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IFE
02/02/2026

Transição Energética 103

Assinatura:
Equipe de Pesquisa UFRJ
Editor: Prof. Nivalde J. de Castro (nivalde@ufrj.br)
Subeditores: Leonardo Gonçalves
Pesquisadores: Gustavo Esteves e Paulo Giovane
Assistente de pesquisa: Sérgio Silva

IFE
02/02/2026

IFE nº 103

Assinatura:
Equipe de Pesquisa UFRJ
Editor: Prof. Nivalde J. de Castro (nivalde@ufrj.br)
Subeditores: Leonardo Gonçalves
Pesquisadores: Gustavo Esteves e Paulo Giovane
Assistente de pesquisa: Sérgio Silva

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Transição Energética 103

Dinâmica Internacional

Arábia Saudita: Projeto solar recebe sistemas de rastreamento de 2,25 GW

A joint venture Nextpower Arabia, formada pela Nextpower e pela Abunayyan Holding, fornecerá 2,25 GW em sistemas de rastreamento solar para a Larsen & Toubro (L&T), destinados ao projeto solar de Bisha, na Arábia Saudita. O empreendimento é desenvolvido por um consórcio liderado pela ACWA Power, no âmbito da sexta rodada do Programa Nacional de Energias Renováveis, coordenado pelo Ministério da Energia e contratado pela Saudi Power Procurement Company. Este é o primeiro grande contrato da Nextpower Arabia desde que se tornou plenamente operacional e tem como objetivo apoiar a expansão da capacidade solar em larga escala no país, além de contribuir para a redução das emissões de carbono. A empresa será responsável localmente pelas operações de vendas, fabricação, entrega e gestão da cadeia de suprimentos, facilitando a construção e a operação das usinas solares. A iniciativa também está alinhada à estratégia saudita de industrialização, ao fortalecer a produção local de equipamentos e gerar benefícios econômicos, incluindo desenvolvimento industrial e capacitação da força de trabalho na região do Oriente Médio e Norte da África. O projeto de Bisha integra um conjunto mais amplo de investimentos em energias renováveis no país, que incluem acordos recentes para novos projetos solares e eólicos totalizando 15 GW de capacidade. (Energy Monitor – 28.01.2026)

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Austrália: Participação de renováveis na matriz elétrica supera 50%

A Austrália alcançou um novo marco na transição energética ao registrar mais de 50% da geração elétrica a partir de fontes renováveis no quarto trimestre, mesmo com o aumento de 2,2% da demanda em relação ao ano anterior, segundo o Australian Energy Market Operator (AEMO). No National Electricity Market (NEM), a geração total cresceu 3,1%, superando 25.000 MW, enquanto a participação de renováveis avançou 5 pontos percentuais em base anual. A geração a gás caiu ao menor nível desde 2000, e carvão e gás, juntos, ficaram abaixo de 50% do mix, levando as emissões do sistema elétrico a um recorde mínimo trimestral de 23,4 milhões de toneladas de CO₂e. O crescimento foi impulsionado por solar distribuída, eólica e solar centralizada, todas com altas de dois dígitos, além do forte avanço do armazenamento, com a descarga de baterias quase triplicando para 286 MW. Fora do NEM, a Austrália Ocidental também ampliou o uso de renováveis e reduziu fósseis, apesar da decisão da Origin Energy de estender a vida útil de uma usina a carvão por preocupações com segurança energética. O marco ocorre enquanto o país endurece regras para exportadores de GNL e avança rumo às metas nacionais de redução de 46% das emissões até 2030 (base 2005) e de 82% da eletricidade proveniente de renováveis no mesmo horizonte, conforme dados e projeções do AEMO. (Reuters - 29.01.2026)

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Austrália: Relatório da ABB mostra que tecnologia, colaboração e investimento impulsionam a transição energética

A transição energética da Austrália avança com forte impulso de tecnologia, investimento e colaboração, segundo o Asia Pacific Energy Transition Readiness Index 2025, estudo conduzido pela divisão Energy Industries da ABB com mais de 4.000 líderes empresariais em 12 mercados. De acordo com a pesquisa, 99% das empresas australianas planejam aumentar investimentos na transição energética, e 69% pretendem destinar mais de 10% do capex ao tema nos próximos cinco anos. Os principais vetores identificados são os avanços tecnológicos (68%) e o uso de IA e automação (51%), enquanto 57% já possuem um plano de transição energética e 52% um plano de sustentabilidade. A expectativa de maior uso de energias renováveis atinge 73,6% dos respondentes, com destaque para solar fotovoltaica, eólica, hidrelétrica, hidrogênio verde e amônia, em linha com a meta nacional de redução de emissões entre 62% e 70% até 2035, frente a 2005, e com o Renewable Energy Target, que prevê 33.000 GWh adicionais por ano de eletricidade renovável até 2030. Segundo Aaron Trueman, vice-presidente da ABB Energy Industries na Austrália, o país vive um momento de “momentum”, sustentado por ambiente regulatório favorável e cooperação público-privada. O estudo também aponta desafios na área de talentos, com 81% das empresas demandando profissionais com competências verdes, e destaca que 61,4% já colaboram com fornecedores, universidades e outros atores, reforçando a transição para uma economia de baixo carbono. (ABB – 28.01.2026)

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BNEF: Investimento global em transição energética bate recorde em 2025

O investimento global em transição energética alcançou o recorde de US$ 2,3 trilhões em 2025, alta de 8% em relação a 2024, segundo a BloombergNEF (BNEF). Os maiores aportes concentraram-se em mobilidade elétrica, energia renovável e redes elétricas, embora o segmento renovável tenha registrado queda de 9,5% nos investimentos, influenciado principalmente por mudanças regulatórias na China. Com exceção de hidrogênio e nuclear, todos os demais setores analisados apresentaram crescimento no volume de recursos direcionados. O avanço dos investimentos foi impulsionado sobretudo pela expansão da produção de baterias e pelo fortalecimento das cadeias de fornecimento de energia limpa, que receberam US$ 127 bilhões em 2025. Apesar do aumento dos aportes, o excesso de capacidade produtiva segue pressionando preços ao longo da cadeia. A Ásia-Pacífico manteve a liderança, com 47% do total global, tendo a China como principal investidor, embora com recuo em renováveis. Índia, União Europeia e Estados Unidos registraram crescimentos relevantes, reforçando a dispersão geográfica dos investimentos em transição energética. (Portal Solar - 28.01.2026)

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IAEA: Energia nuclear deve ser mais priorizada na transição energética

A Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) afirma que a energia nuclear é um componente essencial da transição energética global, ao fornecer eletricidade limpa, confiável e acessível, respondendo hoje por cerca de 9% da geração mundial e 25% da eletricidade de baixo carbono. Segundo projeções da IAEA, a capacidade nuclear operacional global, em cenário otimista, pode mais do que dobrar até 2050, atingindo 2,6 vezes o nível de 2024, impulsionada pela adoção de pequenos reatores modulares (SMRs). Dados do Power Reactor Information System (PRIS) indicam que, em 20 de janeiro de 2026, havia 415 reatores em operação, somando 376 GW elétricos, com emissões de gases de efeito estufa extremamente baixas ao longo de todo o ciclo de vida. A fonte se destaca por fornecer energia firme de base, complementando fontes variáveis como solar e eólica, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e apoiando o crescimento da demanda, inclusive de data centers. A IAEA também aponta avanço no financiamento internacional, com cooperação junto ao Banco Mundial, ADB, EBRD e OPEC Fund, e destaca que 33 países já aderiram à Declaração para Triplicar a Energia Nuclear até 2050, reforçada pelo reconhecimento da fonte no Global Stocktake da COP28. Ainda, pontua que a energia nuclear pode contribuir para descarbonizar setores de difícil abatimento, como aço, cimento, química e transporte marítimo, por meio de reatores avançados e SMRs. Além disso, a entidade ressalta a evolução tecnológica, incluindo reatores mais seguros e eficientes, SMRs com maior flexibilidade operacional e o avanço da fusão nuclear, apontada no World Fusion Outlook 2025 como prioridade estratégica de longo prazo. (IAEA – 27.01.2026)

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IEA: Crise dos minerais críticos expõe fragilidade global

Em 2025, a segurança econômica global entrou em um ponto de inflexão ao evidenciar a vulnerabilidade das cadeias de suprimento de minerais críticos, essenciais para a transição energética, a digitalização e setores estratégicos. Segundo o relatório Global Critical Minerals Outlook 2025, da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), a elevada concentração da oferta deixou de ser um risco teórico, com a China dominando o refino de 19 dos 20 minerais monitorados, em média com cerca de 70% do mercado, chegando a mais de 90% em casos específicos, além de controles de exportação que ampliam a dimensão geopolítica do tema. Diante das dificuldades para expandir rapidamente a mineração e o refino, a IEA defende o uso de estoques estratégicos de minerais críticos como mecanismo de mitigação de choques de curto prazo, em lógica semelhante à dos estoques de petróleo criados após a crise de 1973. Embora mais complexos, esses estoques podem proteger indústrias e cadeias produtivas, além de sinalizar resiliência aos mercados. Países como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos já adotam essa estratégia, enquanto a China opera um modelo híbrido com reservas estatais e privadas. (Cenário Energia - 29.01.2026)

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IEA: Demanda global por gás natural deve aumentar em 2026

A demanda global por gás natural tende a se recuperar em 2026, após a desaceleração observada em 2025, impulsionada principalmente pela expansão acelerada da oferta de gás natural liquefeito (GNL), com destaque para novos projetos na América do Norte. De acordo com o Relatório Trimestral do Mercado de Gás da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), o consumo global cresceu menos de 1% em 2025, afetado por oferta restrita no primeiro semestre, preços elevados no mercado à vista e menor atividade industrial, especialmente na Ásia. A partir do segundo semestre de 2025, a entrada de novos projetos de GNL começou a aliviar as pressões sobre o mercado, criando condições para uma retomada mais sólida. Ainda assim, o relatório ressalta que o ambiente permanece incerto, em razão de fatores geopolíticos, das reformas nos mercados asiáticos de gás e do plano da União Europeia de eliminar gradualmente as importações de gás russo até 2027, contexto que tem provocado episódios de forte volatilidade nos preços globais do combustível. (Cenário Energia - 23.01.2026)

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OLACDE: América Latina e Caribe atingem 65% de renovabilidade na matriz elétrica em 2025

A América Latina e o Caribe consolidaram, em 2025, a liderança global em eletricidade de baixo carbono, com 65% da geração proveniente de fontes renováveis, segundo a OLACDE. O resultado reflete a recuperação das bacias hidrográficas e a incorporação acelerada de novas capacidades de fontes intermitentes. Em setembro, a geração regional atingiu 156 TWh, crescimento de 3,3% em relação ao mesmo mês de 2024, evidenciando a capacidade da infraestrutura em atender à expansão da demanda com menor dependência de combustíveis fósseis. A matriz regional segue ancorada na hidreletricidade, responsável por 45,7% da produção total, mas a expansão das fontes variáveis ganhou destaque. A geração solar fotovoltaica cresceu 5% apenas em setembro, impulsionada por grandes projetos e pela geração distribuída. Como consequência, a participação do gás natural recuou para 24% da matriz, passando a exercer papel complementar e estratégico em períodos de menor disponibilidade hídrica, diante do avanço das renováveis de baixo custo marginal. (Cenário Energia - 23.01.2026)

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Países Baixos: Deterioração da rede hidroviária trava o avanço da transição energética

A Aliança Logística dos Países Baixos (Netherlands Logistics Alliance), que representa portos e grandes operadores de transporte, alertou o Parlamento holandês de que a deterioração de eclusas e pontes da principal rede hidroviária do país ameaça a transição energética, ao comprometer o transporte de cargas superdimensionadas. Para o setor de project cargo, as hidrovias são essenciais ao transporte de componentes out-of-gauge (OOG), como torres e pás eólicas e transformadores, que não podem migrar facilmente para rodovias devido a restrições físicas. Sem financiamento imediato, a Aliança afirma que a transição energética será “estrangulada”, com impactos diretos nas cadeias logísticas e na atratividade do transporte aquaviário. O relatório também aponta risco à resiliência industrial se a previsibilidade do transporte por água não se aproximar da rodoviária. A entidade pede foco político estrutural e ampliação de subsídios para todos os fluxos de carga, em um contexto de redução da frota, que perdeu 41,8% da tonelagem bruta em 11 anos. O setor espera que o novo governo de coalizão recém-formado priorize investimentos para evitar gargalos que afetem projetos de energia limpa. (Project Cargo Journal – 28.01.2026)

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União Europeia: Investimento do EIB em 2025 foi 60% transição energética

O Grupo do Banco Europeu de Investimento (EIB Group) anunciou que realizou um investimento recorde de € 100 bilhões em 2025, destinando quase 60% desse total a projetos verdes. Os recursos apoiaram redes elétricas e interconectores, armazenamento de energia, energias renováveis e tecnologias limpas voltadas à descarbonização da indústria pesada. Um montante histórico de € 11,6 bilhões foi alocado especificamente em projetos de redes e armazenamento, reforçando a segurança do suprimento elétrico, com financiamento para construir ou modernizar cerca de 56 mil quilômetros de linhas de transmissão, incluindo o interconector do Golfo da Biscaia entre a Península Ibérica e a França, cabos submarinos na Itália central e redes locais na Alemanha. Em 2025, o EIB apoiou 20% da nova capacidade solar instalada na UE, um terço dos novos projetos eólicos onshore e a maior parte dos projetos eólicos offshore, além de oferecer instrumentos financeiros sob medida para fortalecer a manufatura europeia de eólicas e redes. O banco também registrou investimentos recordes em eficiência energética, com impacto esperado na redução de custos para PME e famílias, e respondeu por cerca de um terço de todo o investimento em transição energética na União Europeia. Para a presidente do EIB Group, Nadia Calviño, os aportes reforçam a prosperidade compartilhada, a segurança energética e a autonomia estratégica da Europa, traduzindo compromissos climáticos em investimentos concretos. (Renewable Energy Magazine - 29.01.2026)

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WNA: Capacidade nuclear global pode alcançar 1.446 GW até 2050

A Associação Nuclear Mundial (World Nuclear Association – WNA) divulgou um novo relatório internacional indicando que as ambições dos governos em relação à energia nuclear já superam a meta global de triplicar a capacidade instalada até 2050. Segundo o estudo, se os compromissos nacionais forem cumpridos, a capacidade nuclear global poderá alcançar cerca de 1.446 GW elétricos (GWe) até meados do século. O documento destaca que mais de 50 países estão avançando com planos nucleares, seja por meio da extensão da vida útil de usinas existentes, da construção de novos reatores ou da adoção de tecnologias avançadas, como pequenos reatores modulares (SMRs). Vale destacar que para a Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), o estudo reforça uma tendência clara no cenário internacional e traz reflexões importantes para o Brasil. Por fim, segundo a associação, o Brasil reúne condições técnicas, industriais e institucionais para amplia sua participação no cenário nuclear global, mas precisa acelerar decisões estratégicas. (Petronotícias – 26.01.2026)

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Nacional

ANBIMA: Estratégias ESG ganham destaque em instituições financeiras

As estratégias ESG passaram a ocupar posição central na agenda das instituições financeiras no Brasil, deixando de ser um diferencial restrito a nichos. Pesquisa da ANBIMA em parceria com o Datafolha indica que 33% das instituições pretendem estruturar fundos sustentáveis no próximo ano, refletindo a consolidação das finanças verdes como vetor relevante de alocação de capital. Atualmente, os fundos sustentáveis no país somam mais de R$ 52 bilhões em patrimônio líquido, após crescimento de 59% em 12 meses até outubro de 2025, com captação líquida de cerca de R$ 11,4 bilhões. Embora ainda representem parcela limitada do total de ativos sob gestão, esses fundos sinalizam uma mudança estrutural na forma de avaliar risco e retorno, com a incorporação de critérios ESG como instrumento de mitigação de riscos financeiros, regulatórios e climáticos. No setor elétrico, esse movimento amplia a disponibilidade de capital para projetos de geração renovável, hidrogênio verde, armazenamento e redes inteligentes, associados à redução de emissões e à modernização da matriz, reforçando a sustentabilidade como critério central na decisão de investimento. (Cenário Energia - 28.01.2026)

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Bandes: Lançamento de fundo de descarbonização de quase R$ 1 bilhão para a transição energética no ES

O Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) lançou o Fundo de Descarbonização do Espírito Santo, com potencial de superar R$ 1 bilhão em investimentos para financiar a transição energética e a redução de emissões de gases de efeito estufa, sob gestão da BTG Pactual Asset Management. O fundo nasce com R$ 500 milhões do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses), formado por royalties de petróleo e gás, e adota a estrutura de blended finance, combinando recursos públicos e privados para alavancar capital nacional e internacional. A iniciativa está alinhada ao Plano Estadual de Descarbonização, que prevê redução de 27% das emissões até 2030 e neutralidade de carbono até 2050, metas destacadas pelo governador Renato Casagrande e pelo vice-governador Ricardo Ferraço. Estruturado como um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), o fundo financiará projetos nos setores de energia renovável, eficiência energética, indústria limpa, transportes de baixa emissão, biocombustíveis, reflorestamento, agricultura sustentável e gestão de resíduos. A concepção contou com apoio técnico do Instituto Clima e Sociedade (iCS), que auxiliou no desenho do instrumento e na identificação de demandas de investimento. Segundo o diretor-presidente do Bandes, Marcelo Saintive, o fundo consolida o papel do banco como indutor da economia de baixo carbono e modelo replicável para outros estados. (Governo ES – 27.01.2026)

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Eco Invest: Mobilização de R$ 34 bilhões para projetos de transição energética

O terceiro leilão do Programa Eco Invest Brasil homologou R$ 52,8 bilhões em investimentos em participação societária, dos quais R$ 34 bilhões destinados à transição energética, informou o Tesouro Nacional. A iniciativa, coordenada pelos ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente, visa atrair capital externo com recursos do Fundo Clima e recebeu demanda potencial de até R$ 80 bilhões a partir de R$ 24 bilhões em capital público. Foram homologados R$ 15 bilhões em recursos catalíticos, capazes de viabilizar cerca de R$ 53 bilhões em equity, com prioridade para atividades alinhadas ao Plano de Transformação Ecológica. Projetos de transição energética concentraram 64,5% das propostas, seguidos por bioeconomia, infraestrutura verde e economia circular. Destacaram-se investimentos em combustíveis sustentáveis de aviação (R$ 12,2 bilhões), baterias e veículos elétricos (R$ 9,3 bilhões), biogás e biomassa, além de armazenamento de energia. Seis instituições financeiras foram selecionadas, com liderança do Itaú. Com três leilões concluídos, o Eco Invest já mobilizou R$ 127 bilhões e avança para a quarta rodada, focada na Amazônia. (Agência Eixos – 28.01.2026)

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Observatório do Clima: Entrega de recomendações para roadmap transição energética

Organizações da sociedade civil que integram o Observatório do Clima entregaram ao governo federal um conjunto de recomendações técnicas, regulatórias e econômicas para subsidiar o Mapa do Caminho para uma Transição Energética justa e planejada, solicitado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro de 2025. O documento, assinado por 161 organizações, propõe que a produção de petróleo no Brasil migre de uma lógica de máxima exploração para a de produção mínima necessária durante a transição, com cronograma para encerrar leilões de petróleo, descomissionamento de campos em esgotamento e cálculo do volume fóssil estritamente indispensável. Segundo Ricardo Fujii (WWF-Brasil), um planejamento justo reduz riscos no curto prazo e amplia oportunidades de crescimento sustentável. A ministra Marina Silva, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, afirmou que o primeiro documento governamental em elaboração tratará das diretrizes e bases do mapa, cujo prazo de entrega ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) se encerra em 6 de fevereiro. As propostas se organizam em três eixos — política energética, governança e finanças — com base em estudo publicado em 2024. Entre as recomendações estão o fortalecimento de instâncias como o Fórum Nacional de Transição Energética e o Fórum Brasileiro de Mudança do Clima, além da criação de uma autoridade central de coordenação e monitoramento, como defende Shigueo Watanabe Jr. (ClimaInfo). No campo financeiro, o documento recomenda suspender novos leilões de petróleo com base no risco de ativos obsoletos (stranded assets), encerrar subsídios aos combustíveis fósseis e vincular recursos à transição no PPA e na LOA. (Agência Brasil – 28.01.2026)

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Proinfa: Programa é prorrogado com novos tetos de preço para renováveis

O governo publicou decreto que altera as regras para a prorrogação dos contratos de usinas renováveis do Proinfa, como eólicas e pequenas hidrelétricas, mecanismo criado em 2002 para diversificar a matriz elétrica. A nova regulamentação transfere à ENBPar a responsabilidade pela operacionalização das prorrogações, prevendo a divulgação do modelo de aditivo e do cronograma em até 30 dias e fixando prazo até 31 de março de 2026 para a assinatura, com efeitos financeiros posteriores. Os contratos poderão ser estendidos por até 20 anos, a critério do gerador, com possibilidade de redução voluntária do montante contratado e definição de novos preços de referência baseados no leilão A-6 de 2019, corrigidos pela inflação. O decreto mantém a repactuação do risco hidrológico e permite prorrogação onerosa da outorga após o fim da extensão. Especialistas avaliam que as mudanças são mais favoráveis, especialmente para hidrelétricas, e o setor, representado pela Abragel, considera que a medida fortalece a expansão das renováveis, a segurança do sistema e a modicidade tarifária. (Valor Econômico - 27.01.2026)

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Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais

Artigo de Thiago Moreno: “Como a IA está transformando o setor de mobilidade elétrica”

Em artigo publicado pela Economia SP, Thiago Moreno (CEO da Spott) analisa como a inteligência artificial (IA) está se tornando um vetor decisivo para a escala da mobilidade elétrica no Brasil, ao atacar gargalos centrais como autonomia, custo da recarga e pressão sobre a rede elétrica. Em 2025, o mercado brasileiro de veículos eletrificados alcançou 223.912 unidades vendidas, crescimento de 26%, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), impulsionado pela maior oferta de modelos e expansão da infraestrutura de recarga. A integração da energia solar às estações de carregamento deixa de ser apenas ambiental e passa a ser econômica, com potencial de reduzir custos em até 74% em relação a veículos a combustão, de acordo com a ABVE. O autor pontua que a IA pode ampliar esses ganhos ao prever a radiação solar, otimizar gestão de recarga e distribuir o consumo ao longo do dia, reduzindo picos de demanda em até 30%. Além disso, algoritmos aplicados à otimização de rotas reduzem o consumo energético e a ansiedade de autonomia. O artigo conclui que a convergência entre IA, solar e mobilidade elétrica redefine o modelo: mais do que baterias maiores, a eficiência passa a depender de decisões inteligentes sobre quando, como e com que fonte carregar, tornando o veículo elétrico um agente ativo de gestão energética, com ganhos mensuráveis de custo, confiabilidade e sustentabilidade. (Economia SP - 27.01.2026)

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Brasil: VEs usados mostram menor taxa de falhas, mas custo ainda preocupa

O mercado de carros elétricos usados começa a ganhar espaço no Brasil e levanta novas preocupações, especialmente sobre a confiabilidade e o custo de manutenção fora da garantia. Dados de mercados mais maduros ajudam a contextualizar esses receios. Estatísticas do ADAC, maior clube automobilístico da Alemanha, indicam que veículos elétricos apresentam menos panes do que carros a combustão de idade equivalente: em média, 4,2 panes por mil elétricos ao ano, contra 10,4 nos modelos tradicionais. Na faixa de 2 a 4 anos de uso, mais próxima da realidade brasileira, a diferença se mantém. A maior parte das falhas em elétricos está ligada à bateria auxiliar de 12V, comum também em carros a combustão, enquanto problemas envolvendo motor elétrico, eletrônica de potência e sistemas de alta tensão representam cerca de 18% das ocorrências, o equivalente a menos de uma pane por mil veículos ao ano. Embora estatisticamente raras, essas falhas geram apreensão devido ao alto custo potencial dos componentes, especialmente no Brasil, onde o mercado de peças recondicionadas e oficinas especializadas ainda é limitado. Os dados sugerem que o risco existe, mas não é sistêmico, e tende a diminuir à medida que a frota envelhece e o ecossistema de manutenção independente se desenvolve. (Inside EVs – 25.01.2026)

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Brasil: Infraestrutura de recarga avança e impulsiona VEs

Durante anos, a principal barreira à adoção de carros elétricos no Brasil foi a incerteza sobre a recarga, mais do que o preço dos veículos, especialmente para quem vive em condomínios ou precisa viajar com frequência. Esse cenário começa a mudar com avanços regulatórios, entrada de novas marcas e a profissionalização dos serviços de recarga. A aprovação do Projeto de Lei 425/2025 em São Paulo, que garante o direito à instalação de pontos de recarga em condomínios mediante critérios técnicos, removeu um obstáculo histórico à eletrificação. Nesse contexto, empresas antes focadas em frotas corporativas passam a atuar diretamente com o consumidor final. A GreenV se destaca ao firmar parcerias com montadoras como BMW, MINI e Leapmotor, oferecendo soluções integradas de recarga residencial já na compra do veículo. Para viagens, a empresa investe, em parceria com a Porsche, R$ 70 milhões na implantação de 66 estações ultrarrápidas de 150 kW em rodovias até 2028, com a primeira já em operação em São Paulo. Apesar das desigualdades regionais, a recarga deixa de ser um problema individual e passa a integrar a estrutura do mercado, tornando-se fator-chave para a expansão dos veículos elétricos no país. (Inside EVs – 28.01.2026)

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Artigo GESEL: “Veículos elétricos no contexto da transição energética”

Em artigo publicado pelo Broadcast Energia, Nivalde de Castro (Professor do Instituto de Economia da UFRJ e Coordenador-Geral do GESEL), David Alexander e João Pedro Burlamaqui Andrade (Pesquisadores Associados do GESEL-UFRJ) analisam o papel dos veículos elétricos (VEs) no contexto da transição energética global — movimento vinculado aos esforços de descarbonização que já registra mais de 11 milhões de unidades no mundo. A rápida expansão da eletromobilidade, que no Brasil apresentou um crescimento expressivo de registros em 2024 e 2025, exige que o setor elétrico realize avaliações técnicas rigorosas, visto que a recarga concentrada ao final do dia acentua as rampas de carga e desafia a estabilidade do sistema. O avanço dos VEs influencia tanto o equilíbrio operacional do Sistema Interligado Nacional quanto o perfil ambiental da frota, cuja pegada de carbono real depende da matriz energética de recarga e do impacto mineral na fabricação de baterias. Para converter esse desafio em uma transição sustentável e eficiente, os autores destacam eixos fundamentais: a adoção de sistemas de armazenamento (SAE) para gerenciar o descompasso entre oferta e demanda; a aplicação das diretrizes da Lei nº 15.269/2025 para regulação de baterias; o fortalecimento de fontes renováveis na matriz de recarga; e o investimento em infraestrutura de reciclagem para mitigar o déficit de reaproveitamento de materiais críticos. O artigo conclui que o sucesso da eletromobilidade dependerá de políticas públicas coordenadas entre os setores de transporte e energia elétrica, capazes de assegurar que a substituição de combustíveis fósseis resulte em benefício ambiental efetivo, sem comprometer a segurança operativa e a infraestrutura urbana do país. Acesse o texto aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 28.01.2025)

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Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis

Brasil: São Paulo firma parceria com a Suécia para impulsionar o biometano

O Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (SEMIL), firmou um acordo com o Swedfund International AB, instituição financeira de desenvolvimento do governo da Suécia, para impulsionar pesquisas e investimentos na cadeia de biometano no estado. A parceria prevê estudos técnicos para dimensionar os investimentos necessários à implantação de novos gasodutos e avaliar oportunidades de negócios para biofertilizantes naturais provenientes de plantas de biogás e biometano. Com um suporte financeiro de aproximadamente R$ 5 milhões, custeados integralmente pelo governo sueco, especialistas em energia e infraestrutura irão desenvolver projetos que visam expandir a produção e comercialização de biometano e biofertilizantes. O estudo realizado pelo FIESP, com apoio da SEMIL, revelou que São Paulo tem potencial para produzir 6,4 milhões de metros cúbicos de biometano por dia. Pensando nisso, a ARSESP publicou em dezembro de 2025 a norma TUSD-Verde, que viabiliza a interconexão de plantas de biometano à rede de gás, a medida garante que os custos operacionais sejam remunerados, incentivando a expansão da infraestrutura. (Agência CanalEnergia - 26.01.2026)

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Envision: Projeto de hidrogênio verde é listado como benchmark global pelo WEF

O World Economic Forum (WEF) reconheceu o projeto de hidrogênio e amônia verdes da Envision, localizado em Chifeng, na Mongólia Interior (China), como benchmark global da transição energética, segundo o white paper “From Blueprint to Reality: A Stronger Business Case for Shared Energy Infrastructure”. O estudo destaca o projeto como um modelo transformador ao demonstrar como a inteligência artificial pode converter energia renovável intermitente em um insumo industrial estável, comparável a um “petróleo verde”. Durante um painel em Davos, o fundador e CEO da Envision, Lei Zhang, afirmou que a liderança chinesa em renováveis representa um avanço de “nível civilizacional”, ressaltando que o AI Power System da empresa permite transformar recursos eólicos e solares do Deserto de Gobi em milhões de toneladas de amônia verde. O projeto é apontado como a primeira planta de hidrogênio verde em larga escala do mundo operando com 100% de eletricidade renovável, sem conexão a redes intensivas em carbono, utilizando IA para balancear em tempo real a variabilidade de vento e sol, garantir fornecimento contínuo e reduzir o custo nivelado do hidrogênio. Para viabilizar o comércio internacional, a Envision obteve certificações rigorosas como ISCC EU, ISCC PLUS e conformidade RFNBO, assegurando aderência aos padrões ambientais e regulatórios europeus e globais, reforçando o papel do projeto como referência para a industrialização verde em escala global. (Hydrogen Central - 28.01.2026)

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Índia: Produção de biocombustíveis pode dobrar até 2030

A produção e o consumo de biocombustíveis líquidos e gasosos na Índia podem mais que dobrar até 2030 caso o país intensifique suas políticas públicas, segundo novo relatório da Agência Internacional de Energia (IEA). O estudo aponta que o setor de bioenergia será estratégico para sustentar o crescimento do mercado energético indiano, ao fortalecer a segurança energética, reduzir a dependência de combustíveis importados, gerar empregos — especialmente em áreas rurais — e contribuir para as metas de redução de emissões. Com base em resíduos agrícolas abundantes e resíduos orgânicos, a Índia consolidou avanços relevantes desde a Política Nacional de Biocombustíveis de 2018, elevando o consumo anual de etanol de menos de 2 bilhões para mais de 11 bilhões de litros, tornando-se o quarto maior produtor mundial. O biogás comprimido também avançou, com cerca de 170 plantas em operação e quase 300 projetos em desenvolvimento. Além disso, cresce o interesse por biodiesel e combustíveis sustentáveis de aviação. No cenário atual, o uso de biocombustíveis deve crescer mais de 50% até 2030, mas, com políticas reforçadas, pode mais que dobrar, exigindo ações como um roteiro nacional de combustíveis sustentáveis, cadeias de suprimento integradas, apoio à inovação e estruturas robustas de sustentabilidade e certificação. (IEA – 29.01.2026)

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Reino Unido: NWF mira impulsionar captura de carbono, baterias e hidrogênio

O National Wealth Fund (NWF) do Reino Unido definiu captura de carbono, redes elétricas, baterias e hidrogênio entre os dez setores prioritários para impulsionar o crescimento econômico e apoiar a transição para o net zero nos próximos cinco anos. Criado em 2024 pelo governo trabalhista e apresentado em plano estratégico pelo CEO Oliver Holbourn, o fundo pretende investir entre £ 4 bilhões e £ 5 bilhões por ano até 2030/31, com potencial de criar ou sustentar cerca de 200 mil empregos. De propriedade do governo, mas com gestão independente, o NWF — que sucedeu o UK Infrastructure Bank — dispõe de cerca de £ 28 bilhões, dos quais 30% já foram alocados em aproximadamente 70 projetos. Além de energia limpa e transporte, os focos incluem portos, nuclear, armazenamento de energia, aço verde, e, de forma complementar, defesa, materiais avançados e minerais críticos, visando fortalecer cadeias produtivas domésticas e a autossuficiência energética. Entre os investimentos já realizados estão aportes na usina nuclear Sizewell C e um empréstimo de £ 600 milhões à ScottishPower (Iberdrola) para modernização da rede elétrica. A iniciativa ocorre em um contexto de pressão política sobre o governo de Keir Starmer para reativar a economia, elevando a relevância do NWF como instrumento de política industrial e climática. (Reuters - 28.01.2026)

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União Europeia: Aporte de € 650 milhões para projetos transfronteiriços de infraestrutura de eletricidade e H2

A União Europeia destinou € 650 milhões para 14 projetos transfronteiriços de eletricidade e hidrogênio, como parte da estratégia da Comissão Europeia para modernizar redes envelhecidas, ampliar a integração regional e maximizar o uso de energia limpa, com recursos do Connecting Europe Facility (CEF). A Espanha é o país mais beneficiado para infraestrutura de energia elétrica, com € 180 milhões, seguida por um projeto conjunto entre Polônia, Estônia, Letônia e Lituânia (€ 112 milhões) e outro entre Romênia e Bulgária (€ 103 milhões), focados em redes inteligentes, aumento de capacidade e interconexão. Outros aportes incluem Eslováquia (€ 62 milhões), Grécia–Egito (€ 9 milhões) e Áustria (€ 1 milhão). O investimento responde a alertas da indústria de que redes sem flexibilidade e digitalização geram congestionamento e desperdício de eletricidade renovável. Na Espanha, os recursos apoiarão o desenvolvimento da hidrelétrica de Aguayo, com meta de 9–10 GW até 2027, suficiente para abastecer 7,5 a 12 milhões de residências. Já em hidrogênio, a Alemanha lidera os aportes, com € 120,11 milhões para armazenamento em Gronau-Epe e € 10,63 milhões para um terminal da Uniper Green Wilhelmshaven; a Holanda receberá € 25,62 milhões para o terminal ACE no Porto de Roterdã, desenvolvido pela Gasunie, HES International e Vopak, voltado à importação de amônia e reconversão em hidrogênio. O comissário Dan Jørgensen afirmou que os projetos reforçam a soberania energética e entregam energia limpa e barata aos consumidores. A Comissão, ainda, deve lançar uma nova chamada entre abril e junho, em linha com a meta da UE de produzir 10 milhões de toneladas de hidrogênio até 2030 e importar outras 10 milhões, conforme a legislação de energias renováveis. (Hydrogen Central - 29.01.2026)

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Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização

ANEEL: Abertura de consulta pública sobre adoção de medidores inteligentes

A diretoria da Aneel aprovou a abertura de consulta pública, entre 29 de janeiro e 16 de março, para avaliar a implementação de sistemas de medição inteligentes, que permitem o monitoramento do consumo de energia em tempo real. O debate envolve a necessidade de intervenção regulatória na modernização do segmento de distribuição e na implantação desses dispositivos. Após estudos, foi recomendada uma abordagem que prevê, inicialmente, a realização de análises de custo-benefício e, nos casos em que os resultados sejam positivos, a definição de um plano de implementação obrigatória dos medidores pelas distribuidoras. A iniciativa ocorre em paralelo à discussão de novas modalidades tarifárias, como as tarifas com preços variáveis ao longo do dia, cujo avanço, segundo especialistas, depende da modernização das redes de distribuição. (Valor Econômico - 27.01.2026)

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Editorial Reuters: “Demandas da velha economia podem dificultar a descarbonização de mercados emergentes”

Em editorial, o Reuters discute como a transição energética nos mercados emergentes pode ser retardada pela persistência de modelos econômicos baseados em indústrias intensivas em energia, como aço, cimento, químicos e plásticos, em contraste com EUA e Europa, que hoje priorizam data centers, inteligência artificial e serviços digitais. Segundo dados do Global Energy Monitor (GEM), cerca de 75% da capacidade global de aço e químicos e 85% da capacidade de cimento e clínquer estão localizadas fora da América do Norte e da Europa, sobretudo em Ásia, África, Oriente Médio e América Latina. Países como China, Índia, Indonésia, Vietnã, Nigéria, Egito e Turquia adotam essas indústrias como estratégia central de emprego, industrialização e crescimento, o que molda seus sistemas elétricos. A produção desses materiais exige energia abundante e barata, levando muitos governos a manterem ou expandirem o uso de carvão, especialmente no Sudeste Asiático e em partes da África. Assim, o sistema energético torna-se um instrumento de política industrial, dificultando a substituição rápida por fontes limpas. O texto conclui que, enquanto essas indústrias forem pilares econômicos e sociais, a descarbonização acelerada pode ser vista como um risco estrutural, aprofundando a divergência global nos ritmos da transição energética. (Reuters - 30.01.2026)

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EUA: Big techs apostam em SMRs para data centers

Os Pequenos Reatores Modulares (SMRs) vêm ganhando destaque como alternativa para suprir o alto consumo energético de data centers, especialmente diante da expansão da computação em nuvem e da inteligência artificial. Empresas como Amazon, Google e Microsoft estão investindo nessa tecnologia por oferecer fornecimento contínuo de energia, sem emissões diretas de carbono e com maior segurança em relação às usinas nucleares tradicionais. Os SMRs são pré-fabricados, montados no local e possuem potência de até 300 megawatts, com dimensões significativamente menores que as de reatores convencionais. A Amazon anunciou investimentos de US$ 52 bilhões nos Estados Unidos e firmou parceria com a Dominion Energy para desenvolver SMRs, com meta de viabilizar mais de 5 gigawatts de energia até 2039. Microsoft e Google seguem caminho semelhante, enquanto um reator da usina de Three Mile Island será reativado para abastecer data centers da Microsoft, com apoio financeiro do governo americano. O Departamento de Energia dos EUA prevê US$ 900 milhões em subsídios ao setor, diante de projeções de forte aumento na demanda elétrica dos data centers e da necessidade de energia limpa contínua, apesar dos desafios relacionados ao gerenciamento de resíduos nucleares. (Além da Energia – 30.01.2026)

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MME: Enquadramento de projetos de minigeração distribuída no REIDI

O Ministério de Minas e Energia aprovou o enquadramento de diversos projetos de minigeração distribuída de energia elétrica no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI), conforme portaria publicada no Diário Oficial da União em 28 de janeiro. A decisão, assinada pela Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento, permite que esses empreendimentos tenham acesso a incentivos fiscais voltados à expansão da infraestrutura energética, como a suspensão de tributos federais sobre bens e serviços utilizados nos projetos. Entre as iniciativas contempladas estão projetos de empresas e consórcios ligados majoritariamente à geração solar distribuída, incluindo Potenza Energias, Mais Solar, Borges e Soares Geração de Energia Solar, Consórcio Clicklivre Energia, Lorin Solar, UFV Flip Ipu, Porto Feliz Energia Renovável, além de associações de energia solar. O enquadramento segue o marco legal do setor, com base nas Leis nº 11.488/2007 e nº 14.300/2022, no Decreto nº 6.144/2007 e na Portaria Normativa nº 78/2024 do MME. A medida reforça a política de estímulo à geração distribuída no país, alinhada aos objetivos de transição energética, ampliação do uso de fontes renováveis e atração de investimentos privados para o setor elétrico. (Agência CanalEnergia – 28.01.2026)

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MME: Novas diretrizes para instalação de medidores inteligentes

O Ministério de Minas e Energia publicou a Portaria Normativa nº 126/2026, que atualiza as diretrizes para a implantação de sistemas de medição inteligente no setor elétrico brasileiro e estabelece, pela primeira vez, uma meta mínima obrigatória de expansão. A norma determina que as distribuidoras implantem adicionalmente sistemas de medição inteligente em 2% ao ano das unidades consumidoras de suas áreas de concessão, por um período de 24 meses a partir de março de 2026, tornando compulsório o avanço inicial da substituição dos medidores convencionais até março de 2028. A portaria também passa a exigir a apresentação de Análises de Custo-Benefício à Agência Nacional de Energia Elétrica, que orientarão a expansão da medição inteligente no médio e longo prazos. Além disso, define funcionalidades mínimas obrigatórias para os sistemas, como leitura remota, registro de interrupções com data e hora, alarmes antifraude, requisitos de segurança cibernética, interoperabilidade e possibilidade de aplicação de tarifas horárias. (Cenário Energia - 27.01.2026)

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Artigo de Bianca Bez: "BESS e o sistema elétrico brasileiro: entre tecnologia disponível e decisão regulatória"

Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Bianca Bez (advogada da área de Contencioso & Arbitragem, com ênfase em energia, no BBL Advogados) trata do debate sobre sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) no Brasil, sustentando que o principal entrave à sua expansão não é tecnológico, mas regulatório, já que o modelo institucional do setor elétrico, baseado em categorias rígidas, não foi concebido para ativos multifuncionais como o armazenamento, o que gera insegurança jurídica, cobranças tarifárias distorcidas, dificuldade de empilhamento de receitas e aumento do risco regulatório; a autora argumenta que essa indefinição impede investimentos justamente em um contexto de crescente participação de fontes renováveis variáveis, curtailment e ineficiências sistêmicas, defendendo que o avanço do BESS depende sobretudo de clareza institucional, previsibilidade regulatória e reconhecimento do valor da flexibilidade, confiabilidade e resposta temporal que o armazenamento oferece ao sistema elétrico. (GESEL-IE-UFRJ – 30.01.2026)

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Impactos Socioeconômicos

Artigo de Sophie Loeb: “Cooperativas Elétricas: Um caminho potencialmente positivo para avançar uma transição energética limpa e equitativa”

Em artigo publicado pelo Center for Progressive Reform, Sophie Loeb (consultora política) argumenta que as cooperativas de energia elétrica podem desempenhar um papel relevante em uma transição energética limpa e equitativa, diante do agravamento da crise climática causada principalmente pela queima de combustíveis fósseis. A autora pontua que o aquecimento global já ultrapassou 1,5 °C e pode atingir 2,5 °C até 2100, tendo como marco crítico, em 2025, o primeiro “tipping point” climático associado ao colapso de recifes de coral. Nos Estados Unidos, o setor elétrico responde por parcela significativa das emissões, agravada pelo crescimento da demanda impulsionado pela eletrificação da economia e pela expansão de data centers de inteligência artificial, cujo consumo pode chegar a 426 TWh em 2030, segundo projeções citadas no texto. Embora estudos indiquem que um sistema com 90% de renováveis até 2035 seja tecnicamente viável, o predomínio das utilities privadas (investor-owned utilities) tem retardado a descarbonização, devido a incentivos de lucro e assimetrias regulatórias. Nesse contexto, o texto recorre à análise da jurista Shelley Welton (Universidade da Pensilvânia) para defender modelos alternativos de governança. O artigo conclui que as cooperativas elétricas, historicamente relevantes em áreas rurais, são apresentadas como potenciais catalisadoras da transição, desde que superem limitações como contratos fósseis, endividamento e déficits de representação democrática, e aproveitem financiamentos públicos e a pressão de seus membros para acelerar a adoção de fontes renováveis. (Center for Progressive Reform – 28.01.2026)

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Editorial Reuters: “O pacto europeu para energia eólica offshore é uma proteção contra a dependência do gás nos EUA”

Em editorial, o Reuters analisa o acordo firmado por Reino Unido, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, Holanda e Noruega no North Sea Summit, que prevê o desenvolvimento conjunto de 100 GW de energia eólica offshore em águas compartilhadas, como estratégia para reduzir a dependência europeia do gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos e conter custos energéticos. O pacto amplia o compromisso assumido em 2023, que estabeleceu a meta de 300 GW até 2050, em resposta ao choque energético causado pela invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Segundo dados do WindEurope, a eólica já respondeu por 19% da eletricidade da União Europeia em 2025, embora a capacidade offshore atual seja de apenas 37 GW. O acordo busca ganhos de escala, integração por interconectores transfronteiriços e redução de desperdícios e preços negativos, além de estimular a indústria local, com projeção de 91 mil empregos e €1 trilhão em atividade econômica. O texto destaca ainda que o movimento funciona como proteção geopolítica diante do aumento da participação do GNL norte-americano, que representou 57% das importações de GNL da UE e do Reino Unido em 2025, conforme dados de mercado, ao mesmo tempo em que aposta na redução estrutural de custos no longo prazo para consumidores europeus. (Reuters - 27.01.2026)

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Editorial Sustainability Magazine: “Por que a energia dominou os debates em Davos 2026”

Em editorial, a Sustainability Magazine analisa por que a energia dominou os debates no Fórum Econômico Mundial de Davos 2026, em meio a tensões geopolíticas e incertezas econômicas globais. O discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 21 de janeiro, foi apontado como o principal catalisador, no qual defendeu a expansão de petróleo e gás, criticou eólica e solar, mas sinalizou apoio estratégico à energia nuclear como pilar da segurança energética americana. A fala provocou reações imediatas da União Europeia, com o comissário climático Wopke Hoekstra e o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, reforçando que segurança energética e descarbonização são compatíveis. A energia nuclear emergiu como raro ponto de convergência, com anúncios de expansão na Índia, além de projetos de extensão de vida útil e small modular reactors (SMRs) no Reino Unido e na República Tcheca. No setor privado, líderes como Andrew Forrest (Fortescue) e Oliver Bäte (Allianz) defenderam as renováveis como vetor de competitividade, enquanto Elon Musk apresentou a ideia de energia solar espacial. Segundo Colm Devine (EY), a sustentabilidade em Davos deixou de ser tratada como obrigação regulatória e passou a ser vista como estratégia de crescimento, resiliência e valor econômico, apoiada por dados do World Business Council for Sustainable Development, que indicam que 61% dos executivos esperam aumento de custos devido a impactos climáticos em 2026. (Sustainability Magazine – 27.01.2026)

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Entrevista com Tara Laan: “Por que o mundo está mudando para renováveis mais rápido do que se esperava”

Em entrevista, Tara Laan (especialista em energias renováveis do Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável [IISD]) discute por que a transição para energias renováveis está ocorrendo mais rapidamente do que o esperado, destacando fatores econômicos, geopolíticos e tecnológicos. Ela pontua que, entre 2024 e 2025, a energia solar fotovoltaica em escala utility atingiu custos entre US$ 38 e US$ 78/MWh, tornando-se a opção mais barata e rápida para novas usinas. Como resultado, as renováveis responderam por mais de 92% da expansão global da capacidade elétrica em 2024, levando, por exemplo, a União Europeia a superar os combustíveis fósseis em sua matriz elétrica. Estimativas globais indicam que o aquecimento projetado caiu de 3,5°C para cerca de 2,6°C, em grande parte porque mais de 60 países reduziram ou abandonaram planos de expansão do carvão. Ainda, destaca que a contribuição para a segurança energética tornou-se central: na crise pós-Ucrânia, a UE evitou importar 993 TWh (94 bcm) adicionais de gás, economizando cerca de €135 bilhões, graças à eólica e à solar. Quanto aos desafios, pondera que o principal gargalo atual não é mais a geração, mas a integração — redes, armazenamento e flexibilidade — especialmente em países em desenvolvimento, que exigirão maior financiamento internacional. A entrevistada conclui que, apesar dos desafios políticos e setoriais, no setor elétrico a energia limpa deixou de ser alternativa e tornou-se o padrão dominante. (Impakter – 27.01.2026)

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