 2,4 GW. Na distribuída, São Paulo soma 6,5 GW, à frente de Minas Gerais e Paraná. (Agência CanalEnergia – 29.04.2026)

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Aneel: Novas regras de comercialização para aumentar segurança no mercado

A Aneel aprovou alterações nas regras de comercialização para reforçar as garantias financeiras de contratos regulados de energia, especialmente nos CCEARs firmados nos leilões A-1, A-2 e A-3 de 2025. A nova metodologia define que o cálculo das garantias deve considerar o volume contratado mensal e o preço de venda, permitindo maior previsibilidade e agilidade no registro. A medida busca reduzir riscos de exposição ao mercado de curto prazo, particularmente em contratos de energia existente que não possuem lastro direto em usinas. A decisão também amplia a segurança para distribuidoras, mitigando riscos associados ao PLD em caso de insuficiência contratual. As mudanças foram discutidas em consulta pública entre novembro e dezembro de 2025 e passam a valer provisoriamente para contratos recentes. (Agência CanalEnergia – 27.04.2026)

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CCEE: Mercado elétrico brasileiro está em transição e não configura crise

A CCEE avalia que o cenário atual do mercado elétrico brasileiro não configura crise, mas uma etapa de evolução associada a mudanças estruturais e regulatórias. Em encontro da instituição, o diretor de segurança de mercado, Eduardo Rossi, defendeu a construção de um arcabouço baseado em três pilares: critérios rigorosos para estabilidade e previsibilidade, acompanhamento contínuo de riscos e mecanismo para proteger o mercado contra impactos financeiros inesperados. A entidade relaciona o maior estresse à transformação da matriz, marcada pela expansão de renováveis intermitentes no Nordeste e da geração distribuída, que exige operação mais ágil. A implementação do PLD horário e iniciativas como dupla contabilização são citadas como avanços, embora a volatilidade de preços e o risco de crédito de comercializadoras elevem a percepção de exposição. (Agência CanalEnergia – 29.04.2026)

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Parceria Brasil-Alemanha foca em terras raras e transição energética

A Alemanha identificou 21 projetos de minerais críticos no Brasil considerados estratégicos para sua base industrial, em movimento para reduzir a dependência da China nas cadeias de suprimento da transição energética. O levantamento, conduzido pela GIZ em parceria com o serviço geológico BGR, foca em ativos de lítio, grafite, terras raras e silício, essenciais para baterias, painéis solares e eletrolisadores. Os projetos estão concentrados em Minas Gerais, Bahia e Goiás, com destaque para iniciativas já operacionais ou em estágio avançado, como Serra Verde e Sigma Lithium. O mapeamento ocorre em paralelo a acordo bilateral firmado durante visita de Lula à Alemanha, prevendo cooperação em P&D e industrialização. O Brasil é visto como parceiro estratégico por suas reservas e matriz elétrica limpa, mas condiciona a parceria à agregação de valor local. (Agência Eixos – 28.04.2026)

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RN e RS aderem à coalizão para impulsionar energia eólica offshore

Os estados do Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul aderiram à Coalizão Eólica Marinha como membros observadores institucionais, ampliando a articulação para o desenvolvimento da energia eólica offshore no Brasil. A adesão ocorreu durante missão internacional ao parque WindFloat Atlantic, em Portugal, e à conferência WindEurope. A coalizão reúne governo, academia e empresas com foco em criar ambiente regulatório competitivo e destravar investimentos. O Brasil possui potencial técnico estimado em 1.200 GW para geração offshore, segundo o MME, e a fonte é vista como alternativa para complementar o sistema elétrico com maior previsibilidade. A iniciativa também busca estruturar cadeia produtiva nacional, promover inovação tecnológica e acelerar a inserção do país nesse segmento estratégico da transição energética. (Agência CanalEnergia – 27.04.2026)

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Artigo de Giancarlo Tomazini: “Matriz limpa, desafio climático: a dependência das hidrelétricas no sistema elétrico brasileiro”

Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Giancarlo Tomazini (CMO e líder de ESG da Lead Energy) analisa a centralidade das hidrelétricas na matriz elétrica brasileira e os desafios decorrentes dessa dependência. O autor destaca que, embora a forte presença hídrica contribua para uma matriz de baixa intensidade de carbono, essa característica também representa vulnerabilidade diante das mudanças climáticas, especialmente em períodos de seca, quando há maior acionamento de termelétricas. Argumenta que fatores históricos, econômicos e operacionais explicam essa predominância, incluindo a longevidade e o baixo custo das usinas já amortizadas, além do papel dos reservatórios como “baterias naturais”, garantindo flexibilidade ao sistema. Ressalta ainda a complementaridade geográfica entre fontes renováveis e a necessidade de expansão da transmissão. Conclui que a transição energética brasileira exigirá diversificação com segurança, combinando hidrelétricas, eólica e solar, além de investimentos em armazenamento e gestão da demanda (GESEL-IE-UFRJ – 28.04.2026)

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Artigo de Gustavo Florentino Ribeiro: “Abertura do mercado de energia exige salto de eficiência digital na infraestrutura de distribuição”

Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Gustavo Florentino Ribeiro (CEO da Thopen e da Pontal Energy) analisa os desafios associados à ampliação do mercado livre de energia no Brasil, destacando que a modernização do setor exige avanços significativos na eficiência digital da infraestrutura de distribuição. O autor sustenta que, embora a abertura do mercado represente um passo natural rumo a maior competitividade e liberdade para o consumidor, ela expõe gargalos relacionados à qualidade, previsibilidade e agilidade no atendimento pelas distribuidoras. Argumenta que o aumento da complexidade das interações contratuais demanda maior rigor no cumprimento de prazos e maior integração tecnológica. Defende que a transformação digital, com padronização de processos, automação e interoperabilidade, é essencial para reduzir fricções e garantir eficiência sistêmica. Conclui que a consolidação de um mercado mais aberto depende da evolução simultânea da infraestrutura digital e da excelência no serviço ao consumidor. (GESEL-IE-UFRJ – 27.04.2026)


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Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais

América Latina: Estudo aponta que carro elétrico pode reduzir custo por km em até 9 vezes

Um estudo da Agora Verkehrswende indica que o uso de carros elétricos pode ser até nove vezes mais barato que o de veículos a gasolina em países da América Latina e do Caribe, com custo médio por quilômetro equivalente a cerca de um terço do gasto com combustíveis fósseis. A diferença chega a 7:1 na Argentina, 5:1 no México e 11:1 em Trinidad e Tobago, refletindo maior eficiência energética dos motores elétricos, menor volatilidade da eletricidade e menor dependência do mercado internacional de petróleo. A análise aponta que a região destina, em média, cerca de 3% do PIB à importação de gasolina e diesel para transporte, índice que supera 5,5% em Honduras, Paraguai e Trinidad e Tobago, alcança 5,3% na Bolívia e fica em torno de 4,9% em El Salvador. Subsídios à gasolina também pressionam contas públicas, chegando a 3% do PIB em Bolívia e Equador e até 6% na Venezuela. Com 62% da eletricidade gerada por fontes renováveis, a região tem vantagem estrutural para acelerar a eletromobilidade, apesar de desafios como preço inicial dos veículos, infraestrutura de recarga e políticas públicas. (CPG Click Petróleo e Gás - 30.04.2026)

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América Latina: Estudo aponta que a expansão da eletrificação no transporte coletivo ganha escala

A eletrificação do transporte coletivo pesado na América Latina avançou em escala e consolidou forte liderança chinesa. Um estudo da Idle Giants aponta que fabricantes da China responderam por cerca de 85% dos ônibus elétricos implantados na região entre 2018 e 2024, com a BYD concentrando aproximadamente 43,7% da frota. O total regional passou de menos de 1.000 unidades em 2017 para mais de 6.000 em 2024, com crescimento médio anual acima de 30%. A baixa presença europeia, limitada a cerca de 1,9%, evidencia a vantagem competitiva de empresas com escala industrial, integração tecnológica, menor custo e capacidade de entrega. Santiago e Bogotá lideram a adoção, enquanto o Brasil cresce de forma gradual, apoiado por produção local, como a fábrica da BYD em Campinas, com capacidade superior a 3.000 chassis por ano. (Inside EVs – 30.04.2026)

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Brasil: Elétricos atingem 40% do mercado de eletrificados e lideram crescimento

Os veículos elétricos puros (BEV) passaram a representar 40,4% das vendas de eletrificados no Brasil na primeira quinzena de abril de 2026, superando híbridos e consolidando mudança no perfil do mercado. No período, foram comercializadas 18,2 mil unidades eletrificadas, quase o dobro do ano anterior, contribuindo para um total de 110,2 mil unidades no acumulado do ano, alta de 85,9%. A participação dos eletrificados no mercado total chegou a cerca de 15,7%. O crescimento é impulsionado principalmente por montadoras chinesas, responsáveis por 16,7% das vendas totais, e pela ampliação da oferta de modelos elétricos mais competitivos. Apesar do avanço, fatores como infraestrutura de recarga e condições macroeconômicas ainda influenciam o ritmo de expansão, que segue sustentado também por vendas diretas e aplicações em frotas. (Inside EVs - 17.04.2026)

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Brasil: MG avalia produção local de elétricos

A montadora MG estuda iniciar a produção de veículos elétricos no Brasil, acompanhando o movimento de outras fabricantes chinesas que buscam consolidar presença industrial no país. O modelo MG4 Urban, com lançamento previsto para junho, é o principal candidato para produção local já no segundo semestre de 2026, possivelmente no Polo Automotivo do Ceará. A iniciativa indica mudança estratégica da empresa, que atualmente atua com veículos importados, para um modelo baseado em escala e competitividade local. O movimento ocorre em meio ao crescimento do mercado de elétricos no Brasil, especialmente no segmento de compactos, com preços entre R$ 120 mil e R$ 150 mil, e reforça a intensificação da concorrência e da transição para mobilidade elétrica no país. (Inside EVs – 24.04.2026)

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Brasil: VE de R$ 69.990 redefine entrada da mobilidade elétrica no paísBrasil: Elétrico de R$ 69.990 da JMEV redefine entrada da mobilidade elétrica

O mercado brasileiro de veículos elétricos (VEs) passa a contar com um novo patamar de entrada com a chegada do modelo EV2 da chinesa JMEV, comercializado por cerca de R$ 69.990, abaixo do preço de carros a combustão mais baratos. Importado pela E-Motors, o modelo compacto possui motor de até 30 kW, bateria LFP de 15,9 kWh e autonomia aproximada de 200 km, voltado a uso urbano e frotas. A linha inclui também o EV3, por R$ 99.990, com motor de até 50 kW e bateria próxima de 30 kWh, alcançando mais de 300 km de autonomia. A estratégia aposta em baixo custo e simplicidade, sem rede consolidada ou produção local, levantando desafios de assistência e suporte. Ainda assim, o movimento indica uma nova fase da eletrificação no Brasil, baseada na redução de preços e ampliação do acesso, especialmente para aplicações urbanas e comerciais. (Inside EVs - 19.04.2026)

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Brasil: BYD quer 1.000 carregadores até 2027

A BYD planeja instalar até 1.000 carregadores ultrarrápidos no Brasil até 2027, ampliando a infraestrutura necessária para a adoção de veículos elétricos. O projeto será iniciado pela divisão premium Denza e inclui estações com sistemas de armazenamento de energia integrados, permitindo alta potência mesmo em locais com limitações de rede. A tecnologia “flash charging” combina transferência de energia de centenas de kW com baterias dedicadas, possibilitando recargas em poucos minutos. A estratégia busca reduzir a “ansiedade de recarga”, uma das principais barreiras ao mercado. A primeira unidade já está sendo instalada no Distrito Federal, marcando o início da expansão. O movimento reforça a atuação da empresa no Brasil além da venda de veículos, incluindo infraestrutura e soluções energéticas. (Inside EVs – 25.04.2026)

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BYD: Marca de 16 milhões de veículos eletrificados globalmente

A BYD alcançou a marca de 16 milhões de veículos eletrificados produzidos globalmente, evidenciando a rápida expansão da indústria de mobilidade elétrica. O avanço ocorreu em apenas quatro meses após atingir 15 milhões de unidades, demonstrando aceleração na capacidade produtiva. A empresa combina integração vertical, incluindo produção própria de baterias e plataformas, com forte atuação no mercado chinês, o maior do mundo. A marca também avança em segmentos premium por meio da Denza, cujo modelo D9 simbolizou o marco. A expansão internacional, incluindo presença crescente no Brasil e América Latina, reforça a estratégia global da companhia. O aumento de escala tende a pressionar preços, ampliar a adoção de veículos elétricos e intensificar a concorrência com montadoras tradicionais, consolidando a eletrificação como modelo dominante na indústria automotiva. (Inside EVs - 18.04.2026)

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Brasil: Tupy inicia reciclagem de baterias e avança na cadeia da mobilidade elétrica

A Tupy iniciou a reciclagem de baterias de íon-lítio no Brasil em projeto piloto instalado no IPT, em São Paulo, com capacidade inicial de 400 toneladas por ano, equivalente a cerca de mil veículos elétricos. O investimento total já soma R$ 45 milhões e utiliza tecnologia de hidrometalurgia flexível, que reduz em até 70% a pegada de carbono e em mais de 40% o consumo energético em relação a métodos térmicos. A iniciativa envolve parcerias com USP, Embrapii e empresas do setor, integrando esforços para estruturar a cadeia nacional de baterias. Além de reduzir custos e dependência de minerais críticos, o projeto contribui para a economia circular da mobilidade elétrica. Outras iniciativas complementares incluem desenvolvimento de produção de células no Senai e projetos de reciclagem de terras raras, ampliando a base industrial brasileira na transição energética. (Inside EVs - 18.04.2026)

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Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis

Artigo GESEL: “A Guerra Contra o Irã e a Ascensão do Hidrogênio de Baixo Carbono”

Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL) e Fernando de Lima Caneppele (professor da USP e pesquisador associado do GESEL-UFRJ) analisam como a instabilidade geopolítica decorrente da guerra contra o Irã acelera a busca por alternativas energéticas aos combustíveis fósseis, com destaque para o hidrogênio de baixo carbono. Os autores defendem que choques de oferta e riscos logísticos globais impulsionam decisões estratégicas voltadas à segurança energética, transformando o hidrogênio em ativo relevante para mitigar volatilidade e garantir previsibilidade. Ainda, argumentam que a redução expressiva dos custos dos eletrolisadores, especialmente pela indústria chinesa, viabiliza a expansão dessa tecnologia em escala industrial. Os autores também sustentam que o Brasil possui vantagens competitivas significativas, como matriz elétrica limpa e potencial renovável, que podem posicioná-lo como hub global desse mercado. O artigo conclui que a transição energética é irreversível e que o hidrogênio de baixo carbono tende a se consolidar como pilar da nova infraestrutura energética mundial. (GESEL-IE-UFRJ – 27.04.2026)

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Brasil: H2V aguarda decretos

Investidores em hidrogênio verde (H2V) cobram a regulamentação do marco legal do hidrogênio de baixo carbono, quase dois anos após sua aprovação. A falta de decretos sobre o acesso aos R$ 18,3 bilhões do Programa de Hidrogênio de Baixo Carbono e aos incentivos do Rehidro trava financiamentos, decisões finais de investimento e cronogramas de projetos. Empresas como Green Energy Park, Fortescue e White Martins afirmam que a previsibilidade regulatória é condição para estruturar project finance, contratos e plantas de grande porte. A GEP conduz projeto no Piauí com 10,8 GW de eletrólise e plataforma de ferro verde no Maranhão com a Vale, enquanto a Fortescue planeja produzir 500 toneladas diárias no Pecém. O setor alerta que Europa e Ásia avançam em metas, incentivos e FIDs, reduzindo a janela competitiva brasileira. (Agência Eixos – 30.04.2026)

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China e Índia: Apostas em H2V avançam enquanto Ocidente reduz ambições

A China e a Índia intensificam apostas estratégicas em hidrogênio verde (H2V) enquanto metas ocidentais perdem fôlego diante de custos elevados. Na China, o projeto de Chifeng, na Mongólia Interior, operado pela Envision Energy, mobiliza cerca de US$ 2 bilhões para usar energia eólica em eletrolisadores voltados à produção de hidrogênio e amônia para fertilizantes, combustível marítimo e aço de baixa emissão. Segundo a Rystad Energy, o país investiu US$ 3,7 bilhões no segmento em 2025, mais que o dobro dos EUA, e pode alcançar 2,6 milhões de toneladas anuais em 2031, com US$ 26 bilhões em investimentos. Na Índia, subsídios de US$ 2,1 bilhões sustentam a meta de produzir 5 milhões de toneladas métricas por ano até 2030, apoiada por contratos de compra com refinarias, siderúrgicas e fabricantes de fertilizantes. As estratégias combinam segurança energética, escala industrial e indução estatal da demanda para reduzir custos e criar mercado. (Reuters - 22.04.2026)

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Brasil: BNDES financia corredor verde com caminhões a biometano em SP

O BNDES aprovou R$ 140 milhões para a implantação de um corredor verde no estado de São Paulo, incluindo a aquisição de 100 caminhões movidos a biometano e a construção de três postos de abastecimento em Sumaré, Cubatão e Ribeirão Preto. Do total, R$ 98 milhões são do Fundo Clima e R$ 42 milhões da linha BNDES Máquinas e Serviços, cobrindo 92% do investimento. O projeto será operado pela TransJordano, com fornecimento de biometano pela Ultragaz, e poderá atender outras transportadoras. A iniciativa prevê redução de 6,5 toneladas de CO2 equivalente já no primeiro ano de operação da frota. O projeto reforça a estratégia de descarbonização do transporte rodoviário no Brasil, promovendo a substituição de combustíveis fósseis por alternativas renováveis e ampliando a infraestrutura para combustíveis de baixo carbono. (Agência Eixos - 20.04.2026)

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Brasil: BNDES financia expansão de usina de etanol de milho em MT

O BNDES aprovou R$ 575,3 milhões para ampliar a usina de etanol de milho da ALD Bioenergia em Nova Marilândia (MT), sendo R$ 359,5 milhões via Finem e Fundo Clima e R$ 215,8 milhões para aquisição de equipamentos. O projeto elevará a capacidade de processamento de milho de 335 mil para 900 mil toneladas anuais e a produção de etanol de 150 milhões para até 400 milhões de litros por ano. A iniciativa também ampliará a produção de coprodutos como óleo de milho e DDGs. A planta, operando desde 2021, deverá gerar cerca de 400 empregos indiretos na implantação e aumentar o quadro próprio de 188 para 275 funcionários. O investimento reforça a estratégia de expansão dos biocombustíveis no Brasil, alinhada à matriz energética renovável do país, que já conta com cerca de 89% de fontes limpas. (Agência Eixos - 20.04.2026)

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Brasil: Coamo capta R$ 500 mi para financiar usina de etanol de milho no Paraná

A Coamo Agroindustrial Cooperativa iniciou a captação de R$ 500 milhões por meio de sua segunda emissão de notas comerciais, com vencimento em 2036 e rentabilidade prefixada de 12,37% ao ano, no âmbito do programa Eco Invest Brasil. Os recursos serão destinados integralmente à construção de uma nova usina de etanol de milho em Campo Mourão (PR), projeto com investimento total estimado em R$ 1,948 bilhão, sendo 25,66% financiados pela emissão. A planta terá capacidade de produção diária de 763,3 mil litros de etanol hidratado e 723 mil litros de etanol anidro, processando 1,7 mil toneladas de milho por dia. Em obras desde fevereiro de 2024, a unidade tem previsão de conclusão para fevereiro de 2027. Os títulos, com valor unitário de R$ 1 mil, totalizam 500 mil papéis, com pagamento semestral de juros a partir de outubro de 2026 e amortização iniciando em abril de 2030. (Agência Eixos - 20.04.2026)

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Alemanha: Impulso na investida de biocombustíveis com apoio do Brasil

O Brasil intensificou sua ofensiva para promover biocombustíveis na Alemanha durante a feira de Hannover, em meio à revisão regulatória europeia. O governo e empresas como a Be8 destacaram a competitividade do etanol e do biodiesel, com reduções de emissões de até 90% e 99%, respectivamente. A iniciativa ocorre em um contexto de escassez energética e revisão das regras alemãs, que preveem aumento moderado da participação de biocombustíveis convencionais de 4,4% para 5,8% até 2032, além de metas mais ambiciosas para combustíveis avançados e hidrogênio verde, com participação mínima de 10% até 2040. O Brasil defende a remoção de barreiras regulatórias e busca ampliar acesso ao mercado europeu, enquanto a Alemanha adota abordagem tecnológica neutra para preservar sua indústria e avançar na descarbonização. (Agência Eixos – 27.04.2026)

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Brasil: SAF segue sem regulamentação

A regulamentação do mandato de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) no Brasil permanece pendente, apesar da obrigação de redução de 1% das emissões a partir de 2027. A minuta do decreto, em discussão desde novembro de 2025, ainda não foi publicada, gerando incerteza sobre regras de cumprimento e certificação. O modelo proposto inclui o mecanismo de book & claim, com criação de certificados CS-SAF para separar atributo ambiental da molécula física e otimizar a logística. A demanda projetada varia entre 947 mil m³/ano e 2,9 milhões de m³/ano, considerada insuficiente para destravar investimentos em larga escala. O setor também enfrenta desafios como alto custo de capital, ausência de contratos de longo prazo e incerteza regulatória, enquanto a indústria de hidrogênio verde aguarda decretos para acesso a R$ 18,3 bilhões em incentivos. (Agência Eixos – 28.04.2026)

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Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização

PSR: Remuneração de sistemas de baterias ainda busca estratégia ideal

A remuneração de sistemas de armazenamento em baterias ainda busca desenho regulatório adequado, segundo análise da PSR no Energy Report. O estudo compara Brasil, Argentina e Chile e conclui que nenhum modelo resolve plenamente a remuneração dos serviços ao sistema, mas todos oferecem referências. No Brasil, a contratação prevista é de potência firme em MW, com receita fixa anual por dez anos, indexada ao IPCA, e bônus de cerca de 10% para projetos em pontos críticos da rede. A PSR cita que os custos de BESS caíram 31% em 2024 e podem recuar mais de 20% a 50% até 2030. Na Argentina, leilões contrataram 667 MW e 700 MW com sinais locacionais. No Chile, PPAs industriais e receitas por arbitragem e serviços ancilares sustentam cerca de 2 GW, embora a exposição ao mercado aumente riscos. (Agência CanalEnergia – 28.04.2026)

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Brasil: Setor pressiona por regras para leilão de baterias e sinalização de demanda

O primeiro leilão de armazenamento em baterias no Brasil segue indefinido, gerando preocupação no mercado diante da ausência de diretrizes regulatórias. Previsto inicialmente para abril de 2026, o certame deve ocorrer apenas no segundo semestre, com expectativa de cerca de 2 GW de contratação no modelo de reserva de capacidade. Executivos alertam que a demora pode fazer o país perder competitividade frente a mercados como Chile, que já supera 4 GWh instalados e projeta 25 GWh até 2030. O Plano Decenal de Energia 2035 estima demanda superior a 6 GW no período, mais que o dobro da projeção anterior. O governo avalia incluir exigências de conteúdo local para estimular a indústria nacional. A falta de sinalização regulatória compromete decisões de investimento e o desenvolvimento da cadeia de armazenamento, considerada essencial para integrar renováveis intermitentes ao sistema elétrico. (Agência Eixos - 23.04.2026)

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Brasil: Aneel consulta créditos de MMGD

A Aneel abriu consulta pública para receber contribuições sobre o tratamento regulatório e contábil dos créditos de Micro e Minigeração Distribuída em favor da modicidade tarifária. O período de participação vai de 30 de abril a 15 de junho de 2026. Com a injeção de energia por sistemas de geração distribuída, foram formados saldos de créditos compensáveis ou passíveis de reversão às tarifas, caracterizando passivos das distribuidoras perante o consumidor-gerador ou a concessão. O prazo de compensação, inicialmente de 36 meses, foi ampliado para 60 meses. A proposta busca padronizar lançamentos contábeis e regulamentar créditos expirados. Para créditos gerados a partir de abril de 2012 e já vencidos, a avaliação técnica é que eles sejam revertidos à modicidade, com saldos atualizados até o processo tarifário. (Agência CanalEnergia – 28.04.2026)

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Brasil: Aneel propõe regras para coibir irregularidades na GD

A Aneel abriu consulta pública para aprimorar a regulação da micro e minigeração distribuída (MMGD), visando combater práticas irregulares como aumento não autorizado de potência instalada. A capacidade oficial é de 47 GW, mas há indícios de sub-representação, com discrepâncias entre geração real e dados cadastrados. Casos identificados mostram sistemas com produção quase dobrando o autorizado, gerando sobrecarga na rede e acesso indevido a subsídios, como isenção da tarifa “Fio B” até 2045. A proposta inclui maior clareza regulatória, penalidades mais severas e possibilidade de suspensão parcial do fornecimento. Também prevê restrições a novas conexões em áreas críticas e contratação temporária de usinas para atender picos de carga. O objetivo é reduzir riscos operacionais, melhorar previsibilidade e evitar distorções que impactam o sistema elétrico e elevam custos para consumidores. (Agência CanalEnergia - 22.04.2026)

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Artigo de André Nunes: “O Paradoxo dos Elétrons: A Fome da IA e o Teste de Estresse da Resiliência”

Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, André Nunes (Partner & Managing Director da Beta-i Brasil) analisa os impactos da crescente demanda energética da inteligência artificial sobre o setor elétrico, destacando que a expansão dos data centers impõe um teste crítico à resiliência das redes. O autor argumenta que a natureza contínua e intensiva do consumo energético da IA, em regime de baseload, cria desafios estruturais, especialmente diante da intermitência das fontes renováveis e da necessidade de infraestrutura robusta de transmissão e distribuição. Ele identifica três gargalos centrais: a incompatibilidade entre renováveis intermitentes e demanda ininterrupta, a vulnerabilidade da infraestrutura frente a eventos climáticos extremos e o trilema entre energia limpa, barata e confiável. Ainda, sustenta que soluções como armazenamento em baterias, redes inteligentes e uso da própria IA para gestão preditiva são essenciais. O artigo conclui que a transição para um sistema energético resiliente exigirá integração entre tecnologia, flexibilidade e planejamento estratégico (GESEL-IE-UFRJ – 27.04.2026)

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Impactos Socioeconômicos

Brasil: Incerteza regulatória ameaça industrialização verde no Nordeste

A suspensão de quase R$ 40 bilhões em investimentos em energias renováveis no Nordeste evidencia um problema estrutural que vai além da geração elétrica, afetando a industrialização associada à transição energética. O principal fator apontado é a falta de previsibilidade na gestão do curtailment, que compromete não apenas projetos eólicos e solares, mas também cadeias industriais dependentes de energia limpa, como hidrogênio verde, data centers e fertilizantes de baixo carbono. A ausência de soluções claras, cronogramas e mecanismos de compensação afasta investidores e reduz a competitividade regional. Apesar de avanços em transmissão, especialistas defendem medidas adicionais, como armazenamento, modernização tarifária e estímulo à demanda flexível. A incerteza institucional tem levado à devolução de outorgas, adiamento de projetos e perda de oportunidades econômicas e geopolíticas para o Brasil. (Agência Eixos - 22.04.2026)

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China: Fabricantes solares têm novos prejuízos apesar de expectativa de demanda externa

Grandes fabricantes solares da China voltaram a registrar prejuízos no primeiro trimestre, apesar da expectativa de aumento da demanda internacional por renováveis em meio à guerra no Irã e à alta preocupação global com segurança energética. Analistas e agentes do setor avaliam que o impulso externo ainda é insuficiente para compensar a sobrecapacidade chinesa, que derrubou preços a níveis pouco rentáveis, e apontam esfriamento do mercado em abril após antecipação de pedidos no primeiro trimestre para evitar o fim de rebate tributário às exportações. A JinkoSolar reduziu o prejuízo líquido para cerca de 463 milhões de yuans (US$ 67,2 milhões), ante 1,32 bilhão de yuans um ano antes, apoiada por melhora nos preços de módulos e avanço em armazenamento. A Trina Solar também diminuiu perdas, para 234 milhões de yuans, ante 1,61 bilhão de yuans, com maior receita em armazenamento. O cenário segue pressionado por queda estimada de 20% na demanda doméstica chinesa, enquanto executivos projetam retração global de 5% a 10% em 2026. (Reuters - 30.04.2026)

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Europa: Renováveis amortecem alta da energia em meio à guerra no Irã

A guerra no Irã elevou os preços de petróleo e gás e ampliou a pressão sobre os mercados elétricos europeus, mas países com maior participação de fontes renováveis têm sofrido menos volatilidade. A comparação regional permite ilustrar esse contraste: a Itália, com mais de 40% da eletricidade gerada a gás, registrou alta superior a 20% em seu contrato de referência desde o início da guerra; na Alemanha, o avanço superou 15%. Já a França, apoiada em 70% de geração nuclear, teve aumento inferior à metade do italiano, enquanto a Espanha, com renováveis perto de 60% da matriz, viu preços recuarem. Na Albânia, o rio Drin e hidrelétricas antigas respondem por mais de 90% da geração elétrica, com outros 10% vindos da solar, ajudando a conter preços no atacado, embora o país ainda dependa de importações em picos de demanda e de subsídios ao consumidor. A Comissão Europeia prepara cortes de impostos sobre eletricidade para mitigar impactos, mas analistas alertam para custos fiscais elevados. (Reuters - 27.04.2026)

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UE: Comissão prepara resposta a segunda crise energética em quatro anos

A Comissão Europeia preparou medidas para reduzir impostos sobre eletricidade e coordenar o reabastecimento dos estoques de gás no verão, em resposta aos impactos energéticos da guerra no Irã. A estratégia busca amortecer a pressão sobre consumidores e empresas sem repetir, por ora, intervenções mais duras adotadas em 2022, como teto para preços do gás e tributação de lucros extraordinários de companhias de energia. As propostas incluem orientações não vinculantes para alívio imediato, como cortes de tributos e encargos nacionais, além de ações para reduzir a demanda e preservar combustíveis, em um contexto de alta nos preços de petróleo e gás, mas sem escassez generalizada na Europa. Autoridades da UE avaliam que governos nacionais concentram os principais instrumentos de resposta, como subsídios e mudanças fiscais. O bloco também aposta no avanço de fontes de baixo carbono: renováveis e nuclear responderam por 71% da eletricidade europeia em 2025, ante cerca de 60% em 2022. (Reuters - 22.04.2026)

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EUA: Imposição de tarifas preliminares contra importações solares da Ásia

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciou tarifas antidumping preliminares sobre células e painéis solares importados da Índia, Indonésia e Laos, em nova rodada de medidas comerciais contra fornecedores asiáticos do setor fotovoltaico. A decisão acolhe pleito de fabricantes domésticos, que acusam empresas desses países de vender produtos no mercado norte-americano a preços artificialmente baixos, prejudicando a indústria local. Segundo ficha técnica do órgão, as margens preliminares de dumping foram calculadas em 123,04% para importações da Índia, 35,17% para a Indonésia e 22,46% para Laos. Os três países responderam por US$ 4,5 bilhões em importações solares dos EUA em 2025, cerca de dois terços do total. A petição foi apresentada pela Alliance for American Solar Manufacturing and Trade, que inclui First Solar, Qcells, Talon PV e Mission Solar. A decisão final está prevista para o segundo semestre. (Reuters - 23.04.2026)

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EUA: Suspensão de projetos eólicos offshore por alegações de segurança

O governo dos Estados Unidos suspendeu, com efeito imediato, arrendamentos de grandes projetos eólicos offshore em construção no país, alegando riscos à segurança nacional apontados em relatórios classificados do Departamento de Guerra. A medida, conduzida pelo Departamento do Interior, atinge empreendimentos como Vineyard Wind 1, Revolution Wind, Coastal Virginia Offshore Wind, Sunrise Wind e Empire Wind 1, na Costa Leste do país. O governo afirma que parques eólicos de grande escala próximos a centros populacionais podem criar vulnerabilidades, inclusive interferências em radares causadas pelo movimento das pás e pela reflexão das torres, com geração de “clutter”, falsos alvos e possível perda de detecção de ameaças reais. A decisão aprofunda a reversão da política federal para energia eólica offshore e reforça a prioridade dada pela administração de Trump à segurança energética e nacional em meio à estratégia de ampliar o apoio a fontes fósseis. (Reuters - 03.05.2026)

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Artigo de Philip Verleger e Kim Pederson: “A guerra no Oriente Médio reinicia a transição energética”

Em texto publicado pela Energy Inteliigence, Philip Verleger (presidente da PKVerleger) e Kim Pederson (diretora editorial da PKVerleger) argumentam que a guerra no Oriente Médio reativou a transição energética ao expor a fragilidade estrutural da dependência global de petróleo e gás. Segundo os autores, a agenda pró-fóssil do governo Donald Trump — marcada por cortes a incentivos renováveis, restrições à eólica offshore e estímulo a carvão, petróleo e gás — perdeu força diante da crise energética causada pelo conflito, que elevou fortemente os preços de petróleo e GNL e revelou riscos geopolíticos das cadeias fósseis. O texto aponta que a estratégia norte-americana de “dominância energética” era limitada desde o início, pois os EUA são produtores de petróleo e gás de custo elevado quando comparados a países como Catar e produtores do Oriente Médio. Com o choque iniciado pelo ataque ao Irã em fevereiro, a alta dos combustíveis fósseis criou novos incentivos econômicos para substituir petróleo e gás por tecnologias renováveis, hoje disponíveis em escala e com custos decrescentes. O texto conclui que a diferença em relação aos choques do petróleo dos anos 1970 é que agora existem alternativas tecnológicas e financeiras maduras, como renováveis, baterias e veículos elétricos, capazes de transformar a crise em aceleração da transição energética, deslocando combustíveis fósseis de forma mais rápida e estrutural. (Energy Intelligence - 24.04.2026)


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Artigo de Larelle Bossi: “A silenciosa contradição no âmago da transição energética”

Em artigo publicado pelo The Interpreter, Larelle Bossi (especialista em ética oceânica) argumenta que a transição energética contém uma contradição central: as energias renováveis são, ao mesmo tempo, solução ambiental e forma de desenvolvimento industrial, e essas dimensões entram cada vez mais em conflito. Segundo a autora, tratar a transição apenas como desafio de infraestrutura — baseado em velocidade, escala e implantação — produz uma espécie de “reducionismo de carbono”, no qual a redução de emissões se torna o único critério de sucesso. O texto aponta que essa abordagem tende a secundarizar valores ambientais, culturais e territoriais, como biodiversidade, patrimônio e vínculos locais. Destaca-se que o problema não está apenas na tecnologia, mas na governança: políticas climáticas, ambientais e de recursos naturais seguem muitas vezes em silos, criando conflitos entre objetivos que deveriam ser complementares. O artigo conclui que a transição energética precisa ser entendida também como projeto político e ético, não apenas técnico. Para ser sustentável de fato, deve incorporar desde o início valores locais, ecológicos e culturais, evitando que a urgência climática justifique novas formas de conflito e degradação. (The Interpreter - 30.04.2026)


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Artigo de Guillermina French e Joel de Souza: “A transição energética da Argentina deve priorizar as pessoas em detrimento do lucro”

Em artigo publicado no Dialogue Earth, Guillermina French (chefe de pesquisa da FARN) e Joel de Souza (diretor executivo adjunto da fundação CAUCE) analisam a transição energética na Argentina e argumentam que o país deve priorizar direitos sociais, ambientais e participação pública, e não apenas rentabilidade financeira. Os autores destacam como caso central de um parque eólico de 33 MW proposto na Terra do Fogo, que receberia US$ 65 milhões do Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB), mas foi cancelado por falta de garantias soberanas do governo argentino — e não pelos riscos socioambientais apontados. A avaliação de organizações como a FARN, CAUCE e Fundeps, que identificaram falhas de transparência e ausência de evidências públicas de consultas efetivas às comunidades. Além disso, o texto aponta que a região possui importância geopolítica por sua proximidade com a Antártida, em meio à disputa de influência entre China e Estados Unidos. Assim, os autores pontuam que a transição energética pode reproduzir lógicas de financeirização, endividamento público e competição estratégica se não for conduzida democraticamente.O artigo conclui que a expansão renovável é necessária, mas deve ocorrer com justiça social, proteção ambiental, transparência e participação comunitária, evitando que a transição seja ditada por interesses financeiros e geopolíticos. (Dialogue Earth - 30.04.2026)


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Eventos

Conferência de Santa Marta marca avanço para transição global longe dos fósseis

A Conferência de Santa Marta, na Colômbia, foi classificada pelo Greenpeace como marco relevante para a estabilidade climática e energética de longo prazo, ao reunir 57 países em torno da transição para longe dos combustíveis fósseis. A coalizão formada no encontro deverá liderar ações nacionais mais ambiciosas e impulsionar avanços concretos no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) e em outros fóruns multilaterais. Entre os principais resultados está a criação do Science Panel for the Global Energy Transition, painel científico voltado a fornecer subsídios técnicos a formuladores de políticas públicas para acelerar a energia limpa. A organização defende que o processo avance para planos nacionais implementáveis, com países desenvolvidos atuando mais rapidamente e oferecendo financiamento de qualidade a economias em desenvolvimento, sem ampliar o endividamento. A próxima conferência será organizada por Tuvalu e Irlanda em abril de 2027, com expectativa de transformar o impulso político em execução efetiva. (Greenpeace International - 30.04.2026)

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Conferência de Santa Marta: Itália defende transição energética europeia unificada contra choques fósseis

A Itália, um dos 50 países presentes na Primeira Conferência Internacional sobre Transição Justa para Longe dos Combustíveis Fósseis, em Santa Marta, na Colômbia, defendeu uma estratégia europeia coordenada para reduzir vulnerabilidades energéticas e ampliar poder de negociação frente a Estados Unidos, Rússia, China e Índia. Francesco Corvaro, enviado especial italiano para mudanças climáticas, afirmou que a transição pode ser desacelerada, mas não interrompida, e que Roma precisa estar inserida em uma trajetória europeia comum. O debate ocorre em meio à crise energética global agravada pelo conflito no Oriente Médio e pelo fechamento do Estreito de Ormuz. A Itália segue entre os países europeus mais dependentes de gás, com apenas 5% de produção doméstica, 63% de gás por gasodutos e 32% de GNL. Embora tenha ampliado renováveis, sobretudo solar, e reduzido emissões em 30% ante 1990, especialistas da ECCO avaliam que o país tem priorizado diversificação de fornecedores, incluindo acordos com a Argélia, em vez de uma transição estrutural. (Euronews - 24.04.2026)

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