IFE Diário 6.384
Regulação
Governo avalia crédito de até R$ 7 bi para conter alta tarifária
O governo federal estuda conceder crédito de até R$ 7 bilhões via BNDES para distribuidoras das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com objetivo de mitigar impactos de reajustes tarifários em 2026. A medida ocorre após aumentos expressivos, como o reajuste de 15,46% para consumidores residenciais da Enel Rio de Janeiro. Paralelamente, a repactuação do Uso do Bem Público (UBP) destinará cerca de R$ 7,87 bilhões para consumidores do Norte e Nordeste, conforme a Lei nº 15.235/2025. O cenário reflete pressão crescente sobre tarifas, que subiram de R$ 112/MWh em 2010 para R$ 310/MWh em 2024, alta nominal de 177%. A estratégia busca equilibrar sustentabilidade financeira das distribuidoras e modicidade tarifária, especialmente em ano eleitoral. (Broadcast Energia - 30.03.2026)
TCU analisa renovação da concessão da Light e regras do setor elétrico
O Tribunal de Contas da União (TCU) avaliará a legalidade da renovação da concessão da Light por mais 30 anos, decisão considerada crítica para a segurança jurídica e continuidade do fornecimento no Rio de Janeiro. A formalização depende do Ministério de Minas e Energia, e a deliberação pode influenciar investimentos e estabilidade do setor. A pauta inclui ainda análise de possíveis irregularidades em contratos do Programa Prioritário de Termeletricidade (PPT), além de outros temas regulatórios relevantes. A renovação da Light é vista como estratégica diante dos desafios operacionais e financeiros da distribuidora. A decisão do TCU poderá estabelecer precedentes importantes para processos de prorrogação de concessões no setor elétrico brasileiro, afetando tanto agentes regulados quanto investidores. (Broadcast Energia - 30.03.2026)
Justiça autoriza Âmbar a assumir Amazonas Energia com aporte bilionário
A Justiça Federal homologou acordo entre Aneel e Amazonas Energia que viabiliza a transferência do controle da distribuidora para a Âmbar Energia, da holding J&F, encerrando disputa judicial iniciada em 2024. O acordo prevê aporte de R$ 9,8 bilhões para reequilíbrio financeiro da concessionária, considerada uma das mais desafiadoras do país devido à alta inadimplência, perdas de energia e complexidade operacional na região amazônica. Em contrapartida, a empresa terá flexibilizações regulatórias em indicadores operacionais, com impactos tarifários ao longo de 15 anos. A decisão judicial era etapa crucial para formalizar a operação e evitar a caducidade da concessão. A entrada da Âmbar marca sua estreia no segmento de distribuição, ampliando atuação além da geração termelétrica e reforçando movimento de consolidação no setor elétrico brasileiro. (Valor Econômico - 30.03.2026)
Governo prepara renovação de concessões com investimentos de R$ 120 bi
O Ministério de Minas e Energia anunciou que a renovação das concessões de distribuidoras será formalizada na próxima semana, com extensão por mais 30 anos e investimentos estimados em R$ 120 bilhões até 2027. Das 17 empresas autorizadas pela Aneel, apenas duas concluíram a assinatura até o momento, enquanto outras seguem em processo, incluindo a Enel São Paulo. A renovação está baseada em decreto de 2024 que estabelece diretrizes para prorrogação e licitação, visando maior segurança jurídica e modernização do setor. O governo pretende anunciar investimentos em 19 estados, reforçando a expansão da infraestrutura e melhoria da qualidade do serviço. A medida é considerada estratégica para garantir continuidade do fornecimento e estimular novos aportes no segmento de distribuição de energia elétrica. (Broadcast Energia - 30.03.2026)
Silveira desiste de eleição e permanece no comando do MME
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou que não disputará as eleições de 2026, indicando sua permanência à frente da pasta em um momento considerado estratégico para o setor energético. A decisão reforça a continuidade das políticas públicas em áreas como transição energética, petróleo, gás e setor elétrico, que representam cerca de 40% da economia nacional, segundo o próprio ministro. Silveira seguirá no PSD, apesar do partido lançar candidatura própria em Minas Gerais, e reafirmou alinhamento com o governo federal. A permanência ocorre em um contexto de desafios regulatórios e geopolíticos relevantes, incluindo a volatilidade do mercado internacional de energia e a necessidade de expansão da infraestrutura. A definição também reduz incertezas institucionais e sinaliza estabilidade na condução das diretrizes energéticas no curto prazo. (Agência Eixos - 30.03.2026)
Câmara: Comissão aprova projeto sobre desconto rural na conta de luz
A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4.860/23, de autoria do deputado Benes Leocádio, com emenda do relator Joaquim Passarinho, para simplificar a renovação dos descontos tarifários concedidos a agricultores que utilizam irrigação e aquicultura. O texto altera a Lei do Setor Elétrico ao determinar que a Aneel obtenha diretamente, junto aos órgãos competentes, os licenciamentos ambientais e as outorgas de uso de água, vedando a exigência desses documentos dos consumidores no processo de manutenção do benefício. A proposta busca evitar interrupções por entraves burocráticos e reduzir custos operacionais da produção de alimentos. O relator rejeitou o PL 6.501/19 e apensados por entender que ampliavam subsídios sem indicar fonte de custeio nem avaliar efeitos sobre os demais consumidores e sobre o equilíbrio econômico-financeiro do setor. Hoje, o desconto é concedido por 8 horas e 30 minutos diários, em horário negociado entre distribuidoras e usuários. O projeto seguirá, em caráter conclusivo, para as comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. (Brasil Energia – 30.03.2026)
Aneel debate sandboxes para energia em comunidades amazônicas
A Aneel realizou, em Brasília, o 1º Seminário Energias da Floresta: Inovação e Sustentabilidade Energética, reunindo cerca de 170 participantes presencialmente e por transmissão no YouTube para discutir experiências de projetos-piloto de experimentação regulatória, os chamados sandboxes, em territórios de povos e comunidades tradicionais da Amazônia. O evento reuniu equipe técnica da agência, agentes do setor e representantes de organizações governamentais e não governamentais para avaliar como esses modelos podem aperfeiçoar a regulação, qualificar a escuta comunitária, reduzir riscos regulatórios e elevar a satisfação dos consumidores com os serviços de energia elétrica na região. O diretor-geral Sandoval Feitosa destacou a necessidade de construir soluções com respeito às especificidades de comunidades indígenas e quilombolas, enquanto a diretora Agnes da Costa ressaltou o objetivo de levar energia com qualidade, preços justos e melhor percepção de atendimento, além do ganho de aprendizado institucional. A iniciativa ocorre em momento considerado estratégico para a transição energética justa e o avanço da acessibilidade elétrica na Amazônia Legal. (Aneel – 30.03.2026)
Transição Energética
Clark Solutions avança em eletrolisador nacional para H2V
O projeto de um eletrolisador alcalino com tecnologia totalmente nacional para produção de hidrogênio verde (H2V), desenvolvido pela Clark Solutions em parceria com o Ipen, venceu o Prêmio Finep de Inovação na categoria Bioeconomia, Descarbonização, Transição e Seguranças Energéticas. A iniciativa busca reduzir a dependência de equipamentos importados, hoje majoritariamente fabricados na Europa e na China, e criar uma alternativa nacional capaz de atender tanto à agenda de transição energética quanto à demanda por maior aproveitamento de geração renovável sujeita a curtailment. Segundo a empresa, o cronograma total é de três anos e alcançará metade do prazo em junho, quando deverá ser concluído um protótipo semi-industrial com potência entre 150 kW e 220 kW. A etapa seguinte prevê um eletrolisador industrial superior a 1 MW, cuja integração ao sistema de eletrólise deve avançar ainda em 2026, com campanhas de testes e calibração programadas para 2027. Entre os diferenciais, a Clark cita operação em temperaturas e pressões mais elevadas, o que pode elevar a eficiência e, em certas aplicações, dispensar trens de compressores, além de arquitetura modular voltada à produção distribuída. (Brasil Energia – 30.03.2026)
ANA é indicada a prêmio global em meio a novos investimentos no setor
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) foi indicada ao prêmio de Agência Pública de Água do Ano 2025 no Global Water Awards, reconhecimento ao seu papel na regulação de recursos hídricos e saneamento no Brasil, com resultado previsto para 19 de maio em Madri. Paralelamente, o Sesc Bahia firmou contrato com a EDP no mercado livre de energia para fornecimento de 0,61 MW médios, totalizando 26.718 MWh até 2030, com expectativa de economia de cerca de 30% e emissão de mais de 26 mil certificados I-REC. No campo industrial, a TSEA anunciou investimento de US$ 25 milhões em fábrica de reguladores de tensão nos Estados Unidos, com início de operação no quarto trimestre de 2026. Já a Copel destinará R$ 33 milhões à ampliação da subestação Posto Fiscal, no Paraná, com instalação de transformador de 150 MVA, elevando em 50% a capacidade e beneficiando cerca de 22 mil unidades consumidoras até 2029. (Agência CanalEnergia - 30.03.2026)
AIE aponta avanço da energia nuclear como pilar da transição energética
A transição energética global, impulsionada pelo crescimento da demanda por eletricidade e pela necessidade de descarbonização, tem elevado o debate sobre a segurança e estabilidade dos sistemas elétricos. Segundo a AIE, o consumo mundial de energia deve crescer mais de 3,5% ao ano até 2030, com destaque para a digitalização, data centers e veículos elétricos, que podem consumir até 945 TWh anuais. Nesse cenário, a energia nuclear volta ao centro das estratégias por oferecer geração contínua, baixa emissão de carbono e fator de capacidade superior a 90%, complementando fontes intermitentes como solar e eólica. Países como China, Reino Unido e Polônia ampliam investimentos, enquanto o Brasil possui vantagens competitivas, como reservas de urânio e domínio tecnológico do ciclo nuclear. O Plano Nacional de Energia já prevê expansão dessa fonte, com potencial de geração de empregos, inovação e aplicações além da eletricidade, incluindo saúde e indústria. (CNN Brasil - 31.03.2026)
Crise Climática
Inmet emite alerta laranja para chuvas de até 100 mm/dia em SP, MG, PR e SC
A atuação de um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN) deve provocar temporais nos estados do Sul e Sudeste a partir de 31 de março, elevando o risco de eventos climáticos severos. O fenômeno, caracterizado por baixa pressão e ar frio em altitude, favorece a formação de tempestades isoladas com granizo, além de trombas d’água no litoral devido ao contraste térmico com o oceano aquecido. A instabilidade deve atingir estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina ao longo da semana, com previsão de chuvas irregulares, porém intensas em alguns pontos. O Inmet emitiu alerta laranja, indicando precipitações entre 30 e 60 mm/h ou até 100 mm/dia, com risco de alagamentos, quedas de energia e danos estruturais. O sistema tende a se dissipar gradualmente até 3 de abril, mas ainda deve manter pancadas de chuva em diversas regiões. (Estadão - 31.03.2026)
Probabilidade de El Niño em 2026 supera 60% no inverno e 80% no 2º semestre
A crescente probabilidade de um novo episódio de El Niño em 2026, superior a 60% no inverno e próxima de 80% no segundo semestre, já influencia decisões econômicas no Brasil ao afetar simultaneamente agricultura e energia. O fenômeno altera o regime de chuvas, beneficiando parcialmente o Sul, mas elevando riscos de seca no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, com impactos diretos na produção agrícola, custos e preços de alimentos. No setor elétrico, a redução de chuvas em regiões estratégicas pode comprometer a recuperação de reservatórios, aumentando o despacho de termelétricas e pressionando o custo marginal de operação. Esse cenário pode acelerar a mudança de bandeiras tarifárias, encarecendo a conta de luz e ampliando efeitos inflacionários. A combinação de energia mais cara e alimentos pressionados configura um choque climático com impactos macroeconômicos relevantes, cuja intensidade dependerá da evolução do fenômeno. (CNN Brasil - 30.03.2026)
Empresas
Vibra comunica clientes sobre possível reajuste de 54,63%
A Vibra Energia comunicou clientes do setor aéreo sobre um possível reajuste de 54,63% no preço do querosene de aviação (QAV), a ser aplicado pela Petrobras a partir de 1º de abril, embora a estatal ainda não tenha confirmado oficialmente o aumento. O combustível já havia sofrido reajuste de 9,4% em março, seguindo a política mensal de preços baseada em fórmulas específicas. Segundo fontes do mercado, a Petrobras tende a repassar integralmente a variação contratual, especialmente diante da ausência de redução nos preços das passagens aéreas após cortes anteriores. O aumento expressivo do QAV pode impactar significativamente os custos operacionais das companhias aéreas, com potenciais reflexos nas tarifas ao consumidor e na inflação, além de reforçar a volatilidade dos preços de combustíveis no país. (Estadão - 30.03.2026)
Isa prioriza redução de alavancagem após ciclo de R$ 10 bi em investimentos
A Isa Energia entrou em uma fase de ajuste financeiro após um ciclo de crescimento acelerado, marcado por aquisições de concessões e investimentos relevantes em transmissão. Segundo o CEO Rui Chammas, a estratégia atual prioriza a redução da alavancagem, que atingiu 3,6 vezes a relação dívida líquida/Ebitda no quarto trimestre de 2025, ao mesmo tempo em que mantém a expansão com disciplina. Desde 2020, a empresa ampliou sua presença no setor, incluindo projetos que demandaram cerca de R$ 10 bilhões em investimentos, ainda em execução. A companhia pretende equilibrar crescimento e estrutura de capital por meio da geração de caixa e de uma política de dividendos que prevê distribuição de 75% do lucro líquido regulatório. A participação em novos leilões dependerá da evolução financeira e da capacidade de absorver novos ativos sem comprometer a sustentabilidade econômica. (CNN Brasil - 30.03.2026)
Energisa testa modelo de fatura pré-paga em SP, PB e TO
A Energisa iniciou os testes do Plano Pré-pago, quarto e último modelo da Conta Inteligente avaliado no sandbox tarifário da Aneel, em 36 cidades de São Paulo, Paraíba e Tocantins. O formato, já adotado em países como Alemanha, Reino Unido, Argentina e Colômbia, permite ao consumidor comprar créditos convertidos em kWh, em lógica semelhante à de telefonia e streaming. Para participar, será necessário medidor especial, e o teste terá duração de até 12 meses. As adesões de voluntários começam em 30 de março e poderão ser feitas até maio pelo aplicativo Energisa ON ou pela agência digital da companhia. O plano prevê recargas entre R$ 30 e R$ 500, além de múltiplos de R$ 10, sem custo de ingresso e com possibilidade de retorno ao modelo convencional a qualquer momento. Podem aderir consumidores residenciais que não estejam na Tarifa Social, não tenham cobranças adicionais na fatura e não sejam atendidos por geração distribuída. Segundo a empresa, o objetivo é medir a receptividade ao novo arranjo tarifário, seus efeitos sobre o comportamento de consumo e a relação do cliente com a distribuidora. (Brasil Energia – 30.03.2026)
Celesc entrega subestação e linha associada em Palmeira (SC)
O governo de Santa Catarina e a Celesc inauguraram em Palmeira a subestação de seccionamento Palmeira Chlorum e a linha de distribuição associada, em empreendimento que recebeu investimento total de R$ 7,88 milhões com recursos da concessionária estadual. A nova estrutura foi projetada para atender a Chlorum Lages Indústria e Comércio de Cloro e Álcalis em alta tensão, a 138 kV, e já foi preparada para futura implantação de um módulo completo de entrada de linha com capacidade para um transformador de 26,67 MVA. Segundo a companhia, a entrega amplia a robustez do sistema regional, cria condições para expansão da rede de média tensão, reduz perdas técnicas e reforça a capacidade de atendimento a novos empreendimentos industriais. Para a Celesc, o ativo também melhora a prontidão da infraestrutura elétrica em uma área com potencial de crescimento econômico e industrialização. O diretor de Engenharia e Obras, Cláudio Varella, destacou que a obra fortalece a rede em uma região estratégica, associando o projeto à expansão do sistema e à atração de investimentos produtivos no entorno. (Brasil Energia – 30.03.2026)
Raízen nomeia novo conselheiro independente
O Conselho de Administração da Raízen aprovou a nomeação de José Flavio Ferreira Ramos como novo membro efetivo do colegiado, na condição de conselheiro independente. O executivo é formado em Administração de Empresas, com especialização em Finanças pelo Centro Universitário UNA, e construiu trajetória em instituições financeiras e conselhos corporativos. Atuou por 23 anos no Citigroup, onde exerceu, entre outras funções, os cargos de Country Treasurer e Head de Capital Markets na Colômbia e no Brasil. Depois, comandou o family office da família de Joseph Safra entre 2008 e 2012, integrou o BR Partners e tornou-se CFO do BNDES em 2019, instituição na qual também foi presidente interino. Em seu retorno ao BR Partners, em 2021, passou a atuar como sócio e CEO e a compor o conselho da BR Advisory Partners. Atualmente, participa do Conselho Deliberativo do Funbio e é vice-presidente do Conselho de Autorregulação da BSM, da B3. Seu mandato na Raízen passa a vigorar imediatamente e seguirá até a próxima assembleia geral, quando a eleição será submetida à ratificação para completar o mandato em curso. (Brasil Energia – 30.03.2026)
Oferta e Demanda de Energia Elétrica
Nordeste tem ENA de 104% da média histórica, enquanto SE/CO registra 80%
Os níveis de armazenamento de energia no Sistema Interligado Nacional apresentaram variações moderadas, com destaque para a Região Norte, que alcançou 94,4% da capacidade após alta de 0,2 ponto percentual. O subsistema registra 14.447 MW mês de energia armazenada e ENA de 27.181 MW médios, equivalente a 76% da média de longo prazo, enquanto a UHE Tucuruí opera com 95,89%. No Nordeste, o armazenamento subiu 0,6 p.p., chegando a 89%, com ENA de 104% da MLT e destaque para Sobradinho com 87,98%. Já o Sudeste/Centro-Oeste atingiu 65,2%, com 133.386 MW mês armazenados e ENA de 80% da MLT. No Sul, os níveis permaneceram estáveis em 32,4%, com ENA equivalente a 41% da média histórica. Os dados refletem condições hidrológicas distintas entre regiões e são fundamentais para o planejamento da operação do sistema elétrico e garantia do atendimento à demanda. (Agência CanalEnergia - 30.03.2026)
Moody’s: Curtailment pressiona crédito de geradoras renováveis
A expansão acelerada da geração eólica e fotovoltaica no Brasil continua impondo dificuldades ao escoamento integral da energia produzida, com impacto crescente sobre a previsibilidade de caixa e as métricas de crédito de geradoras e projetos, segundo relatório da Moody’s Local Brasil. A agência destaca que as restrições operativas por curtailment atingiram níveis recordes em 2025: entre janeiro e dezembro, o ONS registrou Geração Não Realizada Apurada de 4,2 GWm, ante Geração Verificada de 16,0 GWm. O problema, antes mais concentrado no Nordeste, passou a afetar também empreendimentos em Minas Gerais, além de atingir projetos eólicos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Embora reconheça avanços regulatórios, como a Lei 15.269/25, derivada da conversão da MP 1304/2025 e voltada à compensação mediante termo de compromisso com o poder concedente, a Moody’s avalia que ainda faltam critérios detalhados e estabilidade regulatória. Entre as respostas possíveis, cita maior flexibilização de térmicas, intercâmbio entre subsistemas, leilão de baterias, expansão da transmissão e desenvolvimento de novas demandas, como data centers. (Brasil Energia – 30.03.2026)
BBCE: Preço da energia elétrica para abril cai 24,43% em semana de PMO
No contexto da reunião do Programa Mensal de Operação (PMO), os preços da energia elétrica negociados na plataforma da BBCE apresentaram quedas expressivas, refletindo mudanças nas projeções de consumo e afluência hídrica divulgadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Para o submercado Sudeste/Centro-Oeste, o megawatt-hora (MWh) para entrega em abril registrou uma redução de 24,43%, fechando a última sexta-feira, 27 de março, a R$ 235,53, contra R$ 311,68 na sexta-feira anterior. Essa queda é a mais significativa entre os contratos negociados na semana. Além disso, os contratos para os meses seguintes também sofreram recuos consideráveis: o vencimento para maio caiu 18,63%; para junho, a queda foi de 7,90%; o contrato trimestral do segundo trimestre teve baixa de 14,48%; e o contrato trimestral para o período de julho a setembro recuou 4,85%. No que diz respeito à liquidez da plataforma, destacam-se as operações para o segundo semestre de 2026, que somaram 83 negócios envolvendo 773 gigawatts-hora (GWh), movimentando aproximadamente R$ 215,75 milhões. O preço médio da energia para esse contrato encerrou a semana em R$ 284,57 por MWh, com redução de 3,53%. A principal causa para a queda dos preços está nas atualizações das projeções do ONS. A previsão de crescimento da carga de energia elétrica para abril no Sudeste/Centro-Oeste foi revisada para baixo, passando de uma expectativa inicial de 5,38% para apenas 0,5%. Para maio, a projeção de crescimento da carga também foi reduzida. Já a Energia Natural Afluente (ENA), que mede o volume de água disponível nos reservatórios das hidrelétricas, está estimada em 78% da média histórica para a região. (Broadcas tEnergia - 30.03.2026)
FMI: Conflito no Oriente Médio pressiona energia e inflação global
O conflito no Oriente Médio está gerando impactos significativos nos mercados globais de energia e cadeias produtivas, segundo o FMI, ao afetar rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, por onde passam 25% a 30% do petróleo mundial e 20% do GNL. A interrupção logística eleva custos de combustíveis, fertilizantes e fretes, além de pressionar preços de alimentos e energia, especialmente em países importadores e economias de baixa renda. O aumento da volatilidade também afeta mercados financeiros, com queda de bolsas e alta de juros em economias avançadas. O redirecionamento de fluxos comerciais e o aumento dos custos de seguros ampliam os impactos sobre o comércio global. O FMI destaca que o choque é assimétrico, mas tende a agravar pressões inflacionárias e dificultar a recuperação econômica global. (CNN Brasil - 30.03.2026)
Consumo de energia recua 1,1% no Brasil em fevereiro de 2026
A Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica da EPE apontou consumo nacional de 47.343 GWh em fevereiro de 2026, volume 1,1% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025 e suficiente para interromper a sequência de alta observada nos três meses anteriores. Apenas a classe comercial avançou, com crescimento de 0,3%, enquanto os segmentos residencial, industrial e outros recuaram 1,2%, 1,1% e 2,6%, respectivamente. Regionalmente, Norte (+4,7%) e Nordeste (+0,3%) expandiram o consumo, ao passo que Centro-Oeste (-0,5%), Sul (-1,3%) e Sudeste (-2,4%) registraram retração. Nos 12 meses acumulados, o mercado somou 564.222 GWh, alta de 0,1%. O mercado livre respondeu por 20.952 GWh, ou 44,3% do total, com avanço de 2,9% no consumo e de 28,3% no número de consumidores, enquanto o mercado regulado das distribuidoras, com 26.391 GWh e participação de 55,7%, caiu 4,0%, apesar do aumento de 1,3% na base atendida. A EPE lembra que, após a abertura para todo o grupo A em janeiro de 2024, 26 mil consumidores migraram ao ACL em 2024 e outros 19 mil em 2025. (EPE – 30.03.2026)
Mobilidade Elétrica
Iveco investe R$ 1 bi em fábrica de Sete Lagoas até 2028
A Iveco anunciou investimento de R$ 1 bilhão em sua fábrica de Sete Lagoas (MG) até 2028, marcando um novo ciclo de aportes após o encerramento do programa anterior em 2025. Os recursos serão destinados à modernização industrial, desenvolvimento de motores, caminhões e ônibus, além de atividades de pesquisa e desenvolvimento. O complexo, maior unidade da Iveco no mundo, integra fabricação, engenharia e testes, além da operação da FPT Industrial, responsável por motores utilizados em diversos segmentos, incluindo geração de energia. O investimento ocorre em um cenário desafiador para o mercado de veículos comerciais, impactado pela norma Proconve P8 (Euro 6), que elevou custos e afetou a demanda. A iniciativa busca fortalecer a competitividade da companhia e ampliar sua capacidade tecnológica no Brasil. (Estadão - 30.03.2026)
Marcopolo, Sertran e bp testam micro-ônibus híbrido elétrico a etanol
A Marcopolo, Sertran Transportes e bp bioenergy iniciaram uma operação de demonstração do Volare Attack 10 Híbrido – Elétrico/Etanol, micro-ônibus lançado em 2024 e apresentado como solução escalável para descarbonização do transporte em aplicações que exigem eficiência, autonomia e redução de emissões. O piloto será realizado em uma usina da bp bioenergy, com rota operacional definida com a Sertran para transporte de colaboradores, enquanto a Engenharia da Marcopolo acompanhará o desempenho do veículo e promoverá eventuais ajustes técnicos. O modelo combina tração 100% elétrica com geração de energia por etanol, utilizando bateria de alta tensão de até 120 kWh e motor elétrico WEG para a tração. A recarga é suprida por motor que atua exclusivamente como gerador, sem ligação mecânica com as rodas, operando em faixa ideal de eficiência. Segundo as empresas, o arranjo permite autonomia entre 500 km e 650 km sem necessidade de infraestrutura de recarga, o que amplia a viabilidade em regiões rurais e operações contínuas. O veículo também foi concebido com elevado nível de nacionalização e capex inferior ao de elétricos puros. (Brasil Energia – 30.03.2026)
Neta Auto pode ser adquirida por empresa de grande porte
A montadora chinesa Neta Auto pode ser adquirida por uma empresa de grande porte, conforme indicação de representantes da filial brasileira, com anúncio esperado nos próximos dias. A incerteza sobre a estratégia do novo controlador levanta dúvidas sobre a continuidade das operações no Brasil, embora contratos existentes garantam presença por alguns anos. A empresa afirma manter saúde financeira local e segue prestando suporte pós-venda. No país, a Neta tem atuação limitada, com apenas 32 emplacamentos em janeiro e 4 em fevereiro, concentrando vendas em locadoras como a LDV Rent Car. A expectativa é encerrar março com 45 unidades. A marca também avalia o lançamento do SUV elétrico Neta L, com sistema de autonomia estendida (REEV), mas ainda sem confirmação. O movimento ocorre em meio à baixa escala comercial e reestruturação global da companhia. (Estadão - 30.03.2026)
Eletrificação redefine desempenho de carros esportivos e aceleração
A eletrificação vem transformando o segmento de carros esportivos, elevando significativamente o desempenho e reduzindo tempos de aceleração. O Porsche Taycan Turbo GT, modelo elétrico, tornou-se referência ao atingir 0 a 100 km/h em 2,2 segundos com 1.034 cv, superando padrões históricos estabelecidos por modelos a combustão, como o Audi RS2, que fazia o mesmo em 5,8 segundos. A incorporação de sistemas híbridos e elétricos permite entrega imediata de torque, ampliando eficiência e performance. Tecnologias como o T-Hybrid combinam motores a combustão com unidades elétricas para otimizar aceleração e recuperação de energia. O avanço ocorre em paralelo à diversificação do mercado, que mantém opções mais acessíveis, enquanto consolida a eletrificação como tendência dominante no segmento de alto desempenho automotivo global. (Folha de São Paulo - 30.03.2026)
BYD eleva meta de exportações para 1,5 mi de veículos em 2026
A BYD revisou para 1,5 milhão de veículos sua projeção de vendas no exterior em 2026, aumento de 15% em relação à estimativa anterior de 1,3 milhão, refletindo a estratégia de expansão global diante da desaceleração do mercado chinês. A montadora, que superou a Tesla em 2025 como maior vendedora mundial de veículos elétricos, intensifica sua presença internacional em meio à guerra de preços doméstica e à crescente concorrência local. Fevereiro marcou um ponto relevante, com vendas externas superando as domésticas pela primeira vez, ainda que influenciadas por sazonalidade. A expansão será sustentada por novas fábricas, incluindo unidades na Hungria e no Brasil, esta última com previsão de exportar 100 mil veículos para México e Argentina. Na Europa, os registros cresceram 160% em fevereiro, evidenciando forte avanço da companhia fora da Ásia. (Valor Econômico - 30.03.2026)
Jeep Commander 2027 adota sistema híbrido leve e amplia eficiência energética
O Jeep Commander 2027 passa a incorporar sistema híbrido leve de 48V nas versões intermediárias, combinando o motor 1.3 turbo flex de até 176 cv com tecnologia de recuperação de energia em desacelerações. O sistema MHEV proporciona ganhos de eficiência, com economia de até 9,4% de combustível e incremento pontual de torque, embora não permita operação totalmente elétrica. Os dados do PBEV indicam consumo urbano de 7,6 km/l com etanol e 11 km/l com gasolina. A tecnologia atende a exigências regulatórias e pode gerar benefícios fiscais, além de ampliar a eficiência energética do modelo. As versões superiores mantêm motores mais potentes, como o diesel de 200 cv e o turbo flex de 272 cv. O modelo também preserva recursos de condução semiautônoma, reforçando a estratégia da marca de eletrificação gradual no mercado brasileiro. (Estadão - 30.03.2026)
Inovação e Tecnologia
Brasil concentra 48% da capacidade de data centers da AL e atrai R$ 500 bi
O Brasil consolida sua posição como principal hub de data centers da América Latina, concentrando 48% da capacidade instalada e 71% da infraestrutura em construção, com investimentos projetados de R$ 500 bilhões até 2030. O crescimento, impulsionado por computação em nuvem, inteligência artificial e digitalização, amplia desafios relacionados ao consumo de energia, sustentabilidade e confiabilidade operacional. Iniciativas como o projeto ECOS, desenvolvido pelo CPQD e ABDI com aporte de R$ 3 milhões, buscam soluções inovadoras para eficiência energética, redução do uso de água e integração de fontes renováveis, com participação de até seis startups. Tecnologias como inteligência artificial, sistemas de armazenamento (BESS) e automação são centrais para otimizar operações, especialmente em sistemas de resfriamento, que representam parcela significativa dos custos. Além disso, melhorias em HVAC e controle de fluidos contribuem para reduzir o PUE e elevar a eficiência, reforçando a competitividade do país na economia digital. (Agência CanalEnergia - 30.03.2026)
Projeto da Light usa IA para mapear interação de fauna com rede elétrica
Projeto conduzido pela Light em parceria com o Instituto Vida Livre e a Concert Lab analisou mais de 26 mil vídeos e registrou 1.100 animais para entender a interação da fauna com a rede elétrica urbana. O estudo, realizado em áreas do Rio de Janeiro, identificou 428 ocorrências, sendo 120 com interação direta, envolvendo espécies como macacos e aves. A iniciativa utiliza inteligência artificial para cruzar dados ambientais e operacionais, permitindo identificar áreas de maior risco e orientar medidas preventivas. Entre as soluções propostas estão isolamento de estruturas, poda de vegetação e instalação de dispositivos de proteção. O projeto integra o programa de P&D da Aneel e contribui para reduzir interrupções no fornecimento e preservar a biodiversidade, representando avanço na integração entre tecnologia e gestão de redes elétricas. (Valor Econômico - 31.03.2026)
GoodWe lança plataforma SEMS+ com IA
A digitalização do setor elétrico avança com soluções que permitem ao consumidor acompanhar o uso de energia em tempo real, substituindo o modelo tradicional baseado apenas na fatura mensal. Nesse contexto, a GoodWe lançou a plataforma SEMS+, voltada a residências, comércios, indústrias e agronegócio, integrando monitoramento, análise e controle energético em um único ambiente digital. A ferramenta utiliza inteligência artificial para identificar padrões de consumo, detectar picos de uso e indicar oportunidades de redução de custos, além de permitir o acompanhamento da geração solar e do envio de energia à rede. Entre os diferenciais, estão a análise comportamental ao longo do dia e a identificação de possíveis falhas ou quedas de desempenho antes que se tornem críticas. A solução também oferece interface intuitiva via aplicativo ou web, facilitando a interpretação de dados técnicos e contribuindo para decisões mais eficientes sobre o uso da energia. (Agência CanalEnergia - 31.03.2026)
Mistral capta US$ 830 mi para expandir data centers de IA na Europa
A startup francesa Mistral levantou US$ 830 milhões em dívida para financiar a construção de data centers com tecnologia Nvidia na Europa, em meio à crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial. O plano integra investimento total de € 4 bilhões e prevê capacidade de 200 MW até 2027, com unidades na França e Suécia. A iniciativa reflete o movimento europeu por soberania tecnológica frente a gigantes como Google e Microsoft, impulsionado por tensões geopolíticas. A empresa, avaliada em quase € 12 bilhões, busca oferecer soluções integradas de software e infraestrutura de IA. O financiamento acompanha tendência global de uso intensivo de capital para expansão de data centers, embora analistas alertem para riscos de sobreoferta e retorno incerto diante do ritmo acelerado de investimentos no setor. (Valor Econômico - 31.03.2026)
Energias Renováveis
Carrefour fecha PPA de R$ 1 bi com Casa dos Ventos por 10 anos
O Carrefour Brasil firmou contrato de longo prazo no valor de R$ 1 bilhão com a Casa dos Ventos para fornecimento de energia renovável por 10 anos, atendendo 25% de seu consumo elétrico. A energia virá do Complexo Solar Paraíso, em Mato Grosso do Sul, com capacidade total de 640 MW, sendo 240 MW destinados à varejista a partir de 2027. O acordo na modalidade de autoprodução garante previsibilidade de custos e redução de encargos, em um contexto de volatilidade crescente no mercado elétrico. A iniciativa reforça a estratégia de descarbonização da empresa, que já possui 96,8% do consumo no mercado livre. A Casa dos Ventos projeta investir R$ 10 bilhões em novos projetos até 2028, ampliando sua capacidade para 11,5 GW até 2030. (Valor Econômico - 31.03.2026)
Aeris: CFO deixa o cargo e CEO assume RI interinamente
A Aeris Energy informou que seu conselho de administração tomou conhecimento, na sexta-feira (27), da renúncia de José Ricardo Elbel Simão aos cargos de diretor Administrativo Financeiro e de Relações com Investidores, poucos meses após sua chegada à companhia, anunciada em fevereiro como parte da estratégia de reforço da eficiência operacional, do fortalecimento financeiro e da geração de valor no longo prazo. Com a saída, o diretor-presidente Alexandre Sarnes Negrão passa a acumular interinamente a diretoria de Relações com Investidores, enquanto a função de diretor Administrativo-Financeiro permanece temporariamente vaga. No mesmo dia, a empresa comunicou a contratação de Cristiane Barretto Sales, que iniciará suas atividades em 13 de abril para coordenar a área financeira e apoiar a administração. A executiva soma 35 anos de experiência em finanças, transformação organizacional e liderança, com atuação em turnaround, renegociação de dívidas, operações de M&A e IPOs, sempre com foco em rentabilidade, disciplina financeira e geração de valor. (Brasil Energia – 30.03.2026)
BNDES financia usina de etanol de milho com R$ 1 bi em Mato Grosso
O BNDES aprovou financiamento de R$ 1 bilhão para construção de usina de etanol de milho em Tapurah (MT), com capacidade de até 459 milhões de litros de etanol hidratado por ano. O projeto, da RRP Energia, representa mais de 60% do investimento total e será financiado com recursos do Fundo Clima e da linha BNDES Finem. A iniciativa visa reduzir emissões, com potencial de evitar 309 mil toneladas de CO2 equivalente anuais, e reforça a expansão do etanol de milho no Centro-Oeste. A planta processará mais de 1 milhão de toneladas de grãos por ano e inclui termelétrica de 27 MW para autoconsumo. O empreendimento sinaliza a integração entre agronegócio e energia, fortalecendo a diversificação da matriz energética brasileira e a interiorização da produção de biocombustíveis. (Folha de São Paulo - 31.03.2026)
Estoques de etanol caem ao menor nível em 6 anos, mas oferta segue garantida
Os estoques de passagem de etanol no Centro-Sul atingiram 1,79 milhão de m³, queda de 28% e o menor nível em seis anos, refletindo impactos climáticos e dinâmica de mercado. Apesar disso, o abastecimento está assegurado por importações antecipadas e pela expansão da produção de etanol de milho, que mantém oferta contínua na entressafra da cana. O Brasil importou 213,2 mil m³ nos dois primeiros meses do ano, aproveitando condições favoráveis de preço. A produção para 2026/2027 pode alcançar 36,9 milhões de m³, alta de 9,82%. A valorização da gasolina, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, aumentou a competitividade do etanol hidratado, enquanto a elevação da mistura obrigatória para E30 reforçou a demanda. O setor ainda discute aumento para E32 ou E35, embora testes técnicos estejam em andamento, limitando avanços regulatórios imediatos. (Agência Eixos - 30.03.2026)
Inpasa inaugura biorrefinaria na Bahia com investimento de R$ 1,3 bi
A Inpasa iniciou operação de sua nova biorrefinaria em Luís Eduardo Magalhães (BA), com capacidade anual de 470 milhões de litros de etanol e investimento de R$ 1,3 bilhão. A unidade processa até 1 milhão de toneladas de milho e sorgo por ano e produz subprodutos como 245 mil toneladas de DDGS, 23 mil toneladas de óleo vegetal e 132 GWh de energia elétrica. O projeto gerou cerca de 2.500 empregos na construção e manterá 450 postos permanentes. A expansão fortalece a presença da empresa no Nordeste e amplia sua capacidade total para 6,2 bilhões de litros anuais. A companhia possui oito unidades operacionais e prevê novas plantas até 2027. A iniciativa também impulsiona o desenvolvimento agrícola regional e contribui para a diversificação da matriz energética com biocombustíveis. (Agência Eixos - 30.03.2026)
Orizon inaugura planta de biometano com capacidade de 108 mil m³/dia
A Orizon inaugurou a planta de biometano do Ecoparque Jaboatão, em Pernambuco, com investimento de R$ 258 milhões e capacidade de produção de 108 mil m³ por dia. O projeto utiliza biogás gerado por 3,5 mil toneladas diárias de resíduos de 2,5 milhões de pessoas, transformando-o em combustível renovável injetado na rede da Copergás. A iniciativa amplia a oferta de gás de baixo carbono sem necessidade de adaptações na infraestrutura existente, contribuindo para metas de descarbonização industrial e urbana. A empresa avalia implementar sistemas de liquefação para expandir a distribuição fora da malha de gasodutos. A planta reforça o papel do biometano como alternativa competitiva ao gás fóssil, com ganhos ambientais e operacionais, além de consolidar soluções de economia circular no setor energético brasileiro. (Agência Eixos - 30.03.2026)
Sulgás cria hub para ampliar oferta de biometano no RS
A Sulgás lançou o Sulgás BioHub, primeiro hub de biometano do Rio Grande do Sul, com o objetivo de estruturar a recepção de gás 100% renovável, ampliar a oferta do energético no Estado e facilitar a entrada de novos produtores no mercado. A expectativa é que a operação comece em 2027, a partir de uma instalação em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre, que receberá o gás comprimido transportado dos produtores para passar por descompressão, controle de qualidade e medição certificada antes da injeção no sistema de gás canalizado. Segundo a distribuidora, o arranjo inaugura um novo modelo de distribuição no Estado, preservando os requisitos técnicos e regulatórios e assegurando a mesma segurança e qualidade do gás natural já fornecido aos clientes. Para organizar a contratação de supridores, a companhia publicará em abril um edital de recebimento de propostas, enquanto os produtores estarão sujeitos a uma tarifa de injeção a ser definida pela Agergs. A iniciativa é posicionada pela empresa como instrumento de transição energética com segurança de abastecimento. (Brasil Energia – 30.03.2026)
Leilões
Aneel estima leilão de transmissão de R$ 22 bi em outubro de 2026
A Aneel estima que o próximo leilão de transmissão de energia, previsto para o fim de outubro de 2026, poderá movimentar cerca de R$ 22 bilhões em investimentos, superando certames anteriores. A consulta pública deve ser aberta no início de abril, enquanto a realização do leilão depende de deliberação do TCU, esperada em até 30 dias. Segundo o secretário de leilões, Ivo Nazareno, o certame contará com lotes ainda em definição, mas deve atrair forte interesse do mercado. O anúncio ocorre após o leilão realizado em 27 de março, que movimentou R$ 3,3 bilhões e registrou deságio médio de 50,69%, o maior desde 2020. Empresas como Engie, Cymi e o consórcio BR2 Transmissora foram vencedoras. A expectativa é de manutenção da elevada competitividade e ampliação dos investimentos em infraestrutura elétrica. (CNN Brasil - 30.03.2026)
Gás e Termelétricas
Eneva: Transação com a Diamante Energia reforça estratégia para terminal de GNL
A venda de 100% da participação da Eneva na termelétrica a carvão Porto do Pecém II, no Ceará, para a Diamante Energia, em operação avaliada em R$ 872,3 milhões em enterprise value, foi classificada pelo Itaú BBA como um movimento estratégico para reposicionar a companhia em torno do gás natural e da infraestrutura de suprimento. Do valor total, R$ 186,3 milhões correspondem à dívida líquida da usina, havendo ainda parcela contingente de até R$ 149 milhões, condicionada à eventual antecipação dos contratos de capacidade obtidos no LRCap 2026. Para a Eneva, o ponto central da transação é a viabilização do terminal de importação, armazenamento e regaseificação de GNL no Pecém, com capacidade de até 14 milhões m³/dia, ativo considerado essencial para sustentar o Hub Ceará e abastecer as UTEs Jandaia II e III, que somam 1.199,4 MW e iniciarão contratos de 15 anos em agosto de 2029. (Brasil Energia - 30.03.2026)
Brasil cria licença prévia e avança em regras para usinas nucleares
A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) publicou novas resoluções que modernizam o licenciamento de usinas nucleares no Brasil, incluindo a criação da Licença Prévia de Local (LPL), que permite aprovar sítios antes da definição do projeto. A medida aumenta previsibilidade regulatória e facilita o planejamento de empreendimentos, permitindo diferentes configurações tecnológicas no futuro. As normas também incorporam diretrizes para pequenos reatores modulares (SMRs), considerados estratégicos por sua flexibilidade e menor custo inicial. A atualização ocorre em um contexto de maior valorização da energia nuclear no planejamento energético, com o Plano Energético Nacional 2055 elevando a projeção de capacidade instalada para até 14 GW. O movimento alinha o país a tendências globais e busca atrair investimentos, além de ampliar o papel da fonte na segurança energética e em aplicações como hidrogênio e data centers. (Agência Eixos - 30.03.2026)