Transição Energética 105
Dinâmica Internacional
África do Sul: NOA firma contrato de 401 GWh anuais com a Sibanye para energia renovável
A NOA Group formalizou um acordo de fornecimento de energia renovável com a mineradora Sibanye-Stillwater para entregar cerca de 401 GWh por ano em contrato de longo prazo, além de 100 GWh anuais por meio de um arranjo flexível de curto prazo, totalizando parte de uma capacidade estimada de 1,5 TWh anuais destinada ao setor de mineração. A energia será proveniente de um portfólio diversificado de ativos, incluindo o projeto solar Stellar, recentemente adquirido, e será escoada pela rede nacional da Eskom via modelo de “wheeling”. O contrato prevê fornecimento aproximado de 138 MW por ano em um acordo flexível de dez anos, com possibilidade de uma segunda fase incorporando sistemas de armazenamento em baterias (BESS) para ampliar eficiência e segurança energética. A iniciativa deve reduzir as emissões da Sibanye em cerca de 433 mil toneladas de CO₂e por ano a partir de 2028, elevando a participação de renováveis para 56% da demanda da empresa na África do Sul e reduzindo custos frente às tarifas tradicionais. (Energy Monitor – 16.02.2026)
BNEF: Estudo mostra que crescimento da demanda foi sustentado por tecnologias de energia sustentável
A edição de 2026 do Sustainable Energy in America Factbook, publicada por BloombergNEF (BNEF) e pelo Business Council for Sustainable Energy (BCSE), mostra que as tecnologias de energia sustentável sustentaram o crescimento da demanda elétrica dos Estados Unidos em 2025, mesmo diante de incertezas regulatórias. Os data centers tornaram-se vetor central desse crescimento: sua demanda elétrica aumentou mais de 400% em dez anos e 150% nos últimos cinco anos. Apesar do ambiente político volátil — com 87 novas medidas comerciais e tarifárias anunciadas em 2025 e redução antecipada de incentivos fiscais federais — os investimentos na transição energética cresceram 3,5%, atingindo US$ 378 bilhões, recorde histórico. O país adicionou 54 GW de nova capacidade de geração e armazenamento, o maior volume em mais de 20 anos; 61% renovável, com 27 GW de solar utility-scale e 15 GW de armazenamento em baterias. Contratos corporativos de compra de energia limpa (PPAs) somaram 29,5 GW, também recorde, com maior presença de nuclear, hídrica e geotérmica para suprir data centers de IA. (BloombergNEF – 18.02.2026)
BNEF: Projeções para o comércio global atravessado pela transição energética até 2050
A transição energética está redesenhando o comércio global, segundo projeções da BloombergNEF (BNEF) até 2050, que analisou 28 economias e 28 categorias de produtos, incluindo veículos elétricos (VEs), baterias, módulos solares, metais críticos e combustíveis fósseis. Em 2024, tecnologias limpas representaram apenas 2,2% do comércio global de bens, enquanto os investimentos em ativos de baixo carbono atingiram US$ 2,3 trilhões, alta de 8% em relação ao ano anterior. No cenário-base da BNEF (Economic Transition Scenario), o comércio de VEs e baterias mais que triplica, passando de US$ 234 bilhões em 2024 para US$ 880 bilhões em 2035, enquanto o comércio de veículos a combustão cai 39%, para US$ 340 bilhões. Já o comércio de combustíveis fósseis permanece próximo de US$ 3 trilhões até 2030, entrando depois em declínio estrutural; no cenário de Net Zero, cai abaixo de US$ 1 trilhão até 2040. A análise aponta trajetórias divergentes entre China e Estados Unidos: a China, já maior exportadora de tecnologias limpas, poderá responder por ao menos um terço das exportações globais do setor até 2050 e transformar seu déficit energético de US$ 266 bilhões (2024) em superávit no fim da década de 2030. Os EUA, hoje sustentados por exportações de petróleo e gás, tendem a ver essas receitas estagnarem e recuarem à medida que aumentam as importações de bens de energia limpa, mantendo déficit energético próximo de US$ 130 bilhões até 2050. A União Europeia, por sua vez, poderá reduzir seu déficit energético em 29% até 2035, impulsionada por menor dependência de petróleo e maior exportação de VEs, embora enfrente forte concorrência chinesa. (BloombergNEF – 13.02.2026)
Canadá: Parceria com a Ucrânia para investimento em segurança energética
Canadá e Ucrânia firmaram uma parceria estratégica em energia para reforçar a segurança energética ucraniana diante dos ataques russos à infraestrutura elétrica e de gás desde 2022. O governo canadense anunciou que trabalhará com sua indústria para fornecer equipamentos de óleo e gás em condições concessionais, além de estimular investimentos em renováveis e na reconstrução de hidrelétricas. O acordo prevê ainda cooperação em combustível nuclear, avaliações de risco contra ameaças híbridas e apoio técnico para ampliar a infraestrutura de gás não russo. Embora não vinculante juridicamente, a implementação dependerá de adesão empresarial. A iniciativa ocorre após novos ataques deixarem milhares sem energia em meio ao inverno rigoroso (até –20 °C). Segundo o Banco Central da Ucrânia, a crise energética levou à revisão do crescimento de 2026 para 1,8%, enquanto o Ministério de Energia estima que a demanda elétrica supera a oferta em cerca de um terço. (Reuters – 18.02.2026)
Editorial Reuters: “O boom épico das renováveis na China a eleva a um raro clube de capacidade limpa”
Em editorial, o Reuters destaca que a China atingiu em 2025 um marco histórico na transição energética, ao operar 1.494 GW de capacidade de geração limpa, superando pela primeira vez os 1.420 GW de capacidade fóssil, segundo dados do Global Energy Monitor (GEM). Com isso, 51% de sua matriz instalada passa a ser de fontes limpas, colocando o país ao lado de economias como Brasil, França e Alemanha. O avanço foi impulsionado sobretudo pela expansão da energia solar em larga escala, cuja capacidade cresceu 1.554% desde 2015 e passou a representar 18,3% da capacidade total, reduzindo a participação do carvão na geração de 64% para 42,7% no período. No total, a capacidade limpa chinesa aumentou 253% em dez anos, enquanto a fóssil cresceu 50%. Em contraste, os Estados Unidos ainda mantêm 233 GW a mais de capacidade fóssil do que limpa, com crescimento recente de projetos a gás natural após a redução de incentivos federais às renováveis. Entre 2015 e 2025, a capacidade limpa americana cresceu 74%, mas a expansão de usinas a gás em construção e pré-construção sugere possível reversão da tendência de aumento da participação renovável. O texto conclui que as duas maiores economias do mundo seguem trajetórias energéticas divergentes: a China consolida liderança na expansão de renováveis e armazenamento, enquanto os EUA reforçam sua base fóssil, com implicações estratégicas para competitividade e liderança climática no longo prazo. (Reuters – 13.02.2026)
EUA: BrightNight inicia construção de complexo solar com baterias no Arizona
A BrightNight iniciou as obras do Pioneer Clean Energy Centre, em Yuma County, Arizona, um projeto que combina uma usina solar de 300 MW com um sistema de armazenamento em baterias de 300 MW e 1,2 GWh. A expectativa é gerar mais de 900 mil MWh por ano, energia suficiente para abastecer cerca de 77 mil residências e empresas, reforçando a confiabilidade da rede em uma das áreas de maior restrição de carga do estado e atendendo clientes da Arizona Public Service. O empreendimento inclui a construção de uma linha de transmissão de nove milhas em 230 kV para integrar a produção à infraestrutura existente. O projeto deve evitar aproximadamente 641,9 mil toneladas anuais de CO₂ e economizar 260 milhões de galões de água por ano, com redução superior a 99% no consumo hídrico frente a usinas convencionais. A construção deve gerar até 300 empregos, com início das operações previsto para abril de 2027 e arrecadação estimada de US$ 83,3 milhões em impostos locais ao longo da vida útil. (Energy Monitor – 12.02.2026)
EUA: Departamento de Energia sinaliza possível saída da IEA
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou em conferência em Paris que o país pode retirar-se da Agência Internacional de Energia (IEA) caso a instituição continue, segundo ele, priorizando a promoção da transição verde em detrimento da segurança energética. Wright acusou a IEA de atuar como uma “organização de advocacy climática” e rejeitou cenários de neutralidade de carbono (net zero), alinhando-se à política pró-combustíveis fósseis da atual administração norte-americana, conforme reportado pela Politico. As declarações reforçam a orientação do presidente Donald Trump, que retirou novamente os EUA do Acordo de Paris em janeiro e reverteu políticas climáticas anteriores. No Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, o secretário de Comércio Howard Lutnick defendeu maior dependência de petróleo, gás e carvão, criticando as metas de neutralidade climática e a expansão de solar e eólica na União Europeia. A eventual saída dos EUA da IEA sinalizaria um reposicionamento geopolítico relevante, com potenciais impactos sobre coordenação internacional de dados energéticos, planejamento de mercado e cooperação em segurança energética. (Balkan Green Energy News – 18.02.2026)
EUA: Enel compra portfólio e amplia capacidade renovável para 13 GW na América do Norte
A Enel firmou acordo para adquirir um portfólio de usinas eólicas e solares nos Estados Unidos com capacidade instalada total de 830 MW, em transação conduzida pela Enel Green Power North America (EGPNA). Os ativos serão comprados da Excelsior Energy Capital por cerca de US$ 1 bilhão, com valor empresarial estimado em US$ 1,3 bilhão, sujeito a ajustes usuais. A conclusão está prevista para o terceiro trimestre de 2026, dependendo de aprovações regulatórias. A companhia financiará a operação com caixa próprio e estima incremento anual de aproximadamente US$ 145 milhões no Ebitda consolidado. Com a aquisição, a Enel deverá alcançar cerca de 13 GW de capacidade renovável instalada na América do Norte, alinhando-se à estratégia de expandir a presença em mercados avançados por meio da compra de ativos operacionais. Globalmente, o grupo opera 93 GW de capacidade total, sendo 68 GW em fontes renováveis, além de ampla rede de distribuição e infraestrutura de recarga para veículos elétricos. (Energy Monitor – 23.02.2026)
EUA: Octopus Energy anuncia investimento de US$ 1 bilhão em tecnologia limpa na Califórnia
A Octopus Energy Generation anunciou investimento de quase US$ 1 bilhão na Califórnia para expandir sua atuação em remoção de carbono e energias renováveis, reforçando a meta de aplicar US$ 2 bilhões no setor energético dos EUA até 2030. Os recursos apoiarão duas empresas dedicadas à restauração de pastagens e florestas degradadas, transformando áreas em sumidouros de carbono, com créditos já contratados por grandes companhias de tecnologia. A empresa também investirá em baterias térmicas desenvolvidas na região da Baía de São Francisco, voltadas à substituição de caldeiras fósseis em setores industriais de difícil eletrificação. Além disso, adquirirá um projeto solar com armazenamento em baterias, previsto para operar até julho de 2026. A iniciativa ocorre em um contexto em que a Califórnia já gera mais de dois terços de sua eletricidade a partir de fontes renováveis e busca atingir 100% até 2045, consolidando-se como polo estratégico de inovação climática. (Energy Monitor – 17.02.2026)
França: Nova legislação reduz metas para eólica e solar mas reafirma expansão nuclear
A França aprovou nova lei energética (PPE 2025–2035) que reduz metas de eólica e solar e elimina a obrigação de a estatal EDF fechar reatores nucleares, revertendo a meta anterior de encerrar 14 unidades. O governo, por decreto, reafirma a expansão nuclear com ao menos seis novos reatores e prevê que a EDF gere 420 TWh em 2035 (+5%), com o primeiro novo reator entrando em operação até 2038. As metas renováveis para 2035 foram revisadas para 105–135 GW (antes 133–163 GW): eólica offshore 15 GW (de 18 GW), eólica onshore 35–40 GW (de 45 GW) e solar 55–80 GW (de 75–100 GW). A lei estabelece que 60% do consumo energético venha de eletricidade descarbonizada até 2030 e até 70% em 2035. O ministro Roland Lescure defendeu o equilíbrio entre nuclear e renováveis; a EDF apoiou a medida. A oposição, liderada por Marine Le Pen, ameaçou moção de desconfiança. Analistas da 42 Advisors avaliam que a mudança não deve reduzir tarifas no curto prazo. (Reuters – 12.02.2026)
Marrocos: Banco Mundial sinaliza que país pode impulsionar a transição energética marítima global
O Banco Mundial avalia que o Marrocos pode assumir papel central na transição energética do transporte marítimo global, apoiado em sua posição geográfica estratégica, elevado potencial renovável e custos competitivos de produção de hidrogênio verde. Segundo a análise, os portos marroquinos já apresentam condições para operar como hubs de produção, armazenamento, abastecimento (bunkering) e exportação de hidrogênio e seus derivados, como amônia e metanol, apontados como alternativas promissoras aos combustíveis marítimos fósseis. No cenário de demanda intermediária projetado pelo Banco Mundial, navios que escalem portos marroquinos poderão demandar cerca de 200 mil toneladas de combustível equivalente a hidrogênio até 2030, volume que pode atingir 2,83 milhões de toneladas até 2050. O porto de Tanger Med, que atualmente movimenta cerca de 1,5 milhão de toneladas anuais de bunker fóssil, é destacado como candidato natural a polo de abastecimento verde em uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo. Ademais, a instituição também aponta efeitos sistêmicos positivos: geração de empregos, novas receitas, fortalecimento da segurança elétrica e sinergias com dessalinização. A iniciativa europeia REPowerEU, que prevê a importação de mais de 10 milhões de toneladas anuais de hidrogênio verde até 2030, reforça o potencial do Marrocos como parceiro estratégico da União Europeia, consolidando o país como elo geoeconômico entre recursos africanos e demanda europeia por energia limpa. (The North Africa Post – 18.02.2026)
Reino Unido: Metas climáticas para 2030 estão fora de alcance apesar de avanços
O Reino Unido reduziu pela metade suas emissões relacionadas à energia desde 1990, impulsionado por uma estratégia deliberada de descarbonização, pelo fim do carvão na geração elétrica e pela expansão de eólica e solar, que já respondem por mais da metade da eletricidade em 2025. Mesmo com a ampliação da ambição climática e a meta reforçada para 2035 no âmbito do Acordo de Paris, quase todos os objetivos para 2030 estão atualmente fora de alcance. Custos crescentes, atrasos em infraestrutura, incerteza regulatória e recuos como a revisão do banimento de motores a combustão prejudicam a confiança de investidores. A demanda por petróleo e gás deve cair até 2035, mas os combustíveis fósseis seguirão relevantes, mantendo a dependência de importações após restrições no Mar do Norte. Tecnologias como eólica offshore, captura de carbono, hidrogênio, nuclear avançada e IA enfrentam desafios de escala, embora representem oportunidade de investimento estimada entre US$ 1,86 trilhão e US$ 2,63 trilhões até 2060. (Wood Mackenzie – 24.02.2026)
União Europeia: Consulta Pública para simplificar legislação de produtos energeticamente eficientes
A Comissão Europeia abriu consulta pública para coletar contribuições sobre a simplificação das regras de rotulagem energética e de pneus na UE. A iniciativa avalia principalmente o Regulamento de Rotulagem Energética (UE/2017/1369) e o Regulamento de Rotulagem de Pneus (UE/2020/740), buscando reduzir custos administrativos para empresas e melhorar a conformidade, sem comprometer a eficácia do arcabouço regulatório — incluindo o novo Regulamento de Ecodesign para Produtos Sustentáveis (UE/2024/1781). A consulta, aberta até 12 de março, solicita contribuições qualitativas e quantitativas sobre como tornar o fornecimento e a exibição das etiquetas mais simples e eficientes. Segundo dados recentes, 83% dos consumidores europeus consultaram o selo energético nos últimos cinco anos, evidenciando alto nível de confiança que a Comissão pretende preservar. Também está em análise o aprimoramento do uso da base de dados EPREL, que reúne mais de 2 milhões de modelos de produtos rotulados disponíveis no mercado europeu. A proposta final será apresentada ainda este ano como parte de um pacote legislativo “omnibus”. (Comissão Europeia - 16.02.2026)
União Europeia: Preparação de novos instrumentos para impulsionar investimento em infraestrutura energética
A Comissão Europeia e o Banco Europeu de Investimento (BEI) preparam novos instrumentos financeiros para acelerar investimentos em infraestrutura energética, segundo minuta obtida pela Reuters. A iniciativa responde à pressão para reduzir custos de energia e ampliar aportes em redes elétricas e eficiência, hoje insuficientes para cumprir metas climáticas da UE. Entre as medidas está um esquema de securitização de empréstimos, pelo qual o BEI transferiria créditos existentes dos balanços bancários, liberando capacidade para novos financiamentos — relevante diante de limites de concentração que restringem crédito a operadores de rede. Outra linha prevê financiamento fora de balanço, antecipando receitas futuras de distribuidoras para viabilizar upgrades de grande porte. O plano inclui ainda ampliação de garantias do BEI para facilitar crédito a pequenos operadores e estimular joint ventures que padronizem condições de financiamento. Os valores não foram divulgados; a estratégia deve ser publicada em março, com implementação faseada a partir de 2026. (Reuters – 12.02.2026)
WMO: Lançamento de diretrizes para apoiar o mapeamento de recursos renováveis
A Organização Meteorológica Mundial (OMM/WMO) lançou diretrizes técnicas para apoiar países na elaboração de Atlas Nacionais de Energia Renovável (NRAs) voltados a eólica, solar e hidrelétrica, com o objetivo de suprir a carência de dados de alta resolução identificada em pesquisa global da entidade (2022–2023). As orientações oferecem um arcabouço científico para que Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais (NMHSs) atuem em conjunto com ministérios de energia e outros órgãos na conversão de dados climáticos em instrumentos de planejamento energético. Segundo a secretária-geral Celeste Saulo, a metodologia integra reanálises climáticas, observações em superfície, produtos de satélite e projeções futuras (CMIP6), aplicando técnicas avançadas como downscaling estatístico baseado em IA para gerar informações acionáveis. A OMM estabeleceu a meta de que todos os países-membros disponham de atlas de alta resolução — 4 km ou menos — até 2030, alinhando a iniciativa às metas internacionais de triplicar a capacidade renovável e dobrar a eficiência energética, além do ODS 7. O modelo é colaborativo e inclui códigos em Python de acesso aberto e capacitação técnica, permitindo atualização autônoma pelos países. A metodologia já foi aplicada em Croácia, Cuba, Chile, Malawi, Tanzânia e Costa Rica, fortalecendo a integração entre ciência climática e planejamento da transição energética. (World Meteorological Organization – 18.02.2026)
Nacional
Avanço das renováveis impõe novos desafios e exige decisões para evitar apagões
Após dois grandes apagões em menos de três anos, o Brasil enfrenta em 2026 decisões cruciais para reforçar a segurança do sistema elétrico diante da rápida expansão de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, que já respondem por quase 30% da carga. O crescimento da geração distribuída, que deve superar 50 GW, criou um descasamento entre oferta e demanda, com momentos de excesso de energia e risco operacional para o ONS, incluindo episódios de carga líquida negativa e cortes emergenciais de usinas centralizadas. Ao mesmo tempo, projeções indicam necessidade de 19 GW adicionais de térmicas flexíveis até 2035 e déficit de potência a partir de 2027, agravado pela dependência climática das renováveis. Medidas em debate incluem controle maior sobre a geração distribuída, leilões de reserva de capacidade, expansão da transmissão, estímulo a data centers e adoção de baterias para armazenamento. Embora um novo racionamento seja considerado improvável, especialistas alertam que sem planejamento, sinalização de preços e contratação de potência despachável, o risco de instabilidade e custos elevados pode aumentar. (Agência Eixos – 23.02.2026)
Brasil: Investimentos noruegueses somam US$ 14 bilhões e reforçam transição energética
A relação econômica entre Noruega e Brasil ganhou força nos últimos dois anos, com quase US$ 14 bilhões investidos até 2024 e cerca de 300 empresas norueguesas ativas no país. Segundo a cônsul-geral Mette Tangen, o período foi marcado por intensa agenda política e empresarial, impulsionada pela presidência brasileira do G20. A Noruega é o 12º maior investidor estrangeiro no Brasil, com 160 empresas gerando 120 mil empregos e US$ 5,1 bilhões ao PIB; os aportes diretos cresceram 900% em uma década. A transição energética lidera os novos investimentos, somando US$ 1,8 bilhão desde 2023 em eólica, solar, bioenergia, hidrogênio e baterias, além de projetos de descarbonização industrial. O comércio bilateral movimentou cerca de US$ 4,5 bilhões em 2024, e a expectativa é de avanço com a ratificação do acordo EFTA-Mercosul, que pode liberalizar 97% das exportações e ampliar parcerias em energia, marítimo, pescados e economia circular. (Valor Econômico - 13.02.2026)
Engie: Início da operação de complexo solar no RN
A Engie Brasil colocou em operação comercial plena, em 13 de fevereiro, o Conjunto Fotovoltaico Assú Sol, em Assú (RN), atualmente o maior projeto solar da companhia no mundo. Com investimento de R$ 3,3 bilhões e capacidade instalada de 895 MWp (753 MWac), o empreendimento dispõe de 229,6 MW médios destinados integralmente ao Mercado Livre de Energia, volume suficiente para abastecer uma cidade de cerca de 850 mil habitantes. Antes mesmo da conclusão, o complexo já contribuiu para que a empresa atingisse recorde de 1.400 MW em geração solar no início de fevereiro, respondendo por aproximadamente metade desse total. Implantado em 2.344 hectares, com mais de 1,5 milhão de módulos e 12 mil quilômetros de cabos, o projeto gerou 4.500 empregos diretos e investiu R$ 50 milhões em ações socioambientais, consolidando o Rio Grande do Norte como polo estratégico de energia renovável. (Agência CanalEnergia – 23.02.2026)
EPE: Matriz de transportes pode alcançar 85% de renováveis até 2055
O Plano Nacional de Energia 2055 (PNE 2055), elaborado pelo MME e pela EPE, projeta que a renovabilidade da matriz de transportes brasileira pode atingir 85% em 2055, impulsionada principalmente por biocombustíveis e eletrificação. Biocombustíveis convencionais, como etanol e biodiesel, devem responder por 43% da demanda do setor, ante 23% atuais, enquanto biocombustíveis avançados, como diesel verde e SAF, podem alcançar 22%. A eletrificação tende a chegar a 13%, com maior presença em veículos leves e transporte urbano. Para 2035, o PDE estima que elétricos e híbridos representarão 22% das vendas de caminhões leves, mas apenas 1,4% nos pesados, segmento onde GNC e GNL devem avançar mais rapidamente. A demanda por etanol pode subir para 46,2 bilhões de litros em 2035, exigindo diversificação de matérias-primas, incluindo trigo, sorgo, palma e resíduos, além da ampliação da produção de biometano. (Agência Eixos – 19.02.2026)
PSR: Energy Report classifica 2026 como um ano de agenda intensa no SEB
A PSR avalia, em sua edição mais recente do “Energy Report”, que 2026 será um ano de “muito trabalho” e possivelmente a agenda regulatória mais desafiadora da história recente do setor elétrico brasileiro (SEB), pela necessidade de regulamentar e operacionalizar mudanças legais em paralelo à Reforma Tributária. A consultoria lista temas simultâneos e com prazos mandatórios, como abertura do mercado livre (faseada), curtailment, leilões (capacidade e transmissão), segurança de mercado e modernização da autoprodução, além de alertar que o ano eleitoral pode elevar o ruído e afetar a racionalidade das decisões. No lado das oportunidades, a PSR destaca a aceleração da IA, tanto por impulsionar demanda de data centers quanto por potencializar ganhos de eficiência, defendendo que o debate regulatório comece já para não se “perder” a janela. A consultoria também chama atenção para “surpresas conhecidas”, como eventos climáticos críticos e secas severas, capazes de pressionar preços e liquidez e atropelar o cronograma. No mapeamento, a PSR indica 27 ações urgentes, com maior concentração em Planejamento/Contratação e em Preços/Tarifas/Tributação. Em capacidade, destaca o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de térmicas, além do início da contratação de baterias via LRCAP, que pode atrasar por pendências de tarifação de rede e rateio de custos. Em transmissão, aponta novo leilão com possível destaque para mais um linhão HVDC, contratação compulsória de 3 GW em PCHs e novas Temporadas de Acesso do PNAST. No “bolso do consumidor”, entram Encargo de Complemento de Recursos (ECR), prorrogação do Proinfa, reforma tributária, descontos de incentivadas e repactuação do UBP, além do debate estruturante sobre custos/benefícios da MMGD, modernização tarifária, medição inteligente e perdas não técnicas. Já no curtailment, a PSR cita a CP 210 com acordos esperados ainda no semestre, revisão de classificação e rateio pós-Lei 15.269 (incluindo hidrelétricas) e a discussão do constrained-off de UHEs para isonomia entre fontes. (Agência CanalEnergia - 18.02.2026)
PSR: Consultoria aponta disputa por capital e recalibragem estratégica na transição energética
A PSR avalia que a transição energética segue em curso, mas enfrenta competição crescente por recursos financeiros em um cenário no qual argumentos ambientais perdem prioridade frente à rentabilidade e à segurança energética. Para a consultoria, 2026 será o ano da “recalibragem estratégica”, substituindo a narrativa linear rumo ao Net Zero por um ambiente mais fragmentado e pragmático. A disciplina financeira de grandes empresas, como o reposicionamento da BP em favor de óleo e gás, e a reintrodução do Cenário de Políticas Atuais pela AIE sinalizam essa mudança. Ainda assim, tecnologias com “green bonus”, capazes de reduzir custos e elevar eficiência, ganham força. Projeções indicam expansão acelerada da solar e maior eletrificação, apoiada na superior eficiência de motores elétricos e bombas de calor. O foco, porém, recai sobre infraestrutura: a demanda firme impulsionada por IA e data centers pressiona redes e pode prolongar ativos fósseis, intensificando a disputa entre segurança de suprimento e inovação tecnológica. (Agência CanalEnergia – 18.02.2026)
ANEEL: Agência concede aval para cortes físicos da GD, mas barra cortes contábeis
A Procuradoria Federal junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) concluiu que projetos de micro e minigeração distribuída (MMGD) podem sofrer cortes físicos de geração por razões de segurança operativa, desde que tecnicamente justificados, mas não podem ser submetidos a “cortes contábeis” que reduzam os créditos de energia previstos na Lei 14.300/2022. O parecer foi solicitado pela diretora Agnes da Costa para esclarecer se sistemas solares distribuídos poderiam integrar a rotina de restrições aplicada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS). Desde 2023, o aumento da sobreoferta e o baixo crescimento da demanda ampliaram os cortes que atingem sobretudo grandes usinas eólicas e solares centralizadas. Investidores desses projetos defendiam que a MMGD compartilhasse os impactos econômicos via redução de créditos, alegando que a geração pulverizada contribui para o excesso de oferta. A Procuradoria entendeu que o corte contábil violaria direitos assegurados em lei e ampliaria a insegurança jurídica, enquanto a limitação física, por ocorrer antes da constituição do crédito, pode ser regulamentada. Também avaliou que eventual discussão sobre cortes na MMGD deve ocorrer em processo regulatório específico. (Reuters – 19.02.2026)
Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais
Brasil: Cooperação com China em VEs pode impulsionar inovação ou ampliar dependência
A crescente presença chinesa na eletromobilidade brasileira coloca o país diante de uma encruzilhada estratégica: transformar o investimento direto estrangeiro em vetor de reindustrialização verde ou reforçar sua posição periférica nas cadeias globais. Embora o Brasil atraia capital chinês desde os anos 2000, a relação permanece assimétrica, com a China dominando tecnologias e etapas de maior valor agregado, como refino de minerais e produção de baterias. Dividida em upstream, midstream e downstream, a cadeia de veículos elétricos revela oportunidades pouco exploradas, sobretudo na produção e integração de baterias e no desenvolvimento de fornecedores locais. Para capturar ganhos tecnológicos e produtivos, o país precisa de políticas industriais coordenadas, fortalecimento institucional e foco no “elo intermediário ausente”, como automação, eletrônica e certificação. Iniciativas como Mover, Nova Indústria Brasil e atuação do BNDES podem apoiar essa transição, mas sem estratégia clara o risco é limitar-se à extração mineral e montagem, com baixo transbordamento tecnológico. (Agência Eixos – 18.02.2026)
Brasil: Montadoras chinesas transformam país em polo estratégico da nova era elétrica
A nova fase da indústria automotiva chinesa, marcada por baterias avançadas, veículos definidos por software e rápida difusão tecnológica, começa a impactar diretamente o Brasil, que desponta como principal destino da expansão fora do eixo EUA-Europa. Diante de barreiras comerciais em mercados desenvolvidos, fabricantes chinesas priorizam países emergentes com grande potencial de crescimento. A BYD lidera o movimento com complexo industrial em Camaçari (BA), prevendo até 50% de conteúdo nacional até 2027 e foco regional. Stellantis produzirá modelos da Leapmotor em Goiana (PE), enquanto GWM, Omoda & Jaecoo, MG Motor, GM-SAIC-Wuling e Caoa Changan ampliam ou avaliam operações locais. A estratégia inclui nacionalização progressiva da cadeia produtiva, elevando competitividade e escala. Diferentemente de ciclos anteriores, os modelos chegam com alto nível tecnológico, redefinindo o padrão do mercado. O Brasil passa de importador a plataforma regional, assumindo papel relevante na reorganização global da mobilidade elétrica. (Inside EVs – 20.02.2026)
BYD: Detalhamento de fatores que afetam desempenho de VEs
A BYD divulgou posicionamento técnico para esclarecer diferenças entre a autonomia homologada e o desempenho real de seus veículos elétricos (VEs), destacando que estilo de condução, topografia e condições climáticas são determinantes no consumo. A montadora chinesa reforça que a gestão térmica das baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP) e o uso de ar-condicionado, sistemas auxiliares e velocidades acima de 110 km/h elevam significativamente o gasto energético. Entre as principais variáveis apontadas listadas como relevantes e determinantes para a gestão energética estão resistência aerodinâmica, relevo acidentado — relevante no contexto brasileiro —, eficiência química da bateria em temperaturas extremas e diferenças metodológicas entre testes laboratoriais e tráfego real. Ainda, destaca-se O uso adequado da frenagem regenerativa pode mitigar perdas e ampliar o alcance. A fabricante também investe em atualizações OTA (“over-the-air), aprimorando algoritmos de cálculo de autonomia, gestão térmica e integração com carregadores de diferentes marcas. Paralelamente, anunciou que vem ampliando parcerias para infraestrutura de recarga ultrarrápida e fortalece a rede de pós-venda, buscando alinhar expectativas do consumidor à realidade técnica da mobilidade elétrica. (Mix Vale – 16.02.2026)
EUA: Nova York adota novos padrões para reforçar eficiência energética e resiliência urbana
O estado de Nova York aprovou o NYC Energy Conservation Code 2025 (NYCECC) e o NYC Existing Building Code (EBC) para modernizar as regras de construção e reforçar eficiência energética e resiliência. O NYCECC, alinhado ao código estadual (ECCCNYS 2025) — baseado no IECC 2024 e ASHRAE 90.1-2022 —, passa a exigir teste obrigatório de infiltração de ar em todos os edifícios, requisitos de resposta à demanda para aquecimento de água e iluminação comerciais e limites mais rígidos ao aquecimento elétrico por resistência, restrito a 25% da carga térmica e apenas em frio extremo. O código também eleva padrões de isolamento, vedação e desempenho de janelas, buscando maior economia energética, estimada em 9,8% no setor comercial, segundo o Urban Green Council. A aplicação começa em 30 de março de 2026. Já o EBC, baseado no código internacional para edifícios existentes, simplifica e flexibiliza regras para reformas e reabilitação, entrando em vigor em 17 de julho de 2027. As medidas complementam metas locais de descarbonização, como a Local Law 97, que impõe limites de emissões a grandes edifícios. (Utility Dive – 10.02.2026)
Ford: Aposta em nova plataforma para reduzir custo e ampliar autonomia de VEs
A Ford anunciou o desenvolvimento de uma nova geração de veículos elétricos baseada em plataforma inédita focada em eficiência energética, redução de peso e menor custo total. Em vez de ampliar baterias para combater a ansiedade de autonomia, a montadora pretende extrair mais alcance de conjuntos menores, atacando o principal componente de custo, responsável por cerca de 40% do valor e 25% do peso de um elétrico. A estratégia inclui melhorias aerodinâmicas, redução de massa e simplificação estrutural, com metas mensuradas por um sistema interno que calcula o impacto de cada decisão de engenharia sobre autonomia e custo. A futura picape elétrica média terá chicote elétrico 1,2 km mais curto, 10 kg mais leve e apenas cinco módulos eletrônicos principais. A empresa também internalizou o desenvolvimento da arquitetura elétrica e da eletrônica de potência, com suporte a carregamento bidirecional e sistema de 48 volts. O objetivo é alcançar preços competitivos frente aos modelos a combustão. (Inside EVs – 20.02.2026)
ICCT Brasil: VE emite 87% menos que veículo movido a combustíveis fósseis
Estudo do ICCT Brasil indica que os carros elétricos emitem, em média, até 87% menos CO₂ do que veículos a combustão no país, considerando todo o ciclo energético, do poço à roda. A análise, baseada nos critérios do Programa Mover, avaliou todos os modelos de automóveis de passeio comercializados entre maio de 2024 e junho de 2025, incorporando dados de consumo, fatores de emissão, matriz elétrica nacional e padrões reais de uso. Os resultados evidenciam o elevado potencial de mitigação de emissões dos veículos elétricos a bateria no Brasil, em função da predominância de fontes renováveis na geração de eletricidade. No período analisado, os 56 modelos elétricos apresentaram média de 13 gCO₂e/km, frente a 103 gCO₂e/km dos veículos flex e 175 gCO₂e/km dos modelos a gasolina, com exemplos como o BYD Dolphin Mini emitindo 8,9 gCO₂e/km, contra 83,6 gCO₂e/km do carro a combustão mais eficiente. (Canal VE - 27.01.2026)
Brasil: Aprovação de lei que garante a instalação de carregadores para VEs em SP
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sancionou a Lei nº 18.043/2026, aprovada pela ALESP, que assegura o direito à instalação de estações de recarga individuais para VEs em condomínios residenciais e comerciais. A norma garante ao condômino a possibilidade de instalar carregadores às próprias custas, vedando a negativa sem justificativa técnica fundamentada, embora permita aos condomínios estabelecer padrões técnicos e regras sobre responsabilidade e consumo de energia. A lei também determina que novos empreendimentos com projetos aprovados a partir de sua vigência prevejam capacidade elétrica mínima para suportar pontos de recarga. Além disso, estabelece critérios técnicos para instalação de wall boxes, exigindo profissional habilitado e conformidade com normas da ABNT e da distribuidora local. Para a ABVE, a medida amplia a segurança jurídica e fortalece o avanço da eletromobilidade no estado. (Megawhat - 19.02.2026)
Bright Consulting: VEs respondem por 69% do crescimento do mercado automotivo brasileiro
Os VEs lideraram o crescimento do mercado automotivo brasileiro na primeira quinzena de fevereiro de 2026, segundo dados da Bright Consulting. Foram emplacados 86.565 veículos leves no período, com alta frente a janeiro e avanço anual de 13%. Desse total, 13.487 unidades foram de modelos eletrificados, que registraram crescimento expressivo tanto na comparação mensal quanto anual, alcançando participação de 15,6% do mercado. Os VEs responderam por cerca de 69% da expansão anual do setor na quinzena, evidenciando concentração do crescimento nesse segmento, enquanto os veículos não eletrificados avançaram de forma mais moderada. No acumulado de 2026, as vendas de modelos eletrificados somam mais de 40 mil unidades, com participação próxima de 16%, quase o dobro do ano anterior, consolidando a eletrificação como principal vetor estrutural de expansão do mercado brasileiro. (Inside EVs - 19.02.2026)
BYD: Instalação de rede de carregadores ultrarrápidos na China
A BYD iniciou a instalação em larga escala, na China, de carregadores ultrarrápidos com potência de até 1.360 kW, marcando a transição do anúncio técnico para a implementação prática de sua rede megawatt. As primeiras estações operam com arquitetura de alta tensão, combinando até 1.000 V e 1.000 A, além de refrigeração líquida, permitindo recargas extremamente rápidas em veículos compatíveis. A estratégia prevê a instalação de milhares de pontos, integrados à nova geração de modelos preparados para sistemas de alta tensão. No Brasil, a empresa já confirmou a intenção de implementar os chamados “flash chargers” a partir de 2026, com previsão de centenas de pontos de alta potência, o que pode tornar o país o primeiro mercado da América Latina a receber a tecnologia. Apesar de desafios como capacidade da rede elétrica, padronização e compatibilidade dos veículos atualmente em circulação, o plano sinaliza a inserção do mercado brasileiro na estratégia global de infraestrutura da companhia. (Inside EVs - 24.02.2026)
Generational: Estudo mostra alta durabilidade de baterias de VEs
Estudo conduzido no Reino Unido pela Generational analisou mais de 8 mil VEs e comerciais de 36 fabricantes, com até 12 anos de uso e 256 mil quilômetros rodados, e apontou estado médio de saúde das baterias de 95,15%. Em veículos com quatro ou cinco anos, a capacidade média foi de 93,53%, enquanto modelos com oito ou nove anos mantiveram cerca de 85%. Mesmo acima de 100 mil quilômetros, os índices variaram entre 88% e 95%, patamares superiores ao limite de 70% geralmente adotado como referência mínima de desempenho. Os resultados indicam que o desgaste das baterias é inferior ao imaginado por parte dos consumidores e que muitos veículos podem alcançar o fim da vida útil estrutural com o sistema de armazenamento ainda em boas condições. A tendência é reforçada pelo avanço das tecnologias e novas químicas de baterias, sugerindo que modelos atuais possam permanecer operacionais por 15 a 20 anos, a depender das condições de uso e manutenção. (Inside EVs - 22.02.2026)
Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis
Brasil: Lei do Combustível do Futuro deve atrair R$ 106,7 bilhões para biocombustíveis até 2035
A indústria brasileira de biocombustíveis deverá receber R$ 106,7 bilhões em investimentos até 2035, segundo estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), com base em projetos anunciados e aportes previstos entre 2026 e 2035. O avanço é impulsionado pela Lei do Combustível do Futuro, que amplia metas obrigatórias de mistura de etanol na gasolina e biodiesel no diesel, além de estabelecer compromissos de redução de emissões, incluindo a exigência gradual de aquisição de biometano. O governo projeta impacto ainda maior, de até R$ 270 bilhões, considerando iniciativas em diferentes estágios. A maior fatia dos recursos, R$ 66,2 bilhões, será destinada ao etanol de cana, milho e segunda geração. Combustível sustentável de aviação e diesel verde devem somar R$ 27,9 bilhões, enquanto biodiesel e biometano também receberão aportes relevantes. Projetos como a biorrefinaria da Acelen e iniciativas de captura de carbono reforçam o papel estratégico do setor na transição energética. (Além da Energia – 24.02.2026)
GlobalData: Hidrogênio verde deve alcançar 88,6% do mercado de baixo carbono até 2030
Relatório da GlobalData aponta mudança significativa na trajetória do mercado de hidrogênio de baixo carbono, cuja produção atingiu 0,84 milhão de toneladas por ano em 2024, com capacidade global de 1,7 milhão de toneladas anuais. A projeção indica expansão acelerada até 2030, podendo alcançar entre 42 mtpa, no cenário pessimista, e 65,3 mtpa, no otimista. O destaque é a ascensão do hidrogênio verde (H2V), que deve atingir 88,6% de participação no mercado até o fim da década, superando amplamente o hidrogênio azul, que liderava com 76,3% em 2024 e deve cair para 11,3%. O avanço é impulsionado principalmente por novos projetos nas Américas e por políticas públicas robustas nos Estados Unidos, Canadá e México, incluindo incentivos fiscais e investimentos em infraestrutura. Outras rotas, como hidrogênio roxo e turquesa, permanecem marginais. O movimento consolida o H2V como eixo central da descarbonização industrial e energética global. (Agência CanalEnergia – 19.02.2026)
Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização
ACEEE: Relatório aponta que eficiência e flexibilidade da demanda são opção econômica para atender a carga de data centers
A ACEEE (American Council for an Energy-Efficient Economy), em novo relatório, apontou que ganhos de eficiência energética e flexibilidade da demanda podem atender ao crescimento dos data centers nos Estados Unidos com menor custo e maior rapidez que novas usinas. Até 2040, melhorias de eficiência poderiam reduzir a demanda em cerca de 70 GW. Já a adoção de load shifting na próxima década — incluindo recarga de veículos elétricos e aquecimento de água — pode cortar o pico em 60 a 200 GW, volume equivalente a até o dobro das projeções mais agressivas de capacidade de data centers até 2030. Segundo a entidade, programas do lado da demanda podem ser ampliados em meses com apoio regulatório, enquanto novas térmicas a gás e reforços de rede levam cinco anos ou mais. O relatório recomenda que reguladores integrem recursos de oferta e demanda no planejamento, ampliem padrões estaduais de eficiência, desacoplem receitas de utilities do volume vendido e incentivem usinas virtuais (VPPs). Para a ACEEE, priorizar eficiência e flexibilidade pode evitar bilhões em investimentos em geração e reduzir custos para consumidores. (Utility Dive – 18.02.2026)
ANEEL: Geração distribuída se aproxima de 45 GW
O Brasil está prestes a atingir 45 GW de potência instalada em geração distribuída (GD), segundo dados atualizados da Aneel, consolidando a expansão da modalidade nos últimos anos. Estudo encomendado pela Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) indica, porém, que apenas 3% a 4% das redes secundárias do país demandariam investimentos para adequação à injeção de energia, sugerindo impacto pontual e não generalizado sobre o sistema elétrico. A análise utilizou abordagem “bottom-up”, com base em cerca de 27 mil alimentadores e quase 6 milhões de redes secundárias, a partir de dados georreferenciados da Aneel. Segundo os pesquisadores, a maioria das redes apresenta baixa ou média penetração de GD, com benefícios como redução de perdas e postergação de investimentos. Casos críticos aparecem apenas em cenários de alta penetração, podendo ser mitigados com ajustes técnicos e uso de baterias. A ABGD defende que a regulação considere análises localizadas no debate sobre custos e benefícios da modalidade. (Agência CanalEnergia – 20.02.2026)
Artigo de Renato Zimmermann: “Bioenergia e geração distribuída: a força que pode transformar o setor elétrico”
Em artigo publicado no Canal Solar, Renato Zimmermann (Membro do Instituto Nacional de Energia Limpa da INEL) destaca que a bioenergia, obtida de biomassa, resíduos orgânicos, óleos vegetais, algas e resíduos sólidos urbanos, pode assumir papel estratégico na geração distribuída (GD) e na resiliência do setor elétrico brasileiro ao permitir produção descentralizada próxima ao consumo. O autor argumenta que esse modelo reduz perdas em transmissão, amplia a segurança energética e transforma municípios, cooperativas e empresas em agentes ativos da oferta elétrica. Diferentemente de fontes intermitentes como solar e eólica, a bioenergia é controlável e despachável, contribuindo para estabilidade sistêmica em cenários de crise hídrica, picos de demanda e vulnerabilidade climática. Ainda, pontua-se que o arcabouço institucional já oferece instrumentos de estímulo, como o RenovaBio, a Lei do Combustível do Futuro (2024), o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares) e a futura Política Nacional de Transição Energética, que favorecem a integração da bioenergia ao sistema elétrico. Casos como a geração a partir de aterros em São Paulo, a Usina de Recuperação Energética de Barueri (SP) e biodigestores no agronegócio evidenciam aplicações práticas. O texto conclui que, ao combinar redução de emissões, previsibilidade operacional e economia circular, a bioenergia integrada à GD fortalece a transição energética ao tornar o sistema mais descentralizado, resiliente e economicamente inclusivo. (Canal Solar – 16.02.2026)
EUA: EIA projeta que a demanda crescente será atendida principalmente por energia solar
A U.S. Energy Information Administration (EIA) projeta que o crescimento da demanda elétrica nos EUA está se tornando mais disseminado regionalmente, impulsionado sobretudo por atividade econômica e expansão de data centers no Texas, região do Atlântico Médio, além de revisões para cima no Centro-Oeste e Centro do país. Segundo o mais recente Short-Term Energy Outlook, a energia solar será a principal fonte a atender esse aumento. A EIA estima expansão da geração solar de 17% em 2026 e 23% em 2027, enquanto a eólica deve crescer 6% e 7% nesses anos. A geração solar total deve atingir 341 bilhões de kWh em 2026 e 418 bilhões de kWh em 2027, ante 291 bilhões de kWh em 2025. Quase 70 GW de nova capacidade solar devem entrar em operação em 2026–2027, elevando a capacidade instalada em 49% em relação ao fim de 2025. Dados da FERC mostram que, entre janeiro e novembro do ano passado, foram adicionados 25,4 GW solares, contra cerca de 4 GW a gás natural e 5,5 GW eólicos, reforçando a liderança da fonte solar na expansão do sistema. (Utility Dive – 11.02.2026)
Impactos Socioeconômicos
Artigo de Abhinav Jindal e Sandeep Pai: “Como empresas estatais podem desempenhar um papel vital no atendimento das metas globais de net zero”
Em artigo publicado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), Abhinav Jindal (Professor Sênior do Instituto de Gestão de Energia) e Sandeep Pai (Líder Sênior em Transições Energéticas Internacionais no Instituto Nicholas para Energia, Meio Ambiente e Sustentabilidade da Universidade Duke) argumentam que as empresas estatais (SOEs) são atores centrais (e frequentemente negligenciados) na corrida global rumo ao net zero, dado seu peso econômico, controle de infraestrutura estratégica e participação significativa nas emissões globais. Segundo a OCDE, o número de estatais entre as 500 maiores empresas do mundo quadruplicou entre 2000 e 2023, e, no setor energético, elas respondem por cerca de metade da produção mundial de combustíveis fósseis. Atuando sob mandato duplo — rentabilidade e objetivos sociais — essas empresas moldam a viabilidade, o ritmo e a equidade das trajetórias nacionais de descarbonização, especialmente no Sul Global. O texto identifica dois caminhos de transformação: a reconfiguração estrutural completa e e a mudança estratégica de portfólio. Contudo, desafios como interferência política, cultura burocrática, dívidas legadas e lobbies fósseis dificultam essa transição. O texto defende integrar as estatais à diplomacia climática e ao financiamento verde, propondo métricas de descarbonização no G20, condicionalidades climáticas por bancos multilaterais e alianças globais entre grandes SOEs para acelerar difusão tecnológica e pressionar reformas. A conclusão sustenta que o sucesso da transição energética global depende da capacidade dessas empresas de se reinventarem, convertendo seu peso institucional e financeiro em catalisadores da descarbonização sistêmica. (World Economic Forum – 18.02.2026)
Artigo de Daphne Wysham: “Não financie a transição energética prolongando a era dos fósseis”
Em artigo publicado no Sustainable News, Daphne Wysham (diretora executiva da Methane Action) argumenta que financiar a transição energética com receitas provenientes da própria extração de combustíveis fósseis cria uma armadilha fiscal perigosa. A autora pontua que a proposta, debatida pelo governo brasileiro, sugere utilizar rendas do petróleo e gás para compor um fundo de transição. Embora a lógica seja usar receitas atuais para financiar a economia de baixo carbono, ela sustenta que isso gera dependência fiscal do Estado em relação à atividade que se pretende reduzir, criando incentivos para manter a produção e expondo orçamentos à volatilidade dos preços das commodities. Como alternativa mais estável, o texto propõe a adoção de um imposto sobre transações financeiras (FTT), que poderia arrecadar entre US$ 238 bilhões e US$ 419 bilhões anuais, segundo estimativas baseadas em projeções do FMI. Diferentemente dos royalties fósseis, essa fonte não dependeria de expansão da extração. O artigo também destaca a urgência do controle de metano, responsável por cerca de um terço do aquecimento atual e com potencial de mitigação rápida. A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que reduzir 75% das emissões de metano até 2030 custaria aproximadamente US$ 75 bilhões nesta década, valor significativamente inferior aos quase US$ 600 bilhões de lucros do setor de petróleo e gás em 2024. A conclusão defende que uma transição justa exige financiamento previsível e desvinculado da extração, com eventuais receitas fósseis limitadas por cláusulas de redução progressiva, evitando perpetuar a era dos combustíveis fósseis sob o pretexto de encerrá-la. (Sustainable News – 17.02.2026)
China: Substituição da prata por cobre em módulos fotovoltaicos pressiona margens
A indústria solar está intensificando a substituição da prata por cobre após a valorização acumulada de 130%–147% em 2025, quando o metal atingiu US$ 121,64/onça em janeiro, pressionando margens já afetadas pela sobrecapacidade produtiva, sobretudo na China. Segundo a Heraeus, a pasta de prata representa cerca de 30% do custo das células fotovoltaicas, e, de acordo com a JK Renewables, o custo dos módulos subiu entre 7% e 15% nos últimos 12 meses. Nos Estados Unidos, a Cherry Street Energy estima que o custo da prata por módulo de 450 W passou de US$ 5,22 para US$ 17,65 em 2025. O setor fotovoltaico responde por 196 milhões de onças troy, ou 17% da demanda global de prata. Diante de preços próximos a US$ 2,5 milhões por tonelada, fabricantes como a chinesa LONGi anunciaram avanços em metalização com metais-base e planejam produção em massa ainda em 2026. Ainda, a Rystad Energy projeta migração para metalização integral em cobre ou pastas híbridas prata-cobre. Com o cobre cotado a cerca de US$ 12.823/tonelada (aproximadamente 0,5% do valor da prata), a substituição pode gerar até US$ 15 bilhões anuais em economia global, considerando 500 GW/ano de produção, segundo a Cherry Street Energy, embora desafios técnicos persistam devido à maior condutividade elétrica da prata. (Reuters – 19.02.2026)
Ember: Relatório propõe metodologia centrada no consumidor para a interpretar o sistema energético
A Ember, em novo relatório, propõe reinterpretar o sistema energético sob a ótica do consumidor, e não da oferta primária, argumentando que a abordagem tradicional superestima o peso estrutural dos combustíveis fósseis ao ignorar perdas de conversão e qualidade energética. O estudo mostra que, em 2023, dos cerca de 589 EJ de energia primária, apenas 209 EJ se converteram em energia útil, enquanto aproximadamente 380 EJ (quase dois terços) foram perdidos no processo. A análise simplifica o sistema em duas funções fundamentais — trabalho (movimento) e calor — e distingue energia final entre elétrons (eletricidade) e moléculas (combustíveis), destacando a superioridade termodinâmica da eletrificação: motores elétricos operam com eficiência superior a 90%, enquanto motores a combustão convertem apenas cerca de 29% da energia em trabalho útil. Sob esse prisma, a Ember identifica quatro “batalhas” da transição: (1) fontes eletro (solar, eólica, hídrica) versus térmicas na geração de eletricidade — onde renováveis já representaram 96% do crescimento da geração em 2025; (2) elétrons versus moléculas na oferta de trabalho útil — com a eletricidade respondendo por 80% do crescimento do trabalho útil entre 2019 e 2023; (3) elétrons versus moléculas na provisão de calor — onde a eletrificação avança via bombas de calor; e (4) produção de moléculas (hidrogênio, amônia) — ainda dominada por fontes térmicas. A conclusão central é que a eletrificação (“electrotech”) já vence duas dessas disputas e avança na terceira, indicando que a transição energética pode exigir menos energia primária do que sugerem modelos convencionais, desde que baseada em eficiência elétrica e fontes renováveis. (Ember – 17.02.2026)