Transição Energética 110
Dinâmica Internacional
Editorial The Guardian: “O que a guerra no Irã significa para a transição para energia limpa?”
Em editorial, o The Guardian expõe que a guerra envolvendo o Irã está gerando um choque energético global que, ao mesmo tempo em que reforça o argumento pela transição para energias limpas, também cria obstáculos relevantes para sua aceleração. A interrupção de rotas estratégicas como o Estreito de Hormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — e ataques a infraestruturas energéticas elevaram preços e intensificaram a volatilidade dos mercados. O texto destaca que países com maior participação de renováveis e eletrificação estão mais protegidos desses choques, como evidenciado por casos como Espanha, Portugal, China e Nepal. Por outro lado, aponta efeitos negativos de curto prazo: disrupções nas cadeias de suprimento, aumento da inflação e maior custo de capital podem desacelerar novos projetos. Além disso, a crise tem incentivado a expansão de combustíveis fósseis, incluindo carvão e novos investimentos em petróleo e gás, criando risco de “carbon lock-in”. O texto conclui que o conflito reforça estruturalmente a necessidade da transição energética, mas simultaneamente pode atrasá-la no curto prazo, ao estimular investimentos fósseis e pressionar cadeias produtivas, tornando as decisões políticas determinantes para o rumo da descarbonização. (The Guardian - 26.03.2026)
Editorial Reuters: “Europa reduz metas climáticas para atenuar o impacto energético da guerra com o Irã”
Em editorial, o Reuters expõe que a guerra envolvendo o Irã está pressionando fortemente os mercados energéticos globais e pode levar a União Europeia a rever — ou até recuar — em parte de suas metas climáticas. O aumento expressivo dos preços do gás (mais de 60%) e a interrupção de fluxos estratégicos, como pelo Estreito de Hormuz, evidenciam a vulnerabilidade europeia à dependência de importações, mesmo após esforços recentes de diversificação. O texto destaca que, embora a Europa tenha ampliado a participação de renováveis e reduzido a dependência da Rússia, continua estruturalmente exposta a choques externos, agora com forte dependência de GNL dos EUA e limitações de oferta adicional, como no caso da Noruega. Diante disso, as opções disponíveis são politicamente e economicamente difíceis: manter importações russas, flexibilizar políticas climáticas ou aceitar custos energéticos elevados. Além disso, o texto aponta uma mudança de orientação política, com crescente reconhecimento de que algumas políticas ambientais elevaram custos e prejudicaram a competitividade industrial. O texto conclui que a crise energética provocada pelo conflito geopolítico está forçando a Europa a reequilibrar suas prioridades entre segurança energética, competitividade econômica e ambição climática, evidenciando os limites práticos da transição energética em um cenário de alta dependência externa. (Reuters - 26.03.2026)
IEA: Choques globais elevam ativismo estatal em política energética
O relatório State of Energy Policy 2026, da IEA, aponta que choques sucessivos nos últimos cinco anos desencadearam uma onda inédita de formulação de políticas energéticas, com foco ampliado em segurança, resiliência e acessibilidade. A análise cobre mais de 6.500 medidas em 84 países e mais de 200 áreas de política pública. Segundo a agência, o gasto anual dos governos com energia superou US$ 405 bilhões em 2025, mais que o dobro do nível de 2019, com recursos destinados sobretudo a infraestrutura, manufatura avançada, renováveis, eficiência energética e incentivos à substituição de combustíveis. O estudo também mostra que, dos cerca de US$ 220 bilhões usados em apoio ao consumidor na crise de 2022, apenas um quarto foi direcionado aos grupos mais vulneráveis. A IEA destaca ainda novas preocupações com cadeias de suprimento de minerais críticos, atrasos regulatórios em eficiência e o potencial de a atual crise ligada ao Oriente Médio inaugurar nova fase de intervenção governamental. (IRENA – 10.04.2026)
IEA: Concentração de terras raras ameaça cadeias da transição energética
Um novo relatório da IEA aponta crescente descompasso entre a demanda por terras raras — essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas e tecnologias digitais — e a lenta diversificação da oferta global. A demanda por elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio dobrou desde 2015 e deve crescer mais de 30% até 2030, impulsionada por ímãs permanentes de alto desempenho. Atualmente, a China responde por cerca de 60% da produção minerada, mais de 90% do refino e quase 95% da fabricação de ímãs, evidenciando alta concentração. O relatório alerta que interrupções nas exportações podem colocar em risco até US$ 6,5 trilhões em atividades econômicas fora da China. Para reduzir vulnerabilidades, seriam necessários cerca de US$ 60 bilhões em investimentos na próxima década, além de avanços em reciclagem — que pode reduzir a demanda primária em até 35% até 2050 — e maior cooperação internacional para fortalecer cadeias de suprimento resilientes. (IEA – 08.04.2026)
IRENA: Capacidade renovável global atinge 5.149 GW em 2025
A capacidade global instalada de energia renovável alcançou 5.149 GW em 2025, após adição recorde de 692 GW, crescimento de 15,5% em relação ao ano anterior, segundo a IRENA. As renováveis responderam por 85,6% das novas instalações, com destaque para a energia solar, responsável por 511 GW (cerca de 75% do total), seguida pela eólica com 159 GW. Juntas, representaram 96,8% da expansão. A Ásia liderou o crescimento, com 74,2% das adições globais, enquanto a África registrou avanço recorde de 15,9%. Apesar do progresso, persistem desigualdades regionais, com baixa capacidade instalada em regiões como América Central e Caribe. O relatório destaca o papel das renováveis na segurança energética, por serem fontes domésticas, de menor custo e rápida implantação, mas ressalta a necessidade de acelerar investimentos para reduzir vulnerabilidades e garantir resiliência frente a choques globais. (Agência CanalEnergia – 02.04.2026)
África do Sul: Usina solar da Voltalia combina descarbonização e inclusão local
A Voltalia iniciou a operação integral da usina solar Bolobedu, de 148 MW, em Limpopo, na África do Sul, reforçando o avanço de projetos corporativos de energia renovável no país. A eletricidade será transportada pela rede de transmissão da Eskom até a Richards Bay Minerals, subsidiária da Rio Tinto, no âmbito de um contrato de longo prazo. A planta deve gerar cerca de 300 GWh por ano, volume equivalente ao consumo anual de aproximadamente 425 mil pessoas, e reduzir mais de 237 mil toneladas anuais de emissões de dióxido de carbono. Além do efeito climático, o empreendimento teve impacto socioeconômico relevante: a construção empregou cerca de 800 moradores de três comunidades anfitriãs, com participação de 56% de jovens e 21% de mulheres, além de treinamento em apoio de engenharia, instalação de painéis e práticas de saúde, segurança e meio ambiente. O projeto também mobilizou cooperativas de transporte, negócios de alimentação liderados por mulheres e programas locais de capacitação profissional. (Energy Monitor – 09.04.2026)
Coreia do Sul: Meta de 20% renovável até 2030 acelera transição
A Coreia do Sul estabeleceu meta de elevar a participação de energias renováveis para pelo menos 20% da geração elétrica até 2030, ampliando a capacidade instalada para 100 GW, com destaque para solar e eólica. Em 2025, as fontes renováveis representaram 11,4% da matriz elétrica do país. O plano também prevê o fechamento de 60 usinas a carvão até 2040 e inclui apoio a tecnologias como armazenamento em baterias, produção de hidrogênio e eletrificação industrial, incluindo a produção de aço com hidrogênio até 2037 e eletrificação de processos petroquímicos. No setor de transportes, a meta é que veículos elétricos e a hidrogênio representem 40% das vendas de carros novos até 2030. A estratégia busca reduzir a dependência de energia importada, aumentar a resiliência a choques externos e alinhar o país às metas globais de descarbonização. (Energy Monitor – 07.04.2026)
EUA: Estádios do Mundial 2026 ampliam uso de renováveis
A preparação para a Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, Canadá e México, destaca o papel da infraestrutura esportiva sustentável na redução de impactos ambientais de megaeventos. O Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, opera com cerca de 4.000 painéis solares, capazes de gerar aproximadamente 1,6 milhão de kWh por ano, volume suficiente para abastecer partidas inteiras ou cerca de 160 residências, além de registrar redução de 29% no consumo de energia e até 47% no uso de água. O estádio também possui certificação TRUE Platinum, desvia mais de 90% dos resíduos de aterros, dispõe de bicicletário para 250 bicicletas e estrutura para recarga simultânea de 48 veículos elétricos. Já o MetLife Stadium, em Nova Jérsei, utiliza 1.350 painéis solares, com geração de cerca de 350 kW, e consome aproximadamente 30% menos energia do que a instalação anterior, reforçando a integração entre eficiência, mobilidade e gestão de recursos. (Além da Energia – 10.04.2026)
EUA: Usina solar de 117 MW impulsiona economia local em Ohio
A Geronimo Power iniciou a operação comercial do projeto solar Dodson Creek, com capacidade de 117 MW, localizado no estado de Ohio, nos Estados Unidos. Inserida no mercado PJM, a usina deve gerar eletricidade e contribuir com aproximadamente US$ 49 milhões para a economia local, além de cerca de US$ 21 milhões em receitas fiscais ao longo dos primeiros 20 anos. Durante a fase de construção, o projeto empregou 125 trabalhadores e utilizou módulos Series 7 da First Solar. A iniciativa integra um portfólio maior da empresa no estado, que totaliza 675 MW e gera benefícios econômicos estimados em mais de US$ 240 milhões ao longo de sua operação. O projeto reforça o papel da energia solar como vetor de desenvolvimento regional, combinando geração renovável com impactos positivos em emprego, arrecadação e crescimento econômico. (Energy Monitor – 06.04.2026)
Filipinas: Governo prevê adicionar 1.471 MW ao sistema até abril
O Departamento de Energia das Filipinas planeja adicionar 1.471 MW de capacidade ao sistema elétrico até abril de 2026, por meio de 22 projetos em estágio avançado. A maior parte da expansão virá de fontes renováveis, com 1.284 MW em solar, além de 48,23 MW em hidrelétricas, 38 MW em biomassa, 13,56 MW em eólica e 20 MW em armazenamento. A iniciativa integra esforços do governo para garantir segurança energética diante da volatilidade global e crescente demanda. O programa está alinhado a diretriz presidencial de acelerar 200 projetos em três anos. Atualmente, 24 usinas já entraram em operação, somando cerca de 1.178 MW. O governo atua em coordenação com operadores e reguladores para evitar atrasos, garantindo conexão, licenciamento e conformidade técnica dos empreendimentos, reforçando a confiabilidade e a resiliência do sistema elétrico nacional. (Energy Monitor – 30.03.2026)
Índia: Emissões de carbono em 2025 têm menor alta em mais de 20 anos
As emissões de dióxido de carbono da Índia cresceram apenas 0,7% em 2025, o menor avanço anual em mais de duas décadas, segundo análise do Centre for Research on Energy and Clean Air. O resultado representa desaceleração expressiva frente aos aumentos de 4% a 11% registrados nos quatro anos anteriores, desconsiderado o efeito atípico da pandemia em 2020. O desempenho foi influenciado pela forte expansão da oferta limpa e pela fraqueza da demanda elétrica. Em 2025, o país adicionou 47 GW de capacidade solar, 6,3 GW de eólica, 4 GW de hidrelétricas e 0,6 GW de nuclear. Com isso, as emissões do setor elétrico recuaram 3,8%, e a geração a carvão caiu pela primeira vez fora do período da Covid desde 1973. Ainda assim, as emissões totais avançaram levemente porque aumentos nos setores de aço e cimento compensaram parte da queda no carvão. Em comparação, a China registrou redução de 0,3% nas emissões em 2025. (Reuters - 26.03.2026)
Nacional
Brasil: Observatório indica avanço da transição energética sobre terras protegidas
O Observatório da Transição Energética, lançado pela Repórter Brasil em parceria com Inesc e PoEMAS, mostra que a expansão de projetos ligados à transição energética já afeta mais de 4 mil territórios protegidos no Brasil e poderá alcançar 7 mil áreas caso os empreendimentos planejados saiam do papel. Segundo a plataforma, isso representa impacto atual sobre 34% dos mais de 12 mil territórios mapeados e potencial alcance futuro de 58%. O cruzamento reúne dados de usinas eólicas, solares, linhas de transmissão de alta tensão e processos minerários de minerais críticos com quatro categorias territoriais: 638 terras indígenas, 429 quilombos, 3.110 unidades de conservação e 8.218 assentamentos de reforma agrária. As áreas monitoradas somam mais de 4,2 milhões de km², cerca de metade do território nacional. A ferramenta permite identificar empreendimentos em operação ou previstos, empresas responsáveis e zonas de influência definidas com base na Portaria Interministerial nº 60/2015, com o objetivo de apoiar monitoramento, prevenção e organização social sob a ótica da justiça climática. (Repórter Brasil - 26.03.2026)
Congresso: Divergências travam política nacional de minerais críticos
O avanço do projeto de lei 2780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, foi novamente adiado em meio a divergências dentro do governo federal. A proposta, relatada pelo deputado Arnaldo Jardim, ganhou relevância estratégica diante da crescente demanda global por insumos essenciais à transição energética, como lítio e terras raras, mas enfrenta disputas sobre o modelo de desenvolvimento da cadeia produtiva. Enquanto há consenso sobre a necessidade de agregar valor e gerar empregos no país, divergências surgem quanto a instrumentos como criação de estatal ou taxação de exportações, ideias que enfrentam resistência da área econômica. O tema também entrou no debate eleitoral de 2026, refletindo tensões geopolíticas e diferentes visões sobre parcerias internacionais. O relatório deve ser apresentado em 22 de abril, enquanto o governo articula contribuições interministeriais para consolidar uma estratégia nacional. (Agência Eixos – 07.04.2026)
CNPE: Avanço na regulamentação da eólica offshore com diretrizes
O CNPE aprovou diretrizes para regulamentar o marco legal da eólica offshore, abrindo caminho para a oferta de áreas para exploração de projetos no Brasil, cujo potencial é estimado em 1.200 GW até 2050, com expectativa de mais de 500 mil empregos. A resolução define parâmetros iniciais, como distância mínima de 12 milhas náuticas da costa, passível de revisão com base em estudos técnicos conduzidos pela EPE e pelo grupo de trabalho setorial. A norma também prevê a criação do Portal Único de Gestão de Áreas Offshore (PUG Offshore), que centralizará processos e autorizações, incluindo a Declaração de Interferência Prévia (DIP). O governo pretende publicar até maio de 2026 o decreto regulamentador da Lei 15.097, que detalhará procedimentos e critérios para concessão ou autorização dos projetos. A iniciativa é considerada essencial para destravar investimentos e estruturar o desenvolvimento da cadeia de geração eólica em alto-mar no país.(Agência CanalEnergia – 01.04.2026)
CNPE: Regra de distância pode inviabilizar eólicas offshore no Nordeste
A diretriz do CNPE que estabelece distância mínima de 12 milhas náuticas (cerca de 22 km) da costa para instalação de parques eólicos offshore pode inviabilizar quase metade dos projetos no Nordeste, segundo agentes do setor. A exigência tende a deslocar empreendimentos para áreas mais profundas, onde é necessário o uso de estruturas flutuantes, mais caras e menos difundidas, elevando custos de capital e operação. Atualmente, há 59 projetos em licenciamento no Ibama, totalizando mais de 134 GW, sendo 62,2 GW no Nordeste. Especialistas apontam ausência de justificativa técnica clara para o critério e destacam que a medida pode afetar principalmente estados como Rio Grande do Norte e Piauí. Embora o governo indique possibilidade de revisão futura com base em estudos técnicos e Planejamento Espacial Marinho, o setor teme impactos significativos na viabilidade econômica e no desenvolvimento da cadeia offshore no país. (Agência Eixos – 02.04.2026)
CNPE: Diretrizes estruturam mercado de eólicas offshore com potencial de 98 GW
As diretrizes aprovadas pelo CNPE para regulamentar a eólica offshore representam um avanço na organização do setor no Brasil, criando bases para futuros leilões e maior previsibilidade aos investidores. Estudo da Coppe-UFRJ estima potencial de cerca de 98 GW em áreas com até 50 metros de profundidade e até 30 km da costa, equivalente a aproximadamente sete usinas de Itaipu e quase metade da capacidade instalada atual do país. A resolução define parâmetros como afastamento mínimo inicial de 12 milhas náuticas da costa, com possibilidade de revisão técnica, e prevê a criação do Portal Único de Gestão Offshore (PUG Offshore) para digitalizar processos e reduzir burocracia. Apesar do avanço regulatório, ainda não há cronograma para leilões ou cessão de áreas, sendo essa definição considerada etapa crucial para viabilizar projetos e consolidar a cadeia produtiva nacional.(Agência CanalEnergia – 07.04.2026)
MME: Intensificação do debate regulatório sobre eólicas offshore
O Ministério de Minas e Energia promoveu o webinar “Panorama das Eólicas Offshore no Mundo e o Potencial Brasileiro” para aprofundar a discussão sobre a implantação dessa fonte no país e apoiar a formulação de políticas públicas e estratégias setoriais. O encontro reuniu especialistas para tratar de experiências internacionais, licenciamento ambiental marinho, aspectos legais e regulatórios, decisões de investimento, viabilidade técnica, conexão à rede e desenvolvimento de mercado. A iniciativa integra a agenda do Grupo de Trabalho de Eólicas Offshore, coordenado pelo MME, que articula ações técnicas, regulatórias e institucionais entre órgãos federais para estruturar as bases do setor. O debate também destacou a resolução aprovada pelo CNPE em 1º de abril com diretrizes para regulamentar a Lei nº 15.097/2025. Entre os parâmetros definidos, está a referência inicial de distância mínima de 12 milhas náuticas da costa a partir da linha de base para instalação dos projetos, com possibilidade de revisão mediante estudos técnicos e Planejamento Espacial Marinho.(Agência CanalEnergia – 09.04.2026)
CEM: Pressão por acesso a áreas para eólicas offshore
Empresas do setor eólico offshore lançaram a Coalizão Eólica Marinha (CEM) com o objetivo de destravar a regulamentação das cessões de áreas para estudos de viabilidade no Brasil, consideradas essenciais para o avanço de projetos que devem entrar em operação apenas na próxima década. A iniciativa ocorre após o CNPE aprovar diretrizes para o setor, mas ainda sem definição de prazos para o decreto regulamentador, o que tem gerado frustração entre investidores. O grupo, que reúne empresas como Ocean Winds, Mingyang e entidades como o GWEC, defende urgência no acesso às áreas, especialmente na modalidade de cessão permanente, na qual os empreendedores assumem os riscos dos estudos técnicos, ambientais e econômicos. A ausência de regulamentação impede medições de vento, sondagens e análises ambientais, limitando decisões de investimento e diálogo com a sociedade. O setor também questiona critérios como a distância mínima de 12 milhas náuticas da costa, que pode impactar a viabilidade de projetos, sobretudo no Nordeste. (Agência Eixos – 08.04.2026)
ADL Mineração: Exportação privada de terras raras marca retomada do setor
A ADL Mineração realizou a primeira exportação privada de monazita em décadas, enviando um contêiner do mineral ao Canadá e marcando a retomada da participação de empresas privadas brasileiras no mercado internacional de terras raras. A monazita contém elementos como cério, lantânio e neodímio, fundamentais para a produção de ímãs permanentes usados em veículos elétricos e turbinas eólicas. A empresa projeta exportar entre 500 e 1.000 toneladas até o fim de 2026 e atingir cerca de 3 mil toneladas em dois anos, com mercados potenciais incluindo Estados Unidos e China. O movimento ocorre em um contexto de crescente relevância geopolítica desses minerais e de avanços regulatórios no Brasil, que permitiram maior maturidade do setor. A operação também se apoia em parceria com a INB, que cedeu a unidade de Buena por 30 anos, viabilizando processamento e comercialização. (Agência Eixos – 07.04.2026)
Abraceel: Energia no mercado livre acumula alta de até 121% em dois anos
Um levantamento da Abraceel mostra que os preços da energia no mercado livre subiram de forma expressiva entre janeiro de 2024 e março de 2026, em movimento que pode afetar a abertura do setor para milhões de consumidores a partir de 2027 e 2028. Nos contratos de longo prazo de energia convencional para os quatro anos subsequentes, a alta acumulada foi de 59%, com o valor médio passando de R$ 147/MWh para R$ 233/MWh. Já os preços trimestrais, usados como referência para os três meses seguintes, avançaram 121%, de R$ 143/MWh para R$ 317/MWh, muito acima do IPCA do período, de 5%. O PLD médio, referência do curto prazo, também subiu 84%, de R$ 129/MWh para R$ 236/MWh. Segundo a associação, o cenário reflete a influência de decisões operativas e políticas sobre o preço spot, além de distorções setoriais que afastaram investimentos em geração e produziram escassez de oferta no ACL, agravada por GSF, curtailment e estratégias comerciais de grandes geradores. Para a entidade, sem atenção do governo e da Aneel, o quadro pode comprometer a competitividade e a própria política de abertura de mercado. (Brasil Energia – 01.04.2026)
Cela: Contratação de eólica e solar avança no mercado livre com corrida pela autoprodução
A contratação de energia renovável no mercado livre brasileiro voltou a crescer em 2025, mesmo em meio à crise enfrentada pelos geradores eólicos e solares por cortes de produção impostos pelo ONS. Segundo estudo da Clean Energy Latin America (Cela), foram assinados 40 contratos no ano, totalizando 1.207 MW médios negociados e 4,2 GW de capacidade instalada, alta de 83,2% sobre 2024, quando 31 acordos somaram 659 MW médios e 2,3 GW. De acordo com a CEO da Cela, Camila Ramos, o avanço decorreu principalmente de uma corrida das empresas para fechar negócios antes da mudança nas regras da autoprodução, modalidade em que o consumidor se torna sócio da usina para obter benefícios tarifários e energia mais competitiva. Todos os contratos mapeados em 2025 seguiram esse modelo, indicando uma migração para estruturas mais sofisticadas. Em 10 anos, o mercado acumulou 214 contratos, 6,04 GW médios, 21,8 GW de capacidade e R$ 88,8 bilhões em investimentos. (Reuters - 25.03.2026)
Mercado livre exige maior sofisticação e gestão ativa de riscos
A evolução do mercado livre de energia no Brasil, impulsionada por novas regras, ampliação do acesso e maior flexibilidade contratual, está elevando o nível de sofisticação exigido de consumidores e geradores. Segundo executivo da Minerva Foods, o ambiente atual demanda compreensão aprofundada dos sinais econômicos e capacidade de gestão de riscos para definição de estratégias de contratação e exposição. A autoprodução tem ganhado relevância como alternativa para grandes consumidores, ao oferecer maior previsibilidade de custos e reduzir a volatilidade, embora traga novos riscos. Contratos de longo prazo (PPAs) seguem viáveis quando estruturados de forma equilibrada, permitindo a construção de portfólios com preços médios mais estáveis. Para geradores, o desafio envolve decidir o timing de comercialização em cenários de preços elevados. Nesse contexto, a capacidade de gerenciar riscos se consolida como diferencial competitivo em um mercado cada vez mais dinâmico e alinhado a tendências internacionais. (Agência CanalEnergia – 06.04.2026)
Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais
ABVE: Vendas de eletrificados superam 35 mil unidades e atingem 14% do mercado
O mercado brasileiro de veículos eletrificados registrou 35.356 emplacamentos em março, estabelecendo novo recorde histórico, com crescimento de 42% em relação a fevereiro e de 146% na comparação anual. Os eletrificados passaram a representar 14% das vendas de veículos leves, consolidando participação elevada e indicando maturidade crescente do setor. Do total, 75% correspondem a modelos com recarga externa, incluindo elétricos a bateria e híbridos plug-in. Os BEVs lideraram o avanço, com 14.073 unidades e alta de 193% na base anual, enquanto os PHEVs somaram 12.367 unidades. No primeiro trimestre, as vendas alcançaram 83.947 unidades, mais que o dobro de 2025. A ABVE atribui parte do desempenho a avanços regulatórios, como medidas em São Paulo que facilitaram a instalação de recarga em condomínios, reduzindo barreiras estruturais. O Sudeste concentrou 46% das vendas, com São Paulo respondendo por 29,3% do total. (Inside EVs – 06.04.2026)
ABVE: Decreto do Rio restringe micromobilidade elétrica e gera críticas
A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) criticou o decreto nº 57.826/2026 da Prefeitura do Rio de Janeiro, que proíbe a circulação de veículos elétricos autopropelidos, como patinetes, nas ciclovias, obrigando seu deslocamento para vias compartilhadas com carros, ônibus e caminhões. Segundo a entidade, a medida pode aumentar o risco de acidentes ao expor usuários a tráfego de maior porte e velocidade, além de gerar insegurança jurídica ao possivelmente conflitar com a Resolução nº 996/2023 do Contran, que regula a mobilidade individual autopropelida em nível federal. A discussão ocorre em um contexto sensível, após acidente fatal recente envolvendo esses veículos na cidade. Embora reconheça a necessidade de aprimorar a segurança, a ABVE argumenta que a decisão pode produzir efeito contrário ao desejado, ao deslocar os modais para ambientes mais perigosos, e defende uma regulamentação baseada em critérios técnicos e diálogo institucional. (Inside EVs – 08.04.2026)
Brasil: Contrastes globais expõem nova fase da eletromobilidade
A indústria global de veículos elétricos vive uma transição assimétrica, marcada por ajustes em mercados maduros e expansão em economias emergentes. Nos Estados Unidos, a Volkswagen encerrará ainda em abril a produção do ID.4 em Chattanooga, no Tennessee, e redirecionará a fábrica para modelos a combustão de maior volume, como o Atlas, diante de vendas mais voláteis e demanda menos previsível. Na China, a guerra de preços pressiona a rentabilidade: a BYD vendeu cerca de 4,6 milhões de veículos em 2025, mas registrou queda de 19% no lucro líquido, para 32,6 bilhões de yuans, refletindo descontos agressivos e competição intensa. Em contraste, o Brasil mantém forte expansão em BEVs e PHEVs, impulsionado por novas marcas, maior oferta e preços mais competitivos, consolidando-se como mercado dinâmico para a eletromobilidade fora dos polos tradicionais. (Inside EVs – 10.04.2026)
Brasil: Eletrificação eleva demanda por empregos qualificados
A expansão dos projetos de montadoras chinesas no Brasil está acelerando a eletrificação da frota e ampliando a demanda por empregos mais qualificados, ligados a pesquisa, testes, adaptação tecnológica, manutenção e infraestrutura de recarga. Em painel do Summit Valor Brazil-China 2026, executivos e autoridades destacaram que os investimentos da BYD incluem um centro de P&D na Bahia focado em técnicas de fabricação e motores, além de um novo centro no Rio de Janeiro, com aporte superior a R$ 800 milhões, voltado a automação veicular e experiência do usuário. A empresa anunciou mais 3 mil contratações na Bahia, elevando o total para 6,2 mil funcionários em Camaçari. No Rio, o poder público aposta em campo de testes para veículos autônomos e em exigências de ônibus elétricos e híbridos em futura licitação intermunicipal. Estudo de USP, Unicamp e ICCT citado no debate indica aumento de empregos, renda e participação dos salários na renda total. Marcas chinesas já respondem por 69% dos eletrificados vendidos no país. (Valor Econômico - 07.04.2026)
Brasil: Recarga elétrica cresce, mas gargalos com distribuidoras persistem
A expansão da infraestrutura de recarga no Brasil acompanha o avanço da frota elétrica, mas esbarra em entraves regulatórios e operacionais junto às distribuidoras de energia. O país já ultrapassou 21 mil pontos de carregamento e elevou de 2.430 para 6.479 o número de estações rápidas em corrente contínua, movimento impulsionado por queda no preço de equipamentos, crescimento de frotas corporativas e formação de corredores rodoviários. Ainda assim, operadores relatam que a ampliação da carga elétrica pode exigir meses de trâmite, inclusive em casos simples, devido à exigência de estudos e laudos técnicos. Segundo a Spott, a eletromobilidade ainda tem peso reduzido na carteira das concessionárias, o que limita a prioridade dada às demandas do segmento, embora haja exceções como a Copel. Para contornar o problema, empresas vêm adotando sistemas de armazenamento em baterias e softwares de gestão inteligente de eletricidade, que permitem otimizar consumo, viabilizar recarga de alta potência e sustentar a expansão antes das adequações da rede. (Além da Energia – 09.04.2026)
Brasil: BYD leva tecnologia de baterias para metrô e amplia mobilidade elétrica
A BYD iniciou operação no transporte sobre trilhos no Brasil com a Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo, marcando sua estreia no setor ferroviário fora da China e ampliando sua atuação na mobilidade elétrica. Com 6,7 km de extensão, a linha conecta o Aeroporto de Congonhas às linhas 5 e 9 e deve atingir capacidade de cerca de 100 mil passageiros por dia. O sistema utiliza monotrilhos com cinco carros e capacidade superior a 600 passageiros, operando com baterias embarcadas baseadas na tecnologia Blade, já aplicada em veículos elétricos. Essa arquitetura permite operação parcial sem alimentação contínua externa, aumentando flexibilidade operacional. A iniciativa reforça a estratégia da empresa de integração entre modais e aplicações energéticas, consolidando presença em transporte urbano, armazenamento e geração distribuída, e sinaliza avanço da eletrificação no transporte de massa no Brasil. (Inside EVs – 01.04.2026)
Brasil: Stellantis reforça produção local e estratégia híbrida da Leapmotor
A Stellantis reafirmou os planos de produzir veículos da marca chinesa Leapmotor no Brasil, utilizando a planta de Goiana (PE) como base industrial, e confirmou a chegada do SUV C16 em 2026. A estratégia inclui não apenas a fabricação local, mas também a expansão do portfólio e a adoção de tecnologias híbridas, como o sistema ReefFlex, adaptadas às características do mercado brasileiro. O movimento ocorre paralelamente ao início das operações da marca no país com o modelo B10 e sinaliza uma abordagem mais estruturada, indo além da importação. A combinação de produção nacional, diversificação tecnológica e lançamento de novos modelos indica a intenção de consolidar a Leapmotor como parte relevante da operação da Stellantis na América do Sul, em um contexto de transição gradual para a eletrificação, condicionado por limitações de infraestrutura e perfil de demanda local. (Inside EVs – 07.04.2026)
México: Investimentos em eletromobilidade marcam preparação para Copa 2026
O México destinou cerca de US$ 110 milhões para cada uma das três sedes da Copa do Mundo de 2026 — Cidade do México, Jalisco e Nuevo León — com foco em mobilidade urbana sustentável e infraestrutura. Na capital, mais de 70 obras incluem rotas de eletromobilidade, implantação do Trólebus El Chapulín, Trem Leve El Ajolote e modernização das linhas 1 e 2 do metrô, além de ciclovias e melhorias viárias. Em Jalisco, a integração de modais inclui a conexão da Linha 5 com a Rota Elétrica e sistemas de transporte existentes, enquanto em Nuevo León 34 projetos abrangem expansão do metrô, incorporação de 4.000 ônibus e construção de 500 novos pontos de parada. As iniciativas visam não apenas atender à demanda do evento, mas deixar legado estrutural em transporte limpo, segurança e urbanismo, reforçando a eletromobilidade como eixo estratégico para grandes eventos internacionais. (Além da Energia – 08.04.2026)
Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis
Brasil: Governo concede desconto ao biodiesel em pacote contra alta dos combustíveis
O governo federal incluiu o biodiesel em um pacote de medidas para conter os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis, zerando as alíquotas de PIS e Cofins para o produto nacional. A medida deve gerar redução estimada de R$ 0,02 por litro e atende parcialmente às demandas do setor, que defendia aumento da mistura obrigatória acima dos atuais 15%, proposta descartada pelo governo. O pacote inclui ainda subvenções ao diesel fóssil — com apoio federal de R$ 0,80 por litro, além de R$ 0,32 já vigentes — e incentivos à importação, além de crédito de até R$ 9 bilhões para o setor aéreo. O contexto é marcado pela alta do petróleo, que chegou a US$ 110,83 por barril (Brent), após aumento de até 55% desde fevereiro de 2026. A medida reforça o papel dos biocombustíveis como instrumento de segurança energética, embora o avanço estrutural da mistura permaneça condicionado a questões técnicas e logísticas. (Agência Eixos – 06.04.2026)
Brasil: ABIHV sugere usar royalties para leilões de hidrogênio verde
A ABIHV propôs ao governo federal a utilização de royalties extraordinários do petróleo para financiar leilões de hidrogênio de baixo carbono, com prioridade para projetos de eletrólise, considerados mais alinhados à transição energética. A medida integra contribuições ao Mapa do Caminho, iniciativa que orienta a descarbonização da economia brasileira. Embora o marco legal permita todas as rotas com emissões inferiores a 7 kg de CO₂/kg, a entidade defende mecanismos de priorização para acelerar tecnologias mais limpas. A associação também sugere redirecionar incentivos fiscais de combustíveis fósseis e incluir projetos de hidrogênio e infraestrutura elétrica no PAC. Além disso, propõe ampliar o acesso a financiamentos não reembolsáveis via Finep e Fundo Clima. O setor aguarda a regulamentação do marco legal, cuja demora gera preocupação quanto ao acesso a incentivos e à viabilização de investimentos no país. (Agência Eixos – 01.04.2026)
Brasil: Entidades defendem isonomia no mandato de biometano
ABiogás, Abrema e Unica defenderam a manutenção de tratamento uniforme para o biometano no mandato de descarbonização do mercado de gás natural, aprovado pelo CNPE, que estabelece meta de 0,5% de participação do combustível em 2026. As entidades argumentam que a isonomia entre rotas de produção — independentemente da origem, como resíduos agrícolas ou aterros — é essencial para viabilizar um mercado líquido, atrair investimentos e garantir competitividade. A posição rebate críticas de setores que pedem diferenciação com base na intensidade de carbono, proposta anteriormente fixada em 8,55 gCO₂eq/MJ. Segundo as associações, a segmentação poderia reduzir a oferta, elevar custos de conformidade e prejudicar o desenvolvimento do setor. A regulamentação prevê certificação por meio de créditos de origem (CGOB) e busca preservar a neutralidade tecnológica, considerada fundamental para a consolidação inicial do mercado de biometano no Brasil. (Agência Eixos – 02.04.2026)
Brasil: Produtores pressionam por testes para ampliar mistura de biodiesel
Produtores de biodiesel intensificaram a pressão sobre o governo para realizar, em até cinco meses, os testes de validação necessários ao uso de percentuais superiores aos 15% atualmente adotados no diesel. A ofensiva ganhou novo impulso com o lançamento da AliançaBiodiesel, articulação entre Aprobio e Abiove que reúne 16 fabricantes, 33 plantas e 63,7% da capacidade nacional de produção. O setor busca destravar a implementação do cronograma previsto na lei do Combustível do Futuro, sancionada em outubro de 2024, que estabelece aumentos anuais de 1 ponto percentual. Embora o agronegócio tenha defendido avanço até B17 em meio à alta do petróleo e às tensões no Oriente Médio, o governo mantém cautela por questões logísticas, disponibilidade regional de oferta e necessidade de testes em motores, estabilidade da mistura e distribuição. O recente decreto que zerou PIS e Cofins sobre o biodiesel e garantiu desconto de dois centavos foi recebido como sinal favorável à expansão do renovável. (Agência Eixos – 09.04.2026)
Brasil: Vale adota navios a etanol para descarbonizar frete marítimo
A Vale firmou acordo com a Shandong Shipping Corporation para afretar navios movidos a etanol no transporte transoceânico de minério de ferro, com entregas previstas a partir de 2029. A mineradora estima que o uso do biocombustível como combustível principal possa reduzir em cerca de 90% as emissões de carbono em comparação com o óleo combustível pesado, considerando o ciclo completo well-to-wake e, especialmente, o uso de etanol de segunda geração. Os contratos, com prazo de 25 anos, contemplam inicialmente a construção de dois navios do tipo Guaibamax, de 340 metros e capacidade de 325 mil toneladas, com opção para novas unidades. As embarcações também serão equipadas com cinco velas rotativas para aproveitamento de energia eólica e design apto ao uso de metanol, óleo pesado e futura conversão para GNL ou amônia. A iniciativa se soma ao programa Ecoshipping e amplia a estratégia multicombustível da empresa, que também testa etanol em caminhões e locomotivas da EFVM. (Agência Eixos – 09.04.2026)
Brasil: Importação de BioGL inaugura novo mercado de gás renovável
A Supergasbras realizou a primeira importação de gás liquefeito renovável (BioGL) no Brasil, com uma carga piloto de 1,7 mil toneladas recebida no Porto de Tergasul, no Rio Grande do Sul. Produzido a partir de óleos vegetais e gorduras residuais, o combustível apresenta menor intensidade de carbono em relação ao GLP fóssil e pode ser utilizado na infraestrutura existente de distribuição. A companhia destaca eficiência energética cerca de 34% superior à do biometano e pretende direcionar inicialmente o produto ao mercado granel, atendendo indústrias e o agronegócio com metas de descarbonização. O modelo de comercialização inclui certificação de sustentabilidade e aquisição proporcional de volumes. A iniciativa marca a entrada do BioGL no mercado nacional e integra a estratégia da empresa, controlada pela SHV Energy, de ampliar a oferta de combustíveis renováveis no contexto da transição energética brasileira. (Agência Eixos – 06.04.2026)
Brasil: BNDES financia R$ 1 bilhão para usina de etanol de milho em MT
O BNDES aprovou financiamento de R$ 1 bilhão para a implantação de uma usina de etanol de milho em Tapurah (MT), correspondente a 62,2% do investimento total. O projeto, da RRP Energia, terá capacidade de produzir até 459 milhões de litros de etanol hidratado por ano ou 452 milhões de litros de etanol anidro, além de subprodutos como DDGS e óleo de milho. A planta poderá processar mais de 1 milhão de toneladas de milho anualmente e contará com uma termelétrica integrada de até 27 MW. A iniciativa reforça a diversificação da matriz energética e agrega valor à produção agrícola local, com geração de 1.105 empregos na construção e 305 na operação. Localizada próxima à BR-163, a unidade aproveita a logística e a oferta regional de insumos, ampliando o papel dos biocombustíveis na transição energética brasileira. (Agência Eixos – 01.04.2026)
Brasil: Goiás estrutura cadeia de biometano para transporte público
Goiás iniciou a implementação de um plano para descarbonizar o transporte público com biometano, incluindo a introdução de 501 ônibus movidos a gás até o fim de 2027, com os primeiros cinco veículos já entregues. O projeto prevê a construção de uma usina de biometano em Guapó, com investimento de R$ 140 milhões e capacidade inicial de 30 mil m³/dia, suficiente para abastecer cerca de 100 ônibus. A iniciativa inclui também um gasoduto para conectar a produção aos pontos de abastecimento, como o Bioposto Leste. O estado possui potencial estimado de 2,2 bilhões de m³/ano de biogás, mas atualmente utiliza apenas 1,9% dessa capacidade. A estratégia visa integrar produção e consumo local, reduzir dependência de diesel e impulsionar a cadeia de biocombustíveis a partir de resíduos agroindustriais e urbanos. (Agência Eixos – 02.04.2026)
Indonésia: Governo acelera mandatos de biocombustíveis e SAF
A Indonésia anunciou a ampliação de suas metas para biocombustíveis, prevendo a adoção de diesel com 50% de biodiesel à base de óleo de palma (B50) até 2028, antecipando planos anteriores que indicavam B40 em 2026. A medida reflete a estratégia do país de reduzir a dependência de combustíveis fósseis em meio à alta do petróleo provocada por tensões geopolíticas no Oriente Médio. O governo pretende manter o B50 no diesel subsidiado já em 2027, enquanto o diesel não subsidiado pode permanecer em B40. Paralelamente, o país planeja introduzir mistura mínima de 5% de etanol na gasolina em Java entre 2026 e 2027, elevando para 10% até 2028. Também está prevista a implementação de mandato de combustível sustentável de aviação (SAF), com exigência de 1% em voos nos dois principais aeroportos a partir de 2027. A política busca alinhar oferta de matéria-prima, infraestrutura e apoio industrial para consolidar a liderança global do país em biocombustíveis. (Agência Eixos – 08.04.2026)
Suécia: Volvo testa caminhões a combustão movidos a hidrogênio
A Volvo Trucks iniciou testes em condições reais com caminhões equipados com motores de combustão interna a hidrogênio, como parte de sua estratégia multitecnologia para descarbonização do transporte pesado. A solução utiliza tecnologia HPDI de injeção direta de alta pressão, permitindo eficiência elevada e manutenção de características como potência, torque e autonomia semelhantes às de veículos diesel. A proposta é complementar alternativas como veículos elétricos a bateria e células a combustível, especialmente em aplicações de longa distância e regiões com infraestrutura limitada. Os modelos podem ser classificados como de emissões líquidas próximas de zero, desde que utilizem hidrogênio verde e combustíveis renováveis no processo de ignição. A viabilidade da tecnologia depende da disponibilidade de hidrogênio de baixo carbono, ainda um gargalo global. O lançamento comercial está previsto para esta década, condicionado aos resultados dos testes operacionais. (Inside EVs – 04.04.2026)
Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização
Artigo de Bianca Bez: “Baterias no setor elétrico brasileiro: quem deve pagar pela flexibilidade do sistema?”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Bianca Bez (advogada da área de Contencioso e Arbitragem com ênfase em Energia do BBL Advogados) analisa os impactos da Lei nº 15.269/2025 sobre a alocação de custos no setor elétrico brasileiro, especialmente no que se refere aos sistemas de armazenamento por baterias. A autora argumenta que a nova regra, ao concentrar os encargos exclusivamente nos geradores, rompe com o modelo histórico de socialização de custos e cria uma assimetria entre os agentes que se beneficiam da flexibilidade do sistema e aqueles que passam a financiá-la. Destaca que as baterias exercem funções sistêmicas essenciais, como estabilização da rede e integração de fontes renováveis, beneficiando toda a cadeia elétrica. A mudança pode desincentivar investimentos em armazenamento, elevar preços da energia e gerar distorções concorrenciais entre tecnologias. Além disso, compromete a competitividade de projetos voltados à economia digital, intensiva em energia confiável. Conclui que a regulamentação da Aneel será decisiva para mitigar ou agravar esses efeitos. (GESEL-IE-UFRJ – 08.04.2026)
Brasil: Aneel autoriza primeiro sistema de baterias associado a usina solar
A Aneel concedeu a primeira autorização para instalação de um sistema de armazenamento de energia colocalizado a uma usina solar no Brasil, marcando um avanço regulatório para integração de baterias ao sistema elétrico. O projeto será implementado na usina Sol de Brotas 7, da Statkraft, em Uibaí (BA), com capacidade de 5.016 kWh e potência de 1.250 kW, utilizando baterias de íon-lítio. O sistema compartilhará conexão à Rede Básica e infraestrutura de medição, contribuindo para maior flexibilidade operacional e mitigação de cortes de geração. A agência destaca que a tecnologia será essencial diante da expansão acelerada das renováveis, enquanto o setor aguarda regulamentação mais ampla e diretrizes do MME para o leilão de baterias previsto para o segundo semestre de 2026. A iniciativa também sinaliza novas oportunidades de receita e maior previsibilidade para investidores, embora a consolidação do mercado dependa de um arcabouço regulatório completo. (Agência CanalEnergia – 06.04.2026)
EUA: Investimento de US$ 158 mi amplia armazenamento em baterias
A Advantage Capital concluiu investimento de US$ 158 milhões no projeto Medway Grid Energy Storage, sistema de armazenamento em baterias de 250 MW em Massachusetts. Desenvolvido pela VC Renewables, o empreendimento utiliza créditos fiscais federais (ITC) e integra a estratégia estadual de padrões de energia limpa. O sistema permite armazenar eletricidade em períodos de baixa demanda e despachá-la nos picos, aumentando a flexibilidade e confiabilidade do sistema elétrico. Com operação sem emissões locais, o projeto contribui para metas climáticas e estabilidade de preços de energia. A iniciativa se soma a outros ativos da empresa, totalizando mais de 3,3 GW de capacidade apoiada em seu portfólio. O avanço do armazenamento em larga escala reforça o papel das baterias na integração de renováveis e na modernização das redes elétricas nos Estados Unidos. (Energy Monitor – 01.04.2026)
Zâmbia: Governo lança leilão de 300 MW em solar com baterias
A Zâmbia abriu chamada pública para projetos solares fotovoltaicos com capacidade total de até 300 MW, no âmbito do programa Carbon Feed-In Premium (CFIP), com foco em empreendimentos que integrem sistemas de armazenamento por baterias. Os projetos devem ter entre 30 MWac e 100 MWac e incluir baterias com duração mínima de 30 minutos. Pelo menos 50% da energia gerada deverá ser vendida à estatal ZESCO ou subsidiárias. O prazo para submissão das propostas é 31 de maio de 2026, com avaliação conduzida por um comitê gestor e posterior análise de due diligence pelo NACA Fund. Os projetos aprovados receberão contratos padronizados com definição de preços e condições de pagamento. A iniciativa busca ampliar a participação de renováveis com maior confiabilidade no sistema elétrico e atrair investidores nacionais e internacionais para o setor energético do país. (Energy Monitor – 02.04.2026)
Impactos Socioeconômicos
Europa: Volatilidade de mercado acelera e dificulta expansão da energia verde
A guerra no Irã e a disparada dos preços dos combustíveis fósseis reforçam, no plano estratégico, o argumento a favor da expansão das renováveis na Europa, mas a instabilidade financeira, a expectativa de alta de juros e a lentidão no licenciamento seguem freando parte dos investimentos. Com o petróleo subindo mais de 50% e o gás mais de 60% desde o início do conflito, cresce a pressão inflacionária e o risco de aperto monetário, o que encarece o capital para novos projetos. Fundos de infraestrutura renovável negociam, em média, com desconto de 40,8% sobre o valor patrimonial, enquanto veículos focados em eficiência energética e armazenamento em baterias registram descontos médios de 52,1% e 36,8%. Apesar disso, o pacote europeu para redes e a perspectiva de 75 bilhões de euros adicionais do Banco Europeu de Investimento sustentam o horizonte de longo prazo. O avanço, porém, dependerá da rapidez para destravar autorizações, que em projetos solares podem levar até quatro anos. (Reuters - 26.03.2026)
UE: Governos buscam resposta coordenada para choque nos preços de energia
Os ministros das Finanças da União Europeia discutirão uma resposta coordenada à alta dos preços de energia provocada pela guerra no Irã, com foco em proteger consumidores vulneráveis, evitar distorções de mercado e conter custos fiscais. A Comissão Europeia defende medidas temporárias e focalizadas, após reconhecer que, na crise de 2022-2023, várias ações foram amplas demais e geraram ineficiências e elevado impacto orçamentário. Embora a participação das renováveis na matriz do bloco tenha subido de 36% em 2021 para 48% atualmente, a UE segue exposta: a maior parte de carros e caminhões ainda depende de derivados de petróleo, e quase 20% do petróleo europeu vem do Golfo Pérsico. Entre as opções avaliadas estão apoio direto à renda, redução cautelosa de tributos sobre eletricidade, tarifas diferenciadas para consumidores vulneráveis e uso de receitas do mercado de carbono ou de tributos sobre lucros extraordinários das empresas de energia. (Reuters - 27.03.2026)
UE: Estudo aponta que neutralidade climática é compatível com equilíbrio fiscal
Um estudo encomendado pela Direção-Geral de Ação Climática da Comissão Europeia concluiu que a transição para a neutralidade climática transformará de forma significativa a economia do bloco, mas não comprometerá a sustentabilidade das finanças públicas nas próximas décadas. A análise indica que as receitas ligadas a combustíveis fósseis devem cair progressivamente como proporção do PIB até 2050, refletindo a eletrificação da economia, o avanço das renováveis e a retirada dos subsídios fósseis, prevista até 2035. Em contrapartida, as receitas com precificação de carbono, por meio do ETS, do futuro ETS2 e do mecanismo de ajuste de carbono na fronteira, devem ganhar relevância e atingir pico em meados da década de 2030, superando 1% do PIB. O estudo comparou um cenário de neutralidade climática com outro de mitigação limitada em dois modelos macroeconômicos, que divergiram sobre efeitos indiretos em PIB, emprego e consumo, mas convergiram ao apontar impactos fiscais agregados limitados e ajustes tributários modestos. (Comissão Europeia - 27.03.2026)
BRIDGE: Transição europeia enfrenta entraves como regulação, dados e engajamento
A assembleia geral da BRIDGE, realizada em Bruxelas em 23 e 24 de março, destacou que a transição energética europeia se tornou uma questão central de autonomia regional e segurança, e não apenas um tema técnico ou ambiental. As discussões apontaram que a confiabilidade das redes diante da eletrificação acelerada, da maior inserção de renováveis e de novas ameaças depende do avanço coordenado em quatro frentes: regulação, compartilhamento de dados, modelos de negócio e participação de consumidores. Entre os principais entraves estão a falta de harmonização das regras da UE entre os Estados-membros, a dificuldade para integrar recursos energéticos distribuídos e mecanismos de flexibilidade aos mercados locais e transfronteiriços, além dos desafios de interoperabilidade, privacidade e cibersegurança no uso de dados. O grupo também ressaltou que soluções só ganham escala se forem tecnicamente robustas, sustentadas por modelo econômico viável, alinhadas ao arcabouço regulatório e desenvolvidas com foco real nas necessidades do consumidor. (Enlit - 27.03.2026)
Nature: Estudo defende subsídios mais simples e focalizados para uma transição energética justa
Pesquisadores da Universidade de Freiburg, Stanford, Indiana e Universidade da Pensilvânia concluíram que programas de subsídio à transição energética tendem a beneficiar principalmente famílias de maior renda e podem ampliar desigualdades em vez de reduzi-las. Em revisão publicada na Nature Reviews Clean Technology, o grupo identificou barreiras em três níveis. No plano individual, pesam conflitos de incentivo entre inquilinos e proprietários, falta de informação e dificuldade de acesso a crédito e incentivos. No nível comunitário, infraestrutura precária e desinformação dificultam a adesão, sobretudo em regiões estruturalmente frágeis. Já no âmbito institucional, burocracia excessiva e desigualdades históricas limitam a participação. A partir desse diagnóstico, os autores propõem quatro princípios para políticas mais equitativas: desenho orientado por barreiras específicas, alívio financeiro imediato, simplificação administrativa e implementação adaptada às necessidades locais, com participação cidadã. O estudo também defende novos critérios de avaliação, com foco em justiça distributiva e redução de custos para grupos vulneráveis. (Universitat Freiburg - 26.03.2026)
Artigo de Joisa Dutra: “Transição energética sob estresse”
Em artigo publicado pela Folha de São Paulo, Joisa Dutra (Diretora do FGV-Ceri [Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da FGV]) analisa como a intensificação de crises geopolíticas recentes, especialmente o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, expõe fragilidades estruturais da transição energética global. A autora argumenta que o fechamento de rotas estratégicas como o estreito de Hormuz evidencia a vulnerabilidade das cadeias de suprimento e reforça a volatilidade dos mercados de energia, com impactos diretos sobre petróleo, gás natural e fertilizantes. Nesse contexto multipolar, diferentes países adotam estratégias distintas de segurança energética, enquanto o Brasil, apesar de possuir uma matriz relativamente limpa, enfrenta limitações institucionais e de mercado que comprometem sua competitividade. Dutra destaca problemas como a dependência crescente de gás importado, falhas na integração de fontes renováveis e ausência de mecanismos eficientes de coordenação e precificação. Conclui que a transição energética exige mais do que avanços tecnológicos: depende de instituições sólidas e mercados bem estruturados para reduzir riscos e garantir eficiência diante de um cenário global instável. (GESEL-IE-UFRJ – 07.04.2026)
Artigo de Daniel Pansarella: “A Conta da Transição Energética Chegou: O Que o Setor Exige dos Próximos Presidentes”
Em artigo publicado no Portal Solar, Daniel Pansarella (Presidente do Conselho Fiscal da Absolar) argumenta que a transição energética global atingiu um ponto de irreversibilidade, evidenciado pela expansão recorde das energias renováveis e pela superação do carvão na geração elétrica mundial. Ele pontua, contudo, que esse avanço estrutural convive com gargalos críticos, especialmente a saturação das redes elétricas e a morosidade regulatória, que passam a limitar o ritmo de crescimento do setor. O texto aponta que, no Brasil e na América Latina, há um potencial significativo de liderança na transição energética, sustentado por uma matriz majoritariamente renovável e forte expansão da energia solar. No entanto, esse protagonismo é ameaçado por entraves institucionais que comprometem a atração de investimentos. Além disso, o texto destaca que o setor estabelece três eixos prioritários e inegociáveis para avançar: a modernização e expansão das redes elétricas para lidar com a intermitência e evitar curtailment; a criação de incentivos e regulação adequada para sistemas de armazenamento (BESS), fundamentais para a confiabilidade do sistema; e a desburocratização com maior segurança jurídica e competitividade tributária. O texto expõe ainda que há uma disputa global por investimentos e liderança na economia verde, na qual países como China e Estados Unidos avançam com políticas industriais agressivas, enquanto o Brasil possui vantagens comparativas, mas depende de decisões políticas para convertê-las em liderança efetiva. A conclusão é que a transição energética deixou de ser apenas uma agenda ambiental e se tornou um imperativo econômico e estratégico, exigindo ação política imediata. (Portal Solar - 26.03.2026)
Editorial Fast Markets: “Como grandes operadores da rede e energia estão modernizando a indexação de preços na transição energética”
Em editorial, o Fast Markets expõe que a transição energética está impondo uma nova dinâmica de precificação para operadores de rede e grandes projetos de infraestrutura, marcada pela crescente volatilidade de insumos críticos como cobre, alumínio e aço. Nesse contexto, fornecedores têm migrado para contratos indexados a benchmarks de mercado, transferindo riscos de preço para os compradores e exigindo maior sofisticação na gestão financeira e contratual. O texto destaca que essa mudança força a modernização dos sistemas de precificação, substituindo processos manuais e fragmentados por estruturas baseadas em dados, com uso de benchmarks independentes, séries históricas e previsões de mercado. O caso de um operador europeu ilustra essa transformação: ao integrar mais de 100 índices em sistemas automatizados, a organização aumentou a transparência, reduziu erros e fortaleceu o controle sobre projetos de longo prazo, especialmente em expansão de redes e eólica offshore. Além disso, o texto aponta que a precificação indexada se torna um elemento estratégico, exigindo validação independente, automação de dados e capacidade de previsão para mitigar riscos em investimentos multianuais expostos à volatilidade de commodities. Conclui-se que, no contexto da transição energética, dados de mercado e sistemas robustos de precificação passam a ser tão críticos quanto a infraestrutura física, sendo essenciais para garantir previsibilidade, eficiência e viabilidade econômica dos projetos de energia limpa. (Fast Markets - 26.03.2026)
Artigo de Duncan Wood: “Por que a água é vital para a descarbonização e transição energética”
Em artigo publicado pelo Fórum Econõmico Mundial, Duncan Wood (CEO da Hurst International Consulting) argumenta que a água é um elemento central e frequentemente negligenciado da transição energética, funcionando como um “recurso oculto” em toda a cadeia. Ao destacar a interdependência entre água e energia, o texto sustenta que ganhos em eficiência hídrica geram efeitos diretos na redução do consumo energético e, consequentemente, das emissões de carbono. O autor expõe o conceito de nexo água-energia-alimentos, mostrando como falhas nesse sistema interconectado podem gerar impactos sistêmicos, inclusive econômicos globais. A escassez hídrica pode comprometer geração elétrica e produção agrícola, enquanto o uso intensivo de energia nos sistemas de água reforça essa dependência mútua. Além disso, o texto destaca o potencial de tecnologias de eficiência hídrica em múltiplos setores, como agricultura, indústria e urbanização. Ele pontua que essas soluções oferecem ganhos simultâneos de água, energia e emissões — um efeito multiplicador (“co-efficiency”). Também ressalta o papel crescente da inteligência artificial na otimização integrada desses sistemas. Ainda, aponta ainda barreiras institucionais, como a fragmentação entre políticas de água e energia, que limita a captura dessas sinergias, e defende maior integração regulatória, incentivos financeiros e conscientização pública. O artigo conclui que a descarbonização global depende não apenas da expansão de energias limpas, mas da gestão eficiente da água, sendo a integração entre esses sistemas uma das estratégias mais eficazes e escaláveis para acelerar a transição energética. (World Economic Forum - 22.03.2026)
Eventos
China Development Forum 2026: China amplia presença externa em renováveis e reforça papel na transição global
A China vem consolidando sua atuação como um dos principais atores da transição energética global, combinando expansão industrial doméstica, cooperação internacional e oferta de soluções integradas para reforço de redes e segurança energética. Durante o China Development Forum 2026, realizado em Pequim nos dias 22 e 23 de março, autoridades e executivos destacaram que, no início do 15º Plano Quinquenal (2026-2030), o país busca sustentar uma transição estável e inclusiva. Relatório do International Institute of Green Finance e do Institute of Development Studies apontou que, entre outubro de 2022 e junho de 2025, empresas chinesas participaram de mais de 500 projetos renováveis no exterior, com destaque para a solar, que respondeu por 133,8 GW de capacidade instalada. A Ásia concentrou 354 projetos, ante 126 na África e 42 na Europa. Exemplos como a planta híbrida Oya Energy, na África do Sul, e o projeto eólico offshore Binh Dai, no Vietnã, mostram avanço em geração, armazenamento, treinamento local e integração às cadeias globais. (CGTN - 23.03.2026)
CERAWeek: Guerra no Irã reforça renováveis como vetor de segurança energética
Executivos e autoridades reunidos na CERAWeek, em Houston, avaliaram que a guerra entre EUA, Israel e Irã pode acelerar a transição energética menos por razões climáticas e mais pela busca de segurança no suprimento. A retirada de milhões de barris por dia do mercado, a escalada dos preços do petróleo e do gás e o risco de desabastecimento em países dependentes do Estreito de Ormuz reforçam a atratividade de fontes locais, como solar e eólica, associadas a baterias. Geoffrey Pyatt afirmou que a combinação entre eólica, solar e armazenamento se torna uma oferta econômica cada vez mais competitiva, enquanto Jeff Currie disse que o choque tende a “turboalimentar” a transição. Na Europa, a Comissão Europeia destacou investimentos em eletrificação, nuclear, renováveis, interconexões e armazenamento, e a Lituânia projeta 60% da demanda elétrica atendida por renováveis em 2026, ante 50% em 2025. Autoridades também descartaram ampliar a dependência do gás russo. (Reuters - 26.03.2026)
IRENA abre nova edição de aceleradoração em energias renováveis para jovens
A IRENA lançou a quarta edição do NewGen Renewable Energy Accelerator para apoiar empreendedores de 18 a 35 anos no desenvolvimento de soluções voltadas à transição energética. O programa, apoiado pelo governo dos Emirados Árabes Unidos e realizado em parceria com Social Alpha e Enel Foundation, oferecerá durante quatro meses capacitação, mentoria, webinars, workshops, conexão com investidores e suporte técnico para start-ups e empresas em crescimento. A chamada recebe propostas entre 6 de abril e 3 de maio de 2026, com divulgação dos selecionados em 18 de maio. A iniciativa busca projetos em três frentes: tecnologias de energia renovável, adaptação climática e mitigação climática. Na edição anterior, 13 start-ups de mercados emergentes participaram, incluindo seis lideradas por mulheres, e três foram premiadas por soluções em redes de troca de baterias, resfriamento solar com revestimentos comestíveis e agricultura de precisão orientada por inteligência artificial, reforçando o protagonismo da juventude em modelos energéticos mais limpos e escaláveis. (IRENA – 09.04.2026)