Transição Energética 106
Dinâmica Internacional
Canadá: Canada Infrastructure Bank realiza empréstimo para projeto eólico de 148,5 MW
O Canada Infrastructure Bank (CIB) comprometeu empréstimo de C$ 206 milhões (US$ 150,5 milhões) para parceria entre Slate Asset Management e fundos geridos pela Hamilton Lane, viabilizando o projeto eólico Mersey River, na Nova Scotia. A usina terá 33 turbinas e capacidade de 148,5 MW, estimada para atender mais de 50 mil residências, com comercialização de energia diretamente a clientes finais na província por meio da Renewall Energy. O governo federal posiciona o investimento como parte da transição para sair do carvão e ampliar renováveis até 2030. O projeto estima reduzir emissões em cerca de 220 mil t/ano, equivalente a 1,5% das emissões provinciais registradas em 2022, e prevê construção em duas etapas, com mais de 200 empregos no pico e início de operação em 2027. É elegível a até 30% de cobertura de custos de capital via Clean Technology Investment Tax Credit, além de até C$ 25 milhões da iniciativa Smart Renewables and Electrification Pathways. Embora seja eólico, a lógica de financiamento e estabilidade de receita é alinhada a projetos que se beneficiam de armazenamento para firmar entrega e gestão de variabilidade. (Energy Monitor – 27.02.2026)
Editorial Reuters: “Ucrânia está mostrando por que a eletrificação é central para a segurança energética da europa”
Em editorial, o Reuters argumenta que a Ucrânia tornou-se um caso emblemático de como a eletrificação fortalece a segurança energética europeia, apesar do contexto de guerra. Desde a invasão russa, o país sofreu ataques sistemáticos a usinas, subestações e redes de transmissão. A maior empresa privada de energia do país relatou que 80% de sua capacidade de geração foi danificada ou destruída, enquanto a usina nuclear de Zaporizhzhia permanece sob ocupação. Diante da vulnerabilidade da geração centralizada a carvão e gás, a Ucrânia acelerou a transição para um sistema mais distribuído e eletrificado, expandindo solar descentralizada, baterias e geração modular, apoiada por financiamento internacional. Em 2025, entrou em operação um sistema de armazenamento de 400 MWh, capaz de abastecer cerca de 600 mil residências por duas horas, reforçando a resiliência em apagões. A sincronização emergencial da rede ucraniana com o sistema elétrico continental europeu em 2022 permitiu importações estratégicas e estabilização do fornecimento. O texto sustenta que essa experiência demonstra que eletrificação, renováveis e interconexão regional reduzem a dependência de combustíveis fósseis importados e aumentam a robustez sistêmica. (Reuters – 24.02.2026)
Espanha: Reformas estruturais baseadas na flexibilidade do acesso à rede
A Espanha iniciou duas reformas estruturais que redefinem o acesso à capacidade na rede elétrica em um contexto de alta penetração renovável e congestionamento crescente. A Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência (CNMC) abriu consulta pública sobre a criação de permissões de acesso flexível para a demanda. Para tanto, foram estabelecidos quatro tipos de acesso, permitindo que consumidores aceitem restrições operativas em troca de conexão em nós congestionados, com exigência de controle remoto e possibilidade de desconexão em caso de risco à segurança do sistema. A implementação será progressiva até 2029 e exigirá que operadores de rede disponham de ferramentas para gestão ativa da demanda. Paralelamente, o Ministério para a Transição Ecológica (MITECO) apresentou um projeto de Real Decreto que eleva os requisitos técnicos de conexão à rede. A iniciativa atualiza integralmente os critérios técnicos para geração, demanda, armazenamento e sistemas HVDC, aplicando-se a novas conexões e modificações relevantes. O texto cria um marco específico para armazenamento de energia, alinhado à meta do Plano Nacional de Energia e Clima (PNIEC) de 22,5 GW até 2030, e impõe exigências mais rigorosas a grandes consumidores, como hidrogênio verde e data centers, incluindo requisitos de qualidade de energia, resposta a distúrbios e estabilidade dinâmica. O sinal regulatório é que a capacidade deixa de depender exclusivamente do reforço físico da infraestrutura e passa a ser condicionada à flexibilidade operacional e à robustez técnica do consumidor. (Strategic Energy – 25.02.2026)
Grécia: Comissão Europeia aprova aporte de € 400 milhões para tecnologias limpas
A Comissão Europeia aprovou um esquema de auxílio estatal de €400 milhões à Grécia para ampliar a capacidade industrial em tecnologias limpas, alinhado ao Clean Industrial Deal. O apoio será concedido por meio de subsídios diretos e benefícios fiscais e estará disponível a empresas estabelecidas no país até 31 de dezembro de 2030. O foco é expandir a manufatura de tecnologias net zero, seus componentes estratégicos e matérias-primas críticas associadas. A iniciativa integra a estratégia europeia de mobilizar mais de €100 bilhões para fortalecer a indústria limpa, reduzir a burocracia e coordenar políticas industriais no bloco. Entre as tecnologias prioritárias estão solar, eólica, veículos elétricos, armazenamento em baterias, hidrogênio e captura, uso e armazenamento de carbono (CCUS). Segundo a Comissão Europeia, as renováveis representaram 25,2% do consumo final de energia da UE em 2024 (ante 24,6% em 2023), com a Suécia liderando (62,8%). Ao mesmo tempo, dados da Agência Internacional de Energia (IEA) e da Organização de Ciência e Pesquisa Industrial da Commonwealth (CSIRO) indicam que as emissões globais de CO₂ de combustíveis fósseis podem atingir 38,1 bilhões de toneladas, com alta projetada de 1,1% em 2025, reforçando a urgência de acelerar investimentos industriais e tecnológicos para viabilizar a neutralidade climática. (Mining.com.au – 26.02.2026)
IEA: Demanda elétrica irá crescer acima de 3,5% ao ano até 2030
A IEA estima que a demanda global de eletricidade crescerá, em média, mais de 3,5% ao ano até 2030, impulsionada por eletrificação industrial, veículos elétricos, ar-condicionado e expansão de data centers e IA. O relatório Electricity 2026 afirma que o consumo elétrico avançará ao menos 2,5 vezes mais rápido que a demanda total de energia no período, com economias emergentes liderando, mas com retomada também em países avançados após 15 anos de estagnação. Do lado da oferta, renováveis — especialmente solar — estão em processo de ultrapassar o carvão (em 2025, praticamente empataram), com nuclear em recorde; até 2030, renováveis e nuclear devem somar 50% da geração (42% “hoje”, segundo a IEA). O documento alerta que expansão de redes e flexibilidade é crítica: há mais de 2.500 GW de projetos (renováveis, armazenamento e grandes cargas) travados em filas de conexão; tecnologias de melhoria de rede e reformas regulatórias poderiam viabilizar até 1.600 GW no curto prazo. A mensagem central é que armazenamento e resposta da demanda serão decisivos para confiabilidade e custos. (IEA – 06.02.2026)
IEA: Patentes mostram armazenamento no centro da inovação energética
Relatório State of Energy Innovation 2026, da IEA, aponta que a inovação em energia entrou em fase orientada por segurança energética, competitividade industrial e resiliência de infraestrutura, com tecnologias do setor compondo mercados trilionários. O estudo indica que cerca de 1 em cada 10 patentes globais está relacionada a energia e que o armazenamento se tornou o principal vetor: baterias responderam por 40% de todo o patenteamento em energia em 2023, participação sem precedentes para uma única área, com expectativa de alta adicional em 2024 e 2025. China, Coreia e Japão seguem como grandes fontes de patentes em íons de lítio, com avanço da participação chinesa. O relatório também registra quedas em financiamento: P&D público global estimado em US$ 55 bilhões em 2025 (-2% a/a), crescimento de P&D corporativo em 1% em 2024 e recuo do venture capital em energy tech para US$ 27 bilhões em 2025 (terceiro ano de queda), em meio a juros altos e competição com IA. A leitura reforça armazenamento como peça-chave para redes mais robustas. (IEA – 17.02.2026)
IEA: Podcast discute segurança energética sob novas ameaças e reforça papel de resiliência e flexibilidade
A IEA lançou episódio do podcast Everything Energy com entrevistas de Tan See Leng (Singapura) e Leila Benali (Marrocos) sobre como a segurança energética mudou diante de riscos tradicionais e emergentes, incluindo eventos extremos, vulnerabilidades operacionais e necessidade de diversificação. O conteúdo, gravado na 2026 IEA Ministerial Meeting, traz também comentários do economista-chefe Tim Gould com base no World Energy Outlook 2025, conectando segurança a decisões de investimento e coordenação internacional. Embora o foco seja política e estratégia, a discussão reforça que confiabilidade depende de infraestrutura, gestão de risco e capacidade de resposta do sistema — contexto em que armazenamento e outras formas de flexibilidade (curto e longo prazo) ganham relevância para amortecer choques de oferta e variações de demanda, além de apoiar maior participação de renováveis. O episódio integra uma série que aborda tecnologias e tendências do setor, ampliando o debate público sobre resiliência e planejamento energético em diferentes realidades nacionais. (IEA – 26.02.2026)
Itália: Plano de investimentos prevê € 53 bilhões para reforço da rede visando flexibilidade
A Enel anunciou plano de investimentos de € 53 bilhões (US$ 63 bilhões) entre 2026 e 2028, € 10 bilhões acima do plano anterior, priorizando expansão na Europa e nos Estados Unidos. Metade do capex será destinada à infraestrutura de redes elétricas, refletindo a necessidade de acomodar eletrificação e a variabilidade de renováveis; cerca de 38% irá para projetos renováveis, e o restante para outras operações. A companhia projeta aumento do lucro por ação (EPS) de € 0,69 em 2025 para a faixa de € 0,80–€ 0,82 em 2028 e espera elevar o dividendo por ação em média 6% ao ano até 2028. O conselho também aprovou programa de recompra de ações de até € 1 bilhão, a ser executado até julho, dentro de autorização mais ampla já concedida por acionistas. A maior parte dos investimentos em rede ocorrerá na Itália, com alocações adicionais na Península Ibérica e na América Latina. A expansão de redes e renováveis tende a ampliar a relevância de armazenamento como ativo de flexibilidade e estabilidade. (Energy Monitor – 24.02.2026)
União Europeia: Países-membros aprovam a flexibilização de regras para sustentabilidade corporativa
Os países da União Europeia aprovaram em definitivo a flexibilização das regras de sustentabilidade corporativa, reduzindo o alcance da Diretiva de Due Diligence em Sustentabilidade Corporativa (CSDDD) após pressões de governos e empresas, incluindo Estados Unidos e Catar. As mudanças restringem a aplicação das obrigações apenas às maiores companhias: empresas na UE com mais de 5.000 empregados e faturamento anual superior a €1,5 bilhão, locais e estrangeiras. As multas por descumprimento podem chegar a 3% do faturamento global líquido. O prazo de implementação foi adiado para meados de 2029 (antes previsto para 2027), e foi eliminada a exigência de adoção de planos obrigatórios de transição climática. A revisão também altera a Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD), elevando o critério mínimo para reporte a empresas com mais de 1.000 empregados e €450 milhões de faturamento, ante o limite anterior de 250 empregados. Autoridades europeias argumentam que a medida reduz encargos regulatórios e melhora a competitividade, enquanto organizações ambientais e parte do mercado financeiro alertam que a mudança pode enfraquecer a transparência e dificultar a identificação de empresas genuinamente sustentáveis. As novas regras devem entrar formalmente em vigor nas próximas semanas. (Reuters – 24.02.2026)
Chile: Atlas capta US$ 3 bilhões para solar e armazenamento na América Latina
A Atlas Renewable Energy estruturou financiamento de aproximadamente US$ 3 bilhões com apoio da Global Infrastructure Partners e de bancos como Santander, BNP Paribas, Crédit Agricole, Goldman Sachs, Morgan Stanley, MUFG e Natixis CIB. Os recursos visam otimizar a estrutura de capital e reduzir custos em seu portfólio regional, concentrado em ativos solares e projetos de armazenamento de alto desempenho no Chile, além de iniciativas no Brasil e no México. A operação envolveu 26 escritórios de advocacia em 11 países, incluindo Machado Meyer e Milbank LLP, e abrangeu auditoria jurídica e negociação de garantias cross-border. A companhia destaca a maturidade do mercado latino-americano e a confiança dos credores internacionais em soluções de solar e baterias. (Agência CanalEnergia - 24.02.2026)
Nacional
BNDES: Banco anuncia R$ 70 bilhões em crédito em 2026 para reindustrialização
O BNDES informou que disponibilizará R$ 70 bilhões em linhas de crédito até o fim de 2026 para financiar a reindustrialização no âmbito da Nova Indústria Brasil (NIB), complementando os R$ 300 bilhões aportados entre 2023 e 2025. A estrutura de financiamento combina recursos não reembolsáveis e participações acionárias, com execução via BNDES, Finep e Embrapii, e consolida um arcabouço de capital para modernização produtiva e cadeias tecnológicas. No ciclo anterior, R$ 287,4 bilhões foram financiados com renda fixa e R$ 12,6 bilhões com renda variável; a indústria produtiva concentrou R$ 212,8 bilhões, seguida por exportadora (R$ 46,3 bi), inovadora e digital (R$ 29,1 bi) e verde (R$ 11,9 bi). O desenho pode acelerar demanda por eletrificação, eficiência e soluções de armazenamento em processos industriais. (Agência Eixos – 27.02.2026)
Brasil: Liderança em renováveis deve ser acompanhada de qualificação, previsibilidade e infraestrutura para consolidar a descarbonização
A transição energética brasileira entra em fase decisiva: embora o país tenha vantagem estrutural, com 88,2% da matriz elétrica renovável em 2024, segundo o Balanço Energético Nacional 2025 da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e cerca de 50% de renováveis na oferta interna total de energia, a consolidação do protagonismo dependerá de infraestrutura, qualificação profissional e previsibilidade regulatória. Um estudo global da Fondazione Maire – ETS em parceria com a Ipsos, com mais de 2.300 entrevistados em 14 países, indica que a percepção pública e o comprometimento institucional são determinantes para acelerar a descarbonização. Nesse quesito, a Índia lidera em consciência declarada (63%) e percepção de compromisso (71%). No Brasil, apesar da base renovável robusta, especialistas alertam que liderança estrutural não garante competitividade futura sem modernização da rede, armazenamento e integração de fontes intermitentes. Ainda, a qualificação profissional emerge como vetor crítico: projeções da Schneider Electric e da Systemiq apontam potencial de 760 mil empregos na bioenergia até 2030. Ao mesmo tempo, pesquisa “ESG Trends 2025” revela descompasso entre percepção e prática: 76% valorizam renováveis, mas apenas 26% afirmam utilizá-las. Nesse contexto, o avanço da transição exigirá coordenação público-privada, expansão da infraestrutura de transmissão, soluções de armazenamento e estabilidade regulatória para atrair capital e transformar a vantagem comparativa brasileira em liderança efetiva na descarbonização global. (Cenário Energia – 25.02.2026)
Brasil: Shoppings usam ACL, gestão digital e retrofit para reduzir custos e abrir espaço para flexibilidade e armazenamento
Shopping centers seguem como cargas intensivas em 2026, pressionadas por tarifas, encargos e metas ESG, e o texto aponta integração de soluções como caminho para reduzir custo e aumentar previsibilidade. Com base no Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2025 (ano-base 2024), o consumo comercial foi de 104,1 TWh (+6,3% a/a) e o varejo respondeu por 29.581 GWh (30,1% do total do comércio). A climatização (HVAC) é indicada como maior parcela do consumo, e modernização pode elevar eficiência: equipamentos atuais operam 20% a 40% melhor do que sistemas de 10–15 anos; retrofit de HVAC de 15 anos pode gerar economia imediata de 30% a 40%, e LED pode ser até 80% mais eficiente. O artigo cita que cerca de 92% dos shoppings já operam no ACL, com potencial de redução de custos de até 40% e maior contratação de renováveis (87% já usam fontes renováveis, segundo Abrasce). Monitoramento contínuo, automação e revisão contratual criam condições para resposta da demanda e eventual armazenamento para suavizar picos e aumentar resiliência. (Além da Energia – 27.02.2026)
CEEE: Fiscalização qualificada e transição energética são prioridades para 2026
A Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Engenharia Elétrica (CCEEE) definiu como prioridades para 2026 o fortalecimento da fiscalização técnica e a adequação regulatória diante da transição energética, digitalização e expansão de sistemas como geração distribuída, mobilidade elétrica, data centers e armazenamento com baterias (BESS). Durante o 15º Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea, foram debatidas a revisão das Metas Nacionais de Fiscalização, a criação de Manuais de Fiscalização por Empreendimento — com critérios baseados em risco e impacto social — e a elaboração de decisão normativa para sistemas de armazenamento. A coordenadoria também propõe termo de cooperação com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para assegurar a presença de engenheiros eletricistas nos Conselhos de Consumidores e criar canal técnico entre concessionárias e profissionais. Outro eixo estratégico envolve mitigar conflitos de atribuições com Conselho Federal dos Técnicos Industriais (CFT) e Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), ampliando a segurança jurídica. No campo institucional, a CCEEE defende maior aproximação com jovens engenheiros por meio de capacitação em renováveis, armazenamento e infraestrutura crítica. O legado pretendido é um sistema mais padronizado, orientado por evidências e preparado para sustentar a modernização do setor elétrico brasileiro. (CONFEA – 25.02.2026)
FGV: PIB da bioeconomia atinge R$ 2,7 trilhões em 2023
Após a COP30 (novembro de 2025, Belém), especialistas apontam que a bioeconomia brasileira entrou em fase de execução, sustentada por novas políticas e financiamento. O país lançou a plataforma global Bioeconomy Challenge e programas como o Coopera+Amazônia, com R$ 107 milhões via BNDES e Fundo Amazônia para cooperativas locais; o Amazonas estruturou plano estadual para produção sustentável. Dados do Observatório de Bioeconomia da FGV indicam PIB da Bioeconomia (PIB-Bio) de R$ 2,7 trilhões em 2023, equivalente a 25,3% da atividade econômica (20,2% em 2010), com crescimento tímido (<1% a.a.) entre 2010 e 2023. Projeções citadas indicam potencial de adicionar US$ 100–140 bilhões à economia a partir de 2032 (ICC Brasil). O fortalecimento de bioenergia e cadeias industriais pode ampliar demanda por flexibilidade e armazenamento para integrar renováveis e biomassa. (Além da Energia – 26.02.2026)
RSM: Brasil será hub de investimentos em transição energética na América Latina
Estudo desenvolvido pela empresa de auditoria RSM sinaliza que em 2026 o Brasil deve consolidar o protagonismo na agenda detransição energética. O país se posiciona como um dos principais polos globais de atração de investimentos sustentáveis. De acordo com oestudo, o legado da COP 30 em Belém posicionou o país como o principal destino regional para investimentos em descarbonização. Bioenergia e projetos eólicos e solares são apontados como o motor que atrai capital estrangeiro e impulsiona a inovação tecnológica no middle market. Acesse o estudo aqui. (Agência CanalEnergia - 20.02.2026)
GESEL: Fontes distintas não devem competir juntas nos leilões de energia, diz Nivalde de Castro
Criados em 2004 após a crise elétrica, os leilões federais de energia passaram a ser questionados diante das mudanças na matriz e da expansão do mercado livre e da geração solar, que elevaram os custos para consumidores residenciais. Com excesso de oferta em alguns períodos e a futura migração desses consumidores para o mercado livre a partir de 2028, especialistas defendem o fim dos leilões de energia nova e divergem sobre os de reserva de capacidade, discutindo se diferentes fontes devem competir entre si ou ser contratadas separadamente. Segundo Nivalde de Castro, professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL), é inviável colocar fontes diferentes para competir juntas nos leilões de capacidade, pois cada uma possui características técnicas e estruturas de custos distintas, o que exige contratações específicas para garantir uma matriz diversificada e segura. Ele destaca que as termelétricas, além de atenderem picos de demanda em períodos curtos, também conseguem gerar energia em momentos de seca ou baixa incidência solar, assegurando fornecimento contínuo ao sistema independentemente das condições climáticas. Acesse a matéria na íntegra aqui. (Folha de São Paulo – 01.03.2026)
Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais
Artigo de Fernando Caneppele: “BESS na mobilidade elétrica: o pulmão para recarga de pesados”
Em artigo publicado no Canal VE, Fernando Caneppele (professor da USP e pesquisador associado do GESEL-UFRJ) defende que os Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS) são elemento estruturante para a eletrificação de frotas pesadas no Brasil, ao mitigar a pressão de potência instantânea sobre redes de distribuição. Segundo o autor, o desafio central não é o consumo total, mas a demanda simultânea de centenas de kW por carregadores ultrarrápidos. Nesse contexto, o BESS atua como “amortecedor” via peak shaving, carregando em períodos de baixa demanda e fornecendo potência no pico, evitando reforços bilionários de rede e penalidades por ultrapassagem de demanda contratada. O texto também destaca a integração BESS + solar fotovoltaica para viabilizar hubs em rodovias com redes frágeis, criando “oásis energéticos” que armazenam geração diurna para uso noturno, ampliando a capilaridade da recarga com energia limpa. Ademais, aponta o BESS como ativo financeiro e regulatório no Mercado Livre, habilitando arbitragem de preços e, potencialmente, serviços ancilares remunerados pela Aneel, convertendo a infraestrutura de recarga em provedor de resiliência sistêmica. O artigo conclui que armazenamento robusto é o elo crítico para uma transição técnica e economicamente sustentável na mobilidade elétrica pesada. (Canal VE - 23.02.2026)
Brasil: BRT inicia operação com ônibus elétricos no RJ
O sistema BRT do Rio de Janeiro iniciou nova etapa de modernização com a entrada em operação, em fase de testes com passageiros, de um ônibus elétrico desenvolvido no Brasil pela Eletra. A iniciativa integra o programa da Secretaria Municipal de Transportes voltado à descarbonização da frota e é apontada como marco para o fortalecimento da cadeia produtiva nacional na eletrificação do transporte coletivo, especialmente em um dos sistemas de BRT mais exigentes do mundo. O veículo possui autonomia de até 300 quilômetros e tempo de recarga entre três e quatro horas, características consideradas adequadas para corredores de alta demanda. A nacionalização da tecnologia também amplia o acesso a linhas de financiamento, como as do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que priorizam conteúdo local. Os testes seguem até abril de 2026, e o desempenho operacional deverá orientar eventuais expansões da frota elétrica no sistema. (Cenário Energia - 23.02.2026)
EPE: Mobilidade elétrica deve elevar demanda por eletricidade em 1.140% até 2035
A eletromobilidade passou a ocupar posição estratégica no setor elétrico brasileiro, diante da projeção da EPE de que o consumo de eletricidade associado aos VEs crescerá de 627 GWh, em 2025, para 7,8 TWh em 2035, avanço superior a 1.100% em dez anos. A expansão da frota e da infraestrutura de recarga, que vai de carregadores residenciais a hubs ultrarrápidos, impõe desafios técnicos, regulatórios e tarifários, sobretudo em relação ao agrupamento de cargas em condomínios e eletropostos, com potencial de pressionar redes locais nos horários de pico. Estudos da Universidade de Houston indicam que o principal risco está na concentração da recarga em determinados períodos, elevando picos de demanda e sobrecarga de transformadores. Avaliação do Lactec aponta que o sistema elétrico nacional tem capacidade para absorver o crescimento, desde que haja planejamento e adoção de soluções como recarga inteligente, controle de demanda e balanceamento de carga, medidas capazes de mitigar custos e evitar reforços estruturais desnecessários. (Cenário Energia - 25.02.2026)
Rivian e EnergyHub: Parceria visando iniciativas de carregado gerenciado de VEs
Rivian e EnergyHub firmaram parceria para ampliar programas de carregamento gerenciado de veículos elétricos (VEs), integrando o controle ao software do veículo e às necessidades das distribuidoras. A Rivian afirma que a capacidade agregada dos VEs já em circulação nos Estados Unidos chega a quase 200 GWh, suficiente para gerar benefícios reais do nível de rede de distribuição ao sistema regional. O modelo é “plug-and-forget”: o motorista define hora de saída e estado de carga desejado, e o sistema ajusta automaticamente a potência para evitar picos sem comprometer a recarga. Um estudo da Brattle para a EnergyHub indica que o carregamento gerenciado reduz consumo nas janelas de pico e pode dobrar ou triplicar a capacidade de a rede “hospedar” VEs antes de upgrades, além de cortar mais de 25% do custo por veículo em comparação ao carregamento não gerenciado. Os VEs da Rivian passam a integrar a VPP da EnergyHub, que a empresa diz reunir 2,5 milhões de Recursos Energéticos Distribuídos (REDs) e mais de 3,5 GW de flexibilidade em utilities, combinando VEs com termostatos, baterias residenciais e outros recursos. (Utility Dive - 24.02.2026)
Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis
ANP: Aprovação de novas regras para o biometano
A ANP concluiu dois itens da agenda regulatória do biometano: individualização das metas anuais e criação do Certificado de Garantia de Origem de Biometano (CGOB). A agência mudou entendimento e ampliou o universo de supridores obrigados a adquirir CGOBs, incluindo “toda pessoa jurídica proprietária do gás natural efetivamente produzido”, abrangendo autoprodutores, importadores, autoimportadores e produtores em diferentes regimes, com exceção da PPSA. Permanecem isentos pequenos produtores ou importadores com até 160 mil m³/dia na média anual. O texto também ajusta o cálculo de volumes importados para considerar volume líquido (descontadas exportações) e altera a compensação de metas: se até 15% da meta de um ano for cumprida no subsequente, o agente deve cumprir integralmente a meta do ano corrente e adicionar a parcela não comprovada do ano anterior, em regra similar ao Renovabio. Para o CGOB, a validade do título será de 18 meses, com separação entre molécula e atributo ambiental para evitar dupla contagem. Exige credenciamento formal de ACOs e certificação com validade de quatro anos, condicionada a monitoramentos anuais e vistoria in loco inicial. O mandato depende de percentual de descarbonização a ser definido no CNPE. (Agência Eixos – 27.02.2026)
Brasil: Comissão especial debate papel dos biocombustíveis na transição energética
Seminário promovido pela Comissão Especial de Transição Energética da Câmara dos Deputados mostrou, ontem dia 25, ações em curso no Brasil e no mundo para a construção do chamado “mapa do caminho”, rumo à gradual substituição de combustíveis fósseis. As iniciativas vêm do governo, do Parlamento e da Conferência da ONU sobre Mudança do Clima. O presidente da COP 30 até novembro, o embaixador André Correa Do Lago Anunciou que, nesta semana, será publicado um chamado para que todos os países e entidades inscritas na Convenção do Clima enviem sugestões, que serão consolidadas até a COP 31. Além disso, Correa argumenta que a COP 30, permitiu avanços na padronização dos protocolos de contabilidade das emissões e na coalizão de países com mercados regulados de carbono. O presidente da comissão especial da Câmara e coordenador da Coalização dos Biocombustíveis no Congresso Nacional, deputado Arnaldo Jardim apresentou um esboço de projeto de lei do “mapa do caminho”, demonstrando esforço doméstico em relação a temática. (Agência Câmara - 25.02.2026)
EUA: Políticas federais impulsionam mercado de hidrogênio de baixo carbono
Relatório da GlobalData indica que a produção de hidrogênio de baixo carbono atingiu 0,84 milhão de toneladas por ano em 2024, com capacidade global de 1,7 milhão de toneladas anuais. Até 2030, o mercado pode alcançar 65,3 mtpa no cenário otimista e 42 mtpa no pessimista, com o hidrogênio verde respondendo por 88,6% da produção, ante 14,9% em 2024, enquanto o azul cairia para 11,3%. Nos EUA, marcos como a Lei de Política Energética de 2005, a Lei de Investimento em Infraestrutura e Empregos de 2021 e a Lei de Redução da Inflação de 2022 ampliaram créditos fiscais e financiamento à produção e infraestrutura. Canadá e México também avançam em estratégias nacionais, reforçando a expansão nas Américas. (Agência CanalEnergia - 19.02.2026)
IRENA e ICAO: Iniciativa visa destravar financiamento de SAF com instrumentos de de-risking
A IRENA detalhou a estratégia Finvest@ETAF, iniciativa com a ICAO para converter projetos de Sustainable Aviation Fuel (SAF) em empreendimentos “investiment-ready”, reduzindo gargalos de bancabilidade ligados a custos iniciais altos, risco first-of-a-kind, certificação e incerteza de offtake. A proposta usa a plataforma ETAF, que reúne 14 parceiros e mais de US$ 4,15 bilhões em capital comprometido, como base para conectar desenvolvedores a apoio técnico e soluções financeiras. O pacote de mitigação combina blended finance, aportes de equity, garantias e seguros e serviços de advisory para melhorar estrutura comercial e reduzir riscos de receita, tecnologia e supply chain. A iniciativa se apoia em marcos como CORSIA e no avanço de políticas (ex.: ReFuelEU Aviation e SAF Grand Challenge), visando acelerar escala e pipeline global. (IRENA – 27.02.2026)
Naturgy: Chamada pública para compra de biometano no RJ
A Naturgy lançou o edital de sua primeira chamada pública para a compra de biometano, com o objetivo de atender à demanda no estado do Rio de Janeiro. As propostas podem ser enviadas até 2 de abril de 2026, e a iniciativa está alinhada à Política Estadual de Gás Natural Renovável, reforçando o compromisso com a transição energética. A medida busca ampliar a participação do biometano na matriz energética fluminense e contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Além de reduzir impactos ambientais, a chamada pública também estimula a destinação adequada de resíduos orgânicos, transformando-os em fonte de energia e agregando valor econômico. Segundo Rafael Miranda, diretor de Regulação da empresa, o edital representa o primeiro passo para expandir gradualmente o uso do gás natural renovável em conjunto com o gás fóssil. O biometano, produzido a partir de resíduos urbanos, industriais e agropecuários, pode reduzir em até 95% as emissões de CO₂ em comparação com combustíveis mais poluentes, como diesel e gasolina, ao mesmo tempo em que fortalece a economia circular. (Megawhat - 03.03.2026)
Uruguai: Fornecimento de 100 mil t de e-metanol por ano para a Alemanha
A HIF Global firmou princípios de acordo (“Heads of Agreement”) com a alemã German eFuel One GmbH para fornecer aproximadamente 100 mil toneladas anuais de e-metanol a partir de seu projeto em Paysandú, no Uruguai, consolidando o país como fornecedor de moléculas verdes para a Europa. O combustível deverá atender às especificações da International Methanol Producers and Consumers Association (IMPCA) e ser certificado segundo a diretiva europeia RED III (RFNBO). A produção será sustentada por grande capacidade renovável dedicada, incluindo o parque solar Lucía (1.162 MWp) e o parque eólico Elena (1.137,6 MW). O e-metanol é obtido pela combinação de hidrogênio verde, gerado por eletrólise com energia renovável, e CO₂ reciclado, podendo ser utilizado diretamente em transporte marítimo e indústria ou convertido em e-gasolina e e-SAF para aviação. O acordo fortalece a estratégia da HIF de ampliar sua presença no mercado europeu e posiciona o porto de Hamburgo (Alemanha) como potencial hub logístico para importação de combustíveis sintéticos. A iniciativa também integra os esforços europeus de descarbonização e diversificação energética, vinculando a expansão da produção internacional de e-fuels à segurança de suprimento e à transição para mobilidade de baixo carbono. (Strategic Energy – 23.02.2026)
Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização
Editorial Reuters: “O boom da IA nos EUA enfrenta um choque elétrico”
Em editorial, o Reuters analisa o risco da expansão acelerada da inteligência artificial nos Estados Unidos esbarrar em um gargalo estrutural na infraestrutura elétrica. Gigantes como Microsoft, Amazon, Alphabet e Meta planejam investir mais de US$ 600 bilhões em IA em 2026, impulsionando a construção de data centers que consomem volumes massivos de energia, podendo demandar mais de 1 GW contínuo. Segundo a consultoria Cleanview, 46 novos data centers pretendem construir usinas próprias, majoritariamente a gás, somando 56 GW de capacidade, cerca de 30% da expansão planejada. O crescimento da demanda já pressiona o sistema: o consumo elétrico dos EUA atingiu 4.195 TWh em 2025, com preços subindo 7% no ano. Ainda, a Agência Internacional de Energia (IEA) projeta aumento médio anual de quase 2% até 2030, impulsionado principalmente por data centers. Operadores como PJM Interconnection alertam para possível déficit de até 60 GW nas próximas décadas e risco de insuficiência de capacidade já em 2027, enquanto o ERCOT reporta 226 GW de pedidos de conexão de grandes cargas. Soma-se a isso a escassez global de turbinas a gás: fabricantes como GE Vernova e Siemens Energy indicam carteiras esgotadas até o fim da década. O texto conclui que, sem forte expansão da rede e da geração, o avanço da IA poderá ser limitado por restrições físicas e regulatórias do setor elétrico. (Reuters – 25.02.2026)
Energy Technology Coalition: IA e expansão da demanda podem ter dinâmica de reciprocidade
O avanço da inteligência artificial (IA) está pressionando o sistema elétrico global, mas também pode oferecer parte da solução para o próprio aumento da demanda. Diante desse cenário, foi criada a Energy Technology Coalition, grupo por convite co-presidido pela Schneider Electric e pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF), com o objetivo de acelerar o uso de tecnologias digitais para otimizar o consumo e tornar as redes mais responsivas. Segundo o New Energy Outlook 2025 da BNEF, a demanda global por eletricidade pode crescer 34% na próxima década e 75% até 2050, com a IA e a expansão da computação representando parcela relevante desse aumento. A coalizão concentra-se em soluções do lado da demanda, como gestão de redes com IA, digital twins, automação industrial, eficiência em edifícios e microrredes, buscando combinar eficiência energética e flexibilidade operacional. A proposta é tornar o consumo “mais inteligente”, permitindo maior integração de fontes limpas sem comprometer confiabilidade e custos. A iniciativa parte do diagnóstico de que a adoção dessas tecnologias ainda é lenta, exigindo coordenação entre empresas de energia, setor tecnológico e formuladores de políticas para garantir que o crescimento da IA seja acompanhado por uma infraestrutura elétrica limpa, resiliente e economicamente viável. (AI Magazine – 25.02.2026)
GESEL: Nivalde de Castro alerta para avanço desordenado da geração distribuída
O governo projeta que a micro e minigeração distribuída (MMGD), principalmente solar em residências, quase dobrará até 2035, passando de 40 GW em 2025 para até 78 GW no cenário de referência do PDE, podendo alcançar 97,8 GW no cenário superior. Embora renovável, a expansão traz desafios operacionais: concentração da geração à tarde e queda brusca ao entardecer exigem acionamento de fontes mais caras e poluentes, além de agravar cortes de geração (curtailments). Segundo professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL), Nivalde de Castro, a expansão da geração distribuída ocorre de forma descolada do planejamento da demanda, pois, ao contrário dos leilões de outras fontes, a instalação dos sistemas depende da decisão de investidores e consumidores. Com isso, amplia-se a capacidade instalada sem aumento proporcional do consumo, substituindo a energia contratada pelas distribuidoras e pressionando o modelo atual, sobretudo porque as tarifas reguladas seguem acima da inflação, incentivando novos painéis. Para ele, esse movimento pode crescer além do previsto e intensificar os desafios do ONS, com mais cortes de geração e maiores dificuldades para suprir a demanda no fim da tarde e início da noite. Acesse a matéria na íntegra aqui. (Valor Econômico - 24.02.2026)
Impactos Socioeconômicos
Artigo de Jigar Shah e Arnab Pal: “Governadores estão prometendo contas de luz mais baixas. Este é o único caminho viável para cumprir essa promessa.”
Em artigo publicado pelo Utility Dive, Jigar Shah (presidente fundador do conselho consultivo) e Arnab Pal (diretor executivo da Deploy Action) argumentam que a alta das tarifas de eletricidade nos Estados Unidos decorre menos de “forças de mercado” e mais de planos de investimento recordes e de um modelo regulatório que incentiva overbuild para atender poucas horas de pico. Os autores apontam que, em 2025, concessionárias de energia elétrica e gás solicitaram US$ 31 bilhões em reajustes, mais que o dobro de 2024, afetando cerca de 81 milhões de consumidores. A estratégia “gas first” — ampliar geração a gás para sustentar o boom de IA — é descrita como cara e lenta, especialmente com gargalos de equipamentos e rede; e construir para o “hora mais quente do ano” tende a onerar consumidores por ativos subutilizados. Assim, a alternativa proposta é “gerir melhor antes de expandir”, com três eixos: (1) aumentar a utilização dos ativos existentes; (2) escalar capacidade flexível rapidamente; (3) assegurar que grandes cargas paguem sua parcela justa. Exemplos incluem usinas virtuais (VPPs) com baterias e dispositivos inteligentes, métricas obrigatórias de utilização da rede, classes de serviço flexível para grandes cargas, tarifas e alocações de custo pró-equidade, e tecnologias de melhoria da rede (condutores avançados, dynamic line ratings, controle de fluxo). A conclusão é que promessas não reduzem contas; planejamento e regulação orientados a resultados — acessibilidade, rapidez de conexão e confiabilidade — são o único caminho crível para evitar choque tarifário em meio ao crescimento acelerado da demanda. (Utility Dive - 26.02.2026)
Artigo de John Cook: “Segurança energética está impulsionando a transição para a eletricidade”
Em artigo publicado pela Investment Executive, John Cook (vice-presidente sênior, gestor de portfólio e co-líder da equipe Mackenzie Greenchip) sustenta que a segurança energética tornou-se um dos principais vetores da transição global para a eletrificação ante o contexto de desglobalização e rivalidade geopolítica. O autor pontua que, apesar do investimento recorde de US$ 2,3 trilhões em renováveis em 2025, 80% da energia primária mundial ainda depende de combustíveis fósseis, que são finitos e estão distribuídos de forma desigual. Essa vulnerabilidade estrutural estaria impulsionando estratégias nacionais distintas. O texto lista que a China, por exemplo, antecipou sua dependência do petróleo importado e executou sucessivos planos quinquenais focados em eletrificação, consolidando domínio nas cadeias de solar, baterias e veículos elétricos. Outras economias seguem caminhos variados: o Canadá, com 80% da eletricidade de baixo carbono e reservas estratégicas de cobre e alumínio, enfrenta entraves regulatórios para expandir processamento doméstico; Polônia e Reino Unido apostam fortemente em eólica offshore para reduzir dependência fóssil; e até a Arábia Saudita planeja que metade de sua eletricidade venha de solar até 2030, reduzindo o uso interno de petróleo. Com a demanda global por eletricidade crescendo cerca de 4% ao ano, quase o dobro do ritmo da energia primária, o artigo conclui que a eletrificação baseada em renováveis emerge não apenas como agenda climática, mas como estratégia central de autonomia, estabilidade econômica e poder geopolítico. (Investment Executive – 25.02.2026)
Artigo de Michael Collins: “China, Segurança e a Transição Energética”
Em artigo publicado pela Energy Intelligence, Michael Collins (diretor de Pesquisa em Energia de Baixo Carbono na Energy Intelligence) examina os riscos de segurança nacional associados à crescente dependência global de tecnologias chinesas de baixo carbono. O autor argumenta que o foco ocidental em supostos “backdoors” e desligamentos remotos — após a descoberta, em 2024, de dispositivos de comunicação não explicados em inversores solares nos EUA e o desligamento remoto de alguns equipamentos durante disputa contratual — pode estar superdimensionado. Embora interrupções operacionais sejam possíveis, elas tenderiam a ocorrer sobretudo em cenários de conflito aberto, e sistemas energéticos, sejam fósseis ou renováveis, permanecem vulneráveis a ataques cibernéticos independentemente da origem tecnológica. O risco mais estrutural, segundo o texto, é econômico e geopolítico. A China consolidou domínio industrial em cadeias estratégicas: mais de 95% dos painéis solares instalados na Europa em 2023 vieram da China, apoiado por estratégias como o Made in China 2025, ampliando superávit comercial (US$ 1,2 trilhão em 2025) e potencial influência sobre setores como baterias, veículos elétricos e até ecossistemas de IA. Há precedentes de uso geopolítico de dependências, como restrições chinesas a minerais críticos (2010, 2024–2026). Paralelamente, o texto destaca o risco de retaliação dos EUA, especialmente sob a agenda de “energy dominance” do presidente Donald Trump, que pode pressionar aliados a rejeitar tecnologias chinesas via tarifas ou condicionantes estratégicos, como já ocorreu no caso da Huawei. A conclusão é que, ao reduzir a dependência de combustíveis fósseis, governos podem estar criando novas vulnerabilidades estratégicas ligadas à concentração industrial chinesa e à rivalidade sino-americana. (Energy Intelligence – 23.02.2026)
Brasil: Transição energética muda carreiras, salários e oportunidades de trabalho em 2026
A transição energética no Brasil vem reconfigurando cadeias produtivas, perfis profissionais e dinâmicas salariais, com atuação coordenada do Governo Federal, do Ministério do Trabalho e Emprego e do Ministério de Minas e Energia para mitigar riscos sociais e estimular qualificação. A substituição gradual de fontes fósseis por solar, eólica e biomassa altera investimentos industriais e exige adaptação das empresas e dos sistemas educacionais. Esse novo paradigma amplia vagas em engenharia, instalação, manutenção, P&D, logística e análise de dados, enquanto atividades ligadas a combustíveis fósseis enfrentam retração, demandando requalificação profissional. Setores como solar fotovoltaico, eólico, biocombustíveis e eficiência energética concentram oportunidades, com efeitos multiplicadores na fabricação de equipamentos, transporte e serviços ambientais. Por outro lado, alguns dos principais desafios envolvem a realocação de trabalhadores de mineração e refino, a atualização curricular e o risco de escassez de mão de obra qualificada. Diante disso, fazem-se importantes políticas públicas que priorizam programas contínuos de capacitação, incentivos a empregos verdes, parcerias com instituições de ensino, proteção social e planejamento regional. O objetivo é assegurar uma transição justa, combinando crescimento econômico, formalização do emprego e sustentabilidade de longo prazo. (Monitor do Mercado – 24.02.2026)
EUA: Aplicação de tarifas compensatórias para tecnologia solar produzida na Índia, Indonésia e Laos
A decisão preliminar do Departamento de Comércio dos Estados Unidos de impor tarifas compensatórias de até 126% sobre células e módulos solares produzidos na Índia, Indonésia e Laos representa um revés relevante para a estratégia indiana de ampliar sua presença no mercado solar norte-americano. O governo americano argumenta que fabricantes nesses países teriam se beneficiado de subsídios estatais que distorcem a concorrência. Segundo a consultoria EUPD Research, a medida atinge diretamente exportadores indianos que dependiam fortemente dos EUA, principal destino de suas vendas externas. A Índia expandiu sua capacidade de fabricação de módulos para mais de 160 GW até janeiro de 2026, enquanto a demanda doméstica no curto prazo gira em torno de 40 a 45 GW anuais, criando risco de sobreoferta caso o acesso ao mercado americano permaneça restrito. Analistas avaliam que o setor enfrenta um duplo desafio: excesso de capacidade instalada e limitação de mercados externos. A decisão ainda é preliminar e integra investigação iniciada por fabricantes norte-americanos; no próximo mês, os EUA devem decidir se também aplicarão medidas antidumping, caso concluam que houve venda abaixo do custo de produção, o que poderia ampliar ainda mais as barreiras comerciais. (Reuters – 25.02.2026)