Transição Energética 104
Dinâmica Internacional
Artigo de Narmin Nahidi: “Mineração verde na Groenlândia destaca tensões-chave da transição energética”
Em artigo publicado no The Conversation, Narmin Nahidi (Professora de Finanças na Universidade de Exeter) analisa as tensões entre finanças verdes, mineração e geopolítica a partir do caso da Groenlândia, evidenciando contradições centrais da transição energética. A descarbonização de veículos elétricos, baterias, turbinas e redes depende de grandes volumes de minerais críticos — como lítio, cobalto, níquel, terras raras —, cuja extração é ambientalmente intensiva. Projeções da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam forte crescimento da demanda desses insumos nas próximas décadas, insuficiente para ser atendido apenas por reciclagem. As cadeias de suprimento permanecem concentradas em poucos países, como China, Austrália, Chile e República Democrática do Congo, o que reforça preocupações estratégicas nos EUA e na União Europeia. A Groenlândia, rica em minerais estratégicos, tornou-se foco desse debate, mas adotou restrições ambientais rigorosas, incluindo a limitação à mineração de urânio em 2021, que bloqueou o projeto de terras raras de Kvanefjeld. O texto conclui que o caso expõe os limites dos padrões ESG, que têm dificuldade em equilibrar benefícios climáticos globais e danos ambientais locais, e mostra que a “mineração verde” permanece um conceito contestado e ainda sem solução clara na transição energética global. (The Conversation - 02.02.2026)
Artigo de Tony Wood: “Renováveis acima de 50%, preços no atacado caindo — a transição energética está... tendo sucesso?”
Em artigo publicado no The Conversation, Tony Wood (diretor do programa de energia e mudanças climáticas do Instituto Grattan) avalia o desempenho recente da transição energética australiana, indicando avanços concretos na confiabilidade do sistema e na redução de custos. No 4º trimestre de 2025, fontes renováveis e armazenamento responderam por mais de 50% da eletricidade no principal sistema interligado do país, enquanto os preços atacadistas caíram mais de 40% em relação ao ano anterior. Foi destacado o crescimento expressivo da geração eólica (+30%), solar em larga escala (+15%) e da produção de baterias de grande porte, que quase triplicou, ao passo que a geração a gás caiu 27% (menor nível em 25 anos) e a carvão atingiu o menor patamar histórico trimestral. Segundo o autor, a menor dependência do gás — a fonte mais cara — explica boa parte da queda dos preços, embora o repasse ao consumidor final seja gradual. Ainda, o avanço do armazenamento, com cerca de 4.000 MW de baterias instalados desde 2024, é apontado como fator-chave para substituir usinas a gás nos picos noturnos. Contudo, persistem desafios, como atrasos em linhas de transmissão, que exigem a extensão da vida útil de usinas a carvão, e a dependência de gás em estados como Victoria. Não obstante, o texto conclui que a transição está funcionando, embora a meta governamental de 82% de renováveis até 2028 seja ambiciosa. (The Conversation – 03.02.2026)
Brasil e Colômbia: Parceria visando agenda de inovação para a transição energética
Brasil e Colômbia iniciaram a consolidação de uma agenda conjunta de inovação ao estabelecer uma parceria voltada à transição energética e ao desenvolvimento de cidades inteligentes. A iniciativa integra centros de pesquisa, universidades e uma operadora de transporte público da Colômbia, com foco no desenvolvimento de soluções aplicadas ao setor elétrico e à mobilidade urbana sustentável, a partir da articulação entre conhecimento científico, experiência operacional e dados reais. O eixo estruturante da cooperação é o Future Grid, Centro de Competência credenciado pela Embrapii e liderado pelo Lactec, responsável pela coordenação técnica e institucional do consórcio binacional. O projeto já formalizou acordos com duas universidades colombianas, prevendo pesquisas conjuntas, intercâmbio de pesquisadores e uso compartilhado de laboratórios, com ênfase em inovação aberta, transferência de tecnologia e capacitação, posicionando ambos os países como protagonistas na agenda regional de energia limpa e mobilidade sustentável. (Canal Solar - 05.02.2026)
GEM: Países emergentes lideram expansão de eólica e solar
Os países emergentes estão à frente da expansão global das fontes eólica e solar, segundo relatório do Global Energy Monitor (GEM), que aponta recorde de mais de 4,9 TW no pipeline mundial de projetos em 2025, alta de 11% ante o ano anterior. A China lidera com ampla vantagem, concentrando 448 GW em construção, metade do total global, e capacidade operacional combinada superior a 1,6 TW, três vezes maior que a dos Estados Unidos e da Índia. O Brasil também se destaca entre os sete maiores em capacidade prospectiva, com 401 GW, ao lado de Índia e Filipinas. Em contraste, as economias do G7 respondem por apenas 11% da capacidade futura, com cerca de 520 GW estáveis desde 2023, evidenciando descompasso entre discurso climático e التنفيذção. A geração distribuída reforça o protagonismo emergente, somando quase 900 GW operacionais, enquanto a IEA estima que 42% da capacidade solar atual e planejada seja descentralizada, essencial para triplicar renováveis até 2030. (Agência CanalEnergia – 11.02.2026)
Indonésia: Meta de adicionar 7 GW de energia nuclear até 2034 para apoiar a transição energética
A Indonésia planeja incorporar a energia nuclear à sua matriz elétrica como parte da estratégia de transição energética, com a meta de alcançar 7 GW de capacidade instalada até 2034, segundo anúncio do enviado presidencial para Clima e Energia, Hashim Djojohadikusumo, durante o Indonesia Economic Summit 2026. O plano prevê iniciar com 500 MW, avançando gradualmente ao longo dos próximos oito anos, com início das obras a partir de 2027, conforme indicado pelo Ministério de Energia e Recursos Minerais (ESDM) e pela estatal PT PLN, no Plano Decenal de Expansão Elétrica (RUPTL 2025–2034). O ministro de Energia, Bahlil Lahadalia, informou que os primeiros projetos devem ser localizados em Sumatra e Kalimantan, após estudos de viabilidade técnica e institucional. E a previsão de conclusão das primeiras usinas até 2032. Segundo o RUPTL, a Indonésia pretende adicionar 69,5 GW até 2034, sendo 76% provenientes de renováveis e sistemas de armazenamento, incluindo solar, hídrica, eólica, geotérmica, bioenergia, baterias, hidrelétricas reversíveis e a própria energia nuclear, vista pelo governo como fonte de baixa emissão e estratégica para segurança energética diante do crescimento da demanda elétrica. (Indonesia Business Post - 05.02.2026)
IRENA: Chamada para projetos de energia renovável na América Latina
A IRENA lançou uma chamada de propostas para fomentar o desenvolvimento e o financiamento de projetos de energia renovável na América Latina, por meio da Plataforma de Investimento Climático (CIP) e da Energy Transition Accelerator Financing (ETAF). A CIP, desenvolvida em parceria com o PNUD, a SEforALL e o Green Climate Fund, busca mobilizar investimentos em países em desenvolvimento, priorizando projetos que já tenham superado a fase conceitual e estejam alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e às metas climáticas nacionais. A ETAF é voltada a projetos de médio e grande porte com estudos de viabilidade concluídos, conexão à rede assegurada e contratos de compra de energia vigentes, oferecendo acesso a instrumentos financeiros respaldados por até US$ 4 bilhões. As propostas submetidas até março de 2026 terão prioridade na avaliação, com o objetivo de acelerar a captação de recursos, reduzir riscos e impulsionar a descarbonização e a transição energética sustentável em diversos países da região. (Canal Solar - 10.02.2026)
Nacional
Artigo de Ana Carolina Calil e Fernanda Silva: "SMRs no Brasil: Transição Energética e desafios regulatórios"
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Ana Carolina Katlauskas Calil (sócia da área de energia do Cescon Barrieu) e Fernanda Silva (advogada associada do Cescon Barrieu) tratam do avanço da transição energética brasileira e do potencial dos Pequenos Reatores Modulares (SMRs) como alternativa para garantir estabilidade ao Sistema Interligado Nacional diante da maior participação de fontes renováveis. As autoras destacam que esses reatores, menores e modulares, podem complementar a geração hídrica, solar e eólica, atender regiões isoladas, apoiar processos industriais e até aplicações offshore, ampliando a segurança energética e a descarbonização. O artigo destaca que iniciativas no Brasil já envolvem governo, empresas e centros de pesquisa em estudos técnicos e regulatórios, mas ressalta desafios jurídicos relevantes, como o monopólio constitucional da União sobre atividades nucleares, a necessidade de adaptação normativa para participação privada e a atuação coordenada entre ANSN, CNEN e ANEEL. Também são citadas possíveis revisões no marco regulatório do setor elétrico para integrar os SMRs, com ajustes em licenciamento, conexão à rede, regras de despacho e modelos de comercialização, garantindo previsibilidade e segurança jurídica. (GESEL-IE-UFRJ – 05.02.2026)
Casa dos Ventos: Custos regulatórios e modelo de leilões ameaçam expansão da energia eólica
O setor de energia eólica no Brasil enfrenta um ambiente de incerteza regulatória que tem reduzido investimentos e comprometido a realização de novos leilões, segundo avaliação de Fernando Elias, diretor de regulação e comercialização da Casa dos Ventos, durante o evento Energyear 2026, em São Paulo. Ele alertou que o modelo previsto para o leilão de baterias, possivelmente em abril, transfere aos geradores eólicos e solares o custo da expansão do armazenamento, inclusive para parques já existentes, o que poderia inviabilizar economicamente a tecnologia. Segundo Elias, cada 1 GW de baterias adicionaria cerca de R$ 7/MWh aos custos dos renováveis, podendo chegar a R$ 35/MWh com 5 GW instalados. O executivo também destacou a queda na média anual de novos projetos, que passou de cerca de 3 GW para menos de 1 GW, refletindo falta de demanda e perda de atratividade para investidores, além do fechamento de fábricas. Ele criticou ainda medidas legislativas recentes, como as MPs 1300 e 1304, por aumentarem encargos, incluindo a reserva de capacidade, que pode alcançar R$ 55/MWh. Para a empresa, mudanças urgentes na legislação e no ambiente regulatório são essenciais para destravar o crescimento das renováveis. (Agência CanalEnergia – 05.02.2026)
CEBRI: Desafios da transição energética envolvem macroeconomia e regulação
Os principais entraves à aceleração da transição energética no Brasil em 2026 estão menos ligados à tecnologia e mais à macroeconomia e à regulação, segundo Winston Fritsch, conselheiro emérito do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Em artigo publicado no Valor Econômico, Fritsch afirma que, apesar de solar e eólica já serem competitivas frente às fontes fósseis, o avanço do setor é limitado pelo alto custo do capital, com o WACC estimado entre 10% e 12%, patamar elevado em comparação internacional. Como as renováveis são intensivas em investimento inicial, a redução dos juros teria impacto desproporcionalmente positivo, podendo tornar a eletricidade renovável até 50% mais barata que as alternativas fósseis com um WACC próximo de 6%. O economista aponta que um arcabouço fiscal crível, inflação controlada e menor risco soberano podem viabilizar juros mais baixos já a partir de 2026, além de reforçar os efeitos da futura precificação de carbono via o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões. Fritsch destaca ainda que a regulação do setor elétrico, classificada como “opaca e disfuncional” por herdar distorções de um sistema historicamente hidrelétrico, precisa ser reformada para alocar custos de forma eficiente, atrair investimentos e viabilizar a integração de novos projetos renováveis à rede, acelerando a substituição dos combustíveis fósseis. (Além da Energia – 06.02.2026)
IRENA: Energias renováveis geram 1,3 milhão de empregos e desafiam qualificação
O avanço das energias renováveis consolidou-se como vetor de geração de empregos no Brasil e no mundo, somando recorde global de 16,6 milhões de postos em 2024, segundo a Irena. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores empregadores, com cerca de 1,3 milhão de vagas, impulsionado principalmente pela expansão da energia solar e da bioenergia. Globalmente, a solar lidera com 7,2 milhões de empregos, seguida por biocombustíveis, hidrelétricas e eólica, em um contexto de 582 GW adicionados no ano. No país, a instalação recorde de 15,2 GW fotovoltaicos, dois terços em geração distribuída, ampliou oportunidades em projetos, instalação e manutenção, enquanto o setor sucroenergético manteve 751 mil postos, apesar da queda histórica causada pela mecanização. O crescimento, contudo, ocorre sob forte dependência de importações e exige políticas de qualificação profissional, integração industrial e planejamento para garantir empregos de qualidade e sustentáveis na transição energética. (Inside EVs – 11.02.2026)
MCTI: Nova rodada de editais com foco em transição energética
O governo federal lançou a segunda rodada de seleção pública dos Programas Estruturantes e Mobilizadores do MCTI, destinando R$ 3,3 bilhões em subvenção econômica não reembolsável para financiar empresas brasileiras, dos quais R$ 500 milhões serão aplicados em projetos de transição energética. Ao todo, são 13 editais operados pela Finep no âmbito do Programa Mais Inovação, alinhados aos seis setores estratégicos da Nova Indústria Brasil, incluindo agroindústria, saúde, infraestrutura, transformação digital, transição energética e defesa nacional. Os recursos poderão financiar despesas como pessoal, consultorias, equipamentos e materiais, com o objetivo de impulsionar a reindustrialização sustentável, ampliar a autonomia tecnológica e reduzir a dependência externa. Além da transição energética, há recursos para transformação mineral, economia circular, cidades sustentáveis, mobilidade sustentável e semicondutores. Na rodada anterior, entre 2024 e 2025, foram contratados mais de 200 projetos envolvendo empresas e instituições científicas. (Agência Eixos – 06.02.2026)
WEG: Construção de nova fábrica para produzir BESS em SC
A WEG anunciou a construção de uma nova fábrica dedicada à produção de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) em Itajaí (SC). Segundo a empresa, esta será a mais moderna do país nesse segmento e representa um passo estratégico da companhia na oferta de soluções voltadas à transição energética. A iniciativa contará com financiamento de R$ 280 milhões do programa BNDES Mais Inovação, sendo o primeiro contrato firmado no âmbito da chamada pública conjunta BNDES-Finep para investimentos em minerais estratégicos e descarbonização. A nova planta ampliará a capacidade produtiva da WEG para até 2 GWh anuais em sistemas BESS, equivalente a cerca de 400 unidades de 5 MWh. A fábrica terá elevado nível de automação, com linhas automáticas e semiautomáticas, além do uso de robôs móveis autônomos. O complexo incluirá ainda um laboratório para testes, desenvolvimento e qualificação de produtos, bem como uma subestação para simulação de condições reais de operação. As obras têm conclusão prevista para o segundo semestre de 2027. (Agência CanalEnergia - 04.02.2026)
Artigo GESEL: “Desafios para os sistemas de armazenamento hidráulico no Brasil”
Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Coordenador-Geral do GESEL), Renata La Rovere, Ana Carolina Chaves e Katarina Ferreira (Pesquisadoras do GESEL-UFRJ) analisam o papel dos Sistemas de Armazenamento Hidráulico (SAH) no contexto da transição energética brasileira — tecnologia que representa mais de 94% da capacidade mundial de armazenamento de longa duração. A rápida expansão das fontes renováveis intermitentes, que no Brasil tem gerado desequilíbrios diários e o fenômeno do curtailment, exige que o setor elétrico adote sistemas de armazenamento para garantir a estabilidade e a flexibilidade operativa. O avanço dos SAH influencia tanto o equilíbrio operacional do Sistema Interligado Nacional quanto a redução do despacho de usinas térmicas, cuja viabilidade econômica depende da superação de barreiras regulatórias, como a dupla tributação e a complexidade no licenciamento ambiental. Para converter esse desafio em uma transição sustentável e eficiente, os autores destacam eixos fundamentais: a adoção de usinas hidrelétricas reversíveis para gerenciar o descompasso entre oferta e demanda; a aplicação das diretrizes da Lei nº 15.269/2025 para dar segurança jurídica aos investidores; a simplificação dos processos de outorga e licenciamento; e a estruturação de mecanismos de remuneração adequados, como o Leilão de Reserva de Capacidade. O artigo conclui que o sucesso do armazenamento de energia dependerá de um esforço coordenado entre órgãos como MME, Aneel, EPE e BNDES, capaz de assegurar que a integração de novas tecnologias resulte em benefício sistêmico efetivo, sem comprometer a segurança operativa ou a atratividade econômica dos projetos no país. Acesse o texto aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 11.02.2025)
Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais
ABVE: VEs alcançam 10% do mercado automotivo brasileiro em janeiro
Em janeiro de 2026, o mercado brasileiro de veículos eletrificados alcançou um marco histórico ao registrar, pela primeira vez, participação de dois dígitos nas vendas totais de veículos leves. Foram emplacadas 23.706 unidades de elétricos e híbridos plug-in, correspondentes a 15% do mercado, com os modelos com recarga externa somando 10% das vendas totais, o que representa um crescimento expressivo de 88% em relação a janeiro de 2025. Apesar da retração sazonal frente a dezembro de 2025, os veículos plug-in mantiveram-se como principal vetor de expansão do segmento, respondendo por mais de 70% dos eletrificados vendidos no mês. Dentro desse grupo, observou-se equilíbrio entre híbridos plug-in e elétricos puros, que apresentaram participações semelhantes, evidenciando a consolidação e a diversificação das tecnologias de menor impacto ambiental no mercado brasileiro. (Inside EVs - 07.02.2026)
Brasil: Chevrolet lança Captiva EV para disputar núcleo dos SUVs elétricos
A Chevrolet apresentou o Captiva EV em um momento de consolidação dos SUVs como principal força do mercado brasileiro, que já representam cerca de 47% das vendas e podem atingir metade do total em 2026. No segmento de SUVs médios, onde metade dos modelos já tem algum nível de eletrificação, os elétricos puros avançam rapidamente, com crescimento três vezes maior em janeiro ante o ano anterior. Importado da China, o Captiva EV chega por R$ 199.990 na fase promocional, posicionando-se na faixa mais competitiva do mercado, frente a rivais chineses como Geely EX5, Leapmotor C10 e GAC Aion V. Equipado com motor de 201 cv e bateria LFP de 60 kWh, promete autonomia próxima de 350 km. A GM afirma que o modelo recebeu ajustes específicos para o Brasil e deve iniciar montagem em Pecém (CE), ampliando gradualmente o conteúdo local e integrando a estratégia de expansão da rede para popularizar os elétricos no país. (Inside EVs – 10.02.2026)
Carbon Tracker: Eletrificação redefine indústria automotiva brasileira
A transição para veículos elétricos deixou de ser apenas uma evolução tecnológica e passou a reconfigurar a indústria automotiva global, segundo relatório da Carbon Tracker. O avanço dos BEVs, impulsionado principalmente pela escala produtiva chinesa, reduziu custos, especialmente de baterias, e acelerou mudanças nas cadeias de suprimento e na geografia industrial do setor. Com tarifas mais altas nos Estados Unidos e na Europa, fabricantes passaram a buscar expansão em economias emergentes, colocando o Brasil como destino estratégico para novos investimentos. Nesse cenário, a eletrificação vira uma disputa industrial: países que atraem produção local podem capturar empregos, tecnologia e capacidade exportadora, enquanto os que permanecem apenas como consumidores correm risco de perder relevância. O Brasil surge como candidato competitivo por reunir matriz elétrica relativamente limpa, reservas de minerais estratégicos e base industrial consolidada, mas o relatório alerta que atrasos regulatórios e sinais contraditórios de política industrial podem frear o movimento e prender o país a tecnologias em declínio. A presença crescente de montadoras chinesas reforça essa transformação estrutural. (Inside EVs – 08.02.2026)
BYD: Desenvolvimento de recarga ultrarrápida visando autonomia de 400 km em 5 minutos
A BYD pode estar avançando no desenvolvimento da segunda geração de seu sistema de recarga ultrarrápida, com potenciais de até 1.500 kW e 1.500 A, segundo informações não oficiais. O objetivo seria sustentar taxas extremamente elevadas de carregamento por mais tempo, mantendo a promessa de recuperar cerca de 400 km de autonomia em aproximadamente cinco minutos, patamar já associado à primeira geração da tecnologia apresentada em 2025. Os dados, ainda sem confirmação da fabricante, indicam evolução relevante em relação à versão anterior, com suporte a carregamento acima de 10C, tensão de até 1.000 V em corrente contínua e capacidade de entrada superior a 2.000 kW. Caso confirmadas, essas especificações reforçam a recarga ultrarrápida como um dos principais eixos da disputa tecnológica entre montadoras chinesas, ao mesmo tempo em que apontam soluções para atender altas demandas energéticas com maior eficiência na gestão dos picos de consumo. (Inside EVs - 05.02.2026)
Geotab: Estudo aponta degradação média de 2,3% ao ano em baterias de VEs
Um estudo global da Geotab, baseado na telemetria de mais de 22 mil veículos elétricos de 21 modelos diferentes, indica que a degradação média anual das baterias é de 2,3%, mesmo com a expansão da recarga rápida de alta potência. Na prática, isso significa que, após oito anos, período semelhante ao de muitas garantias, as baterias ainda preservam cerca de 80% da capacidade original, nível considerado funcional para a maioria dos usos. O levantamento mostra que o uso frequente de recarga rápida acima de 100 kW eleva a degradação para perto de 3% ao ano, enquanto carregamentos em corrente alternada ou potências menores ficam em torno de 1,5%. Climas mais quentes adicionam cerca de 0,4 ponto percentual ao desgaste anual, e uso intenso amplia a perda em 0,8 ponto. Ainda assim, os dados apontam durabilidade robusta e reforçam a importância da telemetria para monitorar a saúde das baterias e orientar estratégias de recarga. (Inside EVs – 11.02.2026)
Mercedes-Benz: Montadora lidera ônibus elétricos no país e amplia negociações em SP
A Mercedes-Benz do Brasil encerrou 2025 na liderança do mercado nacional de ônibus elétricos com o chassi eO500U, que registrou 222 unidades emplacadas no ano, segundo dados da Fenabrave, consolidando-se como o modelo elétrico mais vendido do segmento. O resultado ocorre em meio ao avanço gradual da eletrificação do transporte coletivo, ainda concentrada em grandes capitais. Além das vendas já realizadas, a fabricante afirma ter mais de 200 unidades em negociação, principalmente para operações em São Paulo, principal mercado do país, com entregas previstas para o primeiro semestre caso os contratos sejam confirmados. Produzido em São Bernardo do Campo (SP), o eO500U foi desenvolvido para atender condições típicas do uso urbano brasileiro, como ciclos severos, temperaturas elevadas e topografia variável, mantendo arquitetura de piso baixo e compatibilidade com carrocerias de até 13,2 metros. O modelo oferece autonomia de até 270 km e recarga pelo padrão CCS2 em cerca de três horas, enquanto a estratégia comercial inclui suporte técnico, telemetria, treinamento e soluções financeiras para viabilizar projetos em larga escala. (Inside EVs – 09.02.2026)
Noruega: Liderança global na eletromobilidade em 2025
A Noruega consolidou em 2025 a liderança global na mobilidade elétrica ao registrar 95,9% de participação de veículos elétricos nas vendas de carros novos, segundo dados do Conselho de Informações de Trânsito Rodoviário da Noruega (OFV). Foram 179.550 elétricos emplacados, com dezembro atingindo 97,6% de participação, resultado direto de décadas de políticas públicas, como isenções fiscais, benefícios ao uso e decisões tributárias favoráveis aos elétricos. Apesar do avanço, a frota total ainda passa por transição, já que cerca de dois terços dos veículos em circulação seguem movidos a combustíveis fósseis. A adoção ocorre em todo o território, inclusive em regiões remotas como Finnmark, onde os elétricos alcançaram 86% das vendas. Para o diretor do OFV, Geir Inge Stokke, o desempenho reflete políticas de longo prazo e a antecipação de compras diante da mudança no IVA a partir de janeiro de 2026. No mercado, a Tesla liderou com ampla vantagem: o Model Y vendeu 27.621 unidades e a marca somou 34.285 veículos comercializados, seguida por Volkswagen, Volvo, Toyota e BMW, respectivamente. (Vrum – 05.02.2026)
Porsche e GreenV: Inauguração de hub de recarga ultrarrápida em SP
A Porsche Brasil e a GreenV inauguraram um novo hub de recarga ultrarrápida no eixo Curitiba–São Paulo, localizado na Rodovia Régis Bittencourt, como parte do projeto Highway Charging 3.0. A estação opera de forma contínua e oferece infraestrutura completa de apoio, além de diferentes opções de carregamento em corrente contínua e alternada, atendendo veículos de diversas marcas e contemplando benefícios específicos para modelos da Porsche. A iniciativa integra a terceira fase do plano de expansão da rede de recarga da fabricante no país, que prevê a instalação de 66 carregadores ultrarrápidos em rodovias brasileiras até 2028. Com investimento significativo e a entrega gradual de novos hubs, o projeto busca reduzir limitações de infraestrutura rodoviária, criar uma malha contínua de recarga a cada 100 km e consolidar a Porsche como a montadora com a maior rede de carregamento ultrarrápido em estradas no Brasil. (Inside EVs - 03.02.2026)
Firjan Senai: Abertura de chamada pública do Lab Procel II para eficiência energética
A Firjan Senai lançará a primeira chamada pública do Lab Procel II, programa da ENBPar no âmbito do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), dando início à fase operacional de um convênio de R$ 33 milhões para acelerar soluções de eficiência energética. As inscrições ficam abertas de 11 a 27 de fevereiro de 2026. A execução técnica será conduzida pela Firjan Senai, por meio de seus Institutos de Tecnologia, atuando como ICTs. Esta chamada inaugural foca soluções de economia circular com ênfase em eficiência energética para aplicações no setor produtivo. O programa prevê mais duas chamadas: uma para cidades inteligentes, voltada à redução de consumo em infraestrutura urbana, e outra para a indústria, alinhada a Energia 4.0. A Firjan afirma que a primeira edição serve de referência, quando quase R$ 17 milhões foram investidos, com soluções levadas ao mercado e formação de um ecossistema de inovação, e que a nova etapa busca maior escala e impacto econômico. (Agência CanalEnergia - 11.02.2026)
Volvo: Goiânia estreia biarticulados elétricos no BRT
A Volvo iniciou a entrega de 21 ônibus elétricos articulados e biarticulados ao sistema BRT de Goiânia, marcando a entrada do transporte de alta capacidade 100% elétrico em operação regular no Brasil. São 16 articulados e cinco biarticulados do modelo BZRT, adquiridos pela GreenMob Capital. Com a operação, Goiânia torna-se a primeira cidade do mundo a utilizar biarticulados elétricos de forma regular no transporte público. O sistema da Grande Goiânia possui 108 km de corredores e atende mais de 2,5 milhões de passageiros por mês, o que amplia o impacto potencial da eletrificação. Produzidos em Curitiba, os veículos contam com dois motores de 200 kW, totalizando 400 kW, e baterias que podem chegar a 720 kWh. O biarticulado, com 28 metros, transporta até 250 passageiros. A iniciativa reforça a estratégia da Volvo de expandir ônibus elétricos de alta capacidade e sinaliza avanço da descarbonização em sistemas urbanos de grande demanda. (Inside EVs – 10.02.2026)
Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis
ABIHV: Associação projeta mais de R$ 100 bilhões em investimentos em H2V no Brasil
O fact sheet da ABIHV detalha o panorama de projetos de hidrogênio verde no Brasil coordenados pela ABIHV, destacando o país como protagonista na transição energética global. O documento divide as iniciativas em dois grandes blocos: os primeiros projetos de larga escala com Decisão Final de Investimento (FID) prevista para 2026, somando mais de R$ 53 bilhões e 5,42 GW de capacidade , e projetos subsequentes com FID entre 2027 e 2029, que devem exceder R$ 55 bilhões. Gigantes como Casa dos Ventos, Fortescue, Qair e Atlas Agro lideram os empreendimentos concentrados em polos estratégicos como o Complexo do Pecém (CE), Porto de Suape (PE) e Uberaba (MG). Além de quantificar a produção de amônia e hidrogênio verde, o texto enfatiza a criação de milhares de empregos e a integração com mecanismos de fomento como o Novo PAC, o BIP e o acelerador ITA. Em suma, o material apresenta um cronograma robusto de investimentos e operações comerciais escalonadas até 2039, consolidando a infraestrutura sustentável brasileira. (ABIHV - 04.02.2026)
Axia Energia e GIZ: Acordo para produção de aço com H2V
A Axia Energia (antiga Eletrobras) e a Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da GIZ, lançaram oficialmente nessa quarta-feira, 4 de fevereiro, uma parceria para a construção da primeira planta para produção de aço de baixo carbono a partir do hidrogênio verde no Brasil. A iniciativa faz parte do programa develoPPP, que conta com recursos do Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento da Alemanha. O objetivo é desenvolver em escala comercial um modelo de produção sustentável para reduzir o uso de combustíveis fósseis na cadeia de valor do aço. Assim, acelera o avanço rumo a uma indústria mais limpa e competitiva e posicionando o Brasil como referência global em aço de baixa emissão de carbono. (Agência CanalEnergia - 05.02.2026)
Brasil: Governo do Ceará formaliza parceria para para projetos de transição energética com H2V
O Governo do Ceará, por meio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), formalizou um Memorando de Entendimento com a ENBPar e o Itaipu Parquetec para desenvolver projetos de transição energética e descarbonização, com foco inicial na implantação de uma planta piloto de hidrogênio verde no estado. A parceria foi assinada em Foz do Iguaçu, durante visita técnica às instalações da Itaipu Binacional e ao Centro de Tecnologias em Hidrogênio. O projeto H2Lab (Planta Piloto de H2V-Educação) terá capacidade de até 300 kW e integrará pesquisa, desenvolvimento, produção experimental e capacitação profissional, apoiando a estratégia estadual de fortalecimento da cadeia de energias renováveis. A iniciativa inclui unidade modular de produção de hidrogênio, sistemas automatizados e laboratórios didáticos para formação prática de estudantes e técnicos, além de prever aplicações futuras em mobilidade urbana, como ônibus e veículos pesados. Para o secretário Domingos Filho, o projeto reflete a estratégia do governador Elmano de Freitas de posicionar o Ceará na vanguarda da economia verde. (Governo do Estado do Ceará - 05.02.2026)
Brasil: Governo do Rio Grande do Sul firma contrato para planta de H2V com resíduos urbanos
O governo do Rio Grande do Sul assinou contrato com a empresa Rodoplast para implantar em Vacaria uma planta de produção de hidrogênio de baixo carbono integrada ao sistema municipal de gestão de resíduos sólidos urbanos. O projeto prevê que o hidrogênio seja destinado prioritariamente ao transporte e à mobilidade sustentável, com foco inicial no abastecimento de caminhões de coleta de lixo movidos a H₂, podendo futuramente atender também aplicações estacionárias de geração elétrica. A iniciativa contará com subvenção estadual de R$ 30 milhões, via Badesul, e contrapartida de R$ 15,3 milhões da empresa. O processo tecnológico começa com a transformação dos resíduos em um Composto Biossintético Industrial (CBSI), que passa por pirólise para gerar óleo utilizado na produção do hidrogênio. Selecionado no edital H₂V-RS, o projeto integra a estratégia estadual de descarbonização e recebeu Licença Prévia e de Instalação da Fepam, permitindo a ampliação do empreendimento e a operação inicial experimental da unidade piloto, com capacidade de processar até 15 toneladas de resíduos por dia. (Agência CanalEnergia – 05.02.2026)
China: Tomada de protagonismo na transição para o hidrogênio e aço verde
A transição para o aço verde perdeu ritmo na Europa, mas vem ganhando tração na Ásia, sobretudo na China, segundo análises setoriais recentes. Após liderar a fase inicial da substituição do carvão por tecnologias como DRI (direct reduced iron) e hidrogênio verde (H2V), a Europa enfrenta entraves financeiros e institucionais, exemplificados pela crise da Stegra, na Suécia, que precisa captar mais de US$ 1 bilhão para concluir sua planta de aço baseada em DRI e 100% hidrogênio verde, apesar de o projeto já estar 60% construído e contar com acordos de offtake. Em contraste, a chinesa China Baowu, maior siderúrgica do mundo, integrou uma planta de 1 milhão de toneladas/ano de DRI por meio da subsidiária Baosteel, usando majoritariamente hidrogênio e tecnologias ocidentais, e avança rapidamente para ampliar o uso de H2V. Dados da China Hydrogen Energy Alliance indicam que o país já superou sua meta de 200 mil toneladas/ano de hidrogênio verde em 2025, com custos de produção 40% menores em cinco anos, enquanto a Hydrogen Insight registra que quase metade dos 59 projetos globais de hidrogênio limpo iniciados em 2025 está na China. Analistas alertam que, se essa tendência persistir, a UE pode acabar importando aço de menor intensidade de carbono produzido fora do bloco — inclusive da China — mesmo com o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), ampliando o risco de perder mais uma corrida estratégica em tecnologias limpas. (IEEFA - 02.02.2026)
Comlurb: Incorporação de caminhões a biometano para reduzir emissões no RJ
A Comlurb, empresa responsável pela limpeza urbana do Rio de Janeiro, recebeu 100 caminhões movidos a biometano que irão substituir parte da frota atualmente abastecida com diesel. O combustível renovável será fornecido pela Gás Verde e produzido a partir do lixo no aterro de Seropédica (RJ), fortalecendo o conceito de economia circular ao transformar resíduos em energia para abastecer os próprios veículos de coleta. Com a iniciativa, a expectativa é reduzir mais de 5,5 mil toneladas de CO² por ano, além de diminuir o ruído gerado pelos caminhões durante as operações. Os novos veículos serão utilizados em serviços de coleta domiciliar, remoção de lixo público e apoio às atividades de manutenção e limpeza dos ecopontos, atendendo principalmente bairros localizados nas Zonas Oeste e Sudoeste da capital fluminense. (Agência Eixos – 11.02.2026)
IEA: Hidrogênio de baixa emissão avança, mas ainda longe das metas iniciais
A demanda global por hidrogênio atingiu 100 Mt em 2024, crescendo quase 2% em relação a 2023, puxada principalmente por refinarias, indústria química e siderurgia, mas ainda quase totalmente suprida por produção a partir de combustíveis fósseis sem abatimento, consumindo 290 bilhões de m³ de gás natural e 90 milhões de toneladas equivalentes de carvão. Apesar do forte interesse governamental por tecnologias de baixa emissão, como eletrólise com energia limpa, bioenergia e produção com captura e armazenamento de carbono, o setor segue em fase inicial e abaixo das expectativas criadas no início da década, quando metas somavam 190 GW de eletrólise até 2030. Ainda assim, o relatório destaca que a produção de hidrogênio de baixa emissão cresce de forma consistente: saiu de pouco mais de 0,5 Mt em 2020 para quase 0,8 Mt em 2024 e deve chegar perto de 1 Mt em 2025, podendo superar 4 Mt em 2030 com projetos já comprometidos. O avanço é impulsionado por empreendimentos maiores, como o eletrolisador de 500 MW na China e o projeto NEOM na Arábia Saudita, previsto para 2,2 GW até 2027, enquanto China, Europa, Índia e América do Norte concentram 90% da produção comprometida até 2030. (IEA – 10.02.2026)
Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização
Artigo de Alberto Dognini: “Como a IA pode ser uma aliada confiável na transição energética da Europa”
Em artigo publicado na Enlit, Alberto Dognini (líder técnico na EPRI Europa) analisa como a inteligência artificial pode se tornar um aliado confiável da transição energética europeia a partir do projeto AI-EFFECT, financiado pelo Horizon Europe e coordenado pela EPRI Europe. A iniciativa estrutura uma European Testing and Experimentation Facility (TEF), conectando laboratórios e recursos computacionais para testar, validar e certificar aplicações de IA antes de sua adoção em sistemas energéticos reais, em linha com as exigências da União Europeia sobre segurança, ética, privacidade e responsabilidade. O projeto se apoia em quatro nós de demonstração: na Dinamarca, a Technical University of Denmark (DTU) testa IA para integração entre eletricidade e aquecimento distrital, visando reduzir custos e emissões; na Holanda, a TU Delft, em parceria com a operadora TenneT, desenvolve o “control room of the future” para gestão de congestionamentos com gêmeos digitais; em Portugal, o INESC TEC lidera um espaço local de dados energéticos alinhado ao EU Data Governance Act, permitindo compartilhamento seguro e centrado no consumidor; e, na Alemanha, o Fraunhofer, em cooperação com a Enel, avalia o desempenho da IA em redes de distribuição frente a métodos tradicionais. O tecto conlui que, em conjunto, esses ambientes padronizados buscam reduzir riscos, acelerar a inovação e estabelecer referências para o uso confiável da IA na transição energética europeia. (Enlit - 05.02.2026)
Artigo de Mike Scott: “Como a IA está impulsionando a transição energética – de redes inteligentes à fusão”
Em artigo publicado na Ethical Corporation Magazine, o jornalista Mike Scott examina como a inteligência artificial está se tornando um dos principais habilitadores da transição energética, atuando desde a operação de redes elétricas até a fronteira da fusão nuclear. No Reino Unido, a concessionária SSE utiliza IA em aplicações práticas como o “smart hammer”, ferramenta conectada por Bluetooth que emprega redes neurais para avaliar a integridade de postes de madeira, alimentando sistemas de gestão de ativos que aprendem continuamente com os dados coletados. A empresa também aplica IA para aumentar em cerca de 15% a capacidade segura de transmissão, ao integrar variáveis climáticas como vento, temperatura e radiação solar, reduzindo gargalos na rede. Segundo Gianna Huhn (SSE), essas soluções tornam o sistema mais flexível, resiliente e eficiente. Acadêmicos como Seun Ajao, da Manchester Metropolitan University, destacam o papel da IA na coordenação de sistemas elétricos cada vez mais descentralizados, enquanto empresas como a Kaluza usam algoritmos para otimizar o uso combinado de painéis solares, baterias, bombas de calor e veículos elétricos em residências. No setor fóssil, a Saudi Aramco identificou mais de 400 casos de uso de IA, com ganhos estimados em US$ 2 bilhões, e desenvolve seu próprio modelo de linguagem para fins operacionais e de soberania de dados. Já na fronteira tecnológica, instituições como a UK Atomic Energy Authority, a Commonwealth Fusion Systems/MIT e centros de pesquisa chineses empregam IA para estabilizar plasma e simular reatores de fusão, acelerando o desenvolvimento de energia limpa de longo prazo. O consenso entre especialistas é que, no curto prazo, o maior impacto da IA está em extrair valor de dados já existentes, reduzir custos e modernizar infraestruturas elétricas centenárias, tornando viável a transição energética em escala. (Reuters - 02.02.2026)
Colômbia: Lançamento de novo leilão de longo prazo que reposiciona o armazenamento de energia como elemento central
A Colômbia reformulou seu leilão de energia de longo prazo para colocar o armazenamento de energia no centro da confiabilidade do sistema elétrico, corrigindo falhas dos certames de 2019 e 2021. O novo mecanismo, lançado pelo governo colombiano, introduz produtos específicos por tecnologia, permite a declaração de curvas horárias reais de geração, reconhece baterias como ativos autônomos e estende o horizonte contratual até 2035, buscando aumentar a bancabilidade dos projetos. Segundo Álvaro Pérez Ramírez, gerente da AFRY, o redesenho alinha melhor os contratos aos prazos reais de licenciamento, conexão e financiamento no país. O modelo cria produtos híbridos de solar com baterias para atender o pico entre 17h e 21h e viabiliza projetos de BESS independentes, capazes de reduzir o uso de térmicas nos horários críticos. A base regulatória foi reforçada pela Resolução CREG 701 103 de 2025, embora persistam desafios ligados à expansão da transmissão, regras de despacho e sinais de preço adequados. O novo leilão reflete aprendizado institucional e busca estruturar um ambiente mais previsível para sustentar a transição energética colombiana. (Strategic Energy - 04.02.2026)
EUA: Relatório aponta que operadores de data centers vêm adotando baterias e microrredes para acelerar a conexão
Operadores de data centers nos Estados Unidos vêm recorrendo cada vez mais a ativos behind-the-meter, como baterias, microgrids e geração própria, para acelerar a conexão ao sistema elétrico diante de filas de interconexão que podem chegar a sete anos, segundo análise da Cleanview. O estudo indica que projetos equivalentes a 30% da nova capacidade planejada de data centers pretendem operar com recursos próprios. Cerca de 75% desses projetos ainda utiliza gás natural, mas cresce o interesse por armazenamento em baterias, valorizado por oferecer redundância, melhorar a qualidade da energia e apoiar metas corporativas de sustentabilidade, conforme pontua a National Electrical Manufacturers Association (NEMA). Empresas como Energy Vault e Peak Energy anunciaram a aquisição de 1,5 GWh em sistemas de armazenamento, voltados a data centers de IA. A NEMA, em parceria com ASHRAE e o Pacific Northwest National Laboratory, lançou padrões voluntários para baterias e microgrids, buscando reduzir custos, acelerar aprovações e facilitar a integração com as utilities. Analistas da Jefferies apontam que, embora mais caros, esses ativos ajudam a mitigar riscos políticos e impactos tarifários, tornando o armazenamento de energia um componente central da infraestrutura de data centers. (Utility Dive – 10.02.2026)
EUA: TotalEnergies e Google fecham PPAs de 1 GW solar para data centers no Texas
A TotalEnergies e o Google assinaram dois contratos de compra de energia de longo prazo (PPAs) para fornecer 1 GW de capacidade solar destinada ao abastecimento dos data centers da empresa de tecnologia no Texas. O acordo prevê o fornecimento de 28 TWh de eletricidade renovável ao longo de 15 anos, reforçando a estratégia do Google de ampliar o consumo de energia limpa e a expansão da TotalEnergies no mercado de renováveis norte-americano. A geração virá de duas usinas solares da TotalEnergies, Wichita (805 MWp) e Mustang Creek (195 MWp), cuja construção deve começar no segundo trimestre de 2026. Os novos contratos se somam aos 1,2 GW já firmados anteriormente entre as empresas, viabilizados pela Clearway, companhia de renováveis sediada na Califórnia e controlada em 50% pela TotalEnergies. Segundo a petroleira, o Google já é o maior cliente em volume de PPAs renováveis assinados pela empresa nos Estados Unidos. (Agência Eixos – 09.02.2026)
Impactos Socioeconômicos
Artigo de Lara Croushore e Stacey Weismiller: “Por que a manufatura reginal vai impulsionar a próxima economia limpa”
Em artigo publicado pelo Utility Dive, Lara Croushore (diretora de clima da SecondMuse) e Stacey Weismiller (presidente e CEO do American Manufacturing Futures Institute) argumentam que a transição energética só se consolidará como motor de crescimento econômico se for ancorada em manufatura regional, tratada como infraestrutura cívica essencial, capaz de gerar empregos qualificados, sustentar bases fiscais locais e viabilizar inovação industrial. As autoras pontuam que, embora os empregos industriais nos Estados Unidos tenham caído de cerca de 20 milhões para 13 milhões, o setor mantém papel estratégico na produção de baterias, componentes de rede, materiais avançados e tecnologias limpas. O texto destaca Nova York como caso de referência, citando iniciativas da prefeitura, do governo estadual e da NYSERDA, além de programas como Scale For ClimateTech, que apoiou mais de 100 empresas, criou 650 empregos e mobilizou mais de US$ 1 bilhão. Além disso, Pittsburgh e Los Angeles são apontados como exemplos de reaproveitamento de infraestrutura industrial e de polo emergente de inovação, respectivamente. As autoras, por fim, defendem a criação de um “Climate Manufacturing Commons”, com estratégias regionais integradas, investimentos coordenados e modernização de infraestrutura, como caminho para alinhar reindustrialização, transição energética e desenvolvimento territorial. (Utility Dive – 05.02.2026)
Artigo de Sana Shetty: “O valor oculto da infraestrutura de carvão na transição para energia limpa”
Em artigo publicado no Earth.org, Sana Shetty (pós-graduanda em Ciência, Tecnologia e Política Energética na Universidade Carnegie Mellon) discute como a infraestrutura do carvão pode ser reaproveitada na transição energética, evitando o declínio econômico de regiões historicamente dependentes desse combustível. Com a redução acelerada do carvão, estimada em cerca de 60% da capacidade nos EUA desde 2010, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), e cronogramas legais de eliminação antes de 2030 na União Europeia, o desafio passa a ser o destino de ativos, trabalhadores e territórios. A autora argumenta que antigas usinas e minas possuem valor estratégico oculto, como terrenos industriais licenciados, conexões à rede e capacidade de transmissão, que facilitam a instalação de solar, eólica e baterias em larga escala, reduzindo custos e prazos regulatórios. Exemplos incluem a reconversão de áreas carboníferas nos Apalaches (EUA) com apoio da Inflation Reduction Act, e o caso do Vale do Ruhr (Alemanha), que migrou do carvão para manufatura avançada e P&D em tecnologias limpas via política industrial coordenada. O texto também destaca o uso de minas desativadas para armazenamento energético (hidrelétrica reversível, ar comprimido e sistemas gravitacionais), com projetos-piloto no Reino Unido e na Espanha, além da requalificação da força de trabalho do carvão para funções em renováveis e redes, dentro do marco de uma transição justa. A conclusão é que, com políticas públicas, financiamento público-privado e planejamento de longo prazo, o fechamento do carvão pode se tornar uma oportunidade de criação de polos industriais limpos, e não um vetor de estagnação regional. (Earth.org - 05.02.2026)
Editorial Global Times: “Narrativas ocidentais sobre o carvão ignoram o efeito da transição energética da China”
Em editorial, o Global Times argumenta que a leitura ocidental de que a expansão recente do carvão na China indica retrocesso climático é simplista e ignora a transformação estrutural em curso no sistema energético chinês. O texto pontua que a adição de novas usinas a carvão não tem como objetivo sustentar um modelo fóssil tradicional, mas garantir flexibilidade e estabilidade ao sistema elétrico diante da rápida expansão de fontes intermitentes como solar e eólica. Nesse contexto, o carvão passa de fonte dominante de base para ativo regulador, reduzindo geração quando há excesso de renováveis e entrando em operação apenas em períodos de escassez ou pico de demanda, enquanto o armazenamento em larga escala ainda não alcançou maturidade suficiente. Ao mesmo tempo, os dados mostram que a transição energética chinesa avança em escala sem precedentes. A capacidade instalada de solar e eólica cresce aceleradamente e deve superar a do carvão já em 2026, enquanto as horas médias de operação das usinas térmicas caem, refletindo menor despacho do carvão para acomodar energia limpa. Ainda, as novas usinas utilizam tecnologias de alta eficiência e emissões ultrabaixas, em paralelo à retirada de unidades antigas e ineficientes. O texto conclui que focar apenas na expansão nominal do carvão distorce o debate climático e obscurece a lógica pragmática da China: assegurar segurança energética no curto prazo enquanto promove, de forma firme e estrutural, a consolidação de um sistema elétrico cada vez mais renovável. (Global Times - 05.02.2026)
Reino Unido: Aporte de £ 1 bilhão em projetos comunitários de energia
O Reino Unido anunciou que vai investir até £ 1 bilhão (US$ 1,4 bilhão) em projetos de energia comunitária, como a instalação de painéis solares em bibliotecas, escolas e outros edifícios públicos, com o objetivo de reduzir custos locais de energia, ampliar a participação social e avançar nas metas climáticas nacionais. A iniciativa integra a estratégia britânica de descarbonizar majoritariamente o setor elétrico até 2030, o que exige uma rápida expansão da capacidade renovável. O programa, batizado de Local Power Plan, foi lançado para apoiar projetos de energia limpa de propriedade local, fortalecendo a geração distribuída em comunidades e ativos públicos. O financiamento será viabilizado pela Great British Energy (GBE), empresa pública criada pelo governo, e faz parte do pacote de £ 8,3 bilhões destinado à estatal ao longo da atual legislatura. Segundo o secretário de Energia, Ed Miliband, o plano busca transferir controle e benefícios econômicos da transição energética para as comunidades, permitindo que os lucros permaneçam nos territórios locais, em vez de serem concentrados em grandes empresas do setor. Os recursos serão distribuídos por meio de subsídios e empréstimos a grupos comunitários e autoridades locais, com os primeiros mecanismos de apoio previstos para serem lançados ainda em 2026. (Reuters – 09.02.2026)
União Europeia: Auditores apontam a meta de segurança de matérias-primas críticas está longe do alcance
Auditores do Tribunal de Contas Europeu (ECA) alertaram que a União Europeia está longe de atingir seus objetivos de segurança no suprimento de matérias-primas críticas — como lítio, níquel e terras raras — essenciais para a transição energética, devido à baixa produção doméstica, gargalos regulatórios e forte concentração de importações. Segundo relatório divulgado, a UE é totalmente dependente de importações para 10 das 26 matérias-primas críticas, e o fornecimento permanece concentrado em poucos países, contrariando a meta europeia de limitar a 65% a dependência de um único fornecedor não europeu. O Critical Raw Materials Act, adotado em 2024, estabeleceu metas domésticas de 10% de extração, 40% de processamento interno e 25% de reciclagem até 2030, mas o ECA avalia que esses objetivos são não vinculantes e improváveis de serem cumpridos, devido a entraves financeiros, legais e administrativos. Segundo Keit Pentus-Rosimannus (ECA), a lentidão na abertura de minas, o fechamento de plantas de processamento por altos custos de energia e as baixas taxas de reciclagem — abaixo de 5% para vários materiais — aumentam a vulnerabilidade geopolítica do bloco. Já entidades setoriais como Eurometaux e Recycling Europe reforçam que falta acesso a financiamento, previsibilidade regulatória e incentivos eficazes, enquanto esforços de diversificação de importações avançam pouco e acordos comerciais estratégicos, como o UE–Mercosul, seguem paralisados. (Sustainable Views - 02.02.2026)