Tecnologias Exponenciais 255
Transição Energética e ESG
ABIHV: Associação aponta modelo chinês como divisor de águas para o H2V
A estratégia chinesa para o hidrogênio verde pode redefinir a competitividade global do setor ao combinar diretrizes nacionais com execução descentralizada por províncias, em um arranjo descrito pela Associação Brasileira da Indústria de Hidrogênio Verde (ABIHV) como “capitalismo de Estado adaptativo”. Em documento recente, a entidade avalia que a escala industrial da China tende a reprecificar equipamentos e insumos, reduzir custos e acelerar curvas de aprendizagem, em trajetória semelhante à observada nas cadeias solar e eólica. A presidente da Abihv, Fernanda Delgado, afirma que o diferencial é a capacidade de estruturar demanda doméstica como alavanca industrial, permitindo inserção internacional já com alta produtividade e preços competitivos, inclusive para amônia e metanol de baixo carbono. Apesar de o H2 verde ainda ser mais caro que o produzido a partir de carvão na China, a combinação de eletricidade renovável barata e metas de dezenas de gigawatts em eletrólise pode reduzir a diferença até o fim da década. Para o Brasil, a Abihv vê a demanda europeia como motor inicial, mas cobra a regulamentação do marco legal com decretos prometidos. A entidade destaca ainda integração do hidrogênio ao sistema elétrico como carga flexível, absorvendo excedentes eólicos e solares e contribuindo para estabilização da rede. (Agência Eixos – 04.03.2026)
Artigo GESEL: "Experiências Internacionais dos Sistemas de Armazenamento de Energia Hidráulico"
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Roberto Brandão (diretor técnico-científico do GESEL/UFRJ), Ana Carolina Chaves (pesquisadora plena do GESEL-UFRJ), Angela Livino e Katarina Ferreira (pesquisadoras associadas do GESEL-UFRJ) tratam do papel estratégico do armazenamento de energia na viabilização da transição energética diante da crescente participação de fontes renováveis intermitentes. A partir da análise das experiências de países como Austrália, Reino Unido, Itália, Estados Unidos, Espanha, Portugal e China, os autores mostram que a expansão consistente de eólica e solar tem sido acompanhada pelo fortalecimento da capacidade de armazenamento, seja por sistemas hidráulicos ou baterias em escala de rede, apoiados por diferentes instrumentos regulatórios e de mercado. Apesar das distintas abordagens institucionais, observa-se uma convergência: projetos de longa duração exigem mecanismos estáveis de remuneração e redução de risco, enquanto as baterias avançam com apoio de serviços ancilares, incentivos iniciais e integração aos mercados elétricos. A principal lição internacional, segundo os autores, é que o armazenamento deixou de ser complementar e passou a constituir infraestrutura crítica, cuja expansão depende de previsibilidade regulatória, coordenação institucional e mecanismos claros de valorização da flexibilidade para sustentar sistemas elétricos descarbonizados e confiáveis. Acesse o artigo na íntegra aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 04.03.2026)
Costa Rica: Geração elétrica alcança 98,6% de renovabilidade
A Costa Rica encerrou 2025 com 98,6% de sua geração elétrica proveniente de fontes renováveis, segundo dados do Instituto Costarricense de Electricidad (ICE), estatal responsável pelo sistema elétrico do país. O resultado foi sustentado principalmente por cinco fontes limpas — hidrelétrica, geotérmica, eólica, biomassa e solar — e representa a retomada dos níveis históricos de geração renovável após oscilações registradas no ano anterior. Em 2024, uma seca severa associada ao fenômeno El Niño reduziu os níveis dos reservatórios hidrelétricos e levou a participação renovável a cair para a faixa entre 86% e 91%, exigindo o uso temporário de usinas térmicas fósseis para garantir a estabilidade do sistema. Com a recuperação das condições hidrológicas, o país voltou a superar 95% de geração limpa e anunciou planos para adicionar mais de 600 MW em novos projetos renováveis nos próximos anos, buscando atender ao crescimento da demanda sem ampliar a dependência de combustíveis fósseis. (Canal Solar - 02.03.2026)
Espanha: Projeto de H2V garante conexão à rede e prevê investimento de € 1 bilhão
A empresa espanhola Moeve, controlada pela Mubadala Investment Company e pela Carlyle Group, anunciou a decisão final de investimento para a construção de um projeto de hidrogênio verde na região da Andaluzia, no sul da Espanha. A primeira fase terá 300 MW de capacidade instalada, com possibilidade de expansão adicional de 100 MW, condicionada à disponibilidade da rede elétrica e à aprovação do conselho da companhia. O investimento previsto supera 1 bilhão de euros e inclui infraestrutura associada e uma usina fotovoltaica destinada ao autoconsumo. O projeto integra a lista de Projetos de Interesse Comum da Comissão Europeia e receberá subsídio de 304 milhões de euros do governo espanhol. Com a recente garantia de conexão à rede elétrica, a primeira etapa deverá produzir cerca de 45 mil toneladas de hidrogênio verde por ano. (Megawhat - 02.03.2026)
GESEL: Fontes distintas não devem competir juntas nos leilões de energia, diz Nivalde de Castro
Criados em 2004 após a crise elétrica, os leilões federais de energia passaram a ser questionados diante das mudanças na matriz e da expansão do mercado livre e da geração solar, que elevaram os custos para consumidores residenciais. Com excesso de oferta em alguns períodos e a futura migração desses consumidores para o mercado livre a partir de 2028, especialistas defendem o fim dos leilões de energia nova e divergem sobre os de reserva de capacidade, discutindo se diferentes fontes devem competir entre si ou ser contratadas separadamente. Segundo Nivalde de Castro, professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL), é inviável colocar fontes diferentes para competir juntas nos leilões de capacidade, pois cada uma possui características técnicas e estruturas de custos distintas, o que exige contratações específicas para garantir uma matriz diversificada e segura. Ele destaca que as termelétricas, além de atenderem picos de demanda em períodos curtos, também conseguem gerar energia em momentos de seca ou baixa incidência solar, assegurando fornecimento contínuo ao sistema independentemente das condições climáticas. Acesse a matéria na íntegra aqui. (Folha de São Paulo – 01.03.2026)
IEA: Alerta para fragmentação geopolítica e caminhos divergentes na política energética global
A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) avalia que a fragmentação da ordem política global tem ampliado divergências na política energética, com países adotando trajetórias distintas para eletrificação e clima. O diretor-executivo Fatih Birol afirmou que, enquanto China e Europa avançam na eletrificação, os Estados Unidos recuam de compromissos climáticos sob Donald Trump, incluindo a revogação de decisão que sustentava a autoridade da EPA para regular emissões e a saída do Acordo de Paris e da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima. Na Europa, metas também vêm sendo suavizadas, com diluição do objetivo de redução de emissões para 2040 e flexibilizações sobre o fim de motores a combustão até 2035. Birol acrescentou que, sob políticas atuais, novas projeções indicam demanda por petróleo e gás em alta por 25 anos. A IEA busca construir consenso em minerais críticos, defendendo diversificação e redução de dependência da China. O tema ocorre em meio a movimento de adesão de novos membros, com Colômbia e Índia citadas e Brasil associado ao início de processo. (Folha de São Paulo – 28.02.2026)
IRENA e OLACI: Lançamento de plataforma para atração de projetos de SAF
A descarbonização da aviação global ganhou novo impulso com o lançamento do Finvest@ETAF, iniciativa desenvolvida pela Agência Internacional de Energia Renovável em cooperação com a Organização da Aviação Civil Internacional para facilitar o financiamento de projetos de Combustível de Aviação Sustentável (SAF). O mecanismo busca enfrentar o principal obstáculo à expansão da tecnologia: o acesso a capital. Responsável por cerca de 2% a 3% das emissões globais de dióxido de carbono, o setor aéreo enfrenta desafios estruturais para reduzir seu impacto climático, especialmente diante da expectativa de crescimento do tráfego aéreo nas próximas décadas. Projetos de SAF apresentam riscos adicionais em relação a outras energias renováveis, como altos custos de investimento, incertezas de demanda, exigências de certificação e necessidade de contratos de fornecimento e compra antecipada. Nesse contexto, o Finvest@ETAF pretende transformar propostas técnicas em projetos financiáveis, conectando desenvolvedores a financiamento, assistência técnica e instrumentos de mitigação de risco. A iniciativa também se articula com mecanismos internacionais como o CORSIA – Esquema de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional, reforçando a integração entre políticas climáticas, estruturação financeira e desenvolvimento da indústria de combustíveis sustentáveis para a aviação. (Cenário Energia - 02.03.2026)
Moody's: Mineração e data centers puxarão demanda por eletricidade na América Latina
A demanda por eletricidade na América Latina deverá crescer cerca de 2,8% até o início de 2027, segundo estimativa da Moody’s. O avanço será impulsionado principalmente pela expansão das atividades de mineração em Chile e Peru, além de novos investimentos em data centers em países como Brasil, México e Argentina. Outros fatores apontados incluem o crescimento do consumo industrial, a eletrificação do transporte e o aumento do uso de ar-condicionado na região. O estudo também indica que a redução das taxas de juros tende a melhorar o acesso do setor de infraestrutura aos mercados de dívida, facilitando o financiamento e a gestão de encargos financeiros pelas empresas. (Megawhat - 02.03.2026)
MME: Lançamento do guia 2026 para atrair investimentos em minerais críticos
O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou a edição 2026 do Guia do Investidor para Minerais Críticos, com informações sobre ambiente macroeconômico, infraestrutura, instrumentos de apoio e arcabouço regulatório para exploração e transformação mineral. Disponível em português e inglês, o documento detalha procedimentos para obtenção de direitos minerários e licenciamento ambiental, buscando ampliar previsibilidade e segurança jurídica. O Brasil detém a maior reserva mundial de nióbio e está entre os principais detentores de grafita, terras raras, níquel, manganês, bauxita e lítio, insumos estratégicos para baterias, painéis solares, aerogeradores e motores elétricos. A iniciativa visa consolidar o país como destino relevante na cadeia global de minerais críticos. (Brasil Energia – 03.03.2026)
PwC: Risco climático influencia 37% das empresas de energia no Brasil
O recorte de energia e utilities da 29ª Global CEO Survey da PwC indica que o setor no Brasil vive reinvenção, com 50% dos CEOs entrando em novos mercados nos últimos cinco anos, em linha com a média nacional. A pesquisa aponta avanço na incorporação do risco climático, ainda concentrada em poucos processos, mas acima das médias: 37% das empresas já têm procedimentos para risco climático no design de produtos (vs 25% no Brasil e 24% global) e 27% integram o tema em fusões e aquisições (M&A) e na cadeia de suprimentos. Em contrapartida, a inovação enfrenta barreiras culturais: só 3% testam ideias rapidamente com clientes (vs 28% na média nacional) e 23% colaboram com parceiros externos (vs 36%). Ainda, globalmente, 57% dos CEOs esperam aceleração e 13% desaceleração; no Brasil, 23% já preveem desaceleração, e a confiança na receita fica em 33%, abaixo da média nacional. Entre as principais ameaças para 12 meses, os CEOs citam instabilidade macroeconômica (33%), disrupção tecnológica (27%) e escassez de talentos (23%); mudanças climáticas aparecem mais fortes no setor (23%) do que nas médias Brasil (18%) e global (13%). Já riscos geopolíticos e cibernéticos têm menor peso, e apenas 17% relatam preocupações de stakeholders sobre segurança e uso responsável de IA, enquanto a média nacional é 48%. (Brasil Energia – 27.02.2026)
Rede PP&S: Desmatamento elevou custo da energia em até US$ 1,1 bilhão ao ano no Brasil
O desmatamento da Amazônia encarece estruturalmente a eletricidade no Brasil ao reduzir a formação e o transporte de umidade pelos “rios voadores”, afetando chuvas em bacias que sustentam hidrelétricas como Belo Monte e Itaipu e forçando maior despacho térmico, mais caro e emissor. Pesquisa da Rede de Pesquisa em Produtividade & Sustentabilidade (Rede PP&S), baseada em dados do MapBiomas desde 1985 combinados a modelos atmosféricos, bacias hidrográficas e localização de usinas, estima que, se o corte da floresta tivesse sido evitado e a área pudesse ser reflorestada, as perdas ao consumidor poderiam chegar a até US$ 1,1 bilhão por ano. De 1985 para cá, 845 mil km² foram desmatados. O estudo aponta heterogeneidade territorial: áreas no arco do desmatamento, incluindo territórios indígenas, concentram maior valor hidrológico; apenas o Parque Indígena do Xingu é estimado em cerca de US$ 5 bilhões em energia hidrelétrica. (Valor Econômico - 02.03.2026)
União Europeia: Comissão propõe lei para estimular demanda por tecnologias limpas
A Comissão Europeia apresentou proposta de regulamento para impulsionar a demanda por tecnologias de baixo carbono produzidas na União Europeia, a chamada Lei do Acelerador Industrial (IAA). A iniciativa responde à concorrência chinesa, que domina segmentos como painéis fotovoltaicos e carros elétricos e avança também em eletrolisadores para hidrogênio renovável. O texto ainda precisa passar por Parlamento e Conselho para entrar em vigor e prevê requisitos para compras públicas e subsídios em setores como aço, cimento, alumínio e automóveis, além de tecnologias de emissões líquidas zero, com possibilidade de expansão para outras indústrias de alta intensidade energética, como a química. A lógica é condicionar parte do financiamento público à produção local, exigindo, por exemplo, que fabricantes de carros elétricos participantes de licitações assegurem montagem e fabricação de 70% dos componentes (excluída a bateria) no bloco; no aço, não há conteúdo local, mas há meta de ser 25% menos intensivo em carbono. A Comissão cita que a manufatura representou 14,3% do PIB em 2024 e fixa a ambição de elevar a participação industrial para 20% até 2035, buscando resiliência e cadeias de valor estratégicas. (Agência Eixos – 04.03.2026)
Geração Distribuída
Aneel: Agência cobra 51 distribuidoras sobre irregularidades em sistemas de MMGD
A Aneel cobrou 51 distribuidoras sobre irregularidades em seus sistemas de Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), destacando a importância de garantir o cumprimento das normas regulatórias e a transparência nos processos de conexão e compensação de energia gerada por consumidores em regime de geração distribuída. O órgão regulador identificou falhas que afetam a qualidade dos serviços prestados aos consumidores, como dificuldades no processo de registro, demora no cumprimento de prazos e falhas no cálculo de créditos de energia elétrica. A Aneel enfatizou que as distribuidoras devem implementar as correções necessárias para garantir a integridade do sistema de compensação, promovendo uma transição eficiente e sem entraves para um modelo energético cada vez mais descentralizado, em que os consumidores se tornam geradores e consumidores ao mesmo tempo. Essa medida reforça o papel da agência em assegurar que as distribuidoras cumpram sua função regulatória e que os consumidores que optam pela geração distribuída não sejam penalizados por falhas administrativas ou operacionais. (Agência CanalEnergia - 28.02.2026)
Chaberton Energy: Conclusão de 33 projetos de GD nos EUA e na Itália
A Chaberton Energy, desenvolvedora de energia distribuída, comemorou seu sexto aniversário anunciando a conclusão do desenvolvimento de 33 projetos que somam mais de 125 MW de capacidade (principalmente solar comunitária e armazenamento em baterias) nos Estados Unidos e na Itália, em empreendimentos típicos de 2 a 10 MW voltados a fornecer energia local e mais acessível a diversas comunidades. A empresa afirma que esse marco faz parte de um portfólio maior com mais de 100 projetos sob controle local, totalizando mais de 500 MWdc, além de uma carteira em desenvolvimento acima de 1 GW; em 2025, destacou a conclusão mecânica de seis projetos de solar comunitária (17 MW) em Delaware e Maryland. (Yahoo Finance - 03.03.2026)
COGECOM: Cooperativa de energia se consolida como maior marca de GD
A cooperativa de energia COGECOM, fundada em 2017 como a primeira do tipo no Brasil, anunciou ter alcançado 432 MW em contratos, consolidando-se como a maior marca de geração distribuída (GD) do país, com atuação em oito estados e administração de cerca de 70 GWh/mês de consumo. Seu crescimento é impulsionado pelo modelo de geração compartilhada por créditos de energia (principalmente de usinas solares parceiras), que permite aos cooperados reduzir a conta de luz via compensação na fatura, e resultou em alta de 40% em 2025, com projeção de +20% no primeiro semestre de 2026. Apesar do avanço, a cooperativa aponta entraves regulatórios e operacionais ligados à capacidade tecnológica e aos processos das distribuidoras para integrar novos projetos à rede, citando melhorias em algumas concessionárias como COPEL e CELESC. (Cenário Energia - 05.03.2026)
Fundação Seade: Estado de SP lidera o ranking de GD nacional
A geração de energia por painéis solares é um dos principais motores do avanço da geração distribuída (GD), modalidade em que o próprio consumidor produz eletricidade a partir de fonte renovável e pode transformar o excedente em créditos abatidos na conta de luz, trazendo benefícios como maior segurança no fornecimento, estímulo a fontes limpas e redução de perdas na transmissão. Com base em dados da Fundação Seade (a partir de informações da Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel), o texto destaca que a capacidade de GD no Brasil superou 43 GW em setembro de 2025, com São Paulo na liderança do ranking nacional; no Estado, entre 2018 e 2025, a capacidade saltou de 70 MW para mais de 6 GW, enquanto o número de sistemas instalados passou de 9 mil para 631 mil unidades consumidoras. (Jornal USP - 04.03.2026)
MetrôBH: Avanço no projeto fotovoltaico de 2,65 MW em MG
O MetrôBH avança na implantação de uma usina solar própria em Belo Horizonte, com a instalação de 1.966 painéis fotovoltaicos no Pátio de Manutenção São Gabriel. O projeto integra um plano mais amplo que prevê cerca de 7 mil módulos solares e potência instalada de 2,65 MW, com investimento de R$ 16 milhões. A energia gerada será destinada ao abastecimento das operações do próprio sistema metroviário, incluindo maquinários, iluminação, trens e estruturas de manutenção. Atualmente, o metrô já conta com geração solar na Estação Santa Inês, equipada com 144 painéis capazes de suprir integralmente a demanda energética da unidade. Quando concluído, o sistema deverá evitar a emissão de cerca de 469 toneladas de CO₂ por ano e poderá superar a capacidade da usina solar do Estádio Mineirão, instalada em 2014 pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que possui potência de 1,42 MW. (Canal Solar - 05.03.2026)
Armazenamento de Energia
Artigo de Fernando Caneppele: "Armazenamento de Energia: O Pilar de Estabilidade para as Redes de Nova Geração"
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, Fernando Caneppele (professor da USP e pesquisdor associado ao GESEL/UFRJ) trata do papel estratégico dos sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) para garantir estabilidade e confiabilidade ao Sistema Interligado Nacional diante da crescente participação de fontes renováveis intermitentes, como eólica e solar. O autor argumenta que o armazenamento se tornou essencial para equilibrar o trilema energético — segurança, sustentabilidade e modicidade tarifária — ao permitir deslocamento de carga, oferta de serviços ancilares e resposta rápida às variações de geração. Destaca também os desafios técnicos de integração desses sistemas, que exigem modelagem avançada, gestão térmica e estudos elétricos detalhados, além do avanço regulatório no Brasil que passou a remunerar serviços de capacidade e confiabilidade, abrindo espaço para novos modelos de negócio como as non-wires alternatives. Por fim, enfatiza a importância da pesquisa aplicada e do desenvolvimento tecnológico nacional para que o país consolide soberania técnica e viabilize uma transição energética estável e economicamente eficiente. (GESEL-IE-UFRJ – 04.03.2026)
Powersafe: Baterias integradas à energia solar podem ter payback de 2 anos
A Powersafe afirma que sistemas de armazenamento integrados à geração solar já podem ter payback de até dois anos no Brasil, com base em projetos em operação, impulsionados pela queda de custos das baterias de íon-lítio (especialmente LFP), aumento das tarifas e maior demanda por confiabilidade. A empresa cita projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), indicando retorno de cerca de 6 anos (residencial) e 5 anos (comercial) considerando baterias a R$ 3.000/kWh, mas diz que, com custos atuais por volta de R$ 2.000/kWh, o payback pode cair para 2 a 4 anos. Segundo André Ribeiro, gerente de operações e renováveis, em perfis com foco em autoconsumo, redução de picos e mitigação de perdas por interrupções, há casos com retorno em 24 meses. O executivo aponta que quem já tem solar tende a adotar baterias para fazer time shift, elevar autoconsumo e reduzir custos de demanda (peak shaving). A companhia também destaca o ganho de resiliência como fator decisivo, sobretudo para varejo, serviços e pequenas indústrias, e projeta aceleração do mercado até 2026 com maior integração de baterias desde o desenho dos projetos solares. (Brasil Energia – 26.02.2026)
Veículos Elétricos
ABVE: Brasil ultrapassa 21 mil pontos de recarga de VEs
O Brasil já tem mais de 21 mil pontos de recarga de carros elétricos, aponta levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) em parceria com a plataforma Tupi. O número aponta crescimento de 24,7% ante a última atualização da base, em agosto passado. O número representa ainda uma expansão de 42% em relação a fevereiro de 2025. Enquanto carregadores lentos tiveram crescimento de 17,6%, passando a 14.582, estações rápidas saltaram de 2.430 para 6.479. A mudança de perfil reflete principalmente, de acordo com a ABVE, uma queda nos custos de equipamentos e uma aposta estratégica dos operadores em corredores rodoviários e frotas corporativas. Além disso, segundo a ABVE, o Brasil tem frota circulante de 394.773 veículos plug-in, o que resulta em uma média de 18,7 carros por eletroposto. Nesse cenário, o ambiente regulatório surge como um acelerador e o avanço da infraestrutura deixou de ser um fenômeno exclusivo das capitais. O país já tem, de acordo com o levantamento, eletropostos em 1.649 municípios, um crescimento de 21% em um ano, com uma divisão regional evidente, mas progressiva. Por fim, os dados de 2026 demonstram que a mobilidade elétrica doméstica está mudando de patamar. (Estadão – 03.03.2026)
ABVE: VEs crescem 92% e já chegam a 14% do mercado no Brasil
O mercado brasileiro de veículos eletrificados somou 24.885 emplacamentos em fevereiro de 2026, avanço de 92% sobre as 12.988 unidades de igual mês de 2025 e de 5% ante janeiro, segundo a ABVE. Com isso, BEV, PHEV, HEV e HEV Flex passaram a responder por 14% das vendas totais de automóveis e comerciais leves, ante 7% um ano antes. No primeiro bimestre, o volume atingiu 48.591 unidades, 90% acima do registrado em 2025, e a entidade projeta mais de 280 mil eletrificados vendidos no ano, superando o recorde de 224 mil de 2025. Os elétricos puros lideraram entre as tecnologias, com 8.703 unidades e 35% do total, seguidos pelos híbridos plug-in, com 8.393. Os modelos com recarga externa já representam 69% das vendas do segmento, reforçando o avanço da eletrificação plug-in no país. (Inside EVs – 05.03.2026)
BYD: Desenvolvimento de bateria de recarga ultrarrápida
A BYD apresentou a segunda geração da Blade Battery, tecnologia que promete reduzir significativamente o tempo de recarga de veículos elétricos. Segundo a fabricante, a nova bateria pode elevar o nível de carga de 10% para 70% em cerca de cinco minutos e atingir até 97% em aproximadamente nove minutos, aproximando o tempo de recarga da experiência de abastecimento de veículos a combustão. A inovação integra uma estratégia mais ampla que combina melhorias na arquitetura da bateria, baseada em células de fosfato de ferro-lítio (LFP), com o desenvolvimento de carregadores ultrarrápidos de até 1,5 MW e a expansão da infraestrutura de recarga. As melhorias estruturais ampliam a densidade energética, a eficiência térmica e a capacidade de receber altas potências de carregamento, além de manter características de segurança e durabilidade associadas ao design original da tecnologia. (Inside EVs - 05.03.2026)
ICCT: Estudo aponta que nem todo híbrido reduz emissões no Brasil
Estudo do International Council on Clean Transportation (ICCT), com base nos critérios do Programa MOVER, indica que diferentes tecnologias de eletrificação apresentam impactos ambientais bastante distintos no Brasil. Veículos 100% elétricos registram cerca de 13 g de CO₂ equivalente por quilômetro no ciclo “poço à roda”, resultado associado à alta eficiência dos motores elétricos e ao perfil relativamente menos intensivo em carbono da matriz elétrica brasileira, estabelecendo um patamar significativamente inferior de emissões. Entre os híbridos, os resultados variam conforme o sistema e o combustível utilizado. Híbridos plug-in apresentam cerca de 74 g CO₂e/km e podem reduzir emissões em torno de 28% em relação aos modelos flex convencionais, embora o desempenho dependa da frequência de recarga e do uso do modo elétrico. Já híbridos convencionais flex registram aproximadamente 78 g CO₂e/km, enquanto versões apenas a gasolina se aproximam de veículos tradicionais. Nos híbridos leves, as emissões são mais elevadas, chegando a 177 g CO₂e/km em modelos a gasolina e 228 g CO₂e/km em versões a diesel, indicando que os ganhos ambientais da eletrificação parcial dependem do tipo de tecnologia, do combustível e do padrão de uso. (Inside EVs - 28.02.2026)
LCA Consultores: Híbridos devem liderar eletrificação no Brasil, com 17,4 milhões de veículos leves até 2040
A eletrificação da frota de carros brasileira deve acelerar de forma significativa nas próximas décadas, mas exigirá uma conta bilionária em infraestrutura para sair do papel. Estudo divulgado pelo Instituto MBCBrasil e elaborado pela LCA Consultores projeta que o número de veículos eletrificados no país pode crescer 44 vezes até 2040. Segundo o levantamento, os modelos híbridos devem liderar essa expansão, representando 72% da frota eletrificada ao fim do período. No segmento de veículos leves, a eletrificação pode alcançar 17,4 milhões de unidades. Entretanto, esse avanço depende de forte expansão da rede de recarga. Segundo o estudo, sua estimativa é que o país necessitará de cerca de 807 mil novos pontos de recarga entre 2025 e 2040 para consolidar seu futuro protagonismo. Hoje, a infraestrutura ainda é vista como um dos principais gargalos. O próprio relatório aponta que redes de recarga rápida no país, no quesito longa distância, são quase inexistentes. Por fim, o estudo destaca a tendência de um crescimento multissetorial intensivo e uma necessidade de avanços regulatórios. (CNNBrasil – 27.02.2026)
Eficiência Energética
Artigo de Emerson Ferreira: "Eficiência energética ajuda no resgate da dignidade humana"
Em artigo publicado pela Folha de São Paulo, Emerson Ferreira (fundador do Reflexões da Liberdade) trata da ineficiência econômica e social do sistema prisional brasileiro, que consome elevados recursos públicos sem promover reintegração social, e propõe um modelo que une sustentabilidade, capacitação profissional e redução de custos. O autor defende a instalação de usinas solares em presídios, aproveitando a infraestrutura existente para gerar economia de energia ao Estado e direcionar esses recursos para a formação técnica de detentos, egressos e familiares na área de energia solar. Segundo ele, iniciativas como o projeto “Reflexões da Liberdade” mostram que integrar transição energética e políticas penais pode reduzir a reincidência criminal, promover inclusão produtiva e transformar o sistema carcerário de um centro de gastos em um investimento em desenvolvimento humano e social. (GESEL-IE-UFRJ – 04.03.2026)
Cemig: Investimento de R$ 1,1 bilhão em eficiência energética e modernização da infraestrutura em MG
Em Minas Gerais, a Cemig vem ampliando o protagonismo da eficiência energética como estratégia de modernização do setor elétrico, com mais de R$ 1,1 bilhão investidos em projetos que vão de escolas e hospitais a iluminação pública, motores elétricos e ações em comunidades de baixa renda, destacando resultados no contexto do Dia Mundial da Eficiência Energética (5 de março). Entre as frentes, o Cemig nas Escolas combina educação para consumo consciente com a troca de iluminação por LED em mais de 3.200 escolas; o Cemig nos Hospitais moderniza iluminação e equipamentos e inclui implantação de usinas solares fotovoltaicas para reduzir custos operacionais; o Minas LED já substituiu mais de 130 mil luminárias públicas e prevê modernizar mais 219 mil pontos em cerca de 500 municípios, enquanto o Prédios do Amanhã incentiva prefeituras a trocar iluminação e ar-condicionado obsoletos. (Cenário Energia - 05.03.2026)
Energisa: Ações de eficiência energética na PB
Os campi da Universidade Federal de Campina Grande em Patos e Sumé receberão melhorias na infraestrutura elétrica entre julho e agosto, com a substituição de luminárias externas por modelos mais modernos e eficientes. As intervenções visam aumentar a eficiência energética, reduzir o consumo de eletricidade e ampliar a segurança da comunidade acadêmica nas áreas externas das unidades. Os investimentos, de cerca de R$ 408 mil — R$ 204 mil destinados a cada campus — foram viabilizados por meio da aprovação de projetos submetidos à chamada pública da Energisa no âmbito do Programa de Eficiência Energética. A iniciativa representa a terceira aprovação da universidade no programa e contribui para a redução de custos operacionais e para o avanço de práticas institucionais alinhadas à sustentabilidade. (Paraíba Online - 01.03.2026)
EUA: Willdan expande programas de eficiência energética
A Willdan Group anunciou que foi selecionada pela Puget Sound Energy (PSE), maior concessionária privada de eletricidade e gás do estado de Washington, para implementar programas de eficiência energética voltados a telecomunicações e novas construções multifamiliares, além de ampliar um programa comercial com tecnologias não relacionadas à iluminação. No escopo, a Willdan oferecerá assistência técnica, soluções de eficiência, suporte de software e outros serviços profissionais, incluindo ferramentas para ajudar clientes a cumprir o Clean Buildings Performance Standard de Washington, com o objetivo de fortalecer o engajamento dos consumidores e enfrentar desafios de carga de pico, melhorar a resiliência da rede e atender exigências regulatórias. A escolha também reforça uma parceria já existente entre as empresas, que dura 14 anos. (Investing - 04.03.2026)
Neoenergia: Ações de eficiência energética na BA
A Neoenergia Coelba e a Prefeitura de Salvador assinaram, em 03/03/2026, dois Termos de Cooperação para integrar políticas de sustentabilidade, reciclagem e eficiência energética na capital baiana: o primeiro conecta os programas Vale Luz (da Coelba) e Recicla Capital, permitindo que moradores convertam pontos obtidos com a entrega de resíduos recicláveis em desconto direto na conta de energia, ampliando os incentivos à coleta seletiva e fortalecendo a economia circular. O segundo termo estende o Vale Luz Empresa a prédios da Administração Pública Municipal, possibilitando que resíduos gerados por órgãos municipais sejam coletados e transformados em créditos para abatimento nas faturas de eletricidade, reduzindo custos operacionais e reforçando compromissos ambientais da gestão. (Neoenergia - 03.03.2026)
Porto Rico: Investimento de US$ 30 milhões em ações de eficiência energética
Porto Rico vai direcionar US$ 30 milhões para ações de eficiência energética e resposta à demanda por meio do primeiro plano trienal apresentado pela Luma Energy (operadora de transmissão e distribuição), que será executado de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2028. O roteiro se apoia em um plano de transição anterior que teria economizado mais de 33.000 MWh nos últimos 20 meses e projeta, já nos primeiros 12 meses, economias de 36.500 MWh, conforme documento enviado ao regulador local, o PREB. A Luma estima 37.562 participantes no primeiro período, majoritariamente residenciais (22.628) e baixa renda (12.996), além de 1.938 do segmento comercial, industrial e governamental, e o plano também prevê uma revisão do programa de compartilhamento de energia de baterias de clientes. (Bnamericas - 05.03.2026)
Microrredes e VPP
Austrália: Desenvolvimento de sistemas de gestão de energia com IA para desbloquear o potencial de VPPs
Pesquisadoras(es) da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW) vão colaborar com a instaladora Aussie Solar Batteries (ASB) Group, de Sydney, para projetar, desenvolver e testar plataformas de gestão de energia baseadas em inteligência artificial (IA) capazes de otimizar sistemas solares e de baterias em condições reais, com foco em aumentar a estabilidade da rede, reduzir custos e maximizar o valor de ativos de energia distribuída. O projeto trabalha com previsão, gestão da demanda, algoritmos de otimização e gêmeos digitais para coordenar melhor recursos energéticos distribuídos e viabilizar a implantação mais eficiente de usinas virtuais de energia (VPP) em redes solares residenciais e comerciais. A iniciativa, chamada “Centro de Energia Inteligente com IA para Implantação de VPP”, integra o programa Trailblazer for Recycling and Clean Energy (TRaCE) — financiado pelo governo australiano e liderado pela UNSW em parceria com a Universidade de Newcastle — e deve durar até o fim de 2026, buscando acelerar a comercialização, com a ASB destacando que os benefícios da tecnologia devem ser retidos na Austrália. (PV Magazine - 05.03.2026)
EPE e Itaipu Parquetec: Publicação de Roadmap de Microrredes para Sistemas Isolados
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou, em parceria com o Itaipu Parquetec, o “Roadmap de Microrredes para Sistemas Isolados no Brasil”, voltado a avaliar como microrredes podem ser aplicadas em sistemas isolados a partir de análises técnicas, econômicas, regulatórias e socioambientais. O estudo busca subsidiar o planejamento energético e políticas públicas para elevar a confiabilidade, reduzir custos e aumentar a eficiência do suprimento nessas localidades. O documento também define microrredes como arranjos que integram cargas e recursos energéticos distribuídos capazes de operar de forma coordenada, conectados à rede ou em modo ilhado, e discute arquiteturas, estratégias de controle, classificações, desafios e benefícios, além de referências de políticas internacionais e experiências na América Latina e no Brasil. Acesse o estudo aqui. (EPE - 26.02.2026)
EUA: Vistra anuncia incorporação de baterias ao programa de VPP do Texas
A Vistra anunciou que está ampliando seu programa residencial de Usinas Virtuais de Energia (VPP) no Texas para incluir as baterias IQ da Enphase Energy: pelo Battery Rewards (oferecido pela TXU Energy, principal marca varejista da Vistra), clientes elegíveis podem receber incentivos financeiros ao exportar energia armazenada em suas baterias para a rede texana durante períodos de alta demanda, ajudando a reduzir picos e reforçar a confiabilidade do sistema com recursos energéticos distribuídos. A empresa destaca que, diante do rápido crescimento da demanda no Texas, soluções do lado da demanda ganham importância por viabilizarem atendimento adicional com a infraestrutura existente. (Solar Power World Online - 05.03.2025)
Huawei e Aggreko: Instalação de microrredes solares com baterias no AM
Huawei e Aggreko fecharam parceria para instalar microrredes com usinas solares e sistemas de armazenamento por baterias (BESS) em 24 localidades do Amazonas, mirando reduzir o uso de termelétricas a diesel em sistemas isolados. O plano prevê 110 MWp em solar e 120 MWh em baterias, com investimentos de R$ 850 milhões, R$ 510 milhões via fundo criado após a privatização da então Eletrobras e o restante pela Aggreko, que comprará as baterias da Huawei. A operação manterá térmicas como lastro, porém com menor acionamento, devido a exigências contratuais e à variabilidade climática na região. A implantação começa em 2026, dura até três anos e pode ter primeiras entradas em 2027 e 2028, com potencial de cortar 37 milhões de litros/ano de diesel e 104 mil tCO₂e/ano, aliviando a CCC. (Folha de São Paulo – 02.03.2026)
Tecnologias e Soluções Digitais
Ascenty: Energia é o principal gargalo para avanço de data centers no Brasil
A Ascenty aponta a energia como principal gargalo para o avanço de data centers, observação que reflete um problema estrutural do Brasil na interseção entre transformação digital e infraestrutura elétrica: a demanda por capacidade de TI cresce rapidamente, mas a disponibilidade de energia firme, conexão em alta tensão e prazos de atendimento de rede nem sempre acompanham a velocidade de contratação e implantação de novas cargas; data centers exigem fornecimento contínuo, elevada confiabilidade, redundância e, cada vez mais, energia renovável rastreável para atender compromissos de descarbonização de clientes globais, o que pressiona não apenas a geração, mas também transmissão e distribuição, sobretudo em polos urbanos e regiões com concentração industrial; nesse cenário, gargalos se manifestam como limitações de conexão, necessidade de reforços de rede, custos de demanda e entraves regulatórios, além de riscos de cronograma que podem inviabilizar contratos; a discussão também se conecta à agenda de políticas públicas como regimes tributários e incentivos setoriais (citados no clipping), que podem acelerar investimentos — mas, se a infraestrutura elétrica não responder, o benefício econômico pode ficar travado; do ponto de vista do sistema, a expansão de data centers introduz uma nova classe de carga “crítica”, com perfil de consumo alto e contínuo, o que muda a dinâmica local de planejamento e pode exigir soluções como geração dedicada, PPAs de longo prazo, armazenamento em baterias para mitigação de ponta e participação em programas de resposta da demanda; em síntese, a notícia evidencia que a economia digital depende de energia como insumo estratégico, e que a competitividade do Brasil para atrair grandes projetos de data center passa por acelerar conexão, reforços de rede e mecanismos regulatórios/contratuais que deem previsibilidade ao suprimento com qualidade e rastreabilidade. (MegaWhat - 26.02.2026)
Axia Energia: Criação da primeira Neocloud da América Latina para aplicações de IA
A Axia Energia desenvolveu, em parceria com o Cepel, a primeira Neocloud da América Latina, infraestrutura dedicada ao processamento avançado de inteligência artificial baseada em clusters de GPUs de alto desempenho. Instalada no Rio de Janeiro, a estrutura iniciou operação com 32 GPUs NVIDIA H200 e deverá alcançar 96 unidades até o final de março, capacidade equivalente ao processamento de aproximadamente 10 mil a 15 mil notebooks pessoais. O ambiente computacional permitirá o treinamento de modelos de IA de alta complexidade e o refinamento de algoritmos especializados, ampliando aplicações em modelagem numérica, computação científica de alto desempenho e análises avançadas para o setor elétrico. O projeto foi iniciado em maio de 2025 por meio de um programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) regulado pela Aneel, com foco inicial em ampliar a capacidade de processamento para modelos meteorológicos utilizados na operação energética. A iniciativa também integra o programa Eletro.IA da companhia e poderá apoiar universidades, centros de pesquisa e startups, além de contribuir para projetos estratégicos como o Rio AI City. (Brasil Energia – 04.03.2026)
Curso GESEL “Programa de PDI da ANEEL – Da concepção da ideia a viabilização do produto”
Em um contexto marcado pela atualização da regulamentação do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) da ANEEL e pelo aumento das dificuldades no enquadramento de propostas às exigências específicas do setor elétrico, o GESEL oferece um curso objetivo e prático, voltado à capacitação de equipes técnicas de concessionárias. O treinamento aborda de forma aprofundada a regulamentação vigente (RN nº 1.045/2022) e o mapeamento das vertentes tecnológicas atualmente mais valorizadas, além de apresentar estratégias eficazes de engajamento para empresas de geração, transmissão e distribuição. Com base em metodologias consagradas de Gestão de Projetos (PMI e Ágil), o curso orienta a estruturação de propostas robustas, capazes de atender às exigências da agência reguladora e maximizar as chances de aprovação e principalmente a geração de valor a partir do resultado do projeto. O início do curso está previsto para o dia 28 de abril de 2026, sempre às terças e quintas-feiras, das 19h às 21h. Serão 10 aulas de 2h, totalizando assim 20h de carga horária total. Mais informações aqui. Inscreva-se já: https://forms.gle/rhiNw47J2HMn5HuH6 (GESEL-IE-UFRJ – 04.03.2026)
Digitalização acelera adoção de ADMS, DERMS e IA nas distribuidoras
A digitalização, impulsionada pela transição energética e pela expansão da geração distribuída, está pressionando e redefinindo o modelo de negócio das concessionárias, especialmente distribuidoras. Segundo especialistas, esse processo acelera a adoção de sistemas avançados como ADMS (gestão da distribuição), já presentes na maioria dos grandes grupos, e DERMS (gestão de recursos distribuídos), ainda em avaliação por empresas mais inovadoras. A implantação por grandes fornecedores globais tem criado demanda por um modelo complementar, no qual empresas locais assumem serviços de engenharia, configuração e implementação de lógicas específicas não previstas nos contratos originais, além de suporte rotineiro, já que os fornecedores de software nem sempre têm estrutura no Brasil para atender o dia a dia. Destaca-se também o uso de IA para lidar com o volume de dados e acelerar a resposta operacional, argumento reforçado pela necessidade de decisões em segundos diante da intermitência das renováveis. Outro vetor é a digitalização da infraestrutura física, com modernização de subestações via fibra óptica e sensores, alterando custos e operação; nesse ponto, estima-se redução média de 20% a 25% no custo de implantação, sobretudo pela eliminação de cabos de cobre. (Brasil Energia – 03.03.2026)
Energisa: Adoção de ADMS na PB
A rede elétrica da Paraíba passará a contar com o sistema ADMS (Advanced Distribution Management System), uma plataforma avançada de gestão de redes que integra os sistemas técnicos da distribuidora e amplia o uso de automação na operação do sistema elétrico. A implantação faz parte do plano de investimentos da Energisa para o estado, que prevê mais de R$ 530 milhões em aportes ao longo de 2026, com foco na modernização da infraestrutura e na melhoria da qualidade do serviço. Considerada referência internacional no setor, a tecnologia permite maior agilidade e precisão nas operações do Centro de Operação Integrado, incluindo automação de manobras na rede, despacho inteligente de equipes e otimização de processos operacionais. Na prática, o sistema contribui para reduzir o tempo de resposta a falhas e minimizar os impactos de eventuais interrupções no fornecimento de energia aos consumidores. (Paraíba Online - 03.03.2026)
Segurança Cibernética
EUA: DOE disponibiliza financiamento para centro de segurança cibernética
O Centro de Energia Cibernética da Universidade de Pittsburgh recebeu financiamento de Fase Dois do Departamento de Energia dos EUA (DOE) para avançar pesquisas e ações voltadas à cibersegurança de infraestruturas energéticas críticas, tema considerado urgente porque ataques ao setor podem afetar não só a rede elétrica, mas também segurança pública, estabilidade econômica e impactos ambientais. Criado em 2024 com um aporte inicial de US$ 2,2 milhões do DOE, o Centro reúne especialistas de engenharia, computação, energia, direito e políticas públicas para desenvolver soluções testadas em laboratório, entender barreiras à adoção de medidas de segurança e formar mão de obra qualificada. (SPIA - 03.03.2026)