Transição Energética 109
Dinâmica Internacional
BNEF: Europa lidera investimentos globais em transição energética em 2025
A Europa registrou investimento recorde de US$ 583 bilhões em tecnologias de energia limpa em 2025, alta de 19% em relação ao ano anterior, superando Estados Unidos e China, segundo a BloombergNEF. A região respondeu por quase um quarto dos aportes globais em renováveis, mesmo diante de preocupações com competitividade industrial e custo da transição. O investimento europeu em renováveis atingiu US$ 162 bilhões, impulsionado por um salto de cinco vezes no financiamento eólico offshore; no total, os aportes em eólica cresceram 76%, para US$ 78,3 bilhões, compensando a queda de 8% em solar. A Alemanha manteve a liderança regional com US$ 148 bilhões, enquanto a Polônia triplicou para US$ 32 bilhões, apoiada por offshore e vendas de veículos elétricos. Os investimentos do lado da oferta somaram US$ 295 bilhões, mais de três vezes o volume destinado a combustíveis fósseis, e os aportes em transporte eletrificado avançaram 23%, para US$ 242 bilhões. Redes receberam US$ 105 bilhões e a manufatura de tecnologias limpas cresceu 50%, para US$ 4,8 bilhões. (TGS 4C - 20.03.2026)
BNEF: Petrolíferas cortam mais de US$ 12 bilhões de investimento em transição energética
As maiores companhias globais de petróleo e gás reduziram em 2025 os investimentos em transição energética em mais de US$ 12 bilhões, marcando a primeira queda anual em oito anos, segundo relatório da BloombergNEF (BNEF). Os aportes em tecnologias de baixo carbono recuaram de mais de US$ 38 bilhões em 2024 para US$ 25,7 bilhões, o equivalente a 6,5% do total de despesas de capital, ante quase 10% no ano anterior, no menor patamar proporcional em cinco anos. O movimento reflete o aperto orçamentário das petroleiras para atender demandas de investidores e priorizar os negócios centrais em combustíveis fósseis. A retração foi mais intensa nos Estados Unidos, onde mudanças regulatórias sob Donald Trump elevaram o risco de execução de projetos renováveis, especialmente eólica offshore. Apesar da queda geral, algumas empresas ampliaram recursos para baixo carbono, como Repsol e Saudi Aramco, que comprometeram cerca de US$ 4 bilhões cada. A BloombergNEF avalia que os investimentos do setor em transição devem seguir moderados nos próximos anos. (Folha de São Paulo - 22.03.2026)
EUA e Japão: Parceria visando projeto de US$ 40 bilhões para construção de reatores nucleares
Estados Unidos e Japão anunciaram, nesta quinta-feira, 19, um projeto de US$ 40 bilhões para a construção de reatores nucleares nos estados americanos do Tennessee e do Alabama, após uma reunião dos líderes dos dois países na Casa Branca. O acordo entre o presidente Donald Trump e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi ocorre após Tóquio aceitar, no ano passado, investir US$ 550 bilhões como parte de um novo acordo comercial com Washington. A declaração enfatiza que os projetos garantiriam a segurança, ao “acelerarem o crescimento econômico de ambos os países”. Os SMR serão construídos pela empresa nipo-americana GE Vernova Hitachi. Por fim, ambos os países divulgaram um plano de ação sobre o desenvolvimento de cadeias de suprimentos de materiais críticos. (Estadão – 20.03.2026)
Índia: Plano de quadruplicar capacidade solar e triplicar geração eólica em 10 anos
A Índia deverá multiplicar por quatro sua capacidade de energia solar ao longo da próxima década e triplicar a capacidade eólica, segundo relatório divulgado pela Central Electricity Authority (CEA), órgão assessor do Ministério de Energia. A expansão das renováveis deve reduzir a participação do carvão como principal fonte de geração elétrica para 49% em 2035-36, ante mais de 70% atualmente. De acordo com o plano, a capacidade total não fóssil do país alcançará 786 GW em 2035-36, com a energia solar respondendo por 65% desse portfólio limpo. A capacidade nuclear deverá triplicar para 22 GW, enquanto a geração hidrelétrica de grande porte tende a crescer 50%, chegando a 77 GW. O relatório também projeta forte avanço em flexibilidade e armazenamento, com a capacidade de usinas reversíveis aumentando 13 vezes para 94 GW e a de baterias saltando de 0,27 GW para 80 GW no mesmo horizonte. O conjunto desses números reforça a estratégia indiana de diversificação da matriz e de redução gradual da dependência do carvão. (Reuters - 19.03.2026)
IRENA: Relatório climático alerta para riscos ao sistemas renováveis de geração de energia
Relatório conjunto da OMM e da IRENA conclui que a variabilidade climática e a mudança do clima estão moldando de forma crescente o desempenho e a confiabilidade dos sistemas renováveis em todo o mundo. A edição 2024 Year in Review aponta que 2024 foi o ano mais quente já registrado, com temperatura global cerca de 1,55°C acima dos níveis pré-industriais, além de aumento de 4% na demanda global de energia impulsionada pelo clima em relação à média de 1991-2020. O estudo mostra contrastes regionais relevantes em solar, eólica e hidrelétrica e destaca que a capacidade renovável mundial superou 4.400 GW, ampliando a exposição do sistema a extremos climáticos. Pela primeira vez, o relatório avalia a habilidade de previsões sazonais para indicadores energéticos e indica que essas ferramentas podem antecipar anomalias de demanda e geração com meses de antecedência, informação crucial para operação de reservatórios, gestão de carga, comércio transfronteiriço e planejamento de flexibilidade, inclusive com apoio de armazenamento. (IRENA – 13.03.2026)
Reino Unido: Corte de verba climática e ajuda externa por causa da Guerra no Irã
O Reino Unido anunciou revisão do financiamento climático e da ajuda a países em desenvolvimento em resposta à necessidade de reforçar defesa e economia diante da guerra dos Estados Unidos no Irã. A chanceler Yvette Cooper informou que os gastos climáticos ficarão em cerca de 6 bilhões de libras ao longo de três anos, abandonando o modelo de orçamentos quinquenais. No ciclo anterior, o compromisso somava 11,6 bilhões de libras em cinco anos, cerca de 2,3 bilhões anuais. Também foi cancelada a verba de 3 bilhões de libras para natureza e florestas. A ajuda externa foi reduzida para algo próximo de 2 bilhões de libras por ano, com o orçamento total do setor recuando para 0,3% do rendimento nacional bruto, o que deve afetar programas de saúde, educação e assistência humanitária. Cooper afirmou que a medida não é ideológica, mas resposta a ameaças internacionais, e disse que o governo pretende voltar a 0,7% quando houver espaço fiscal. O foco remanescente será apoio a crises humanitárias graves, com 1,4 bilhão de libras anuais para países como Ucrânia, Palestina, Sudão e, agora, Líbano. (Agência Eixos - 19.03.2026)
União Europeia: Comissão busca medidas emergenciais para conter contas de energia em meio à guerra
A Comissão Europeia foi instada pelos líderes do bloco a apresentar, sem demora, um conjunto de medidas temporárias para conter a escalada das contas de energia, após a guerra entre EUA, Israel e Irã pressionar fortemente os mercados globais. O fechamento de instalações no Oriente Médio e as restrições no Estreito de Hormuz, rota por onde normalmente passa cerca de 20% do petróleo e do gás mundiais, elevaram de forma expressiva os preços. Segundo a Reuters, o gás europeu subiu mais de 50% desde o início do conflito e o petróleo avançou 10% em um único dia, enquanto danos ao complexo de GNL do Catar podem retirar cerca de 17% das exportações do país por mais de três anos. Entre as opções discutidas estão subsídios nacionais, cortes de tributos sobre combustíveis e ajustes no Sistema de Comércio de Emissões (ETS) para reduzir o custo dos certificados de carbono, componente relevante da conta industrial de energia. No longo prazo, a Comissão Europeia sustenta que renováveis e nuclear são a resposta estrutural para reduzir a exposição à volatilidade fóssil. (Reuters - 19.03.2026)
Nacional
Artigo de Luís Fernando Quilici e Adrianno Lorenzon: “Segurança energética e desenvolvimento sustentável: o potencial do gás natural”
Em artigo publicado pelo JOTA Info, Luís Fernando Quilici e Adrianno Lorenzon (Coordenador e Subcoordenador geral do Fórum do Gás, respectivamente), argumentam que, em um contexto de crescente instabilidade geopolítica, a segurança energética deve ser tratada como eixo estratégico de soberania nacional, e que o gás natural pode desempenhar papel central nesse processo no Brasil. Os autores pontuam que a dependência externa expõe países a choques de oferta e preço, reforçando a necessidade de aproveitar recursos domésticos para fortalecer a autonomia energética. O texto destaca o paradoxo brasileiro: apesar do potencial abundante, cerca de 60% do gás produzido é reinjetado, limitando sua disponibilidade para a economia. Essa dinâmica reduz oportunidades de desenvolvimento, como a produção de GLP, que poderia ser multiplicada e ter impactos positivos sobre preços, inclusão energética e contas públicas. Para a indústria, o gás é visto como vetor de competitividade e descarbonização, essencial para setores intensivos em energia. Os autores também apontam entraves estruturais, como a lógica econômica dos projetos de E&P — que prioriza retornos equivalentes ao petróleo — e a falta de alinhamento entre interesses privados e objetivos nacionais. Comparações internacionais mostram que outros países utilizam mais intensamente seu gás, enquanto o caso dos EUA evidencia como preços baixos podem impulsionar a reindustrialização. O artigo conclui que o Brasil possui uma oportunidade estratégica de transformar o gás natural em alavanca de desenvolvimento econômico, industrial e ambiental, mas isso exige ajustes regulatórios e de mercado para priorizar o uso doméstico e maximizar o valor nacional desse recurso. (JOTA Info - 20.03.2026)
EPE: LRCAP de 2026 reforça segurança energética e moderniza contratação de energia
O Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026 (LRCAP/2026) foi visto como um marco para o setor elétrico brasileiro ao reunir expansão relevante da capacidade instalada, aperfeiçoamento contratual e maior aderência às necessidades operativas do sistema. Com cerca de 19 GW contratados, o certame é descrito como o maior já realizado no país nessa modalidade, com deságio médio de 5,5% e investimentos estimados em R$ 64,5 bilhões. O novo desenho substitui modelos estruturados em energia por contratos de potência com requisitos de flexibilidade, permitindo o acionamento dos recursos apenas quando necessário e reduzindo custos ligados a inflexibilidades históricas. A modelagem contempla usinas existentes, novos projetos e, de forma inédita, a ampliação de hidrelétricas, fortalecendo a resposta do sistema em cenários de baixa hidrologia e menor geração eólica e solar. Segundo a avaliação técnica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o leilão antecipa necessidades de planejamento, melhora a alocação de custos entre consumidores livres e cativos e tende a evitar soluções emergenciais mais onerosas no futuro. (EPE - 20.03.2026)
Mover: Programa passa a incluir baterias e armazenamento como tecnologias estratégicas
O governo federal publicou a Portaria GM/MDIC 68/2026, que detalha as tecnologias elegíveis aos incentivos do programa Mobilidade Verde (Mover), incluindo baterias para veículos elétricos e híbridos e sistemas de armazenamento de energia para suporte a eletropostos. O programa prevê R$ 19,3 bilhões em créditos financeiros entre 2024 e 2028, condicionados a investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação. A portaria estabelece um índice de complexidade tecnológica que orienta a distribuição dos incentivos, considerando eficiência energética, sustentabilidade e segurança. Veículos com célula a combustível de hidrogênio lideram com pontuação 12,5, seguidos por sistemas associados à produção e uso de hidrogênio. Tecnologias como combustíveis sintéticos, biometano e sistemas dual fuel também são contempladas. O Mover amplia exigências ambientais, incluindo metas de reciclagem e medição de emissões ao longo do ciclo de vida dos veículos. A inclusão explícita de armazenamento reforça a integração entre mobilidade elétrica e infraestrutura energética, especialmente na expansão da rede de recarga. (Agência Eixos – 20.03.2026)
Pan American Energy: Complexo eólico na Bahia recebe selo para monetizar créditos de carbono
A Pan American Energy obteve aprovação do Global Carbon Council para que o Complexo Eólico Novo Horizonte, na Chapada Diamantina, passe a gerar créditos de carbono no mercado voluntário internacional. O empreendimento recebeu o selo Diamond, classificação máxima concedida pela entidade. Segundo a tabela global de certificações do GCC, o projeto aparece como o segundo maior do Brasil e o primeiro da Bahia em projeção de emissões de créditos de carbono entre os sete projetos certificados no país. O complexo tem 423 MW de capacidade instalada, distribuídos em 10 parques eólicos e 94 turbinas, com potencial para evitar a emissão de até 600 mil toneladas de CO2 equivalente por ano. Cada tonelada evitada corresponde a um crédito passível de negociação por empresas interessadas em compensar emissões. O projeto também atende aos critérios do programa Corsia, da Organização da Aviação Civil Internacional, ampliando o universo de potenciais compradores, e teve reconhecida sua contribuição para sete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, reforçando seu posicionamento ambiental e comercial. (Brasil Energia – 19.03.2026)
TCU: Tribunal exige regularização de eólicas e solares após falhas sistêmicas
O Tribunal de Contas da União determinou que a Aneel apresente em até 90 dias um plano para regularizar pendências de usinas eólicas e solares, após constatar que cerca de 78% das renováveis despachadas não atendem aos requisitos para operação definitiva (DAPR-D). A medida decorre da investigação do apagão de 15 de agosto de 2023, quando falhas em suporte de potência reativa e inconsistências entre dados declarados e comportamento real provocaram desligamento em cascata de 23 mil MW, equivalente a 35% da carga do sistema. O restabelecimento total levou seis horas. O relatório aponta baixo cumprimento das determinações pelos geradores e ausência de mecanismos regulatórios eficazes para garantir conformidade. A Aneel foi considerada adequada em sua atuação, enquanto o ONS foi multado em R$ 15 milhões. O episódio levou à revisão dos Procedimentos de Rede, com exigências mais rigorosas e garantias financeiras, reforçando a necessidade de maior confiabilidade na integração de fontes variáveis ao sistema. (Agência CanalEnergia – 19.03.2026)
Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais
Artigo de Renato Zimmerman: “A transição energética da mobilidade e a urgência brasileira”
Em artigo publicado no Canal VE, Renato Zimmerman (ativista em Sustentabilidade e membro do INEL Instituto Nacional de Energia Limpa) argumenta que a eletrificação da mobilidade no Brasil é um processo estrutural e inevitável, ainda que enfrentando resistência de setores ligados aos combustíveis fósseis e uma forte disseminação de desinformação. O autor pontua que, apesar desse ambiente adverso, o avanço do mercado de veículos elétricos(VEs) é sustentado por fundamentos técnicos e econômicos, como maior eficiência energética, menores custos operacionais e alinhamento com a urgência climática. O texto destaca o crescimento consistente da infraestrutura e da adoção: o país já supera 21 mil pontos de recarga e registrou, em fevereiro de 2026, cerca de 25 mil veículos eletrificados vendidos, representando 14% das vendas. Esse avanço não é apenas tecnológico, mas também econômico, com novos modelos de negócios surgindo em torno da recarga e da integração entre mobilidade e energia. Além disso, o autor aponta que o Brasil possui vantagens comparativas relevantes — especialmente sua matriz elétrica majoritariamente renovável — que poderiam acelerar a transição. No entanto, a influência da indústria do petróleo e narrativas sobre limitações dos veículos elétricos contribuem para retardar esse movimento. O artigo conclui que, apesar das resistências, a eletrificação da mobilidade no Brasil segue uma trajetória irreversível, impulsionada por vantagens econômicas, tecnológicas e ambientais, configurando uma transformação estrutural nos padrões de consumo, negócios e infraestrutura energética. (Canal VE - 15.03.2026)
Brasil: Proposta amplia CNH B para VEs e híbridos mais pesados
A Câmara dos Deputados discute mudar o limite de peso permitido para condutores com CNH categoria B, elevando-o de 3.500 kg para 4.250 kg no caso de veículos elétricos e híbridos com tração predominantemente elétrica. O Projeto de Lei 305/25, de autoria de Pedro Aihara e com alterações do relator Hugo Leal, busca compensar o peso adicional das baterias, que empurra modelos eletrificados para além do teto atual mesmo quando têm porte semelhante ao de veículos a combustão. O critério legal considerado é o Peso Bruto Total, que inclui passageiros, carga e capacidade estrutural. Modelos como Volvo EX90 e Mercedes-Benz EQS SUV já operam próximos do limite, enquanto Ford F-150 Lightning, Tesla Cybertruck e GMC Hummer EV podem superá-lo. A proposta tenta corrigir um descompasso regulatório sem alterar a complexidade de condução dos veículos e pode facilitar a entrada de picapes e SUVs eletrificados maiores no mercado brasileiro. O texto ainda precisa passar pela CCJ, pelo plenário da Câmara e pelo Senado antes de virar lei. (Inside EVs – 20.03.2026)
Brasil: Restrições ao diesel aceleram eletrificação de frotas urbanas
A sinalização da Prefeitura de São Paulo para eliminar gradualmente caminhões a diesel está acelerando decisões de investimento na eletrificação de frotas leves urbanas, especialmente em logística de última milha. O movimento deixa de ser apenas uma agenda ESG e passa a integrar o planejamento operacional das empresas, diante do risco regulatório e da necessidade de competitividade. Veículos comerciais elétricos como o FN1000 ganham espaço, com motor de 60 kW, torque de 230 Nm, bateria de 41,86 kWh e autonomia de até 220 km, adequados ao uso urbano intensivo. O modelo suporta até 1.050 kg e 7,3 m³ de volume, com recarga padrão Tipo 2. O custo entre R$ 200 mil e R$ 230 mil já se aproxima de ciclos tradicionais de renovação de frota, especialmente considerando menores custos operacionais. Modelos por assinatura reduzem o investimento inicial e aceleram a adoção. A cidade tende a influenciar outras regiões, consolidando a eletrificação como requisito competitivo nas operações urbanas. (Inside EVs – 17.03.2026)
Brasil: São Paulo define regras de segurança para recarga de VEs em condomínios
O Corpo de Bombeiros de São Paulo divulgou diretrizes técnicas para instalação e operação de carregadores de veículos elétricos, especialmente em condomínios residenciais, complementando a Lei 18.403/2026, sancionada em fevereiro, que assegurou ao morador o direito de instalar pontos de recarga em vagas privativas. As novas regras exigem dispositivo de desligamento de emergência em cada estação, integração ao sistema de segurança da edificação e comandos adicionais em áreas comuns para corte rápido de energia em caso de falha ou incidente. Também tornam obrigatórios circuitos elétricos dedicados, restringindo extensões e soluções improvisadas em áreas coletivas. As orientações consolidam discussões iniciadas em 2025 e ganham relevância com o aumento da frota eletrificada, que pressiona edifícios por adaptações definitivas. A atualização da Instrução Técnica nº 41, com inclusão dos Sistemas de Alimentação de Veículos Elétricos, reforça a padronização e a confiabilidade da infraestrutura de recarga. (Inside EVs – 20.03.2026)
Bright Consulting: VEs já são 1 em cada 7 veículos vendidos no Brasil
O mercado brasileiro de VEs manteve trajetória de crescimento na primeira quinzena de março de 2026, com 15.007 emplacamentos, equivalentes a 14,8% das vendas de veículos leves no período. O resultado representa avanço em relação à quinzena anterior e forte alta frente ao mesmo período de 2025, evidenciando a rápida expansão da eletrificação no país. No acumulado do ano, o segmento já soma 68.654 unidades, quase o dobro do registrado no mesmo intervalo do ano anterior, acompanhando o crescimento do mercado automotivo como um todo. Entre as tecnologias, os veículos 100% elétricos (BEV) e os híbridos plug-in (PHEV) se destacaram no mix de vendas, com participações relevantes no total de eletrificados. No ranking de montadoras, a BYD ampliou sua presença no mercado brasileiro, impulsionada pela expansão do segmento, enquanto as marcas chinesas, de forma geral, elevaram sua participação nas vendas totais. Esse movimento reflete o avanço da oferta de veículos eletrificados e o fortalecimento da concorrência no setor automotivo nacional. (Inside EVs - 16.03.2026)
EUA: Alta de 21% na gasolina reacende busca por VEs
A disparada do preço da gasolina nos Estados Unidos, em meio à tensão geopolítica envolvendo o Irã, recolocou os veículos elétricos no radar dos consumidores. Desde o fim de fevereiro, o preço médio do galão de gasolina regular subiu cerca de 21%, para US$ 4,26, levando os motoristas a gastarem aproximadamente US$ 1,65 bilhão adicionais apenas em uma semana, segundo dados citados pela Bloomberg. A plataforma CarEdge registrou alta de cerca de 20% no tráfego de buscas por carros elétricos na semana seguinte ao início das tensões, com o interesse por modelos como Tesla Model Y e Chevrolet Equinox EV praticamente dobrando. Especialistas apontam que o patamar acima de US$ 4 por galão costuma alterar o comportamento do consumidor americano, principalmente entre usuários de picapes e SUVs grandes. O movimento ocorre apesar da queda de 36% nas vendas de EVs no último trimestre após o fim dos incentivos federais de até US$ 7.500. Ainda assim, o estoque de elétricos nas concessionárias segue quase o dobro do de veículos a combustão, o que pode favorecer a conversão do interesse em vendas caso os preços do combustível permaneçam elevados por mais tempo. (Inside EVs – 16.03.2026)
Inside EVs: Guerra no Irã volta a impulsionar interesse por VEs
A escalada das tensões envolvendo o Irã e outros países do Oriente Médio recolocou o petróleo no centro das atenções globais e passou a estimular novas buscas por veículos elétricos em diversos mercados. O raciocínio é direto: sempre que cresce o risco de interrupção de oferta ou de aumento nos preços de gasolina e diesel, consumidores tendem a considerar alternativas menos expostas à volatilidade do barril. Como ator relevante do mercado petrolífero, o Irã influencia rapidamente as expectativas dos mercados internacionais, e esse efeito costuma reacender o debate sobre eletrificação, segurança energética e diversificação de fontes. O fenômeno não implica mudança imediata nas vendas, mas revela aumento da curiosidade do consumidor e reforça a percepção do carro elétrico como solução não apenas ambiental, mas também econômica e estratégica. A dinâmica repete movimentos vistos em outras crises, como após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Com governos e montadoras mantendo investimentos em eletrificação, episódios geopolíticos voltam a acelerar a narrativa de independência em relação aos combustíveis fósseis. (Inside EVs – 14.03.2026)
New York Times: VEs reduzem dependência de petróleo da China
A rápida eletrificação da frota chinesa tem gerado impactos que vão além da indústria automotiva, contribuindo para a redução da dependência do país em relação ao petróleo. A expansão dos veículos elétricos tem diminuído o consumo de gasolina e diesel, em um contexto de volatilidade no mercado global de energia. Com isso, a China passa a apresentar maior resiliência frente a oscilações de preços e tensões geopolíticas, ao substituir combustíveis fósseis importados por eletricidade produzida internamente. Esse movimento é resultado da ampla adoção de veículos elétricos e híbridos plug-in, que já representam parcela significativa das vendas no país. A substituição gradual dos combustíveis fósseis no transporte leve reduz a demanda por derivados de petróleo, gerando implicações econômicas e estratégicas relevantes. Além disso, a diversificação da matriz elétrica chinesa — que inclui fontes como hidrelétrica, nuclear, solar e eólica — reforça esse processo, ainda que parte da energia provenha de fontes fósseis. A escala do mercado e as políticas industriais adotadas têm permitido à China avançar na eletrificação em ritmo superior ao observado em outras economias. (Inside EVs - 17.03.2026)
Wood Mackenzie: Petróleo caro pode antecipar competitividade de VEs
A escalada dos preços do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio e pelo possível fechamento do Estreito de Hormuz, pode acelerar a adoção global de veículos elétricos ao alterar a competitividade econômica frente aos modelos a combustão, segundo a Wood Mackenzie. Com até 15 milhões de barris/dia fora do mercado, cerca de 7% da oferta global, o Brent já orbita US$ 110/bbl e pode atingir entre US$ 150 e US$ 200/bbl. Nesse cenário, modelos de custo total de propriedade (TCO) indicam que veículos elétricos podem se tornar mais baratos que equivalentes a gasolina já a partir de 2027 nos EUA, mesmo após a retirada de incentivos federais. Ainda assim, o setor enfrenta desafios, com US$ 73 bilhões em baixas contábeis anunciadas por montadoras e cancelamentos de projetos. Por outro lado, investimentos continuam, incluindo hubs de baterias e avanços em recarga ultrarrápida. O estudo também destaca que a expansão de renováveis e armazenamento em baterias será crucial para mitigar o impacto da alta de energia elétrica e sustentar a eletrificação. (Wood Mackenzie – 20.03.2026)
ZapCharge: Plano mira instalação de 300 mil carregadores para VEs na América Latina
A ZapCharge, ligada ao grupo chinês Shaanxi Fast Charger, pretende instalar até 300 mil carregadores para veículos elétricos na América Latina até 2030, com meta intermediária de cerca de 50 mil pontos até 2027 e dezenas de bases operacionais na região. O projeto sugere investimentos de vários bilhões de dólares em implantação, operação e integração à rede elétrica e surge em um contexto de infraestrutura ainda reduzida, fragmentada e dependente de capital privado. No Brasil, principal mercado regional, já existem cerca de 21 mil pontos públicos e semipúblicos, com avanço expressivo dos carregadores rápidos e ultrarrápidos, que passaram de pouco mais de 2.400 para mais de 6.400 unidades em um ano e hoje representam cerca de 31% da rede. Apesar disso, a relação de 19 a 20 veículos por ponto revela pressão crescente sobre a infraestrutura, ampliando a demanda por reforços de rede, gestão de carga e soluções de flexibilidade associadas ao armazenamento. (Inside EVs – 19.03.2026)
Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis
Brasil: Biossoluções pedem espaço além dos biocombustíveis tradicionais
As biossoluções devem ocupar papel estratégico e sistêmico na descarbonização brasileira, segundo análise sobre a proposta da Coalizão pelos Biocombustíveis para o mapa do caminho da transição. O texto valoriza critérios de efetividade climática, racionalidade econômica, governança interministerial e a estruturação da bioeconomia industrial, além de defender hubs regionais e menor dependência de combustíveis fósseis importados. Entre as rotas destacadas estão biometano, SAF, diesel verde e bioinsumos industriais, com potencial de ampliar flexibilidade energética e suporte a cadeias que podem demandar armazenamento e gestão mais eficiente de energia e insumos. A avaliação, porém, sustenta que a estratégia nacional não deve se limitar ao etanol e ao biodiesel, devendo incorporar múltiplas alternativas para gerar valor, desenvolvimento socioeconômico e maior robustez à transição. (Agência Eixos – 17.03.2026)
ABIHV: Agenda do H2 cobra solução para curtailment e preço da energia
A agenda estratégica lançada pela Associação Brasileira da Indústria de Hidrogênio Verde (ABIHV) reúne cinco eixos e coloca no centro da discussão entraves regulatórios e elétricos que afetam a competitividade do setor. A entidade pede a regulamentação do marco legal e do PHBC, ligado às leis 14.948 e 14.990, esta última com R$ 18,3 bilhões em incentivos fiscais entre 2030 e 2034. Também defende políticas de indução de demanda, financiamento e instrumentos de comércio exterior. No campo elétrico, a preocupação recai sobre a formação de preços, já que cerca de 70% do custo de produção do H2V é energia elétrica, além dos cortes de geração renovável. A ABIHV propõe ressarcimento financeiro, estímulo a soluções estruturais, gestão da demanda, autoprodução e expansão de rede com critérios que considerem novas cargas eletrointensivas, reforçando a necessidade de flexibilidade sistêmica comparável à de ativos de armazenamento. (Agência CanalEnergia – 19.03.2026)
BNEF: Investimento verde europeu cresce, mas hidrogênio fica aquém das metas climáticas
O investimento europeu em transição energética alcançou US$ 583 bilhões em 2025, avanço anual de 19%, com a União Europeia respondendo por 78% do total e o Reino Unido por 15%, segundo a BloombergNEF. A Alemanha permaneceu como maior mercado da região, com US$ 148 bilhões, enquanto a Polônia quase triplicou seus aportes para US$ 32 bilhões, impulsionada por eólica offshore e veículos elétricos. Reino Unido e Itália também avançaram, ao passo que a Espanha registrou nova retração em renováveis por entraves de licenciamento e deterioração do ambiente de investimento. Apesar do crescimento geral, o relatório aponta fragilidade em hidrogênio e indústria limpa: os aportes nesses segmentos recuaram, e a fabricação de eletrolisadores deve perder fôlego entre 2026 e 2028 em razão de demanda fraca, atraso em decisões finais de investimento, excesso global de capacidade e concorrência chinesa mais barata. Para alinhar a Europa ao net zero, o gasto anual com hidrogênio limpo teria de saltar de cerca de US$ 3 bilhões para uma média de US$ 17 bilhões ao longo da próxima década, patamar hoje considerado pouco realista. (Gasworld - 19.03.2026)
Ember: Biocombustíveis ganham força contra choque do petróleo
O avanço dos veículos elétricos e dos biocombustíveis volta a ser apresentado como instrumento de proteção econômica e climática diante da escalada do petróleo em meio ao conflito envolvendo EUA e Irã. Estudo do Ember indica que, em 2025, a frota global de veículos elétricos evitou o consumo de 1,7 milhão de barris de petróleo por dia, volume próximo aos 2,4 milhões de barris exportados pelo Irã via Estreito de Ormuz. Segundo o think tank, 79% da população mundial vive em países importadores de petróleo e cada alta de US$ 10 por barril adiciona cerca de US$ 160 bilhões por ano à conta líquida global de importações, enquanto a eletrificação do transporte poderia cortar em um terço essas compras e economizar cerca de US$ 600 bilhões anuais. No Brasil, o setor de biodiesel defende elevar a mistura obrigatória de 15% para 17%, alegando que a mistura atual já evita o consumo de cerca de 10 bilhões de litros por ano de diesel fóssil. Paralelamente, a safra 2026/27 de etanol deve adicionar quase 4 bilhões de litros ao mercado doméstico, amortecendo a pressão sobre a gasolina. (Agência Eixos – 18.03.2026)
EPE: Avaliação de intensidade de carbono na produção de e-amônia e e-metanol
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou um informe técnico que analisa o impacto das emissões embutidas da eletricidade renovável na intensidade de carbono de eletrocombustíveis, com foco em e-amônia e e-metanol no contexto do marco ZNZF (Zero or Near Zero Fuels) da Organização Marítima Internacional (IMO). O estudo examina a sensibilidade da intensidade de carbono no ciclo de vida completo, do poço à esteira, às emissões associadas à eletricidade usada na produção desses combustíveis, obtidos a partir de hidrogênio gerado por eletrólise da água com fonte renovável. A análise considera especialmente como variações nos fatores de capacidade da geração eólica e nos níveis de irradiação solar de sistemas fotovoltaicos alteram o desempenho ambiental final dos eletrocombustíveis. Segundo a entidade, o trabalho complementa um Fact Sheet já publicado e reforça o papel potencial dessas rotas na descarbonização de setores de difícil abatimento, como o transporte marítimo internacional. Acesse o informe técnico aqui. (EPE – 18.03.2026)
PSR: Hidrogênio perde fôlego, mas avanço chinês sustenta expectativas
O mercado global de hidrogênio verde perdeu impulso em 2025, com recuos e adiamentos de projetos, mas a China passou a concentrar a atenção por apresentar melhor conversão entre empreendimentos anunciados e efetivamente em implementação do que Estados Unidos e Europa, segundo avaliação da PSR durante o Workshop PSR/CanalEnergia. A nova estratégia chinesa para o hidrogênio organiza a demanda, padroniza rotas e acelera a capacidade produtiva, priorizando a substituição do hidrogênio fóssil na indústria química, no refino e na produção de metanol. No Brasil, persiste a expectativa de um leilão de hidrogênio de baixo carbono aprovado em lei, com volume de R$ 18 bilhões. Uma estimativa inicial sugere que, se todo o montante fosse direcionado ao H2V, poderia viabilizar 500 MW em projetos, embora o resultado dependa da regulamentação ainda pendente. No mercado de carbono, a PSR vê a governança brasileira ainda em formação, com possível implementação mais efetiva a partir de 2031. Preços iniciais mais baixos podem favorecer tecnologias hoje próximas da inviabilidade, como biometano e produção de calor com biomassa. (Agência CanalEnergia – 18.03.2026)
Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização
Alemanha: Plano para dobrar capacidade de data centers e quadruplicar processamento de IA até 2030
A Alemanha apresentou um plano para estimular investimentos em data centers e elevar sua capacidade doméstica em pelo menos 100% até 2030, ao mesmo tempo em que pretende ampliar em quatro vezes a capacidade de processamento de dados voltada à inteligência artificial. A proposta, conduzida pelo ministro digital Karsten Wildberger, inclui destinação de áreas para novos empreendimentos, aceleração de revisões regulatórias e incentivos à cooperação entre empresas da cadeia de suprimento de IA. Pelo novo desenho, os tributos municipais sobre atividades empresariais passarão a beneficiar a cidade que atrair o centro de dados, e não mais aquela onde a empresa mantém sua sede. O governo afirma que acolherá investimentos de países terceiros, embora priorize companhias alemãs e europeias. No fim de 2025, os data centers de IA no país somavam 530 MW de capacidade, grande parte operada por grupos estrangeiros. Amazon, Microsoft e Google estão entre os maiores investidores em infraestrutura local, ao lado de Deutsche Telekom e Schwarz Group. (Reuters - 17.03.2026)
Artigo de Kimberly Johnston: “Para reforçar a confiabilidade do fornecimento de energia em condições climáticas extremas, diversifique os recursos da rede”
Em artigo publicado pelo Utility Dive, Kimberly Johnston (CEO da NextGen Energy) argumenta que o aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos aliado ao crescimento acelerado da demanda elétrica está expondo fragilidades estruturais das redes elétricas, tornando a confiabilidade um desafio central. A autora destaca que a diversificação da matriz a partir da integração de renováveis, armazenamento e melhorias na infraestrutura já demonstrou resultados concretos. Ela cita o caso do Texas para ilustrar a evolução: entre 2021 e 2026, a expansão de eólica, solar e especialmente baterias contribuiu para reduzir significativamente os impactos de eventos extremos, como observado na resposta à tempestade Fern. Além disso, a modernização da infraestrutura de gás e a integração de diferentes fontes aumentaram a resiliência do sistema. O texto aponta também a importância crescente de soluções descentralizadas e flexíveis, como recursos energéticos distribuídos (REDs), capazes de responder localmente e aliviar a pressão sobre sistemas centralizados, especialmente em momentos críticos. O artigo conclui que a confiabilidade do sistema elétrico no contexto atual não depende apenas da expansão de capacidade, mas da diversificação tecnológica e operacional da matriz, combinando geração, armazenamento e soluções distribuídas para construir uma rede mais resiliente frente aos desafios climáticos e de demanda. (Utility Dive - 18.03.2026)
Artigo de Sana Shetty: “A realidade complexa da ampliação da transição energética: lições das baterias de íon-lítio”
Em artigo publicado no Earth.org, Sana Shetty (estudante de pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Política Energética na Universidade Carnegie Mellon) argumenta que a escalabilidade de tecnologias da transição energética depende menos da inovação isolada e mais da capacidade de mobilizar investimento em larga escala, especialmente nos estágios iniciais. A autora destaca que, para que tecnologias como hidrogênio, captura de carbono ou combustíveis sintéticos se tornem viáveis, não basta maturidade técnica — é necessário atingir custo competitivo, escala industrial e confiabilidade operacional, o que só ocorre com capital intensivo que permita aprendizado produtivo (“learning-by-doing”) e redução de custos ao longo do tempo. O texto destaca o caso das baterias de íon de lítio como exemplo emblemático: embora a tecnologia exista há décadas, foi o investimento massivo que viabilizou sua expansão. A combinação de escala industrial, desenvolvimento de cadeias de suprimento e escolhas tecnológicas levou à queda dos custos, mas o processo não foi linear: fatores como volatilidade de preços de minerais e decisões estratégicas de engenharia tiveram forte influência. A autora pondera também que o investimento em larga escala traz riscos, como sobrecapacidade, concentração produtiva e tensões comerciais globais. Assim, capital não é suficiente por si só: os resultados dependem de como ele é alocado, das escolhas tecnológicas e das condições de mercado e política industrial. O artigo conclui que o investimento é um acelerador essencial da transição energética, capaz de reduzir drasticamente custos e prazos, mas seu impacto depende de execução estratégica, sob risco de gerar desequilíbrios econômicos e geopolíticos ao mesmo tempo em que impulsiona a descarbonização. (Earth.org - 16.03.2026)
Artigo de You Xiaoying: “Fabricantes chineses de baterias apostam alto no sódio, numa mudança em relação aos minerais críticos”
Em artigo publicado pela Agência Reuters, You Xiaoying (jornalista de mudanças climáticas, transição energética e sustentabilidade) expõe que a China está avançando rapidamente no desenvolvimento e na comercialização de baterias de íon de sódio como alternativa às de lítio, buscando reduzir dependências geopolíticas e gargalos de suprimento associados a minerais críticos. Segundo a autora, diferentemente do lítio, cuja cadeia é concentrada e dependente de importações, o sódio é amplamente abundante, o que reduz riscos de preço e disponibilidade. Além disso, essas baterias apresentam vantagens operacionais, como melhor desempenho em baixas temperaturas e carregamento mais rápido, embora tenham menor densidade energética. O texto destaca que empresas chinesas já avançaram para a produção em escala, com aplicações tanto em veículos elétricos quanto em armazenamento estacionário. A estratégia inclui integração em redes de troca de baterias, desenvolvimento de veículos e projetos híbridos combinando sódio e lítio. Apesar de atualmente mais caras, as baterias de sódio tendem a ganhar competitividade com o aumento de escala e amadurecimento da cadeia produtiva. O texto também aponta que o maior potencial de adoção no curto prazo está no armazenamento de energia em larga escala, impulsionado por políticas públicas chinesas voltadas à integração de renováveis. Nesse contexto, projetos já operacionais demonstram ganhos relevantes na absorção de energia solar e eólica, reforçando o papel estratégico da tecnologia na transição energética. O artigo conclui que a aposta chinesa no sódio não visa substituir o lítio, mas diversificar tecnologias e reduzir vulnerabilidades estruturais, posicionando o país na liderança de uma nova etapa da competição global por baterias. (Reuters - 16.03.2026)
Artigo de Rosilena Lindo: “Para a América Latina, o conflito no Golfo fortalece o argumento para a energia limpa”
Em artigo publicado pelo Dialogue Earth, Rosilena Lindo (consultora global em clima e energia e ex-secretária nacional de energia do Panamá) argumenta que o conflito no Golfo envolvendo EUA, Israel e Irã reforça a importância estratégica da transição energética na América Latina, ao evidenciar a vulnerabilidade dos mercados globais de petróleo e gás. A crise afetou diretamente fluxos energéticos — especialmente pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — elevando preços e gerando instabilidade. Segundo a IEA, a AL já possui uma base favorável, com cerca de 70% da eletricidade proveniente de fontes renováveis e investimentos de US$ 70 bilhões em 2025, embora estima-se que sejam necessários US$ 150 bilhões anuais até 2030 para cumprir metas climáticas. O texto aponta efeitos ambíguos: de um lado, disrupções logísticas globais elevam custos e podem atrasar projetos renováveis; de outro, o aumento dos preços dos combustíveis fósseis melhora a competitividade de fontes como solar e eólica. A região conta com mais de 1.000 projetos renováveis em desenvolvimento, somando mais de US$ 500 bilhões, mas ainda convive com expansão de petróleo e gás, com 190 empresas ativas, milhares de quilômetros de dutos planejados e novos terminais de GNL. O texto também destaca que a principal vantagem estrutural das renováveis é sua natureza local, menos dependente de cadeias globais vulneráveis, o que aumenta a resiliência energética e pode atrair financiamento internacional. Conclui-se que a atual crise geopolítica reforça a transição energética não apenas como agenda climática, mas como estratégia de segurança, oferecendo à América Latina a oportunidade de consolidar-se como polo global de energia sustentável e soberana. (Dialogue Earth - 13.03.2026)
Impactos Socioeconômicos
Artigo de Jiri Bim: “Como a agrovoltaica pode acelerar a transição energética da Europa”
Em artigo publicado pela Innovation News Network, Jiri Bim (chefe da seção de licenciamento e agrivoltaica da Associação Solar Checa) argumenta que a integração entre geração solar e produção agrícola (agrivoltaica) pode acelerar a transição energética europeia ao conciliar expansão renovável com restrições de uso da terra. Segundo o autor, ao permitir dupla utilização do solo, o arranjo aumenta a eficiência territorial, reduz emissões e contribui para a segurança energética e resiliência das lavouras frente a eventos climáticos extremos. O texto destaca que o potencial é significativo: estudos indicam que o uso de cerca de 1% das terras agrícolas da UE poderia gerar centenas de TWh de eletricidade. A experiência da República Tcheca evidencia que o avanço da agrivoltaica depende de marcos regulatórios claros, definição de padrões técnicos e integração com políticas agrícolas. Também se aponta que a tecnologia já avança em países como França e Itália, mas a escalabilidade depende de fatores críticos, como licenciamento mais ágil, fortalecimento de projetos de pesquisa e maior disseminação de conhecimento entre agentes públicos e privados. O artigo conclui que a agrivoltaica, ao alinhar descarbonização, segurança energética e sustentabilidade agrícola em um mesmo modelo de uso do solo, representa uma aposta promissora para apoiar a transição para uma economia de baixo carbono na Europa. (Innovation News Network - 19.03.2026)
EUA: Estados processam governo Trump por revogação de base regulatória climática
Uma coalizão de 23 estados norte-americanos, liderada por Nova York e Califórnia, além de 14 cidades e condados, acionou a Justiça contra o governo de Donald Trump para tentar reverter a decisão da Environmental Protection Agency (EPA) de revogar a conclusão científica de 2009 que sustenta a regulação climática federal nos Estados Unidos. A ação, apresentada na Corte de Apelações do Distrito de Columbia, também questiona a revogação das regras federais aplicáveis a veículos e motores dos anos-modelo 2012 a 2027 que limitavam as emissões de gases de efeito estufa de carros e caminhões. Entre os autores estão ainda as Ilhas Virgens Americanas e o governador da Pensilvânia, Josh Shapiro. A EPA afirma que a eliminação dessas medidas pode gerar economia de US$ 1,3 trilhão em 30 anos, enquanto grupos ambientais estimam alta de até 9% no preço da gasolina na próxima década e acréscimo superior a US$ 3 bilhões por ano em custos de combustível para motoristas até 2035. (Reuters - 19.03.2026)
Institute for Sustainable Futures: Relatório defende transição energética sem mineração em águas profundas
Um novo relatório do Institute for Sustainable Futures, da University of Technology Sydney, em parceria com a Greenpeace International, sustenta que a transição energética compatível com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C não exige a exploração mineral do fundo do mar nem o sacrifício de ecossistemas terrestres críticos. O estudo afirma que governos devem priorizar a redução da demanda por matérias-primas por meio da expansão do transporte público, do fortalecimento da reciclagem e do avanço de tecnologias de baterias, em vez de abrir a mineração industrial em águas profundas. Segundo o documento, uma estratégia ambiciosa de reciclagem pode reduzir em até 48% a demanda total por nove minerais-chave, enquanto químicas alternativas, como baterias de fosfato de ferro-lítio, podem diminuir substancialmente a necessidade de níquel e cobalto. O relatório também recomenda reutilização integral dos minerais contidos em baterias usadas e exclusão de áreas ambiental e socialmente sensíveis, como terras indígenas e o leito oceânico profundo, do avanço extrativo. (Oceanographic - 19.03.2026)