IFE Diário 6.387
Gás e Termelétricas
Artigo de Antonio Quirino: “Alta do Brent pressiona preço do gás e expõe limites do modelo brasileiro”
Em artigo publicado pela Agência Eixos, Antonio Quirino (CEO da GasHub) analisa os impactos da elevação recente do Brent sobre o mercado de gás natural no Brasil, destacando que a alta do petróleo deve provocar aumentos significativos no custo do gás, possivelmente superiores a 50%. O autor argumenta que esse repasse ocorre de forma defasada devido à estrutura contratual predominante no país, fortemente indexada ao petróleo e baseada em médias temporais que diluem variações abruptas. Ele explica que a maioria dos contratos segue reajustes trimestrais, retardando os efeitos da alta. O texto também aponta limitações do modelo brasileiro, como baixa liquidez e pouca eficiência na formação de preços, além da crescente relevância do mercado spot como alternativa de ajuste e gestão de risco. Por fim, conclui que a atual conjuntura expõe a necessidade de evolução estrutural do mercado, com maior flexibilidade e instrumentos mais sofisticados para lidar com a volatilidade internacional. (GESEL-IE-UFRJ – 06.04.2026)
Governo pede investigação sobre preços do gás após leilões com ágio elevado
O Ministério de Minas e Energia solicitou à Senacon investigação sobre possíveis práticas abusivas na comercialização de GLP após leilões com ágio superior a 100%. A medida busca evitar repasses elevados ao consumidor em meio à alta do petróleo provocada por tensões no Oriente Médio. O governo também monitora impactos sobre o programa Gás do Povo, que atende cerca de 15 milhões de famílias. A iniciativa ocorre em um contexto de reforço regulatório, com ampliação de infrações administrativas relacionadas a preços abusivos. O objetivo é aumentar a transparência e coibir distorções no mercado de combustíveis. (CNN Brasil - 02.04.2026)
Âmbar arrenda terminal de GNL da New Fortress em Santa Catarina
A Âmbar Energia, do grupo J&F, firmou contrato para arrendamento do Terminal Gás Sul, unidade de regaseificação da New Fortress Energy em Santa Catarina, em movimento que reforça sua estratégia de suprimento para o parque termelétrico. O acordo começa a vigorar em agosto de 2026 e, segundo a NFE, deverá contribuir para um Ebitda anual de US$ 50 milhões até 2027, ao transformar o ativo em fonte estável de geração de caixa. Para a New Fortress, a operação antecipa a monetização do terminal em meio à reestruturação de seus negócios no Brasil; para a Âmbar, amplia a diversificação do acesso a gás natural após a contratação, no LRCAP, de quatro térmicas a gás que somam 2 GW. O terminal também é ponto de suprimento da UTE Lins 2, projeto da própria NFE contratado no leilão para início de operação em 2031. O arrendamento ocorre em um contexto de reorganização societária da companhia americana, que separou os ativos brasileiros em uma plataforma independente, a BrazilCo, controlada por investidores institucionais globais e focada em GNL e geração de energia elétrica. (Agência Eixos – 02.04.2026)
Eletronuclear: Prejuízo de R$ 142 mi em 2025
A Eletronuclear encerrou 2025 com prejuízo de R$ 142,098 milhões, resultado atribuído principalmente a efeitos regulatórios e contábeis não gerenciáveis, sem relação, segundo a companhia, com piora operacional. O principal impacto veio do ajuste da Parcela A de combustível, de cerca de R$ 600 milhões, aplicado no reajuste tarifário de 2025 pela Aneel, o que reduziu em aproximadamente 13% a receita bruta, de R$ 4,8 bilhões em 2024 para R$ 4,2 bilhões em 2025. A empresa destacou que a queda estrutural dos custos operacionais e a receita financeira de cerca de R$ 400 milhões gerada pelo fundo de descomissionamento não compensaram integralmente os efeitos extraordinários. Entre os avanços estratégicos, a companhia citou o prosseguimento do projeto de extensão da vida útil de Angra 1, a expectativa de Angra 2 figurar entre as 10 maiores geradoras nucleares do mundo em 2025 e a atualização dos estudos técnico-econômicos de Angra 3. Também informou que a AGE aprovou em 31 de março a emissão de debêntures conversíveis para Angra 1, com perspectiva de desembolso inicial de R$ 1,3 bilhão ainda em abril de 2026. (Brasil Energia – 02.04.2026)
Constellation amplia carteira de contratos com Petrobras em US$ 1,1 bi
A Constellation Oil Services ampliou sua carteira de contratos em US$ 1,1 bilhão após renovar acordos com a Petrobras, elevando o backlog para cerca de US$ 2,8 bilhões até 2030, crescimento de 67%. As extensões envolvem três sondas, incluindo a Brava Star, com contrato até 2030 e adição de US$ 569 milhões. Os acordos garantem previsibilidade de receitas e continuidade operacional, com melhorias tecnológicas e monetização de recebíveis para neutralizar impactos no caixa. As unidades atuarão em águas ultraprofundas, apoiando o desenvolvimento do pré-sal, especialmente no campo de Búzios. (Petronotícias - 02.04.2026)
Mercado Livre de Energia Elétrica
Mercado livre exige gestão de risco mais sofisticada
A ampliação do mercado livre de energia e a evolução das regras setoriais estão elevando o grau de sofisticação exigido de consumidores e geradores, segundo avaliação de Felipe Gatti, gerente-executivo de energia da Minerva Foods. Para ele, o sinal econômico tornou-se central na tomada de decisão e obriga os agentes a compreenderem melhor sua exposição, calibrando onde assumir mais ou menos risco em um ambiente de contratos flexíveis, produtos mais complexos e maior volatilidade. Gatti destacou que uma gestão estruturada de energia passou a ser diferencial competitivo e apontou a autoprodução como alternativa robusta para grandes consumidores, por permitir maior controle de custos e menor exposição às oscilações do mercado, ainda que também envolva riscos próprios. O executivo afirmou que PPAs de longo prazo continuam atrativos quando bem estruturados, inclusive como forma de empilhar preços médios e dar mais saúde financeira ao portfólio. Na visão dele, a capacidade de administrar riscos com responsabilidade será determinante para transformar a crescente complexidade do mercado livre em oportunidade concreta para consumidores e geradores. (Agência CanalEnergia – 06.04.2026)
Axia aprova migração ao Novo Mercado e prepara saída da NYSE
A Axia informou que os acionistas aprovaram, em assembleia, as matérias necessárias para a migração ao Novo Mercado da B3, incluindo a conversão das ações preferenciais de classe A1 e B1 em ordinárias. O processo, iniciado em fevereiro, ainda depende de análise e deferimento pela bolsa, além de outras etapas societárias. Os detentores dissidentes de PNA1 e PNB1 que não aprovaram as conversões poderão exercer o direito de recesso até 4 de maio de 2026 e receber reembolso de aproximadamente R$ 40,62 por ação, calculado com base no valor patrimonial contábil, conforme a Lei das S.A. Após a definição do montante sujeito a reembolso, todas as ações preferenciais remanescentes serão convertidas em ordinárias. Em paralelo, o conselho da companhia aprovou o início dos procedimentos para deslistar seus American Depositary Receipts da New York Stock Exchange. Segundo a empresa, os ADRs representam apenas 2,5% da base acionária e a concentração da liquidez em um único mercado tende a racionalizar a negociação sem comprometer os avanços já alcançados em governança corporativa. (Agência CanalEnergia – 02.04.2026)
Heineken leva energia renovável do mercado livre ao MASP
A Heineken firmou parceria com o MASP para abastecer o edifício Pietro com energia de fontes renováveis contratada no mercado livre, em movimento que combina redução de custos, maior previsibilidade tarifária e reforço da agenda de sustentabilidade da instituição cultural. Com a migração, o museu passa a escolher seu fornecedor de energia e a priorizar contratos mais competitivos, o que amplia o controle sobre despesas energéticas em um contexto de volatilidade do setor elétrico. A iniciativa integra o Programa Heineken Energia Verde, que já conecta bares, restaurantes e consumidores a fontes renováveis e agora expande seu alcance para o setor cultural. Segundo a companhia, o programa faz parte da plataforma Green Your City, cuja meta é entregar 324.000 MWh de energia renovável até 2030. A reportagem ressalta que o mercado livre pode proporcionar economias de até 30% para grandes consumidores, tornando a adoção de energia limpa também uma decisão financeira. O acordo com o MASP reforça, assim, o avanço do mercado livre como instrumento de descarbonização e eficiência econômica para consumidores institucionais. (Agência CanalEnergia – 06.04.2026)
Regulação
Governo intensifica fiscalização contra preços abusivos de combustíveis no país
O Ministério de Minas e Energia reforçou a atuação do governo no combate a preços abusivos de combustíveis em meio à guerra no Oriente Médio, mobilizando força-tarefa com ANP, Cade, Polícia Federal, Procons e outros órgãos. Desde 9 de março, foram fiscalizados 5,3 mil postos e 322 distribuidoras, resultando em autos de infração contra 85 postos e 19 distribuidoras, com multas que podem chegar a R$ 500 milhões. O governo também mantém subvenção de R$ 0,32 por litro de diesel para conter repasses ao consumidor. A ação busca reduzir distorções na cadeia de comercialização e evitar que a volatilidade internacional seja usada para elevar margens indevidamente no mercado interno. (CNN Brasil - 04.04.2026)
Governo prepara subsídio ao diesel de até R$ 1,52 por litro para conter preços
O governo federal pretende editar medida provisória para ampliar a subvenção ao diesel, elevando o apoio total a até R$ 1,52 por litro com participação dos estados. A proposta prevê subsídio de R$ 1,20 por litro para diesel importado, dividido entre União e governos estaduais, com impacto fiscal estimado entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões. A iniciativa busca conter efeitos da alta do petróleo e reduzir pressões inflacionárias e riscos de paralisações no transporte. Distribuidoras ainda resistem ao programa devido à defasagem de preços e limites fixados pelo governo, que não cobrem custos de importação. A adesão estadual é majoritária, mas ainda há exceções, e ajustes nos preços máximos seguem em avaliação. (O Globo - 06.04.2026)
Aneel retoma análise de caducidade da Enel SP com tendência favorável
A Aneel retomou a análise do processo que pode resultar na recomendação de caducidade da concessão da Enel Distribuição São Paulo, com tendência de maioria favorável entre os diretores. A decisão final caberá ao Ministério de Minas e Energia, que sinaliza cautela diante do impacto fiscal e político, já que a medida pode gerar indenização estimada entre R$ 13 bilhões e R$ 14 bilhões. A concessionária atende 8,1 milhões de unidades consumidoras e acumula mais de R$ 320 milhões em multas desde 2018 por falhas no serviço. O processo ganhou força após apagão em 2024 que afetou mais de 3 milhões de consumidores. Há divergência interna na agência sobre a qualidade do serviço e expectativa de judicialização, enquanto autoridades locais pressionam pelo encerramento do contrato. (O Globo - 06.04.2026)
Enel contesta Aneel e eleva disputa sobre possível cassação de concessão
A Enel SP contestou o relatório técnico da Aneel que pode levar à cassação de sua concessão, alegando falhas metodológicas, uso de dados incorretos e mudanças de critérios durante o processo. A empresa afirma que houve prejuízo ao direito de defesa e que avanços operacionais recentes foram ignorados. A agência, por sua vez, aponta falhas reiteradas no serviço, mesmo após medidas corretivas. A concessão, válida até 2028, pode ser renovada por 30 anos, mas enfrenta pressão após apagões. O caso evidencia disputa regulatória e possível judicialização sobre critérios de avaliação de desempenho. (Estadão - 02.04.2026)
MME propõe novo modelo de preços para aumentar transparência no setor elétrico
O Ministério de Minas e Energia avançou na consulta pública sobre dupla contabilização e aprimoramento do modelo de formação de preços, com a proposta de adotar dois referenciais para valorar diferenças contratuais: um ex-ante, baseado em previsões de carga e geração, e outro ex-post, calculado a partir dos dados efetivamente realizados. Segundo Bianca Alencar, da Secretaria-Executiva do MME, a mudança representa evolução relevante do modelo atual, ao aumentar a precisão, a justiça na liquidação das diferenças e a transparência do mercado. A consulta pública 218 também discute a ampliação da hibridização da formação de preços, permitindo, por exemplo, que usinas renováveis ofertem quantidade e participem mais ativamente das previsões hoje centralizadas. A executiva afirmou que alterações legislativas recentes garantiram o respaldo jurídico para a proposta, mas reconheceu que o volume de contribuições ainda está abaixo do esperado. O objetivo do governo é estruturar mudanças que aumentem eficiência, previsibilidade e aderência do setor elétrico a melhores práticas internacionais. (Agência CanalEnergia – 02.04.2026)
ONS prepara modelo aberto de preços para ampliar transparência no setor elétrico
O ONS pretende lançar até janeiro de 2028 um modelo sombra aberto e colaborativo para formação de preços no mercado de energia, com a meta de elevar a transparência, a eficiência e a independência tecnológica no desenvolvimento de ferramentas críticas para o planejamento e a operação do sistema elétrico. A iniciativa, anunciada pelo diretor de Planejamento, Alexandre Zucarato, prevê maior abertura metodológica e participação ampla de agentes, acadêmicos e especialistas na evolução dos modelos. O projeto inclui a chamada primarização das ferramentas e busca construir, em ambiente de sombra, um substituto para o Decomp com código aberto para desenvolvimento em rede. Segundo Zucarato, o movimento combina inteligência científica para aprimorar os modelos existentes com uma etapa posterior de inteligência coletiva aplicada à formação de preços e ao despacho. A proposta sinaliza mudança estrutural no setor ao reduzir dependência de soluções fechadas e criar uma base mais transparente e colaborativa para decisões operacionais e de mercado. (Agência CanalEnergia – 02.04.2026)
Conta de luz sobe acima da inflação e pressiona custo de vida no país, aponta Abrace
A tarifa de energia elétrica residencial acumulou alta de 401,4% entre 2000 e 2024, superando a inflação de cerca de 340%, segundo a Abrace Energia, ampliando o peso da conta de luz no orçamento das famílias. Para 2026, a Aneel projeta aumento de 8%, acima da inflação estimada em 4,1%. O governo avalia medidas como empréstimos a distribuidoras para suavizar reajustes, mas especialistas alertam que isso apenas posterga custos, elevando tarifas futuras. O impacto se estende à economia, já que a energia encarece produtos e serviços, com consumo indireto quase dobrando o impacto sobre o custo de vida. O cenário reforça o debate sobre subsídios e estrutura tarifária no país. (O Globo - 06.04.2026)
Rui Costa deixa o Conselho de Itaipu
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exonerou, a pedido, Rui Costa dos Santos do cargo de conselheiro da Itaipu Binacional, conforme decreto publicado em 2 de abril no Diário Oficial da União. A saída passa a valer a partir da data da publicação do ato e ocorre no contexto da reorganização política ligada às eleições deste ano, uma vez que Rui Costa pretende disputar uma vaga ao Senado após deixar o comando da Casa Civil. O decreto foi assinado pelo presidente da República e pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. A movimentação sucede outras baixas recentes no colegiado da hidrelétrica, como as exonerações de Fernando Haddad e Gleide Andrade de Oliveira, também motivadas por pretensões eleitorais. A mudança altera a composição do conselho de uma das principais empresas do setor elétrico brasileiro em um momento de forte visibilidade institucional e regulatória, ainda que o texto publicado não detalhe substituições imediatas nem impactos sobre a gestão da binacional. (Agência CanalEnergia – 02.04.2026)
Pauta da 7ª Reunião Pública Ordinária da Diretoria de 2026
A pauta da 7ª Reunião Pública Ordinária da Diretoria da Aneel, convocada para 7 de abril de 2026, reúne 32 processos com temas centrais para a regulação do setor elétrico. Entre os destaques estão a proposta de abertura de consulta pública para aperfeiçoar o Edital do Leilão nº 4/2026 de transmissão, o resultado da Consulta Pública nº 39/2023 sobre armazenamento de energia elétrica, revisões e reajustes tarifários de distribuidoras como CPFL Santa Cruz, CEA, CPFL Paulista e Copel-DIS, além da definição de critério de rateio de recursos da CDE relacionados à repactuação de UBP. A diretoria também analisará recursos administrativos envolvendo termelétricas, PCHs, distribuidoras da Enel, transmissão, compensação por indisponibilidade, GD e autoprodução, bem como pedidos de reconsideração, anuências societárias e declarações de utilidade pública. Três processos foram retirados de pauta: os reajustes da Energisa Mato Grosso e Energisa Mato Grosso do Sul e recurso da Breitener Tambaqui sobre devolução à CCC. A agenda ainda inclui voto-vista sobre falhas e transgressões da Enel SP e deliberações sobre outorgas do Leilão nº 1/2025. Acesse a pauta aqui. (GESEL-IE-UFRJ – 06.04.2026)
Artigo de Marcos Madureira: “Por uma governança técnica e neutra do Setor Elétrico brasileiro”
Em artigo publicado no Brasil Energia, Marcos Madureira (CEO da Madureira Silva Consultant Services) argumenta que, apesar do avanço estrutural do setor elétrico brasileiro — marcado por alta cobertura, expansão da capacidade instalada e predominância de fontes renováveis —, há um crescente desequilíbrio entre a evolução técnica do sistema e seus resultados econômicos e operacionais. O autor pontua que, mesmo com uma matriz majoritariamente limpa e custos decrescentes das tecnologias renováveis, o sistema enfrenta aumento de riscos operacionais, dificuldades de gestão pelo ONS e ausência de redução nos preços ao consumidor. Essa aparente contradição decorre de distorções acumuladas ao longo do tempo, especialmente por meio de incentivos prolongados e ampliados a determinadas fontes e segmentos. Além disso, o texto expõe que as soluções adotadas, como expansão da transmissão e leilões de capacidade, acabam elevando os custos sistêmicos, enquanto os incentivos que originaram os problemas permanecem ativos, criando um ciclo de distorções e encarecimento para o consumidor. Esse quadro é agravado, ainda, pela fragmentação regulatória, evidenciada pelo grande número de projetos de lei que buscam atender interesses específicos. O artigo conclui que a superação desses desafios depende da retomada de uma governança técnica, neutra e coordenada no setor elétrico, capaz de alinhar incentivos, garantir equilíbrio sistêmico e assegurar eficiência econômica e operacional no longo prazo. (GESEL-IE-UFRJ – 06.04.2026)
Transição Energética
Petrobras limita transição energética a projetos de autoconsumo
A Petrobras informou que, neste momento, sua atuação em transição energética está concentrada em projetos de fontes renováveis destinados ao consumo próprio, diante do elevado custo e da difícil financiabilidade dos investimentos atualmente em carteira. Segundo a presidente Magda Chambriard, a estatal já implementa iniciativas de autoprodução solar em refinarias de São Paulo e Minas Gerais, com o objetivo de reduzir o uso de gás natural, cujo consumo interno ainda soma 10 milhões de m³ por dia. A executiva afirmou que, em Minas Gerais, a companhia poderá atingir autossuficiência energética e futuramente exportar energia para a rede. Chambriard defendeu uma transição pragmática e financeiramente responsável, citando casos de empresas que tiveram prejuízos com apostas malsucedidas em renováveis. Ao mesmo tempo, destacou o potencial de expansão do consumo de energia no Brasil, a relevância da Petrobras, responsável por 31% da energia primária do país, e o avanço na produção de gás natural, hoje em torno de 50 milhões de m³ por dia, com picos de 52 milhões. A estatal também contratou 2.235 MW em potência no LRCAP, com receita fixa anual estimada em cerca de R$ 4 bilhões. (Agência CanalEnergia – 02.04.2026)
BNDES financia planta de biometano da bp com foco em descarbonização
O BNDES aprovou financiamento de R$ 244,9 milhões para construção de planta de biometano da bp bioenergy em Goiás, com investimento total de R$ 275,8 milhões. A unidade terá capacidade de 67 mil m³ por dia e utilizará vinhaça da produção de etanol, promovendo economia circular. O projeto deve gerar cerca de 300 empregos e reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao diesel. O biometano será distribuído pela Ultragaz e contribuirá para a descarbonização dos setores industrial e de transportes, reforçando a expansão da matriz energética renovável no país. (CNN Brasil - 03.04.2026)
Goiás estrutura cadeia do biometano para abastecer ônibus
Goiás iniciou a implantação de uma estratégia integrada para viabilizar a produção, o transporte e o consumo de biometano no transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia. O plano prevê a incorporação de 501 ônibus a gás até 31 de dezembro de 2027, dos quais os cinco primeiros articulados já foram entregues no fim de março. Com autonomia superior a 400 km, os veículos poderão operar com GNV ou biometano e substituirão parte do diesel atualmente consumido no sistema. O projeto inclui a construção, em Guapó, da primeira usina de biometano em escala comercial do estado, com investimento de R$ 140 milhões e capacidade inicial de 30 mil m³/dia, suficiente para abastecer cerca de 100 ônibus por dia. Também está prevista a implantação do primeiro gasoduto goiano, conectando a planta aos pontos de abastecimento, incluindo o Bioposto Leste, no Terminal Novo Mundo. A iniciativa busca ainda monetizar o potencial estadual de biogás, estimado em 2,2 bilhões de m³ por ano, dos quais apenas 1,9% são hoje aproveitados. (Agência Eixos – 02.04.2026)
Energisa inicia produção de biometano em SC com investimento de R$ 110 mi
O Grupo Energisa iniciou a produção e comercialização de biometano em Campos Novos (SC), com investimento de R$ 110 milhões e capacidade de cerca de 28 mil m³ por dia, a partir do processamento de 300 toneladas diárias de resíduos orgânicos. A unidade, autorizada pela ANP, integra energia renovável e produção de biofertilizantes, com capacidade de até 40 mil toneladas anuais. O projeto reforça a economia circular e a descarbonização, além de ampliar a segurança energética. A localização estratégica garante fornecimento de matéria-prima em raio de 150 km, consolidando o estado como polo de biometano. A iniciativa fortalece a atuação da Energisa como hub de soluções energéticas sustentáveis. (Petronotícias - 31.03.2026)
Entidades pedem regulamentação equilibrada para o biometano
A ABiogás, Abrema e Unica divulgaram nota conjunta em defesa de uma regulamentação equilibrada para o mandato do biometano previsto no Programa Combustível do Futuro, sustentando que previsibilidade regulatória e investimento em escala são condições essenciais para transformar em mercado efetivo um potencial de produção estimado pela EPE em mais de 70 bilhões de m³ por ano. As entidades afirmam que o mandato trata o biometano de forma uniforme, independentemente da rota tecnológica, e que essa isonomia é necessária para viabilizar um mercado líquido, atrair capital e substituir combustíveis mais intensivos em carbono no transporte e na indústria. No entendimento das associações, fragmentar o mandato por rota antes do amadurecimento do setor significaria fragmentar o próprio mercado. Embora reconheçam a relevância de atributos como intensidade de carbono e certificação de origem, elas defendem que esses elementos sejam facultativos no mercado regulado, como instrumentos de agregação de valor no ambiente voluntário, e não critérios compulsórios de hierarquização entre rotas. Para o grupo, impor esse tipo de diferenciação reduziria a oferta disponível para cumprimento dos mandatos, elevaria o custo de conformidade e afastaria investidores em um momento decisivo para a expansão do setor. (Brasil Energia – 02.04.2026)
Aneel autoriza 1º sistema de armazenamento vinculado a usina de geração
A Aneel assinou em 2 de abril a primeira autorização para implantação de um Sistema de Armazenamento de Energia colocalizado a uma usina de geração no país, vinculado à UFV Sol de Brotas 7, em Uibaí (BA). Nessa modalidade, o sistema de baterias compartilha as instalações de conexão da usina com a rede básica e permite armazenar energia para posterior entrega ao sistema quando necessário, dentro das regras já aplicáveis a alterações técnicas de empreendimentos outorgados. O projeto utilizará baterias de íon-lítio e terá capacidade nominal de 5.016 kWh, potência instalada de 1.250 kW, sistema de conversão de 2.300 kW e tensão de saída do inversor de 0,60 kV. O SAE poderá consumir energia da própria usina ou da rede à qual estiver conectado, sem ligação direta com outras centrais do complexo. Para a Agência, a iniciativa marca o avanço regulatório necessário para dar segurança a investidores, ampliar a flexibilidade operativa e apoiar a integração crescente de fontes renováveis à matriz elétrica brasileira. (Aneel – 02.04.2026)
AIE destaca protagonismo do Brasil em energia limpa
Relatório recente da Agência Internacional de Energia avaliou positivamente a atuação do Brasil na expansão de energias limpas em 2025 e ressaltou o compromisso assumido pelo país na COP30, em Belém, de quadruplicar a produção de combustíveis sustentáveis até 2035. Segundo o documento, a iniciativa foi firmada em estreita colaboração entre a AIE e o governo brasileiro e integra um movimento mais amplo que colocou o país no centro das negociações climáticas globais, reforçado por sua presidência da conferência. A agência também destacou a aprovação da adesão brasileira como membro pleno, a publicação da primeira Revisão de Política Energética do Brasil e a cooperação com a EPE no Atlas de Eficiência Energética Brasil 2025. O relatório menciona ainda avanços em hidrogênio de baixa emissão, dados energéticos, qualificação profissional, transição justa e inclusão social. Para a AIE, o Brasil deve seguir estimulando demanda doméstica e exportações, com atenção especial a fertilizantes de baixo carbono, aproveitando a abundância de recursos renováveis e a crescente mobilização de investimentos. (Valor Econômico - 06.04.2026)
Renováveis chegam a 49,4% da capacidade elétrica global em 2025
As fontes renováveis passaram a responder por 49,4% da capacidade global de eletricidade em 2025, ante 46,3% no ano anterior, segundo dados da Irena, impulsionadas principalmente por um avanço recorde da energia solar. A capacidade renovável mundial alcançou 5.149 GW ao fim do ano, com adição de 692 GW em relação a 2024, sendo 511 GW apenas em solar, que chegou a 2.392 GW e consolidou sua liderança entre as fontes limpas. A expansão superou com ampla margem os 116 GW adicionados por fontes fósseis e fez com que 85,6% de toda a nova capacidade instalada no mundo em 2025 viesse de tecnologias limpas. A geração eólica acrescentou 159 GW, elevando a capacidade total para 1.291 GW. O desempenho aproxima o setor da meta pactuada na COP28 de triplicar a capacidade renovável até 2030, embora ainda persistam desigualdades regionais relevantes: China, Estados Unidos e União Europeia responderam por 79,5% do crescimento, enquanto a África participou com apenas 1,6%. Em paralelo, a instabilidade geopolítica no Oriente Médio reforçou o argumento de que a expansão de renováveis é também uma estratégia de segurança energética. (Folha de São Paulo – 05.04.2026)
Mercado global de turbinas pode alcançar US$ 23,4 bi até 2030
Relatório da Global Data projeta que o mercado global de turbinas a gás e a vapor deverá alcançar US$ 23,4 bilhões até 2030, impulsionado pela demanda por soluções energéticas mais eficientes, por exigências ambientais mais rígidas e pela transição para fontes mais limpas. A análise indica protagonismo da Ásia-Pacífico, estimada em cerca de US$ 4,6 bilhões no segmento de turbinas a gás em 2025, à frente de EMEA, com aproximadamente US$ 2,8 bilhões, e das Américas, com cerca de US$ 1 bilhão. A expectativa é que a região asiática mantenha o ritmo e chegue a US$ 7,4 bilhões até 2030. No mercado de turbinas a vapor, a Ásia-Pacífico deve concentrar 76,9% da participação global em 2025, com expansão de US$ 7,6 bilhões para US$ 11,9 bilhões até 2030, apoiada por modernizações, retrofit e extensão da vida útil de ativos térmicos. O estudo também aponta cenários regionais distintos: manutenção do crescimento em mercados asiáticos como China e Índia, retração europeia nas instalações a carvão por políticas de descarbonização e avanço mais ligado à modernização e à maturação de ativos nas Américas. (Agência CanalEnergia – 02.04.2026)
Crise Climática
Inmet alerta para tempestades com ventos fortes e granizo em várias regiões do país
O Inmet emitiu alerta de tempestades para grande parte do Brasil entre os dias 5 e 7 de abril, com previsão de chuvas de até 50 mm por dia, ventos de até 60 km/h e possibilidade de granizo. O fenômeno é causado por um ciclone extratropical que deve atingir as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com maior impacto no Rio Grande do Sul. Apesar do alerta, o risco de danos mais graves é considerado baixo, mas há possibilidade de queda de energia, alagamentos e prejuízos agrícolas. O órgão recomenda evitar o uso de aparelhos elétricos durante tempestades e buscar abrigo seguro em caso de ventos intensos. (Estadão - 05.04.2026)
Empresas
Enel SP pede prazo adicional em processo de caducidade na Aneel
A Enel Distribuição São Paulo solicitou à Aneel a prorrogação por mais 30 dias do prazo para apresentação de suas alegações finais no processo que pode resultar na caducidade de sua concessão, no Brasil. O pedido ocorre no âmbito da apuração conduzida pela reguladora sobre falhas na prestação do serviço, especialmente após episódios de interrupções no fornecimento de energia que afetaram milhares de consumidores. A distribuidora argumenta necessidade de prazo adicional para consolidar informações e estruturar sua defesa técnica e jurídica. O processo de caducidade é uma das penalidades mais severas previstas no setor elétrico e pode levar à perda da concessão. A análise do pleito ainda depende de deliberação da Aneel, que conduz o processo administrativo. (Megawhat - 03.04.2026)
Neoenergia lidera investimentos em infraestrutura em 2025
A Neoenergia informou ter investido R$ 10,1 bilhões em infraestrutura em 2025, liderando o ranking setorial da Abdib no período. Do total, R$ 6,5 bilhões foram aplicados no negócio de distribuição, com foco na expansão, modernização, digitalização e manutenção das redes das cinco concessionárias do grupo, em uma estratégia voltada a ampliar a capacidade do sistema e reforçar sua resiliência diante de eventos climáticos extremos. No segmento de transmissão, a companhia destinou aproximadamente R$ 3,3 bilhões e concluiu os quatro últimos lotes de empreendimentos previstos para o ano, encerrando o ciclo atual de investimentos nessa frente. A empresa destaca que opera mais de 8 mil quilômetros de linhas de transmissão e atende cerca de 17 milhões de consumidores por meio das distribuidoras Neoenergia Brasília, Neoenergia Coelba, Neoenergia Cosern, Neoenergia Elektro e Neoenergia Pernambuco. O volume investido reforça a posição da companhia entre os principais agentes privados do setor e evidencia a prioridade dada à robustez da rede, à digitalização da infraestrutura elétrica e à ampliação da confiabilidade operacional em diferentes mercados de concessão. (Brasil Energia – 02.04.2026)
Equatorial lança projeto de gestão da relação com consumidores
O Grupo Equatorial lançou o Projeto Delfos, iniciativa voltada à criação de um novo modelo de monitoramento, análise e gestão das interações com consumidores em todas as distribuidoras da companhia, com investimento de R$ 21 milhões. A solução utiliza inteligência artificial na ferramenta Voz do Cliente para analisar 100% dos contatos realizados nos canais de atendimento, substituindo o modelo anterior, baseado em leitura manual e por amostragem. A plataforma realiza análise automatizada de sentimentos, identifica clientes insatisfeitos, classifica temas recorrentes e aponta riscos potenciais antes que evoluam para crises, em tempo real. O sistema acompanha indicadores como NPS, volume de detratores, rechamadas no call center, tempo de resposta, desempenho do atendimento presencial e do call center, ampliando a capacidade preditiva de gestão operacional e de satisfação. A implementação já foi concluída nas sete distribuidoras do grupo — Maranhão, Pará, Piauí, Goiás, Alagoas, Amapá e Rio Grande do Sul — e foi marcada pela inauguração, em 31 de março, do Centro de Monitoramento de Clientes no Piauí. Desenvolvido no âmbito do PDI da Aneel, o projeto reforça a aposta da empresa em inovação aplicada à experiência do consumidor. (Brasil Energia – 02.04.2026)
Mandacaru implanta ERP para fortalecer governança e ampliar controle operacional
A Mandacaru Energia iniciou a implantação do sistema ERP da MXM Sistemas para fortalecer sua governança corporativa, ampliar o controle operacional e aumentar a confiabilidade das informações. O projeto, com duração de cerca de sete meses, inclui automação de processos, especialmente na área de supply chain, antes conduzidos fora do sistema. A iniciativa ocorre em um contexto de maior exigência por transparência no setor de óleo e gás. A MXM já atende mais de 50 empresas do segmento, que representam cerca de 15% de seu faturamento. A modernização busca ganhos de eficiência, rastreabilidade e compliance, alinhando a empresa a padrões mais elevados de gestão. (Petronotícias - 05.04.2026)
Cemig registra seu maior valor de mercado
A Cemig ultrapassou nesta semana a marca de R$ 40 bilhões em valor de mercado, atingindo o maior patamar de sua história e consolidando uma valorização próxima de 500% em relação a 2018, quando a companhia era avaliada em cerca de R$ 8 bilhões. O desempenho ocorre após a empresa encerrar 2025 com lucro líquido de R$ 4,9 bilhões e investimentos de R$ 6,6 bilhões. No campo do crédito, a Moody’s Local Brasil elevou em 2025 o rating da Cemig, da Cemig Distribuição e da Cemig Geração e Transmissão de “AA+” para “AAA”, com perspectiva estável, movimento alinhado à promoção já realizada pela Fitch em 2024. A companhia também mantém classificação “brAA+” pela S&P Global Ratings. Para o próximo ciclo, o plano estratégico de 2026 a 2030 prevê aportes de R$ 44 bilhões, concentrados na modernização da infraestrutura elétrica em Minas Gerais, no reforço da confiabilidade do sistema e na preparação para a abertura total do mercado de energia. Apenas em 2026, a previsão é de R$ 6,7 bilhões em investimentos, com foco principal na distribuição. (Brasil Energia – 02.04.2026)
Leilões
Comissão da Aneel mantém resultado do LRCAP e rejeita recursos da J&F
A Comissão Permanente de Leilões da Aneel rejeitou os recursos apresentados pelo Grupo J&F e manteve os resultados do LRCAP para as termelétricas Santa Cruz e Araucária II. O processo seguirá para novo relator, após Fernando Mosna declarar suspeição, abrangendo os autos atuais e eventuais desdobramentos vinculados ao grupo. Nas notas técnicas, a agência descartou falha na plataforma do leilão e atribuiu os problemas à interpretação das regras pela empresa, sustentando que eventual acolhimento dos pleitos geraria insegurança jurídica, afetaria o planejamento do suprimento e elevaria custos aos consumidores. No caso de Araucária II, a Aneel estimou que a alteração de preço e prazo de suprimento acrescentaria cerca de R$ 4 bilhões ao encargo do LRCAP ao longo de 15 anos, com reprecificação do lance de R$ 2,25 milhões/MW.ano para aproximadamente R$ 2,72 milhões/MW.ano. Para Santa Cruz, a agência entendeu que a estratégia adotada pela companhia na habilitação e nos lances levou à impossibilidade de ofertar potência em etapas subsequentes, sem prejuízo decorrente do sistema. (Agência CanalEnergia – 02.04.2026)
Abrate elogia leilão e cobra regra para relicitação
A Abrate avaliou de forma positiva o resultado do leilão de transmissão realizado em 27 de março, destacando o nível de deságio e a contratação de compensadores síncronos como sinais de competitividade e robustez do segmento. Ao mesmo tempo, a presidente da associação, Talita Porto, alertou para a necessidade de definição regulatória sobre a indenização de bens não amortizados nas concessões a partir de 2019, a fim de evitar insegurança jurídica e preservar a atratividade dos ativos em processos de relicitação. Segundo ela, embora resolução de 2019 assegure a indenização a partir dessa data, ainda há lacuna anterior que precisa ser enfrentada em nova consulta pública esperada até junho. A entidade também mantém atenção sobre a indenização da RBSE, cuja conta, estimada em cerca de R$ 62 bilhões, já teria quitado 81% do total e é alvo de diligências do TCU. Para a Abrate, o setor de transmissão está preparado para atender a expansão da demanda, inclusive com reforços exigidos por renováveis, data centers, hidrogênio verde e soluções como baterias em subestações. (Agência CanalEnergia – 06.04.2026)
Aneel rejeita recursos da Âmbar e mantém resultado do LRCAP
A Comissão Permanente de Leilões da Aneel negou, no mérito, os dois recursos apresentados pela Âmbar Energia para reverter parcialmente os resultados do 2º Leilão de Reserva de Capacidade, realizado em 18 de março, embora a palavra final ainda caiba à diretoria colegiada da agência. A empresa questionava o enquadramento da UTE Araucária II como empreendimento termelétrico existente e o bloqueio do sistema que a impediu de contratar toda a capacidade pretendida para a UTE Santa Cruz. Em nota técnica, a área responsável descartou falhas sistêmicas na plataforma do certame e afirmou que eventual prejuízo decorreu de decisões e procedimentos adotados pela própria companhia. A Aneel sustentou que a reabertura da fase de lances ou a desobrigação contratual pretendida pela geradora comprometeriam a segurança jurídica do leilão, a confiabilidade do suprimento e o interesse público. No caso de Araucária II, a comissão entendeu que o pleito implicaria reprecificação indevida do lance, elevando o valor de R$ 2.250.000,00/MW.ano para cerca de R$ 2.720.000,00/MW.ano e impondo sobrecusto estimado em R$ 4 bilhões aos consumidores do encargo do LRCAP. (Agência Eixos – 02.04.2026)
Aneel seguirá eventual determinação do TCU sobre o LRCAP
O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, afirmou que a agência cumprirá qualquer comando específico que venha a ser expedido pelo Tribunal de Contas da União sobre o Leilão de Reserva de Capacidade. Segundo ele, os pontos questionados no certame não dizem respeito às atribuições regulatórias da Aneel, uma vez que a autarquia não define preços nem diretrizes, limitando-se à execução operacional do leilão. O TCU abriu acompanhamento do processo após parecer técnico apontar fragilidades na metodologia de definição dos preços-teto, embora a recomendação inicial tenha sido não adotar medidas antes da realização do certame, ocorrida em 18 e 20 de março. Feitosa também declarou que a diretoria ainda não formou juízo sobre os recursos do Grupo J&F, que serão analisados em segunda instância pelo colegiado, após instrução processual. Até o momento, o dirigente sustenta que o leilão transcorreu dentro das competências legais da agência e sem intercorrências. (Agência CanalEnergia – 02.04.2026)
Oferta e Demanda de Energia Elétrica
ONS projeta alta de 3,2% na carga do SIN em abril
O ONS revisou o Programa Mensal da Operação e passou a projetar crescimento de 3,2% na carga do Sistema Interligado Nacional em abril, com altas regionais de 0,9% no Sudeste/Centro-Oeste, 3,8% no Norte, 4,2% no Nordeste e expressivos 9,6% no Sul. O operador também estima continuidade da recuperação dos níveis de armazenamento, com os reservatórios encerrando o mês em 68,1% no Sudeste, 29,4% no Sul, 95,9% no Nordeste e 96,4% no Norte. A energia natural afluente prevista corresponde a 75% da média de longo termo no Sudeste/Centro-Oeste, 85% no Nordeste, 82% no Norte e 40% no Sul. No despacho térmico semanal, o volume soma 8.309 MW médios, dos quais 6.977 MW médios por inflexibilidade e 1.332 MW médios por ordem de mérito, concentrados principalmente no Sudeste/Centro-Oeste. O custo médio de operação esperado para as próximas semanas é de R$ 212,3 milhões, enquanto o CMO semanal médio atinge R$ 364,08/MWh no Sudeste/Centro-Oeste, R$ 370,94/MWh no Sul, R$ 289,25/MWh no Norte e permanece zerado no Nordeste. (Agência CanalEnergia – 02.04.2026)
Desligamento em subestação interrompe 129 MW em Alagoas
Um desligamento automático na Subestação Rio Largo II, em Alagoas, provocou interrupção no fornecimento de energia para 129 MW de carga atendida pela Equatorial Alagoas, segundo informou o ONS no boletim diário IPDO. A ocorrência foi registrada às 6h14 e envolveu o desligamento da transformação 230/69 kV e do barramento principal de 69 kV da unidade, enquanto as causas do evento permanecem em análise. O restabelecimento começou dois minutos depois, às 6h16, inicialmente pela rede de distribuição, permitindo a normalização de cerca de 27 MW até as 6h23. Em seguida, às 7h34, teve início a recomposição dos equipamentos da própria subestação, com retomada gradual da carga a partir da SE Rio Largo II. A normalização total do atendimento foi concluída às 9h02. O episódio evidencia a sensibilidade operacional de ativos de transformação e barramento no atendimento regional e reforça a importância da pronta recomposição coordenada entre operação da transmissão e distribuição para mitigar impactos ao suprimento. (Agência CanalEnergia – 02.04.2026)
Conflito com Irã eleva risco global e pressiona mercado de energia
O conflito envolvendo o Irã ampliou riscos geopolíticos ao mercado energético, com ameaças a instalações nucleares e ataques a países do Golfo, região estratégica para petróleo e gás. A usina nuclear de Bushehr, com capacidade de cerca de 1.000 MW, foi atingida nas proximidades, enquanto ataques com mísseis e drones atingiram bases e empresas na região. O cenário eleva incertezas sobre o fornecimento global e pode impactar cadeias energéticas e investimentos, incluindo projetos de tecnologia e data centers. A instabilidade reforça a vulnerabilidade das rotas energéticas e o risco de escalada nos preços internacionais de combustíveis. (Estadão - 04.04.2026)
CNPE reposiona armazenamento hídrico na estratégia do setor, avalia Abrage
A Abrage avaliou como positivo o conjunto de resoluções aprovadas pelo CNPE que recolocam o armazenamento hídrico no centro do planejamento do setor elétrico e dão sequência à implementação da Lei nº 15.269/2025. Uma das medidas insere os Sistemas de Armazenamento Hidráulico, as chamadas hidrelétricas reversíveis, como instrumento formal de planejamento, com previsão de leilões e mecanismos de contratação remunerados por disponibilidade de potência e desempenho operacional. A outra resolução determina à EPE a identificação de novos projetos hidrelétricos com capacidade de armazenamento e a atualização de inventários, com prioridade para reservatórios de usos múltiplos. Para a associação, as decisões reconhecem o papel das hidrelétricas como “baterias naturais” do país, aptas a fornecer flexibilidade, potência e segurança em uma matriz com participação crescente de fontes renováveis intermitentes. Na avaliação da entidade, o movimento fortalece a integração entre planejamento, expansão e operação do sistema, além de abrir espaço para soluções de custo competitivo diante da necessidade de maior flexibilidade operativa e confiabilidade no atendimento da demanda. (Brasil Energia – 02.04.2026)
ENA supera 80% nos subsistemas Norte e Nordeste no começo de abril
O boletim do Programa Mensal de Operação para a semana de 4 a 10 de abril de 2026 projeta Energia Natural Afluente ao fim do mês acima de 80% da Média de Longo Termo nos subsistemas Nordeste e Norte, com 85% e 82%, respectivamente. Para o Sudeste/Centro-Oeste, a previsão é de 75% da MLT, enquanto o Sul deve registrar apenas 40%. No armazenamento, as estimativas para 30 de abril apontam cenário mais confortável no Norte, com 96,4% de Energia Armazenada, seguido pelo Nordeste, com 95,9%, Sudeste/Centro-Oeste, com 68,1%, e Sul, com 29,4%. Segundo o ONS, as condições hidrológicas mais favoráveis no Norte e no Nordeste contribuem para o nível dos reservatórios, embora o operador siga avaliando cenários para assegurar o atendimento à demanda de energia e potência. A carga no SIN deverá crescer 3,2% em abril, para 84.311 MWmed, com destaque para alta de 9,6% no Sul, 4,2% no Nordeste, 3,8% no Norte e 0,9% no Sudeste/Centro-Oeste, na comparação com abril de 2025. O CMO projetado é de R$ 370,94 no Sul, R$ 364,08 no Sudeste/Centro-Oeste, R$ 289,25 no Norte e zero no Nordeste. (Brasil Energia – 02.04.2026)
Artigo de José Roberto Martins e Adam Milgrom: “Novo marco da autoprodução de energia elétrica restringe acesso e leva empresas a rever modelos de arrendamento e consórcio”
Em artigo publicado pela Agência CanalEnergia, José Roberto Martins e Adam Milgrom (advogados do Trench Rossi Watanabe) analisam as mudanças introduzidas pela Lei nº 15.269/2025 no regime de autoprodução de energia elétrica no Brasil, destacando a restrição ao modelo de equiparação a grandes consumidores por meio da exigência de demanda mínima e participação societária relevante. Os autores argumentam que, com o fim do período de transição em 2026, empresas de menor porte passaram a reavaliar alternativas viáveis, especialmente estruturas de consórcio e arrendamento. O texto detalha três modelos principais, consórcio autoprodutor, arrendamento para consumidor e arrendamento para consórcio, evidenciando suas características, vantagens regulatórias e exigências jurídicas. Também ressalta a necessidade de adequada estruturação contratual, transferência de outorga e observância das normas da ANEEL e da CCEE. Por fim, conclui que, apesar das restrições, essas alternativas permanecem sólidas e estratégicas, desde que acompanhadas de análise regulatória, operacional e fiscal integrada. (GESEL-IE-UFRJ – 06.04.2026)
Mobilidade Elétrica
Mahle traz ao Brasil solução modular de recarga para veículos eletrificados
A Mahle Metal Leve passou a oferecer no mercado brasileiro a linha MAHLE chargeBIG, solução de carregamento voltada a veículos eletrificados e já consolidada nas operações da companhia na Europa. A tecnologia consiste em um sistema modular de múltiplos pontos de recarga, concebido para aplicações em larga escala e destinado a ampliar a infraestrutura disponível para baterias de veículos elétricos no país. Segundo a empresa, a plataforma já soma cerca de 3 mil pontos instalados no mercado europeu e agora passa a integrar seu portfólio no Brasil como parte da estratégia de apoio ao avanço da eletromobilidade. O primeiro marco local da operação ocorreu em 27 de março, com a inauguração do primeiro ponto de recarga equipado com a tecnologia em um posto de combustíveis em Jaguariúna, no interior de São Paulo. A companhia afirma que a entrada da chargeBIG no país representa avanço relevante para a expansão da base de carregamento, sobretudo em projetos que demandam modularidade, escalabilidade e atendimento simultâneo a diferentes veículos. Com isso, a Mahle busca posicionar-se em um segmento ainda em estruturação, mas considerado essencial para sustentar a difusão da mobilidade elétrica no mercado brasileiro. (Valor Econômico - 06.04.2026)
BYD reduz 100 mil empregos em 2025 em reestruturação para ganhos de eficiência
A BYD reduziu cerca de 100 mil empregos em 2025, equivalente a 10% da força de trabalho, como parte de reestruturação para ganhos de eficiência. Apesar disso, a empresa exportou mais de 1 milhão de veículos e superou 100 mil unidades vendidas no Brasil, crescimento superior a 30%. O lucro caiu 19%, para US$ 45,6 bilhões, pressionado por competição doméstica e investimentos em tecnologia. A empresa aposta em inovações como baterias de carregamento ultrarrápido para sustentar a demanda. O movimento reflete a intensificação da competição global no mercado de veículos elétricos. (Estadão - 02.04.2026)
Alta do petróleo impulsiona carros elétricos e favorece avanço da China
A escalada do conflito no Oriente Médio, com o barril de petróleo acima de US$ 106, tende a acelerar a adoção de veículos elétricos globalmente, ao elevar o custo dos combustíveis fósseis. A China, maior produtora mundial, pode se beneficiar do cenário, ampliando sua presença internacional, inclusive no Brasil, onde 14 marcas já atuam. A dependência asiática do petróleo do Oriente Médio, cerca de 60%, reforça a pressão por alternativas energéticas. Apesar do avanço, desafios como custo das baterias e revenda ainda limitam a expansão em mercados emergentes. O movimento reforça a eletrificação como eixo estratégico da transição energética global. (CNN Brasil - 04.04.2026)
Tesla produzido na China tem quinto mês consecutivo de alta
As vendas de veículos da Tesla produzidos na China cresceram 8,7% em março, totalizando 85.670 unidades e marcando o quinto mês consecutivo de alta. No acumulado do primeiro trimestre, o crescimento foi de 23,5% na comparação anual. O desempenho foi impulsionado pela recuperação da demanda europeia, apesar da forte concorrência de fabricantes chineses, como a BYD. A Tesla perdeu participação na Europa e na China, mas aposta em novos segmentos como energia solar e robotáxis. O cenário de alta do petróleo pode favorecer a demanda por veículos elétricos, reforçando a competitividade do setor em meio às tensões geopolíticas. (CNN Brasil - 02.04.2026)
Tesla cai após entregas frustrarem mercado e analistas revisarem projeções
As ações da Tesla recuaram mais de 5% após a divulgação das entregas do primeiro trimestre de 2026, que somaram 358.023 veículos, abaixo da expectativa de Wall Street, em torno de 366 mil unidades. O resultado refletiu, em parte, a transição do Model Y, cujo relançamento levou consumidores a adiar compras, mas também reacendeu preocupações sobre estoques, preços e ritmo de produção, uma vez que a companhia fabricou cerca de 50 mil carros a mais do que vendeu no período. Após os números, analistas revisaram projeções: o Goldman Sachs reduziu o preço-alvo para US$ 375, a Truist para US$ 400 e a Baird para US$ 538, enquanto a Wedbush manteve visão positiva com alvo de US$ 600 e a Wells Fargo reiterou recomendação de venda com preço-alvo de US$ 125. Também pesou a instalação de apenas 8,8 GWh em sistemas de armazenamento, abaixo dos 14,2 GWh do trimestre anterior. O mercado segue atento às iniciativas de inteligência artificial, robôtáxis e robôs humanoides, que continuam centrais para a tese de investimento e devem ganhar novos detalhes com os resultados trimestrais previstos para 22 de abril. (Valor Econômico - 03.04.2026)
Foxconn e Mitsubishi Fuso vão exportar ônibus elétricos a partir do Japão
A Mitsubishi Fuso Truck and Bus e a Foxconn anunciaram parceria para desenvolver e exportar grandes ônibus elétricos produzidos no Japão, com início previsto por volta de 2030 e foco em mercados como Sudeste Asiático e Austrália. As empresas criarão, no segundo semestre de 2026, uma nova companhia com participação igualitária para conduzir a operação, aproveitando a expertise da Foxconn em veículos elétricos e a experiência industrial da Mitsubishi Fuso. O plano prevê o desenvolvimento de um novo modelo até 2027, com fase inicial baseada na importação de carrocerias produzidas em Taiwan para montagem e venda no mercado japonês. Em dois a três anos, a produção local deverá avançar para fabricação integral no Japão. A estratégia responde à retração do mercado doméstico, afetado pelo declínio populacional e pela redução das rotas rurais, e também à crescente pressão competitiva de fabricantes chineses, especialmente a BYD. Em 2025, a produção global de ônibus elétricos alcançou cerca de 80 mil unidades, das quais quase 60 mil foram feitas na China. No Japão, veículos chineses já representam mais de 70% do mercado e chegam a custar cerca de 40% menos do que modelos nacionais. (Valor Econômico - 06.04.2026)
Inovação e Tecnologia
Taesa avança em digitalização e IA para a transmissão de energia
A Taesa vem estruturando um modelo de transformação digital voltado à operação de transmissão, com destaque para o uso criterioso de inteligência artificial apoiada em dados estruturados. Segundo o gerente executivo de TI, Allyson Gomes, a companhia cruza informações captadas por sensores de campo — como temperatura de transformadores, viscosidade do óleo e corrente nas linhas — com dados de sistemas de gestão, criando camadas mais precisas antes de alimentar aplicações de IA generativa, em uma estratégia para reduzir risco de “alucinações” em ambiente de missão crítica. Outra frente relevante decorre da obsolescência da infraestrutura de telecomunicações, que levou a empresa a migrar diretamente para soluções mais modernas. Entre as iniciativas, estão a comunicação via satélite em subestações remotas e a adoção de SD-WAN para conexão entre o centro de operações e outros 13 agentes do setor elétrico, reforçando velocidade, governança e segurança na transmissão de dados. Gomes aponta ainda que transmissoras têm avançado em modelos preditivos baseados em IA e em alternativas de conectividade, mas enfrentam desafios regulatórios, sobretudo na remuneração de tecnologias comercializadas como software e tratadas como opex. (Brasil Energia – 02.04.2026)
Pesquisa na Amazônia desenvolve microgerador com energia de vibrações
Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas apostam no uso da piezoeletricidade para converter vibrações naturais, como vento, chuva e deslocamento de animais, em energia elétrica destinada a sistemas de sensoriamento remoto adaptados às condições do bioma amazônico. A proposta busca superar limitações de baterias convencionais e painéis solares em ambientes de elevada umidade e baixa previsibilidade operacional, ao mesmo tempo em que amplia as possibilidades de monitoramento ambiental e territorial. Coordenado por Yurimiler Ruiz, o projeto do Laboratório de Processamento de Materiais Tecnológicos da Ufam utiliza materiais livres de chumbo e, segundo os pesquisadores, mais baratos e eficientes que modelos tradicionais, associando tecnologia e sustentabilidade. Os protótipos ainda estão em fase inicial de testes laboratoriais e dependem de novos financiamentos para aperfeiçoamento e futura aplicação em áreas estratégicas da floresta. Além da pesquisa científica, a iniciativa poderá atender comunidades isoladas sem acesso regular à eletricidade, energizando dispositivos de baixa potência, como lanternas, celulares e sistemas de alerta. O projeto conta com apoio da Fapeam, da Capes e do CNPq. (Folha de São Paulo – 04.04.2026)
Energias Renováveis
Aneel autoriza testes de 168 MW solares da Scatec e Engie em MG
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou o início da operação em teste de 168 MW de capacidade instalada em usinas solares localizadas em Minas Gerais, Brasil, pertencentes às empresas Scatec e Engie. As liberações constam em despachos publicados no Diário Oficial da União em 2 de abril. Os empreendimentos incluem projetos fotovoltaicos como Urucuia 2, da norueguesa Scatec, além de ativos associados à Engie, ampliando a inserção de fontes renováveis na matriz elétrica brasileira. A autorização para testes representa uma etapa prévia à operação comercial, permitindo a verificação do desempenho técnico e da integração ao sistema elétrico. O avanço reforça o protagonismo de Minas Gerais na expansão da geração solar centralizada no país, impulsionado por condições favoráveis de irradiação e pela atuação de agentes internacionais e nacionais no desenvolvimento de projetos de grande porte. (Megawhat - 02.04.2026)
Regra do CNPE ameaça viabilidade de eólicas offshore no Nordeste
A diretriz aprovada pelo CNPE que estabelece distância mínima de 12 milhas náuticas da costa para instalação de parques eólicos offshore pode inviabilizar quase metade dos projetos mais promissores no Nordeste, segundo avaliações preliminares de agentes do setor ouvidos pela agência eixos. Embora o avanço regulatório seja visto como passo importante para destravar o segmento, a exigência é criticada por carecer de fundamentação técnica clara e por ignorar condicionantes geográficas e econômicas do litoral brasileiro. No Nordeste, a profundidade do mar cresce rapidamente a partir de cerca de 10 quilômetros da costa, o que limita o uso de fundações fixas e empurra os projetos para estruturas flutuantes, de maior Capex e Opex. Atualmente, há 59 projetos em licenciamento no Ibama, somando mais de 134 GW, sendo 32 no Nordeste, com 62,2 GW. Agentes também apontam impactos no Sul e destacam que a referência das 12 milhas pode ter sido importada da lógica jurídica dos Estados Unidos, sem equivalência direta no caso brasileiro, onde todo o mar é de competência da União. (Agência Eixos – 02.04.2026)
ArcelorMittal conclui R$ 5,8 bi em projetos de autogeração renovável
A ArcelorMittal concluiu, em março, o último de três grandes projetos de energia renovável no Brasil, encerrando um ciclo de investimentos de R$ 5,8 bilhões destinado a elevar sua autogeração elétrica dos atuais 61% para uma faixa entre 80% e 85% até 2030. Os empreendimentos, desenvolvidos em parceria com empresas especializadas, somam capacidade de produção de 385 MW médios e potência instalada de 1 GW, distribuídos entre ativos eólicos e solares. O principal deles é o Complexo Babilônia Centro, na Bahia, em joint venture com a Casa dos Ventos: o parque eólico entrou em operação em setembro de 2025, com 123 aerogeradores e 553,5 MW, e o solar começou a operar em março de 2026, com 365 mil painéis, 200 MW de potência instalada e aporte de R$ 652 milhões. Em Minas Gerais, a companhia também colocou em operação o Parque Solar ArcelorMittal Energia Paracatu, com 264 MW de capacidade instalada, 74 MW médios de geração estimada e investimento de R$ 895 milhões. A estratégia integra a agenda de descarbonização da siderúrgica e reforça a busca por uma matriz mais limpa, estável e previsível para sustentar competitividade industrial. (Valor Econômico - 06.04.2026)
Voith fecha contrato com a Axia para modernização da UHE Luiz Gonzaga
A Voith firmou contrato com a Axia para modernização e digitalização da UHE Luiz Gonzaga, também conhecida como Itaparica, localizada em Petrolândia (PE), na divisa com a Bahia, no primeiro grande processo de retrofit da usina. O empreendimento, instalado no rio São Francisco, possui seis unidades geradoras com turbinas de eixo vertical e potência instalada total de 1.479,60 MW. O escopo inclui a reforma completa das unidades, fornecimento de três novos rotores Francis com melhorias hidráulicas e ganhos de eficiência, além da modernização dos sistemas de regulação e de componentes das turbinas. O contrato abrange ainda substituição dos enrolamentos dos geradores, reisolação dos polos, reforma de mancais e sistemas de frenagem, bem como atualização dos sistemas auxiliares, proteção, controle, comando, supervisão e digitalização das salas de comando. Com o projeto, a Axia poderá ampliar a potência instalada em 246,6 MW para atender ao contrato conquistado no LRCap, em investimento total de R$ 1,1 bilhão. A reportagem também destaca ampliações contratadas por Copel, Spic Brasil e Engie no segmento hidrelétrico. (Brasil Energia – 02.04.2026)
Hidrelétrica Belo Monte contará com segurança da Força Nacional
A Usina Hidrelétrica de Belo Monte, localizada no Pará, Brasil, passará a contar com o apoio da Força Nacional de Segurança Pública para reforçar a proteção de suas instalações após episódios recentes de invasão e ameaças. A medida foi solicitada pelo Ministério de Minas e Energia ao Ministério da Justiça, com base em relatos da concessionária Norte Energia, responsável pelo empreendimento de 11.233 MW. Segundo comunicado, houve invasão ao canal de fuga próximo aos geradores e risco de novas ações nas proximidades da casa de força principal. A atuação da Força Nacional terá caráter temporário e visa garantir a continuidade operacional da usina, considerada estratégica para o sistema elétrico brasileiro, além de preservar a ordem pública e a integridade do patrimônio. A iniciativa reforça a preocupação do governo federal com a segurança de infraestruturas críticas de geração de energia no país. (Megawhat - 08.04.2025)
EDF amplia presença no Brasil com aquisição de hidrelétrica de 261 MW
A EDF Power Solutions concluiu a aquisição de 75% da Usina Hidrelétrica de Dardanelos, de 261 MW, localizada no Mato Grosso, suficiente para atender cerca de 1,4 milhão de pessoas. A Neoenergia mantém 25% do ativo. A EDF também assumirá a operação e manutenção da usina, em operação desde 2011. A aquisição reforça a estratégia de expansão da companhia no Brasil, elevando sua capacidade instalada para cerca de 2,1 GW distribuídos em seis ativos. O movimento amplia a presença da empresa em fontes renováveis e fortalece seu portfólio hidrelétrico no país. (Petronotícias - 05.04.2026)
Neoenergia conclui operações societárias em UHEs
A Neoenergia concluiu operações societárias envolvendo os ativos hidrelétricos Corumbá e Dardanelos, em movimento voltado à simplificação acionária, geração de valor e sustentabilidade, sem divulgação dos valores financeiros. Na UHE Corumbá, em Goiás, a companhia ampliou sua participação para 76% ao adquirir parte da fatia indireta antes detida pela CelgPar, enquanto os 24% remanescentes ficaram com a CEB, que também elevou sua posição no empreendimento. A empresa informa que detinha 25% da Energética Corumbá III e 60% diretamente no consórcio operador da usina, equivalentes a 70% de participação direta e indireta, passando agora a controlar e consolidar o ativo, cuja capacidade instalada é de 96,5 MW. Em paralelo, a Neoenergia vendeu 75% de sua participação na UHE Dardanelos, no Mato Grosso, para a EDF power solutions e manteve os 25% restantes. Pelo acordo, a EDF poderá adquirir essa parcela adicional em até dois anos e meio após a conclusão da transação, e a própria Neoenergia também poderá alienar a totalidade do remanescente. Dardanelos, localizada no rio Aripuanã, possui cinco unidades geradoras e capacidade instalada de 261 MW. (Brasil Energia – 02.04.2026)
Supergasbras faz 1ª importação de BioGL do Brasil
A Supergasbras realizou a primeira importação de BioGL do Brasil, em operação piloto que trouxe da Europa uma carga estimada em 1.700 toneladas, desembarcada no país na quinta-feira, 2 de abril, por meio do Porto de Tergasul, no Rio Grande do Sul. O terminal é o primeiro do país a obter a certificação internacional ISCC Plus, que assegura rastreabilidade e critérios de sustentabilidade ao longo de toda a cadeia de suprimento. Nesta fase inicial, a companhia pretende direcionar o produto para clientes do segmento granel, especialmente indústrias e empresas do agronegócio com metas de redução de emissões. O modelo comercial prevê venda por certificação de sustentabilidade, permitindo a aquisição de volumes proporcionais de BioGL para acelerar estratégias corporativas de descarbonização. Segundo a empresa, a operação representa um passo concreto para viabilizar a oferta em escala comercial no mercado brasileiro. O BioGL é um combustível renovável obtido a partir de matérias-primas como óleos vegetais e gorduras residuais e apresenta vantagens como eficiência energética cerca de 34% superior à do biometano, além de compatibilidade com a infraestrutura logística e de distribuição já utilizada pelo GLP. (Brasil Energia – 02.04.2026)
Biblioteca Virtual
MADUREIRA, Marcos. “Por uma governança técnica e neutra do Setor Elétrico brasileiro”.
Acesse o texto clicando no link.
MARTINS, José Roberto; MILGROM, Adam. “Novo marco da autoprodução de energia elétrica restringe acesso e leva empresas a rever modelos de arrendamento e consórcio”.
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QUIRINO, Antonio. “Alta do Brent pressiona preço do gás e expõe limites do modelo brasileiro”.
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