Transição Energética 101
Dinâmica Internacional
África: Transição energética com minerais críticos depende de integração de infraestrutura de renováveis
O debate sobre a transição energética aplicada aos minerais críticos na África é abordado a partir da atuação do African Extractive Minerals Development Bank (AEMBank), cujo objetivo central é reduzir o déficit de financiamento que limita o desenvolvimento da cadeia de valor mineral no continente. Segundo Adetutu Aderogba, diretora global de tecnologia, digitalização e sustentabilidade da instituição, a viabilidade dos projetos de minerais críticos depende da integração estrutural de infraestrutura de energia renovável. Ela explica que a AEMBank adota modelos de financiamento integrados que combinam unidades de processamento mineral com geração renovável dedicada, reconhecendo que a energia limpa é condição essencial para atrair investimentos. Apesar de a África concentrar parcelas significativas das reservas globais de platina, cobalto, manganês e cromo, o continente enfrenta um déficit estimado de US$ 225 bilhões, em grande parte associado à infraestrutura energética. A instituição destina cerca de 30% de seu pipeline a projetos de energia, estruturando cofinanciamentos com instituições financeiras de desenvolvimento e investidores de impacto. A sustentabilidade é incorporada ao longo de todo o ciclo dos projetos, com alocação adicional para água, logística, processamento e pequenas e médias empresas, além da exigência de avaliações ambientais e sociais alinhadas aos padrões da IFC e aos Princípios do Equador. A estratégia de promover o processamento local reduz emissões associadas ao transporte, fortalece economias locais e ancora a expansão das renováveis, atendendo às exigências crescentes de investidores por critérios robustos de ESG. (African Business – 14.01.2026)
América Latina: Discrepância entre capacidade instalada e geração efetiva para renováveis pressiona redes em 2026
A transição energética na América Latina e no Caribe atingiu um marco histórico, com fontes renováveis representando 65% da capacidade instalada de geração elétrica, segundo relatório regional de monitoramento do mercado de eletricidade. No entanto, a geração efetiva não acompanha esse patamar devido à variabilidade sazonal: em junho de 2025, as renováveis responderam por 71% da produção, mas em julho esse índice caiu para cerca de 65% durante o período seco. De acordo com Antonio S. R. Lopez, CEO da A&M Technology, essa discrepância é estrutural e decorre da insuficiência de armazenamento de energia, baixa flexibilidade operacional, limitações na previsão de recursos e fragilidades na infraestrutura de transmissão. Como resultado, o sistema segue dependente de fontes fósseis, como gás natural e óleo combustível, que ainda ancoram os preços spot de eletricidade. O relatório aponta que a superação dessa dependência exige expansão do armazenamento, redes mais flexíveis, reforço da transmissão regional e mercados de serviços ancilares mais robustos. Com o crescimento da demanda projetado até 2026, Lopez alerta que a expansão renovável sem essas soluções pode comprometer a operação do sistema. Nesse contexto, o Mercado Eléctrico Regional (MER) é citado como instrumento relevante de integração, embora ainda necessite de ajustes regulatórios e técnicos para lidar com a intermitência renovável e limitações de transmissão. (Strategic Energy Europe – 12.01.2026)
China: DAH Solar inicia produção em massa de módulos fotovoltaicos de 650 W
A DAH Solar anunciou a produção em larga escala de seus novos módulos fotovoltaicos de 650 W. Os equipamentos são projetados para atender demandas de médio e grande porte, entre elas usinas de geração centralizada e sistemas em telhados. Os módulos serão disponibilizados nas versões Full-Screem e convencional, segundo a empresa, seu design otimizado garante maior densidade energética e reduz o acúmulo de poeira, podendo elevar a produção de energia em 15%. Além disso, seus módulos contam com 15 anos de garantia para materiais de fabricação e 30 anos para geração de energia. Por fim, segundo a companhia, os novos módulos podem gerar cerca de 2% mais energia por mês em comparação com modelos convencionais. (Agência CanalEnergia - 12.01.2026)
China: Protagonismo crescente na transição energética do Oriente Médio
A China vem assumindo papel crescente na transição energética do Oriente Médio, impulsionada pela expansão de seus setores de veículos elétricos, baterias de íons de lítio e energia solar, conhecidos como os “Novos Três” de suas exportações. Empresas chinesas de energia renovável ampliam sua presença regional por meio de projetos, investimentos e cadeias produtivas locais. A Shanghai Electric destaca-se na construção da quarta fase do Parque Solar Mohammed bin Rashid Al Maktoum, nos Emirados Árabes Unidos, e no projeto fotovoltaico Sudair, na Arábia Saudita, que deverá abastecer cerca de 700 mil residências. Em 2025, a empresa firmou acordo com o grupo omanense Mawarid para fornecimento de energia eólica, licenciamento tecnológico e desenho de fábricas locais. Segundo Meng Donghai, da Shanghai Electric, a estratégia combina capacidade industrial avançada e transferência de know-how. Outras companhias seguem trajetória semelhante: a CATL instalou um hub regional nos Emirados Árabes Unidos e um centro de serviços na Arábia Saudita; a Tongwei aponta o alto potencial solar regional como fator-chave para o mercado fotovoltaico; e a Trina Solar inaugurou em 2025 sua quarta base fabril global, na Arábia Saudita. Esse movimento indica a transição das empresas chinesas de simples exportadoras para parceiras estratégicas, consolidando a posição do país enquanto agente central da transição energética para além de suas fronteiras. (CGTN – 14.01.2026)
EUA: PTAB decide parcialmente a favor da Canadian Solar em disputa de patentes
O Patent Trial and Appeal Board (PTAB), órgão do Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos (USPTO), decidiu parcialmente contra a Maxeon em um conjunto de acusações de infração de patentes movidas pela empresa contra a Canadian Solar. O PTAB considerou que as patentes 8.222.516 B2 e 8.878.053 B2, relacionadas a células solares com contato frontal e emissor formado, são inválidas em diversas reivindicações, ao concluir que a Canadian Solar demonstrou, por preponderância das provas, a falta de patenteabilidade. A Canadian Solar celebrou a decisão, afirmando respeitar rigorosamente a propriedade intelectual e criticando o uso estratégico de patentes sem valor prático como forma de distorcer a concorrência. No entanto, a Maxeon obteve uma vitória parcial: o PTAB manteve válida a patente 11.251.315 B2, voltada a técnicas de fabricação de células solares para melhorar vida útil, passivação e eficiência, entendendo que a Canadian Solar não conseguiu provar sua invalidade. A Maxeon avalia recorrer da decisão, destacando que uma de suas reivindicações TOPCon foi confirmada. Esse mesmo pedido de patente já havia tido acusações de infração rejeitadas com prejuízo em um tribunal distrital do Texas em 2025, enquanto os três registros seguem envolvidos em outros processos judiciais contra fabricantes como REC Solar e Hanwha. (PV Tech – 16.01.2026)
EUA: Altus Power amplia presença em Nova York com aquisição de 105 MW em projetos solares
A desenvolvedora norte-americana de energia solar comunitária e comercial Altus Power adquiriu quatro projetos solares em construção no estado de Nova York, totalizando 105 MW de capacidade, da produtora independente Cordelio Power. Os empreendimentos são do tipo ground-mounted e contam com contratos de 20 anos no âmbito do Renewable Energy Standard firmados com a New York State Energy Research and Development Authority (NYSERDA), garantindo estabilidade de receita de longo prazo. Segundo a Altus, a operação demonstra a capacidade da empresa de assumir projetos em estágio avançado de desenvolvimento e acelerá-los de forma eficiente, contribuindo para o fornecimento de energia confiável e acessível. A aquisição está alinhada à estratégia da companhia de expandir seu portfólio por meio da compra de ativos em fase final junto a parceiros desenvolvedores. Atualmente, a Altus Power possui e opera mais de 1,3 GW em projetos solares comerciais nos Estados Unidos, distribuídos em mais de 600 empreendimentos em 30 estados e em Washington, DC. Nova York é o principal mercado da empresa, concentrando cerca de 265 MW em 65 projetos. Nos últimos anos, a companhia realizou diversas aquisições relevantes, incluindo grandes portfólios multiestaduais, e foi adquirida em fevereiro de 2025 pela TPG Rise Climate Transition Infrastructure por US$ 2,2 bilhões. (PV Tech – 16.01.2026)
Europa: Fontes renováveis impulsionam a queda do preço da eletricidade
A Europa tem registrado excedentes na geração de eletricidade, impulsionados principalmente pela rápida expansão das fontes renováveis, o que tem resultado em períodos frequentes de preços negativos e contribuído para a redução das tarifas. A Espanha exemplifica esse movimento, com forte crescimento da capacidade instalada de energia solar e eólica, que passou de 9 GW em 2009 para 32 GW no início de 2025. Em 2024, o continente contabilizou cerca de 500 horas com preços negativos de eletricidade, fenômeno que também começou a se intensificar em países como França e Alemanha. Apesar dos avanços, a abundância de energia tem criado desafios econômicos para o setor. A queda acentuada dos preços compromete a viabilidade de novos projetos, mesmo com investimentos em sistemas de armazenamento por baterias para absorver o excedente. Como consequência, empreendimentos já licenciados vêm sendo postergados, indicando que o principal desafio atual não é apenas ampliar a geração renovável, mas assegurar um equilíbrio econômico sustentável para o mercado elétrico europeu. (Canal Solar - 08.01.2026)
IRENA: Relatório mapeia inovações estratégicas para resiliência, acessibilidade e desenvolvimento de redes
Um recente relatório da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA), divulgado em durante a Assembleia da agência em Abu Dhabi, mapeia 40 inovações consideradas estratégicas para fortalecer sistemas elétricos resilientes, ampliar o acesso à energia e promover o desenvolvimento local. Intitulado “Innovation landscape for sustainable development powered by renewables”, o estudo destaca que a transição energética depende de uma abordagem sistêmica que combine inovação tecnológica — como inteligência artificial, digitalização, armazenamento e redes inteligentes — com avanços em políticas públicas, regulação, desenho de mercados, operação do sistema e modelos de negócios. Segundo o diretor-geral da IRENA, Francesco La Camera, a transição não é apenas tecnológica, mas também social, devendo garantir justiça energética e inclusão. O relatório aponta que as renováveis já são a fonte mais barata de eletricidade na maioria das regiões e podem viabilizar acesso universal e resiliência, especialmente em economias emergentes. Casos empíricos citados incluem comunidades energéticas na África e América Latina, integração regional via pools elétricos na África Ocidental, modernização de redes com dynamic line rating na Malásia e modelos pay-as-you-go que levaram eletricidade a mais de 500 mil pessoas em Serra Leoa e Libéria. A IRENA organiza as inovações em quatro toolkits estratégicos e defende ação coordenada de governos, instituições multilaterais e comunidades locais, com base em dados e soluções adaptadas aos contextos nacionais. (IRENA – 12.01.2026)
Portugal: EDP inaugura primeira usina híbrida hídrica-solar do grupo no mundo
A EDP iniciou a operação do complexo de Pracana, no centro de Portugal, marcando a entrada em funcionamento da primeira usina híbrida do grupo a combinar geração hidrelétrica e solar fotovoltaica terrestre no mesmo projeto. O empreendimento reúne uma central solar com cerca de 90 mil painéis e potência instalada de 48 MW e uma usina hidrelétrica de 41 MW, totalizando 89 MW de capacidade. Segundo a companhia, o complexo será capaz de produzir energia suficiente para abastecer aproximadamente 51,8 mil famílias e evitar a emissão de cerca de 35 mil toneladas de CO₂ por ano, reforçando os objetivos de descarbonização e transição energética. A integração das duas fontes permite maior complementaridade e estabilidade operacional, ao aproveitar a flexibilidade da geração hídrica e a produção solar nos períodos de maior irradiação. Para a EDP, o modelo contribui para acelerar a transição energética com menor impacto territorial e uso mais eficiente das infraestruturas existentes. O projeto de Pracana é o sexto empreendimento híbrido da empresa em Portugal e o 11º na Península Ibérica, consolidando a estratégia do grupo de expandir soluções híbridas como parte central de seu portfólio renovável. (Agência Eixos – 13.01.2026)
Porto Rico: Projeto solar Ciro 1 de 90 MW é conectado à rede elétrica
A operadora de transmissão e distribuição Luma Energy conectou à rede elétrica de Porto Rico o projeto solar fotovoltaico Ciro 1, com 90 MW de potência, marcando a primeira interligação de uma usina solar de grande porte no território em quase dez anos. Localizado no município de Salinas, no sul da ilha, o empreendimento foi desenvolvido pelo Ciro Energy Group e integra um portfólio mais amplo de projetos solares em implantação no país. A usina conta com cerca de 260 mil painéis fotovoltaicos e está associada a um sistema de armazenamento de energia em baterias de 51,5 MW e 206 MWh, reforçando a confiabilidade do fornecimento. As obras de engenharia, suprimentos e construção ficaram a cargo da DEPCOM Power e incluíram a instalação de uma nova subestação, projetada para responder mais rapidamente a interrupções, melhorar a estabilidade do sistema e aumentar a confiabilidade do serviço aos consumidores. Segundo a Luma, o projeto simboliza um avanço importante na cooperação entre o setor público e desenvolvedores privados. Em fases futuras, estão previstos mais 420 MW em projetos renováveis, ampliando a diversificação da matriz elétrica e tornando a rede mais resiliente, eficiente e sustentável. (PV Tech – 13.01.2026)
Reino Unido: Leilão recorde de eólicas offshore
O governo do Reino Unido realizou, em 14 de janeiro, o maior leilão de eólicas offshore já promovido na Europa, contratando 8,4 GW de nova capacidade instalada e destravando cerca de £ 22 bilhões em investimentos privados. A iniciativa, chamada Allocation Round 7 (AR7), é vista como estratégica para reduzir a exposição do país à volatilidade dos mercados globais de combustíveis fósseis, agravada em 2025 por conflitos geopolíticos que pressionaram os preços da energia. Segundo o governo, acelerar a produção doméstica de energia limpa fortalece a segurança energética e diminui custos, já que o preço de exercício de £ 91 por MWh é cerca de 40% inferior ao de novas usinas a gás natural. O resultado consolida o Reino Unido como polo global da eólica offshore, sinalizando estabilidade regulatória em um cenário internacional marcado por cancelamentos de projetos, aumento de custos e incertezas políticas. A RWE, em parceria com a KKR, garantiu 6,9 GW no leilão, com projetos conjuntos que preveem desenvolvimento, construção e operação compartilhados. O avanço ocorre após o fracasso do AR5 e a recuperação no AR6, enquanto outros mercados, como Estados Unidos e Brasil, enfrentam entraves regulatórios e decisões políticas que limitam novas oportunidades para o setor. (Agência Eixos – 15.01.2026)
Suécia: Diálogos estratégicos sobre energia, segurança e competitividade industrial
O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, realizou nesta semana uma série de encontros em Estocolmo com autoridades suecas para discutir temas centrais da agenda energética europeia e global, como segurança energética, competitividade industrial, expansão da eletricidade e o papel da energia nuclear. Birol reuniu-se com o rei Carl XVI Gustaf e com o primeiro-ministro Ulf Kristersson, com quem analisou os recentes desdobramentos geopolíticos e dos mercados de energia, além das oportunidades econômicas decorrentes do crescimento acelerado da demanda por eletricidade. Kristersson destacou os planos da Suécia para ampliar sua capacidade nuclear e ressaltou a importância dos dados e análises da IEA para enfrentar desafios e aproveitar oportunidades no setor, reafirmando o compromisso de cooperação contínua. Birol também participou de eventos da Academia Real Sueca de Ciências da Engenharia, incluindo debates sobre segurança energética, concorrência e eletrificação da economia europeia, além de encontros com autoridades, acadêmicos e líderes industriais, reforçando a relevância da inovação e da energia nuclear no mix energético sueco. (IEA – 15.01.2026)
WBA: US$ 1,3 tri para a transição podem ser destravados sem novas soluções tecnológicas
Uma análise da World Benchmarking Alliance (WBA) indica que até US$ 1,3 trilhão poderia ser mobilizado anualmente para a transição energética global sem a necessidade de novas soluções tecnológicas, apenas ampliando práticas de investimento já existentes entre as 2.000 empresas mais influentes do mundo. Segundo a WBA, esse montante equivale a cerca de 30% do investimento anual necessário para a trajetória de neutralidade climática. O estudo mostra que 25% das empresas já reportam investimentos em tecnologias de baixo carbono, muitas destinando bem mais que a mediana de 7% do capex. Algumas companhias chegam a alocar até 30% de seus investimentos em soluções climáticas, reduzindo gastos em atividades intensivas em emissões. De acordo com o diretor executivo da WBA, Gerbrand Haverkamp, os dados revelam forte heterogeneidade de desempenho: enquanto parte das empresas avança de forma consistente, muitas permanecem estagnadas ou retrocedem. As companhias avaliadas concentram US$ 48 trilhões em receitas, empregam diretamente 107 milhões de pessoas e respondem por 54% das emissões globais, mas apenas 18% reduzem emissões no ritmo compatível com trajetórias de 1,5°C. A WBA alerta que a demora em agir amplia custos futuros e representa uma oportunidade crítica perdida para a transição energética. (Sustainability Online – 13.01.2026)
Wood Mackenzie: Implantação global de energia eólica deve recuar 6% em 2026
A adição global de capacidade eólica deverá atingir 160 GW em 2026, o que representa um volume elevado, porém uma queda de 6% em relação ao recorde de 170 GW registrado em 2025, segundo análise da Wood Mackenzie. A consultoria pontua que o principal fator para a desaceleração é o encerramento de um ciclo de desenvolvimento de cinco anos na China, embora o país deva registrar um “ano de destaque” para a eólica offshore. Fora da China, os Estados Unidos permanecem como o maior mercado individual, impulsionados pela corrida de desenvolvedores para assegurar incentivos federais antes do vencimento de prazos regulatórios. Ainda assim, políticas federais mais restritivas, pressões de custos associadas a tarifas, riscos de licenciamento e a postura crítica do governo Trump em relação à energia eólica, especialmente offshore, tendem a limitar a expansão. De acordo com a Wood Mackenzie, os EUA devem adicionar cerca de 46 GW entre 2025 e 2029, com aceleração em 2026 e 2027. O relatório destaca também a persistência de cancelamentos e atrasos em projetos onshore e maior incerteza no segmento offshore. (Utility Dive – 15.01.2026)
Nacional
ABSOLAR: Curtailment e inversão de fluxo fazem mercado solar brasileiro retrair 29% em 2025
Levantamento da ABSOLAR indica que 2025 foi marcado por retração no mercado brasileiro de energia solar, com queda de 29% na potência instalada em relação a 2024. No período, foram adicionados 10,6 GW, considerando usinas de grande porte e sistemas de geração distribuída, ante 15 GW no ano anterior. Os investimentos também recuaram de forma significativa, passando de R$ 54,9 bilhões em 2024 para R$ 32,9 bilhões em 2025, o que representa uma redução de 40%. Segundo a entidade, a desaceleração decorre, no segmento de geração centralizada, dos prejuízos financeiros causados pela falta de ressarcimento pelos cortes recorrentes de geração. Já na geração distribuída, os principais entraves foram dificuldades de conexão, atribuídas à alegada limitação das redes e à inversão de fluxo de potência. O cenário foi agravado por fatores macroeconômicos adversos, como o elevado custo do crédito, a volatilidade cambial e o aumento das alíquotas de importação de equipamentos. (Canal Solar - 15.01.2026)
ANEEL: Agência avalia alternativas para redefinir subsídios da GD
A Agência Nacional de Energia Elétrica discutirá duas alternativas para regulamentar, a partir de 2029, a compensação da micro e minigeração distribuída (MMGD). A primeira opção visa a criação de tarifas diferenciadas para consumidores com geração própria. Já a segunda opção é a valoração explícita dos benefícios da geração distribuída, com abatimento direto nas faturas. A escolha entre os modelos definirá como os custos da rede serão repartidos entre consumidores e terá impacto direto sobre o futuro domercado de geração distribuída no país. As propostas fazem parte daTomada de Subsídios 23/2025 que embasa a regulamentação do artigo 17 da Lei nº 14.300, que encerra gradualmente o atual sistema de compensação integral e estabelece novas regras tarifárias para os consumidores com MMGD. (Agência CanalEnergia - 12.01.2026)
ANEEL: Energia solar lidera expansão da geração elétrica prevista para 2026
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) projeta que a geração centralizada de energia solar será responsável por quase metade do crescimento da capacidade instalada no Brasil em 2026, com acréscimo estimado de 4,56 GW, avanço 61,7% superior ao registrado em 2025. No total, a expansão da geração centralizada deve alcançar 9,14 GW neste ano, superando os 7,40 GW adicionados ao Sistema Interligado Nacional no ano anterior. Além da solar, as termelétricas a combustíveis fósseis também terão papel relevante, com recorde histórico de expansão de 2,78 GW desde o início da série em 1997. Em contrapartida, a fonte eólica deve desacelerar, com adição de 1,44 GW, queda de 21,3% frente a 2025, impactada pelo curtailment, que gera prejuízos ainda não compensados aos geradores. No recorte regional, destaca-se o Complexo Fotovoltaico Lins, no Ceará, que adicionará 600 MW. Paralelamente, a geração distribuída segue em expansão, com previsão de mais 6,5 GW, atingindo cerca de 50 GW de capacidade instalada no país em 2026. (Agência Eixos – 13.01.2026)
Artigo de Renato Zimmermann: “O empoderamento do consumidor na transição energética brasileira”
Em artigo publicado no Canal Solar, Renato Zimmermann (membro do INEL Instituto Nacional de Energia Limpa) analisa a transição energética brasileira a partir do empoderamento do consumidor e do embate entre modelos centralizados e descentralizados de comercialização de energia. Segundo o autor, o setor elétrico nacional foi historicamente marcado pela geração centralizada, baseada em megainvestimentos, longas linhas de transmissão e baixa participação social. Embora eficiente para sustentar a industrialização, ele pondera que esse modelo apresenta limitações estruturais, como vulnerabilidade sistêmica e concentração de poder em grandes agentes econômicos. No contexto atual, tecnologias como painéis solares fotovoltaicos, pequenas turbinas eólicas e sistemas de biomassa viabilizam a geração distribuída (GD), permitindo que consumidores se tornem produtores e gestores da própria energia. Esse movimento representa não apenas uma mudança técnica, mas um processo de empoderamento social, que desafia estruturas oligopolizadas do setor. O texto destaca que a expansão da GD é irreversível, mas depende da modernização da rede elétrica brasileira, com adoção de infraestrutura inteligente capaz de integrar múltiplas fontes renováveis. Sem essa atualização, a transição energética fica limitada, evidenciando que inovação tecnológica deve ser acompanhada de reformas estruturais e regulatórias para garantir participação ativa dos consumidores no sistema energético. (Canal Solar – 14.01.2026)
CEBC: Importações brasileiras de painéis solares da China caem em 2025
As importações brasileiras de painéis solares da China recuaram 20% em volume e 41% em valor em 2025, somando US$ 1,5 bilhão, segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Com isso, o produto caiu da liderança para a quarta posição entre os itens mais comprados do país asiático, passando a representar 2,2% do total importado, apesar de a China ainda responder por 98,3% do fornecimento dessa tecnologia ao Brasil. Em contraste, os veículos híbridos chineses ganharam destaque, alcançando US$ 1,87 bilhão, alta de 25% em relação ao ano anterior, impulsionados pela antecipação de embarques antes do aumento da tarifa de importação, que subiu para 30% em julho. Já as importações de carros totalmente elétricos caíram 37%. O comércio bilateral atingiu recorde de US$ 171 bilhões em 2025, com superávit brasileiro de US$ 29,1 bilhões. A China também se consolidou como principal destino das exportações brasileiras, especialmente de petróleo, que bateu recordes de volume e valor, reforçando a interdependência comercial entre os dois países. (Agência CanalEnergia – 13.01.2026)
Deloitte: Gestão energética é alavanca para descarbonização
A edição de 2025 do C-suite Sustainability Report, da Deloitte, indica que executivos brasileiros estão alinhados aos pares internacionais ao posicionar a sustentabilidade entre as três principais prioridades corporativas. A pesquisa ouviu 2,1 mil líderes em 27 países, incluindo 129 executivos no Brasil, e revela que, no recorte nacional, a gestão energética é vista não apenas como custo operacional, mas como principal vetor de descarbonização empresarial. Segundo o relatório, mudanças climáticas e sustentabilidade são consideradas os desafios mais urgentes no país, superando a média global, com cerca de 50% dos executivos atribuindo à sustentabilidade importância equivalente à tecnologia e inovação. O estudo mostra que 83% dos líderes brasileiros ampliaram investimentos sustentáveis no último ano, com destaque para a eficiência energética, citada por 51% como a ação mais adotada para reduzir emissões de gases de efeito estufa, frente a 42% em 2024. A Deloitte aponta que as empresas priorizam otimizar o consumo antes, ou em paralelo, à aquisição de energia renovável, adotada por 41% dos respondentes. O relatório também destaca maior integração estratégica no Brasil: 45% afirmam estar transformando seus modelos de negócio para enfrentar as mudanças climáticas, ante 30% da média global. Para 73% dos executivos brasileiros, a sustentabilidade já impacta positivamente a receita, com decisões de investimento guiadas por retorno financeiro de curto prazo e metas climáticas. A tecnologia, especialmente a inteligência artificial, é tratada como facilitadora, sendo utilizada por 84% das organizações para apoiar metas de sustentabilidade. (Além da Energia – 12.01.2026)
Engie: Desenvolvimento de solução de IA para elevar eficiência de parques eólicos
A busca por ganhos incrementais de eficiência, redução de custos operacionais e maior confiabilidade dos ativos tem impulsionado investimentos em inovação aplicada no setor eólico. Nesse contexto, a ENGIE Brasil Energia desenvolve duas iniciativas voltadas à otimização do desempenho e à ampliação da vida útil de aerogeradores, com investimento total de R$ 2,8 milhões, combinando tecnologias digitais, sensoriamento avançado e parcerias acadêmicas. O primeiro projeto, em cooperação com a Universidade Federal de Santa Maria, utiliza sensores LiDAR e algoritmos próprios para identificar e corrigir o desalinhamento direcional das turbinas em relação ao vento, aumentando a eficiência aerodinâmica. O segundo, realizado com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido, foca na detecção automática de desalinhamentos de pitch das pás, comparando diferentes algoritmos para reduzir perdas de desempenho e estresse mecânico, contribuindo para maior confiabilidade e durabilidade dos equipamentos. (Cenário Energia - 12.01.2026)
Menon Economics: Investimentos noruegueses em renováveis chegam a US$ 1,8 bilhão
Os investimentos da Noruega em fontes renováveis no Brasil alcançaram US$ 1,8 bilhão no acumulado de 2023 e 2024. Conforme relatório apresentado a jornalistas no dia 13 de janeiro, o país registra um aporte acumulado de US$ 14 bilhões entre diversos setores e a partir de 300 empresas, numa alta de 200% nos últimos dez anos. Elaborado pela Menon Economics a pedido do Consulado Geral da Noruega no Rio de Janeiro, o levantamento mostra o Brasil como principal destino dos aportes depois da Europa e Estados Unidos. Ademais, de acordo com a cônsul-geral da Noruega no Brasil, Mette Tangen, os maiores destinos desses aportes envolvem os setores marítimos, petróleo e gás, e as renováveis, consolidando o país como principal protagonista energético na América Latina. Além disso, um estudo de viabilidade será lançado até maio deste ano para formação de um corredor verde marítimo entre os dois países. Por fim, o relatório também aponta a consolidação do Brasil como principal parceiro comercial da Noruega na América Latina, com exportações norueguesas para o país totalizando US$ 2,1 bilhões. (Agência CanalEnergia - 13.01.2026)
Eficiência Energética e Eletrificação de Usos Finais
Brasil: Retomada da cobrança de IPVA para híbridos em SP
O governo do Estado de São Paulo reajustou para R$ 261.154,45 o teto de valor da isenção do IPVA para veículos híbridos e movidos a hidrogênio em 2026, corrigindo-o pela inflação medida pelo IPCA. A medida não amplia o benefício, mas preserva o enquadramento de modelos já elegíveis. A isenção segue condicionada a critérios técnicos: no caso dos híbridos, exige-se motor elétrico combinado a motor a combustão compatível com etanol, potência mínima de 40 kW e bateria com tensão igual ou superior a 150 volts, o que exclui híbridos leves, modelos a gasolina e híbridos plug-in. O ano de 2026 será o último com isenção total, pois a partir de 2027 o imposto será reintroduzido de forma gradual até alcançar a alíquota cheia de 4% em 2030. Paralelamente, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou a Lei nº 425/2025, que assegura o direito à instalação de pontos de recarga de veículos elétricos em garagens de prédios residenciais e comerciais. A norma busca ampliar a infraestrutura de recarga e reduzir conflitos em condomínios, impedindo que síndicos ou administradoras neguem a instalação sem justificativa técnica ou de segurança comprovada. Elaborada com participação do Corpo de Bombeiros, a lei estabelece que as instalações devem seguir normas da ABNT, diretrizes das concessionárias de energia e ser executadas por profissionais habilitados, com emissão de Anotação de Responsabilidade Técnica, garantindo segurança jurídica e operacional. (Inside EVs - 14.01.2026)
China: Lançamento de política industrial para baterias de estado sólido
A China colocou oficialmente as baterias de estado sólido no centro de sua política industrial a partir de 2026, sinalizando uma mudança estrutural no setor de veículos de nova energia. No âmbito do 15º Plano Quinquenal, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação definiu essa tecnologia como estratégica, ao lado da direção autônoma de nível 3, elevando o tema de promessa experimental a meta sistêmica que envolve toda a cadeia industrial. O movimento já se reflete em iniciativas de montadoras e fornecedores, que avançam de projetos de laboratório para linhas piloto, ainda que com desafios técnicos relevantes para a aplicação em escala comercial. Paralelamente, pesquisadores chineses anunciaram um avanço técnico que reduz um dos principais entraves da tecnologia: a necessidade de altas pressões para o funcionamento das baterias de estado sólido. O novo eletrólito sólido inorgânico opera de forma estável sob baixas pressões, é compatível com processos industriais existentes e utiliza matérias-primas de custo significativamente inferior às alternativas atuais. Embora ainda não represente produção em larga escala, o avanço reforça a estratégia governamental ao indicar que barreiras históricas começam a ser superadas, abrindo caminho para aplicações iniciais e desenvolvimento gradual da tecnologia. (Cenário Energia - 15.01.2026)
China: Mercado de reciclagem de baterias movimenta US$ 78 bilhões
A rápida expansão da frota de veículos elétricos na China impulsionou de forma significativa a indústria de reciclagem de baterias, que já alcança dimensões comparáveis às de segmentos tradicionais da cadeia automotiva. Em 2024, o mercado chinês de reciclagem de baterias para veículos elétricos movimentou cerca de 558 bilhões de yuans, refletindo o aumento do volume de baterias em fim de vida útil e a adoção de normas regulatórias mais rigorosas. A atividade deixou de ter apenas caráter ambiental e passou a assumir papel estratégico na organização do setor automotivo eletrificado. O reaproveitamento de materiais extraídos das baterias usadas responde por parcela ainda mais expressiva desse mercado, com receitas estimadas em 647 bilhões de yuans, impulsionadas pela recuperação de metais como lítio, níquel e cobalto. A cadeia envolve tanto o uso em cascata, com aplicações secundárias em sistemas de armazenamento de energia, quanto a reciclagem de materiais para reinserção industrial. Grandes fabricantes, como CATL e BYD, participam diretamente desse ecossistema, que em 2024 reunia centenas de empresas licenciadas e elevada capacidade instalada de processamento de baterias. (Inside EVs - 11.01.2026)
China e UE: Acordo para reduzir tarifas de VEs
A Comissão Europeia anunciou um acordo com a China para reduzir a tensão comercial relacionada aos veículos elétricos chineses no mercado europeu. Pelo entendimento, empresas chinesas poderão apresentar propostas alternativas à tarifa de 35,3% aplicada desde outubro de 2024, comprometendo-se a estabelecer preços mínimos de importação, detalhar os canais de comercialização e assumir compromissos de investimento na Europa. As propostas serão analisadas individualmente pela Comissão. O governo chinês afirmou que o acordo reflete o espírito de diálogo e a resolução de controvérsias conforme as regras da OMC. As tarifas europeias foram resultado de uma investigação sobre subsídios estatais à indústria automotiva chinesa, que teriam ampliado sua competitividade frente aos fabricantes europeus. Somadas à tarifa base de 10%, as medidas elevaram a taxação total para 45,3%, afetando marcas como BYD e Geely. (Poder360 - 12.01.2026)
Wood Mackenzie: Cadeia de VEs entra em fase decisiva de maturação em 2026
O ano de 2026 marca um ponto de inflexão para a cadeia global de veículos elétricos e baterias, que passa de uma etapa de expansão acelerada para um ciclo de maturação baseado em crescimento orgânico, regulação mais rígida e consolidação tecnológica. Segundo análise do setor, fabricantes de baterias devem priorizar a otimização da capacidade existente das gigafábricas, reduzindo o foco em novas expansões. Na China, mudanças na política industrial tendem a criar um ambiente mais regulado, favorecendo qualidade, segurança e competitividade, em um cenário de “sobrevivência dos mais eficientes” e possível arrefecimento das guerras de preços. Apesar do recuo de subsídios e do endurecimento regulatório em mercados como Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido, as montadoras chinesas seguem bem posicionadas para impulsionar a eletrificação global, apoiadas por vantagens estruturais e escala produtiva. No campo tecnológico, 2026 deve marcar a chegada comercial de baterias de próxima geração, como as de íons de sódio e as células semi–estado sólido, além do surgimento de novas demandas vindas de robótica humanoide e eletrônicos de consumo. Esse conjunto de fatores aponta para um avanço mais sustentável e diversificado da economia eletrificada nos próximos anos. (Wood Mackenzie – 13.01.2026)
Hidrogênio e Combustíveis Sustentáveis
ABIHV: Seleção de projetos globais de H2V avança após euforia inicial
Após a euforia e anúncios em larga escala, o mercado global do hidrogênio renovável passa por um momento de transição. De acordo com a Associação Brasileira do Hidrogênio Verde (ABIHV), o setor avança agora para um estágio de execução mais racional e seletivo após erros do passado. Em um levantamento recente, a entidade pontua que mais de 500 projetos seguem em decisão final de investimento (FID), construção ou operação no mundo. São cerca de US$ 110 bilhões em aportes, enquanto uma parcela menor passou por reavaliações ou cancelamentos recentes. Um destes foi o da Solatio no Piauí. A empresa alterou o projeto para a instalação de Data Center no estado. De acordo com a ABIHV, aproximadamente 52 projetos foram cancelados ou revistos. Longe de representar uma crise sistêmica, a avaliação é de que o movimento reflete um processo natural de depuração do mercado. (Agência CanalEnergia - 15.01.2026)
Artigo de José Luis G. de Almeida e Walter Pinheiro: “Evolução energética: da mitigação a uma economia de baixo carbono”
Em artigo publicado pela Agência iNFRA, José Luis G. de Almeida e Walter Pinheiro (diretores do Senai Cimatec-Bahia) questionam a narrativa dominante da “transição energética” entendida como substituição rápida dos combustíveis fósseis por renováveis, argumentando que essa visão é tecnicamente incompleta. Com base em projeções recentes do mercado internacional, incluindo análises de grandes tradings globais, sustenta-se que os combustíveis fósseis não desaparecerão no curto e médio prazo, podendo inclusive ocorrer superoferta de petróleo nesta década. Segundo os autores, o problema central não seria a escassez energética, mas o impacto climático do carbono acumulado no sistema atmosférico. Nesse contexto, propõe-se o conceito de “evolução energética”, baseado na transformação progressiva do sistema existente por meio de inovação tecnológica, eficiência, políticas públicas efetivas e soluções economicamente viáveis e socialmente inclusivas. O biometano é apresentado como exemplo dessa lógica: regulamentado como metano renovável de origem biogênica, contribui para reduzir emissões ao substituir o gás fóssil, mas não remove CO₂ da atmosfera, sendo uma solução carbon-neutral, e não carbon-negative. O mesmo limite se aplica a combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), os e-fuels e as rotas ETL (Emissions-to-Liquids). O texto defende que a solução estrutural de longo prazo exige tecnologias de remoção permanente de CO₂, como mineralização e armazenamento geológico, articuladas a um arcabouço jurídico e instrumentos de fomento que permitam sua aplicação imediata. (Agência iNFRA – 13.01.2026)
BNDES: Aprovação de R$ 950 milhões para biorrefinaria na BA
O BNDES aprovou financiamento de R$ 950 milhões para a Inpasa Agroindustrial S/A destinado à construção de sua sexta biorrefinaria no Brasil, que será instalada em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. O projeto prevê a produção de etanol anidro e hidratado a partir da moagem de milho, sorgo e outros grãos. Do total aprovado, R$ 350 milhões virão do Fundo Clima e R$ 600 milhões da linha FINEM. A nova unidade terá capacidade anual para processar até um milhão de toneladas de milho, produzindo 498 milhões de litros de etanol, 248,9 mil toneladas de DDGS, cerca de 24,9 mil toneladas de óleo vegetal e 185 GWh de energia elétrica. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a usina deve impulsionar a economia local e permitir que a Bahia deixe de ser importadora para se tornar exportadora de biocombustíveis, com previsão de atingir plena capacidade a partir de 2027. (Agência Eixos – 12.01.2026)
Solatio: Empresa espanhola abandona produção de H2V no Piauí e anuncia complexo de data centers no local
A Solatio mudou seu projeto no Piauí. A empresa previa produzir hidrogênio e amônia verdes no município de Parnaíba. Contudo, diante da falta de capacidade na rede, alterou seus planos. A empresa de origem espanhola requalificou o projeto e terá data centers no local. A informação foi confirmada na manhã do dia 15 de janeiro de 2026. A decisão foi motivada por dois fatores principais: a falta de capacidade de escoamento de energia na região e a decisão judicial do TRF-1 de suspender a licença ambiental que a companhia possuía para o projeto. Com essas mudanças, a Solatio informou que “conduzirá novos estudos de licenciamento ambiental em estrita conformidade com a legislação aplicável vigente”. Por fim, de acordo com seus cálculos, a empresa informa já ter desenvolvido quase 21 GWp em projetos solares. (Agência CanalEnergia - 15.01.2026)
Recursos Energéticos Distribuídos e Digitalização
Artigo de Emily Easley: “Os novos barões da energia nos EUA: quem governará o megasetor de megawatts com inteligência artificial?”
Em artigo publicado no Utility Dive, Emily Easley (CEO da Novus Energy Advisors) analisa como a crescente demanda por energia dos centros de dados movidos por inteligência artificial (IA) está redefinindo o setor energético nos EUA e abrindo caminho para um novo modelo de suprimento híbrido que combina gás natural, renováveis e armazenamento. Segundo a autora, os desafios para fazer frente a essa demanda, projetada para triplicar até 2030, vão além da política — são físicos. A IA exige altíssima confiabilidade, algo que fontes intermitentes como solar e eólica não conseguem garantir sozinhas; diante disso, o gás natural ressurge como peça-chave por ser abundante, despachável e compatível com captura de carbono. Simultaneamente, o Departamento de Energia dos EUA (DOE) revisa programas de subsídio a renováveis, reduzindo o apoio a projetos em estados “azuis” e priorizando soluções firmes e escaláveis. O texto pontua que investidores já veem energia, tecnologia e infraestrutura como um único ecossistema, e que a corrida agora é para quem melhor integrar gás, renováveis e armazenamento, oferecendo energia firme e de baixo carbono para impulsionar a economia digital. O artigo conclui com a reflexão de que, no novo paradigma, o domínio energético americano será medido não mais em barris de petróleo, mas em megawatts confiáveis para alimentar algoritmos. (Utility Dive – 15.01.2026)
Artigo de Régis de Oliveira Júnior: "Quem vai pagar a conta de luz da Inteligência Artificial?"
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Régis de Oliveira Júnior (especialista em Inteligência Artificial) trata do paradoxo brasileiro no green computing: embora o país reúna energia renovável abundante e competitiva, o verdadeiro gargalo para a expansão de data centers e da inteligência artificial está na infraestrutura de transmissão, cuja limitação transfere custos sistêmicos para toda a sociedade. O autor mostra que a rápida expansão dessas cargas intensivas e inflexíveis pressiona subestações, eleva o PLD, exige investimentos bilionários em rede e socializa despesas via RAP e CDE, enquanto os benefícios permanecem privados. Diante de riscos regulatórios, inflacionários e até de desindustrialização, o texto defende a neutralidade tarifária como eixo da política pública, com internalização dos custos do “fio”, exigência de contratação de capacidade, padrões rigorosos de eficiência energética e hídrica, integração de armazenamento e resposta da demanda, além do uso do financiamento público para estimular data centers como ativos de estabilidade do sistema. Sem isso, alerta o autor, o Brasil corre o risco de trocar sua vantagem energética por inflação tarifária e perda de credibilidade na política energética. (GESEL-IE-UFRJ – 15.01.2026)
EUA: Aspen Power capta US$ 200 milhões para expansão da GD
A plataforma norte-americana de geração distribuída Aspen Power anunciou a captação de US$ 200 milhões em financiamento, obtido junto ao Deutsche Bank, para apoiar iniciativas de crescimento e acelerar a implantação de projetos solares e de armazenamento em diferentes regiões dos Estados Unidos. Segundo a empresa, os recursos serão destinados principalmente ao engajamento com fornecedores e ao desenvolvimento de projetos, embora não tenha detalhado se o foco será em novos empreendimentos ou na aquisição de ativos existentes. No fim de 2025, a estratégia da companhia concentrou-se sobretudo em aquisições, com a compra de sete projetos de geração distribuída que somam 25,8 MW nos estados de Illinois, Nova Jersey, Nova York e Pensilvânia. A nova captação se soma a um financiamento anterior de US$ 241 milhões levantado em 2024 para objetivos semelhantes. Para o CEO e cofundador Jorge Vargas, a parceria com o Deutsche Bank fortalece a capacidade da Aspen de originar, desenvolver e entregar projetos solares distribuídos em escala. O banco alemão tem ampliado sua presença no setor, inclusive em projetos de energia comunitária, apesar do recente enfraquecimento desse segmento nos EUA, que registrou queda de 36% nas adições de capacidade no primeiro semestre de 2025, segundo dados de mercado. (PV Tech – 13.01.2026)
Países Baixos: Falta de flexibilidade provoca perda crescente de geração renovável
A transição energética nos Países Baixos avançou em 2025, mas enfrenta um gargalo crescente: a perda de geração renovável por falta de flexibilidade e armazenamento. Dados agregados pela plataforma energieopwek.nl, divulgados no Nationaal Klimaat Platform, indicam que a produção renovável aumentou 7% no ano, somando 27 petajoules (PJ), impulsionada por uma primavera ensolarada e um outono ventoso. Ainda assim, cerca de 16 PJ de energia solar e eólica deixaram de ser gerados — acima dos 12 PJ de 2024 — devido à necessidade de desligamento de ativos em períodos de excesso de oferta. Apesar de 57% da eletricidade já ser renovável, a Agência de Avaliação Ambiental dos Países Baixos (PBL) indica que esse índice poderia chegar a 60% com armazenamento adequado. O consenso entre analistas é que ampliar armazenamento e reforçar a rede elétrica é essencial para absorver excedentes e sustentar a descarbonização frente ao aumento da demanda por veículos elétricos e data centers. (Innovation Origins – 14.01.2026)
Energisa: Lançamento de edital de inovação em flexibilidade energética
A Energisa lançou um edital de inovação para selecionar projetos voltados à flexibilidade energética. A chamada é direcionada a startups, universidades, instituições de ciência e tecnologia e à indústria, com foco em soluções capazes de responder rapidamente às variações de oferta e demanda de energia. O objetivo é desenvolver modelos de controle, previsão, agregação e resposta da demanda, além da coordenação inteligente de cargas, geração distribuída e armazenamento. A empresa pretende obter evidências técnicas, regulatórias e econômicas que apoiem a evolução do setor elétrico para uma rede mais flexível, digital e descentralizada. O edital prevê a aprovação de cinco a dez projetos, que poderão resultar em produtos, serviços, modelos tarifários ou inovações em modelos de negócios. As iniciativas serão testadas em ambiente real, nos laboratórios da Energisa em Uberlândia e Palmas, com possibilidade de financiamento por recursos próprios e de P&D da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). As inscrições estão abertas de 21 de janeiro a 25 de fevereiro, por meio da plataforma FlexLab, e o anúncio dos selecionados está previsto para junho de 2026. (Agência CanalEnergia - 20.01.2026)
Impactos Socioeconômicos
Artigo de Jorge Arbache: "A agenda econômica da sustentabilidade"
Em artigo publicado pelo Valor Econômico, Jorge Arbache (professor de economia da Universidade de Brasília) trata do aparente enfraquecimento da agenda econômica da sustentabilidade diante de reorientações políticas e geopolíticas nos Estados Unidos e na Europa, mas argumenta que esse movimento representa mais uma desaceleração conjuntural do que um retrocesso estrutural. O autor sustenta que tecnologias verdes já se tornaram custo-eficientes, grandes volumes de capital estão afundados em investimentos irreversíveis e o sistema financeiro segue exposto a esses ativos, criando inércia econômica favorável à continuidade da transição. Além disso, a intensificação dos riscos climáticos tende a transformar o tema em questão de segurança econômica, com impactos diretos sobre seguros, crédito e valor dos ativos. Arbache destaca que a China avança e consolida liderança estratégica justamente enquanto o Ocidente hesita, e aponta que o Brasil, apesar de seu vasto capital natural e vantagens competitivas, corre o risco de desperdiçar oportunidades ao manter uma estratégia fragmentada e primário-exportadora. A conclusão é que a agenda da sustentabilidade não morreu e inevitavelmente retornará ao centro, cabendo aos países decidir quem estará melhor posicionado quando isso ocorrer. (GESEL-IE-UFRJ – 15.01.2026)
Artigo de Oxana Saimo e Ryan Hardin: “Como clusters industriais podem impulsionar o futuro de baixo carbono no Sudeste Asiático”
Em artigo publicado no Fórum Econômico Mundial (WEF), Oxana Saimo (WEF) e Ryan Hardin (MYCentre4IR) argumentam que o futuro energético de baixo carbono no Sudeste Asiático dependerá fortemente da transformação industrial por meio de clusters industriais. Segundo os autores, a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) poderá mais que dobrar até 2050 e, se não houver ação coordenada, esse crescimento pode acentuar a dependência de combustíveis fósseis e comprometer a competitividade e a sustentabilidade da região. Para enfrentar esse desafio com impacto e velocidade, os clusters industriais surgem como catalisadores estratégicos da transição energética. O artigo elenca que países como Indonésia, Malásia, Singapura e Tailândia já demonstram como parcerias público-privadas, políticas claras, tecnologia inovadora e financiamento direcionado podem viabilizar essa transformação. Essas investidas, quando apoiados por políticas consistentes, tecnologia escalável e financiamento adequado, criam um ecossistema colaborativo com potencial de transformar a indústria pesada do Sudeste Asiático. Para isso, é essencial harmonizar padrões, revisar subsídios aos fósseis, reforçar os preços de carbono e promover transparência nos mercados. O texto conclui que, com políticas alinhadas, ecossistemas industriais colaborativos e mecanismos financeiros inovadores, a ASEAN pode não apenas atender sua crescente demanda energética, mas também liderar como modelo global de industrialização sustentável. (World Economic Forum – 13.01.2026)
Editorial Enlit: “Qual é o maior desafio da força de trabalho enfrentado na transição energética”
Em editorial, a Enlit aponta que, em 2026, o maior desafio de força de trabalho para a transição energética é a escassez e o descompasso de competências diante da digitalização acelerada do setor, agravados por aposentadorias e pela falta de profissionais para construir, conectar e operar a infraestrutura. A Enlit pesquisou o tema e consolidou os resultados no relatório Making it Work, pouco mais da metade dos respondentes acredita que a transição “ficará sem pessoas antes de ficar sem dinheiro”. Lideranças empresariais convergem na necessidade de requalificação em escala: Linda-Maria Wadman (Plexigrid) descreve uma “mudança geracional” entre especialistas de sistemas tradicionais e novos talentos digitais, exigindo upskilling para ferramentas, dados, IA e software; Pablo Peris (Microsoft EMEA Energy and Resources) reforça o risco de um skills gap sem estratégia robusta de requalificação. Oonagh O’Grady (Hydrostor) destaca a importância de reter e redirecionar “competências legadas” de trabalhadores de energia convencional e óleo e gás para novos ativos, acelerando entregas e formando a próxima geração. John Griffiths (Lucy Electric) enfatiza o déficit de engenheiros e técnicos para instalar conexões, manter equipamentos e responder a emergências, mesmo com automação e IA na cadeia de suprimentos. Já Agustín Delgado (Iberdrola) enquadra o tema como transformação econômica e defende perfis híbridos e parcerias entre empresas, universidades e centros de pesquisa para alinhar inovação e desenvolvimento de talentos. (Enlit – 08.01.2026)
Editorial Reuters: “Ganhe ou perca, aposta de Trump nos combustíveis fósseis coroa a China como rainha da energia limpa”
Em editorial, o Reuters analisa o contraste entre as estratégias energéticas dos Estados Unidos e da China e seus efeitos geopolíticos e industriais. Sob a liderança de Donald Trump, os EUA apostam na expansão de petróleo e gás, no enfraquecimento de políticas ambientais e na redução do apoio a veículos elétricos e tecnologias de baixo carbono, com o objetivo de impulsionar a reindustrialização baseada em energia fóssil abundante e barata. Essa estratégia é sustentada pela posição do país como maior produtor e consumidor de petróleo, além de principal exportador mundial de gás natural liquefeito. Em contrapartida, a China segue caminho oposto, buscando reduzir sua dependência de combustíveis fósseis por meio de eletrificação em larga escala, domínio de minerais críticos e liderança em tecnologias limpas. Amparada por seus planos quinquenais, Pequim tornou-se líder global em energia solar, eólica, baterias e veículos elétricos, respondendo por mais de 70% da produção mundial de EVs e pela maior expansão anual de renováveis já registrada. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a China deverá concentrar mais de dois terços das novas instalações solares e eólicas globais, consolidando-se como potência central da economia de baixo carbono, independentemente do rumo adotado pelos EUA. (Reuters – 14.01.2026)
França: Transição energética pode contribuir para a melhoria da paisagem e ambiente urbano
O relatório de 2025 do Haut Conseil pour le Climat alerta para a urgência de retomar a ação climática na França, destacando que a produção de energia responde por mais de um quarto da pegada de carbono nacional e que a eliminação dos combustíveis fósseis é indispensável. Nesse contexto, a Cátedra Paisagem e Energia da École Nationale Supérieure de Paysage, criada em 2015 pelo então Ministério do Meio Ambiente, propõe integrar a transição energética à melhoria da paisagem e do ambiente urbano. Segundo o diretor Bertrand Folléa, o objetivo não é buscar mera “aceitação social”, mas tornar a transição desejável ao colocar a energia a serviço da paisagem e da qualidade de vida. A abordagem baseia-se em cinco princípios: considerar a relação sensível das populações com seus territórios, adotar uma visão integrada dos seres vivos, promover a interdisciplinaridade, estimular processos colaborativos e aplicar soluções criativas e operacionais. É destacado que o uso intensivo de combustíveis fósseis degradou áreas periurbanas, e que soluções como sombreamento fotovoltaico em estacionamentos e diretrizes arquitetônicas para painéis solares em telhados podem regenerar paisagens, biodiversidade e conforto urbano. Além disso, a resistência social às renováveis é atribuída à ausência de planejamento territorial integrado e de políticas públicas eficazes, reforçando a necessidade de articulação entre Estado, especialistas, comunidades locais e setor energético. (Polytechnique Insights – 13.01.2026)
IEA: Missão Inovação instala secretariado e reforça cooperação global em energia
Os 24 governos membros da Mission Innovation aprovaram a instalação de seu secretariado na sede da Agência Internacional de Energia (AIE), em Paris, consolidando a colaboração entre as duas organizações na promoção de tecnologias energéticas avançadas. A decisão foi validada pelos países integrantes de ambas as instituições e integra a Mission Innovation a outras iniciativas globais já sediadas na AIE, reconhecida como autoridade mundial em energia. Criada em 2015, a Mission Innovation tem como objetivo acelerar ações e investimentos em pesquisa, desenvolvimento e demonstração para tornar tecnologias energéticas avançadas mais acessíveis, atraentes e viáveis em escala global. A iniciativa reúne anualmente ministros e uma ampla rede de governos e parceiros, sob a liderança de países como Brasil, China, Estados Unidos, União Europeia, Alemanha, Japão e Reino Unido, entre outros. Para o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, a escolha fortalece a cooperação internacional e amplia o impacto das duas entidades, ao alinhar esforços para estimular a inovação energética, aumentar a segurança do suprimento, reduzir custos e promover a sustentabilidade. A integração institucional deve favorecer sinergias técnicas, maior coordenação de políticas e avanço mais rápido no desenvolvimento de soluções energéticas essenciais para a transição global. (IEA – 12.01.2026)
IRENA: Brasil ocupa o 3º lugar na geração de empregos no setor renovável
O número de empregos no setor de energias renováveis aumentou apenas 2,3% em relação a 2023, chegando a 16,6 milhões em 2024. Os dados são do recém-divulgado Relatório Anual de Energia Renovável e Empregos 2025. A publicação é da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) e o estudo foi realizado em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em resumo, as entidades destacam o impacto crescente das fricções geopolíticas e geoeconômicas na força de trabalho. A análise aponta que o desenvolvimento é desigual em todo o mundo, com uma elevação do caráter da automação. A China manteve sua posição como a força preeminente tanto na implantação de capacidades de geração quanto na fabricação de equipamentos, criando cerca de 7,3 milhões de empregos nesse setor, sendo 44% do total global. Em outras regiões, como a União Europeia, seguiu a tendência de crescimento, com um total de 1,8 milhões de empregos novos e o Brasil se encontra em 3º lugar com 1,4 milhões de pessoas no setor de energias renováveis. Em relação às tecnologias, a energia solar fotovoltaica mantém a liderança com uma expansão forte e contínua de suas instalações, seguido pelo setores de biocombustíveis líquidos. (Agência CanalEnergia - 13.01.2026)
IRENA: Novo relatório para subsidiar a formulação de políticas para a transição justa
A Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) publicou o relatório “Fostering a just energy transition: A framework for policy design”, que mira contribuir para o debate internacional sobre a transição energética justa ao propor uma definição operacional e um arcabouço analítico voltado à formulação de políticas públicas. O documento parte do reconhecimento de que, embora o conceito seja amplamente defendido por governos, organizações internacionais e sociedade civil, ainda há divergências quanto ao seu escopo, objetivos e formas de implementação. A análise destaca que a transição energética justa envolve não apenas resultados equitativos, mas também processos decisórios inclusivos e transparentes ao longo de todo o percurso da transição. O relatório examina implicações atuais e emergentes da transição energética em termos de justiça social, econômica e ambiental, com atenção especial a grupos afetados e marginalizados. Como contribuição central, apresenta um conjunto de considerações-chave para orientar o desenho de políticas e estratégias energéticas, enfatizando a distribuição equilibrada de benefícios e ônus, a prevenção e reparação de danos e a integração de medidas de apoio. O objetivo, segundo a agência, é oferecer uma base conceitual e prática para que formuladores de políticas incorporem a justiça como elemento estruturante da transição energética. (IRENA – 10.01.2026)
Eventos
Greenpeace MENA: Participação no WFES 2026 para ampliar debate sobre transição, uso da terra e financiamente
A participação do Greenpeace Oriente Médio e Norte da África (Greenpeace MENA) no World Future Energy Summit (WFES) 2026 insere a organização no centro dos debates sobre transição energética, uso da terra e financiamento sustentável na região. Ao longo da programação, representantes do Greenpeace MENA apresentarão contribuições baseadas em evidências sobre como decisões estruturais impactam emissões, eficiência de recursos e resiliência de longo prazo. A agenda inclui painéis sobre redução de resíduos na origem, com foco em economias circulares de baixo carbono, a promoção de modelos de agrivoltaica como solução integrada para geração de energia limpa e segurança alimentar, e a mobilização de finanças islâmicas para investimentos em energias renováveis, tema abordado na sessão “The US$ 400 Billion Question”. Segundo Ghiwa Nakat, diretora executiva do Greenpeace MENA, a abordagem vai além da expansão de capacidade, enfatizando escolhas de desenho, governança territorial e estruturas financeiras. Dados e práticas verificadas embasam as discussões, reforçando o papel do WFES, segundo a organização do evento e a World Future Energy Summit, como espaço de articulação entre governos, setor privado, finanças e sociedade civil na construção de trajetórias energéticas sustentáveis e inclusivas. (Greenpeace – 12.01.2026)