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O mercado livre de energia brasileiro, prestes a se abrir totalmente até 2028, enfrenta uma crise inédita marcada por falta de liquidez, alta volatilidade de preços e aumento de judicializações. Empresas recorrem à recuperação judicial ou revisão de contratos devido ao descompasso entre preços projetados e o PLD elevado, agravado por fatores como modelo de precificação inadequado, clima adverso e gestão de riscos. Entidades do setor alertam para riscos sistêmicos e defendem flexibilizar a contratação obrigatória e rever parâmetros como o CVaR. A Aneel investiga possíveis distorções e avalia medidas regulatórias. O cenário gera perda de confiança, redução de operações e possível consolidação do mercado em grandes grupos. Apesar disso, a abertura do mercado deve seguir, embora com menor atratividade e maior cautela por parte dos consumidores. O professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador-geral do GESEL, Nivalde de Castro, avalia que a crise no mercado livre de energia está associada à elevação e volatilidade do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), referência do mercado de curto prazo. Segundo ele, muitas comercializadoras venderam energia no mercado futuro com base em preços mais baixos e, com a elevação do PLD, passaram a enfrentar custos maiores para recomprá-la, gerando descasamento financeiro e risco de recuperação judicial. O economista destaca ainda que a expansão do mercado livre ampliou a exposição ao risco, com empresas firmando contratos sem lastro suficiente em geração.
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