IFE Diário 6.404
Mercado Livre de Energia Elétrica
Aneel investiga causas da crise de liquidez no mercado livre e avalia reforço regulatório
A Aneel avalia diferentes fatores que podem estar associados à crise de liquidez no mercado livre de energia, entre eles cortes de geração renovável, avanço da micro e minigeração distribuída, seca no Sul, revisão de parâmetros de aversão a risco e possível comportamento mais conservador ou oportunista de geradores. O diretor-geral Sandoval Feitosa afirmou que ainda não há conclusão sobre abuso de mercado, mas a agência pediu informações para entender se houve mudança no padrão de oferta de energia por empresas como Axia e Copel. A reguladora também analisa impactos da judicialização, da confiança entre agentes e da exigência de garantias maiores em contratos. Entre as medidas em discussão estão o monitoramento prudencial, regras de entrada, permanência e saída de comercializadoras, possível redução da contabilização mensal para semanal ou diária e aprimoramentos ligados ao Open Energy, ao PLD máximo e mínimo e à dupla contabilização. (Agência CanalEnergia - 04.05.2026)
BBCE registra alta em contratos mensais de 2026
Os preços de energia na BBCE voltaram a subir nos contratos mensais com entrega em 2026, em meio ao cenário de maior volatilidade no mercado livre. O contrato de maio avançou 15,71% e liderou as negociações, enquanto junho teve alta de 2,45% na semana. Embora os contratos mensais tenham concentrado os principais movimentos de preço, os produtos anuais e de spread responderam pelos maiores volumes energéticos e financeiros no período. Esse comportamento indica que, apesar das oscilações de curto prazo, os agentes seguem utilizando instrumentos de prazos mais longos para estratégias de hedge e gestão de portfólio. A dinâmica ocorre em um contexto de preocupação com liquidez, exposição de comercializadoras, impactos do curtailment sobre geradores renováveis e maior cautela na negociação de energia, fatores que têm aumentado a percepção de risco no ambiente de contratação livre. (Agência CanalEnergia - 04.05.2026)
Regulação
Ação da Enel contra diretor da Aneel será remetida à Justiça Federal
A Justiça do Distrito Federal rejeitou ação da Enel Brasil e de suas distribuidoras contra o diretor da Aneel, Fernando Mosna, por entender que não cabe responsabilização pessoal por atos praticados no exercício da função pública. O processo, que pedia indenização de R$ 607,8 mil, será remetido à Justiça Federal, conforme entendimento de que a União ou a autarquia devem responder por eventuais danos. O juiz também negou sigilo ao caso, reforçando o princípio da publicidade em processos regulatórios. Paralelamente, Mosna foi designado relator de recurso da Enel São Paulo contra processo que pode levar à caducidade de sua concessão. A decisão reforça o entendimento jurídico sobre a atuação institucional de agentes reguladores. (CNN Brasil – 04.05.2026)
TCU valida sigilo de 100 anos sobre declaração de conflito de interesses de Alexandre Silveira
O Tribunal de Contas da União considerou improcedente representação do Ministério Público contra a restrição de acesso à Declaração de Conflito de Interesses do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. A decisão da Comissão Mista de Reavaliação de Informações da Presidência da República impede o acesso integral ao documento por 100 anos. O plenário do TCU concluiu que a restrição está amparada em normas relativas a sigilos fiscal e bancário e à proteção de dados pessoais sensíveis, sem indícios de irregularidade em ato de gestão sujeito ao controle externo. A representação havia sido apresentada pelo subprocurador-geral Paulo Soares Bugarin, do Ministério Público junto ao TCU, que alegava possível violação aos princípios da publicidade e da moralidade. A CMRI, presidida pela Casa Civil e composta por dez ministérios, atua como última instância recursal em negativas de acesso à informação no Executivo federal. (Agência CanalEnergia - 04.05.2026)
Aneel avalia revisão do Proinfa para reduzir custo em R$ 978,8 mi em 2026
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) iniciou a tramitação de uma revisão das cotas de custeio do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), que pode reduzir em R$ 978,8 milhões o custo repassado aos consumidores no Brasil em 2026. A mudança decorre da prorrogação de contratos de compra e venda de energia do programa, viabilizada pelo Decreto 12.834/2026, que estabeleceu novas condições comerciais e preços menores para a energia contratada, especialmente de PCHs e eólicas. Segundo a ENBPar, responsável pela gestão dos contratos, 83 usinas formalizaram a prorrogação até 31 de março. O custo anual estimado dos contratos prorrogados cairia de R$ 3,698 bilhões para R$ 2,966 bilhões, enquanto os contratos sem prorrogação teriam redução de R$ 246,3 milhões. A revisão ainda depende de análise da Conta Proinfa e foi distribuída ao diretor Willamy Frota. (Megawhat - 04.05.2026)
Aneel pede apuração contra Enel SP por recusa de dados
O diretor da Aneel Fernando Mosna solicitou à área técnica da agência a apuração da conduta da Enel SP por recusa em prestar informações sobre evento climático ocorrido em setembro de 2025, episódio que pode resultar em multa de R$ 27,5 milhões. Segundo memorando do diretor, a distribuidora foi acionada em 24 de setembro para esclarecer seu desempenho operacional, mas alegou que Mosna não teria competência para requisitar os dados, sustentando que eventual diligência deveria partir da área técnica ou do relator do processo. Para Mosna, a postura ultrapassa uma divergência jurídica e pode configurar descumprimento de deveres regulatórios e contratuais de colaboração com a fiscalização. Em outra frente, a Justiça do Distrito Federal entendeu que a empresa não poderia processar o diretor pessoalmente por atos praticados no exercício de sua função na Aneel, remetendo o caso à Justiça Federal. (Valor Econômico - 04.05.2026)
Transição Energética
Projeto cria fundo de R$ 5 bi e Conselho Especial para classificar projetos estratégicos
O relatório do Projeto de Lei 2780/24, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, propõe ampliar o controle público sobre a exploração desses recursos, criar incentivos fiscais e restringir a exportação de minerais brutos, com foco na agregação de valor no país. O texto prevê créditos fiscais de até 20%, limitados a R$ 1 bilhão anuais entre 2030 e 2034, conforme o nível de beneficiamento local, além da criação de um fundo garantidor de até R$ 5 bilhões, com participação da União de até R$ 2 bilhões. Também institui o Conselho Especial de Minerais Críticos, responsável por classificar projetos e avaliar operações estratégicas, incluindo fusões e entrada de capital estrangeiro. O projeto exige investimentos mínimos em P&D de 0,3% da receita, elevando para 0,5% após seis anos, e busca fortalecer cadeias ligadas à transição energética, como lítio e terras raras. (Agência Câmara – 04.05.2026)
Conselho poderá vetar negócios em minerais críticos
O deputado Arnaldo Jardim, relator do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, afirmou que o Conselho de Minerais Críticos e Estratégicos poderá vetar fusões e aquisições no setor mineral com base em soberania nacional e interesse público. A análise será caso a caso e poderá abranger operações que resultem em transferência de controle, acesso a informações geológicas estratégicas ou participação relevante de empresas estrangeiras em direitos minerários. Jardim afirmou que modelos semelhantes existem em países como Estados Unidos, Canadá e Chile, e destacou que projetos já em andamento serão preservados para garantir segurança jurídica. O conselho também terá atribuições como definir diretrizes, priorizar projetos, articular políticas públicas, fomentar parcerias internacionais, promover qualificação de mão de obra e ampliar o mapeamento geológico em conjunto com a CPRM. (Agência Eixos - 04.05.2026)
USGS aponta potencial de lítio nos Apalaches
Um estudo do Serviço Geológico dos Estados Unidos indica que a região dos Apalaches pode conter 2,3 milhões de toneladas de lítio ainda não descoberto e economicamente viável, volume suficiente para suprir o atual déficit anual dos EUA por 127 anos, nas taxas de consumo de 2025. O mineral é estratégico para baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia, cuja demanda global pode crescer mais de 48 vezes até 2040, segundo a IEA. A estimativa inclui 1,43 milhão de toneladas métricas de óxido de lítio nos Apalaches do Sul, concentradas nas Carolinas, e 900 mil toneladas nos Apalaches do Norte, no Maine e em New Hampshire. A viabilização depende de licenciamento ambiental, condições econômicas e desenvolvimento de mineração, em contexto de dependência importadora superior a 50% desde 2024. (Brasil Energia – 04.05.2026)
Empresas
Axia vende fatias em transmissão por R$ 451,5 mi
A Axia Energia, antiga Eletrobras, anunciou a venda de participações minoritárias de 49% em quatro sociedades de transmissão ao Grupo Energía Bogotá, por meio da Gebbras Participações, por R$ 451,5 milhões. A compradora já detinha os 51% restantes e passará a controlar integralmente Goiás Transmissão, MGE Transmissão, Transenergia Renovável e Transenergia São Paulo. As empresas somam 1.086 quilômetros de linhas de transmissão, com ativos localizados em Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, e prazos de concessão entre 2039 e 2040. Segundo a Axia, o desinvestimento está alinhado ao plano estratégico de otimizar participações minoritárias, simplificar a estrutura societária e manter disciplina de capital. A conclusão da operação ainda depende de condicionantes e ajustes usuais de mercado. (Agência Eixos - 04.05.2026)
Sabesp e Aegea avaliam participação na Copasa
A Sabesp contratou o Bradesco para estruturar uma possível oferta pela Copasa, estatal de saneamento de Minas Gerais, cujo processo de privatização prevê venda de 45% do capital via follow-on. Um investidor de referência deverá adquirir 30% da empresa, com exigência de histórico mínimo de R$ 6,3 bilhões em investimentos em infraestrutura. A operação busca atrair capital para a universalização do saneamento e reduzir a dívida estadual. A Aegea também avalia participação. O processo inclui análise de requisitos pela B3 e posterior definição do preço por ação. A Copasa atende 637 municípios, sendo responsável também por serviços de esgoto em 308 cidades. (O Globo – 04.05.2026)
ISA Energia lucra R$ 357,7 mi no 1º tri 2026
A ISA Energia Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 357,7 milhões, alta anual de 6%, impulsionada pela entrada em operação de novos projetos de transmissão. A companhia passou a receber R$ 330 milhões em Receita Anual Permitida com ativos recém-energizados, como dois dos três lotes do Projeto Piraquê, que soma 938 km de linhas em Minas Gerais e Espírito Santo, e o Projeto Jacarandá, em Guarulhos. A receita líquida chegou a R$ 1,2 bilhão, avanço de 8,3%, enquanto o Ebitda somou R$ 1 bilhão, alta de 10,6%. Desconsiderando o efeito da RBSE, a receita operacional líquida cresceu 24%. A empresa investiu R$ 1,2 bilhão no trimestre, sendo 70% em projetos greenfield, e encerrou março com alavancagem de 3,72 vezes dívida líquida/Ebitda, dentro da estratégia financeira da transmissora. (Valor Econômico - 04.05.2026)
Taesa amplia RAP com energização de subestação
A Taesa energizou a subestação Açailândia, no projeto Tangará, após liberação do ONS, e passará a adicionar cerca de R$ 23 milhões à Receita Anual Permitida no ciclo 2025-2026, valor acrescido de PIS/Cofins e equivalente a 21,3% da RAP total do empreendimento. Os efeitos são retroativos ao período entre 10 e 13 de abril de 2026. Com a nova etapa, a RAP habilitada do projeto sobe de aproximadamente R$ 35,1 milhões para R$ 58,2 milhões, o que representa 53,8% da receita total do ativo. A entrega parcial ocorreu cerca de 23 meses antes do prazo regulatório definido pela Aneel, previsto para março de 2028. O Tangará integra o lote 3 do leilão nº 02/2022, realizado em dezembro de 2022, e pertence integralmente à Taesa. O empreendimento tem RAP total estimada em R$ 108,3 milhões, Capex regulatório de R$ 1,1 bilhão e 279 km de extensão no Maranhão e Pará, sendo 72 km em circuito duplo. (Agência CanalEnergia - 05.05.2026)
Copel entra em índice global de sustentabilidade
A Copel passou a integrar o Índice Dow Jones Best-in-Class, da Bolsa de Valores de Nova York, referência internacional em desempenho de sustentabilidade corporativa. A carteira reúne empresas com padrões elevados de gestão sustentável em seus segmentos, a partir da Corporate Sustainability Assessment, avaliação que considera temas como gestão de riscos, impacto ambiental, enfrentamento das mudanças climáticas, eficiência operacional, ética, governança e desempenho social. A companhia afirma ter fortalecido sua agenda ESG desde 2021, com a implementação do Plano de Neutralidade de Carbono e desinvestimentos voltados à descarbonização. Em 2024, alcançou a meta de geração de energia 100% renovável. No campo da governança, concluiu em 2025 a migração para o Novo Mercado da B3, alinhando-se a práticas mais exigentes do mercado. (Brasil Energia – 04.05.2026)
Elera publica relatório de sustentabilidade de 2025
A Elera Renováveis publicou o Relatório de Sustentabilidade 2025, reunindo resultados socioambientais, operacionais e financeiros da companhia. No campo operacional, a empresa destaca a ampliação do uso de inteligência artificial, análise preditiva, drones e automação, ferramentas aplicadas à eficiência e ao acompanhamento de ativos. A agenda socioambiental contemplou 32 projetos conduzidos principalmente por meio do Programa Elera Socioambiental, modelo de investimento social privado que passou a operar em três eixos estratégicos: Biodiversidade e Clima, Desenvolvimento Econômico Inclusivo e Educação para o Futuro. O documento segue as diretrizes da Global Reporting Initiative, incorpora indicadores SASB, está alinhado à Agenda 2030 da ONU e passou por asseguração independente, reforçando a governança do reporte ESG da companhia. (Brasil Energia – 04.05.2026)
Eletronuclear troca comando interino e financeiro
A Eletronuclear informou que Raphael Ehlers dos Santos assumiu interinamente a presidência da companhia em 1º de maio, acumulando o cargo com a Diretoria Técnica. A mudança ocorre após o desligamento de Alexandre Caporal, que ocupava a presidência interina. Na nova composição administrativa, Gustavo Loureiro Chagas, oriundo da Axia Energia, passa a responder pela Diretoria Financeira, enquanto as demais diretorias permanecem inalteradas. Engenheiro mecânico e servidor público federal de carreira do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Ehlers soma mais de 20 anos de experiência no setor energético. Chagas é economista, mestre na área, e tem mais de 15 anos de atuação no setor elétrico, com passagens por empresas de transmissão e pela Eletrobras, atual Axia Energia, onde exercia a função de gerente executivo. (Brasil Energia – 04.05.2026)
Jirau Energia anuncia Diego Collet como presidente
A Jirau Energia anunciou Diego Collet como novo diretor-presidente da companhia, com início da gestão em 1º de maio de 2026. Ele substituirá Edson Silva, que deixa o cargo após sete anos à frente da empresa. Engenheiro mecânico, Collet acumula 23 anos de experiência no setor elétrico e assume com a missão de manter a excelência operacional, fortalecer a agenda de sustentabilidade e consolidar boas práticas em saúde, segurança e gestão de pessoas. Desde que ingressou na Jirau Energia, em 2021, liderou projetos de infraestrutura e operação, incluindo a implantação de sistemas de proteção das casas de força da usina e melhorias logísticas, como o alteamento de trechos da BR-364. Sua carreira começou em 2003, na UTE Charqueadas, da Engie Brasil Energia. Depois, atuou na operação das UHEs Itá, Machadinho e Passo Fundo e gerenciou a Regional do Rio Uruguai antes de assumir a Diretoria de Operação da Jirau. (Agência CanalEnergia - 04.05.2026)
Indústria brasileira de equipamentos elétricos pode atender demanda interna
A indústria brasileira de equipamentos elétricos possui capacidade para atender à demanda interna, mas enfrenta crescente pressão da cadeia global de suprimentos, segundo a Hitachi Energy. O aumento da demanda internacional, impulsionado principalmente por Estados Unidos e Europa, tem gerado desequilíbrio entre oferta e demanda, elevando prazos e intensificando a competição por insumos. Apesar disso, o planejamento de projetos no Brasil, com prazos entre 42 e 60 meses, ainda é considerado viável. Para mitigar o cenário, fabricantes têm ampliado investimentos, como o plano de US$ 270 milhões da Hitachi, que inclui expansão de fábricas e nova unidade em São Paulo até 2028. Ainda assim, a expectativa é de manutenção da pressão por cinco a sete anos, refletindo limitações estruturais globais na cadeia produtiva. (CNN Brasil – 04.05.2026)
Oferta e Demanda de Energia Elétrica
ONS e EPE definem critérios para acesso competitivo à rede de transmissão
ONS e EPE divulgaram nota técnica com critérios para cálculo da capacidade remanescente do Sistema Interligado Nacional, documento que orienta a 1ª Temporada de Acesso ao Sistema de Transmissão e marca a transição para um modelo competitivo de conexão à rede. A capacidade disponível será apurada por estudos elétricos que consideram cenários de carga e geração, restrições operativas, limites de confiabilidade e critérios de segurança e desempenho, com o objetivo de evitar sobrecargas e violações técnicas. A medida integra a Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão, criada pelo Decreto nº 12.772/2025, que substitui a lógica de fila por janelas periódicas. A Portaria MME nº 129/2026 regulamenta a primeira temporada, de junho a outubro de 2026, para projetos de consumo e geração com entrada entre 2027 e 2031. O cadastramento ocorrerá entre 1º e 15 de junho. (Agência CanalEnergia - 04.05.2026)
PDE 2035 destaca rede DIT de São Paulo
O PDE 2035 indica que a entrada de grandes cargas no SIN deve alterar a dinâmica das Demais Instalações de Transmissão, especialmente na rede de subtransmissão de São Paulo, sob concessão da Isa Energia. Segundo a EPE, as DITs têm tensão inferior à rede básica, mas podem cumprir função semelhante ao integrar fontes de geração e grandes cargas de consumidores livres. A preparação da infraestrutura paulista para atender cargas especiais, como data centers, envolve estudos contínuos, com análises previstas para agosto e para o fim do ano. Entre as soluções recomendadas está a instalação de compensadores SSSC, da tecnologia FACTS, em série com a linha de 138 kV entre Poços de Caldas e São João da Boa Vista II, gargalo para distribuidoras. A EPE avalia que a tecnologia pode ser implantada em prazo inferior ao de obras convencionais e apoiar futuras aplicações no SIN. (Brasil Energia – 04.05.2026)
ONS projeta melhora das afluências no Norte
O Programa Mensal de Operação para a semana de 2 a 8 de maio aponta melhora na projeção de Energia Natural Afluente no Norte, de 79% para 86% da Média de Longo Termo ao fim de maio. Nas demais regiões, as estimativas indicam 79% da MLT no Sul, 76% no Sudeste/Centro-Oeste e 56% no Nordeste. A Energia Armazenada prevista é de 97,7% no Norte, 93,4% no Nordeste, 66,4% no Sudeste/Centro-Oeste, que concentra 70% dos reservatórios do país, e 42,6% no Sul. O ONS avalia que os indicadores estão estáveis e afirma seguir otimizando os recursos disponíveis para preservar a segurança do SIN. A carga deve crescer 4,4% em maio de 2026 ante maio de 2025, para 82.095 MWmed. O CMO está equalizado em R$ 312,74 no Sul e Sudeste/Centro-Oeste, em R$ 289,25 no Norte e zerado no Nordeste. (Brasil Energia – 04.05.2026)
Tensões no Oriente Médio elevam risco de desabastecimento e pressionam mercado global de energia
A redução dos estoques globais de energia, intensificada pelas tensões no Oriente Médio e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, está elevando o risco de desabastecimento e pressionando preços, segundo a Chevron. O CEO Mike Wirth destacou que cerca de 20% da oferta mundial de energia passa pela região, afetando especialmente Europa e Ásia. A empresa já reduziu produção no Kuwait e na Arábia Saudita por limitações logísticas e excesso de estoques locais, além de cortar produção petroquímica. O impacto financeiro recente é estimado em US$ 3 bilhões. Apesar disso, a Chevron projeta aumento de produção global entre 7% e 10% neste ano, acima do crescimento da demanda de cerca de 2%. O cenário indica maior volatilidade e risco estrutural no equilíbrio entre oferta e demanda global. (CNN Brasil – 05.05.2026)
ONS libera maioria das manutenções no início do período seco, mas alerta para riscos climáticos
O ONS aprovou em maio, início do período seco, grande volume de manutenções em unidades geradoras de usinas, principalmente hidrelétricas. Das 142 solicitações apresentadas por 28 agentes, 92 foram liberadas sem restrições, 19 ficaram condicionadas a análise mais próxima da data de início e 31 foram reprogramadas, em sua maioria para feriados ou fins de semana. A concentração ocorre porque maio costuma marcar o início do armazenamento em melhor condição nos reservatórios e a queda de temperaturas reduz a pressão da carga sobre o parque gerador. Ainda assim, a seca no Sul e a expectativa de El Niño severo, com temperatura do Pacífico Equatorial até dois graus Celsius acima do normal, exigem cautela. Entre os ajustes, o ONS recomendou antecipar obra na UG 1 da UHE Amador Aguiar II para conclusão em setembro. (Brasil Energia – 04.05.2026)
Mobilidade Elétrica
Fuga térmica e reações químicas dificultam combate a incêndios em veículos elétricos
Estudos e especialistas indicam que incêndios em veículos elétricos são significativamente menos frequentes do que em modelos a combustão, com cerca de 25 casos a cada 100 mil veículos, contra aproximadamente 1.500 nos convencionais. No entanto, quando ocorrem, apresentam maior complexidade devido ao fenômeno de fuga térmica das baterias, que gera reações químicas autoalimentadas e dificulta o combate. As principais causas incluem danos físicos, falhas no carregamento e defeitos internos. O controle exige grande volume de água, podendo ultrapassar 4 mil litros, além de monitoramento prolongado. Apesar da percepção de maior risco, especialistas destacam avanços nos sistemas de gerenciamento e segurança, que reduzem a probabilidade de falhas. A tendência é de maior padronização e evolução tecnológica, com riscos cada vez mais controlados, especialmente com uso adequado dos veículos. (Estadão – 05.05.2026)
Tesla enfrenta resistência regulatória ao FSD na União Europeia
A Tesla enfrenta ceticismo de reguladores europeus sobre o sistema Full Self-Driving supervisionado, apesar da expectativa de Elon Musk de obter aprovação ampla na União Europeia. O regulador holandês RDW aprovou a tecnologia em abril e busca aval do bloco, mas e-mails de autoridades da Holanda, Suécia, Finlândia, Dinamarca e Noruega revelam preocupações sobre excesso de velocidade, uso em estradas com gelo, distração de motoristas e possível interpretação enganosa do nome do sistema. A Tesla cobra assinatura mensal pelo FSD, que conduz em determinadas condições, mas exige atenção permanente do motorista. A aprovação é estratégica para recuperar participação de mercado na Europa, onde as vendas caíram 27% em 2025. O aval exigirá apoio de membros que representem 55% dos países da UE e 65% da população do bloco. Reguladores ainda aguardam documentação técnica antes de decidir. (Valor Econômico - 05.05.2026)
Inovação Tecnológica
Data centers devem triplicar no Brasil e pressionar energia
A expansão da inteligência artificial está elevando a escala dos data centers no Brasil, com projetos que antes tinham cerca de 20 MW dando lugar a empreendimentos acima de 100 MW e investimentos bilionários. A Brasscom projeta que o mercado brasileiro triplicará até 2031, somando US$ 92 bilhões em aportes e ampliando a capacidade de 1 GW para 3,1 GW. O país tem 204 unidades, mas ainda processa 60% de seus dados no exterior, o que gerou déficit de US$ 7,9 bilhões em serviços de computação em 2025. A demanda também pressiona o sistema elétrico: o ONS já tem 38 pedidos aprovados de conexão direta à transmissão e 37 em análise. Empresas como Omnia, Equinix, Odata, Elea, Tecto e Terranova anunciam projetos de grande porte, enquanto o setor defende o Redata para reduzir impostos sobre equipamentos e aumentar a competitividade nacional. (Valor Econômico - 30.04.2026)
Hangar recebe projetos em energia e saúde
O Hangar, programa da PUCRS voltado a apoiar cientistas na transformação de soluções de laboratório em negócios, abriu inscrições para a edição de 2026, com foco nas áreas de energia e saúde. Pesquisadores de todo o Brasil poderão se candidatar, individualmente ou em grupo, desde que tenham projetos, iniciativas ou oportunidades de negócio baseados em evidências científicas e titulação mínima de mestrado em andamento. As inscrições ficam abertas até 13 de maio. Os selecionados participarão, de 20 de maio a 8 de julho, de uma trilha com conteúdos sobre inovação de base científica, deep techs, propriedade intelectual, fomento, investimento e temas setoriais. A programação inclui mentorias individuais, contato com investidores e conexão com estruturas de pesquisa e negócios. (Brasil Energia – 04.05.2026)
Energias Renováveis
Aneel revoga 2,1 GW em projetos solares a pedido de empresas
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) revogou, a pedido dos empreendedores, 2.105,2 MW em projetos solares fotovoltaicos no Brasil, distribuídos por estados como Piauí, Minas Gerais, Tocantins, Rio Grande do Norte e Pernambuco. As solicitações foram justificadas por fatores como avanço do curtailment, falta de capacidade de escoamento na rede, custos crescentes de conexão, exigências de garantias e insegurança regulatória. Entre os pedidos, Enel Brasil e Enel Green Power desistiram de 540,2 MW em Brejo do Piauí, no Piauí, enquanto EDF Power Solutions, CEI Solar e Citlux somaram mais de 1 GW em revogações em Minas Gerais. Também houve desistências do Complexo Fotovoltaico Califórnia, no Tocantins, da Graúna Geradora, no Rio Grande do Norte, e da Alpek Polyester Brasil, em Pernambuco. A Aneel ainda negou autorização para 180 MW de projetos da Helíades no Rio Grande do Norte por falta de licenciamento ambiental válido. (Megawhat - 04.05.2026)
Meta assina PPA solar de 250 MW com EDP nos EUA
A Meta assinou contrato de compra de energia de longo prazo com a EDP Renewables North America para o projeto solar Cypress Knee, localizado no Arkansas, nos Estados Unidos. O empreendimento terá 250 MW de capacidade instalada e conclusão prevista para 2028. Este é o terceiro acordo entre Meta e EDP no mercado norte-americano, elevando para 545 MW a capacidade total contratada entre as empresas. O CEO da EDP, Miguel Stilwell d’Andrade, afirmou que parcerias de longo prazo são fundamentais para acelerar a transição energética em escala global. A Meta informou que o contrato contribui para sua meta de consumir 100% de energia limpa e renovável. O acordo reforça a tendência de grandes empresas de tecnologia firmarem PPAs com projetos renováveis para atender ao crescimento da demanda por eletricidade, especialmente diante da expansão de data centers e serviços digitais intensivos em energia. (Agência Eixos - 04.05.2026)
Gás e Termelétricas
Produção de óleo e gás bate recorde no Brasil e supera 5,5 milhões de barris/dia em março
O Brasil registrou novo recorde na produção de óleo e gás em março de 2026, alcançando média diária de 5,531 milhões de barris de óleo equivalente, segundo a ANP. A produção de petróleo chegou a 4,247 milhões de barris por dia, alta de 4,6% frente a fevereiro e de 17,3% na comparação anual, enquanto o gás natural atingiu 204,11 milhões de m³/dia, com crescimento de 3,3% no mês e 23,3% em um ano. O pré-sal respondeu por 79,9% do total, com 4,421 milhões de barris equivalentes por dia, também recorde, operados por 184 poços. O campo de Búzios liderou a produção de petróleo com 886,43 mil barris/dia, enquanto Mero foi destaque no gás, com 42,06 milhões de m³/dia. Entre as unidades, o FPSO Almirante Tamandaré e o FPSO Guanabara lideraram em petróleo e gás, respectivamente. (Petronotícias – 04.05.2026)
Petrobras eleva produção de gás em 16,5%
A produção de gás natural da Petrobras cresceu 16,5% no primeiro trimestre de 2026, alcançando 613 mil barris de óleo equivalente por dia, ante 526 Mboed no mesmo período de 2025, segundo o relatório de produção e vendas divulgado pela estatal. Na oferta ao mercado, a entrega de gás nacional avançou 34,5% na comparação anual, para 39 milhões de m³/dia, e cresceu 8,3% frente ao quarto trimestre de 2025. De acordo com a companhia, o aumento decorre do menor número de paradas programadas e não programadas no período, o que reduziu a necessidade de importações. A compra de gás da Bolívia caiu 36,4% em relação ao primeiro trimestre de 2025, para 7 milhões de m³/dia, e recuou 22,2% na comparação trimestral. O desempenho reforça a ampliação da oferta doméstica em um momento de maior atenção à segurança energética e à integração entre gás e eletricidade. (Agência CanalEnergia - 04.05.2026)
Abegás alerta para possível novo reajuste de até 40% no preço do gás natural a partir de agosto
A Abegás alertou para a possibilidade de um novo reajuste de até 40% no preço do gás natural a partir de agosto, após aumento de 19,2% aplicado pela Petrobras em maio. A entidade atribui o cenário às tensões geopolíticas no Oriente Médio, que continuam impactando o mercado brasileiro, apesar da produção doméstica relevante, com mais de 65 milhões de m³/dia disponibilizados ao consumo interno. A associação defende revisão dos indexadores da molécula de gás para refletir melhor a realidade nacional e critica a falta de isonomia em relação a outros combustíveis. Destaca ainda que as tarifas são reguladas por agências estaduais e variam conforme o segmento de consumo, sendo repassadas integralmente pelas distribuidoras, sem margem adicional. O cenário reforça preocupações com competitividade industrial e segurança energética. (Petronotícias – 04.05.2026)
MME prorroga regra que inclui custos fixos no CVU de térmicas sem contrato
O Ministério de Minas e Energia (MME) prorrogou até abril de 2027 a vigência da portaria normativa que permite, de forma excepcional e temporária, a inclusão de custos fixos no Custo Variável Unitário (CVU) de usinas termelétricas sem contrato vigente no Brasil, desde que estejam disponíveis para despacho centralizado. A medida, antes válida até abril de 2026, busca ampliar a disponibilidade energética em situações de risco para o Sistema Interligado Nacional (SIN). A aplicação dependerá da aprovação dos valores pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e de eventual acionamento pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), com base em estudos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Pela Portaria Normativa nº 130, os agentes deverão informar custos fixos e variáveis e declarar o volume de geração necessário para recuperá-los. A Aneel definirá dois CVUs: um com custos fixos e variáveis, válido até o limite declarado, e outro apenas com custos variáveis. (Megawhat - 04.05.2026)
PPSA arrecada R$ 30,9 bi para a União em 2025
A PPSA encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 30,1 milhões e distribuirá R$ 28,6 milhões em dividendos à União, sua única acionista. O principal resultado da estatal, porém, foi a arrecadação destinada ao Tesouro Nacional, que somou R$ 30,9 bilhões no ano, valor superior à soma de toda a arrecadação acumulada desde sua criação até 2024. Do total, mais de R$ 20,5 bilhões vieram da comercialização de petróleo e gás natural, enquanto R$ 8,8 bilhões foram obtidos no inédito Leilão de Áreas Não Contratadas e em resultados ligados ao Acordo de Equalização de Gastos e Volumes da Jazida Compartilhada do Pré-Sal de Jubarte. Em 2025, a PPSA geriu 24 contratos de partilha, comercializou parcelas da União e representou o governo em acordos de individualização da produção. A empresa também realizou seu primeiro concurso público, com cem vagas, e firmou novo modelo de remuneração com o MME. (Agência CanalEnergia - 04.05.2026)
Chevron alerta para risco global de desabastecimento de energia
O CEO da Chevron, Mike Wirth, afirmou que estoques e reservas operacionais do sistema global de energia estão sendo consumidos em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz, ampliando a volatilidade de preços e os riscos de desabastecimento. Segundo o executivo, cerca de 20% da oferta mundial de energia passa pela rota, incluindo petróleo, GNL e derivados, com impacto especialmente relevante para Europa e Ásia. Wirth afirmou que os Estados Unidos, embora sejam o maior produtor global, não conseguem compensar integralmente a perda de oferta da região. A Chevron reduziu parte da produção no Kuwait e na Arábia Saudita por limitações logísticas e estoques cheios, além de cortar produção petroquímica local. Apesar de estimar impacto recente de US$ 3 bilhões, a companhia mantém plano de elevar a produção global entre 7% e 10% em 2026, acima da alta esperada de 2% na demanda. (Agência Eixos - 04.05.2026)