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IFE
26/01/2026

Transição Energética 102

Assinatura:
Equipe de Pesquisa UFRJ
Editor: Prof. Nivalde J. de Castro (nivalde@ufrj.br)
Subeditores: Leonardo Gonçalves
Pesquisadores: Gustavo Esteves e Paulo Giovane
Assistente de pesquisa: Sérgio Silva

IFE
26/01/2026

IFE nº 102

Assinatura:
Equipe de Pesquisa UFRJ
Editor: Prof. Nivalde J. de Castro (nivalde@ufrj.br)
Subeditores: Leonardo Gonçalves
Pesquisadores: Gustavo Esteves e Paulo Giovane
Assistente de pesquisa: Sérgio Silva

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Transição Energética 102

Dinâmica Internacional

China: Avanço das renováveis causa primeiro recuo da geração termelétrica em 10 anos

Em 2025, a geração termelétrica da China, majoritariamente assentada no carvão, caiu 1%, atingindo 6,29 trilhões de kWh, o que marca a primeira queda anual em uma década, segundo dados do National Bureau of Statistics (NBS). A redução foi mais acentuada em dezembro (-3,2%), refletindo o impacto cumulativo da rápida expansão das energias renováveis, que passou a atender o crescimento da demanda elétrica. De acordo com Peng Chengyao, da S&P Global Energy, o avanço recorde de eólica e solar, combinado com um crescimento mais moderado da demanda (5% em 2025, ante 6,8% em 2024, segundo o China Electricity Council), pressionou a participação do carvão no mix elétrico. Ainda assim, o consumo total de eletricidade da China alcançou um recorde histórico superior a 10 trilhões de kWh, conforme divulgado pela National Energy Administration (NEA), impulsionado principalmente por serviços digitais e pela indústria de veículos elétricos, superando o consumo combinado da União Europeia, Rússia, Índia e Japão em 2024. O NBS registrou geração total de 9,72 trilhões de kWh, alta de 2,2%, além de crescimento da hidrelétrica (2,8%) e da energia nuclear (7,7%) no ano. Projeções da S&P Global Energy indicam que a geração térmica deve permanecer estagnada em 2026, enquanto analistas como Feng Dongbin, da Fenwei Digital Information Technology, avaliam que a mudança estrutural na matriz elétrica chinesa é difícil de reverter, reforçando o avanço da descarbonização rumo à meta de pico de emissões até 2030. (Reuters – 19.01.2026)

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Editorial Além da Energia: “Transição energética global avança em resoluções mais simples, mas trava diante das mais complexas”

Em editorial, o Além do Energia analisa o avanço desigual da transição energética global a partir de um estudo do McKinsey Global Institute (MGI), segundo o qual houve progresso nas soluções mais simples, mas estagnação nas medidas mais complexas, responsáveis por cerca de metade das emissões do sistema energético. Dados do MGI indicam que a adoção de tecnologias de baixa emissão atingiu 13,5%, apenas metade do ritmo necessário para cumprir as metas do Acordo de Paris. Os maiores avanços concentram-se nos setores de eletricidade e mobilidade, com a capacidade anual global de geração elétrica de baixo carbono chegando a 600 GW entre 2022 e 2024, impulsionada sobretudo pela China, responsável por dois terços das adições. Brasil e Índia também se destacam, com fortes expansões em solar e eólica, enquanto os veículos elétricos já representam 25% das vendas globais. Em contraste, a descarbonização da indústria pesada e o hidrogênio enfrentam entraves: apenas 10% dos projetos anunciados chegaram à decisão final de investimento, segundo o estudo. O texto destaca ainda sinais positivos em baterias avançadas, eletrificação industrial e no papel de data centers como indutores de energia limpa. No caso brasileiro, fontes do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Agência Internacional de Energia (AIE) apontam 2025 como marco de liderança, com matriz renovável, avanços regulatórios, o Marco Legal do Hidrogênio, a regulamentação das eólicas offshore e programas de renováveis com baterias na Amazônia, reforçando o papel do Estado como agente central da transição. (Além da Energia – 21.01.2026)

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EUA: Energia solar responde por 61% do aumento da demanda de energia em 2025

Análise do think tank Ember mostra que a energia solar supriu 61% do aumento da demanda de eletricidade nos Estados Unidos em 2025. A demanda no país aumentou 135 TWh em 2025. Houve aumento de 3,1%, sendo o quarto maior aumento anual da última década. Ademais, no mesmo período, a geração solar cresceu em um recorde de 83 TWh, uma elevação de 27% superior ao de 2024 e o maior crescimento absoluto de qualquer fonte de eletricidade. De acordo com a análise, esse aumento por si só fornece quase dois terços do crescimento total da demanda de eletricidade em todo o país. Além disso, vale destacar que a alta do uso de baterias nos EUA está transformando a energia solar em uma fonte de eletricidade despachável para o dia todo. Nos últimos seis anos, a geração solar e de baterias na Califórnia aumentou 58%. De modo geral, a maior parte da nova geração foi absorvida pelo aumento da demanda por eletricidade, em vez de substituir a oferta existente, assim possibilitando um crescimento do solar em paralelo com o desenvolvimento do sistema. (Agência CanalEnergia - 19.01.2026)

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Europa: Energia solar em foco como pilar central da transição energética

A energia solar vem se consolidando como um dos pilares centrais da transição energética europeia. Tal protagonismo é evidenciado pelo rápido crescimento, competitividade econômica e benefícios sistêmicos da fonte. Segundo dados do Eurostat, 47,5% do consumo de eletricidade da União Europeia em 2024 veio de fontes renováveis, sendo a solar fotovoltaica responsável por 23,4%, e em junho de 2025 o sol tornou-se, pela primeira vez, a principal fonte de geração elétrica do bloco. A capacidade instalada de solar fotovoltaica alcançou cerca de 406 GW em 2025, superando a meta de 380 GW estabelecida na Estratégia Solar da UE de 2022, conforme a SolarPower Europe. Paralelamente, a Solar Heat Europe aponta que a energia solar térmica atingiu 41 GW instalados em 2023, com mais de 11 milhões de telhados equipados. Em destaque, a expansão da fonte incorre também em benefícios diretos para consumidores, como redução de custos, geração descentralizada, armazenamento e compartilhamento de energia por meio de comunidades energéticas. Já em escala macroeconômica, a solar contribui para segurança energética, competitividade industrial e geração de empregos: segundo a Agência Internacional de Energia Renováveis (IRENA), o setor empregou 7,2 milhões de pessoas globalmente em 2024, sendo cerca de 764 mil na UE. Integrada ao Net Zero Industry Act, a energia solar é apresentada como tecnologia-chave para alcançar a neutralidade climática europeia até 2050, reforçando resiliência, autonomia energética e desenvolvimento econômico. (Comissão Europeia – 15.01.2026)

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Índia: Nova fábrica de baterias fortalece produção local e metas renováveis

A GoodEnough Energy iniciou as operações de uma fábrica de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) com capacidade inicial de 7 GWh em Noida, no estado indiano de Uttar Pradesh, marcando um passo relevante para o fortalecimento da produção doméstica de armazenamento energético. Fundada em 2023 com investimento inicial de Rs 4,5 bilhões, a empresa pretende ampliar a capacidade da unidade para 25 GWh nos próximos três anos, reduzindo a dependência indiana de importações, especialmente da China. O projeto está alinhado à meta do país de alcançar 500 GW de capacidade elétrica não fóssil até 2030, o que exigirá cerca de 230 GWh em sistemas de armazenamento para garantir a estabilidade da rede. A iniciativa também se beneficia do programa governamental que destinou Rs 94 bilhões em subsídios para a fabricação local de baterias, cobrindo até 40% dos custos de capital. Além de gerar empregos e apoiar mais de 100 pequenas e médias empresas na cadeia de suprimentos, a fábrica deverá contribuir para a descarbonização de setores intensivos em emissões, podendo evitar até 15 milhões de toneladas de CO₂ até 2026. As soluções desenvolvidas também favorecem a expansão da infraestrutura de recarga de veículos elétricos e a integração eficiente das energias renováveis. (Energy Monitor – 21.01.2026)

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McKinsey & Company: Transição energética avança em frentes simples, mas trava nas mais complexas

Estudo do McKinsey Global Institute indica que a transição energética global tem registrado avanços desiguais, com progresso mais rápido em medidas menos complexas e estagnação justamente nas ações capazes de eliminar cerca de metade das emissões do sistema energético. Segundo os pesquisadores, a implementação de tecnologias de baixa emissão alcançou 13,5% nos últimos dois anos, ritmo ainda insuficiente para cumprir as metas do Acordo de Paris até 2050. Os maiores avanços ocorreram nos setores de eletricidade e mobilidade, com a capacidade anual global de geração elétrica de baixa emissão dobrando entre 2022 e 2024, chegando a cerca de 600 GW, puxada principalmente pela China. Economias emergentes como Brasil e Índia também aceleraram, enquanto alguns mercados desenvolvidos perderam fôlego. A eletromobilidade ganhou destaque, respondendo por 25% das vendas globais de carros em 2025. Em contrapartida, desafios persistem na descarbonização da indústria pesada e no hidrogênio, área marcada por cancelamentos e poucos projetos efetivados. O estudo defende disciplina na execução onde há avanço e inovação integrada nas frentes mais difíceis, ressaltando que o sucesso dependerá da capacidade de adaptação contínua diante de um cenário dinâmico e incerto. (Além da Energia – 21.01.2026)

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União Europeia: Fontes renováveis superaram combustíveis fósseis na matriz elétrica em 2025

Em 2025, a União Europeia atingiu um marco histórico na transição energética ao registrar eólica e solar como as principais fontes de eletricidade, superando pela primeira vez os combustíveis fósseis, segundo a European Electricity Review 2026, publicada pela Ember. As duas fontes responderam por 30% da geração elétrica da UE, frente a 29% das fontes fósseis, com a energia solar alcançando um recorde de 369 TWh, crescimento anual de 20%, e participação de 13% no mix elétrico. Em 14 dos 27 países do bloco, eólica e solar já produzem mais eletricidade do que carvão, gás e petróleo combinados. No total, as energias renováveis forneceram 48% da eletricidade da UE, apesar da queda na geração hidrelétrica (-12%) e eólica (-2%), parcialmente compensada pelo avanço solar. A Comissão Europeia identificou a dependência de combustíveis fósseis importados como principal causa dos elevados preços de energia, contexto em que o aumento de 8% na geração a gás elevou a conta de importação para € 32 bilhões, alta de 16%, e provocou picos de preços em 21 países. O carvão continuou em declínio, atingindo apenas 9,2% da geração, com participação inferior a 5% em 19 Estados-membros. A UE aprovou ainda legislação para proibir importações de gás russo até 2027, embora tenha ampliado a dependência de GNL dos Estados Unidos, segundo o relatório. Para reduzir vulnerabilidades geopolíticas, custos e volatilidade de preços, a Ember destaca a expansão de armazenamento em baterias, o reforço das redes elétricas e o aumento da flexibilidade da demanda como elementos centrais para sustentar a crescente participação de solar e eólica no sistema europeu. (Ember – 22.01.2026)

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Wood Mackenzie: Tendências que devem moldar o mercado solar em 2026

Após um ano desafiador para o setor solar em 2025, o mercado global deve entrar em 2026 com fundamentos mais sólidos, impulsionado pelo avanço da eletrificação da economia e pelo crescimento acelerado da demanda por eletricidade. Mudanças regulatórias e políticas afetaram negativamente os principais mercados — como a desaceleração das instalações na China, a instabilidade regulatória nos Estados Unidos e as exigências de conteúdo local na Índia —, mas a energia solar segue como uma das principais fontes para atender à expansão do consumo, especialmente em data centers, indústria e transporte eletrificado. A capacidade solar instalada globalmente deve quase triplicar, passando de cerca de 3 TWdc atualmente para quase 8 TWdc até 2034. Outro destaque é o avanço do “balcony solar”, sistemas solares plug-in que dispensam conexão formal à rede, inicialmente concentrados na Alemanha, mas que começam a influenciar debates regulatórios na Europa e nos EUA, embora seu ritmo de expansão ainda seja incerto. Além disso, um megaprojeto nos Emirados Árabes Unidos, que combina 5,2 GWdc de solar com 19 GWh de baterias para fornecer energia contínua, pode redefinir o papel da solar como fonte de base no sistema elétrico global. (Wood Mackenzie – 22.01.2026)

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Nacional

ABIHV: H2V entra em fase de maturação global e expõe gargalos regulatórios

O mercado global de H2V e seus derivados entra, em 2026, em uma fase de maior pragmatismo, marcada pela priorização da execução, da viabilidade econômica e da disciplina de capital, após um período de forte expansão de anúncios e metas ambiciosas. De acordo com nota técnica da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), que avaliou mais de 500 projetos internacionais, os empreendimentos em decisão final de investimento, construção ou operação somam cerca de US$ 110 bilhões. A reavaliação ou o cancelamento de parte dessas iniciativas é interpretado como um processo natural de consolidação, e não como uma crise estrutural do setor. O estudo aponta que os principais fatores para a interrupção ou revisão dos projetos são entraves regulatórios e de licenciamento, incertezas políticas e de mercado, custos elevados, dificuldades de financiamento e ausência de contratos firmes de demanda, muitas vezes combinados entre si. Em contraste, os projetos que avançam para o FID apresentam características comuns, como demanda assegurada por meio de contratos de offtake ou integração industrial, ambiente regulatório previsível e estruturas financeiras robustas, capazes de mitigar riscos tecnológicos e de mercado. (Cenário Energia - 20.01.2026)

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Artigo de Assis Moreira: "ESG 2.0, nova oportunidade para o Brasil"

Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Assis Moreira (correspondente em Genebra) trata da visão de Marcos Troyjo sobre a transição do ESG 1.0 para o ESG 2.0 em um contexto de choques geopolíticos, no qual economia, segurança e geopolítica passam a se integrar às decisões de investimento, reduzindo a centralidade exclusiva das agendas ambiental e social. Segundo Troyjo, eventos como a rivalidade EUA–China, a pandemia, guerras e a volta de Donald Trump à presidência dos EUA redefiniram prioridades globais, tornando estratégicos os minerais críticos e as terras raras, essenciais à ciência e à economia do século XXI. Nesse cenário mais adverso para a maioria dos países, o Brasil surge como grande beneficiário, ao deter a segunda maior reserva mundial de terras raras e elevado potencial de refino, o que amplia seu poder de atração de investimentos e relevância internacional. Para aproveitar a oportunidade, Troyjo defende atualizar o mapeamento geológico, evitar acordos preferenciais e a criação de estatais, buscar parcerias amplas, promover roadshows e ganhar escala, pois os minerais críticos colocam o país em um “novo jogo” estratégico global. (GESEL-IE-UFRJ – 22.01.2026)

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Brasil e México: Acordo para ampliar a cooperação em energia

Brasil e México concentram conjuntamente cerca de 60% a 65% do PIB da América Latina e reúnem uma população superior a 320 milhões de habitantes, consolidando-se como as duas maiores economias da região. Em 2025, os dois países anunciaram a ampliação de acordos comerciais e de investimentos, com foco em parcerias setoriais em áreas como saúde, agropecuária, biocombustíveis e tecnologia. Apesar do avanço do diálogo, o México descartou um acordo de livre comércio amplo, optando por cooperações específicas em razão de sua forte integração econômica com os Estados Unidos por meio do USMCA. Em 2024, a corrente de comércio bilateral somou cerca de US$ 13,6 bilhões, patamar considerado reduzido diante do porte das economias. Autoridades brasileiras e mexicanas apontam oportunidades de integração em setores como energia, indústria automotiva, agronegócio, biocombustíveis, tecnologia, inovação, saúde e ciência. (Canal Solar - 16.01.2026)

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MME: Apresentação de oportunidades da transição energética brasileira na China

Em 20 de janeiro de 2026, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, apresentou a executivos da Envision Energy, em Xangai, um portfólio de oportunidades bilionárias associadas à transição energética brasileira, como parte da estratégia do governo federal para atrair investimentos estrangeiros de longo prazo em energia limpa e descarbonização industrial. Silveira destacou as vantagens competitivas do Brasil em hidrogênio verde, amônia verde, sistemas de armazenamento por baterias (BESS), combustível sustentável de aviação (SAF) e energia eólica de grande porte, combinando matriz elétrica majoritariamente renovável, base industrial em expansão e previsibilidade regulatória. O ministro defendeu a cooperação com a Envision, empresa chinesa de soluções integradas em renováveis e armazenamento, como vetor para parcerias com universidades e centros de pesquisa, geração de empregos qualificados e transferência de tecnologia, e convidou a companhia a ampliar sua presença no país e participar de iniciativas como o primeiro leilão de BESS. A atuação da Envision no Brasil iniciou-se em janeiro de 2026, com o fornecimento de 630 MW em turbinas eólicas à Casa dos Ventos e um contrato de serviços de longo prazo, que pode superar US$ 800 milhõe. A agenda incluiu ainda encontros com instituições financeiras e menções a mecanismos bilaterais, como um fundo de US$ 1 bilhão com participação de bancos brasileiros e chineses, reforçando a cooperação Brasil–China para financiar a transição energética e o desenvolvimento sustentável. (Agência Brasil China – 20.01.2026)

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MME: Elaboração da Estratégia Nacional de Terras Raras

O Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou o início da elaboração da Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR), projeto que visa estruturar diretrizes, metas e instrumentos para o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva dessas matérias-primas no Brasil. A iniciativa busca integrar as políticas industrial, ambiental e de transição energética, refletindo a importância estratégica das terras raras para setores como tecnologia, energia renovável e indústria de defesa. A etapa inicial do projeto foi marcada por uma reunião "kick-off" realizada nesta semana, que contou com a participação de representantes do setor privado e público. O encontro definiu o escopo dos trabalhos, que incluirão a elaboração de diagnósticos detalhados sobre as oportunidades de desenvolvimento da cadeia de valor das terras raras no país. Além disso, o projeto prevê orientações específicas relacionadas à sustentabilidade, governança e mecanismos de monitoramento contínuo. No contexto regulatório, o governo brasileiro tem adotado uma abordagem infralegal para o setor minerário. Essa estratégia busca dar maior agilidade e flexibilidade às ações governamentais. No último trimestre de 2025, o Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) realizou sua primeira reunião, na qual foram debatidas diversas resoluções para o setor mineral. Entre os temas tratados, destacaram-se a criação de grupos de trabalho focados em taxas de fiscalização, encargos setoriais e financiamento de projetos. A elaboração da Estratégia Nacional de Terras Raras representa um passo fundamental para posicionar do país como protagonista. (BroadcastEnergia - 22.01.2026)

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WayCarbon e WRI: Estudo aponta que indústria brasileira tem dificuldade para financiar descarbonização

A indústria brasileira enfrenta dificuldades para financiar a descarbonização em larga escala, apesar de contar com uma matriz elétrica majoritariamente limpa, segundo o estudo Mapeamento do Ecossistema de Descarbonização Industrial no Brasil, elaborado pela WayCarbon e pelo WRI Brasil. O levantamento identifica gargalos especialmente em setores de difícil abatimento, como aço, cimento, química, alumínio, vidro e papel e celulose, apontando entraves regulatórios, políticos, financeiros e ligados ao alto custo e à baixa maturidade de tecnologias como o hidrogênio verde. De acordo com Marina Garcia (WRI Brasil), ampliar recursos não é suficiente, pois há um descompasso entre a elevada demanda industrial e a oferta de financiamento, concentrada sobretudo em bancos públicos, com destaque para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O estudo indica escassez de recursos não reembolsáveis, dificuldades no financiamento misto e resistência do capital privado diante de riscos de crédito, falta de garantias e incertezas de mercado. Apesar disso, reconhece avanços do governo federal, como a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos (BIP) e o Eco Invest, e destaca o papel do Fundo Clima e do BNDES como indutores do capital privado. Para Nathalia Pereira (WayCarbon), a descarbonização industrial integra a agenda de competitividade e exige sinalização clara ao mercado internacional. O estudo mapeou mais de 160 tecnologias para aço e cimento e aponta que o principal desafio não é técnico, mas de financiamento, regulação e coordenação, ressaltando a importância da taxonomia sustentável, de mercados de carbono, de PPAs, contratos de offtake, joint ventures e do uso de biocombustíveis como soluções adaptadas à realidade brasileira. (Agência Eixos – 22.01.2026)

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Artigo de Fernando Caneppele: A Inércia do SIN e a Estabilidade de Redes na Transição Energética

Em artigo publicado pela Energy Channel, Fernando Caneppele(Pesquisador Associado do GESEL) trata dos desafios técnicos impostos à estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) pela transição energética brasileira, destacando que o avanço acelerado das fontes eólica e solar, baseadas em eletrônica de potência, reduz a inércia natural fornecida historicamente por grandes máquinas síncronas, essenciais para a estabilidade da frequência em 60 Hz. O autor explica que a perda dessa “massa girante” torna o sistema mais vulnerável a oscilações rápidas e severas de frequência, aumentando o risco de falhas e apagões. Para enfrentar esse cenário de “rede leve”, Caneppele defende a adoção de tecnologias como inversores grid-forming, sistemas de armazenamento em baterias e condensadores síncronos, capazes de fornecer inércia sintética e resposta ultrarrápida. O texto também ressalta a necessidade de avanços regulatórios, de modelos adequados de remuneração dos serviços ancilares e do fortalecimento da soberania tecnológica, concluindo que a liderança brasileira na transição energética dependerá não apenas da geração renovável, mas da garantia de confiabilidade dinâmica e resiliência do SIN. Acesse o texto aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 22.01.2026)

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Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais

Alemanha: Retomada dos subsídios para VEs

Após a retração nas vendas de VEs em 2024, o governo alemão anunciou a retomada dos incentivos à compra desses modelos a partir de 2026. O novo programa prevê € 3 bilhões em subsídios, com potencial para beneficiar até 800 mil veículos, e oferece bônus entre € 1.500 e € 6.000, direcionados principalmente a consumidores de baixa e média renda. A medida tem caráter retroativo a 1º de janeiro de 2026, considerando a data de emplacamento, e busca reativar a demanda após o encerramento abrupto do incentivo anterior. Serão elegíveis veículos 100% elétricos, híbridos plug-in e modelos com extensor de autonomia, desde que cumpram critérios mínimos de desempenho ambiental, como limite de emissões ou autonomia elétrica. O programa exige ainda que o veículo permaneça com o comprador por pelo menos 36 meses. Diferentemente de outros países europeus, a Alemanha optou por não impor restrições relacionadas à origem dos veículos, mantendo o mercado aberto inclusive a modelos chineses, sob o argumento de que não há evidências de desequilíbrios competitivos que justifiquem barreiras adicionais. (Inside EVs - 20.01.2026)

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Brattle Group: Carregamento gerenciado de VEs pode trazer economia para concessionárias e consumidores

Soluções de recarga gerenciada de veículos elétricos (VEs) podem reduzir custos para concessionárias e consumidores, segundo relatório do Brattle Group elaborado para a EnergyHub. O estudo diferencia recarga ativa, que usa algoritmos para controlar fluxos de potência, da recarga passiva, baseada em sinais tarifários como tarifas por horário de uso, e da recarga não gerenciada, sem qualquer controle. Testes conduzidos com a plataforma da EnergyHub em 58 motoristas no estado de Washington mostraram que a recarga ativa pode mais do que dobrar a capacidade da rede de distribuição para absorver VEs em comparação com a recarga não gerenciada ou apenas tarifária. Quando combinada com tarifas por horário, apenas 5% da energia foi carregada no pico (9h–21h); sem tarifas, 12%, frente a 31% no modelo não gerenciado. Embora a recarga passiva tenha reduzido o carregamento no pico para 3%, apresentou picos médios mais elevados por veículo (3,3 kW) do que as estratégias ativas (menos de 2 kW). Segundo o Brattle, a redução de picos em alimentadores e transformadores pode triplicar a capacidade da rede e adiar investimentos por até 10 anos. Em termos econômicos, a recarga ativa reduziu custos sistêmicos anuais de cerca de US$ 800 para US$ 245 por veículo, podendo chegar a US$ 400 em sistemas mais caros. O estudo também indica alta aceitação dos usuários, com apenas 2,3 opt-outs mensais por motorista, apoiada por funcionalidades que garantem o estado de carga desejado. (Utility Dive – 21.01.2026)

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China: Chery aposta em bateria de estado sólido e promete salto de autonomia em 2026

A Chery anunciou planos de iniciar, já em 2026, a aplicação piloto de baterias de estado sólido em um veículo elétrico, sinalizando um avanço concreto em uma tecnologia há anos vista como o próximo grande salto da eletrificação. O modelo escolhido é o Exeed Liefeng, um shooting brake elétrico ainda conceitual, que funcionará como vitrine da bateria Rhino S, desenvolvida internamente em parceria com fornecedores locais. Segundo a montadora, a nova bateria pode alcançar densidade energética de até 600 Wh/kg, muito acima dos padrões atuais, permitindo uma autonomia teórica de até 1.500 quilômetros e desempenho estável mesmo em temperaturas extremas de até -30 ºC. O projeto também prevê arquitetura elétrica de 800 volts, recarga ultrarrápida e alto desempenho dinâmico, reforçando seu caráter experimental. Em um primeiro momento, os veículos equipados com a tecnologia serão destinados a frotas específicas, como locação e transporte por aplicativo, com o objetivo de coletar dados reais de confiabilidade e degradação. A produção em escala maior está prevista para 2027, caso os testes confirmem viabilidade técnica e econômica. Apesar do ceticismo do mercado quanto a custos e industrialização, a iniciativa indica que o ciclo 2026-2027 pode ser decisivo para a consolidação das baterias sólidas na indústria automotiva. (Inside EVs – 20.01.2026)

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China: Elétricos compactos e acessíveis dominam o mercado em 2025

O mercado chinês de veículos eletrificados voltou a antecipar tendências globais em 2025, mostrando que o sucesso na mobilidade elétrica está menos ligado à sofisticação tecnológica e mais à combinação de eficiência, preço competitivo e escala industrial. Dados do CarNewsChina indicam que os modelos mais vendidos foram compactos e urbanos, liderados pelo Geely Galaxy Xingyuan (EX2), com mais de 465 mil unidades, seguido pelo Wuling Hongguang Mini EV, com cerca de 435 mil vendas, reforçando a preferência por soluções funcionais e acessíveis. A Tesla manteve relevância com o Model Y em terceiro lugar, mas tornou-se exceção em um ranking amplamente dominado por fabricantes locais, evidenciando que o mercado chinês passou a ditar seus próprios padrões. A BYD se destacou não por um único campeão, mas por um portfólio diversificado, com nove modelos entre os 20 mais vendidos, cobrindo diferentes faixas de preço e uso. A presença de novas marcas, como a Xiaomi com o SU7, confirma a maturidade do setor. Com todos os dez primeiros superando 200 mil unidades vendidas, os elétricos e híbridos plug-in consolidaram-se como parte estrutural do mercado chinês, sinalizando que compactos eficientes e marcas chinesas tendem a moldar o futuro também em outros países. (Inside EVs – 19.01.2026)

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China: GWM rejeita elétricos com extensor de autonomia e reforça aposta em BEVs e híbridos

A GWM afirmou que não pretende desenvolver veículos elétricos com extensor de autonomia (EREV), contrariando uma tendência crescente na indústria chinesa. Durante um evento global em janeiro, o presidente da montadora, Mu Feng, classificou essa arquitetura como um “atalho técnico”, argumentando que o uso de um motor a combustão apenas como gerador cria uma cadeia energética longa e ineficiente. Segundo dados internos citados pela empresa, os EREVs podem apresentar perdas de eficiência de ao menos 13% em comparação com soluções de tração elétrica direta, sobretudo em velocidades médias e altas, o que comprometeria o principal atributo da mobilidade elétrica: a eficiência. Para a GWM, os extensores preservam limitações do motor a combustão dentro de um conceito que deveria ser plenamente elétrico. Ao descartar essa solução, a montadora reforça sua estratégia focada em veículos elétricos puros e em híbridos estruturais, nos quais o motor térmico participa diretamente da tração. A decisão foi anunciada junto à apresentação da plataforma GWM One e é descrita como uma escolha estratégica, não técnica. O posicionamento evidencia uma divisão na indústria: enquanto algumas marcas veem os EREVs como ponte para a eletrificação total, a GWM aposta que a evolução das baterias, da recarga rápida e da eficiência tornará essa tecnologia irrelevante no médio prazo. (Inside EVs – 19.01.2026)

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China: Plataforma GWM One orienta estratégia global de eletrificação da montadora

Apresentada em janeiro, a plataforma GWM One representa o pilar técnico da nova estratégia da GWM para veículos eletrificados e a combustão, combinando padronização global, ganho de escala e foco em eficiência energética. Concebida como uma arquitetura “full-powertrain”, a base é capaz de acomodar veículos elétricos puros, híbridos convencionais, híbridos plug-in, modelos a combustão e aplicações com célula de combustível, dentro de uma estrutura modular composta por 49 módulos principais e centenas de componentes compartilhados. Essa flexibilidade reduz custos industriais e acelera o desenvolvimento de diferentes carrocerias, como sedãs, SUVs e picapes. Para os elétricos, a plataforma suporta arquitetura de até 900 volts, permitindo recarga ultrarrápida acima de 600 kW, maior eficiência térmica e funções bidirecionais. Nos híbridos, incorpora a evolução do sistema Hi4, com motores elétricos nos dois eixos e conjunto dedicado de transmissão e motor turbo. A GWM projeta mais de 50 modelos globais baseados na GWM One, reforçando a aposta em elétricos puros e híbridos estruturais e descartando soluções com extensor de autonomia, em linha com sua visão de longo prazo para a transição tecnológica. (Inside EVs – 20.01.2026)

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Data OLX Autos: Vendas de motos elétricas crescem 63% em 2025

O mercado brasileiro de motos elétricas apresentou forte crescimento em 2025, com alta de 63% nas vendas registradas em marketplaces, segundo levantamento do Data OLX Autos. O desempenho reflete a consolidação da eletrificação como alternativa relevante para a mobilidade urbana, impulsionada pela busca por maior eficiência operacional e redução de custos por parte dos consumidores. No segmento de usados e seminovos, a Voltz liderou com o modelo EV1 Sport, responsável por 36% das vendas, beneficiada por uma expressiva queda no preço médio, que ampliou o acesso à categoria. A redução generalizada dos valores, resultado do aumento da oferta e da intensificação da concorrência com marcas como Shineray e Watts, foi um dos principais vetores de expansão do mercado, destacando a desvalorização de 26% do modelo líder como fator decisivo para a entrada de novos compradores. (Inside EVs - 16.01.2026)

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Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis

Brasil: São Paulo estuda gasodutos para biometano com apoio sueco

A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo firmou parceria com o Swedfund, instituição financeira do governo da Suécia, para realizar estudos técnicos sobre a implantação de gasodutos de biometano no estado. O acordo prevê investimentos de cerca de R$ 5 milhões, integralmente custeados pelo governo sueco, destinados a consultorias especializadas nas áreas de energia, infraestrutura e biometano. A iniciativa se baseia em levantamento da Fiesp e da própria secretaria, que aponta potencial de produção de até 6,4 milhões de metros cúbicos diários de biometano em território paulista. Além do dimensionamento de novos gasodutos, o projeto inclui a avaliação do aproveitamento do digestato, subproduto da digestão anaeróbica, e a proposição de modelos de negócio para biofertilizantes. Autoridades destacam que a infraestrutura é um dos principais gargalos do setor, já que parte da produção atualmente é transportada por caminhões. O estado conta hoje com oito plantas autorizadas e sete em licenciamento, com expectativa de alcançar até 750 mil m³/dia até o fim do ano e quase 1 milhão de m³/dia em 2027, reforçando o papel do biometano na redução de emissões e na geração de emprego e renda. (Agência Eixos – 22.01.2026)

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Chile: Investimento de US$ 10 milhões para criar demanda por H2V

A Corfo (Agência de fomento do Chile) anunciou um subsídio de US$ 10 milhões para impulsionar a adoção doméstica do hidrogênio verde (H2V) na região industrial de Biobío. O recurso será dividido entre dois projetos, com meta de gerar 1.300 t/ano de nova demanda. O HyLog-Biobío implantará um posto para abastecer caminhões a hidrogênio (350 t/ano) com eletrolisadores modulares de 5 MW (expansíveis a 15 MW) e armazenamento a 350 bar, com obras no 3º trimestre de 2026 e operação prevista para o início de 2028. A Fosfoquim, por sua vez, instalará em Talcahuano uma planta de eletrólise de 1.000 t/ano em área reaproveitada, para uso industrial, substituindo insumos fósseis e reduzindo até 90% das emissões de Escopo 1. A iniciativa reforça Biobío como potencial “vale do hidrogênio”, apesar de desafios de custo, escala e prazos. (Hydrogen Fuel News - 14.01.2026)

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China: 15º Plano Quinquenal reposiciona H2 limpo como eixo estratégico central

O 15º Plano Quinquenal da China (2026–2030), adotado pelo Comitê Central do Partido Comunista da China no final de 2025 e em vigor desde janeiro de 2026, consolida o hidrogênio limpo como uma prioridade estratégica para o país. Inserido no núcleo da política de crescimento de alta qualidade, o plano liga a inovação tecnológica, a resiliência industrial e o desenvolvimento verde, reforçando a ambição da China de liderar a transição energética global e ao mesmo tempo a sua autossuficiência produtiva e tecnológica. Além disso, destaca-se a ligação direta entre o setor e as metas ambientais mais amplas do país, que inclui pico de emissões e neutralidade de carbono até 2060. (Radar do Hidrogênio - 12.01.2026)

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Espanha: Aposta em infraestrutura de H2 como espinha dorsal da transição energética

A Espanha avança de forma estruturada na construção de uma rede interna de hidrogênio que pretende conectar os principais pontos de produção renovável aos centros de consumo europeu. O projeto, apoiado pela iniciativa Internal Hydrogen Infrastructure in Spain e cofinanciado pela União Europeia, prevê uma malha de gasodutos subterrâneos que interliga 13 comunidades autônomas e se integra ao corredor H2med, ligando a Península Ibérica ao norte da Europa. Segundo projeções integradas ao projeto, o backbone de hidrogênio pode impulsionar a economia espanhola, gerando milhares de empregos diretos na fase de construção e operação e um impacto positivo em termos de PIB nos próximos anos (Radar do Hidrogênio - 15.01.2026)

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Portugal: HyOrc avança na produção de metanol verde

A HyOrc Corporation, empresa de infraestrutura de energia limpa de capital aberto, afirma estar em negociações avançadas para estruturar seu primeiro projeto industrial de metanol sustentável em Portugal, com foco em contratos de fornecimento de longo prazo. Em paralelo, a empresa recebeu uma carta de intenções não vinculante de um grupo global de comércio de energia para participar de futuras expansões, com volumes potenciais de até 25 mil toneladas por ano ao longo de dez anos, condicionados a acordos definitivos (Hydrogen Central - 16.01.2026)

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Reino Unido: Universidade Keele lança centro pioneiro de geração de H2V

A Universidade de Keele, no Reino Unido, colocou em operação seu novo Centro de Geração de Hidrogênio Verde (GH2), instalado em seu campus em Staffordshire, consolidando-se como referência em soluções integradas de energia limpa. O projeto combina duas turbinas eólicas, cerca de 12.200 painéis solares e tecnologia avançada de eletrólise para converter eletricidade renovável em hidrogênio verde. O hidrogênio produzido é utilizado diretamente no próprio campus, abastecendo ônibus e apoiando atividades de pesquisa em laboratório, eliminando emissões locais. Um dos principais diferenciais do GH2 é sua abordagem integrada e descentralizada, que dispensa o transporte externo de hidrogênio ao concentrar geração, armazenamento e uso no mesmo local. Essa configuração posiciona o projeto como um modelo inovador para o desenvolvimento da economia do hidrogênio e para soluções de armazenamento de energia renovável em escala local. (Hydrogen Central - 13.01.2026)

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Suécia: Thyssenkrupp e Stegra impulsionam a produção de aço verde

No norte da Suécia, na região de Boden, a disponibilidade de energia renovável cria condições favoráveis para a transformação da indústria siderúrgica. Nesse contexto, a Thyssenkrupp Materials Processing Europe, em parceria com a Stegra, dá passos relevantes rumo à produção de aço de baixo carbono, em um setor que atualmente responde por cerca de 7% a 9% das emissões globais de CO2. As empresas buscam redefinir os processos tradicionais de fabricação de aço ao integrar energia renovável e rotas tecnológicas mais limpas, contribuindo para a descarbonização industrial e para o cumprimento das metas climáticas europeias. A iniciativa reforça o papel do hidrogênio e da eletricidade renovável como vetores centrais na transição do setor siderúrgico. (Hydrogen Fuel News - 13.01.2026)

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Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização

Artigo de Thomas Leurent e Claus Reimers: “3 coisas que líderes devem saber sobre IA para integridade estrutural e como ela ajudará na transição energética”

Em artigo publicado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), Thomas Leurent (Co-fundador e CEO da Akselos) e Claus Reimers (CPO e CTO da Akselos) discutem o papel da inteligência artificial aplicada à integridade estrutural como vetor estratégico para a transição energética, no contexto do Encontro Anual de 2026 do WEF, em Davos. Os autores argumentam que, diante do aumento da demanda por energia, do envelhecimento da infraestrutura e de um déficit anual estimado em US$ 6 trilhões em investimentos, o desafio central passa a ser descarbonizar sem desindustrializar. Reconhecida pelo WEF como tecnologia da Quarta Revolução Industrial, a “physics-based AI for structural integrity” permite monitorar, em tempo real, o comportamento estrutural de ativos industriais, como vasos de pressão, dutos e tanques, ampliando segurança, eficiência e vida útil. Casos citados, como refinarias na Europa e no Oriente Médio e instalações offshore, demonstram geração de valor de centenas de milhões de dólares por meio da redução de paradas não planejadas, postergação de investimentos e expansão segura da capacidade operacional. Essa tecnologia é apresentada como habilitadora da transição energética ao permitir a adaptação de ativos existentes a novos combustíveis, como hidrogênio, biocombustíveis e soluções de economia circular do carbono. O texto sustenta que a próxima fase da transição dependerá menos da substituição total da infraestrutura e mais de sua reinvenção, integrando inteligência digital, flexibilidade operacional e coordenação em clusters industriais, como os observados em Rotterdam, Antwerp-Bruges e Humber. (World Economic Forum – 20.01.2026)

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Artigo de Vanderlei Rigatieri: “Baterias BESS para armazenar energia completam a transição energética plena”

Em artigo publicado no Inforchannel, Vanderlei Rigatieri (CEO e fundador da WDC Networks) analisa o papel dos sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS, na sigla em inglês) como solução estratégica para os desafios da geração solar no Brasil. Segundo o autor, a aposta nesse vetor se mostra especialmente oportuna no verão, quando a elevada irradiação leva o Operador Nacional do Sistema (ONS) a ordenar cortes para evitar sobrecargas na rede. O BESS permite armazenar a energia solar abundante gerada durante o dia e utilizá-la nos períodos de maior consumo e tarifa, sobretudo à noite, garantindo autonomia, eficiência e resiliência. Ainda, ao integrar baterias de grande porte aos sistemas fotovoltaicos, empresas passam a gerir o tempo da energia, deslocando o uso do quilowatt-hora do período de sobra para o de escassez, reduzindo custos e dependência da rede. O texto destaca aplicações como a substituição de geradores a diesel, em conformidade com critérios ESG, e o suporte à mobilidade elétrica, viabilizando recarga de frotas sem sobrecarregar a infraestrutura. Entre os benefícios apontados estão ganhos financeiros, redução da pegada de carbono e maior estabilidade operacional. O artigo conclui que, apesar dos desafios iniciais de investimento e integração regulatória, a queda de cerca de 90% nos custos de solar e baterias desde 2010 e a expansão de financiamentos verdes reforçam o BESS como ferramenta de competitividade, transformando energia em estratégia empresarial. (Inforchannel – 22.01.2026)

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Espanha: Crescimento da demanda e armazenamento serão prioridade para a transição energética em 2026

Executivos da Acciona Energía, ENGIE, Saeta Yield e FE Energy apontam que, após anos de forte expansão da capacidade renovável, a Espanha precisa priorizar o crescimento da demanda elétrica e a definição de um marco regulatório claro para o armazenamento de energia para sustentar a transição energética até 2026. Em debate realizado no Congresso Anual da APPA Renovables, os líderes do setor alertaram que a abundância de recursos renováveis, a maturidade tecnológica e o apetite dos investidores só se traduzirão em viabilidade de longo prazo se a capacidade instalada for acompanhada por consumo elétrico estrutural e contínuo. Dados da Red Eléctrica Española (REE) indicam que a demanda de eletricidade cresceu 2,7% em 2025, alcançando 255.759 GWh, com alta anual de até 4,2% em dezembro quando ajustada por temperatura e calendário, enquanto o autoconsumo já representa cerca de 3% da demanda mensal. Para executivos como Álvaro Pérez de Lema e Arantza Ezpeleta, a eletrificação da economia deve estar no centro da estratégia energética, apoiada por políticas que incentivem o uso eficiente da eletricidade, especialmente na indústria, como destacou Daniel Fernández Alonso, da ENGIE. O armazenamento de energia surge como eixo crítico, diante de mais de 40 GW de projetos apresentados, número muito superior aos 13 GW previstos no PNIEC, levando o setor a exigir maior clareza regulatória sobre planejamento do sistema, acesso à rede e remuneração. Segundo Alberto García Feijóo, alinhar expansão renovável, demanda firme e contratos estáveis será decisivo para garantir investimentos de longo prazo e cumprir as metas climáticas e energéticas de 2030. (Strategic Energy Europe – 20.01.2026)

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Insegurança regulatória da IA freia investimentos em data centers no Brasil

A indefinição sobre a legislação brasileira para o treinamento de modelos de inteligência artificial tem dificultado a atração de investimentos em data centers, segundo relatório da Moody’s sobre o mercado global até 2030. O principal foco de incerteza é o Projeto de Lei 2338/2023, em tramitação na Câmara, que gera debates sobre direitos autorais, propriedade intelectual, proteção de dados e uso indevido de conteúdos. Executivos do setor apontam que a falta de previsibilidade regulatória, somada ao alto custo de GPUs e à carga tributária sobre importações, torna mais barato processar dados brasileiros no exterior. A aprovação do Redata, regime especial de tributação para data centers criado pela MP 1318/2025, é vista como decisiva para que o país aproveite a janela de investimentos até 2030, sob risco de perder competitividade frente a outros países da América Latina, apesar das vantagens brasileiras em energia e estrutura regulatória. (Agência Eixos – 19.01.2026)

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Schneider Electric: Apresentação de projetos de IA no Fórum Econômico Mundial

O Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial de 2026, em Davos, reforçou a centralidade da integração entre processamento intensivo de dados e infraestrutura energética, com destaque para a defesa da eficiência operacional como condição essencial para a viabilidade da transformação digital. Nesse contexto, a Schneider Electric posicionou a eficiência não apenas como objetivo ambiental, mas como requisito estratégico para sustentar o crescimento da digitalização e da demanda por energia confiável e resiliente. A participação da empresa foi respaldada por reconhecimentos concretos, como a premiação de soluções de inteligência artificial no programa MINDS do WEF, voltadas à descarbonização e à gestão inteligente de microrredes. Além disso, a fábrica da Schneider em Wuhan recebeu o título de Lighthouse, com ênfase inédita na categoria de talentos, destacando a importância da capacitação da força de trabalho como elemento-chave para a automação, a resiliência industrial e a adoção efetiva de novas tecnologias. (Cenário Energia - 20.01.2026)

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Impactos Socioeconômicos

Artigo de Aaron Zubaty: “Como a pausa das aposentadorias de usinas a combustíveis fósseis pode ajudar a transição energética global”

Em artigo publicado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), Aaron Zubaty (Fundador e CEO da Eolian) argumenta que a suspensão temporária da aposentadoria de usinas termelétricas a combustíveis fósseis pode contribuir para uma transição energética mais eficiente, confiável e economicamente viável. Segundo o autor, diante do rápido crescimento da demanda por eletricidade, impulsionado pela eletrificação e pela expansão da inteligência artificial, o autor defende que manter usinas antigas e pouco utilizadas como reserva para eventos extremos reduz emissões ao evitar a construção de novas térmicas que operariam com maior frequência. Dados da Energy Information Administration (EIA) dos Estados Unidos indicam que muitas usinas fósseis operaram apenas 10% a 20% do tempo em 2023, enquanto a rede de transmissão é utilizada, em média, em apenas 50% a 60% de sua capacidade anual. Ainda, estudos da consultoria Grid Strategies mostram que o custo de manter uma usina próxima da aposentadoria é cerca de US$ 89/kW-ano, frente a mais de US$ 2.700/kW para construir uma nova térmica a gás. O texto destaca que adiar desligamentos evita decisões precipitadas que poderiam travar infraestrutura fóssil por décadas, criando espaço para escalar tecnologias como baterias, resposta da demanda e novos arranjos regulatórios. Exemplos de otimização da rede com armazenamento em larga escala são citados nos EUA e na Austrália. O artigo conclui que um arranjo estratégico que combina o uso mais eficiente de ativos existentes, flexibilidade operacional e reformas de mercado poderá preservar a confiabilidade, conter custos e manter a trajetória de descarbonização. (World Economic Forum – 15.01.2026)

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Artigo de Caspar Hobhouse: “O dragão na rede: Limitando a influência da China do sistema energético da Europa”

Em artigo publicado pelo Instituto Europeu de Estudos de Segurança (EUISS), Caspar Hobhouse (Analista de Pesquisa do EUISS) analisa os riscos crescentes da influência chinesa no sistema energético europeu, em um contexto em que a China se tornou ator central da transição energética global. O autor destaca que, a partir de sua estratégia industrial definida nos planos quinquenais, Pequim domina cadeias críticas de tecnologias limpas, controlando cerca de 98% da produção global de wafers solares, 85% dos painéis fotovoltaicos e aproximadamente 70% das turbinas eólicas. Além da indústria, empresas estatais chinesas detêm participações relevantes em operadores de rede europeus, como REN (Portugal), Terna/CDP Reti (Itália) e IPTO (Grécia), o que levanta preocupações sobre influência estratégica, acesso a dados sensíveis e confiança no funcionamento do mercado elétrico europeu. O texto pontua ainda riscos cibernéticos associados a dispositivos conectados, especialmente inversores solares, dominados por fornecedores chineses como Huawei e Sungrow, responsáveis por cerca de 55% das remessas globais. Relatos de autoridades europeias e análises de segurança indicam vulnerabilidades potenciais, inclusive em infraestrutura de relevância militar. Diante desse cenário, o artigo recomenda que a União Europeia utilize instrumentos de “de-risking”, como compras públicas, medidas comerciais, exigências de segurança cibernética e investimentos em P&D, para reduzir dependências críticas, preservar a segurança energética e manter a competitividade industrial, sem comprometer os objetivos da transição energética. (European Union Institute for Security Studies – 15.01.2026)

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Artigo de Fahd Isa: “Transição energética fraturada: quem se move primeiro, quem paga mais, e quem é deixado para trás?”

Em artigo publicado no Earth.org, Fahd Isa (advogado e profissional da área de energia) argumenta que a transição energética global deixou de ser limitada por tecnologia ou ambição e passou a ser marcada pela fragmentação e pela falta de coordenação entre políticas, mercados e instituições. Em 2025, segundo relatórios do Fórum Econômico Mundial (WEF), a descarbonização avançou de forma desigual: a União Europeia adotou uma postura regulatória rígida com a implementação do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), internalizando emissões nas importações e financiando mecanismos de transição justa, mas criando barreiras administrativas para produtores de países com menor capacidade institucional. A China seguiu uma estratégia de política industrial em larga escala, liderando a expansão global de solar, eólica, nuclear e veículos elétricos, e exportando esse modelo por meio da Belt and Road Initiative. Já os Estados Unidos apresentaram um caminho errático, com sinais políticos contraditórios sob a administração Trump, embora o capital privado tenha mantido forte contratação de renováveis via PPAs. Fora dos grandes polos, a transição assume caráter pragmático: na África, projetos como geotermia no Quênia e microrredes solares na Nigéria priorizam resiliência e soberania energética; nos países nórdicos, soluções de baixo carbono já são padrão; e no Oriente Médio, iniciativas ambiciosas enfrentam riscos de execução. O texto destaca custos ocultos da fragmentação, como vazamento de carbono e desigualdade no acesso a financiamento, e conclui que a convergência dependerá menos de declarações políticas e mais de instrumentos financeiros, padrões técnicos e contratos que reduzam riscos sistêmicos e permitam participação mais equitativa na transição energética global. (Earth.org – 22.01.2026)

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Editorial Reuters: “Ponto fraco energético da Europa ressurge com a disputa pela Groenlândia”

Em editorial, o Reuters analisa como a crescente dependência energética da Europa em relação aos Estados Unidos voltou a expor uma vulnerabilidade estratégica, agora reativada pelo impasse geopolítico em torno da Groenlândia e pelas tensões comerciais com o governo Donald Trump. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, a União Europeia reduziu drasticamente sua dependência do gás russo — de 45% para 12% das importações — mas substituiu essa fonte pelo gás natural liquefeito (GNL) norte-americano. Segundo dados da consultoria Kpler, as importações de GNL dos EUA saltaram de 18 milhões de toneladas em 2021 para 65 milhões em 2025, representando 57% do GNL importado pela UE e pelo Reino Unido e cerca de um quarto do consumo total de gás europeu. Essa assimetria ganhou peso político após Trump ameaçar tarifas contra países europeus contrários à anexação da Groenlândia, reacendendo o risco de uso da energia como instrumento de coerção. Embora os fluxos atuais de GNL estejam respaldados por contratos privados e regras internacionais — diferentemente do modelo russo controlado pela Gazprom —, o texto alerta que a concentração em um único fornecedor permanece um risco à segurança energética europeia. A resposta estrutural, segundo a análise, passa por acelerar renováveis e nuclear, diversificar fornecedores e reduzir a exposição geopolítica, evitando repetir a troca de uma dependência estratégica por outra. (Reuters – 21.01.2026)

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EUA: Revisão ou cancelamento de US$ 84 milhões em financiamento para renováveis

O governo dos Estados Unidos anunciou a revisão ou cancelamento de quase US$ 84 bilhões em financiamentos para projetos de energia limpa aprovados durante o governo do ex-presidente Joe Biden, sinalizando uma reorientação da política energética federal em favor de combustíveis fósseis e energia nuclear. A decisão foi tomada pelo Office of Energy Dominance Financing (EDF), antigo Loan Programs Office, após a análise de US$ 104 bilhões em empréstimos, majoritariamente concedidos após a eleição presidencial de 2024. Segundo o Departamento de Energia dos EUA, cerca de US$ 30 bilhões em obrigações de crédito foram cancelados ou estão em processo de encerramento, incluindo US$ 4,9 bilhões destinados ao projeto de transmissão Grain Belt Express, voltado ao escoamento de energia eólica e solar. Outros US$ 9,5 bilhões em financiamentos para projetos de eólica e solar foram eliminados e, quando possível, substituídos por apoio a usinas de gás natural e nuclear, enquanto US$ 53,6 bilhões em empréstimos estão sendo reestruturados. Apesar dos cortes, o EDF mantém cerca de US$ 290 bilhões em capacidade total de crédito, reforçada pela lei tributária de 2025. O secretário de Energia, Chris Wright, afirmou que a prioridade futura será a expansão da energia nuclear, além de projetos ligados a carvão, petróleo, gás, minerais críticos, geotermia, rede elétrica, manufatura e transporte, consolidando uma mudança estrutural na estratégia energética federal. (Reuters – 22.01.2026)

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Utility Dive: “Poderá o aumento da demanda por energia impulsionar as renováveis acima dos obstáculos políticos em 2026?”

Em análise (deep dive), o Utility Dive examina se o crescimento acelerado da demanda por eletricidade nos Estados Unidos poderá sustentar a expansão das energias renováveis em 2026, apesar de um ambiente político adverso sob a administração Trump. Destaca-se que a aprovação do One Big Beautiful Bill Act impôs novos prazos e restrições para acesso aos créditos fiscais da Inflation Reduction Act, além de incertezas regulatórias relacionadas às regras de foreign entity of concern (FEOC) e atrasos em licenciamentos federais, especialmente para a eólica offshore. Ainda assim, analistas e executivos do setor apontam que a demanda crescente — impulsionada por data centers, inteligência artificial e eletrificação — favorece solar, eólica e armazenamento, tecnologias mais rápidas e baratas de implantar do que novas usinas a gás ou nuclear. Dados federais indicam que solar e eólica responderam por 87% da nova capacidade adicionada em 2025, e continuam dominando os projetos em fila de conexão. Não obstante, o trabalho pontua uma contração seletiva do setor, com foco em projetos mais maduros e viáveis, enquanto estados como Illinois e Califórnia avançam com políticas próprias para armazenamento, transmissão e aceleração de interconexões. Apesar de gargalos regulatórios, incerteza política e riscos financeiros, a avaliação predominante é que o crescimento estrutural da demanda cria uma janela de oportunidade para as renováveis, especialmente quando combinadas com armazenamento e soluções distribuídas, mesmo em um cenário federal hostil. (Utility Dive – 22.01.2026)

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