IFE
29/04/2026

IFE nº 215

Assinatura:
Equipe de Pesquisa UFRJ
Editor: Prof. Nivalde J. de Castro (nivalde@ufrj.br)
Subeditores: Ana Carolina Chaves, Gustavo Esteves e Kalyne Brito
Pesquisadores: Gabriel Eleotério
Assistente de pesquisa: Sérgio Silva

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Hidrogênio 215

Políticas Públicas e Financiamentos

Brasil: Governo RN lança atlas de H2V e estima potencial de 90 milhões de t/ano

O Governo do Rio Grande do Norte lançou o Atlas de Hidrogênio Verde do estado, desenvolvido em parceria com o Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis, com o objetivo de mapear áreas aptas à instalação de plantas de produção e ao desenvolvimento de cadeias produtivas associadas ao H2V. Segundo o estudo, o potencial total de produção no estado alcança 90 milhões de toneladas por ano considerando todas as áreas mapeadas, enquanto em um cenário conservador, com uso de 10% dessas áreas, a capacidade ficaria próxima de 10 milhões de toneladas anuais. Os custos estimados variam entre US$ 1,92/kg e US$ 4,20/kg para rotas eólicas e entre US$ 3,40/kg e US$ 3,58/kg para solares. Para o diretor do Senai e do ISI-ER, Rodrigo Mello, o crescimento inicial da indústria brasileira deverá ser puxado pelo mercado interno, com demanda potencial em transporte, siderurgia, alimentos e refino. (Brasil Energia - 13.04.2026)

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UE: Lançamento da Aliança Europeia de Resiliência para Hidrogênio Limpo

A Comissão Europeia oficializou o lançamento da Aliança Europeia de Resiliência para Hidrogênio Limpo e Derivados (ERA), iniciativa pan-europeia liderada por CEOs que unem empresas industriais líderes em toda a cadeia de valor do hidrogênio limpo para enfrentar os desafios energéticos da Europa, aumentar a competitividade industrial e garantir a autonomia estratégica. Segundo a aliança, menos de 7% dos projetos da cadeia chegaram à decisão final de investimento. Em documento divulgado no lançamento, a ERA aponta como entraves a fragmentação regulatória, as regras complexas para RFNBO, o alto custo da eletricidade — responsável por 70% do custo de produção do hidrogênio —, a baixa previsibilidade da demanda e as incertezas sobre infraestrutura. Entre os membros fundadores estão a Enagás, Fluxys, Fortum, Gasgrid Finland, Moeve, Nordion Energi, OGE, RWE Generation, SEFE, Stegra e thyssenkrupp. (Hydrogen Europe - 14.04.2026)

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Produção

Brasil: White Martins inaugura 2ª planta de H2V em SP

A White Martins inaugurou em Jacareí (SP) sua segunda usina de hidrogênio verde (H2V) no Brasil e a primeira no Sudeste, elevando sua capacidade total para 1 mil toneladas por ano. A nova planta tem capacidade de 800 toneladas anuais e utilizará eletrólise da água com energia renovável, em um eletrolisador de 5 MW, para abastecer clientes industriais de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais interessados em descarbonizar operações. Segundo a companhia, 20% da produção será destinada à fabricante de vidros Cebrace e os 80% restantes a clientes dos setores metalúrgico, químico e de alimentos. A empresa estima evitar 1.610 toneladas de CO2 por ano apenas no fornecimento à Cebrace e 8 mil toneladas anuais em relação à produção de hidrogênio cinza em toda a planta de Jacareí. A White Martins também vê potencial exportador para o combustível e informou que já opera 230 MW de energia renovável, quase metade da demanda de suas 75 plantas conectadas no país. (Valor Econômico – 15.04.2026)

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Armstrong Industrial faz parceria com Hystar para fornecer usinas modulares de H2

A Armstrong Industrial formalizou uma parceria estratégica com a norueguesa Hystar, desenvolvedora e fabricante de stacks PEM ultraeficientes, para fornecer usinas modulares e integradas de produção de hidrogênio com capacidades entre 1 MW e 20 MW. A colaboração junta a tecnologia de stacks de membrana de troca protônica de alta eficiência da Hystar e a expertise da Armstrong em integração de balance-of-plant. Seu resultante são soluções escaláveis e de nível industrial para produção de hidrogênio verde, o que pode acelerar a adoção industrial de H2. (Hydrogen Europe - 16.04.2026)

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Sunfire apresenta módulo eletrolisador de 50 MW para projetos industriais

A Sunfire, fabricante alemã de eletrolisadores sediada na Alemanha, lançou um novo módulo de eletrólise alcalina pressurizada com capacidade de 50 MW, voltado a projetos industriais de hidrogênio em larga escala. Segundo a empresa, a novidade reduz de forma relevante o custo total de instalação e facilita a ampliação de plantas, ao reunir maior potência em um único módulo. O sistema utiliza a tecnologia de segunda geração de pilhas alcalinas pressurizadas da Sunfire, com operação a 30 bar(g), já empregada em unidades industriais em funcionamento na Europa. O novo equipamento representa um salto de escala em relação ao módulo alcalino pressurizado anterior da companhia, de 10 MW, multiplicando por cinco a capacidade ofertada. Com o anúncio, a empresa reforça sua estratégia de atender à demanda por soluções mais robustas e competitivas para a produção industrial de hidrogênio. (Hydrogen Europe - 15.04.2026)

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Armazenamento e Transporte

UE: Gaz-System caminha para o estatuto de TSO de H2

A polonesa Gaz-System está a caminho de se tornar o primeiro operador de sistema de transmissão (TSO) de hidrogênio certificado pela União Europeia. A empresa foi a primeira a passar pelo novo procedimento de certificação da UE, criado para regulamentar operadores de infraestrutura de transmissão de hidrogênio. A Agência da UE para a Cooperação dos Reguladores de Energia (ACER) publicou parecer confirmando que a Gaz-System atende aos requisitos de separação patrimonial da UE, que estabelecem critérios de independência para operadores do setor. A agência ressalvou, no entanto, que a conformidade continuará sendo monitorada, especialmente no que diz respeito à influência governamental indireta. Além disso, a Gaz-System, de controle estatal, já está envolvida em dois projetos europeus de gasodutos de hidrogênio: o corredor Polônia-Alemanha e o gasoduto nórdico-báltico. Em fevereiro, a empresa abriu consultas públicas sobre seu plano de infraestrutura de hidrogênio para o período 2026-2035. Segundo a companhia, a certificação pode ter papel relevante na construção de um novo mercado de energia na Polônia. (GasWorld - 17.04.2026)

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Uso Final

Brasil: Itaipu Parquetec inaugurará posto de abastecimento de H2 no 2º semestre

O Itaipu Parquetec deverá inaugurar no início do segundo semestre de 2026 o primeiro posto de abastecimento de hidrogênio desenvolvido com tecnologia própria, no âmbito do projeto USE H2, que amplia a infraestrutura de pesquisa da instituição com investimento de R$ 20 milhões. A estação foi concebida para apoiar testes e validações de veículos leves e pesados movidos a hidrogênio por indústrias brasileiras, em um mercado ainda sem infraestrutura equivalente no país. O projeto inclui ainda produção de hidrogênio verde (H2V) por eletrólise e sistemas de armazenamento. O Parquetec também está implantando em Belém (PA) o primeiro posto de abastecimento de H2V para embarcações. (Brasil Energia - 15.04.2026)

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IMO: H2V, etanol e biodiesel ganham espaço na descarbonização naval

A busca por combustíveis alternativos para a navegação marítima acelerou diante das metas da Organização Marítima Internacional (IMO), que prevê redução de pelo menos 20% das emissões até 2030 e emissões líquidas zero por volta de 2050. Nesse contexto, hidrogênio verde, etanol, biodiesel, metanol, amônia e resíduos como óleo de cozinha usado disputam espaço como alternativas ao bunker, combustível fóssil dominante no setor. A Petrobras aposta no B24, mistura com 24% de componentes renováveis, e amplia projetos com metanol e amônia de baixo carbono. A Vale fechou afretamento de dois navios movidos a etanol, com entrega a partir de 2029 e potencial de reduzir em cerca de 90% as emissões frente ao óleo pesado. A Axia avalia atuar em hubs de H2V para transporte marítimo, enquanto Wilson Sons testa biodiesel produzido com óleo de cozinha. Esse movimento indica adesão efetiva do mercado a essa tendência. (Valor Econômico - 16.04.2026)

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ITM Power se junta aos planos da Rheinmetall para rede de combustível eletrônico de defesa

A fabricante britânica de eletrólise PEM ITM Power firmou parceria com a alemã Rheinmetall para apoiar o plano desta última de construir, por toda a Europa, uma rede descentralizada de plantas de e‑fuels verdes à base de hidrogênio. O programa Giga PtX da Rheinmetall prevê a implantação de "várias centenas" de plantas de e‑fuel, cada uma com cerca de 50 MW de capacidade de eletrólise, para produzir até 7.000 toneladas de combustíveis NATO drop‑in. A ITM qualificou o projeto como um "mercado de crescimento potencial significativo" para tecnologias de produção de hidrogênio em grande escala. (Hydrogen Europe - 17.04.2026)

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Tecnologia e Inovação

Engenheiros brasileiros alcançam feito histórico nos EUA com veículo a H2

A equipe Cataratas Energy Efficiency Group (GCEE), vinculada à UNIOESTE e UNILA, alcançou um marco técnico e de projeção internacional ao obter aprovação plena na inspeção técnica com seu protótipo movido a célula a combustível de hidrogênio durante a Shell Eco‑Marathon Americas 2026, realizada no Indianapolis Motor Speedway. O resultado decorreu de ajustes finos no sistema elétrico auxiliar e da recalibração do sensor de hidrogênio para lidar com combustíveis de menor pureza usados nos testes internacionais. Após esse avanço, o time passa para as provas de eficiência, em um ambiente ainda marcado por desafios mecânicos. Apoiada por agentes privados como o empresário Carlos Peixoto e a empresa H2helium, a iniciativa não só demonstra a competitividade da engenharia brasileira como reforça o papel do hidrogênio na transição energética, ao mesmo tempo em que se insere num novo formato de campeonato global da Shell rumo a uma etapa em Qatar em 2027. (Radar do Hidrogênio - 15.04.2026)

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Ceres lança pilha de óxido sólido para energia e produção de H2

A britânica Ceres apresentou a Endura, nova pilha de óxido sólido de 10,8 kW voltada tanto à geração de energia quanto à produção de hidrogênio. Segundo a empresa, a tecnologia foi desenvolvida para atender à demanda crescente por fornecimento elétrico local, especialmente em data centers, ao mesmo tempo em que pode contribuir para reduzir os custos do hidrogênio verde. A nova pilha é baseada nas células de óxido sólido com substrato de aço da companhia e opera em temperaturas entre 450ºC e 630ºC. De acordo com a Ceres, o equipamento pode ser aplicado em configurações de célula a combustível, para geração elétrica, e também em sistemas de eletrólise, destinados à produção de hidrogênio. Com isso, a empresa busca ampliar a oferta de soluções versáteis para usos energéticos e industriais, apostando em uma tecnologia capaz de combinar eficiência, fornecimento descentralizado de energia e apoio ao avanço da cadeia do hidrogênio. (Hydrogen Europe - 15.04.2026)

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Eventos

MME debate o papel do H2 na indústria em conferência da UNIDO

O Ministério de Minas e Energia (MME) participou da Conferência Internacional sobre Hidrogênio na Indústria promovida pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), em Viena. Representando o MME, esteve presente a diretora do departamento de Transição Energética e Planejamento, Karina Araújo. Durante sua participação, a diretora ressaltou como o hidrogênio vai além de uma alternativa e configura esse movimento como uma estratégia de desenvolvimento que integra descarbonização e fortalecimento industrial. Além disso, destaca-se o reconhecimento do PNH2 em relação a necessidade do avanço nessas iniciativas com viabilidade de financiamento, especialmente em setores de difícil descarbonização. O programa também destaca a relevância do mercado, com alto potencial em setores industriais de difícil abatimento de carbono. Na ocasião, foi realizada ainda uma mesa redonda com a delegação da África do Sul, marcando o início do intercambio voltado a promoção do hidrogênio. Por fim, vale destacar que durante a agenda internacional, o MME também participou do Fórum Internacional de Energia e Clima de Viena, com ênfase no encontro com a delegação chinesa presente no evento. (GOVBr – 10.04.2026)

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Artigos e Estudos

ABIHV: H2V no Brasil só deve ganhar escala a partir de 2029

Apesar da combinação favorável de matriz renovável, portos e avanços regulatórios, os projetos de hidrogênio verde em larga escala no Brasil devem começar a operar apenas entre 2029 e 2030. Segundo a ABIHV, os empreendimentos com decisão final de investimento prevista para 2026 somam R$ 53 bilhões, aos quais se juntam mais R$ 55 bilhões projetados para 2027 a 2029. O setor, porém, ainda depende de infraestrutura, investidores, agência reguladora, contratos de compra e maior maturidade tecnológica. Hoje, o mercado global de hidrogênio gira em torno de 100 milhões de toneladas por ano, mas apenas 1% é de baixo carbono. No Brasil, a produção é de 550 mil toneladas anuais, das quais 0,3% são verdes. Especialistas apontam que, no curto prazo, a guerra no Oriente Médio e a busca por segurança energética devem deslocar investimentos para biocombustíveis, deixando o H2V como rota estrutural de descarbonização para a próxima década, embora projetos menores já avancem em indústrias, mobilidade e futuras exportações. (Valor Econômico – 16.04.2026)

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Brasil: Estudo aponta que SC vislumbra transição energética estrutural com avanço do H2

Um estudo publicado na revista online Produção aponta que a região carbonífera de Santa Catarina vive um processo de transição energética estrutural com o hidrogênio de baixo carbono ganhando espaço como alternativa ao modelo historicamente baseado no carvão. A pesquisa analisa a mudança do sistema energético local como um movimento gradual e multifacetado, impulsionado por pressões climáticas, inovação tecnológica e novas diretrizes regulatórias. No curto prazo, entre 2025 e 2035, políticas públicas e incentivos financeiros tendem a pressionar o modelo atual e abrir caminho para projetos-piloto com hidrogênio. Na etapa intermediária, de 2035 a 2045, a maturação tecnológica e a redução de custos devem estimular a migração de investimentos e a reestruturação, ou até desativação, de ativos termelétricos. Já no horizonte de 2045 a 2055, o hidrogênio surge como vetor dominante, acompanhado pela adaptação das cadeias produtivas, requalificação da mão de obra e redução consistente de emissões. (Radar do Hidrogênio - 16.04.2026)

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