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IFE
17/03/2026

Transição Energética 108

Assinatura:
Equipe de Pesquisa UFRJ
Editor: Prof. Nivalde J. de Castro (nivalde@ufrj.br)
Subeditores: Leonardo Gonçalves
Pesquisadores: Gustavo Esteves e Paulo Giovane
Assistente de pesquisa: Sérgio Silva

IFE
17/03/2026

IFE nº 108

Assinatura:
Equipe de Pesquisa UFRJ
Editor: Prof. Nivalde J. de Castro (nivalde@ufrj.br)
Subeditores: Leonardo Gonçalves
Pesquisadores: Gustavo Esteves e Paulo Giovane
Assistente de pesquisa: Sérgio Silva

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Transição Energética 108

Dinâmica Internacional

China: Domínio industrial acelera cadeias de baterias e energia limpa

A China consolidou ao longo das últimas duas décadas um sistema industrial altamente integrado que domina cadeias globais da transição energética, incluindo painéis solares, baterias e veículos elétricos. A estratégia combinou financiamento estatal, clusters industriais e integração entre universidades e fábricas para acelerar inovação e reduzir custos. Como resultado, o custo de instalação de sistemas solares caiu de US$ 5.124/kW em 2010 para US$ 876/kW em 2022, segundo dados da Irena, impulsionado por economias de escala e aprendizagem industrial. A mesma lógica se expandiu para o setor de baterias, com proximidade entre refinarias de lítio, fábricas de materiais catódicos e gigafábricas capazes de produzir centenas de GWh por ano. Essa estrutura permitiu rápida evolução tecnológica e redução de preços em veículos elétricos, mas também gerou dependência global das cadeias chinesas, alimentando tensões geopolíticas e políticas industriais no Ocidente.(Agência Eixos – 09.03.2026)

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Coreia do Sul: Vena Group planeja investir US$ 674 milhões em energia limpa

A desenvolvedora de energia renovável Vena Group assinou um memorando de entendimento avaliado em cerca de Won1 trilhão (US$ 674 milhões) com a província de Chungcheongnam-do e o município de Taean-gun para desenvolver projetos de energia limpa na Coreia do Sul até 2030. O acordo prevê investimentos em iniciativas como geração eólica offshore e outras soluções energéticas voltadas à expansão da capacidade doméstica de eletricidade de baixo carbono. Autoridades locais se comprometeram a oferecer apoio administrativo e financeiro para acelerar processos regulatórios e licenciamento. A produção estimada dos projetos ultrapassa 1,6 TWh anuais de eletricidade, volume suficiente para substituir geração fóssil e evitar aproximadamente 740 mil toneladas de emissões de gases de efeito estufa por ano. A iniciativa também pretende fortalecer a cadeia de suprimentos de energia limpa no país e contribuir para a estratégia sul-coreana de neutralidade de carbono.(Energy Monitor – 09.03.2026)

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Estudo mostra 46 países com planos para descarbonizar energia

Um novo levantamento internacional aponta que 46 países já possuem algum tipo de plano de descarbonização de suas matrizes energéticas, enquanto outros 11 estudam limitar ou reduzir a oferta de carvão, petróleo e gás, sinalizando avanço gradual da agenda de transição para longe dos combustíveis fósseis. A análise “Progressing the Transition Away from Fossil Fuels” foi elaborada por pesquisadores do IISD, E3G, Ecco, Sefia e Observatório do Clima, e mostra que, embora menos de um terço dos países tenha rotas formais nessa direção, o debate já deixou de ser página em branco. No Brasil, a Casa Civil coordena com os ministérios da Fazenda, Meio Ambiente e Minas e Energia a elaboração de diretrizes para um roadmap doméstico solicitado por Lula após a COP30. O estudo destaca cinco critérios centrais para que esses roteiros sejam eficazes: aderência à ciência climática, foco em produção e consumo, justiça social, coordenação governamental e mecanismos de financiamento e monitoramento. (Valor Econômico - 12.03.2026)

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EUA: Ashtrom fecha US$ 200 milhões para projeto solar no Texas

A Ashtrom Renewable Energy firmou financiamento de aproximadamente US$ 200 milhões com o BHI, braço americano do Bank Hapoalim, para o projeto solar El Patrimonio, próximo a San Antonio, no Texas. A usina, em construção desde 2025, deve ser concluída em 2027 e terá capacidade para abastecer cerca de 37 mil residências, com redução estimada de emissões de carbono em 170 toneladas por ano, segundo a companhia. No fechamento financeiro, a empresa também celebrou acordo para vender créditos fiscais de produção por dez anos e concluiu um contrato de compra de energia de 20 anos com a CPS Energy, utility municipal de San Antonio, que ficará com cerca de 70% da eletricidade gerada e dos certificados renováveis. Embora o projeto não inclua armazenamento, ele se conecta ao portfólio americano da Ashtrom, que soma 1,3 GWdc em geração e cerca de 600 MWh em baterias.(Energy Monitor – 13.03.2026)

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EUA: Exus amplia gestão solar no Texas e reforça portfólio regional

A Exus Renewables North America assumiu a gestão de ativos de três projetos solares no Texas, totalizando 437 MWdc, após acordo com a Nuveen Infrastructure. As usinas em Falls County, Chilton e Hill County, Itasca, elevam a capacidade solar administrada pela empresa na América do Norte para mais de 3,3 GW. Pelo contrato de longo prazo, a Exus ficará responsável por supervisão técnica, acompanhamento do desempenho financeiro e estratégia operacional dos empreendimentos Project Sol, Project Crown e Project Files, com foco em estabilidade de produção e longevidade dos ativos no mercado do ERCOT. As companhias afirmam que a parceria responde à demanda crescente de investidores institucionais, utilities e grandes consumidores por gestão especializada em renováveis. Embora os projetos citados sejam solares, o avanço do portfólio ocorre em uma região onde flexibilidade operacional e integração futura com armazenamento ganham importância estratégica.(Energy Monitor – 12.03.2026)

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Irlanda: Início de levantamento geotécnico para projeto eólico offshore

A Fugro iniciou uma investigação geotécnica no local do parque eólico offshore Oriel, localizado na costa do condado de Louth, no Mar da Irlanda. O projeto de 375 MW é desenvolvido pela JERA Nex e pela ESB e ocupará uma área aproximada de 24 km². O trabalho envolve testes de penetração cônica, geofísica por wireline e coleta de amostras do solo marinho em profundidades de até 33 metros, utilizando o navio Fugro Voyager e sistemas como o equipamento de perfuração SEADEVIL. Os dados obtidos serão analisados também em laboratório na unidade da empresa em Wallingford e servirão de base para o projeto e instalação das fundações de 25 turbinas planejadas para o empreendimento. A caracterização detalhada do subsolo é considerada etapa crítica para reduzir riscos na construção e garantir o desempenho de longo prazo do parque eólico, que deverá fornecer eletricidade suficiente para cerca de 300 mil residências e apoiar as metas de expansão renovável da Irlanda.(Energy Monitor – 10.03.2026)

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México: Setor industrial e estados cobram transição energética limpa na revisão do USMCA

As consultas públicas realizadas em todo o México para preparar a revisão conjunta do Acordo Estados Unidos–México–Canadá (USMCA), prevista para 2026, consolidaram a transição para fontes renováveis e a sustentabilidade como eixos estratégicos para preservar a competitividade e impulsionar o desenvolvimento regional na América do Norte. Em mesas setoriais e debates nas 32 entidades federativas, o setor produtivo defendeu que a agenda de desenvolvimento sustentável não pode mais ser adiada. Segmentos ligados ao comércio trilateral, como siderurgia, alumínio, energia e mineração, cobraram uma matriz elétrica limpa, acessível e estável, com segurança regulatória. No Norte e no Bajío, estados industrializados pedem fornecimento confiável para sustentar manufatura e cadeias just-in-time; no Sul-Sudeste, a energia limpa é vista como vetor de investimento e emprego. Tabasco, Tamaulipas e Sonora defenderam regras claras para participação privada, cooperação trilateral e financiamento verde, além de formação de capital humano especializado. (Strategic Energy – 11.03.2026)

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Oriente Médio: Escalada da guerra eleva preços de combustíveis e pressiona inflação

A escalada das tensões entre Irã, Israel e Estados Unidos voltou a elevar a atenção dos mercados internacionais de energia, diante do potencial impacto da instabilidade no Oriente Médio sobre os preços do petróleo, os custos de transporte e a inflação global. A volatilidade já é observada no mercado internacional de commodities, onde a cotação do petróleo reage ao aumento das incertezas geopolíticas. Analistas apontam que um agravamento do conflito pode estimular movimentos especulativos nos contratos futuros de energia e gerar efeitos em cadeia sobre setores como eletricidade, transporte, fertilizantes e indústria. Grande parte das preocupações está associada ao Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transitam cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados globalmente, além de fluxos relevantes de insumos industriais e agrícolas. Estimativas indicam que um bloqueio parcial da passagem poderia elevar o preço do barril para níveis superiores a US$ 120, pressionando a inflação mundial. Embora o Brasil possua uma matriz elétrica majoritariamente renovável, a alta do petróleo pode gerar impactos indiretos no país, ao afetar custos de combustíveis utilizados em usinas termelétricas, logística e transporte, além de influenciar o mercado de gás natural e encarecer cadeias de suprimento de projetos de infraestrutura energética. (Cenário Energia - 11.03.2026)

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União Europeia: Aceleração de estratégia para SMRs

A Comissão Europeia apresentou um plano para acelerar o desenvolvimento e a implantação de Small Modular Reactors (SMRs) e Advanced Modular Reactors (AMRs) no continente, como parte da estratégia de transição energética. Segundo o órgão, os SMRs são reatores menores, concebidos para construção modular, com componentes produzidos em fábrica e transportados para instalação final, podendo operar em complemento às renováveis e fornecer eletricidade de baixo carbono e calor para aquecimento distrital e processos industriais. As projeções do Nuclear Illustrative Programme indicam que a capacidade total de SMRs na União Europeia poderá alcançar entre 17 GW e 53 GW até 2050. A estratégia busca viabilizar os primeiros projetos europeus no início da década de 2030, com coordenação entre países, indústria, reguladores e investidores. O plano também defende implantação em frota com desenhos padronizados, fortalecimento da cadeia de suprimentos, cooperação regulatória, criação de “SMR Valleys” e de uma coalizão de países interessados. O programa nuclear estima ainda €241 bilhões em investimentos até 2050 para atender aos planos nucleares europeus. (Brussel Times – 10.03.2026)

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União Europeia: Comissão lança estratégia para destravar capital privado na transição energética

A Comissão Europeia adotou a Clean Energy Investment Strategy (COM/2026/116) para acelerar a transição energética por meio da mobilização de investimento privado em escala. A entidade estima necessidade de €660 bilhões por ano até 2030 e de €695 bilhões anuais entre 2031 e 2040 para garantir uma economia abastecida por energia segura, acessível e limpa. A diretriz parte do princípio de que recursos públicos devem funcionar como catalisadores, reduzindo riscos, diluindo custos de financiamento e atraindo investidores institucionais. Nesse contexto, o Banco Europeu de Investimento pretende liberar mais de € 75 bilhões nos próximos três anos. Entre as quatro medidas centrais estão a ampliação do acesso de operadores de redes elétricas ao mercado de capitais, inclusive com um fundo de infraestrutura de até € 500 milhões em participação acionária, maior securitização de empréstimos, apoio público direcionado a tecnologias limpas inovadoras e eficiência energética, além da criação de um Conselho de Investimento para a Transição Energética ainda em 2026. (Review Energy – 11.03.2026)

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Nacional

Artigo de Jean Paul Prates e Darlan Santos: "Quando o ambiente de desinformação compromete o desenvolvimento regional"

Em artigo publicado pela Agência Eixos, Jean Paul Prates (chairman do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia) e Darlan Santos (presidente do Cerne) tratam da expansão da energia eólica no Nordeste, que se consolidou como principal polo do setor no Brasil, mas passou a enfrentar crescente contestação social ao longo dos últimos anos. Os autores mostram que, embora a capacidade instalada tenha crescido rapidamente e gerado investimentos, aumento do PIB municipal e renda local, a narrativa pública mudou: de inicialmente positiva, focada em desenvolvimento e empregos, passou a enfatizar conflitos ambientais, disputas fundiárias e acusações de “green grabbing”. Segundo a análise de notícias entre 2009 e 2025, o setor falhou em comunicar de forma eficaz seus benefícios e em dialogar com comunidades e instituições, criando um descompasso entre resultados econômicos e percepção social. Para os autores, é urgente que empresas e governos aprimorem a comunicação e o diálogo com a sociedade para evitar crises de imagem e garantir que a transição energética ocorra de forma socialmente justa. (GESEL-IE-UFRJ – 10.03.2026)

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Brasil e África do Sul: Cooperação em energia e minerais críticos

O governo brasileiro sinalizou apoio a uma proposta de cooperação industrial com a África do Sul voltada a energia, minerais críticos e integração de cadeias produtivas estratégicas. Em fórum empresarial realizado em Brasília, o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin afirmou que o pacote em discussão inclui financiamento e iniciativas para aproveitar as transições digital e energética, além de defender maior densidade no comércio bilateral e revisão do acordo de comércio preferencial entre Mercosul e União Aduaneira da África Austral. Segundo ele, menos de 10% das trocas hoje se beneficiam das preferências tarifárias, o que limita o potencial da relação. O fluxo comercial entre os dois países alcançou US$ 2,3 bilhões em 2025, com exportações brasileiras concentradas em carnes de aves, açúcares e veículos rodoviários, enquanto as importações são lideradas por prata, platina e outros minerais do grupo da platina. A iniciativa ganha relevância num contexto em que empresas brasileiras já operam na África do Sul e o Brasil busca ampliar sua presença em cadeias ligadas à transição energética global. (Agência Eixos – 09.03.2026)

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Brasil e Reino Unido: Cooperação para inovação na cadeia de minerais críticos

Brasil e Reino Unido avançaram na cooperação internacional voltada à inovação e ao desenvolvimento tecnológico na cadeia de minerais críticos e estratégicos, insumos considerados essenciais para a expansão de tecnologias de baixo carbono e para o avanço da transição energética global. A iniciativa ocorreu no âmbito de uma visita virtual de descoberta promovida pela Innovate UK, que reuniu representantes do governo brasileiro, incluindo o Ministério de Minas e Energia, além de instituições de pesquisa, universidades e empresas interessadas em identificar oportunidades de colaboração entre os dois países. O diálogo integra um programa internacional da agência britânica voltado à conexão de ecossistemas de inovação e à construção de parcerias tecnológicas globais. Entre os temas prioritários estão o processamento mineral avançado, o desenvolvimento de materiais estratégicos, a reciclagem de minerais utilizados em tecnologias energéticas e soluções baseadas em economia circular. As discussões também destacaram iniciativas brasileiras voltadas à ampliação do conhecimento geológico, ao estímulo à agregação de valor à produção mineral e ao incentivo à inovação tecnológica no setor, com o objetivo de fortalecer a participação do país nas cadeias globais de minerais estratégicos. (Cenário Energia - 11.03.2026)

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CNI: Indústria brasileira acelera descarbonização com renováveis e metas climáticas

A indústria brasileira intensifica a redução de emissões em meio ao avanço do mercado de créditos de carbono e ao maior uso de energia renovável, em um cenário fortalecido pela Lei nº 15.042/2024, que criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões. Segundo o BEN 2025, da EPE, o setor industrial utilizou 64,4% de energia renovável em 2024, com 22% do consumo total atendido por eletricidade, da qual 88,2% vieram de fontes renováveis. Pesquisa da CNI aponta que 48% das indústrias já investem em projetos ligados a renováveis, ante 34% em 2023, e pelo menos 25% veem essa energia como estratégia central para reduzir emissões. O texto reúne exemplos de Vale, Localiza, Unilever, Braskem, ZAMP e Allos, além de discutir Escopo 3 e instrumentos de gestão climática. Embora não detalhe armazenamento, a maior eletrificação industrial cria espaço para baterias e outras soluções de flexibilidade associadas à descarbonização. (Além da Energia – 12.03.2026)

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CNPE: Governo recoloca eólica offshore na agenda do conselho

O governo federal promete aprovar, na reunião do Conselho Nacional de Política Energética remarcada para 19 de março, as diretrizes para o primeiro leilão de áreas destinadas a projetos de eólicas offshore no Brasil, após três adiamentos desde dezembro. A sinalização foi dada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em audiência na Câmara dos Deputados, em um momento em que a regulamentação do setor se arrasta há mais de um ano, mesmo depois da sanção do marco legal em janeiro de 2025 e da criação, em outubro, do grupo de trabalho para estruturar as regras dos certames. O avanço regulatório é considerado decisivo porque já existem pedidos de licenciamento no Ibama que somavam 134,2 GW em fevereiro de 2026, com 5.725 km² de áreas sobrepostas, o equivalente a cerca de 16% do total pleiteado. Em paralelo, a crise do petróleo reacendeu a pressão de produtores e entidades do agro para elevar a mistura obrigatória de biodiesel de 15% para 17%, tema que tenta entrar na pauta do conselho. (Agência Eixos - 11.03.2026)

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Empresas adotam inovação e circularidade para reduzir emissões

Às vésperas da COP30, em Belém (PA), entre 10 e 21 de novembro, empresas brasileiras e multinacionais intensificam suas ações de sustentabilidade para demonstrar resultados concretos e responder à crescente demanda por responsabilidade ambiental. Pesquisas da Data-Makers, Ipsos e Kantar revelam que a maioria dos consumidores valoriza marcas com práticas ESG, mas ainda desconfia de iniciativas vistas como oportunistas, destacando a necessidade de mais transparência. Companhias como Ambev, Natura, Alpargatas, Nestlé, Vale, Renner e Allos apresentarão projetos voltados à conservação, agricultura regenerativa, economia circular e energia limpa durante o evento. As iniciativas incluem o espaço “Terra do Guaraná”, da Ambev, o estande imersivo da Natura e campanhas da Vale sobre bioeconomia. Especialistas ressaltam que a sustentabilidade deve estar no centro do modelo de negócios, e não apenas no discurso, para evitar o greenwashing e garantir credibilidade num cenário em que consumidores estão mais atentos à coerência e autenticidade das marcas. (Valor Econômico - 27.10.2025)

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EPE: Lançamento de base de dados sobre financiamento da transição energética e inovação no Brasil

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) promoveu no Rio de Janeiro um evento dedicado ao financiamento da transição e da inovação energética, marcando o lançamento da base de dados InvesTE, que reúne informações sobre financiamentos públicos e publicamente orientados no setor energético brasileiro entre 2015 e 2024. A iniciativa integra o caderno “Financiamento para a transição energética brasileira” e busca ampliar a disponibilidade de dados para formulação de políticas e decisões de investimento. Durante o encontro também foram apresentados dados atualizados da plataforma inova-e, que mapeia investimentos em pesquisa e inovação no setor. Segundo a EPE, os aportes em inovação energética alcançaram R$ 10,2 bilhões em 2024, maior valor da série histórica e 57% superior ao registrado em 2023, com destaque para recursos de origem pública. O evento reuniu representantes do mercado financeiro, do BNDES, da Aneel, da ANP e da Finep para discutir previsibilidade regulatória, coordenação institucional e mecanismos de financiamento capazes de acelerar a transição energética no país. (EPE – 11.03.2026)

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MME: Definição de regras para fórum que discutirá transição e resiliência energética

O Ministério de Minas e Energia publicou o regimento interno do Fórum Nacional de Transição Energética, o Fonte, criado em agosto de 2024 como instrumento para a elaboração do Plano Nacional de Transição Energética. Coordenado pela Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento, o colegiado terá a missão de ampliar o debate entre governo, setor produtivo e sociedade civil e de apoiar a formulação da Política Nacional de Transição Energética. O plenário contará com 87 membros e reuniões quadrimestrais. O fórum será estruturado em três câmaras temáticas: Segurança e Resiliência do Sistema Energético; Justiça Energética, Climática e Ambiental; e Energia Competitiva para uma Economia de Baixo Carbono. Embora a portaria não detalhe armazenamento, a inclusão da agenda de segurança e resiliência abre espaço institucional para discutir baterias e outras soluções de flexibilidade do sistema.(Agência Eixos – 13.03.2026)

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Senado Federal: Financiamento para renováveis e armazenamento no Nordeste

O governo federal solicitou ao Senado autorização para contratar crédito externo destinado à expansão da infraestrutura de energia renovável no Nordeste. O pedido, publicado no Diário Oficial da União, prevê que o Banco do Nordeste do Brasil firme um empréstimo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento com recursos do Climate Investment Funds e garantia da União. Os recursos financiarão o Programa de Integração de Energias Renováveis do Nordeste, iniciativa voltada à ampliação da participação de fontes limpas como solar e eólica na região. O programa inclui modernização de redes de transmissão e distribuição, linhas de crédito para empresas e investimentos em tecnologias de armazenamento de energia e redes inteligentes. A proposta busca ampliar a capacidade do sistema elétrico de integrar geração intermitente, com apoio de baterias, automação e sistemas digitais para gestão da rede.(Agência CanalEnergia – 11.03.2026)

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TTS Energia: Companhia vence disputa para construir usina solar em MG

A TTS Energia venceu o leilão para implantar uma usina fotovoltaica de 5 MW em Jequitibá, no interior de Minas Gerais, em contrato firmado com a Cemig SIM, subsidiária do Grupo Cemig voltada à geração distribuída por assinatura. O empreendimento prevê investimento de R$ 8,7 milhões e será composto por 10.864 módulos fotovoltaicos, com cronograma que inclui execução das obras, comissionamento e energização até outubro de 2026. Após a conclusão, a planta passará a integrar o portfólio da Cemig SIM e atenderá clientes por meio de energia solar contratada no modelo de assinatura, sem necessidade de obras ou aportes por parte dos consumidores finais. A iniciativa se insere no plano de expansão da subsidiária em Minas Gerais e ocorre em um contexto de redução dos custos de sistemas associados à energia solar, especialmente no armazenamento, impulsionada pela queda internacional dos preços das baterias de íon-lítio, segundo a companhia. O projeto reforça a estratégia da Cemig de ampliar presença em soluções descentralizadas e de menor barreira de entrada para o usuário. (Folha de São Paulo – 10.03.2026)

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Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais

ABVE: Brasil pode vender quase 300 mil VEs em 2026

O mercado brasileiro de veículos eletrificados iniciou 2026 em forte expansão e pode alcançar um novo recorde anual. A projeção da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) indica mais de 280 mil emplacamentos ao longo do ano, embora o desempenho dos primeiros meses sugira a possibilidade de o total se aproximar de 300 mil unidades. Em fevereiro, foram registrados 24.885 veículos eletrificados leves, volume 92% superior ao do mesmo mês de 2025 e cerca de 5% acima de janeiro. Com isso, os eletrificados passaram a representar 14% das vendas de veículos leves no país, praticamente o dobro da participação observada um ano antes. No acumulado do primeiro bimestre, foram comercializadas 48.591 unidades, quase o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior, reforçando a expectativa de 2026 como o melhor ano da eletromobilidade no Brasil. Entre as tecnologias disponíveis, os veículos totalmente elétricos (BEV) e os híbridos flex não plug-in (HEV flex) lideraram o crescimento recente. O avanço do mercado também tem sido impulsionado por incentivos fiscais estaduais, que ampliam a competitividade desses modelos, além da ampliação da oferta de veículos, com novos lançamentos e maior presença de montadoras chinesas e de fabricantes tradicionais que aceleram a adoção de tecnologias híbridas. (Inside EVs - 09.03.2026)

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ANEEL: Agência sinaliza flexibilização regulatória para acelerar infraestrutura de eletromobilidade

A ANEEL indicou que a flexibilização das normas de conexão e o uso de inteligência de dados serão prioridades regulatórias para facilitar a integração da mobilidade elétrica ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O objetivo é ampliar a infraestrutura de recarga de veículos elétricos sem comprometer a segurança operacional das redes de distribuição, diante do desafio de gerenciar picos de demanda associados ao crescimento da eletromobilidade. Entre as medidas em análise estão a adoção de tarifas horárias ou precificação dinâmica, para desestimular recargas simultâneas em horários de ponta e incentivar o uso da rede em períodos de menor carga. A agência também aponta a necessidade de reduzir a assimetria de informação entre investidores e distribuidoras, por meio da digitalização e da abertura de dados técnicos sobre a rede elétrica, incluindo a criação de mapas de disponibilidade de capacidade, a fim de orientar melhor a instalação de novos pontos de recarga rápida. (Cenário Energia - 10.03.2026)

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Artigo de Rica Legname: “O modelo de negócios dos CPOs no Brasil: da infraestrutura à economia da recarga”

Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Rica Legname (sócio-fundador da Spott) trata do papel estratégico dos operadores de pontos de recarga (CPOs) para a expansão da mobilidade elétrica no Brasil, destacando que o sucesso da eletromobilidade depende menos apenas da venda de energia e mais da construção de modelos de negócios sustentáveis e baseados em tecnologia. O autor argumenta que, em um mercado ainda em formação e com infraestrutura insuficiente diante do crescimento da frota de veículos elétricos, os CPOs precisam transformar os carregadores em plataformas de serviços digitais capazes de operar, monitorar e monetizar redes de recarga de forma eficiente. Nesse contexto, sistemas de gestão, análise de dados, integração com pagamentos e estratégias inteligentes de precificação tornam-se essenciais para melhorar a experiência do usuário e garantir rentabilidade. Além disso, desafios regulatórios e operacionais ligados à conexão com o sistema elétrico exigem soluções padronizadas e redes interoperáveis, indicando que o futuro do setor dependerá da capacidade de operar infraestrutura de recarga como um serviço tecnológico e escalável. (GESEL-IE-UFRJ – 09.03.2026)

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Brasil: São Paulo amplia frota elétrica com mais 110 ônibus urbanos

A cidade de São Paulo incorporou 110 novos ônibus elétricos ao sistema de transporte público, elevando para 1.259 o total de veículos de baixa emissão em operação e consolidando a maior frota eletrificada do país, responsável por mais de 80% desse tipo de transporte no Brasil. Segundo a prefeitura, a nova etapa da transição permitirá evitar o consumo anual de 4,2 milhões de litros de diesel e reduzir cerca de 9,5 mil toneladas de emissões de CO₂. No total da frota elétrica da capital, a substituição de veículos convencionais representa economia de 47,6 milhões de litros de diesel por ano e redução de 109,5 mil toneladas de CO₂. O programa conta com financiamento do BNDES, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil e inclui modelos articulados de até 23 metros com sistemas de baterias para armazenamento e propulsão elétrica.(Agência Eixos – 11.03.2026)

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Braskem: Ações de eficiência energética evitam a emissão de mais de 1,3 milhão de toneladas de CO₂e

A Braskem evitou a emissão de mais de 1,3 milhão de toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e) por meio de iniciativas de eficiência energética implementadas em suas operações, dentro do Programa de Descarbonização Industrial, que busca reduzir em 15% as emissões dos Escopos 1 e 2 até 2030. As ações incluem digitalização e uso de tecnologias como inteligência artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT) para otimizar processos industriais, eletrificação de equipamentos e melhorias operacionais em unidades como o Polo de Camaçari, que geraram economia de combustível e redução de perdas de água. (BA de Valor - 12.03.2026)

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Editorial Euronews: “Alta do gás reforça atratividade dos VEs como alternativa de economia”

Em editorial, a Euronews articula que a escalada dos preços dos combustíveis, intensificada pela guerra no Irã, está ampliando o interesse por veículos elétricos (VEs) ao tornar mais evidente a diferença de exposição entre motoristas dependentes de gasolina e usuários que recarregam seus carros na rede elétrica. Segundo a Euronews, o litro da gasolina na União Europeia alcançou média de €1,77 na semana de 13 de março de 2026, ante €1,59 em dezembro de 2025, alta de quase 10% em 12 semanas, enquanto nos Estados Unidos o galão da gasolina regular subiu de US$ 2,94 para US$ 3,57 em um mês, conforme a AAA. Especialistas afirmam que tarifas residenciais de eletricidade tendem a ser menos voláteis, sobretudo onde os preços são regulados, embora o impacto varie conforme a matriz elétrica local e a participação de gás natural, carvão, nuclear e renováveis. Dados da Edmunds mostram que o interesse por híbridos, híbridos plug-in e elétricos a bateria respondeu por 22,4% das pesquisas de veículos na semana de 2 de março, ante 20,7% na semana anterior. Destaca-se que analistas avaliam que, se os preços elevados persistirem, a tendência pode favorecer vendas de VEs e reforçar a pressão por eletrificação e expansão de energia limpa. (Euronews - 13.03.2026)

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Inmetro: Orientações sobre ações de eficiência energética

O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) divulgou orientações para incentivar o uso mais eficiente da energia e ajudar consumidores a reduzir o valor da conta de luz e o impacto ambiental. Entre as recomendações estão priorizar eletrodomésticos com melhor classificação na Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE), evitar deixar aparelhos em modo stand-by, utilizar o ar-condicionado de forma adequada, com temperatura em torno de 23 °C e manutenção periódica, usar a geladeira de maneira eficiente e aproveitar ao máximo a iluminação natural. Segundo o órgão, pequenas mudanças de hábitos e escolhas mais conscientes no consumo podem diminuir desperdícios de energia, reduzir custos e contribuir para a sustentabilidade. (INMETRO - 06.03.2026)

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União Europeia: Preço médio de VEs cai €1.800 com avanço de modelos mais acessíveis

O preço médio dos veículos elétricos (VEs) na União Europeia caiu €1.800 em 2025, recuando 4% para €42.700, na primeira redução desde 2020, impulsionada pelo lançamento de modelos mais baratos para atender às metas europeias de CO2 no setor automotivo, segundo análise da Transport & Environment (T&E). O movimento foi puxado principalmente pelo segmento B, no qual o preço médio caiu 13% com a chegada de veículos como Citroën ë-C3 e Renault 5. O estudo afirma que, entre 2020 e 2024, o preço médio dos elétricos havia subido €5.000, apesar da queda no custo de baterias e componentes, porque metas climáticas mais fracas permitiram foco em modelos maiores e mais rentáveis. A T&E sustenta que metade do mercado já cumpriu antecipadamente as metas de emissões para 2025-2027, e projeta paridade de preços entre elétricos e carros a combustão em todos os segmentos até 2030, desde que a meta europeia não seja flexibilizada. Caso o alvo de 2030 seja enfraquecido, o preço médio poderá ficar €2.300 mais alto e a participação dos elétricos cair de 57% para 47%, ou até 32% em cenário ainda mais brando. (Transport & Environment - 12.03.2026)

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BYD: Construção de centro de testes com foco em baterias no RJ

A BYD anunciou investimento de R$ 300 milhões para construir no complexo do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, um Centro de Testes e Avaliação Automotiva de 183.861 m², que será uma das principais estruturas da companhia fora da China. O espaço funcionará como base regional de engenharia para adaptação de veículos elétricos ao clima tropical e às condições viárias do Brasil e da América Latina, com pistas de alta velocidade, áreas de durabilidade e trechos off-road. Um dos eixos centrais será a geração de dados técnicos em ambientes tropicais para calibrar baterias, gerenciamento térmico e desempenho veicular, reforçando o papel do país na estratégia da empresa para tecnologias de armazenamento embarcado. As obras começam no fim de 2026 e a inauguração está prevista para 2028.(Inside EVs – 14.03.2026)

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Chevrolet: Autorização para recarga rápida gratuita em rodovia de SP

A Chevrolet iniciou uma ação promocional para incentivar viagens rodoviárias com veículos elétricos no Brasil, oferecendo recarga gratuita até 24 de maio em um carregador rápido instalado na unidade Frango Assado da Rodovia Carvalho Pinto, em São Paulo. O ponto disponibiliza potência de até 150 kW e poderá ser usado por proprietários de automóveis 100% elétricos de qualquer marca, desde que realizem cadastro no aplicativo myChevrolet Charging. Durante a campanha, os usuários também recebem voucher para consumo no restaurante, numa estratégia que associa o tempo de recarga a uma experiência de parada mais conveniente. A iniciativa reforça a expansão da infraestrutura pública para atendimento de veículos com armazenamento embarcado em baterias e integra a estratégia da GM de ampliar a confiança do consumidor na mobilidade elétrica. No Brasil, a marca já vende Blazer EV, Equinox EV, Spark EUV e Captiva EV.(Inside EVs – 12.03.2026)

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Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis

ABiogás: Regulamentação de certificados de biometano reforça segurança jurídica

A publicação das resoluções 995 e 996 pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que regulamentam os Certificados de Garantia de Origem do Biometano (CGOB) previstos na Lei do Combustível do Futuro, foi avaliada pela Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás) como um avanço institucional para o setor. Segundo a entidade, as normas consolidam o arcabouço jurídico formado pela lei aprovada em 2024 e pelo decreto regulamentador publicado em 2025, estabelecendo maior segurança regulatória para novos investimentos. A regulamentação permite a separação entre a molécula física do biometano e seu atributo ambiental, representado pelo certificado, possibilitando a participação de diferentes agentes no mercado. Dessa forma, empresas poderão adquirir o biometano como combustível ou apenas o certificado para fins de descarbonização e inventários de emissões. A partir de 1º de janeiro de 2026, notas fiscais de comercialização de biometano poderão gerar CGOB, com possibilidade de retroatividade para volumes comercializados desde essa data quando os sistemas estiverem operacionais. (Brasil Energia – 11.03.2026)

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Alemanha: PEM desenvolverá cadeia de valor digitalizada de H2 para o setor de mineração

A Cátedra de Engenharia de Produção de Componentes de E-Mobilidade (PEM) da RWTH Aachen, especializada em digitalização, lançou com parceiros o projeto de pesquisa DigHy, que mira o desenvolvimento uma infraestrutura de hidrogênio digitalizada, escalável e sustentável especificamente para o setor de mineração. A iniciativa é financiada pelo Ministério Federal Alemão de Pesquisa, Tecnologia e Espaço, e tem duração prevista de três anos. O projeto visa abastecer veículos pesados de mina com energia livre de carbono por meio de hidrogênio produzido por eletrólise alimentada por energia renovável. É prevista a utilização de gêmeos digitais e IA para otimizar operação, eficiência e custos, buscando um sistema robusto e adaptativo validado em operação real. A solução será comparada com alternativas de descarbonização como baterias, linhas aéreas com pantógrafo e IPCC (In-Pit Crushing and Conveying) em eficiência energética, custo e redução de emissões. Participam da investida o Fraunhofer Institute for Machine Tools and Forming Technology e a N+P Informationssysteme, com Nivelsteiner Sandwerke und Sandsteinbrüche e HYDAC International como parceiros associados. (Hydrogen Central - 04.03.2026)

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AliançaBiodiesel: Produtores pressionam por testes para elevar mistura de biodiesel

Produtores de biodiesel cobraram do governo federal o início imediato dos testes necessários para validar misturas superiores a 15% no diesel, em resposta à decisão do Ministério de Minas e Energia de não autorizar, por ora, o avanço da mistura. Em nota, a AliançaBiodiesel, formada por Aprobio e Abiove, afirmou que o setor tem capacidade instalada para atender mistura de até 21,6% e defende a adoção de B16 ainda em 2026. A demanda ganhou força após o governo descartar aumento imediato sem a realização de ensaios com B20 e B25, mesmo diante da crise internacional do petróleo. A Lei do Combustível do Futuro estabeleceu a expectativa de avanço anual de 1 ponto percentual até B20 em 2030, mas a mudança depende de deliberação do CNPE e de validação técnica nos motores. O setor afirma que o processo já está atrasado e se dispõe inclusive a ajudar a financiar a testagem para acelerar a ampliação do mandato de biodiesel. (Agência Eixos - 12.03.2026)

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ANP: Certificação de origem do biometano deve impulsionar investimentos

A regulamentação da certificação de origem do biometano pela ANP, com criação do Certificado de Garantia de Origem do Biometano, é vista por agentes do setor como passo decisivo para ampliar investimentos e fortalecer o mercado. O documento rastreável comprova o volume produzido e comercializado do gás renovável e evidencia a redução ou neutralização de emissões associadas. Segundo representantes da ABiogás, os primeiros certificados devem ser emitidos entre maio e junho após ajustes operacionais. O CGOB poderá coexistir com os créditos de descarbonização CBios, permitindo que produtores emitam ambos sem dupla contagem. A certificação terá funções regulatórias e de mercado voluntário, ampliando oportunidades de monetização ambiental. Especialistas apontam que a governança definida pela ANP, incluindo agentes certificadores e plataforma de registro das transações, reduz riscos de erros ou dupla contagem e reforça a credibilidade do mecanismo.(Agência CanalEnergia – 09.03.2026)

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Brasil: Frente Parlamentar da Agropecuária pressiona governo por aumento da mistura de biodiesel para 17%

A Frente Parlamentar da Agropecuária e 43 entidades do agronegócio e da agroindústria entregaram ao governo federal carta aberta pedindo a elevação imediata da mistura obrigatória de biodiesel no diesel para 17%, acima dos atuais 15%. O pleito ocorre em meio à volatilidade do mercado internacional de petróleo e à escalada de tensões geopolíticas no Oriente Médio, que pressionam os preços do combustível fóssil. As entidades argumentam que o aumento da participação do biocombustível ajudaria a reduzir a dependência externa, ampliar a oferta doméstica e estabilizar custos logísticos, especialmente durante o escoamento da safra agrícola. Segundo o documento, a indústria nacional possui capacidade instalada e disponibilidade de matéria-prima para atender a nova demanda, enquanto estudos técnicos para mandatos mais elevados, que podem chegar a B25, ainda não foram iniciados.(Agência Eixos – 11.03.2026)

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Brasil: Governo adia avanço do biodiesel e mantém incerteza sobre B16 e B17

O governo federal descartou antecipar a mistura obrigatória de biodiesel no diesel para 17%, alegando necessidade de estudos técnicos e avaliação da oferta doméstica antes de qualquer decisão. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que eventuais aumentos precisam ocorrer com transparência, participação da Anfavea e das universidades e sem prejuízos ao consumidor. A Lei do Combustível do Futuro previa a elevação de 15% para 16% a partir de 1º de março, mas a medida ainda depende de deliberação do Conselho Nacional de Política Energética, cuja reunião está marcada para 19 de março. Segundo o governo, os estudos para o B17 sequer começaram, e a oferta do biocombustível ainda precisa crescer para evitar pressão de preços. A matéria não aborda armazenamento, mas trata de política de combustíveis e segurança de suprimento em meio à volatilidade do mercado internacional de petróleo.(Agência Eixos – 12.03.2026)

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Engemon Energy: Instalação de sistema BESS de 16 MWh em SP

Uma multinacional brasileira do setor de proteína animal adquiriu um sistema de armazenamento de energia em baterias com investimento aproximado de R$ 30 milhões para instalação no interior de São Paulo. O projeto, executado pela Engemon Energy em parceria com a Matrix Energia, terá capacidade de 16 MWh e potência de 8 MW, sendo composto por oito contêineres de baterias de 2 MWh cada conectados em média tensão. O empreendimento é considerado um dos maiores sistemas BESS destinados a consumidores industriais na América Latina. A solução busca reduzir custos energéticos, aumentar previsibilidade operacional e reforçar a segurança de abastecimento, além de apoiar metas corporativas de eficiência e resiliência energética. Com esse projeto, a Engemon alcançará cerca de 79 MWh de capacidade instalada em armazenamento no Brasil e afirma desenvolver mais de 80 MWh adicionais em projetos executivos.(Agência CanalEnergia – 09.03.2026)

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GESEL realiza seminário “O Futuro do Hidrogênio de Baixo Carbono no Brasil”

No dia 19 de março, das 9h às 16h30, no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, o GESEL realizará o seminário “O Futuro do Hidrogênio de Baixo Carbono no Brasil”, dedicado ao papel do hidrogênio de baixo carbono como um dos vetores mais promissores e consistentes da transição energética no Brasil e no mundo. O encontro marca o encerramento do projeto de P&D “Pecém H2”, desenvolvido no âmbito do Programa de P&D da ANEEL, com financiamento da EDP Brasil, que resultou na construção da primeira planta de hidrogênio verde no contexto da transição energética no país, além do lançamento do livro “Um caminho para o Mercado de Hidrogênio de Baixo Carbono no Brasil”. O evento contará com a participação de representantes do MME, ANEEL, BNDES e EPE, além de executivos da EDP e da Energia Pecém, bem como pesquisadores da USP e da PUC, sob moderação da ABIHV. Mais informações e inscrições aqui: https://forms.gle/kkqsFk24GUDj5ezC9 (GESEL-UFRJ – 24.02.2026)

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Japão-Nova Zelândia: Consórcio lança corredor internacional de H2

Um consórcio formado por grandes empresas japonesas e neozelandesas lançou uma iniciativa para desenvolver um corredor internacional de hidrogênio voltado à produção na Nova Zelândia e exportação para o Japão. Participam do projeto empresas como Mitsui OSK Lines, Obayashi, Kawasaki Heavy Industries e Chiyoda, que irão conduzir estudos de viabilidade a partir do ano fiscal de 2026. A iniciativa pretende explorar o potencial da Nova Zelândia para produzir hidrogênio verde a partir de fontes renováveis abundantes, como energia hidrelétrica e geotérmica, e exportá-lo para o Japão, país que possui baixa autossuficiência energética e busca diversificar sua matriz com combustíveis de baixo carbono. O estudo avaliará toda a cadeia logística do hidrogênio, incluindo produção, liquefação ou conversão em vetores energéticos, infraestrutura portuária e transporte marítimo. O objetivo é permitir importações comerciais no início da década de 2030. (Hydrogen Central - 05.03.2026)

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PSR: Etanol é alternativa viável para descarbonizar a cabotagem

Um novo estudo da consultoria PSR indica que o Brasil reúne condições favoráveis para usar etanol como instrumento de descarbonização da navegação de cabotagem, combinando oferta em escala, amadurecimento tecnológico de motores e pressão regulatória internacional crescente. Publicado no Energy Report, o trabalho ressalta que o transporte aquaviário já emite 5,3 vezes menos CO2 por tonelada-quilômetro que o rodoviário e, embora represente cerca de 12% da matriz de transportes, responde por apenas 3% das emissões do setor no país. A análise destaca que o etanol possui intensidade de carbono de cerca de 20 gCO2eq/MJ, inferior à do VLSFO, do biodiesel e do GNL, além de custo mais baixo que amônia e metanol verde. A PSR também observa que a eletrificação automotiva pode reduzir a demanda doméstica pelo biocombustível, enquanto a expansão do milho de segunda safra aumenta a oferta, tornando a cabotagem um mercado estratégico para absorver excedentes. (Brasil Energia – 13.03.2026)

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Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização

Artigo de Ben Payton: “Como a queda nos custos das baterias está impulsionando a corrida pela energia solar ininterrupta”

Em artigo publicado pela Agência Reuters, Ben Payton (jornalista especializado em investimento responsável, recursos naturais e transição energética) expõe como a queda acelerada dos custos das baterias está permitindo novos modelos de geração solar capazes de fornecer eletricidade de forma contínua, reduzindo um dos principais desafios das energias renováveis: a intermitência. Estudos do think tank Ember indicam que os custos de baterias caíram cerca de 20% ao ano na última década. Segundo a IRENA, esse fator somado a melhorias tecnológicas impulsionou o crescimento acelerado do armazenamento em baterias. Em 2024, a nova capacidade instalada globalmente somou cerca de 180 GWh, quase o dobro do ano anterior. O autor aponta que essa expansão está ajudando a resolver problemas operacionais dos sistemas elétricos, como o corte (curtailment) de energia renovável. Além disso, permite a emergência de novos modelos de negócios, como sistemas de “solar despachável”. O artigo conclui que a queda nos custos do armazenamento, ao viabilizarl a expansão da energia solar com fornecimento mais estável, fortalece o papel das renováveis na matriz elétrica global. Especialistas ressaltam, todavia, que sistemas energéticos totalmente baseados em solar e baterias ainda não são economicamente eficientes em todos os contextos, sendo mais realista priorizar a ampliação da participação renovável antes de buscar sistemas totalmente renováveis. (Reuters - 10.03.2026)

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Artigo de Luciana Maciel, Patricia Dias e Eduardo Pinho: "Data centers avançam e revelam gargalos críticos da infraestrutura brasileira"

Em artigo publicado pela Agência Eixos, Luciana Maciel, Patricia Mendanha Dias e Eduardo Borges Pinho (sócios do Bichara Advogados) tratam do potencial do Brasil para se consolidar como polo global de data centers, impulsionado por sua matriz elétrica majoritariamente renovável e pela crescente demanda por infraestrutura digital. Os autores destacam, contudo, que o avanço do setor depende de soluções para garantir energia firme e estável, como sistemas de armazenamento em baterias (BESS), reforços na transmissão e fontes complementares como gás natural e biometano, além da superação de entraves regulatórios, tributários e ambientais. Embora iniciativas como a Lei 15.269/2025, investimentos em transmissão e a discussão sobre incentivos fiscais para data centers indiquem avanços, incertezas regulatórias e tributárias ainda afetam a viabilidade de projetos; ainda assim, o país reúne condições favoráveis para liderar a próxima geração de data centers sustentáveis, desde que haja coordenação entre governo e iniciativa privada para destravar gargalos estruturais. (Agência eixos – 11.03.2026)

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Brasil: Governo instala grupo para avaliar SMRs

O governo federal nomeou os integrantes do grupo técnico que estudará a infraestrutura nacional necessária para recepcionar pequenos reatores nucleares modulares, incluindo SMRs e microrreatores. Coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, o colegiado reúne representantes dos ministérios de Ciência, Tecnologia e Inovação; Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; e Meio Ambiente, além de Amazul, Marinha, ANSN, CNEN, Eletronuclear, ENBPar, EPE, Ibama e INB. Os trabalhos terão duração de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 90, e resultarão em documento técnico sobre desafios e oportunidades para a infraestrutura brasileira voltada a reatores de potência. A reportagem informa que esses equipamentos têm até 300 MW de capacidade e ainda não operam no país. Embora não trate de armazenamento, a iniciativa se relaciona à busca por fontes firmes e complementares à expansão de renováveis intermitentes.(Agência Eixos – 13.03.2026)

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Equatorial: Uso de IA para combater perdas energéticas

O Grupo Equatorial está ampliando o uso de tecnologias digitais para combater perdas comerciais de energia elétrica por meio do Projeto Rally, solução baseada em inteligência artificial e visão computacional que digitaliza e integra processos de fiscalização. A iniciativa faz parte da estratégia de inovação da companhia, que reúne mais de 40 projetos voltados à transformação digital e à eficiência operacional, com investimentos estimados em cerca de R$ 400 milhões. O sistema já está em operação desde 2025 nas distribuidoras do Amapá e de Alagoas e começou a ser implementado neste ano nas concessões do Maranhão e do Pará. A solução busca modernizar a identificação de perdas não técnicas — como fraudes, ligações clandestinas e irregularidades de medição —, que representam um dos principais desafios das distribuidoras brasileiras. O projeto permite que equipes de campo realizem inspeções com tablets conectados ao sistema central, que valida automaticamente os dados coletados e analisa imagens por meio de visão computacional, garantindo maior padronização das evidências. A plataforma também automatiza etapas regulatórias, como o cálculo do Consumo Não Registrado (CNR) e a emissão de documentos técnicos, contribuindo para maior eficiência operacional e confiabilidade nos processos de fiscalização. (Cenário Energia - 09.03.2026)

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PSR: Debate regulatório pode redefinir expansão da GD no Brasil

A Procuradoria Federal junto à Aneel emitiu parecer jurídico indicando que usinas de micro e minigeração distribuída (MMGD) podem sofrer cortes físicos de geração por razões operativas para garantir a segurança do Sistema Interligado Nacional, mas não podem ser submetidas a cortes contábeis que reduzam os créditos de energia injetada na rede sem alteração legislativa. O entendimento foi solicitado pela diretora Agnes da Costa no contexto da Consulta Pública 045/2019, que trata do curtailment e do rateio de impactos entre geradores. Segundo análise da consultoria PSR Energy, a interpretação jurídica ultrapassa o debate imediato e tende a influenciar outras frentes regulatórias relevantes na Aneel em 2026, como a Tomada de Subsídios nº 23/2025, sobre a valoração dos custos e benefícios da geração distribuída, a Consulta Pública nº 46/2025, que discute a migração automática para a tarifa branca, e a Consulta Pública nº 01/2026, voltada à medição inteligente. O tema chegou a ser pautado na reunião da diretoria da agência em 24 de fevereiro, mas foi retirado da agenda diante da sensibilidade técnica e regulatória envolvida. (Broadcast Energia – 09.03.2026)

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Impactos Socioeconômicos

Artigo de Angela Tritto: “Novas narrativas sobre a transição energética, antigos custos de extração”

Angela Tritto (membro honorário do Departamento de Estudos Sociais e Políticos Europeus e Internacionais da University College London) argumenta que a competição geopolítica e o nacionalismo de recursos estão redefinindo a governança e a exploração de minerais críticos essenciais à transição energética, frequentemente reproduzindo impactos sociais e ambientais associados ao modelo extrativista tradicional. A autora destaca que, durante a COP30, discussões sobre os impactos socioambientais da mineração de minerais críticos enfrentaram disputas políticas, evidenciando como a governança do setor é influenciada por narrativas estratégicas, desinformação e greenwashing. A China, por exemplo, segundo a autora, utiliza uma estratégia comunicacional dual: em mídia internacional apresenta-se como parceiro cooperativo da transição verde, enquanto no discurso doméstico adota tom mais nacionalista. O texto aponta que diversos países estão adotando políticas de nacionalismo de recursos e restrições comerciais para capturar maior valor das cadeias minerais. A esse respeito, são listados casos como o da Indonésia, cuja proibição de exportação de minerais brutos em 2014 impulsionou sua liderança na produção global de níquel, e o crescente interesse pela mineração em águas profundas, apesar da oposição. O artigo conclui que, embora os minerais críticos sejam centrais para a descarbonização, a expansão de sua extração pode reproduzir desigualdades sociais, degradação ambiental e conflitos geopolíticos. Diante disso, o texto sugere que a transição energética também pode avançar por estratégias não extrativas, como eficiência material, reciclagem, economia circular e novas tecnologias de baterias, questionando a premissa de que o aumento contínuo da mineração seja inevitável para alcançar os objetivos climáticos. (East Asia Forum – 10.03.2026)

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Artigo de Bruno Barcella: “A ‘transição energética’ nas mãos dos rentistas”

Em artigo publicado pelo Outras Palavras, Bruno Barcella (Doutor em Geografia e pesquisador de pós-doutorado na Universidade Federal do ABC [UFABC]) argumenta que a transição energética no Brasil tem sido estruturada sob forte lógica de financeirização, na qual políticas climáticas e ambientais passam a ser organizadas como oportunidades de investimento para o mercado financeiro. Partindo da análise da pesquisadora Isadora Cruxên, o artigo sustenta que instrumentos associados à chamada economia verde, como debêntures incentivadas e mecanismos de financiamento sustentável, transformam políticas públicas e infraestrutura em ativos rentáveis de longo prazo. Nesse contexto, o Plano de Transformação Ecológica busca mobilizar principalmente capital privado para financiar a descarbonização, preservando o arcabouço fiscal e limitando o uso de recursos públicos. O autor aponta que esse modelo consolidou um circuito financeiro no qual empresas emitem debêntures incentivadas, fundos de infraestrutura (FI-Infra) adquirem esses títulos e investidores recebem rendimentos com isenção de imposto de renda. Entre 2018 e 2025, as emissões de títulos ligadas à geração eólica e solar cresceram rapidamente, acumulando cerca de R$ 202,29 bilhões, com prazo médio de 14,6 anos. Em 2025, fundos FI-Infra registraram rentabilidade média de 13,11% ao ano, evidenciando a transformação da expansão das renováveis em um mercado financeiro consolidado. O artigo conclui que, embora a transição energética seja necessária diante da crise climática, o modelo baseado na financeirização da infraestrutura pode reproduzir desigualdades históricas e processos de apropriação territorial. Assim, permanece em disputa não a necessidade da transição, mas quem se beneficia economicamente e quais impactos sociais e territoriais ela produz. (Outras Palavras – 10.03.2026)

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Artigo de Jonathan Bruegel: “A Estratégia de Investimento em Energia Limpa da UE subestima os obstáculos que dificultam a implantação de energias renováveis”

Em artigo publicado pelo Instituto de Economia Energética e Análise Financeira (IEEFA), Jonathan Bruegel (analista do setor de energia elétrica na equipe europeia do IEEFA) argumenta que a EU Clean Energy Investment Strategy, lançada pela Comissão Europeia, reconhece corretamente o volume de investimentos necessário para a transição energética — estimado entre €660 bilhões e €695 bilhões por ano—, mas subestima barreiras estruturais que dificultam a expansão das energias renováveis. A estratégia aposta principalmente em mecanismos financeiros para mobilizar capital privado, baseando-se em quatro eixos: maior previsibilidade para investimentos, ampliação do acesso aos mercados de capitais, uso de recursos públicos para reduzir riscos e maior diálogo com investidores. No entanto, segundo análise do IEEFA, o plano assume de forma excessivamente otimista que melhorias na transparência regulatória e no planejamento energético levarão automaticamente à aceleração da implantação de projetos. O texto também aponta limitações importantes na abordagem europeia. Entre os principais obstáculos pouco enfrentados estão atrasos em licenças, disputas judiciais, fragilidades nas cadeias de suprimento e escassez de mão de obra qualificada. O artigo conclui que a estratégia europeia identifica corretamente a dimensão do desafio financeiro, mas tende a superestimar o papel da engenharia financeira e a subestimar obstáculos institucionais, tecnológicos e regulatórios. O autor frisa que o sucesso da transição dependerá menos de novos instrumentos financeiros e mais da capacidade de acelerar a implantação de renováveis, redes elétricas, armazenamento e bombas de calor em toda a UE. (IEEFA – 11.03.2026)

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Artigo de Zimasa Vazi: “Construindo um futuro sustentável: A importância da igualdade de gênero na transição energética”

Em artigo publicado no Business Report, Zimasa Vazi (Gerente Sênior de Relações com Stakeholders da Comissão Presidencial do Clima) argumenta que a transição energética para uma economia de baixo carbono deve incorporar igualdade de gênero como elemento central para uma transição justa, especialmente em países com desigualdades estruturais como a África do Sul. O debate ocorre em paralelo a agendas internacionais voltadas à igualdade de gênero, como o Dia Internacional da Mulher de 2026 e a 70ª sessão da Comissão da ONU sobre o Status das Mulheres (UNCSW). O argumento central é que a transição energética transformará profundamente sistemas energéticos, mercados de trabalho e fluxos de investimento, e que, sem políticas inclusivas, existe o risco de reproduzir desigualdades históricas. A autora destaca que mulheres podem desempenhar papéis fundamentais na economia verde, não apenas como trabalhadoras, mas como empreendedoras, líderes e inovadoras em cadeias de valor ligadas às energias renováveis, infraestrutura de rede, armazenamento, serviços financeiros e gestão ambiental. O fortalecimento dessa participação, entretanto, exige financiamento direcionado, instrumentos de blended finance e programas de apoio a empreendedoras liderados por instituições de financiamento ao desenvolvimento. Além do setor energético, oportunidades surgem em áreas como agricultura inteligente para o clima, economia circular e gestão de resíduos, setores intensivos em trabalho e com potencial para negócios liderados por mulheres. O artigo conclui que a igualdade de gênero deve ser tratada como requisito estrutural de investimento na transição energética, pois ampliar a participação feminina na economia verde não apenas promove justiça social, mas também fortalece o desenvolvimento econômico inclusivo e a resiliência das comunidades no processo de descarbonização. (Business Report – 11.03.2026)

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EUA: Instalações solares recuam em 2025 após eliminação de subsídios

O mercado solar dos Estados Unidos adicionou 43 GW de nova capacidade em 2025, abaixo dos quase 50 GW registrados em 2024, refletindo a perda de fôlego do setor após mudanças promovidas pelo governo Donald Trump, segundo estudo da SEIA e da Wood Mackenzie. O relatório aponta que o pacote One Big Beautiful Bill Act desorganizou o ambiente de negócios ao eliminar subsídios e incentivos fiscais para desenvolvedores de renováveis, contribuindo para queda de 16% na geração solar “utility-scale” e de 25% no segmento de “community” solar. O setor também enfrenta pressão tarifária e congelamento de aprovações para grandes projetos, em linha com uma política energética mais voltada a petróleo, gás, carvão e nuclear. Ainda assim, solar e armazenamento responderam por 79% da nova capacidade adicionada no primeiro ano da atual administração, com mais de dois terços das instalações em estados vencidos por Trump. O Texas liderou com 11 GW, seguido por Indiana, Flórida, Arizona, Ohio, Utah e Arkansas, enquanto a projeção para 2036 indica 490 GW adicionais e capacidade acumulada próxima de 770 GW. (Reuters - 10.03.2026)

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União Europeia: Comissão deve flexibilizar regras de autorização de gás para preservar abastecimento

A Comissão Europeia deverá orientar os governos do bloco a adotar maior flexibilidade na aplicação das regras de importação de gás, em movimento destinado a evitar que a eliminação gradual do gás russo comprometa a segurança do suprimento europeu. Segundo diplomatas, a diretriz não altera a estratégia de phase-out do gás da Rússia, mas busca impedir que exigências de “autorização prévia” atrasem entregas em um momento de vulnerabilidade do mercado, agravado pela crise no Irã e pelo risco de desvio de cargas globais de gás natural liquefeito (GNL). As normas exigem que remessas de gás por gasoduto ou GNL de determinados países não russos comprovem a origem da molécula cinco dias antes da chegada à União Europeia. O principal beneficiado seria o Azerbaijão, responsável por 4% das importações de gás da UE no ano passado, com fornecimento via Corredor Sul do Gás para países como Itália e Grécia. A medida também pode ampliar a capacidade europeia de buscar novos fornecedores de GNL em um mercado internacional mais pressionado. (Reuters - 12.03.2026)

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