Transição Energética 107
Dinâmica Internacional
Artigo GESEL: "Experiências Internacionais dos Sistemas de Armazenamento de Energia Hidráulico"
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Roberto Brandão (diretor técnico-científico do GESEL/UFRJ), Ana Carolina Chaves (pesquisadora plena do GESEL-UFRJ), Angela Livino e Katarina Ferreira (pesquisadoras associadas do GESEL-UFRJ) tratam do papel estratégico do armazenamento de energia na viabilização da transição energética diante da crescente participação de fontes renováveis intermitentes. A partir da análise das experiências de países como Austrália, Reino Unido, Itália, Estados Unidos, Espanha, Portugal e China, os autores mostram que a expansão consistente de eólica e solar tem sido acompanhada pelo fortalecimento da capacidade de armazenamento, seja por sistemas hidráulicos ou baterias em escala de rede, apoiados por diferentes instrumentos regulatórios e de mercado. Apesar das distintas abordagens institucionais, observa-se uma convergência: projetos de longa duração exigem mecanismos estáveis de remuneração e redução de risco, enquanto as baterias avançam com apoio de serviços ancilares, incentivos iniciais e integração aos mercados elétricos. A principal lição internacional, segundo os autores, é que o armazenamento deixou de ser complementar e passou a constituir infraestrutura crítica, cuja expansão depende de previsibilidade regulatória, coordenação institucional e mecanismos claros de valorização da flexibilidade para sustentar sistemas elétricos descarbonizados e confiáveis. Acesse o artigo na íntegra aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 04.03.2026)
Bangladesh: Transição energética impõe primeiro grande desafio ao novo governo
Após a eleição geral em fevereiro de 2026, o novo governo de Bangladesh assume sob pressão para destravar a transição energética e recuperar a confiança dos investidores em renováveis. Embora a administração interina tenha promovido reformas para simplificar os setores de energia e eletricidade, criado um modelo competitivo de contratação, aprovado nova política de renováveis com metas mais ambiciosas e lançado, em 3 de julho de 2025, um programa de solar em telhados de até 3.000 MW, os avanços seguem limitados. O pipeline de projetos utility-scale praticamente secou, com apenas 12 usinas solares aprovadas, totalizando 918 MW, ainda sujeitas a atrasos por dificuldades de financiamento e ausência de acordos de implementação. O país também precisa definir diretrizes para mapeamento de terras, obrigações de compra de renováveis (RPOs), certificados de energia renovável (RECs) e acordos corporativos de compra de energia (CPPAs), além de revisar o Integrated Energy and Power Master Plan (IEPMP) 2023 e comparar seu conteúdo com o Energy and Power System Master Plan (EPSMP) para formular um plano mestre consistente, com metas anuais realistas de 20% em 2030 e 30% em 2040, leilões reversos e avaliação da viabilidade do programa de geração distribuída. (IEEFA - 02.03.2026)
China: Novo plano quinquenal pode consolidar pico de emissões até 2030
A China deve aprovar entre 4 e 11 de março, durante as “Duas Sessões”, o 15º Plano Quinquenal (2026–2030), que orientará a estratégia econômica e energética até 2030, prazo definido por Xi Jinping para o pico de emissões de carbono. A decisão tende a afetar cadeias globais de suprimento, preços de commodities e fluxos de investimento, dado o papel do país como maior consumidor de carvão e líder em tecnologias verdes, influenciando custos de veículos elétricos, painéis solares e baterias. O texto aponta que a China está há 21 meses com emissões estáveis ou em queda, apoiada na redução da geração a carvão. Dados do governo indicam que o carvão respondeu por 51,4% da demanda total de energia em 2025, 1,8 ponto percentual abaixo de 2024, enquanto fontes como gás natural, hidrelétrica, nuclear, eólica e solar somaram 30,4% da matriz. A NDRC sinaliza que energia limpa deve superar o crescimento da demanda total, mas ainda há incerteza sobre quando “novas energias” substituirão o carvão como espinha dorsal do sistema. (Agência Eixos – 03.03.2026)
Costa Rica: Geração elétrica alcança 98,6% de renovabilidade
A Costa Rica encerrou 2025 com 98,6% de sua geração elétrica proveniente de fontes renováveis, segundo dados do Instituto Costarricense de Electricidad (ICE), estatal responsável pelo sistema elétrico do país. O resultado foi sustentado principalmente por cinco fontes limpas — hidrelétrica, geotérmica, eólica, biomassa e solar — e representa a retomada dos níveis históricos de geração renovável após oscilações registradas no ano anterior. Em 2024, uma seca severa associada ao fenômeno El Niño reduziu os níveis dos reservatórios hidrelétricos e levou a participação renovável a cair para a faixa entre 86% e 91%, exigindo o uso temporário de usinas térmicas fósseis para garantir a estabilidade do sistema. Com a recuperação das condições hidrológicas, o país voltou a superar 95% de geração limpa e anunciou planos para adicionar mais de 600 MW em novos projetos renováveis nos próximos anos, buscando atender ao crescimento da demanda sem ampliar a dependência de combustíveis fósseis. (Canal Solar - 02.03.2026)
Emirados Árabes Unidos: IRENA destaca benefícios ambientais da solar com sinergias além da geração
A IRENA avalia que a expansão da solar fotovoltaica pode gerar benefícios ambientais adicionais quando combinada a planejamento adequado e práticas sustentáveis no uso do solo e da água. Ao fim de 2024, a tecnologia respondeu por 77% das adições anuais de capacidade renovável no mundo, alcançando 1.867 GW instalados. O relatório citado pela agência afirma que usinas solares em áreas degradadas podem acelerar a recuperação do terreno, enquanto aplicações como agrivoltaica, solar grazing, ecovoltaica e aquavoltaica ajudam a integrar geração elétrica com agricultura, conservação, aquicultura e redução do consumo hídrico. Embora o texto não trate de armazenamento em baterias, ele reforça uma dimensão importante para projetos híbridos e sistemas distribuídos: o valor dos ativos renováveis aumenta quando associados a soluções territoriais e operacionais que elevam resiliência, uso eficiente de recursos e aceitação local. A agência defende políticas integradas, incentivos, padrões industriais e capacitação para ampliar esses co-benefícios. (IRENA – 05.03.2026)
ESCAP: Lançamento de iniciativa para acelerar transição energética justa no Sudeste Asiático
A Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico (ESCAP) lançou a iniciativa Energy Transition for Green Growth and Prosperity (ETGGP), programa regional de três anos com início em 2026 para apoiar países do Sudeste Asiático na condução de transições energéticas limpas alinhadas a crescimento econômico, geração de empregos e inclusão social. A iniciativa começará com contribuições filantrópicas iniciais superiores a US$ 4 milhões e atuará de forma adaptada às prioridades nacionais. Segundo a ESCAP, o lançamento ocorre em momento crítico, já que a Ásia-Pacífico responde por cerca de 60% das emissões globais de gases de efeito estufa, 80% da oferta mundial de carvão e deverá registrar forte expansão da demanda energética até meados do século. O ETGGP será estruturado em três pilares: produção de análises para fortalecer o planejamento de longo prazo na interface entre energia, economia e indústria; apoio à conectividade elétrica regional por meio de corredores verdes; e mobilização de finanças verdes para criar condições habilitadoras e ampliar pipelines de investimentos. A expectativa é melhorar coordenação de políticas, prontidão para investimento e acesso a capital público e privado para energia limpa e infraestrutura associada. (Unescap - 25.02.2026)
Espanha: Projeto de H2V garante conexão à rede e prevê investimento de € 1 bilhão
A empresa espanhola Moeve, controlada pela Mubadala Investment Company e pela Carlyle Group, anunciou a decisão final de investimento para a construção de um projeto de hidrogênio verde na região da Andaluzia, no sul da Espanha. A primeira fase terá 300 MW de capacidade instalada, com possibilidade de expansão adicional de 100 MW, condicionada à disponibilidade da rede elétrica e à aprovação do conselho da companhia. O investimento previsto supera 1 bilhão de euros e inclui infraestrutura associada e uma usina fotovoltaica destinada ao autoconsumo. O projeto integra a lista de Projetos de Interesse Comum da Comissão Europeia e receberá subsídio de 304 milhões de euros do governo espanhol. Com a recente garantia de conexão à rede elétrica, a primeira etapa deverá produzir cerca de 45 mil toneladas de hidrogênio verde por ano. (Megawhat - 02.03.2026)
França: ENGIE lidera PPAs corporativos com portfólio que inclui baterias
A ENGIE informou ter liderado globalmente o mercado de contratos corporativos de energia renovável em 2025, com 3,6 GW assinados ao longo do ano. O desempenho foi apoiado por acordos de grande porte com empresas de tecnologia como Apple, Google e Meta, além da ampliação da base de clientes B2B para setores como manufatura, agroalimentar, transporte e logística, varejo e serviços empresariais. Um dos pontos centrais do modelo é o portfólio de ativos renováveis e flexíveis da companhia, que combina fontes eólica e solar com soluções de armazenamento, especialmente por meio de baterias, e presença geográfica equilibrada na Europa, América Latina e Estados Unidos. Para o mercado, a mensagem é relevante porque reforça a bateria como elemento de valor comercial nos contratos de longo prazo, ampliando previsibilidade de suprimento e capacidade de gestão de risco. A empresa pretende seguir expandindo a oferta para mais clientes e novos países, incluindo a Índia. (Além da Energia – 04.03.2026)
Indonésia: Transformação da transição energética em eixo da diplomacia estratégica
O Ministério das Relações Exteriores da Indonésia oficializou a transição para energia limpa como pilar central de sua diplomacia estratégica e defendeu a revisão das parcerias internacionais para que sejam mais equitativas, orientadas por tecnologia e voltadas ao desenvolvimento industrial de longo prazo. Muhamad Takdir, chefe da Agência de Estratégia de Política Externa, afirmou que a pasta precisa assumir papel de coordenação mais assertivo para alinhar política externa, estratégia industrial e metas de desenvolvimento sustentável. Um relatório elaborado por Synergy Policies e BSKLN aponta que o país enfrenta um ambiente global marcado por “protecionismo verde”, disputa por cadeias de suprimento de minerais críticos e competição pela liderança em tecnologias limpas. Em resposta, a proposta prioriza desenvolvimento industrial conjunto, pesquisa aplicada com coprodução e capacitação de mão de obra, com foco em fortalecer capacidades domésticas, agregar valor e preservar soberania econômica e autonomia estratégica. (Indonesia Business Post - 04.03.2026)
IRENA e OLACI: Lançamento de plataforma para atração de projetos de SAF
A descarbonização da aviação global ganhou novo impulso com o lançamento do Finvest@ETAF, iniciativa desenvolvida pela Agência Internacional de Energia Renovável em cooperação com a Organização da Aviação Civil Internacional para facilitar o financiamento de projetos de Combustível de Aviação Sustentável (SAF). O mecanismo busca enfrentar o principal obstáculo à expansão da tecnologia: o acesso a capital. Responsável por cerca de 2% a 3% das emissões globais de dióxido de carbono, o setor aéreo enfrenta desafios estruturais para reduzir seu impacto climático, especialmente diante da expectativa de crescimento do tráfego aéreo nas próximas décadas. Projetos de SAF apresentam riscos adicionais em relação a outras energias renováveis, como altos custos de investimento, incertezas de demanda, exigências de certificação e necessidade de contratos de fornecimento e compra antecipada. Nesse contexto, o Finvest@ETAF pretende transformar propostas técnicas em projetos financiáveis, conectando desenvolvedores a financiamento, assistência técnica e instrumentos de mitigação de risco. A iniciativa também se articula com mecanismos internacionais como o CORSIA – Esquema de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional, reforçando a integração entre políticas climáticas, estruturação financeira e desenvolvimento da indústria de combustíveis sustentáveis para a aviação. (Cenário Energia - 02.03.2026)
Moody's: Mineração e data centers puxarão demanda por eletricidade na América Latina
A demanda por eletricidade na América Latina deverá crescer cerca de 2,8% até o início de 2027, segundo estimativa da Moody’s. O avanço será impulsionado principalmente pela expansão das atividades de mineração em Chile e Peru, além de novos investimentos em data centers em países como Brasil, México e Argentina. Outros fatores apontados incluem o crescimento do consumo industrial, a eletrificação do transporte e o aumento do uso de ar-condicionado na região. O estudo também indica que a redução das taxas de juros tende a melhorar o acesso do setor de infraestrutura aos mercados de dívida, facilitando o financiamento e a gestão de encargos financeiros pelas empresas. (Megawhat - 02.03.2026)
Países Baixos: Novar capta até € 260 milhões para ampliar portfólio com armazenamento
A Novar garantiu € 160 milhões em financiamento no nível da holding para desenvolver novos projetos renováveis, com opção de linha adicional de até € 100 milhões, elevando a capacidade total disponível a €260 milhões. Segundo o CEO Gerben Smit, o suporte financeiro permitirá expandir a base de ativos operacionais para cerca de 1,4 GW até 2027, com apoio da CVC DIF. A empresa destaca que seu modelo combina geração solar, armazenamento, distribuição e gestão de ativos, reforçando o papel das baterias e de sistemas integrados na evolução do portfólio. A estrutura teve DNB Carnegie como assessor exclusivo da dívida, Voltiq como coassessor financeiro, Clifford Chance e A&O Shearman como assessores jurídicos, além de diligências conduzidas por BDO, DLA Piper e DNV. O movimento fortalece a capacidade da Novar de acelerar projetos renováveis com maior flexibilidade operacional, em linha com a crescente valorização de ativos que integram geração e armazenamento para dar previsibilidade e escala ao negócio. (Energy Monitor – 06.03.2026)
Reino Unido: Ocean Winds avança em eólica flutuante de 1,5 GW no Mar Céltico
A Ocean Winds assinou com a Crown Estate o acordo de arrendamento para desenvolver um parque eólico offshore flutuante de 1,5 GW no Mar Céltico, ao largo do Sul de Gales e do sudoeste da Inglaterra. O projeto integra a rodada Round 5 e posiciona a empresa, controlada por EDPR e ENGIE, ao lado de Equinor e Gwynt Glas na nova frente britânica de eólica flutuante. Somados, os três locais poderão abastecer mais de quatro milhões de residências, gerar até £1,4 bilhão para a economia do Reino Unido e sustentar mais de 5 mil empregos. As próximas etapas incluem desenho do projeto, campanhas de medição onshore e offshore, avaliação de impacto ambiental, engajamento público e obtenção de licenças, com entrega prevista para meados da década de 2030. O texto não detalha soluções de armazenamento, mas a expansão da eólica flutuante em escala comercial reforça a necessidade sistêmica de ativos de flexibilidade e gestão de variabilidade para integração dessa geração ao sistema elétrico. (Energy Monitor – 04.03.2026)
União Europeia: Industrial Accelerator Act impõe conteúdo local para tecnologias estratégicas
A Comissão Europeia propôs o Industrial Accelerator Act, legislação que exigirá conteúdo mínimo produzido na Europa e critérios de baixo carbono em compras públicas e subsídios voltados a tecnologias estratégicas, como baterias, solar, eólica, hidrogênio e usinas nucleares. A iniciativa busca reforçar a competitividade industrial do bloco diante de produtores estrangeiros sujeitos a menos exigências regulatórias e custos energéticos inferiores, além de evitar a perda de novas cadeias verdes para a China, que domina segmentos como o de componentes de painéis solares. Entre as medidas previstas, veículos elétricos adquiridos com recursos públicos terão de ser montados na União Europeia, com 70% dos componentes, excluída a bateria, fabricados localmente seis meses após a entrada em vigor da lei. Para painéis solares, inversores e células, ou componentes equivalentes, deverão ser europeus em até três anos. A proposta ainda define regras para investimentos estrangeiros acima de 100 milhões de euros em setores estratégicos e agora seguirá para negociação entre Estados-membros e Parlamento Europeu, etapa em que mudanças adicionais são consideradas prováveis. (Reuters – 04.03.2026)
Nacional
Artigo GESEL: “Aprimoramento da estrutura tarifária do setor elétrico do Brasil”
Em artigo publicado no Valor Econômico, Nivalde de Castro (Coordenador-Geral do GESEL-UFRJ) e Daniel Araujo Carneiro (Diretor da DAC Consultoria e Pesquisador do GESEL-UFRJ) analisam a necessidade de modernizar a estrutura tarifária do Setor Elétrico Brasileiro (SEB) diante da inserção massiva de renováveis variáveis, especialmente solar fotovoltaica e eólica, com destaque para a micro e minigeração distribuída (MMGD). Os autores argumentam que a intermitência dessas fontes criou forte assimetria entre oferta e demanda: energia abundante e barata em horários de alta irradiação e custos elevados ao entardecer, quando é necessário acionar hidrelétricas com reservatório e térmicas a gás. Contudo, essa variação de custos não está refletida nas tarifas estáticas e volumétricas aplicadas aos consumidores de baixa tensão. Com a promulgação da Lei 15.269/2025, estabelece-se base jurídica para que a Aneel avance na adoção de sinais de preço horários mais granulares. O objetivo é duplo: oferecer instrumentos de gestão de demanda ao ONS e às distribuidoras para mitigar rampas de carga no período noturno e alinhar o preço ao custo real da energia. A eficácia da mudança dependerá da elasticidade-preço da demanda, de estratégias de comunicação baseadas em economia comportamental e da digitalização das redes. Pontua-se também que a integração com tecnologias como BESS, usinas reversíveis, MMGD e veículos elétricos exige modelagens sofisticadas para evitar distorções e garantir sustentabilidade econômica. O artigo conclui que a transição tarifária, agora respaldada legalmente, é essencial para eficiência alocativa, justiça distributiva e redução de conflitos regulatórios no setor elétrico brasileiro. Acesse o texto aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 03.03.2026)
Artigo de Fernando Caneppele: "Armazenamento de Energia: O Pilar de Estabilidade para as Redes de Nova Geração"
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Fernando Caneppele (professor da USP e pesquisdor associado ao GESEL/UFRJ) trata do papel estratégico dos sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) para garantir estabilidade e confiabilidade ao Sistema Interligado Nacional diante da crescente participação de fontes renováveis intermitentes, como eólica e solar. O autor argumenta que o armazenamento se tornou essencial para equilibrar o trilema energético — segurança, sustentabilidade e modicidade tarifária — ao permitir deslocamento de carga, oferta de serviços ancilares e resposta rápida às variações de geração. Destaca também os desafios técnicos de integração desses sistemas, que exigem modelagem avançada, gestão térmica e estudos elétricos detalhados, além do avanço regulatório no Brasil que passou a remunerar serviços de capacidade e confiabilidade, abrindo espaço para novos modelos de negócio como as non-wires alternatives. Por fim, enfatiza a importância da pesquisa aplicada e do desenvolvimento tecnológico nacional para que o país consolide soberania técnica e viabilize uma transição energética estável e economicamente eficiente. (GESEL-IE-UFRJ – 04.03.2026)
Frente Ambientalista coloca transição energética no centro da agenda legislativa
A Frente Parlamentar Ambientalista e o Observatório do Clima lançaram a Agenda Legislativa 2026 com apoio de cerca de 160 organizações e definiram a transição energética como uma das prioridades do Congresso neste ano. Entre os projetos destacados estão o PL 6615/25, que cria um “mapa do caminho” para substituição gradual de combustíveis fósseis, a PEC 37/21 sobre segurança climática, o PL 3961/20 sobre estado de emergência climática e o PL 219/25, que extingue subsídios ao carvão mineral no setor elétrico. O documento também alerta para o avanço de 70 propostas classificadas como parte do “pacote da destruição”, após mudanças recentes em licenciamento ambiental. Embora a notícia não trate diretamente de armazenamento, a centralidade da transição energética e da descarbonização tende a influenciar marcos futuros para baterias, flexibilidade de rede, eletromobilidade e integração de renováveis. O debate político passa a ter peso crescente sobre o ambiente regulatório que sustenta investimentos em tecnologias limpas. (Agência Eixos – 04.03.2026)
Minerais críticos ganham peso na transição e reforçam papel do lítio para armazenamento
O avanço da transição energética elevou a relevância geopolítica e industrial dos minerais críticos, com projeções da IEA, citadas pelo Fórum Econômico Mundial, indicando necessidade de triplicar a demanda até 2030 e quadruplicá-la até 2040 para cumprir metas de emissões líquidas zero. Entre os insumos, o lítio assume papel central por ser componente essencial das baterias de íon-lítio usadas em veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia, enquanto cobre, níquel, cobalto, grafite e terras raras sustentam aplicações em redes, eletromobilidade e geração renovável. O texto ressalta a concentração global da produção e do refino, sobretudo na China, e destaca o potencial do Brasil em grafite, níquel e elementos de terras raras, com cerca de 20% das reservas mundiais destes últimos. Para armazenamento, a mensagem principal é que segurança de suprimento mineral passou a ser condição estratégica para expansão de baterias, industrialização local e redução de dependência externa em cadeias da transição. (Além da Energia – 06.03.2026)
MME: Lançamento do guia 2026 para atrair investimentos em minerais críticos
O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou a edição 2026 do Guia do Investidor para Minerais Críticos, com informações sobre ambiente macroeconômico, infraestrutura, instrumentos de apoio e arcabouço regulatório para exploração e transformação mineral. Disponível em português e inglês, o documento detalha procedimentos para obtenção de direitos minerários e licenciamento ambiental, buscando ampliar previsibilidade e segurança jurídica. O Brasil detém a maior reserva mundial de nióbio e está entre os principais detentores de grafita, terras raras, níquel, manganês, bauxita e lítio, insumos estratégicos para baterias, painéis solares, aerogeradores e motores elétricos. A iniciativa visa consolidar o país como destino relevante na cadeia global de minerais críticos. (Brasil Energia – 03.03.2026)
Shell: CEO associa crise da Raízen à desaceleração da transição energética
O CEO da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa, afirmou que a desaceleração da transição energética após a pandemia foi um dos fatores que contribuíram para a crise financeira da Raízen, ao lado da conjuntura de açúcar e etanol, da expansão acelerada de negócios, dos juros altos e do aumento da alavancagem. A Shell se comprometeu a aportar até R$ 3,5 bilhões na capitalização da joint venture com a Cosan e espera contribuição equivalente da sócia para manter a estrutura societária atual. A empresa reconhece que tentou atrair um novo investidor, sem sucesso, e vê a recapitalização integrada como a sequência mais plausível antes de eventual separação de negócios. Para o setor de armazenamento e transição, a notícia é relevante porque mostra como a frustração de expectativas de demanda por energia limpa afeta decisões empresariais, inclusive em cadeias correlatas à eletrificação. A Raízen já iniciou venda de ativos, inclusive de geração elétrica, para concentrar esforços em etanol e distribuição de combustíveis. (Agência Eixos – 03.03.2026)
SGB: Atualização do panorama de minerais críticos e reforço nos planos decenais de mapeamento
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) lançou a nova edição de “An Overview of Critical and Strategic Minerals Potential of Brazil”, reunindo dados atualizados de reservas, produção e áreas prospectivas para minerais estratégicos. O documento consolida entregas do último ano, como o novo Mapa Geológico do Brasil, a expansão de levantamentos geoquímicos e geofísicos e o avanço dos Planos Decenais de Mapeamento Geológico Básico e de Pesquisa de Recursos Minerais. A publicação aponta o Brasil entre os principais fornecedores globais de nióbio, grafita, níquel, terras raras e lítio, insumos relevantes para cadeias de energia limpa, mobilidade elétrica e tecnologias avançadas. Entre os destaques, o mapa em escala 1:5.000.000, com vetores em 1:2.500.000, está disponível no GeoSGB e no RIGeo e é apresentado como ferramenta para políticas públicas, atração de investimentos e exploração. (Brasil Energia - 02.03.2026)
Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais
ABVE: Brasil ultrapassa 21 mil pontos de recarga de VEs
O Brasil já tem mais de 21 mil pontos de recarga de carros elétricos, aponta levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) em parceria com a plataforma Tupi. O número aponta crescimento de 24,7% ante a última atualização da base, em agosto passado. O número representa ainda uma expansão de 42% em relação a fevereiro de 2025. Enquanto carregadores lentos tiveram crescimento de 17,6%, passando a 14.582, estações rápidas saltaram de 2.430 para 6.479. A mudança de perfil reflete principalmente, de acordo com a ABVE, uma queda nos custos de equipamentos e uma aposta estratégica dos operadores em corredores rodoviários e frotas corporativas. Além disso, segundo a ABVE, o Brasil tem frota circulante de 394.773 veículos plug-in, o que resulta em uma média de 18,7 carros por eletroposto. Nesse cenário, o ambiente regulatório surge como um acelerador e o avanço da infraestrutura deixou de ser um fenômeno exclusivo das capitais. O país já tem, de acordo com o levantamento, eletropostos em 1.649 municípios, um crescimento de 21% em um ano, com uma divisão regional evidente, mas progressiva. Por fim, os dados de 2026 demonstram que a mobilidade elétrica doméstica está mudando de patamar. (Estadão – 03.03.2026)
ABVE: VEs crescem 92% e já chegam a 14% do mercado no Brasil
O mercado brasileiro de veículos eletrificados somou 24.885 emplacamentos em fevereiro de 2026, avanço de 92% sobre as 12.988 unidades de igual mês de 2025 e de 5% ante janeiro, segundo a ABVE. Com isso, BEV, PHEV, HEV e HEV Flex passaram a responder por 14% das vendas totais de automóveis e comerciais leves, ante 7% um ano antes. No primeiro bimestre, o volume atingiu 48.591 unidades, 90% acima do registrado em 2025, e a entidade projeta mais de 280 mil eletrificados vendidos no ano, superando o recorde de 224 mil de 2025. Os elétricos puros lideraram entre as tecnologias, com 8.703 unidades e 35% do total, seguidos pelos híbridos plug-in, com 8.393. Os modelos com recarga externa já representam 69% das vendas do segmento, reforçando o avanço da eletrificação plug-in no país. (Inside EVs – 05.03.2026)
Artigo de Emerson Ferreira: "Eficiência energética ajuda no resgate da dignidade humana"
Em artigo publicado pela Folha de São Paulo, Emerson Ferreira (fundador do Reflexões da Liberdade) trata da ineficiência econômica e social do sistema prisional brasileiro, que consome elevados recursos públicos sem promover reintegração social, e propõe um modelo que une sustentabilidade, capacitação profissional e redução de custos. O autor defende a instalação de usinas solares em presídios, aproveitando a infraestrutura existente para gerar economia de energia ao Estado e direcionar esses recursos para a formação técnica de detentos, egressos e familiares na área de energia solar. Segundo ele, iniciativas como o projeto “Reflexões da Liberdade” mostram que integrar transição energética e políticas penais pode reduzir a reincidência criminal, promover inclusão produtiva e transformar o sistema carcerário de um centro de gastos em um investimento em desenvolvimento humano e social. (GESEL-IE-UFRJ – 04.03.2026)
BYD: Desenvolvimento de bateria de recarga ultrarrápida
A BYD apresentou a segunda geração da Blade Battery, tecnologia que promete reduzir significativamente o tempo de recarga de veículos elétricos. Segundo a fabricante, a nova bateria pode elevar o nível de carga de 10% para 70% em cerca de cinco minutos e atingir até 97% em aproximadamente nove minutos, aproximando o tempo de recarga da experiência de abastecimento de veículos a combustão. A inovação integra uma estratégia mais ampla que combina melhorias na arquitetura da bateria, baseada em células de fosfato de ferro-lítio (LFP), com o desenvolvimento de carregadores ultrarrápidos de até 1,5 MW e a expansão da infraestrutura de recarga. As melhorias estruturais ampliam a densidade energética, a eficiência térmica e a capacidade de receber altas potências de carregamento, além de manter características de segurança e durabilidade associadas ao design original da tecnologia. (Inside EVs - 05.03.2026)
Energisa: Ações de eficiência energética na PB
Os campi da Universidade Federal de Campina Grande em Patos e Sumé receberão melhorias na infraestrutura elétrica entre julho e agosto, com a substituição de luminárias externas por modelos mais modernos e eficientes. As intervenções visam aumentar a eficiência energética, reduzir o consumo de eletricidade e ampliar a segurança da comunidade acadêmica nas áreas externas das unidades. Os investimentos, de cerca de R$ 408 mil — R$ 204 mil destinados a cada campus — foram viabilizados por meio da aprovação de projetos submetidos à chamada pública da Energisa no âmbito do Programa de Eficiência Energética. A iniciativa representa a terceira aprovação da universidade no programa e contribui para a redução de custos operacionais e para o avanço de práticas institucionais alinhadas à sustentabilidade. (Paraíba Online - 01.03.2026)
Irã: Aposta no lítio e aproximação com a China para se tornar polo de VEs
Por décadas, o mercado automotivo iraniano sobreviveu em uma cápsula do tempo. Mesmo assim, dominado por derivados de projetos dos anos 1980 e 1990, dependente de estatais e limitado por sanções internacionais, o país teve 1,2 milhão de veículos vendidos em 2025. O volume é comparável ao da Itália. No entanto, um novo elemento pode redefinir esse cenário. A descoberta de um grande depósito de lítio na província de Hamedan, estimado em até 8,5 milhões de toneladas. Essa reserva, muda o tabuleiro energético e tecnológico mundial, pois, a aproximação com a China e a necessidades energética poderiam possibilitar ao Irã um reposicionamento estratégico favorável, quando se pensa na cadeia global de baterias. Com isso, o país, no curto prazo, se depara com dois gargalos evidentes, o primeiro é o envolvimento dos EUA e seu ataque, o segundo é a etapa de agregar tecnologia na cadeia de baterias, que o país ainda está em fase inicial. Hoje, o Irã é um polo industrial de quase 1 milhão de veículos por ano, mas esse volume será impactado pela escalada militar, mesmo assim, seu isolamento pode transformar o país em um futuro polo relevante para veículos elétricos. Segundo analistas que acompanham o mercado local, como Mohsen Aletaha, o país reúne 3 fatores decisivos: escala, demanda reprimida e crescente aproximação com montadoras chinesas. (Estadão - 02.03.2026)
LCA Consultores: Híbridos devem liderar eletrificação no Brasil, com 17,4 milhões de veículos leves até 2040
A eletrificação da frota de carros brasileira deve acelerar de forma significativa nas próximas décadas, mas exigirá uma conta bilionária em infraestrutura para sair do papel. Estudo divulgado pelo Instituto MBCBrasil e elaborado pela LCA Consultores projeta que o número de veículos eletrificados no país pode crescer 44 vezes até 2040. Segundo o levantamento, os modelos híbridos devem liderar essa expansão, representando 72% da frota eletrificada ao fim do período. No segmento de veículos leves, a eletrificação pode alcançar 17,4 milhões de unidades. Entretanto, esse avanço depende de forte expansão da rede de recarga. Segundo o estudo, sua estimativa é que o país necessitará de cerca de 807 mil novos pontos de recarga entre 2025 e 2040 para consolidar seu futuro protagonismo. Hoje, a infraestrutura ainda é vista como um dos principais gargalos. O próprio relatório aponta que redes de recarga rápida no país, no quesito longa distância, são quase inexistentes. Por fim, o estudo destaca a tendência de um crescimento multissetorial intensivo e uma necessidade de avanços regulatórios. (CNNBrasil – 27.02.2026)
Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis
ABIHV: Associação aponta modelo chinês como divisor de águas para o H2V
A estratégia chinesa para o hidrogênio verde pode redefinir a competitividade global do setor ao combinar diretrizes nacionais com execução descentralizada por províncias, em um arranjo descrito pela Associação Brasileira da Indústria de Hidrogênio Verde (ABIHV) como “capitalismo de Estado adaptativo”. Em documento recente, a entidade avalia que a escala industrial da China tende a reprecificar equipamentos e insumos, reduzir custos e acelerar curvas de aprendizagem, em trajetória semelhante à observada nas cadeias solar e eólica. A presidente da Abihv, Fernanda Delgado, afirma que o diferencial é a capacidade de estruturar demanda doméstica como alavanca industrial, permitindo inserção internacional já com alta produtividade e preços competitivos, inclusive para amônia e metanol de baixo carbono. Apesar de o H2 verde ainda ser mais caro que o produzido a partir de carvão na China, a combinação de eletricidade renovável barata e metas de dezenas de gigawatts em eletrólise pode reduzir a diferença até o fim da década. Para o Brasil, a Abihv vê a demanda europeia como motor inicial, mas cobra a regulamentação do marco legal com decretos prometidos. A entidade destaca ainda integração do hidrogênio ao sistema elétrico como carga flexível, absorvendo excedentes eólicos e solares e contribuindo para estabilização da rede. (Agência Eixos – 04.03.2026)
Abrace: Indústria contesta proposta da ANP para injeção excepcional de biometano fora de especificação
Consumidores industriais representados pela Abrace criticaram a proposta da ANP de permitir, em caráter excepcional, a comercialização e até a injeção na rede de gás canalizado de biometano com “especificação diversa”, tema debatido em audiência pública sobre mudanças nas Resoluções nº 886 e nº 906, de 2022. O biometano fora de especificação inclui casos que não atingem teor mínimo de metano (96% a 97%, conforme a origem) ou excedem limites de impurezas como CO₂, H₂S, O₂ e umidade, exigindo enriquecimento ou tratamento adicional. A minuta prevê entrega a consumidores industriais mediante aceite formal e, para injeção na rede, condiciona a limites de contaminantes e à conformidade da mistura final com a especificação do gás entregue ao cliente. A Abrace questiona base técnica e o uso de resultados de sandbox no Ceará, alertando para riscos e transferência de responsabilidades. A Abiogás defende a excepcionalidade com regras claras, padronização de termos de aceite, possível troca de autorização prévia por notificação e flexibilizações para reduzir custos de medição. (Agência Eixos – 03.03.2026)
EPE: Publicação de estudo sobre potencial do hidrogênio na descarbonização do transporte
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou o Fact Sheet “Uso de Hidrogênio no Transporte”, documento que apresenta uma síntese técnica sobre o papel do hidrogênio como alternativa para reduzir emissões no setor de transportes. O material descreve duas rotas tecnológicas principais: motores de combustão interna movidos a hidrogênio e veículos elétricos com células a combustível, detalhando funcionamento, aplicações e vantagens operacionais. O estudo destaca o potencial dessa solução especialmente em segmentos de difícil eletrificação direta, como transporte pesado de longa distância e operações off-road, onde o hidrogênio pode oferecer ganhos de eficiência energética e redução de poluentes locais. O documento também analisa tendências internacionais de adoção da tecnologia, o potencial brasileiro para produção de hidrogênio associado a fontes renováveis e as diretrizes estabelecidas no Programa Nacional do Hidrogênio. Entre os principais desafios identificados estão custos de produção, desenvolvimento de infraestrutura logística e maturidade tecnológica, fatores considerados decisivos para a expansão dessa alternativa energética no sistema de transportes. Acesse o estudo aqui. (EPE - 06.03.2026)
Shell: Petroleira mantém renováveis e hidrogênio fora do foco e prioriza óleo, gás e biocombustíveis
A Shell confirmou que projetos de energia renovável e hidrogênio seguem fora do radar da companhia no Brasil, mantendo foco em petróleo, gás e biocombustíveis. Segundo o presidente Cristiano Pinto da Costa, iniciativas locais de P&D ligadas ao hidrogênio e à energia solar foram paralisadas em 2025, restando como frentes relacionadas ao tema a prova de viabilidade da conversão de etanol em H2 na USP e soluções baseadas na natureza com a re.green. O executivo associou a recalibração da transição energética à pandemia, à guerra na Ucrânia, ao reforço da segurança energética e ao aumento da demanda provocado pela inteligência artificial. Para armazenamento e flexibilidade, o sinal é negativo no curto prazo: a empresa não pretende alocar capital em tecnologias renováveis no país, mesmo com o avanço global de baterias, hidrogênio e integração de recursos limpos. Em paralelo, a Shell ampliou a exposição exploratória no Brasil e registrou R$ 12,5 bilhões em investimentos no ano passado. (Agência CanalEnergia – 03.03.2026)
Wood Mackenzie: Relatório analisa potencial do hidrogênio natural como rota competitiva em custos
Um novo relatório da Wood Mackenzie analisa o potencial do hidrogênio natural no contexto de contração do mercado global. Em 2025, o mercado global de hidrogênio de baixo carbono registrou queda de 30% nas decisões finais de investimento em capacidade e triplicação de cancelamentos de projetos, com o custo como principal gargalo. Esse cenário levou empresas e governos a buscar alternativas mais competitivas em termos de custo, incluindo o hidrogênio gerado por processos geoquímicos naturais em formações rochosas (“hidrogênio natural”). O estudo aponta que o tema vem evoluindo de análises teóricas para atividades concretas de perfuração exploratória, com os Estados Unidos liderando a iniciativa, seguidos por Austrália, Canadá e França, e aproximadamente 60 projetos anunciados, a maioria ainda em fase inicial de estudo ou levantamento de dados. Ainda, destaca-se que a dinâmica regulatória tem papel determinante, com avanços em países que oferecem maior clareza sobre direitos minerais e enquadramento jurídico, enquanto lacunas normativas limitam expansão em outras regiões. Embora o hidrogênio natural ainda não esteja incorporado ao cenário-base da consultoria, projeções indicam que, caso recursos sejam comprovados e modelos comerciais se consolidem, a produção técnica poderia alcançar cerca de 20 milhões de toneladas por ano até 2050. O relatório destaca, contudo, que viabilidade econômica dependerá de comprovação geológica consistente, estabilidade regulatória e capacidade de atrair capital para escalar operações. Assim, o hidrogênio natural emerge como rota promissora, porém ainda experimental, no portfólio global de soluções para descarbonização industrial e energética. (Hydrogen Central - 27.02.2026)
GESEL realiza seminário “O Futuro do Hidrogênio de Baixo Carbono no Brasil”
No dia 19 de março, das 9h às 16h30, no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, o GESEL realizará o seminário “O Futuro do Hidrogênio de Baixo Carbono no Brasil”, dedicado ao papel do hidrogênio de baixo carbono como um dos vetores mais promissores e consistentes da transição energética no Brasil e no mundo. O encontro marca o encerramento do projeto de P&D “Pecém H2”, desenvolvido no âmbito do Programa de P&D da ANEEL, com financiamento da EDP Brasil, que resultou na construção da primeira planta de hidrogênio verde no contexto da transição energética no país, além do lançamento do livro “Um caminho para o Mercado de Hidrogênio de Baixo Carbono no Brasil”. O evento contará com a participação de representantes do MME, ANEEL, BNDES e EPE, além de executivos da EDP e da Energia Pecém, bem como pesquisadores da USP e da PUC, sob moderação da ABIHV. Mais informações e inscrições aqui: https://forms.gle/kkqsFk24GUDj5ezC9 (GESEL-UFRJ – 24.02.2026)
Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização
Artigo de Guy Grainger: “Como os edifícios podem resolver problemas de segurança energética à medida que a demanda por energia aumenta”
Em artigo publicado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), Guy Grainger (Diretor Global de Serviços de Sustentabilidade da JLL) argumenta que edifícios podem desempenhar um papel central na segurança energética em um contexto de rápida expansão da demanda por eletricidade. Segundo o autor, o modelo tradicional, no qual a energia flui unidirecionalmente das usinas para consumidores passivos, está se tornando inadequado diante do aumento do consumo impulsionado por data centers, eletrificação do transporte e automação industrial. Com isso, infraestruturas elétricas projetadas para cargas menores enfrentam dificuldades para acompanhar esse crescimento, agravadas por atrasos em equipamentos e investimentos em transmissão. E como resultado, os preços de energia tornaram-se mais voláteis. O texto também aponta que empresas estão repensando suas estratégias energéticas, especialmente em instalações críticas como laboratórios, fábricas e data centers, após cerca de 90% das empresas relatarem algum tipo de interrupção energética no último ano. Medidas como retrofits energéticos podem reduzir o consumo entre 10% e 40%, mas a mudança mais profunda envolve transformar edifícios em agentes ativos do sistema elétrico. Tecnologias de geração distribuída, como painéis solares, baterias e microgrids, permitem produzir, armazenar e gerenciar energia localmente, aumentando a resiliência e reduzindo custos. Destarte, o artigo conclui que edifícios estão deixando de ser consumidores passivos e se tornando elementos estratégicos do sistema energético, capazes de melhorar a confiabilidade da rede, integrar renováveis e fortalecer a segurança energética das empresas em um cenário de crescente demanda por eletricidade. (World Economic Forum – 03.03.2026)
Axia Energia: Criação da primeira Neocloud da América Latina para aplicações de IA
A Axia Energia desenvolveu, em parceria com o Cepel, a primeira Neocloud da América Latina, infraestrutura dedicada ao processamento avançado de inteligência artificial baseada em clusters de GPUs de alto desempenho. Instalada no Rio de Janeiro, a estrutura iniciou operação com 32 GPUs NVIDIA H200 e deverá alcançar 96 unidades até o final de março, capacidade equivalente ao processamento de aproximadamente 10 mil a 15 mil notebooks pessoais. O ambiente computacional permitirá o treinamento de modelos de IA de alta complexidade e o refinamento de algoritmos especializados, ampliando aplicações em modelagem numérica, computação científica de alto desempenho e análises avançadas para o setor elétrico. O projeto foi iniciado em maio de 2025 por meio de um programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) regulado pela Aneel, com foco inicial em ampliar a capacidade de processamento para modelos meteorológicos utilizados na operação energética. A iniciativa também integra o programa Eletro.IA da companhia e poderá apoiar universidades, centros de pesquisa e startups, além de contribuir para projetos estratégicos como o Rio AI City. (Brasil Energia – 04.03.2026)
China: Liderança no impulso global em armazenamento de energia de longa duração
A China consolidou vantagem no armazenamento de energia de longa duração (LDES), tecnologia capaz de reter e despachar eletricidade por muitas horas ou dias, superando o padrão de até quatro horas típico de baterias de íon-lítio. Segundo a BloombergNEF, o mundo adicionou recorde de 9,6 gigawatts-hora de nova capacidade de LDES no último ano, alta de cerca de 30% frente a 2024, com quase todos os projetos construídos em 2025 localizados na China. Analistas atribuem a liderança ao suporte de políticas públicas: Pequim incluiu o LDES como componente do roteiro para emissões líquidas zero em 2023 e, no ano seguinte, o regulador de energia lançou 56 projetos-piloto, impulsionando o ciclo de expansão. O pipeline global soma 422 GWh, com 95% planejados para a China e apenas 2% para os Estados Unidos, apesar da presença de startups como Form Energy e Hydrostor. O LDES ainda é fração do mercado total de armazenamento — que instalou cerca de 247 GWh no período —, mas cresce com a necessidade de equilibrar oferta e demanda em sistemas com maior participação de renováveis intermitentes. (Folha de São Paulo – 04.03.2026)
Curso GESEL “Programa de PDI da ANEEL – Da concepção da ideia a viabilização do produto”
Em um contexto marcado pela atualização da regulamentação do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) da ANEEL e pelo aumento das dificuldades no enquadramento de propostas às exigências específicas do setor elétrico, o GESEL oferece um curso objetivo e prático, voltado à capacitação de equipes técnicas de concessionárias. O treinamento aborda de forma aprofundada a regulamentação vigente (RN nº 1.045/2022) e o mapeamento das vertentes tecnológicas atualmente mais valorizadas, além de apresentar estratégias eficazes de engajamento para empresas de geração, transmissão e distribuição. Com base em metodologias consagradas de Gestão de Projetos (PMI e Ágil), o curso orienta a estruturação de propostas robustas, capazes de atender às exigências da agência reguladora e maximizar as chances de aprovação e principalmente a geração de valor a partir do resultado do projeto. O início do curso está previsto para o dia 28 de abril de 2026, sempre às terças e quintas-feiras, das 19h às 21h. Serão 10 aulas de 2h, totalizando assim 20h de carga horária total. Mais informações aqui. Inscreva-se já: https://forms.gle/rhiNw47J2HMn5HuH6 (GESEL-IE-UFRJ – 04.03.2026)
Digitalização acelera adoção de ADMS, DERMS e IA nas distribuidoras
A digitalização, impulsionada pela transição energética e pela expansão da geração distribuída, está pressionando e redefinindo o modelo de negócio das concessionárias, especialmente distribuidoras. Segundo especialistas, esse processo acelera a adoção de sistemas avançados como ADMS (gestão da distribuição), já presentes na maioria dos grandes grupos, e DERMS (gestão de recursos distribuídos), ainda em avaliação por empresas mais inovadoras. A implantação por grandes fornecedores globais tem criado demanda por um modelo complementar, no qual empresas locais assumem serviços de engenharia, configuração e implementação de lógicas específicas não previstas nos contratos originais, além de suporte rotineiro, já que os fornecedores de software nem sempre têm estrutura no Brasil para atender o dia a dia. Destaca-se também o uso de IA para lidar com o volume de dados e acelerar a resposta operacional, argumento reforçado pela necessidade de decisões em segundos diante da intermitência das renováveis. Outro vetor é a digitalização da infraestrutura física, com modernização de subestações via fibra óptica e sensores, alterando custos e operação; nesse ponto, estima-se redução média de 20% a 25% no custo de implantação, sobretudo pela eliminação de cabos de cobre. (Brasil Energia – 03.03.2026)
Editorial Climate Change News: “Data Centers de IA irão constituir ou destruir a transição energética?”
Em editorial, o Climate Change News expõe o rápido crescimento da demanda de eletricidade associada aos data centers de inteligência artificial e sua pressão sobre os sistemas elétricos, e discute se esse avanço pode dificultar ou acelerar a transição energética. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), os data centers responderam por 1,5% do consumo global de eletricidade em 2024 e podem chegar a 3% até 2030, com demanda próxima de 945 TWh. Centros tradicionais operam entre 10 e 25 MW, enquanto instalações de IA podem superar 100 MW, consumindo energia equivalente a cerca de 100 mil residências. Além do volume, a operação com GPUs sincronizadas gera picos frequentes de potência, criando novos desafios para redes elétricas e operadores. O texto aponta, diante disso, respostas políticas e empresariais para evitar que o crescimento da IA eleve tarifas ou pressione excessivamente os sistemas elétricos. Nos EUA, grandes empresas de tecnologia assumiram compromisso voluntário de financiar geração adicional e reforços de rede para atender seus data centers. A origem dessa energia permanece disputada: o país registra expansão de usinas a gás, enquanto empresas com metas climáticas firmam PPAs renováveis. Já países como Irlanda exigem que novos data centers sejam majoritariamente abastecidos por renováveis. Conclui-se, por fim, que a expansão da IA representa simultaneamente um risco e uma oportunidade: pode pressionar redes e aumentar emissões se baseada em fósseis, mas também pode acelerar a transição energética se combinada a novas renováveis, investimentos em rede e aplicações de IA para otimizar sistemas elétricos. (Climate Change News – 03.03.2026)
Energisa: Adoção de ADMS na PB
A rede elétrica da Paraíba passará a contar com o sistema ADMS (Advanced Distribution Management System), uma plataforma avançada de gestão de redes que integra os sistemas técnicos da distribuidora e amplia o uso de automação na operação do sistema elétrico. A implantação faz parte do plano de investimentos da Energisa para o estado, que prevê mais de R$ 530 milhões em aportes ao longo de 2026, com foco na modernização da infraestrutura e na melhoria da qualidade do serviço. Considerada referência internacional no setor, a tecnologia permite maior agilidade e precisão nas operações do Centro de Operação Integrado, incluindo automação de manobras na rede, despacho inteligente de equipes e otimização de processos operacionais. Na prática, o sistema contribui para reduzir o tempo de resposta a falhas e minimizar os impactos de eventuais interrupções no fornecimento de energia aos consumidores. (Paraíba Online - 03.03.2026)
EUA: Google e Xcel planejam megabateria de 30 GWh para atender data center em Minnesota
Google e Xcel Energy anunciaram plano para implantar o que classificou-se como “o maior projeto de bateria de rede do mundo já anunciado em capacidade energética”, com 300 MW e 30 GWh, destinado a apoiar um data center em Minnesota abastecido por 1,6 GW de fontes renováveis. O projeto será desenvolvido pela Form Energy com tecnologia ferro-ar, capaz de fornecer descarga de longa duração por até 100 horas, solução vista pela Xcel como estratégica para cobrir períodos de baixa geração eólica e solar, especialmente no inverno. O acordo também prevê 1.400 MW de eólica, 200 MW de solar e um novo modelo tarifário sob o qual o Google arcará com os custos da expansão, em processo a ser submetido aos reguladores de Minnesota nas próximas semanas. Além disso, a empresa aportará US$ 50 milhões no programa Capacity*Connect, voltado à instalação de baterias em pontos estratégicos da rede para aliviar congestionamentos e postergar reforços na distribuição. A Form Energy espera entregar os primeiros módulos até o fim de 2028, com produção ampliada em sua fábrica na Virgínia Ocidental ao longo da década. (Utility Dive - 04.03.2026)
Impactos Socioeconômicos
Artigo de Tapas Peshin: “O risco de confiabilidade não se resume mais apenas à capacidade”
Em artigo publicado no Utility Dive, Tapas Peshin (gerente sênior de produtos na PCI Energy Solutions) argumenta que o risco de confiabilidade do sistema elétrico norte-americano deixou de ser apenas uma questão de capacidade instalada e passou a refletir um desalinhamento entre planejamento, desenho de mercado e operação real da rede. Segundo o autor, um relatório da NERC indica que 13 das 23 regiões avaliadas já enfrentam risco elevado ou alto de confiabilidade, impulsionado por crescimento da demanda, aposentadoria de usinas despacháveis e maior dependência de fontes renováveis e recursos baseados em inversores. O problema central é que os modelos tradicionais de adequação focam em picos sazonais, enquanto as vulnerabilidades atuais surgem em intervalos operacionais críticos, como rampas rápidas, eventos climáticos extremos, restrições de combustível e escassez de reservas. O texto usa a experiência do ERCOT (Texas) como estudo de caso. A crise da Tempestade Uri (2021) revelou fragilidades sistêmicas: falhas de geração e fornecimento de gás levaram à perda de 48,6% da capacidade. Reformas posteriores permitiram melhor desempenho durante a Tempestade Elliott (2022) e especialmente na Tempestade Fern (2026), quando não houve cortes sistêmicos. Nesse período, baterias passaram a fornecer grande parte dos serviços ancilares, mostrando o valor de recursos rápidos e flexíveis quando integrados a um desenho de mercado adequado. O arigo conclui que a confiabilidade futura dependerá menos da quantidade de megawatts e mais da valorização de atributos operacionais — flexibilidade, duração, disponibilidade de combustível, desempenho climático e resposta em tempo real. Alinhar planejamento, mercados e operação será decisivo para evitar novas crises à medida que a demanda cresce, usinas térmicas se aposentam e a expansão da transmissão permanece lenta. (Utility Dive - 06.03.2026)
Editorial Reuters: “Analisando o impacto crescente da crise iraniana nos mercados de energia”
Em editorial, a Agência Reuters expõe como a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã está provocando impactos imediatos nos mercados globais de energia, evidenciando a forte interconexão entre petróleo, gás, transporte marítimo e preços de combustíveis. Um dos principais focos de tensão é o Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do comércio global de petróleo, combustíveis e GNL. Com o fechamento da rota após ataques militares, os custos de transporte marítimo dispararam. Como consequência, os preços do petróleo na China aumentaram 31%, superando a alta de 12% registrada nos contratos de Brent e do petróleo norte-americano no mesmo período. O texto também aponta que o choque logístico se espalhou para outros mercados. As tarifas de transporte de combustíveis entre Singapura e Japão e entre EUA e Europa aumentaram, enquanto o mercado europeu de gás registrou fortes elevações após ataques de drones iranianos atingirem instalações de GNL no Catar, levando à suspensão de carregamentos. Como resultado, os futuros de gás na Europa subiram cerca de 70% para contratos próximos. Nos Estados Unidos, mesmo com produção doméstica elevada, os futuros de gasolina avançaram cerca de 10%, refletindo expectativas de oferta global mais apertada e custos logísticos maiores. Conclui-se que a crise no Oriente Médio tem potencial para pressionar ainda mais os preços globais de energia, pois interrupções prolongadas no transporte e na produção podem elevar custos de petróleo, gás, combustíveis e fretes nas principais economias nas próximas semanas. (Reuters - 05.03.2026)
EUA: Estudo indica que expansão de energia limpa não explica alta das tarifas
A expansão da geração limpa, por si só, não tem provocado aumento das tarifas de eletricidade nos Estados Unidos, segundo relatório da Clean Air Task Force (CATF) com base em estudo do Lawrence Berkeley National Laboratory (LBNL). Uma análise dos últimos sete anos não identificou correlação direta entre maior implantação de renováveis e elevação de preços ao consumidor, embora metas mais rígidas de portfólios renováveis (RPS), combinadas a suprimento incremental mais caro, possam pressionar custos em alguns estados. O estudo apontou que projetos renováveis utility-scale contratados fora de programas de RPS e apoiados por incentivos fiscais não tiveram impacto perceptível sobre os preços de varejo. Já os maiores reajustes tarifários estiveram associados à redução da carga de clientes, em parte ligada ao crescimento da geração solar behind-the-meter com net metering, além de fatores como combustíveis voláteis, clima extremo, custo de capital, lentidão na conexão, desenho tarifário e expansão de infraestrutura. A CATF destacou ainda que estados como Iowa, Novo México e Dakota do Sul, que ampliaram fortemente a participação renovável entre 2019 e 2024, registraram algumas das maiores quedas de tarifas no período. (Utility Dive - 05.03.2026)
MENA: Transição avança de forma desigual apesar da aceleração de renováveis
A região do Oriente Médio e Norte da África (MENA) vive uma transição energética acelerada, impulsionada por metas de diversificação econômica, pressões climáticas, crescimento da demanda doméstica e redução dos custos das tecnologias limpas. A capacidade renovável instalada já alcança cerca de 30 GW e a projeção é superar 130 GW até 2030, embora o avanço permaneça desigual entre os países. Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Marrocos e Egito despontam com estratégias nacionais ambiciosas, grandes projetos solares e eólicos e marcos regulatórios voltados à atração de investimentos. A energia solar lidera esse movimento graças à elevada irradiação da região, com potencial de a capacidade solar exceder 180 GW até 2030, mais de 80% concentrados em Arábia Saudita, Emirados e Egito. Apesar do progresso, conflitos, burocracia, fragilidade institucional e restrições de financiamento ainda limitam parte do MENA. Nesse contexto, reformas, cooperação internacional e integração das renováveis ao planejamento econômico serão decisivas para estabilidade, sustentabilidade e influência geopolítica. (Arab News - 05.03.2026)
Rede PP&S: Desmatamento elevou custo da energia em até US$ 1,1 bilhão ao ano no Brasil
O desmatamento da Amazônia encarece estruturalmente a eletricidade no Brasil ao reduzir a formação e o transporte de umidade pelos “rios voadores”, afetando chuvas em bacias que sustentam hidrelétricas como Belo Monte e Itaipu e forçando maior despacho térmico, mais caro e emissor. Pesquisa da Rede de Pesquisa em Produtividade & Sustentabilidade (Rede PP&S), baseada em dados do MapBiomas desde 1985 combinados a modelos atmosféricos, bacias hidrográficas e localização de usinas, estima que, se o corte da floresta tivesse sido evitado e a área pudesse ser reflorestada, as perdas ao consumidor poderiam chegar a até US$ 1,1 bilhão por ano. De 1985 para cá, 845 mil km² foram desmatados. O estudo aponta heterogeneidade territorial: áreas no arco do desmatamento, incluindo territórios indígenas, concentram maior valor hidrológico; apenas o Parque Indígena do Xingu é estimado em cerca de US$ 5 bilhões em energia hidrelétrica. (Valor Econômico - 02.03.2026)
Reino Unido: Suprema Corte rejeita imunidade da Espanha em disputa sobre renováveis
A Suprema Corte do Reino Unido decidiu que a Espanha não pode invocar imunidade estatal para impedir o registro, em território britânico, de uma indenização multimilionária ligada ao corte de incentivos às energias renováveis, em decisão com potencial de limitar a capacidade de Estados resistirem a arbitragens de investimento. O caso envolve as empresas Infrastructure Services Luxembourg e Energia Termosolar, que recorreram à arbitragem com base no Energy Charter Treaty após a retirada de subsídios espanhóis para projetos renováveis. O Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos (ICSID), do Banco Mundial, concedeu às investidoras 101 milhões de euros, valor que, com juros, já gira em torno de 120 milhões de euros. A Corte britânica entendeu que, ao aderir à Convenção do ICSID, Madri aceitou se submeter à jurisdição dos tribunais ingleses para fins de registro da sentença, embora tenha preservado a possibilidade de imunidade na etapa de execução contra bens estatais. A disputa integra um conjunto de mais de 20 arbitragens não pagas contra a Espanha, estimadas em cerca de 1,6 bilhão de euros em setembro de 2025. (Reuters – 04.03.2026)
UNCTAD: Oportunidades em minerais críticos da transição energética ainda segregam mulheres
A expansão global das tecnologias limpas está elevando de forma expressiva a demanda por minerais críticos da transição energética, como cobalto e níquel, criando oportunidades econômicas para países em desenvolvimento ricos em recursos, mas os benefícios ainda tendem a não alcançar as mulheres. Um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), com estudos de caso sobre República Democrática do Congo e Indonésia, mostra que, apesar do avanço do investimento, da mineração e do processamento local, a participação feminina continua concentrada em funções informais, mal remuneradas, de baixa produtividade e alto risco. Em algumas regiões, as mulheres representam de 30% a 50% da força de trabalho na mineração artesanal e de pequena escala, atuando sobretudo em limpeza, processamento e transporte mineral, enquanto permanecem quase ausentes de cargos técnicos, gerenciais e executivos. O documento ressalta que atender às metas globais de net zero pode exigir, até 2030, cerca de 80 novas minas de cobre, 70 de lítio e níquel cada e 30 de cobalto, o que reforça a urgência de políticas com recorte de gênero, formação técnica, capacitação em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), melhor governança e produção de dados desagregados. (UNCTAD – 04.03.2026)
União Europeia: Retirada de selo de emissões do aço de projeto da lei “made in Europe”
A União Europeia retirou, na versão mais recente do Industrial Accelerator Act, a proposta de criar um selo voluntário para classificar a intensidade de emissões do aço, medida que vinha sendo defendida por siderúrgicas de baixo carbono para dar visibilidade comercial ao chamado aço verde e estimular a recuperação industrial do bloco. Segundo a Reuters, a mudança de última hora ocorreu antes da publicação esperada da lei e reflete preocupações internas na Comissão Europeia com o aumento da burocracia, já que outra norma de rotulagem para emissões de aço está em elaboração. Apesar da exclusão do selo, o texto mantém dispositivos para fortalecer a demanda por aço de menor emissão, incluindo a exigência de que, em compras públicas, ao menos 25% do aço adquirido seja de baixo carbono. O projeto também prevê que tecnologias apoiadas com recursos públicos tenham uma parcela mínima de fabricação local. Hydnum Steel e Eurofer criticaram o adiamento, afirmando que a falta de classificação posterga investimentos em um momento em que projetos europeus de aço verde enfrentam custos elevados e dificuldades de implementação. (Reuters - 03.03.2026)