Hidrogênio 208
Uso Final
País de Gales: Governo realiza teste com caminhões de coleta de lixo movidos a hidrogênio
O governo do País de Gales apresentou nesta semana seu primeiro teste comparativo entre caminhões de coleta de lixo (RCVs) movidos a hidrogênio e veículos elétricos, colocando as duas tecnologias lado a lado em operação real. A demonstração, apoiada por mais de £420 mil dos programas Climate Innovation e Circular Economy, será conduzida em parceria com Ricardo e Hyppo, além dos conselhos locais de Caerphilly e Rhondda Cynon Taf. Coordenado pela Cardiff Capital Region (CCR), que reúne dez autoridades locais do sudeste galês, o projeto busca coletar dados operacionais para comparar consumo de energia, autonomia, desempenho em rotas e terrenos diferentes e adequação para o serviço diário. A expectativa é que os resultados orientem decisões de investimento e o planejamento da próxima etapa de frotas de zero emissão no País de Gales, especialmente em um setor considerado difícil de descarbonizar: o de veículos pesados. Autoridades e representantes locais destacaram que o piloto pode servir de referência para modernizar a coleta de resíduos e reduzir emissões nas comunidades. (Cardiffcapital – 26.02.2026)
Reino Unido: GB Railfreight aposta em retrofit a hidrogênio para evitar custos de eletrificação nos trilhos
A GB Railfreight (GBRf), uma das principais operadoras de frete ferroviário do Reino Unido, assinou um Memorando de Entendimento (MoU) com a empresa norte-americana de tecnologia limpa HyOrc Corporation para avançar na descarbonização de locomotivas de carga por meio do Project Phoenix. A parceria pretende definir um projeto-piloto para retrofit de parte da frota mais antiga de locomotivas a diesel, substituindo o motor convencional por um sistema de propulsão “pronto para zero emissão” da HyOrc. O plano parte de um sistema industrial de 1 MW da HyOrc, recentemente validado e avaliado de forma independente pela Bureau Veritas, e propõe escalar para um piloto de 3 MW no Reino Unido. O objetivo é demonstrar um caminho prático e de menor risco para migrar locomotivas do diesel para combustíveis mais sustentáveis, com a vantagem de evitar investimentos pesados em eletrificação ferroviária. A estratégia é faseada: primeiro, reduzir emissões usando gás natural ou GLP a bordo e, depois, avançar para 100% de hidrogênio a bordo. Segundo a GBRf, o retrofit permitiria prolongar o valor dos ativos atuais enquanto a empresa introduz sua nova frota bi-mode Class 99. A HyOrc, por sua vez, afirma que adaptar ativos existentes pode acelerar a descarbonização sem os custos de uma renovação completa da frota e estuda buscar financiamento via o Connected Places Catapult Accelerator. (GB RailFreight - 20.02.2026)
Índia: Tata Motors e Autoridade firmam acordo para implantar caminhões a hidrogênio
A Tata Motors, maior fabricante de veículos comerciais da Índia, assinou um Memorando de Entendimento (MoU) com a Autoridade Portuária V.O. Chidambaranar (VOCPA), Tuticorin, para colocar em operação 40 caminhões movidos a hidrogênio, usando motores a combustão interna (H2 ICE), nas atividades logísticas do porto. O acordo marca um passo do governo e do setor privado para reduzir emissões em operações portuárias. Pelo cronograma, a Tata Motors fará testes iniciais com um veículo a hidrogênio e, em seguida, executará a implantação gradual da frota ao longo dos próximos dois anos. Além dos caminhões, o porto informou que avança com planos para instalar um eletrolisador de 2 MW e um posto dedicado de abastecimento de hidrogênio, para sustentar a operação. O projeto será financiado pelo Ministério dos Portos, Navegação e Hidrovias, indicando prioridade oficial para acelerar a adoção de energias limpas no ecossistema marítimo. A VOCPA afirma que a medida deve descarbonizar o manuseio de cargas e servir de referência para logística portuária de baixo carbono, enquanto a Tata diz que o piloto ajudará a avaliar o desempenho e a viabilidade econômica (TCO) do hidrogênio em aplicações reais. (TataMotors – 26.02.2026)
Produção
ABIHV avalia modelo chinês e impactos globais no hidrogênio verde
A Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV) analisou o modelo chinês de desenvolvimento do hidrogênio renovável, estruturado sob o conceito “piso nacional + ambição provincial”, que combina diretrizes centrais com competição regional por escala e inovação. A meta oficial prevê produção entre 100 mil e 200 mil toneladas anuais até 2025, com foco na substituição do hidrogênio fóssil na indústria química, no refino, na produção de metanol, no DRI para siderurgia, no transporte pesado e no armazenamento sazonal. Províncias como Mongólia Interior e Xinjiang disputam liderança em produção de baixo custo, enquanto polos costeiros buscam avanço tecnológico. Segundo a entidade, o modelo pode redefinir padrões globais de custo, oferta e competitividade. (Brasil Energia – 03.03.2026)
Brasil: MME prevê demanda de 28,5 GW para data centers e 38,6 GW para H2V até 2038
O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou o “Book de Empreendimentos – Minas e Energia 2026”, reunindo projetos em andamento e previstos no Brasil entre 2025 e 2035. O levantamento aponta mais de R$ 1,2 trilhão em investimentos em execução até 2032 e potencial de R$ 4 trilhões até 2035. Do total projetado, aparecem R$ 2,8 trilhões para óleo e gás, R$ 596 bilhões para energia elétrica e R$ 130 bilhões para eletromobilidade, além de R$ 415 bilhões para projetos minerais e R$ 106 bilhões para combustíveis sustentáveis. Em energia elétrica, os R$ 596 bilhões se dividem em R$ 374 bilhões para geração centralizada, R$ 106 bilhões para geração distribuída (GD) e R$ 117 bilhões para transmissão. Entre os vetores que ampliam a demanda, o MME lista 66 data centers com demanda prevista de 28,5 GW até 2038 e projetos de hidrogênio verde (H2V) que podem demandar 38,6 GW até 2038, associados a R$ 49,6 bilhões em investimentos. O documento também destaca projetos de solar centralizada somando R$ 27,8 bilhões e informa que as estimativas usam dados de dezembro de 2025. (PV Magazine Brasil - 26.02.2026)
Irlanda: Gas Networks Ireland e Corrib JV firmam acordo para piloto de H2V em Bellanaboy
A Gas Networks Ireland e a Corrib Joint Venture assinaram acordo estratégico para desenvolver um projeto-piloto de hidrogênio verde (H2V) em Bellanaboy, na Irlanda, com foco na descarbonização do sistema energético e no aproveitamento da infraestrutura existente de gás. A iniciativa avaliará a viabilidade técnica e operacional da produção de hidrogênio por eletrólise com energia renovável, além de testar sua injeção na rede ou aplicação industrial. A parceria entre operador de rede e responsável pelo campo de Corrib indica adaptação de ativos fósseis à transição energética, gerando aprendizados regulatórios sobre segurança, certificação e mistura de H₂. Projetos-piloto como este funcionam como base para expansão comercial e atração de investimentos, alinhando-se às metas climáticas da União Europeia. (Hydrogen Central - 26.02.2026)
EUA: HydrogenPro avança em projeto de expansão da infraestrutura de H2V na Califórnia
A HydrogenPro anunciou que seu projeto de 220 MW está em fase final de conclusão e deverá assegurar fornecimento de energia renovável à Califórnia, reforçando a expansão da infraestrutura de hidrogênio verde nos Estados Unidos. O empreendimento utiliza eletrólise alcalina em larga escala para produzir hidrogênio a partir de fontes renováveis, alinhando-se às metas estaduais de redução de emissões em setores industriais e de mobilidade pesada. Projetos dessa dimensão evidenciam maior maturidade tecnológica e demandam contratos robustos de energia e coordenação com operadores de rede. A iniciativa também impulsiona a cadeia de valor do hidrogênio, com geração de empregos e atração de capital, sustentada por estabilidade regulatória e incentivos públicos. (Hydrogen Central - 27.02.2026)
EUA: HyTerra e Prometheus testarão cadeia integrada de hidrogênio geológico nos EUA
A HyTerra e a Prometheus Hydrogen anunciaram projeto-piloto para testar uma cadeia completa de suprimento de hidrogênio geológico nos Estados Unidos, integrando exploração, produção, processamento e comercialização do chamado H₂ natural. A iniciativa avaliará a extração direta em formações subterrâneas, bem como etapas de purificação, compressão, transporte e uso final, estruturando modelo “end-to-end” para mensurar custos, eficiência e riscos. Diferentemente do hidrogênio verde ou azul, o geológico tem origem natural e ainda carece de comprovação de escala e sustentabilidade. O projeto também examinará enquadramento regulatório e normas aplicáveis, buscando viabilizar nova rota de oferta no contexto da descarbonização industrial. (Hydrogen Central - 28.02.2026)
Canadá: QIMC identifica segunda zona com hidrogênio natural na Nova Escócia
A QIMC anunciou a identificação de uma segunda zona estrutural associada a hidrogênio natural a 313 m de profundidade no projeto West Advocate, na Nova Escócia, no Canadá, reforçando a hipótese de sistema multizona de H₂ e ampliando o potencial exploratório da área. A descoberta indica possível continuidade estrutural e repetição de intervalos com indícios de acumulação, justificando novas etapas de perfuração, modelagem geológica e testes de produção. O hidrogênio geológico, gerado por processos naturais, é avaliado como alternativa potencialmente menos intensiva em energia, embora ainda em fase inicial de validação comercial. O avanço fortalece estudos sobre viabilidade econômica, segurança operacional e regulação ambiental. (Hydrogen Central - 27.02.2026)
EUA: HyTerra e Prometheus testarão cadeia integrada de hidrogênio geológico
A HyTerra e a Prometheus Hydrogen anunciaram projeto-piloto para testar uma cadeia completa de suprimento de hidrogênio geológico nos Estados Unidos, integrando exploração, produção, processamento e comercialização do chamado H₂ natural. A iniciativa avaliará a extração direta em formações subterrâneas, bem como etapas de purificação, compressão, transporte e uso final, estruturando modelo “end-to-end” para mensurar custos, eficiência e riscos. Diferentemente do hidrogênio verde ou azul, o geológico tem origem natural e ainda carece de comprovação de escala e sustentabilidade. O projeto também examinará enquadramento regulatório e normas aplicáveis, buscando viabilizar nova rota de oferta no contexto da descarbonização industrial. (Hydrogen Central - 28.02.2026)
Mantle8 assegura parceria estratégica com S³ para ampliar a exploração de hidrogênio natural
A Mantle8, empresa francesa de geociências pioneira na exploração de hidrogênio natural, firmou uma parceria estratégica de longo prazo com a S³ – Smart Seismic Solutions que garante acesso a uma frota dedicada de sensores sísmicos e serviços de campo, fornecendo dados de subsuperfície de alta qualidade necessários para a imagem de sistemas geradores de hidrogênio com a tecnologia HOREX. Ao eliminar um gargalo operacional crítico, a aliança permite a implantação rápida em múltiplas campanhas de exploração em paralelo ao redor do mundo e acelera a transição da Mantle8 da validação tecnológica para a implantação global, já que a aquisição sísmica — capaz de mapear desde zonas ativas de geração até reservatórios antes da perfuração — reduz riscos na exploração do hidrogênio natural e é vista como elemento-chave para viabilizar o hidrogênio como recurso energético doméstico, de baixo custo e baixa emissão. (Hydrogen Europe - 26.02.2026)
País de Gales: Novo projeto de energia limpa explora H2V para silvicultura sustentável
Um novo projeto em Devils Bridge, em Ceredigion, no País de Gales, vai avaliar a produção local de hidrogênio verde (H2V) para substituir diesel em máquinas e veículos do setor florestal. Liderado pela Challoch Energy Ltd, o estudo testa o uso de energia eólica para gerar H₂ e reduzir emissões em uma atividade relevante para a economia regional, que sustenta cerca de 14 mil empregos e hoje depende fortemente de equipamentos a diesel. A iniciativa recebe apoio do programa WSRID do Growing Mid Wales, ligado ao financiamento de Climate Innovation do governo galês, voltado a pesquisas aplicadas e estudos de viabilidade em ambientes rurais. O trabalho envolve o Mid Wales timber transport group (Natural Resources Wales, conselhos de Ceredigion, Powys e Carmarthenshire, empresas de madeira, transportadores e stakeholders locais) para mapear locais viáveis para turbinas eólicas e instalações de produção de hidrogênio. Há ênfase em propriedade local e benefícios comunitários, mantendo a geração e o consumo de energia dentro da própria região. O estudo também cobre aspectos técnicos, comerciais e regulatórios; se os resultados forem positivos, pode evoluir para uma fase posterior de implantação em escala real e servir de modelo replicável para uma silvicultura mais sustentável no País de Gales. (Hydrogen Central - 24.02.2026)
Alemanha: Ministros fazem visita técnica à EKPO para obter insights sobre a mobilidade sustentável do hidrogênio
O ministro federal dos Transportes da Alemanha, Patrick Schnieder, e a ministra do Meio Ambiente, Clima e Energia de Baden-Württemberg, Thekla Walker, visitaram as instalações da EKPO Fuel Cell Technologies para conhecer de perto os avanços tecnológicos em mobilidade sustentável baseada em hidrogênio, reforçando o alinhamento entre política pública e desenvolvimento industrial no fortalecimento da cadeia de valor das células a combustível. A EKPO, especializada na produção de stacks e componentes para sistemas de propulsão a hidrogênio, apresentou soluções voltadas à descarbonização do transporte pesado e comercial, segmento considerado estratégico para atingir metas climáticas europeias. A visita institucional demonstra apoio governamental ao escalonamento industrial da tecnologia, destacando o papel da Alemanha como um dos polos globais de inovação em hidrogênio e mobilidade limpa. A integração entre indústria automotiva, fornecedores de tecnologia e formuladores de políticas é vista como elemento-chave para consolidar infraestrutura de abastecimento, padronização técnica e redução de custos de produção. No âmbito da mobilidade sustentável, o hidrogênio é considerado complementar à eletrificação por baterias, especialmente em aplicações de longa distância e alta demanda energética, como caminhões e ônibus. A agenda reforça a estratégia alemã de combinar inovação tecnológica, incentivo regulatório e parcerias público-privadas para acelerar a transição no setor de transportes. (Hydrogen Central - 28.02.2026)
Políticas Públicas e Financiamentos
Brasil: Seminário na Câmara aponta potencial de crescimento na produção de biocombustíveis
A Comissão Especial da Câmara dos Deputados sobre Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde (CEENERGIA) promoveu o seminário "Roadmap – Biofuels: the Shortest Route", proposto pelos deputados Arnaldo Jardim (Cidadania‑SP) e Bacelar (PV‑BA) e organizado em parceria com a Biofuels Coalition. O encontro colocou no centro do debate legislativo a integração entre etanol, outros biocombustíveis e a produção de hidrogênio de baixo carbono, destacando estudos internacionais que apontam que a produção de biocombustíveis a partir da cana‑de‑açúcar pode crescer mais de 40% sem aumento da área cultivada, e discutiu a possibilidade de converter o CO2 liberado na produção de etanol em metanol usando hidrogênio gerado no próprio processo. Os principais pilares são o mapeamento de alternativas concretas de descarbonização da matriz energética brasileira e a construção de uma agenda pragmática baseada nas vantagens comparativas do país. (Radar do Hidrogênio - 28.02.2026)
Finlândia: ETFuels recebe crédito fiscal para desenvolver projeto de e-metanol
A ETFuels Finland Oy recebeu da Business Finland um crédito fiscal de investimento de até €118,6 milhões para o projeto Ranua Näätäaapa de e-metanol, ficando entre as maiores concessões do programa finlandês de Crédito Fiscal para Grandes Investimentos em Transição Limpa. O benefício pode cobrir até 20% do CAPEX elegível, reforçando a economia do projeto, reduzindo a intensidade de capital e aumentando a “bankability” e a visibilidade de financiamento. A planta está planejada para produzir 110 ktpa de e-metanol a partir de hidrogênio renovável e CO₂ biogênico, usando a oferta de eletricidade renovável do país. A Finlândia vem se destacando por sua jurisdição atrativa para hidrogênio e e-fuels por combinar recursos renováveis, CO₂ biogênico, licenciamento mais ágil e estabilidade regulatória, além da meta nacional de capturar pelo menos 10% da produção e do consumo de hidrogênio limpo na União Europeia. A ETFuels desenvolve o projeto em parceria com a Neova Oy, citada como apoio desde as fases iniciais (energia renovável, licenciamento e presença regional), com engajamento de partes locais como proprietários de terra, prefeitura e comunidade de pastoreio de renas. (ETFuels - 23.02.2026)
Alemanha: Siderúrgica Salzgitter recebe financiamento da Comissão Europeia
O governo da Alemanha anunciou que a siderúrgica Salzgitter receberá mais de €322 milhões (US$380 milhões) em apoio estatal, aprovado pela Comissão Europeia. O projeto inicialmente estimado em cerca de €1 bilhão no âmbito do IPCEI — com 70% do aporte vindo do governo federal e 30% do estado da Baixa Saxônia — será usado para modernizar a produção, convertendo processos a base de altos-fornos para métodos que envolvem hidrogênio e outras medidas de descarbonização. A decisão ocorre num contexto de pressão sobre o setor, num processo apelidado pelo mercado de “crise existencial” diante a expansão das importações chinesas e de tarifas americanas. No contexto alemão, a produção de aço bruto caiu para 34,1 milhões de toneladas no ano passado, menor nível desde 2009 (32,7 milhões), e cerca de um em cada três toneladas usadas na União Europeia vem de fora do bloco, o que torna esse apoio relevante para viabilizar a transição ao “aço verde” e enfrentar a sobrecapacidade global e as pressões comerciais. (Hydrogen Central - 24.02.2026)
Alemanha: Parlamento adota lei de aceleração de hidrogênio
O Parlamento alemão aprovou a Hydrogen Acceleration Act, lei destinada a acelerar o desenvolvimento da infraestrutura de hidrogênio na Alemanha. O projeto inclui ajustes que permitem que as medidas também se apliquem ao hidrogênio de baixo carbono. O objetivo da normativa é simplificar e digitalizar procedimentos de aprovação e reduzir entraves burocráticos para escalar a economia do hidrogênio. A norma abrange toda a cadeia de abastecimento e classifica a expansão da infraestrutura como de interesse público sobrelevado. (Hydrogen Europe - 27.02.2026)
África do Sul: Lançamento de unidade para pesquisa e inovação em hidrogênio
O governo da África do Sul lançou o Strategic Hydrogen Localisation Investment Facility na Universidade de Witwatersrand (Wits), em Braamfontein (Joanesburgo). A iniciativa é um investimento de R100 milhões para impulsionar pesquisa, inovação e localização de tecnologia na cadeia do hidrogênio, financiado pela Air Liquide South Africa. O programa é uma parceria entre a Air Liquide South Africa, Wits University e o Localisation Support Fund, com foco em fortalecer capacidade científica, formar mão de obra e apoiar uma transição energética justa rumo a uma economia de hidrogênio de baixo carbono. Um eixo central é a implantação de uma planta piloto modular de hidrogênio no West Campus da Wits para pesquisa aplicada, ensino, testes de aplicações e uma plataforma “destravada” para parceiros industriais escalarem soluções. O desenho prioriza criar capacidade industrial local e uma cadeia doméstica de componentes e serviços, reduzindo dependência de importações e abrindo oportunidades para empresas sul-africanas na cadeia de valor do H₂. (The Presidency Republic of South Africa – 25.02.2026)
Inglaterra: Humber entra na corrida por financiamento de rede de hidrogênio de £ 500 mi
O consórcio Humber Hydrogen, formado pela National Gas, Centrica, Equinor e SSE Thermal, vai disputar cerca de £500 milhões (US$674 milhões) em recursos do governo do Reino Unido no âmbito do Hydrogen Transport and Storage Business Model. A proposta é implantar uma rede regional de dutos e armazenamento de hidrogênio no nordeste da Inglaterra, conectando áreas estratégicas em Yorkshire e Lincolnshire. A iniciativa ganha peso político porque ocorre poucas semanas depois de Equinor, SSE e Centrica enviarem uma carta ao secretário de Energia Ed Miliband, pedindo apoio para acelerar o hidrogênio na região diante do declínio industrial. (Hydrogen Europe - 24.02.2026)
Armazenamento e Transporte
Polônia: Início de CP para o plano decenal 2026–2035 para rede de transporte de hidrogênio
A operadora polonesa GAZ-SYSTEM abriu consulta pública sobre o primeiro rascunho do Plano Nacional Decenal de Desenvolvimento da Rede de Transporte de Hidrogênio 2026–2035, marco para estruturar a futura malha de dutos dedicada ao H₂ e integrar o país ao mercado europeu emergente. O processo convoca produtores, consumidores, distribuidores e operadores de armazenamento a aportar contribuições técnicas e comerciais, incluindo rotas prioritárias, interconexões transfronteiriças e princípios de acesso aberto. O plano se apoia na Lei de Energia polonesa e em dispositivos legais recentes que designaram formalmente a GAZ-SYSTEM como operadora da rede, atribuindo-lhe responsabilidades regulatórias para prestação de serviços. Após alinhamento com o regulador, o documento deve orientar obras e captação de investimentos, além de mapear demanda para reduzir riscos de sub ou superdimensionamento. (Hydrogen Central - 24.02.2026)
Reino Unido: Consórcio propõe a 1ª rede regional de hidrogênio com apoio público de até £500 mi
Um consórcio liderado por National Gas, Centrica, Equinor e SSE Thermal apresentou proposta para desenvolver a primeira rede regional de transporte e armazenamento de hidrogênio no Reino Unido, com potencial de receber cerca de £500 milhões em financiamento governamental. O projeto pretende conectar polos industriais do Humber e ativos como Aldbrough Hydrogen Storage, H2H Saltend e a Keadby Next Generation Power Station, criando um sistema integrado que articule produção, armazenamento geológico e consumo industrial. A iniciativa se insere no processo competitivo de seleção de empreendimentos apoiados pela política britânica de descarbonização industrial e segurança energética, associada ao compromisso de investir mais de meio bilhão de libras em infraestrutura de H₂. O arranjo é apontado como modelo replicável para acelerar escala e reduzir emissões em setores intensivos em carbono. (Hydrogen Central - 25.02.2026)
Eventos
Mission Hydrogen: Hydrogen Storage in Salt Caverns – Safaty Panel Discussion
O evento Hydrogen Storage in Salt Caverns, organizado pela Mission Hydrogen, acontecerá no dia 11 de março. O evento contará com a participação de Jack Samways, New Energy Business Development Manager for Europe na MSA Safety, e com a moderação de David Wenger, Ceo e Fundador da Mission Hydrogen. (Mission Hydrogen – Fevereiro de 2026)
GESEL realiza seminário “O Futuro do Hidrogênio de Baixo Carbono no Brasil”
No dia 19 de março, das 9h às 16h30, no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, o GESEL realizará o seminário “O Futuro do Hidrogênio de Baixo Carbono no Brasil”, dedicado ao papel do hidrogênio de baixo carbono como um dos vetores mais promissores e consistentes da transição energética no Brasil e no mundo. O encontro marca o encerramento do projeto de P&D “Pecém H2”, desenvolvido no âmbito do Programa de P&D da ANEEL, com financiamento da EDP Brasil, que resultou na construção da primeira planta de hidrogênio verde no contexto da transição energética no país, além do lançamento do livro “Um caminho para o Mercado de Hidrogênio de Baixo Carbono no Brasil”. O evento contará com a participação de representantes do MME, ANEEL, BNDES e EPE, além de executivos da EDP e da Energia Pecém, bem como pesquisadores da USP e da PUC, sob moderação da ABIHV. Mais informações e inscrições aqui: https://forms.gle/kkqsFk24GUDj5ezC9 (GESEL-UFRJ – 24.02.2026)
Artigos e Estudos
Wood Mackenzie: Relatório analisa potencial do hidrogênio natural como rota competitiva em custos
Um novo relatório da Wood Mackenzie analisa o potencial do hidrogênio natural no contexto de contração do mercado global. Em 2025, o mercado global de hidrogênio de baixo carbono registrou queda de 30% nas decisões finais de investimento em capacidade e triplicação de cancelamentos de projetos, com o custo como principal gargalo. Esse cenário levou empresas e governos a buscar alternativas mais competitivas em termos de custo, incluindo o hidrogênio gerado por processos geoquímicos naturais em formações rochosas (“hidrogênio natural”). O estudo aponta que o tema vem evoluindo de análises teóricas para atividades concretas de perfuração exploratória, com os Estados Unidos liderando a iniciativa, seguidos por Austrália, Canadá e França, e aproximadamente 60 projetos anunciados, a maioria ainda em fase inicial de estudo ou levantamento de dados. Ainda, destaca-se que a dinâmica regulatória tem papel determinante, com avanços em países que oferecem maior clareza sobre direitos minerais e enquadramento jurídico, enquanto lacunas normativas limitam expansão em outras regiões. Embora o hidrogênio natural ainda não esteja incorporado ao cenário-base da consultoria, projeções indicam que, caso recursos sejam comprovados e modelos comerciais se consolidem, a produção técnica poderia alcançar cerca de 20 milhões de toneladas por ano até 2050. O relatório destaca, contudo, que viabilidade econômica dependerá de comprovação geológica consistente, estabilidade regulatória e capacidade de atrair capital para escalar operações. Assim, o hidrogênio natural emerge como rota promissora, porém ainda experimental, no portfólio global de soluções para descarbonização industrial e energética. (Hydrogen Central - 27.02.2026)